*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected]
por Helena Nader**
O ASSUNTO É POLÍTICA CIENTÍFICA
Em nome do superávit primário, eles causarão prejuízos muito grandes na competitividade da indústria brasileira; não é uma questão corporativa ou salarial.
Os cortes de R$ 1,48 bilhão (22%) e de R$ 1,93 bilhão (5,5%), respectivamente, nos orçamentos dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC), anunciados recentemente pelo governo federal, são deveras preocupantes quando se tem como compromissos o desenvolvimento sustentável, a competitividade da economia brasileira e o bem-estar de nossas gerações presentes e futuras.
Não se duvida das necessidades macroeconômicas que levaram o governo a promover uma redução de R$ 55 bilhões em seus gastos em 2012. Mas não podemos concordar que, em nome do aumento do superávit primário e da redução da dívida pública, seja comprometido o futuro do Brasil e dos brasileiros.
Não sabemos o quanto os cortes no MCTI e no MEC ajudarão no desempenho das contas federais, mas temos certeza sobre as suas repercussões na vida do país: prejuízos às medidas que visam reduzir o nosso inaceitável déficit educacional e à projeção no cenário científico e tecnológico mundial, além da diminuição da já precária competitividade da indústria brasileira.
Esses aspectos, convenhamos, não condizem com a condição de sexta economia mundial, posição que foi comemorada pelo governo.
Educação de qualidade e produção de C&T avançadas são prioridades para o desenvolvimento nacional. Para ficar na comparação apenas com dois emergentes, a Coreia do Sul ocupa a 15ª posição no ranking de IDH e tem renda per capita PPC (paridade de poder de compra) de US$ 31.753; a Finlândia tem a 22ª posição no IDH e renda per capita PPC de US$ 40.197.
Já o Brasil ocupa a 84ª posição, com renda per capita PPC de US$ 11.767. Os investimentos públicos e privados em P&D (pesquisa e desenvolvimento) nesses países com relação ao PIB: Finlândia, 3,84%; Coreia do Sul, 3,36%; Brasil, 1,19%.
É preocupante a morosa evolução dos dispêndios em P&D com relação ao PIB no Brasil. Se em 2001 o investimento público em P&D correspondia a 0,57% do PIB, em 2004 esse índice baixou para 0,48%.
Em 2010, chegou a 0,63%, mas há o receio de que o valor volte a cair no fechamento das contas de 2011, uma vez que no ano passado, apesar do crescimento do PIB, aconteceram cortes nos gastos com P&D.
Há que se notar que os cortes no MCTI têm um agravante. Boa parte do seu orçamento sai do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), constituído por contribuições compulsórias de setores como petróleo, energia elétrica, transporte e informática.
No entanto, o governo federal, com a justificativa do superávit primário, retém parte dos recursos do FNDCT que, por lei, deveriam ser aplicados em ciência, tecnologia e inovação. Estudos apontam que de 2006 a 2010 a arrecadação do FNDCT somou R$ 11,8 bilhões, dos quais o governo reteve R$ 3,2 bi.
É importante que a sociedade saiba que as nossas reclamações contra os cortes em ciência não tem qualquer relação com questões de natureza corporativa ou salariais.
Nosso objetivo é contribuir para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação como componentes fundamentais para o crescimento socioeconômico do Brasil.
Temos claro que os cortes no MEC e no MCTI causarão prejuízos infinitamente maiores do que o montante que se está economizando agora.
**HELENA NADER, 64, biomédica, é presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), membro da Academia Brasileira de Ciências e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Leia também: ANPG critica cortes no orçamento de Educação e C, T &I
| Foto: Vanessa Stropp |
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| Diretoria da ANPG e Augusto Chagas com Aziz Ab’Saber. Foto tirada durante abertura da 63ª RA da SBPC, em julho de 2010. Na ocasião, Aziz foi um dos homenageados pela Sociedade da qual era Presidente de Honra. |
Aziz Ab’Saber, um dos geógrafos mais respeitados do país, reconhecido internacionalmente, faleceu aos 87 anos, na manhã de hoje (16), às 10h20, de infarto.
Presidente de Honra, ex-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ab’Saber é autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil.
Nascido em São Luís do Paraitinga, em 24 de outubro de 1924, Ab’Saber desenvolveu ao longo de sua extensa carreira de cientista centenas de pesquisas e tratados de significativa relevância internacional nas áreas de ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia e geografia. Ele foi presidente da SBPC de 1993 a 1995 e desenvolveu trabalhos no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) até ontem.
Um dia antes de morrer, o professor, disposto como sempre, fez sua última visita à SBPC, em São Paulo. Em um gesto de despedida, mesmo involuntariamente, ele entregou na tarde de ontem à secretaria da SBPC sua obra consolidada, de 1946 a 2010, em um DVD, para ser entregue a amigos, colegas da Universidade e ao maior número de pessoas.
"Tenho o grande prazer de enviar para os amigos e colegas da Universidade o presente DVD que contém um conjunto de trabalhos geográficos e de planejamento elaborados entre 1946-2010. Tratando-se de estudos predominantemente geográficos, eu gostaria que tal DVD seja levado ao conhecimento dos especialistas em geografia física e humana da universidade", diz Ab’Saber em sua dedicatória.
Ab’Saber morreu antes de ver publicada sua última obra que será o terceiro volume da coleção "Leituras Indispensáveis", a ser publicado pela SBPC.
A ANPG, assim como toda a comunidade científica, está de luto pela perda de Aziz Ab’Saber. Sua contribuição para a ciência, em geral, e para a geografia, em específico, são imensuráveis. Ele se foi mas sua obra ficará entre nós.
Da Redação com informações do Jornal da Ciência.
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A cidade de São Paulo, segunda maior da América Latina, sediará entre os dias 3 e 6 de maio, o 23º Congresso Nacional de Pós-Graduandos. O evento será realizado no Campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
São esperados cerca de mil pós-graduandos, estudantes e pesquisadores do Brasil todo. O tema desta edição do CNPG são os “Desafios Brasileiros”. O tema será discutido pelos presentes em uma série de conferências e grupos de discussão. Além de se aprofundar no tema, os delegados presentes deverão, no último dia, participar da Plenária Final. É nesse momento que são definidas as propostas centrais a serem encaminhadas pela próxima gestão da entidade e é eleita a nova diretoria.
O objetivo principal do congresso é estimular a discussão e o debate sobre os rumos da ciência no Brasil, além de tratar de temas presentes no cotidiano dos pós-graduandos, como a licença-maternidade plena e os valores das bolsas acadêmicas.
Como participar
Para participar do congresso, basta se inscrever em formulário que será disponibilizado neste site na próxima semana. Os(as) pós-graduandos(as) que tiverem interesse em participar como delegados(as), ou seja, que têm direito a voto, devem seguir as orientações do regimento. O regimento já está disponível neste link.
Confira nele como realizar a eleição de delegados para o congresso. As Associações de Pós-Graduandos (APGs) de todo o país estão desde já convocadas a realizarem o processo de eleição dos(as) delegados(as) e mobilização para o 23º CNPG. Baixe a Ata de Eleição de Delegados.
Mostra Científica
Assim como em outas edições, o Congresso Nacional de Pós-Graduandos contará com uma mostra científica, onde pós-graduandos de todo o Brasil podem apresentar seus trabalhos. As normas para submissão de resumos podem ser conferidas no Edital da 4ª Mostra Científica da ANPG, disponível neste link.
Programação
O Ministro de C,T&I, Marco Antônio Raupp, já é um dos nomes confirmados para o CNPG. Além dele, o membro da comissão de elaboração do PNPG e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), José Fernandes Lima e o secretário Executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), Mário Theodoro, também estarão presentes.
Ainda aguardam confirmação nomes como o da filósofa da USP, Marilena Chauí e do neurocientista Miguel Nicolelis.
Desafios Brasileiros
O tema do 23ºCNPG remete aos Desafios Brasileiros colocados no Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020. São 12 áreas em que a formação de recursos humanos qualificados se faz extremamente necessária para que o Brasil não dependa de transferência de conhecimento de outros países. São elas: Água; Energia; Transporte; Controle de Fronteiras; Agronegócio; Amazônia; Mar; Saúde; Defesa; Justiça, Segurança Pública, e Criminologia; Programa Espacial; Desequilíbrio Regional.
Da Redação.
O Projeto de Lei nº 691/2007, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que destina recursos para educação, ciência e tecnologia, será analisado amanhã (14), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, depois de cinco anos aprovado no Senado Federal.
Trata-se do projeto que altera o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), determinando mais recursos para educação, elevando o percentual atual de 18% para 20% no mínimo do dinheiro aplicado no fundo. Ao mesmo tempo, o projeto cria um percentual de 10%, no mínimo, dos recursos para ciência e tecnologia (C&T). Até então, as áreas de C&T não eram contempladas pelo fundo, instituído em 2000 pela Lei 9.998.
Corte no orçamento e Jornada de Lutas
Em recente corte no orçamento, a área de C,T&I perdeu 22% do seu orçamento e Educação 5,5%. Neste cenário, iniciativas que visem reverter esse quadro são vistas como positivas pela ANPG.
Também em busca de mais recursos, a ANPG está organizando, em conjunto com as entidades estudantis, UNE e Ubes, a Jornada de Lutas 2012. As principais reivindicações são: a destinação de 10% do PIB e de 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação, ciência e tecnologia.
Aulas públicas, debates, atos políticos e twittaço são algumas das atividades previstas para a semana do dia 26 a 30 de março.
Receita do Fust
A fonte de recursos do Fust é proveniente de dotações designadas na lei orçamentária anual da União e de recursos cobrados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) como condição para a transferência de concessão de permissão ou de autorização de serviço de telecomunicações ou de uso de radiofrequência; e de contribuições de 1% sobre a receita operacional bruta (das empresas) decorrente de prestação de serviços de telecomunicações nos regimes público e privado, dentre outras.
Acontece nesta quinta-feira (15) o Colóquio “A Organização da Pesquisa na USP”.
Organizado pelo Instituto de Física da USP, a atividade está marcada para às 16h, no auditório Abrahão de Moraes.
O Palestrante é o Prof. Dr. Marco Antonio Zago, Pró-Reitor de Pesquisa da Universidade.
A entrada é franca e haverá transmissão pela internet. Para assistir, clique aqui.
Veja como chegar na USP: http://www.usp.br/cocesp/?p=37&f=57
Da Redação.
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Projeto Temático "Aspectos Biológicos de Tióis: Estrutura Proteica, defesa Antioxidante; Sinalização e Estados Redox", no Intituto de Biociências da USP abre seleção para pós-doutoramento. |
O Projeto Temático “Aspectos Biológicos de Tióis: Estrutura Proteica, Defesa Antioxidante; Sinalização e Estados Redox” oferece uma oportunidade de pós-doutoramento com Bolsa da FAPESP.
O projeto é coordenado pelo professor Luis Eduardo Soares Netto no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.
Os mecanismos pelos quais as células se defendem contra os efeitos tóxicos de radicais livres e espécies correlatas são estudados no laboratório liderado por Soares Netto. Ênfase é dada a uma classe de proteínas denominadas peroxirredoxinas, que inclui tiorredoxinas peroxidases e que tem uma cisteína reativa em seu centro ativo.
“Recentemente, além do papel na defesa antioxidante, essas proteínas têm recebido atenção como mediadores de sinalização redox em muitas vias relacionadas com processos fisiopatológicos”, disse Soares Netto.
A levedura Saccharomyces cerevisiae é utilizada como modelo de estudo entre outros motivos por ser manipulada geneticamente, ter seu genoma sequenciado e pela variedade de ferramentas de genômica funcional disponível. “Temos interesse também na expressão de proteínas heterólogas (por exemplo, proteínas de mamíferos ou plantas) nessa levedura e na investigação do fenótipo resultante”, disse.
Entre outras ferramentas, é utilizada uma coleção de aproximadamente 4 mil linhagens, cada uma com uma deleção em um gene distinto. “Procuramos realizar múltiplas abordagens experimentais, incluindo análises de estruturas cristalográficas de proteínas antioxidantes, utilizando infraestrutura do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron”, disse Soares Netto.
Maiores detalhes das linhas de pesquisa, incluindo artigos publicados, podem ser obtidos em www.ib.usp.br/antioxidantes.
Os candidatos à bolsa deverão enviar para o e-mail [email protected], em formato pdf, até o dia 20 de março de 2012: currículo atualizado, duas cartas de recomendação de profissionais da área e breve relato (máximo duas páginas) da experiência profissional e motivações quanto à função.
A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP (no valor de R$ 5.333,40 mensais) e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.
Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis emwww.fapesp.br/bolsas/pd.
Fonte: Agência FAPESP
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No mês de fevereiro, a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, esteve em Havana, Cuba, participando do Universidad 2012: 8º Congreso Internacional de Educación Superior.
No dia 17 de fevereiro, a mesa de abertura contou com a participação de Manuela Braga, presidenta da Ubes, ao lado de entidades como as Federações Estudantis Universitárias (FEU) de Cuba, Uruguai e Colômbia.
Com rica programação, o fórum foi um importante espaço de articulação com entidades dos países da América Latina. A experiência da ANPG, entidade de âmbito nacional de representação dos pós-graduandos, foi de grande valia para os presentes, que foram incentivados a constituir associações semelhantes em seus países.
Durante o Congresso, a Organização Caribenha e Latino Americana de Estudantes (OCLAE) realizou a reunião de seu secretariado-geral, da qual a ANPG faz parte. Na ocasião, foram apresentadas as atividades do próximo período, como a Rio+20 e a convocação geral para Jornada de Lutas em março deste ano. A diretora de Comunicação da ANPG, Luana Bonone, aproveitou a oportunidade para convidar os presentes para participarem do 23º Congresso da ANPG.
Rio+20
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A próxima Cúpula da Terra Rio+20 – oficialmente designada como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – acontecerá de 20 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro, Brasil. Tal encontro é uma nova tentativa das Nações Unidas, neste início do milênio, para progredir em relação ao compromisso dos Estados e da comunidade mundial com as grandes mudanças deste século XXI. Acontece vinte anos depois da primeira cúpula histórica de Rio de Janeiro, em 1992, e dez anos depois do encontro de Johanesburgo, em 2002.
A comissão organizadora abriu espaço para que entidades organizem atividades autogestionadas durante o evento e a ANPG já se inscreveu. A intenção é montar um estande de recepção/divulgação e organizar miniconferências sobre C&T e meio ambiente.
Jornada de Lutas e Campanha de Bolsas
Compondo as atividades da Jornada de Lutas das entidades estudantis, cujas reivindicações principais são: a destinação de 10% do PIB e de 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação, ciência e tecnologia, a ANPG convoca todas as APG’s e pós-graduandos para atividades pelo Brasil em torno dessas bandeiras e do Reajuste Imediato das Bolsas de Mestrado e Doutorado.
Aulas públicas, debates, atos políticos e twittaço são algumas das atividades sugeridas para serem realizadas nas universidades entre os dias 26 e 30 de março.
As atividades devem ser comunicadas à ANPG através dos e-mails ou perfis nas redes sociais para que sejam divulgadas e posteriormente documentadas.
Fechando a semana de atividades, a ANPG pretende organizar uma audiência pública convocada pelas comissões que tratam de Educação e de Ciência e Tecnologia na Câmara dos Deputados (CEC e CCTCI) para pautar a questão.
Saiba mais sobre a Campanha de Bolsas.
Da Redação.
*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected]
Todos estamos cientes da sub-representação da mulher na ciência, predominantemente quando nos referimos a cargos de liderança. Um exemplo elucidativo é o facto de apenas dez por cento dos cientistas contemplados com o prémio Nobel desde a sua criação em 1901 serem do sexo feminino. No entanto, isso torna-se um paradoxo, quando nos apercebemos que o nível de escolaridade da mulher está a aumentar comparativamente ao do homem em todo o mundo. Um número crescente de estudantes do sexo feminino entra nas universidades em áreas tão díspares como as humanidades, a medicina ou até mesmo as engenharias, sendo estes últimos cursos maioritariamente masculinos há pouco mais de dez anos.
Mas como se explica este paradoxo? A principal causa é a pressão que a sociedade exerce na mulher. A ciência é uma actividade apaixonante, que combina a curiosidade característica do Homem com o interesse em descobrir novos caminhos que possam ajudar a humanidade a ultrapassar os problemas quotidianos, sejam eles de índole científica ou tecnológica. No entanto, esta actividade requer um grande esforço por parte dos profissionais. Para além das muitas horas passadas no laboratório, a ciência requer muito tempo de leitura, de reflexão e de discussão.
A somar a estas tarefas diárias, frequentemente os cientistas têm que se ausentar dos seus locais de trabalho para participarem em congressos e reuniões, ou realizarem estágios noutras instituições que são essenciais para a actualização dos conhecimentos e para o sucesso das suas carreiras. O esforço da mulher, particularmente quando tem uma actividade tão cativante como a ciência, é ainda bastante superior ao do homem hoje em dia. A sociedade nas últimas décadas tem vindo a alterar-se, fazendo com que homens e mulheres partilhem as tarefas domésticas. Cada vez mais os homens são capazes de cuidar dos filhos e da organização do lar.
Porém, a mulher continua a ter a seu cargo a gestão destas tarefas familiares. Por isso, torna-se difícil (e por vezes quase incompatível) conciliar a actividade profissional numa área tão absorvente como a ciência, com a vida familiar e social dinâmica da actualidade. Por outro lado, sendo a ciência tão fascinante, facilmente nos embrenhamos no trabalho dias a fio, ficando as restantes actividades do dia-a-dia para segundo plano.
O que seria da ciência sem as mulheres? De um modo geral, a mulher apresenta várias qualidades fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira científica bem sucedida. Entre estas destacam-se a imaginação, o espírito criativo, a perseverança, o empenho e o entusiasmo. Estas qualidades tornam a mulher um importante impulsionador da ciência.
Neste dia internacional da mulher, é importante realçar a garra que caracteriza as mulheres do século XXI, envolvendo-se sem receio em variadíssimas áreas da sociedade às quais durante muito tempo não tinham acesso. A ciência, pelo seu carácter absorvente, é um dos exemplos paradigmáticos.
Mas a contribuição da mulher em áreas da ciência como a matemática, a astronomia, a química, a medicina, a agricultura ou a biologia, é já de longa data. Há quatro mil anos uma sacerdotisa na Babilónia dedicou-se ao estudo das estrelas, constituindo uma referência importante para os astrónomos e matemáticos que a sucederam.
O conhecido “banho-Maria” que todos nós usamos diariamente no laboratório, e que contribuiu para o desenvolvimento de muitas áreas da ciência e da indústria, é atribuído a uma química, Maria la Hebrea, que viveu no século I em Alexandria. Já no século XX, o papel das mulheres na ciência tornou-se cada vez mais conhecido. Marie Curie é sem dúvida o caso mais marcante que culminou com a atribuição de dois prémios Nobel (da física em 1903 juntamente com o seu marido, e da química em 1911, pela descoberta de dois elementos químicos).
É verdade que a prevalência de mulheres na ciência tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer até atingirmos a igualdade em número de homens e mulheres na ciência. Será que um dia veremos a versão feminina do estereótipo do cientista de bata branca, com os óculos na ponta do nariz e o cabelo desgrenhado? Esperemos que não! Primeiro porque não é saudável, e em segundo lugar porque o papel da mulher (tal como a do homem) na sociedade não se limita à sua profissão.
A educação dos filhos, por exemplo, é imprescindível e salutar quer para os filhos quer para as mães. Talvez no meio esteja a virtude! Tentemos manter uma vida saudável, tornando compatível uma carreira científica de sucesso com a estabilidade de uma vida familiar que todos desejamos. Não é fácil, mas não é de todo impossível! Evocando Darwin, neste ano em que se comemora o bicentenário do seu nascimento, podemos dizer que a diversidade (neste caso de actividades) é essencial para a evolução.
O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é um dia marcado por manifestações e homenagens mundo afora. Tal data
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Embora hoje as mulheres componham metade do total de pesquisadores, sua distribuição é desigual dentro das grandes áreas de conhecimento. No campo de linguística, letras e artes, elas chegam a 67% e nas ciências da saúde, a 60%. Nas ciências exatas, porém, são apenas 33% e nas engenharias, 26%.¹ |
surgiu pela luta por melhores condições de trabalho, historicamente precarizadas em relação à condição masculina. A realidade feminina ainda é a de quem vive em um mundo com cultura patriarcal. Assim, as mulheres ainda são discriminadas sexualmente, no mercado de trabalho, nos espaços de poder e em todos os aspectos da vida pública. Entretanto, há ícones importantes da contribuição das mulheres em todos os campos, inclusive na ciência.
Mayana Zatz, geneticista pioneira; Káthia Maria Honório, professora da USP – foi a laureada na área de Ciências Químicas na edição 2010 do Prêmio L’Oréal/UNESCO “Para Mulheres da Ciência”; Marilena Chauí, filósofa de reconhecimento internacional; Maria da Conceição Tavares, que chegou a participar da elaboração do Plano de Metas do governo JK; Wrana Panizzi, presidenta da Andifes na ocasião da primeira reunião da entidade com um presidente da República e depois vice-presidente do CNPq, são apenas alguns exemplos contemporâneos.
As mulheres já são maioria dentro das universidades. Entretanto, a realidade é que são minoria em cargos de chefia. Além do mais, estar no campo das ciências significa estar em todas as áreas, e isso ainda não é uma realidade para as mulheres. Os estereótipos ainda são muito fortes dentro da academia (e na sociedade como um todo), de forma que áreas como engenharias e tecnologia ainda são majoritariamente ocupadas por homens.
A jornada tripla de trabalho (estudos, casa e emprego) apresenta-se como obstáculo para a garantia do aumento do número de mulheres à frente de pesquisas de ponta. O Estado não oferece suporte suficiente para que a mulher se desobrigue de funções que lhe foram historicamente atribuídas de forma exclusiva, como o cuidado com os filhos. A menor remuneração delas nos mesmos postos de trabalho que eles e as barreiras sociais também impedem uma participação mais protagonista das mulheres na vida pública.
Ganha força a ideia de que a sociedade precisa avançar em termos de emancipação das mulheres, desde o que as nossas crianças aprendem e apreendem (afinal, as meninas brincam de cozinhar enquanto os meninos brincam de carrinhos), até o que publicamos nos livros de História, onde quase sempre o papel da mulher nos grandes acontecimentos é apagado. Mas, principalmente, é preciso fornecer as condições para revelar os talentos e potenciais oprimidos em séculos de confinamento doméstico.
ANPG para as mulheres
O dia 16 de novembro de 2010 marca uma conquista contemporânea grande importância. Nesta data foi publicada, no Diário Oficial da União, a Portaria n° 220, que concedeu licença maternidade às bolsistas da Capes, nos moldes do que já ocorria com bolsistas do CNPq.
Essa vitória é significativa pelo que representa para as centenas de bolsistas pelo país que passam a gozar do direito de serem mães (ao invés de serem condenadas pelo atraso do seu programa de pós-graduação, como até então ocorria), e também porque se deu sob a presidência de uma mulher à frente da ANPG, Elisangela Lizardo.
Ainda há muito que se conquistar no rumo de uma sociedade onde cada um e cada uma tenha a liberdade de ser o que é, contribuindo para o desenvolvimento coletivo com suas qualidades mais próprias.
Emancipação das mentes
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| Marie Curie, Nobel de Física (1903) e Química (1911).
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Neste 8 março, a ANPG se imbui do espírito pioneiro e revolucionário de Marie Curie, a primeira pessoa a ser duas vezes laureada com o Nobel de Física (1903 e 1911), e que almejava transformar a ciência. É com este pensamento avançado e ousado que as mulheres poderão conquistar transformações realmente significativas, para elas e para o conjunto da sociedade, que só tem a ganhar com emancipação de mentes e com a diversidade das qualidades daqueles (as) que a conduzem.
Um belo 8 de março a todas as mulheres e a todos os homens que trabalham por um Brasil democrático e um povo livre!
História do 8 de março
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho parada de dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
ANPG
¹ Os dados são do estudo “A participação feminina na pesquisa: presença das mulheres nas áreas do conhecimento”, conduzido por Isabel Tavares, coordenadora da área de iniciação científica do CNPq. Ela se baseou em números de 2006 do Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) da instituição, da Plataforma Lattes e da Coleta/Capes.
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