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*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected]

 Por Theófilo Rodrigues** 

Entre os dias 3 e 6 de maio deste ano centenas de pós-graduandos de todo o país estarão reunidos na cidade de São Paulo para debater os rumos da pós-graduação no Brasil. Será o 23º. Congresso Nacional de Pós Graduandos, organizado pela ANPG, desta vez na UNIFESP. Temas como o Programa Ciência sem Fronteiras, a valorização e universalização das bolsas de pesquisa e as desigualdades regionais na distribuição de recursos para a ciência, tecnologia e inovação deverão consumir a agenda dos 4 dias de debate, além das mostras científicas com apresentação de trabalhos dos mestrandos e doutorandos.

Não é sempre que este público qualificado consegue estar reunido para debates tão relevantes. Consumidos pelo dia a dia de suas pesquisas, com prazos cada vez mais rigorosos para defesas e entregas de artigos, os pós-graduandos encontram no Congresso da ANPG um espaço único para o debate político sobres os rumos da ciência e da academia no Brasil.

Não há dúvidas de que o principal debate presente neste 23º. Congresso será sobre o tema das bolsas de pesquisa. Não bastasse o fato de estar há mais de 4 anos sem reajuste em seu valor, a quantidade de bolsas ainda é muito insuficiente frente ao crescimento da pós-graduação brasileira nos últimos anos. A universalização destas bolsas deve ser tratada com a mesma prioridade com a qual a campanha pela valorização vem sendo feita. Em outras palavras, de nada adiantará aumentar o valor das bolsas se apenas uma minoria as estiver recebendo.   

Outro aspecto relevante a ser debatido neste Congresso diz respeito à incorporação das pesquisas desenvolvidas no processo industrial e social do país. O Brasil já ocupa hoje a elogiosa 13ª posição no ranking internacional de artigos científicos indexados. Entretanto, no que diz respeito à incorporação de toda esta produção de conhecimento no processo de desenvolvimento nacional, nosso registro de patentes ainda é muito amador. Ao contrário do que afirma certa corrente de pensamento, o problema não está na cultura passiva dos empresários brasileiros. O problema é acima de tudo econômico: enquanto for mais seguro e lucrativo para as indústrias investirem no capital financeiro, no rentismo, não haverá perspectivas para o investimento em inovação tecnológica. Manter a maior taxa de juros do mundo não ajuda em nada neste processo.

Não há país soberano no mundo que não tenha incorporado ao seu processo produtivo a produção de novas tecnologias, ou seja, a inovação. Debate polêmico, mas que precisa ser travado de frente: enquanto as empresas não participarem do processo de desenvolvimento tecnológico, nossa ciência continuará colonizada.

Estes são alguns dos temas sobre os quais o 23º. Congresso deverá se debruçar. De forma politizada, qualificada e fraterna. Todos ao 23º. Congresso Nacional de Pós Graduandos!

 

*Theófilo Rodrigues é mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

O manifesto publicado nesta terça-feira (20) por entidades representativas da indústria brasileira e da comunidade científica do País, que defendia a revisão da redução de orçamento em CT&I, teve retorno imediato.

Aloizio Mercadante (Educação) e Marco Antônio Raupp. Foto: Ascom MCTI

Os ministros da Ciência e da Educação convocaram uma entrevista coletiva para esclarecer alguns pontos e, principalmente, cobrar mais investimentos privados na área.

Na conversa com a imprensa, os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, e da Educação, Aloizio Mercadante, saudaram o comunicado da categoria em defesa de mais recursos e sustentaram a importância do debate para estimular a inovação no País. "Fomos provocados positivamente, pelos colegas da comunidade científica e empresarial, sobre recursos para ciência e tecnologia. Mas é preciso fazer reparos. Existem vários itens que são importantes de ser considerados, que somam aos recursos orçamentários do ministério e elevam recursos, muito aquém do que os empresários estão trabalhando", comentou Raupp.

O orçamento previsto para a pasta em 2012 era R$ 6,7 bilhões. No entanto, o valor foi reduzido para R$ 5,2 bilhões após o ajuste orçamentário de R$ 55,07 bilhões anunciado pelo governo federal.

Apesar de considerar o diálogo positivo, o titular da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação contesta os cálculos feitos pelas entidades representativas. "Contesto as contas que eles fazem. Quando falam que investimentos estão diminuindo, não levam em consideração outros investimentos. Um exemplo é a própria Finep [Financiadora de Estudos e Projetos, agência de fomento vinculada ao ministério] que vai investir mais R$ 6 bilhões. Esse valor significa que vai dobrar o orçamento, o que modifica completamente o quadro", argumentou.

Para Mercadante, o crédito proposto pela Finep objetiva estimular a participação das empresas privadas como colaboradoras nos investimentos à ciência, tecnologia e inovação. "Colocamos mais recurso para crédito exatamente para incentivar a empresa privada a fazer inovação. No caso da Finep, é basicamente crédito para inovação, o que significa atender à demanda de inovação da indústria e gerar competitividade", disse o ministro da Educação.

Os ministros defenderam maior participação das empresas privadas nos investimentos à inovação. "Grande desafio é a participação das empresas, do mundo empresarial em geral, investindo em ciência e tecnologia. Isso é característica dos países que estão crescendo nessa área, todos eles, onde os investimentos das empresas são bem maiores que os de governo", observou Raupp.

A meta do governo é aumentar a participação empresarial em pesquisa e desenvolvimento para 0,90% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2015. O valor corresponderia à metade dos investimentos no setor, visto que a estimativa do governo é chegar a 1,8% do PIB, nesse mesmo período. Segundo Raupp, o governo investiu 0,61% do PIB em ciência e inovação, em 2010, enquanto o setor privado aplicou 0,55%. Em países desenvolvidos, ocorre o inverso: no Reino Unido, a parcela de investimento do setor privado no mesmo ano foi de 0,82% do PIB, e a do governo, 0,56%.

O ministro Mercadante ressaltou a inclusão da inovação na agenda empresarial e governamental, lembrando a incorporação de ciência, tecnologia e inovação ao Plano Plurianual (PPA) como prioridade estratégica nos programas de governo. "O Brasil mudou para melhor. A pauta na relação entre governo e empresários mudou para melhor", afirmou o ex-ministro do MCTI. Ele comentou o novo marco legal e instrumentos disponíveis, desde 2003, para incentivar a inovação, além das articulações para a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

"Nós precisamos de parceria entre estado e setor privado, precisamos de crédito e incentivos fiscais, mas precisamos de uma determinação empresarial de compromisso com a inovação. O Movimento Empresarial pela Inovação [MEI] da CNI [Confederação Nacional da Indústria] é um passo muito importante nesta direção", avaliou.

Fonte: Jornal da Ciência, com informações da Agência Brasil e Ascom do MCTI.

Na tarde de ontem (20) a presidenta da ANPG, Elisangela Lizardo, participou de reunião da comissão criada para estudar os casos de acúmulo de bolsas com vínculo empregatício.

Composta pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e Pesquisa (Foprop), Capes, CNPq e ANPG, a comissão tem caráter consultivo. 

Na ocasião, circularam opiniões diversas sobre o acúmulo de bolsas com vínculo empregatício. Desde a que a permissão do vínculo fosse cancelada até a proposta de uma nova portaria totalmente reformulada. A opinião dos presidentes da Capes e do CNPq foi unânime no sentido do não cancelamento da Portaria n°01/2010. Eles explicaram que a intenção inicial da medida era proporcionar a oportunidade de uma experiência profissional aos mestrandos e doutorandos durante as suas pesquisas.O contato com o mundo do trabalho lhes permitiria um melhor ingresso no mercado, caso esse fosse o desejo após o término dos estudos. 

Porém, como a ANPG noticiou e acompanhou desde o ano passado, uma polêmica se instaurou.

Entenda aqui o caso.


Após o debate, a comissão propôs eixos centrais para avaliação de uma possível nova portaria. Dentre esses eixos estão a definição de 8 horas semanais de trabalho ou até 32 horas mensais; a solicitação de vínculo somente poderá ser feita pelo bolsista (ou seja, o vínculo tem que ser posterior à bolsa).

Na opinião da ANPG, a desvalorização do valor das bolsas de mestrado e doutorado, há exatos 1390 dias sem reajuste, é um dos pontos por trás dessa polêmica. E mais uma vez essa questão foi levantada na reunião da comissão.

“Uma solução coletiva é sempre mais difícil de ser alcançada, porém, estamos empenhando toda a nossa energia para que nenhum pós-graduando seja prejudicado. Não admitirei, em nome da ANPG, nenhum retrocesso em relação às bolsas já concedidas”, disse Elisangela.


A ANPG se posiciona nesse cenário contra qualquer medida retroativa e fortemente pelo reajuste das bolsas.

Uma nova reunião da comissão está prevista, mas ainda sem data definida.


Caso tenha alguma sugestão, denúncia, informação, manifesto, nota ou outro documento sobre o cancelamento das bolsas, envie para [email protected]

Da Redação.

Na tarde desta terça (20) a presidenta da ANPG, Elisangela Lizardo, participa de reunião da comissão criada para estudar os casos de acúmulo de bolsas com vínculo empregatício.

Composta pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e Pesquisa (Foprop), Capes, CNPq e ANPG, a comissão tem caráter consultivo e, analisando os casos polêmicos que chegaram às entidades, as mesmas apresentaram considerações sobre eles. 

Desde a 1ª reunião da comissão, ocorrida no dia 16 de fevereiro, as entidades consultaram seus pares a respeito do assunto e nesta tarde retomam as discussões.

A ANPG mantém a sua postura de não permitir nenhum retrocesso em relação às bolsas já concedidas. Caso haja edição de nova portaria, a postura da entidade é que as novas regras valham apenas para novas bolsas.

Entenda desde o começo o caso do acúmulo de bolsas com vínculo empregatício clicando aqui. 

 Conjuve 

 

Na quarta-feira (21) a ANPG participa da reunião do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve). A pauta principal do encontro é a participação organizada da juventude na Rio +20-oficialmente designada como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – que acontecerá de 20 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro. 

Eleição

 O Conselho é composto por 1/3 de representantes do poder público e 2/3 da sociedade civil, contando, ao todo, com 60 membros, sendo 20 do governo federal e 40 da sociedade civil. A parcela da sociedade civil reflete a diversidade dos atores sociais que contribuem para o enriquecimento desse diálogo. O Conselho conta com representantes dos movimentos juvenis, organizações não governamentais, especialistas e personalidades com reconhecimento público pelo trabalho que executam nessa área. Os membros são escolhidos para mandato de dois anos, mediante eleição direta, e os cargos de presidente e vice-presidente são alternados, a cada ano, entre governo e sociedade civil. No dia 12 de abril acontecem as eleições para renovar os representantes da sociedade civil do Conjuve. A ANPG já possui uma cadeira e está concorrendo novamente.

CNPq

Para finalizar a semana de atividades institucionais, na quinta (22) a ANPG participa da reunião do Conselho Deliberativo (CD) do CNPq. A entidade foi convidada a apresentar as justificativas de seu pleito para compor o Conselho.

Glaucius Oliva, presidente doCNPq, recebe ANPG em dezembro de 2011. Entre outros assuntos, a reunião tratou do pleito da entidade por uma vaga no Conselho Deliberativo do CNPq.

 A ANPG atualmente compõe o Conselho Superior e o Conselho Técnico-Científico da CAPES e teve o pedido para compor o CD do CNPq recebido pelo então Ministro de C&T, Sérgio Rezende, em 2010. No final de 2011 a entidade foi recebida pelo presidente do CNPq, Glaucius Oliva, que se comprometeu a levar a pauta ao CD.  Agora o pleito chega, finalmente, à sua fase final, com a apresentação da entidade na reunião desta semana.

 O CD

 O Conselho Deliberativo (CD) é a maior instância de poder decisório do CNPq. Ele é formado pelo presidente e vice-presidente da Instituição; pelos presidentes da FINEP e da Capes; Secretário Executivo do MCT e por representantes das comunidades de C&T, empresariais e dos servidores do CNPq. Dentre outras questões, esse conselho trata principalmente da aplicação de recursos, da definição do orçamento, além de ações concernentes às políticas da Instituição.

 

Da Redação.

Em nota divulgada nesta terça (20), entidades representativas da indústria e da comunidade científica, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), externaram sua opinião contrária à decisão de cortes no orçamento de C,T&I.

De acordo com o documento, “os repetidos cortes e contingenciamentos de recursos destinados à pesquisa científica e à inovação são incompatíveis com os recentes compromissos  do governo para manter o status conquistado pelo Brasil, hoje dono da sexta maior economia e reconhecido como uma nação de liderança global”.

Ao final, um apelo para que a presidenta Dilma Rousseff restabeleça a proposta original de R$6,7 bilhões para o orçamento do MCTI de 2012 e não permita o contingenciamento de recursos do FNDCT – Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

A ANPG, na ocasião dos cortes, também manifestou sua opinião e endossa os argumentos e reivindicações da nota divulgada hoje pelo conjunto de entidades.

 

Da Redação.

Ao invés de apitos e cartazes, bolsistas preferiram protestar pelo Facebook.

Começaram em Viçosa, na Zona da Mata mineira, os preparativos para mais um "apagar de velas" que atinge todos os alunos de pós-graduação do País, especialmente mestrandos e doutorandos. Embora possa sugerir um momento de festa, o gesto articulado pelas associações de pós-graduandos (APG’s) traz um significado carregado de ironia e tom crítico, já que a ocasião "celebrada" são os quatro anos sem reajuste nas duas principais bolsas brasileiras de fomento à pesquisa, a do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), acumulando, ao longo desse período, uma perda estimada de 40% em seu valor. O último aumento (foto) foi realizado no dia 06 de junho de 2008, por resolução do então presidente do CNPq, o cientista Marco Antonio Zago. 

Ao invés de apitos, tinta para o rosto ou nariz de palhaço – adereços comuns em protestos estudantis -, a ação organizada pela APG da Universidade Federal de Viçosa (UFV) utilizou o Facebook como ferramenta para soprar simbolicamente uma vela para cada ano sem melhorias no benefício. "Os futuros professores e pesquisadores deste País devem ser tratados com mais dignidade para um casamento de sucesso entre educação e ciência de qualidade", diz parte do manifesto publicado na rede social. O presidente da APG/UFV, André Ricardo e Silva, atualmente no pós-doutorado em Medicina Veterinária, recorre ao educador Paulo Freire para explicar a ideia do protesto. "É preciso ajudar a formar esse poder crítico sobre a situação para que os pós-graduandos tenham a consciência necessária para mudá-la", pontuou.

A mobilização organizada na Zona da Mata foi a primeira de uma série de ações nacionais previstas para os próximos três meses, como forma de pressionar órgãos fomentadores e governo. Elisangela Lizardo, doutoranda em Educação pela PUC-SP e presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), conta que existe uma campanha permanente em todo Brasil pelo aumento. "Pedimos um reajuste de 36 a 39%. É preciso lembrar que o pós-graduando já está na fase adulta, tem família, precisa se manter e também ir a congressos internacionais, publicar, comprar livros, o que não consegue fazer com este valor", lembra Lizardo. "Hoje um mestrando recebe uma ajuda menor que dois salários mínimos", exemplifica a doutoranda.

Concorrência desleal

Atualmente, CNPq e CAPES oferecem bolsas para o mestrado e doutorado de R$ 1200 e R$ 1800, respectivamente. O valor é considerado baixo pela ANPG, já que na maioria das vezes a quantia é a única fonte de renda dos pós-graduandos. "É importante lembrar que a bolsa não é um salário, mas ainda assim é uma concorrência desleal com o mercado de trabalho, já que muitos acabam se sentindo mais atraídos pelos valores altos que algumas profissões oferecem no início da carreira", pontua Lizardo.

Uma portaria recente da CAPES e do CNPq permitiu o acúmulo de bolsas com atividades remuneradas, desde que relacionadas à sua área de atuação e de "interesse para sua formação acadêmica, científica e tecnológica". Para receber a complementação financeira ou atuar como docente, o bolsista deve obter autorização, concedida por seu orientador. Apesar de facilitar, a portaria não é o ideal, como pontua a doutoranda em Bioquímica e Imunologia da UFMG, Juliana Barbosa. "Apesar dessa possibilidade, sempre um dos lados vai ficar prejudicado, já que as atividades do doutorado, pelo menos em minha área, exigem muita dedicação", opina. 

É preciso ter paixão

A presidente da ANPG lembra que a pós-graduação é uma "opção" e destaca que as bolsas não devem ser encaradas com um salário, mas ressalta: "o ideal é que valorizem (o benefício) o suficiente para as pessoas seguirem na carreira acadêmica e dedicarem um tempo a mais para sua formação". 

A "opção" citada por Lizardo foi tomada pela capixaba Suellen dos Santos, de 24 anos, que vive desde 2007 em Viçosa – a 628 km de sua terra natal, São Mateus (ES) – para realizar o sonho de ser pesquisadora. Exemplo de superação na vida pessoal e acadêmica, ela concluiu sua graduação em Gestão de Cooperativas no final do ano passado e, com um projeto sobre políticas habitacionais, sua ponte para o mestrado foi direta. 

Bolsista pela CAPES, Suellen dependerá da ajuda do órgão nos próximos dois anos (seis, se seguir no doutorado) para conseguir viver na cidade. Enquanto o primeiro benefício não chega, ela já sente as diferenças da vida de pós-graduando. "Precisei sair do alojamento da graduação, que era gratuito, e agora pago aluguel em uma república. E tem outros gastos como xerox, livros, congressos", conta Suellen, que dedica cerca de 15 horas de seu dia à universidade e aos estudos.

Apesar do aperto, a mestranda mantém discurso alinhado com o de Elisangela e lembra que quem gosta da vida acadêmica, precisa se adaptar. "Ainda que tenhamos uma paixão, ficamos limitados na hora de fazer tudo que temos interesse, afinal, é lógico que a questão financeira é um fator limitante, mas quem deseja seguir este caminho precisa se adequar à situação", lembra.

Assim como Suellen, Camila Soares Cunha, de 24 anos, também mudou de cidade para seguir vida acadêmica. Natural de João Monlevade, na Região Metropolitana de BH, ela é bolsista da CNPq e cursa o mestrado em Zootecnia, com um projeto sobre a fisiologia da reprodução animal. Ela também depende da bolsa para sobreviver e se declara apaixonada pela carreira, mas destaca os custos que têm. "Os congressos normalmente são caros, porque tem a passagem, hospedagem, até um curso de inglês que você quer fazer para complementar sua formação fica complicado. A ajuda acaba ficando para o básico mesmo, não sobra muito para manter o que, em minha opinião, seriam todas as obrigações dos pós-graduandos", contou.


Tom de esperança

Apesar de manter a postura crítica e seguir com a campanha pelo reajuste, a presidente da ANPG mostra um tom mais otimista em relação à possibilidade de um aumento ainda este ano. "As respostas até então eram sempre muito desesperançosas no governo Dilma, mas depois de uma série de conversas, as agências (CNPq e CAPES) têm mostrado uma sensibilidade maior", comenta Lizardo, que participou de uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff no final do último ano e luta pela realização de uma audiência pública sobre o assunto ainda em março.

Procurados para comentar as negociações sobre o reajuste das bolsas, os presidentes do CNPq e da CAPES estavam em compromissos no exterior e não retornaram até o fechamento desta reportagem.

Análise da notícia

Mais do que a boa vontade e disposição demonstradas pela CAPES e pelo CNPq (e confirmadas pela presidente da ANPG) para discutir o assunto, é necessária a definição mais precisa dos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação – em conjunto com Casa Civil e Planejamento – de uma política específica para o reajuste das bolsas. É fato que o investimento aumentou e o número de benefícios oferecidos também, como demonstram dados do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG). No entanto, para titular mais doutores, como o próprio PNPG idealiza, é necessário se pensar a condição mínima para esta formação, lembrando a tênue relação ‘quantidade de bolsas oferecidas’ x ‘condições básicas para a pesquisa acadêmica’. Ou, em outras palavras, como o próprio texto do PNPG traz em seu segundo volume, na página 295, verificar se o "volume de recursos é suficiente para manter o setor funcionando com um mínimo de qualidade".

 

Saiba mais sobre a Campanha de Bolsas da ANPG.

Matéria publicada originalmente no Estado de Minas.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected]


por José Medeiros**

Registro aqui um pequeno testemunho, que revela bem a generosidade humana do Aziz e o esforço para a formação científica do povo brasileiro e a construção de um Brasil mais feliz.

Lembro-me de muitos encontros. O primeiro, na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 1995, em São Luís do Maranhão, cujo homenageado foi o saudoso Darcy Ribeiro. Lembro-me bem de quando Darcy falou: “Aziz é o cientista mais querido do Brasil”.

 

Em 1996, a Reunião Anual da SBPC foi na PUC-SP. Como um dos dirigentes da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) organizei, com a revista Princípios, representada pelo também saudoso Edvar Bonotto, um debate na sala da reitoria sobre o desenvolvimento da ciência e tecnologia em Cuba. O professor Aziz honrou o encontro como um dos debatedores. Lembro-me que o representante cubano o presenteou com um atlas de proporção gigante e encadernação especial. O professor Aziz nos encarregou de cuidar do mapa por alguns dias. Gestos simples, mas de grande contentamento.

 

Na reunião da SBPC de Belo Horizonte, em 1998, fizemos uma homenagem ao professor Aziz Ab’Saber, lançando o NIPAS (Núcleo de Interatividade e Pesquisa Aziz Ab’Saber), um espaço para promover a aproximação entre pesquisadores e trabalhadores que moravam em áreas economicamente desfavorecidas e distantes do cotidiano dos espaços brasileiros produtores de conhecimentos. O empenho da Dra. Cecília de Almeida Salles (PUC-SP), de Edvar Bonotto (revista Princípios) e de Kerison Lopes (UBES) foi determinante.

Esse núcleo se desenvolveu até se transformar no Jardim-Ciência Aziz Ab`Saber. Aliás, tivemos a honra e a felicidade de estar em Natal na 62ªReunião Anual da SBPC de 2010 para comunicar pessoalmente essa homenagem. O Jardim-Ciência terá entre suas missões manter viva entre o nosso povo a memória do professor Aziz.

Foram muitos outros memoráveis encontros, alguns no Instituto de Estudos Avaçados da USP. Em um deles, ocorrido em 17 de junho de 1998, e do qual participaram Fábio Palácio (então diretor da ANPG), Ronaldo Carmona (estudante) e Fernando Garcia (estudante da PUC), Aziz aceitou o convite da ANPG para participar do 1º Encontro de Jovens Cientistas. A atividade seria realizada na 62ª RA da SBPC em Natal, no mês seguinte, em parceria com o Núcleo Temático da Seca e Semi-Árido da UFRN.

  Aziz Ab’Saber em reunião no Instituto de Estudos Avançados da USP com Fábio Palácio (então diretor da ANPG) e Ronaldo Carmona (estudante. Junho de 1998.

Na ocasião, Aziz demonstrou grande contentamento pelo convite e afirmou que, além de ser muito rica culturalmente, a Reunião de Natal propiciaria conhecimento sobre os ecossistemas do Sertão. Como sugestão de leitura para a Reunião, indicou Os Sertões, de Euclides da Cunha, ressaltando que a juventude deve estar preparada para discutir questões relativas ao Nordeste.

O debate em Natal seria coroado de sucesso. Aziz discorreu sobre o Nordeste seco em palestra intitulada “Aspectos sociais e físicos do Sertão”. O presidente de honra da SBPC afirmou, na ocasião, que a vitalidade da SBPC está na juventude, que vinha participando das reuniões anuais com muita vontade de discutir as questões da ciência e do país. “Vocês, jovens, é que são a SBPC de amanhã”, afirmava sempre.

 

Houve ainda diversos outros encontros, nos corredores da USP, na sua casa, palestras, conferências. Não escondo, enquanto muito jovens admiravam pessoas do mundo pop, eu admirava, lia e ouvia com atenção as reflexões e sugestões científicas do professor Aziz.

 Aziz Ab’Saber durante o 1º Encontro de Jovens Cientistas, atividade ocorrida no âmbito da 50ª RA da SBPC (Natal, 1998). À dir. de Aziz, de óculos, José Medeiros. À esq. a ex-diretora da ANPG, Ana Maria Prestes.

 

Aziz admirava os jovens, acreditava nos jovens e tinha plena consciência de que qualquer transformação profunda no Brasil só poderia ocorrer com a participação ativa de nossa juventude. Compreendo bem o porquê de sua dedicação ativa para divulgar conhecimentos científicos para nossa juventude. Ele nos amava e nos acolhia como um bom pai. Mesmo se éramos circunstancialmente ignorantes em alguns conhecimentos, Aziz nunca nos desprezava. Nos incentivava sempre. Olhava a juventude com um olhar paciente e generoso, pois bem sabia que “cada ser, em si, carrega o dom de ser capaz e ser feliz”.  Por tudo isso, estou com muitas saudades, muitas saudades. Mas aprendi, que “amigo é coisa pra se guardar… dentro do coração”. E, aqui da China, junto minhas lágrimas às de muitos brasileiros, especialmente seus familiares. Mas bem sei que sua memória continuará em nós.

**José Medeiros da Silva, ex-presidente da ANPG é professor de Língua Portuguesa no Instituto de Comunicação de Hebei, China.

O versão completa do artigo pode ser lida aqui.

Clique na imagem acima e visite o sítio do congresso.

Acontece do dia 16 ao dia 18 de Abril, em Brasília/DF, o 4º Congresso Brasileiro de Direito Constitucional da Associação Brasileira de Constitucionalistas Democratas (ABCD).

A abertura do Congresso será realizada pelo Presidente da ABCD, Marcelo Figueiredo, pelo Presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Filgueiras Cavalcante Júnior, e pelo Presidente da OAB/DF, Francisco Queiroz Caputo Neto.

Conectado com os acontecimentos recentes em relação ao CNJ e o STF, o Congresso terá uma mesa específica sobre o tema: Transparência e Controle Social nas Instituições Democráticas, que acontece no segundo dia do evento e será presidida por Luiz Vianna Queiroz, procurador do Estado da Bahia.

O valor da inscrição é de R$290,00 para graduandos, R$390,00 para profissionais formados até cinco anos e R$590,00 para os demais profissionais.

A inscrição para o evento pode ser feita através do link.

Da redação.