Category

Notícias

Category

José Gomes Temporão é ex-ministro da Saúde e Reinaldo Guimarães foi secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Artigo publicado no jornal O Globo de 27 de janeiro deste ano.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

São intensas e crescentes as relações entre a saúde e a economia. Representando no Brasil cerca de 9% do PIB e empregando 4,5% da força de trabalho, o setor incorpora um poderoso complexo econômico de indústrias e serviços de saúde. Disso decorre que a questão central da política pública de saúde, que é a ampliação do acesso da população a bens e serviços de qualidade, está crescentemente matizada por condicionantes postos pelo complexo econômico-industrial da saúde. E como consequência de decisões políticas, na última década, pesquisa, desenvolvimento, inovação e política industrial vêm se tornando temas importantes dessa política pública.

A política industrial brasileira recente é uma política transversal formulada sob a liderança do Ministério do Desenvolvimento, em particular através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mais recentemente, com o aumento da musculatura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação tem também ocupado posição de liderança nessa matéria. Mas um dos aspectos relevantes dessas políticas é a presença crescente do setor de saúde como segmento industrial prioritário e a presença do Ministério da Saúde como ator central no seu gerenciamento.

A atuação do Ministério da Saúde no campo do fomento industrial direto é muito limitada, restringindo-se à pequena, embora importante, rede de laboratórios oficiais produtores de medicamentos. Mas, por outro lado, em quatro outros aspectos da política industrial – que são mecanismos indiretos de fomento industrial -, o ministério vem tendo atuação crescente. São eles: as articulações com o BNDES e a Finep no sentido de estabelecer o rol de produtos prioritários para o sistema público de saúde e que serão objeto de fomento prioritário pelas duas agências; esforços no sentido do deslocamento da política de propriedade intelectual em direção ao interesse público; o estabelecimento de parcerias entre indústrias privadas e laboratórios oficiais para a produção de medicamentos e vacinas prioritários para o SUS; utilização do poder de compra de produtos industriais pelo SUS (hoje, em torno de R$12 bilhões/ano) como ferramenta de fomento industrial indireto.

Temos uma situação nova no Brasil e no mundo. Por aqui, há uma indústria farmacêutica que se reorganiza em bases muito mais sólidas do que jamais tivemos. Hoje, ela já é grande produtora de genéricos (80% do mercado fabricado no País) e dando seus primeiros passos em direção a produtos inovadores. No terreno dos equipamentos médico-odontológicos, as indústrias de capital nacional estão ainda numa situação de relativa fragilidade, mas grandes empresas multinacionais do complexo eletroeletrônico estão para fazer investimentos produtivos no País.

No mundo, a luta por consumidores é feroz e especialmente o mercado brasileiro vem sendo disputado agressivamente, para venda de produtos que vão desde automóveis a frangos e suínos, passando por eletroeletrônicos. Na área da saúde, o nosso mercado público oferece espaço de compras centralizadas em escalas imensas, e isso tem feito a alegria dos importadores. Por que não estimular a produção nacional?

O déficit da balança comercial setorial da saúde passou de US$11 bilhões em 2011. É legítimo se perguntar: mas qual o problema se a balança comercial é, no agregado, superavitária? Dois pontos importantes: a velocidade do crescimento do déficit – em 2005, não passava de US$3 bilhões. Talvez a meta não seja ser superavitário no setor, mas reverter uma taxa de crescimento do déficit que é avassaladora; trata-se de um setor estratégico, inclusive no conceito militar – na Guerra das Malvinas nossos vizinhos ficaram sem insulina, por dificuldades na importação e falta de produção local.

A visão de que a política pública de saúde deve andar de mãos dadas com as políticas de desenvolvimento e de inovação faz bem à saúde da população e do País.

A queda chegou a quase 50% em dois anos e foi obtida com a conclusão da informatização dos processos, mas o órgão responsável, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), esbarra agora na falta de pessoal para atingir em 2015 a meta de quatro anos, compatível com padrões internacionais.

A redução foi a mais significativa obtida pelo INPI desde o início de sua reformulação para aperfeiçoar a proteção dos diretos sobre produtos e processos criados por empresas e pesquisadores e incentivar a elevação dos investimentos em inovação no setor privado. Em 2008, o prazo médio estimado para um depósito de patente era de 10,3 anos, mantido em 2009 (10,2). Em 2010, o indicador caiu para 8,3 e terminou o ano passado em 5,4.

Em entrevista ao Estado, o presidente do INPI, Jorge Ávila, disse que o órgão praticamente esgotou os ganhos de produtividade possíveis com automação e a reorganização das divisões técnicas especializadas, que aumentaram de 6 para 20 em 6 anos. Isso permitiu a identificação e arquivamento de cerca de 30 mil processos inadimplentes ou com documentação falha, reduzindo a fila, que não para de aumentar. Cerca de 160 mil ainda aguardam a patente do INPI.

"Ganhamos produtividade ao equacionar a fila de pedidos usando racionalização e informatização, mas agora só conseguiremos reduzir significativamente os prazos com mais examinadores", disse Ávila.

"Quatro anos é um prazo compatível com as melhores práticas internacionais para garantir análise confiável e dar segurança às empresas para desenvolver o produto de suas tecnologias." O INPI espera ficar fora da tesoura do Orçamento para realizar ainda este ano novos concursos e ampliar o quadro atual, de 273 examinadores. Ávila não detalha os números, mas o quadro considerado ideal seria de 700 para atender o crescimento da atividade de inovação que a política industrial do governo quer incentivar, inclusive a atraindo centros de pesquisa de multinacionais.

Os depósitos já têm crescido cerca de 10% ao ano. Em 2011, o INPI recebeu mais de 30 mil pedidos de patentes. A demora impede que inovações setor nem negócios o quanto antes. O escritório americano de patentes tem 5,4 mil examinadores e 460 mil depósitos anuais, 85 por analista. O europeu tem 3,6 mil técnicos para 150 mil novos pedidos por ano, 41 por examinador. O primeiro concede a patente num prazo médio de 3,5 anos. O segundo, em 4,5 anos.

Já o INPI tem hoje um examinador para cada 110 novos depósitos anuais. O Movimento Empresarial pela Inovação (MEI) pediu ao governo a contratação de pelo menos mais 330 examinadores no curto prazo.

Fonte: O Estado de São Paulo 

Aproveitando a imensa capacidade de geração de energia eólica que o Rio Grande do Norte possui, o alto interesse da indústria de geração de energia e a carência de recursos humanos, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN) vem coordenando os esforços para a criação de uma rede regional de pesquisas em energia eólica, que poderá tornar o estado em grande produtor de conhecimento e inovação tecnológica e depois vir a integrar-se à rede nacional, proposta pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A criação do Instituto Internacional de Tecnologia em Energias Renováveis – Divisão Eólica (IITERN) vai tornar o estado pioneiro nesta área na região Nordeste e um dos poucos no Brasil dedicado especificamente a energia eólica.

São objetivos do IITERN prover infraestrutura física e suporte técnico-científico para o desenvolvimento da área de energia eólica; promover a integração de setores da administração pública, Instituições de Ensino e Pesquisa e segmento empresarial para o desenvolvimento científico-tecnológico e inovação em energia eólica; formar recursos humanos e desenvolver estudos e pesquisas que contribuam efetivamente para reduzir os custos da energia eólica, melhorar sua produção e eliminar barreiras para o seu desenvolvimento em pequenos empreendimentos e em larga escala; e incorporar novos focos de atuação e fortalecer as competências existentes de acordo com as demandas do setor produtivo.

 

Recursos
Com a garantia de aporte de recursos do tesouro federal, a FAPERN agora parte para a captação de recursos da iniciativa privada para implementar o IITERN, que será organizado juridicamente sob a forma de Organização Social, envolvendo instituições públicas e privadas. A estimativa de orçamento para a construção de infraestrutura física e aquisição de equipamentos e mobiliário é de R$ 10 milhões. Segundo a presidente da FAPERN, Maria Bernardete Cordeiro de Sousa, o cronograma de implantação será apresentado ainda no primeiro semestre de 2012.

O IITERN vai dedicar-se a pesquisa e desenvolvimento (P&D) de processos e produtos inovadores para implantação, operação e manutenção de centrais eólicas, ampliando o alcance dos trabalhos de pesquisa e extensão realizados em nível técnico, graduação e pós-graduação e permitindo a formação de uma massa crítica para o setor.

 

Referência
“Acreditamos que o IITERN deverá se consolidar como uma instituição de referência mundial na área”, diz Bernardete. Atualmente, o estado já possui uma extensa produção de conhecimento que será centralizado no instituto. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a experiência acumulada na produção de conhecimento em petróleo e gás, avança para outras formas de energia, ampliando suas ações em Energias Renováveis. O estado conta ainda com a infraestrutura do CTGAS-ER, que se constitui em um consórcio entre o SENAI e a Petrobras e com as ações em energias renováveis que começam a ser realizadas na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA).

No projeto estão envolvidos o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, FAPERN e IDEMA, os Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação e de Minas e Energia, CTGAS-ER, UFRN, Ufersa, UERN, IFRN, Universidade Potiguar, FIERN, Sebrae, empreendedores em energia eólica e instituições empresariais e acadêmicas, nacionais e internacionais conveniadas.

 

Fonte: FAPERN

 

Estão abertas as inscrições para o Processo Seletivo 2012 do Instituto de Química da UERJ. 

As áreas de concentração são Polímeros e Química Ambiental. As inscrições podem ser feitas de 30 de janeiro a 2 de fevereiro de 2012.

São 10 vagas e o candidato deve pagar um boleto bancário no valor de R$100,00.

O processo seletivo será constituído das seguintes etapas obrigatórias e eliminatórias:

a) Defesa oral do projeto (20 minutos) seguida de arguição e entrevista pelos integrantes da

Comissão de Seleção com análise das cartas de recomendação e de aceite de orientação;

b) Análises do Curriculum Vitae (Lattes – CNPq), dos Históricos Escolares da graduação e da pósgraduação, se for o caso.

 

A matrícula dos aprovados está prevista para o dia 28 de fevereiro de 2012. O curso tem início em 5 de março de 2012 e vai até 4 de março de 2016.

 

Mais informações: www.ppgq-iq.uerj.br

Mais de 1,3 milhão de pesquisadores de diversos países – 35 mil só do Brasil – já se inscreveram na plataforma ResearchGate, uma espécie de Facebook dos cientistas. A proposta da rede social é facilitar a comunicação e a troca de experiências entre pessoas que atuam na mesma área de investigação.

Como outras redes, o ResearchGate conta com diversos grupos de discussão, nos quais os membros podem fazer e responder perguntas. Mas, diferentemente de outros sites do gênero, os perfis dos participantes são estruturados como se fossem um currículo científico, o que facilita a busca de usuários por área de atuação.

Além disso, os pesquisadores podem incluir um índice com suas publicações e um blog pessoal. Um calendário informa os participantes sobre eventos científicos em todo o mundo e uma bolsa de empregos oferece mais de 13 mil vagas nas diversas áreas da ciência.

A plataforma é gratuita e foi criada em 2008 pelo médico alemão Ijad Madisch, graduado em Hannover e pós-graduado em Harvard. Ele conta que teve a ideia quando fazia a pós nos Estados Unidos e deparou com um problema para o qual não achava resposta.

Madisch conheceu um colega que pesquisava o mesmo assunto e tentou manter contato com ele pela internet, mas sentiu que faltava uma ferramenta adequada para isso.

“Grande parte dos recursos gastos em uma pesquisa acaba cobrindo experiências malsucedidas, que não ganham espaço nas publicações”, disse.

Com o ResearchGate, segundo Madisch, os cientistas podem receber informações sobre os trabalhos de colegas do mundo inteiro, inclusive sobre as experiências que não deram certo. Isso evitaria repetir o que já se mostrou falho.

De acordo com os administradores do site, 30 brasileiros, em média, se registram diariamente.

Mais informações: http://www.researchgate.net/

Fonte: Agência Fapesp

O Programa Onda Digital é um projeto universitário, idealizado com o intuito de envolver professores, estudantes e funcionários da Universidade Federal da Bahia (UFBA) no processo de inclusão sócio-digital. Ao longo de sua existência, tem se consolidado em práticas de Educação Digital em comunidades de baixa renda e algumas escolas do ensino básico em Salvador, Região Metropolitana e interior do Estado da Bahia.

Com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (FAPESB) o programa lançou recentemente um DVD com suas principais ações, entre eles, projetos de educação em ciência e tecnologia.

O programa é coordenado pelo Departamento de Ciência da Computação (DCC) e tem como parceiros a Faculdade de Educação da UFBA e a Empresa Junior de Computação da UFBA (InfoJr UFBA).

 

Mais informações:  http://www.ondacultural.ufba.br/

Na tarde desta terça-feira (24), logo após a cerimônia de posse, o novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, recebeu em seu gabinete diretores da ANPG, da UNE e da UBES. Na pauta do encontro, a política educacional do governo federal foi destaque.

Ministro Aloizio Mercadante usando bótom da ANPG. Foto: Luana Bonone

Durante seu discurso de posse Mercadante assumiu o compromisso de iniciar um diálogo com governadores e prefeitos para que o piso salarial dos professores da educação básica pública se torne realidade em todo o território nacional. Com essa iniciativa ele pretende melhorar não só a remuneração, mas também as condições de trabalho e da carreira docente.

Outro tema que vai merecer atenção especial é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado pela presidenta Dilma Rousseff no ano passado. “Esse será um dos mais importantes objetivos estratégicos de minha gestão”, explicou.

As entidades estudantis foram as primeiras do movimento social a serem recebidas por Mercadante. Em conjunto, apresentaram uma carta com 17 pautas prioritárias, entre elas a valorização da pesquisa: ampliação das bolsas PIBIC e imediato reajuste das bolsas de mestrado e doutorado e erradicação do analfabetismo do Brasil até 2016. Leia o documento na íntegra aqui.

Ao final do encontro, o ministro ressaltou seu apoio à Campanha em favor da destinação de parte dos royalties do pré-sal para ciência, tecnologia e inovação seja vitoriosa.

Da esq p/ dir: Ministro da Educação, Aloizio Mercadante,as presidentas da UBES e da ANPG, Manuela Braga e Elisangela Lizardo e o presidente da UNE, Daniel Iliescu. Foto: Luana Bonone

A ANPG, a UNE e a UBES, desde 2009, defendem a destinação de 50% das verbas do fundo social do pré-sal para educação, ciência e tecnologia. As regras da divisão dos lucros gerados pela exploração de petróleo na camada do pré-sal, descritas no projeto de lei 8.051/2010 e apresentadas pelo deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ), estão na pauta de votação na Câmara dos Deputados.

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) apresentou uma emenda que garante a destinação de 50% das verbas do fundo-social do pré-sal para educação. A pedido da ANPG, o senador concordou em incluir ciência e tecnologia neste percentual. A emenda tem força no Senado que, por proposta do senador Cristóvão Buarque (PDT-DF), deve aprovar, ainda, a vinculação de 80% desses recursos da educação para investimento na educação básica.

Campanha de Bolsas

A ANPG está em campanha permanente pelo reajuste do valor das bolsas de mestrado e doutorado. Ações pelo Brasil durante a Jornada de Lutas, audiências com a presidenta Dilma Rousseff , com o MEC, a Capes e o CNPq, além  do abaixo-assinado são iniciativas concretas da entidade para que a pauta seja atendida. APG’s têm realizado atividades pelo país todo, como forma de ampliar o alcance da campanha.

As bolsas de mestrado e doutorado estão há mais de 3 anos sem reajustes.

No início deste ano a ANPG lançou a nova fase da campanha. De acordo com Elisangela Lizardo, presidente da ANPG, a Campanha de Bolsas ganhará novo fôlego a partir de agora. “A pressão institucional vai continuar, estivemos com o CNPq e o MEC e estamos pleiteando uma audiência com a presidenta Dilma. Precisamos ampliar e potencializar as ações Brasil afora. Já definimos que é hora de uma ação maior de pressão, por isso convocaremos uma paralisação dos pós-graduandos pelo reajuste imediato das bolsas”, ressaltou.

A ideia é realizar ações descentralizadas, porém em data unificada, pelo país todo. A paralisação dos pós-graduandos será sempre acompanhada de aulas públicas, assembleias, atos e manifestações em torno do reajuste das bolsas, que já entram no quarto ano consecutivo de congelamento.

A nova fase da Campanha de Bolsas da ANPG contará também com twittaço, enxurrada de e-mails aos parlamentares e agendas institucionais. “Faremos ações em todos os espaços nos quais seja pertinente a reivindicação. Não descansaremos enquanto nossa pauta não for atendida”, finalizou Elisangela.

Clique aqui e saiba mais sobre a Campanha de Bolsas da ANPG.

 

Da Redação. 

Durante encontro na tarde da última terça-feira (24), as entidades estudantis apresentaram ao ministro uma carta com as principais reivindicações. Leia matéria completa aqui.

Abaixo, a íntegra do documento.

 

Excelentíssimo senhor ministro de Estado da Educação Aloizio Mercadante,


Nós, do movimento estudantil brasileiro, representados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) trazemos os nossos cumprimentos pela nomeação a essa pasta, assim como as nossas primeiras palavras, contribuições e reivindicações, sob a expectativa de um diálogo sincero e colaborativo entre o MEC e os estudantes durante a gestão que se inicia.

A nossa tradição de lutas e participação decisiva em momentos diversos da história brasileira, ao longo de três quartos de século, confere à UNE, UBES e ANPG a obrigação de acompanhar de perto as ações do poder público, em especial no que diz respeito à conquista da educação de qualidade, para todos, como chave do desenvolvimento e da correção de injustiças sociais históricas de nosso país.

Atualmente, o movimento estudantil brasileiro mobiliza-se, por todo o Brasil, carregado de um sentimento misto entre o otimismo e a apreensão para que as conquistas do crescimento econômico brasileiro nos últimos anos sejam, de fato, revertidas em investimentos na sua estrutura educacional. Não nos agrada, em absoluto, que o Brasil seja a sexta economia do mundo e possua ainda índices tão negativos para a sua educação pública, atestados pelos mais diversos rankings internacionais.

Ansiamos pela melhoria das escolas e universidades em todos os estados, pela erradicação do analfabetismo, melhor remuneração de professores e funcionários, garantida por um piso nacional, mais assistência estudantil, ampliação do acesso e da qualidade nas instituições de ensino tanto nas grandes cidades como nos menores lugarejos, caminhando na direção de uma profunda reformulação do Ensino Médio e de uma verdadeira reforma universitária no Brasil.

Acreditamos estar vivendo o novo Brasil, onde as possibilidades de participação popular, empoderamento da juventude, inclusão social, desenvolvimento científico e tecnológico batem à porta. No entanto, sabemos que o objetivo não será alcançado sem a ampliação expressiva do financiamento direto da educação pública.

Não é tolerável que o pagamento da dívida pública seja escandalosamente superior aos investimentos na educação e que os juros reais praticados no país, os mais altos do mundo, provoquem um repuxo em nosso desenvolvimento. Mesmo em um cenário de crise, diante da perspectiva de apertos financeiros, a educação deve ser preservada de qualquer percentual de corte no orçamento.

Temos a certeza de que as mudanças que tanto queremos serão vislumbradas, somente, com a aplicação de, pelo menos, 10% do PIB brasileiro diretamente nesse setor. Defendemos também a destinação de 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal exclusivamente para a educação, ciência, tecnologia e inovação.

A atual luta dos estudantes brasileiros pelos 10% do PIB e 50% do Pré-Sal honra os sonhos daqueles que estiveram entre nós em outras épocas e chegaram a perder suas vidas na militância por um país mais justo e soberano. Trazemos, intactas, as esperanças de Honestino Guimarães, Edson Luís, Helenira Resende, Alexandre Vanucchi Leme e tantos outros que acreditaram na real transformação social brasileira.

A nossa geração pode alcançá-la erguendo a bandeira da educação pública. Somos jovens, somos muitos e não nos furtaremos do papel que temos na definição do futuro do país.

Reconhecemos e valorizamos importantes iniciativas do MEC no último período como o ProUni, o Reuni, o Enem, o novo FIES, o PRONATEC e outros projetos. No entanto, aguardamos melhorias nestes programas e exames, além de outras iniciativas que possam consolidar uma política educacional ainda mais democrática, sólida e justa.


São nossas reivindicações:

1 -Destinação de 10% do PIB para a educação

2-Destinação de 50 % do Fundo Social do Pré-sal para a educação, ciência, tecnologia e inovação;

3- R$ 85 bilhões para o orçamento da educação em 2012;

4- Erradicação do analfabetismo do Brasil até 2016;

5- Contratação imediata dos professores e servidores previstos e complementação de recursos de investimento necessários para a conclusão do REUNI;

6- Estabelecimento imediato de mesa de negociação composta pela entidades representativas de estudantes, professores, servidores e reitores com vistas a um novo e mais ousado plano de reestruturação e expansão das IFES.

7- Valorização da pesquisa: ampliação das bolsas PIBIC e imediato reajuste das bolsas de mestrado e doutorado;

8- Valorização da extensão: incorporação da extensão no currículo obrigatório das graduações, alcançando o patamar 25% das grades e fortalecimento de programas como o Rondon, o PIBID e participação ativa da UNE no futuro programa Josué de Castro;

9- Aprovação de uma nova lei que garanta meia-entrada irrestrita para todas e todos estudantes em eventos esportivos, como a Copa do Mundo, culturais e afins e a confecção da Carteira de Estudante pelas entidades estudantis;

10- Criação de 3 milhões de novas vagas no ensino técnico público, com ampliação dos IF’s e de sua estrutura;

11-Valorização da carreira dos professores e servidores: melhores salários e formação continuada;

12- Criação de leis específicas que regulamentem o ensino superior privado, no que tange a mensalidades, qualidade, democracia, transparência, oferta de vagas e proibição do capital estrangeiro.

13- Constituição de um Fundo Nacional de Assistência Estudantil, além da destinação de R$ 1 bilhão para assistência estudantil no orçamento de 2012.

14- Ampliação das possibilidades de bolsa permanência e assistência estudantil para os bolsistas do ProUni.

15- Apoio à aprovação do PL 73/99 que garante reserva de vagas nas IFES  para estudantes de escolas públicas e ao PL 3708/01, que institui o sistema de cotas étnico-raciais;

16- Criação de um Plano de Expansão e Reestruturação para as Universidades Estaduais e Municipais, a partir de edital que garanta complementação orçamentária pela União

17- Democratização da Universidade e das escolas, garantindo composição paritária dos espaços de decisão das instituições, tais como os conselhos e eleição para Reitor e diretor.


Agradecemos a sensibilidade de receber a pauta do movimento estudantil brasileiro, cientes de que podemos construir um diálogo positivo, com participação e respeito à independência de ambas as partes. Com muito orgulho, já aproveitamos para convidá-lo a participar das comemorações dos 75 anos da União Nacional dos Estudantes, a serem realizadas no próximo dia 11 de agosto.

Saudações estudantis,


24 de janeiro de 2012.


União Nacional dos Estudantes (UNE)

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES)

Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG)

 

Em artigo publicado no Jornal da Ciência, edição 4425 de 27 de janeiro, a pesquisadora titular do Museu Paraense Emilio Goeldi, Ima Vieira, reflete sobre a falta de investimentos governamentais em pesquisa e tecnologia na região Norte do país.

As preocupações ambientais colocaram a Amazônia em destaque no mundo. A conversão das florestas naturais e a apropriação dos territórios por novos modos de produção agrícola em resposta às demandas internacionais de energia e alimento modificam as paisagens da Amazônia, assim como a dinâmica das forças sociais. Dar consequência responsável à ideia de desenvolvimento sustentável na Amazônia é uma tarefa complexa e que precisa, necessariamente, envolver as instituições regionais de Ciência & Tecnologia.

Apesar da reconhecida importância da região e de sua potencialidade, ainda não se estabeleceram iniciativas governamentais concretas que incluam a Amazônia e as instituições que dela fazem parte, como prioridade num projeto nacional unificado. A exemplo do Programa Espacial Brasileiro, que foi fortalecido com o Plano Nacional de Atividades Espaciais, com investimentos de R$ 3,12 bilhões entre 2005 e 2014, a política de C&T para a Amazônia deveria ser tratada como de interesse de Estado a partir de uma visão estratégica alinhada com a produção econômica, para criar novas e rápidas tecnologias para o desenvolvimento regional – ou será que desenvolver e lançar satélites é mais importante que a Amazônia para atender às demandas da sociedade brasileira e fortalecer a soberania do País?

Os dados oficiais demonstram que a região Norte é ainda muito carente de pesquisadores e infraestrutura técnico-científica – possui apenas 4% dos doutores cadastrados no País, e conta apenas com 0,8% dos bolsistas de pesquisa, doutores, classificados nos níveis 1 do CNPq. O que significa a exigüidade dos números? Que estamos muito atrás das regiões do Centro-Sul do País e também do Nordeste, o qual teve o seu sistema científico e tecnológico alavancado nos últimos anos.  Se, do ponto de vista estratégico, a Amazônia pode ser considerada a região mais importante e de maior potencial a ser explorado no Brasil, a inserção das instituições de C&T da região é ínfimo e sua inserção no cenário nacional ainda é praticamente incipiente.

A evidente defasagem infraestrutural e de recursos humanos hoje existentes espelha décadas de políticas inadequadas, e não uma ação concreta de priorização da região quanto ao desenvolvimento nacional – instituições seculares como o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) são exceções; em diversos locais a instalação de Universidades é recente.

Os problemas relacionados à organização e ao funcionamento de um sistema regional de C&T mobilizam interesses e expectativas muito além da esfera acadêmica.  A partir dos anos 80, a sociedade começou a perceber o papel da ciência amazônica no contexto de um novo modelo de desenvolvimento que vem sendo formulado: o "modelo sócioambiental", que prega o uso sustentável dos recursos naturais como forma de melhorar a qualidade de vida dos habitantes da região. Neste âmbito, a C&T da Amazônia deixou de ser marginal e se integrou, de alguma forma, aos rumos do desenvolvimento regional.

Os avanços do conhecimento científico sobre os sistemas amazônicos e a consciência de sua importância para os equilíbrios planetários contribuem, de forma decisiva, para contestar as bases do modelo predatório de desenvolvimento da região, ao demonstrarem os enormes custos ambientais e a insustentabilidade de uma exploração indiscriminada dos recursos naturais e comprovando que as populações regionais deveriam ser parceiras do desenvolvimento. 

A produção científica e tecnológica afirmou-se, nesse ínterim, como indispensável tanto para a expressão de muitas das principais demandas dos novos sujeitos sociais (seringueiros, ribeirinhos, agricultores familiares, empreendedores responsáveis socialmente e etc.), quanto para a negociação de consensos abrangentes em torno dos princípios básicos do desenvolvimento sustentável. Hoje, a pesquisa científica tenta atender um vasto leque de demandas sociais. É, portanto, indispensável que as políticas públicas estejam à altura dessas expectativas, incrementando as capacidades instaladas e as condições da produção científica na região.

O poder público precisa modificar o quadro do financiamento à ciência e tecnologia no Pará e na Região Norte, propiciando a maior integração entre as bases técnico-científica e socioprodutiva (e aqui, inovação é fundamental!). Recursos para o desenvolvimento científico da região podem ser suplementados por contribuições de outras políticas públicas afins e ampliados por aportes oriundos das instituições de fomento do desenvolvimento regional, como a Sudam e o Basa, que hoje participam muito modestamente do esforço de C&T na região. É preciso ousar na estratégia de C&T para garantir o desenvolvimento em regiões complexas como a Amazônia. 

A Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) é reconhecida nacional e internacionalmente pela sua vocação e desempenho em pesquisa, sendo, desde 1988, Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o desenvolvimento da pesquisa em Enfermagem.

Os estudantes de graduação são estimulados a participarem de projetos de investigação científica e, anualmente, em torno de 25% dos alunos recebem bolsas para realização de pesquisa, além de outros que se integram a grupo como pesquisador voluntário. A este cenário, somam-se os estudantes da pós-graduação, de várias partes do Brasil e do exterior, pesquisadores de centros de excelência que buscam a EERP para o aprofundamento da atividade de pesquisa, através de programas de pós-doutorado, juntamente com um corpo docente qualificado.

Em 2011, 29 trabalhos foram premiados ou receberam menção honrosa em eventos internacionais (13), nacionais (10) e regionais (6).

Premiados


XV Simpósio Internacional de Atualização em Psiquiatria

– Impacto da depressão na qualidade de vida de pacientes com Doença de Parkinson

– Pyrrolidine dithiocarbamate down-regulates vascular matrix metalloproteinases and ameliorates vascular dysfunction and remodeling in renovascular hypertension

XXVI Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental

– Consumo de drogas licitas em adolescentes de escolas rurais

V Foro Internacional em Salud Mental y Adiciones, III Coloquio Internacional em Genero y Violência e III Congresso Nacional de Estudiantes de Posgrado em Enfermeria

– Manipulação de recém-nascidos pré-termo: o cenário na UTI neonatal de um hospital

Congresso Internacional de Enfermagem Obstétrica e Neonatal e VII Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal

– Grupos de psicoeducação para pessoas com transtorno afetivo bipolar e familiares: impacto na qualidade de vida, conhecimento e adesão à terapêutica medicamentosa

Prêmio Pesquisa Convivendo Astra Zêneca – modalidade projeto idealizado

– Validação da “Burns Specific Pain Anxiety Scale – BSPAS” e da “Impact of Event Scale – IES” para brasileiros que sofreram queimaduras

Prêmio CAPES Tese – Enfermagem

– Boletim de alta hospitalar: o registro das informações e as reinternações

– Avaliação do cuidado à criança menor de 5 anos com problemas respiratórios na Atenção Básica

– Avaliação da fadiga em mulheres com câncer de mama durante o tratamento quimioterápico

63º Congresso Brasileiro de Enfermagem

– O encontro de cuidado com famílias de crianças com problemas respiratórios na Atenção Básica

– Avós e o cuidado do bebê prematuro

– Validação de um instrumento simplificado para avaliação da prontidão do prematuro para início da alimentação oral

IV Congresso Brasileiro de Enfermagem Pediátrica e Neonatal

– Intervenções não farmacológicas aplicadas à criança com câncer em situação de dor relacionada a procedimento invasivo: uma revisão sistemática

Seminário Nacional de Pesquisa em Enfermagem

– Desenvolvimento e implementação das melhores práticas para prevenção de úlcera por pressão no Canadá: uma revisão integrativa

IX Congresso Brasileiro de Estomaterapia

– Identificação do estágio da UPP pelos profissionais de enfermagem

X Encontro de Enfermeiros de Hospitais de Ensino

– Bulling na escola: análise da agressividade entre adolescente no espaço escolar

 

Menções honrosas

Encontro anual do curso de Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem da EERP

– Indicadores de desenvolvimento de filhos de alcoolistas e qualidade das relações familiares

VI Congresso Interamericano de Psicologia da Saúde

– Eficácia da técnica de relaxamento muscular progressivo na dor crônica muscoesquelética e depressão em idosos institucionalizados

– A visão dos enfermeiros sobre o uso das soluções antissépticas na prática clínica

– Pacientes em uso de quimioterápicos: depressão e adesão ao tratamento

– Uso de álcool em um Centro de Atenção Psicossocial álcool e Drogas

– Estratégias de enfrentamento em mulheres após um episódio de morbidade materna grave

– Comportamento materno durante a coleta do teste do pezinho em recém-nascidos a termo durante a amamentação

– Preparo de profissionais de saúde no diagnóstico da tuberculose na Atenção Básica, Ribeirão Preto (2010)

– Avaliação das propriedades psicométricas da versão abreviada do “Questionário do Senso de Coerência de Antonovsky” em indivíduos cardiopatas

19º Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP

– O cuidado com o dreno aspirativo no domicílio e a ocorrência de seroma pós-mastectomia

IV Jornada de Câncer de Mama da EERP/USP

– Acompanhamento das atividades da Comissão de Apoio à Pesquisa sobre feridas, da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto

XV Fórum de Assistência Domiciliar da SMSRP

– Perfil das comissões locais de saúde do Distrito Oeste de saúde de Ribeirão Preto

– Oficina de trabalho como metodologia para validação de desempenho da enfermeira na atenção básica/ saúde da família

 Fonte: USPonline