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O governador, Raimundo Colombo, assinou termo de cooperação com a empresa Embraco, que prevê o repasse de R$ 10 milhões para as universidades e centros de pesquisa que atuam no estado.

O objetivo é atrair mais investimentos e oportunidades na área de tecnologia. "Trata-se de uma parceria que oportunizará novos avanços e inovações", disse o secretário do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), Paulo Bornhausen. O convênio possibilitará ao órgão público e à iniciativa privada definirem as linhas de pesquisa em conjunto.

Os recursos serão repassados diretamente às instituições envolvidas ao longo de 60 meses, totalizando R$ 5 milhões pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), e R$ 5 milhões pela Whirlpool S.A. (empresa da qual a Embraco faz parte).

O montante a cada universidade depende do projeto de pesquisa, que deverá abranger temas como eficiência energética, termodinâmica, nanotecnologia, entre outros que estão na pauta da inovação no País.

(JC com informações da SDS)

O professor doutor Angelo Fernando Padilha é o novo presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclerar (Cnen/MCT). Sua nomeação foi publicada no Diário Oficial da União que circulou nesta segunda-feira (20). Atuando em pesquisa, desenvolvimento e inovação de materiais para reatores nucleares há mais de 35 anos, Padilha é natural de Novo Horizonte, em São Paulo, tem 59 anos, é casado e pai de dois filhos.

Formado em engenharia de materiais na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 1974, Angelo Padilha iniciou suas atividades profissionais no Instituto de Energia Atômica (IEA), atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), unidade da Cnen em São Paulo, onde permaneceu por 13 anos. Em 1977 obteve o mestrado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) e em 1981 cursou seu doutorado com bolsa da Cnen na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Karlsruhe, na Alemanha. Sua tese abordou os materiais para o elemento combustível do reator rápido regenerador alemão SNR-300.

Em 1988 foi contratado como docente pela EPUSP, onde obteve os títulos de professor livre-docente e professor titular. Orientou cerca de 40 dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas na EPUSP, no Ipen, na Unicamp e na Alemanha. Padilha também foi pesquisador visitante no Centro Nuclear de Karlsruhe, no Instituto Max Planck de Stuttgart, na Universidade do Ruhr de Bochum e professor visitante na University of Wales Swansea, no Reino Unido.

Pesquisador do CNPQ há quase 20 anos, recebeu vários prêmios científicos nacionais e internacionais, coordenou vários projetos de pesquisa e desenvolvimento, foi consultor de várias empresas e assessor de diversas agências de fomento. Na área nuclear, fez parte da equipe que projetou o primeiro reator nuclear brasileiro de potência (para propulsão nuclear), foi consultor técnico da INB-Indústrias Nucleares do Brasil e do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTM-SP).

 

(Via MTC)

APGs estão sendo construídas em todo o Brasil. A busca é pela integração dos pós-graduandos nos diferentes centros de pesquisa e universidades, a favor de seus direitos e por uma educação de qualidade. A ANPG convoca todos os pós-graduandos do país a construírem a APG de sua universidade e os convida desde já para o 38º Conselho Nacional de APGs – CONAP, que acontece entre os dias 18 e 21 de agosto em Pernambuco.

Quer saber como você pode construir uma APG em sua universidade? Veja nossa cartilha AQUI.

 

Na Federal de Juiz de Fora, estudantes de mestrado e doutorado e residentes do Hospital Universitário se reúnem
 

Comissão pró-APG UFJF

No último dia 15 de junho, diversos pós-graduandos de seis programas de mestrado e doutorado diferentes da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) se reuniram para debater os problemas que têm enfrentado com as bolsas de pesquisa, e a necessidade de se manterem organizados em defesa dos seus direitos.

Atualmente, muitos pós-graduandos mantêm seus estudos sem a bolsa, o que força a procura de emprego, e assim não podem se dedicar exclusivamente à pesquisa. Além disso, depois da confusão da CAPES/CNPq em relação à possibilidade do pós-graduando poder ter a bolsa em conjunto com vínculo empregatício, alguns pós-graduandos tiveram suas bolsas canceladas e repassadas a quem não tinha este vínculo.
mais e melhores bolsas, e garantir que todos tenham o direito às bolsas da CAPES ou CNPQ. Não nos interessa a alternativa de procurar um trabalho para sobreviver, o que implicaria em não se dedicar integralmente as nossas pesquisas.

 
A presidente Dilma e o ministro das Ciências e Tecnologia, Aloizio Mercadante, devem colocar no centro se suas políticas o atendimento das reivindicações dos pós-graduandos, dentre elas o reajuste imediato do valor e do número das bolsas, as quais ainda são insuficientes para o numero de pós-graduandos que temos no país. Uma medida urgente é a reversão do corte de 50 bilhões do orçamento da união, direcionando essa verba para os serviços públicos, dentre eles a ciência etecnologia.

Ao final da reunião foi criada a comissão pró-Associação de Pós-Graduandos (pró-APG) da UFJF, já com próxima reunião marcada (29/06).

Residentes do Hospital Universitário da UFJF debatem a situação das bolsas

34 residentes de 5 programas diferentes se reuniram no último dia 16 para discutir qual a real situação das bolsas dos residentes após o Senado não ter aprovada a Medida Provisória 521, que estabelecia o aumento de 22% nas bolsas dos residentes.
Assim como a mobilização nacional, os residentes na UFJF estão em estado de alerta, e ainda não tem nenhuma garantia que terão as suas bolsas nos mesmos valores no mês que vem. Ainda que o governo tenha enviado uma nota informando que uma nova MP será editada com o mesmo conteúdo para que os residentes não sejam prejudicados.

Além disso, foi discutida a situação de sobrecarga devido a carga horária de 60 horas semanais que os residentes tem que cumprir, em alguns casos ultrapassando.

Uma reunião foi marcada para o dia 05.07, para definir quais posicionamentos serão tomados caso a bolsa tenha o seu valor reduzido. Os residentes em todo Brasil estão atentos aos encaminhamentos dos próximos dias e esperam que nenhum direito seja retirado. Caso contrário, de forma organizada, vão às ruas exigir seus direitos.

(Da redação e com Joelson Souza, diretor da ANPG)
 

De onde vêm e pra onde vão os recentes movimentos “Marcha da Maconha”, “Marcha da Liberdade”, “Marcha das Vadias”?

Recentes manifestações políticas ocuparam as ruas do país e exigem reflexões sobre seu caráter. Tão excêntrica quanto as Marchas parece ser a compreensão sobre elas. À primeira vista, não cabem os padrões históricos que definem os Movimentos Sociais desde a década de 80 e talvez estejamos diante de um novo momento de lutas sociais, em diálogo com a nova cidadania interativa originada pelas estabilidade democráticas e pela conexão virtual globalizada.

Evidente que a confirmação dessa hipótese depende de estudos e análises mais profundos, a que não se pretende esse texto. Quer-se apenas despertar a necessidade dessa reflexão, política e acadêmica, trazendo foco às Marchas. Para isso, apresento aqui quatro interessantes características dessas recentes movimentações.

Diferentemente das lutas pela democratização política, por melhores salários, ou garantia dos direitos básicos, que impulsionaram a ação dos movimentos reivindicatórios brasileiros no final do século XX, as atuais Marchas têm por foco direitos individuais que, historicamente, fariam parte da pauta liberal e não da pauta socialista ou social-democrata, às quais estariam ligadas as lutas coletivas tradicionais por direitos.

As novas ações se tratam, por mais que haja relação com a busca de direitos, de questões relacionadas à liberdade individual de fazer, ser, usar o que quiser, sem limitações do Estado e com garantia de respeito coletivo às opções individuais.

A complexidade de compreensão do tema começa na tentativa de enquadrá-lo aos padrões típicos de classificação das mobilizações sociais ou mesmo da classificação jurídica dos Direitos Fundamentais. Padrão típico, reafirma-se, é o que as Marchas não seguem.

Senão, vejamos:

As reivindicações das Marchas poderiam ser compreendidas no bojo da 1a geração de direitos, por serem direitos civis e políticos, com conteúdo liberalizante (liberdade para usar maconha, liberdade para se relacionar com pessoas do mesmo sexo, liberdade para se vestir e se comportar), típicas liberdades clássicas, negativas ou formais. Entretanto, a ação do Estado não é dispensada, ou seja, as Marchas não querem que o Estado simplesmente deixe de agir e permita que as pessoas livremente dirijam suas vidas. Querem livremente dirigir suas vidas sim, mas querem que o Estado garanta isso, o que se aproxima em muito dos direitos de 2a geração, direitos sociais e culturais, que abrangem as liberdades positivas, reais. Não é, portanto, uma pauta que busca inação do Estado, mas que busca ação do Estado para que sua liberdade individual seja garantida e respeitada pelo conjunto da sociedade. A Marcha da Maconha quer legalizar a droga, não quer só o direito de usá-la, mas que haja regulamentação da produção, do consumo, apoio aos usuários na rede pública de saúde. A Marcha da Liberdade, originária das proibições judiciais de realização da Marcha da Maconha mas logo redesenhada como um amplo movimento pelas liberdades individuais, defende não apenas o direito ao amor livre, mas a regulamentação jurídica dos direitos de união civil e, ainda, a criminalização da homofobia, ou seja, uma lei que proíba e puna a discriminação contra os homossexuais.

Ainda, também, não há como excluir essas pautas dos direitos de 3a geração, comprometidos com a solidariedade, a paz e os direitos humanos.

Resumidamente, são movimentos com pautas individuais liberalizantes que, ao mesmo tempo, exigem ação estatal para efetivação dessas liberdades. São movimentos com pautas individuais, de direitos fundamentais ao ser, mas também intimamente ligados às liberdades positivas de aprofundamento da igualdade e ainda em sintonia com os direitos de solidariedade e titularidade coletiva.

Ou seja, essa primeira característica já demonstra a novidade, complexidade e excentricidade dos novos movimentos em curso.

Uma segunda característica de destaque é o perfil de quem organiza e quem marcha. Predominam jovens, universitários/as, brancos/as, de classe média. Ou seja, um público com direitos básicos razoavelmente adquiridos, mas incomodado por uma limitações à liberdade de exercer determinado comportamento (evidentemente, também relacionado a direitos).

A elevada qualidade de vida dos/as agentes dessas novas lutas, associada à conjuntura política de estabilidade democrática e livre expressão, parece permitir que se abram os olhos a questões não primárias, que, apesar de relevantes, não ocuparam lugar central anteriormente pela urgência de outras conquistas básicas.

Interessante que as Marchas brasileiras têm pontos de contato com os movimentos por liberdade sexual, libertação das mulheres, livre uso de drogas que sacodiram os EUA e a Europa nas décadas de 60/70. Note-se que ao mesmo tempo aconteciam mudanças profundas na política institucional e avanços consideráveis na garantia dos direitos básicos nesses países, assim como vemos no Brasil e na América Latina recentemente.

Suspeita-se, então, haver uma relação entre as conquistas dos direitos primários para a parcela majoritária da população com o levante de questões individuais por uma parcela mais escolarizada e com direitos já consolidados.

Dessa forma, verificamos que as Marchas não são movimentos de classe, nem de massas, mas que surgem após avanços sociais para a classe excluída, como se dissessem: “agora que há democracia, comida, saúde e educação queremos ir além, queremos ter prazer, estilo, espaço e respeito”.

A segunda característica, portanto, também apresenta peculiaridades significativas pelo protagonismo de grupos geralmente apáticos às questões políticas e fora do contexto de exclusão social que organizou as lutas do século passado.

A terceira característica percebida é a ausência, ou, algumas vezes, participação minoritária, das organizações tradicionais de representação como os partidos políticos, movimentos sociais institucionalizados, entidades estudantis e sindicais.

As Marchas parecem desejar personalidade própria. A Marcha da Maconha, de longe a mais consolidada, tem fóruns próprios de organização, com reuniões da Marcha, coordenadores da Marcha, representantes da Marcha. Mesmo que haja militantes partidários e parceria ou participação dos grupos tradicionais, esse não é o público majoritário e tampouco o ambiente é muito acolhedor a eles. Há, por parte desses/as jovens em marcha, inclusive, certo preconceito com os grupos tradicionais e, geralmente, pede-se a não utilização de bandeiras partidárias ou revela-se certa hostilidade diante delas. Na maioria das vezes, os/as ativistas em marcha participam de sua primeira manifestação política e acreditam estar fazendo algo tão novo e revolucionário que não deveria ser “contaminado” pela burocracia dos partidos e entidades tradicionais.

Ao mesmo tempo, os principais partidos de esquerda do país e as entidades estudantis e sindicais mais atuantes também passam por um período de refluxo social advindo da institucionalização de suas principais lutas. Com a chegada do PT à Presidência da República e o crescimento dos campos progressistas nos parlamentos, prefeituras e governos, o campo de esquerda está ocupado com a disputa institucional pela efetivação de suas bandeiras históricas, aproveitando o momento para aprovar leis e programas relacionados a direitos básicos, inclusive em diálogo com as pautas das próprias Marchas. Mas sua concentração na ação institucional afastou esse campo do contato mais direto na disputa ideológica dessa nova geração, sendo evidente o distanciamento do PT e dos movimentos tradicionais com a identidade em formação nas universidades e nas redes sociais do mundo virtual.

A imaturidade política dos que marcham associada à institucionalização do campo progressista tradicional – sem querer impor valor negativo a uma ou outra leitura, faz com que as Marchas também tenham certa imprecisão estratégica.

Afinal, marcha-se com qual objetivo de longo prazo? Contra quem ou contra o que se deposita o foco das marchas? No jogo político das decisões públicas – do qual saem as leis e ações estatais – estão identificados os aliados e adversários? Ou as Marchas apenas querem despertar atenção para o tema e deixar a estratégia política a outros atores? Essas lutas pontuais estão conectadas a alguma luta política mais geral? Deveriam estar? Como?

Enfim, o que importa ressaltar nessa terceira característica é que as Marchas estão à margem das discussões mais gerais, não são protagonizadas pelos grupos tradicionais de organização coletiva e abrigam pessoas das mais diversas matizes ideológicas.

A quarta e última característica é o meio pelo qual essas bandeiras ganham adeptos e por onde as Marchas são convocadas: a internet. As redes sociais permitem a elevação de uma questão desconhecida a uma adesão nacional, até mundial, em questão de horas. Evidente que a fragilidade da ascensão é a mesma do declínio. A efemeridade da internet e a facilidade de aderir às causas, cria também o militante virtual que aperta o botão mas não sai de casa. Bom exemplo é o Churrascão da Gente Diferenciada, protesto contra os ricos paulistanos de Higienópolis que recusaram o metrô no bairro para evitar o trânsito de “gente diferenciada”, que embora não seja Marcha também pode ser enquadrado nas quatro características aqui elencadas. Em uma semana, a página no Facebook do “Churrascão” registrou mais de 50 mil apoiadores, mas no dia reuniu aproximadamente dois mil (o que não deixa de ser considerável).

De toda forma, as redes sociais têm sido espaço de mobilização de ideias e debates que não se pode ignorar. Muito rapidamente pessoas de todos os lugares estabelecem redes de apoio ou oposição que começam a interferir na vida política real do país.

Grandes meios de comunicação já utilizam o Twitter como fonte, não só pelas declarações pessoais, mas pelo Trending Topics (os tópicos mais populares no momento). Partidos e Movimentos também se mobilizam para emplacar suas hashtags (marcação, termo padrão de mobilização na rede) e comemoram a entrada nos TT’s como significado de amplo apoio à sua causa.

As Marchas chegam rapidamente ao TT’s, bem como se pulverizam em velocidade altíssima pelo Facebook. A Marcha da Liberdade de São Paulo, ocorrida após a repressão policial à Marcha da Maconha, mobilizou mais de 3 mil pessoas em uma semana. E em um mês já ocorria em dezenas de cidade em todo país.

Em tempos de apatia política, o papel da internet e das redes sociais na mobilização de causas e movimentos é um tema relevante, que já vem sendo estudado, mas que agora precisa englobar as Marchas.

Conclusão

Como não se pretende esgotar o debate, ao contrário, suscitá-lo, farei considerações breves acerca dos quatro pontos, não sem antes informar de onde se fala. Sou militante partidária, petista, organizada há mais de 10 anos e sem qualquer intenção de deixar de sê-lo. Ao mesmo tempo, sou tuiteira, ativista empolgada de todas Marchas e profundamente comprometida com as pautas levantadas por esses movimentos.

Assim, falo de um lócus favorável às Marchas e também aos partidos, trazendo comigo reflexões que partem de um e de outro ponto de vista, sendo por isso, talvez, que minhas conclusões marchem em favor do diálogo entre esses dois mundos.

Sobre o primeiro ponto característico levantado no texto, cabe destacar que as lutas individuais, por direitos de liberdade e igualdade, também compõem direitos sociais e coletivos. Ou seja, não é problema exclusivo de um indivíduo se ele pode ou não casar com quem queira, mas um problema da sociedade, não restrito aos gays ou beneficiários diretos dessa política. A opressão a grupos minoritários – e isso é límpido na Teoria Geral do Direito ou nos registros históricos, políticos e sociológicos – não atinge apenas os membros dos grupos minoritários. A opressão de um grupo social atinge o equilíbrio de toda sociedade e joga contra a justiça do sistema. Embora não sejamos aqui capazes de definir exatamente de que tipo de direitos se compõem essas lutas, importa ressaltar que são causas individuais porém não individualistas e que suas consequências atingem o conjunto da sociedade. A Marcha da Maconha, por exemplo, é apoiada e mobilizada não só pelos usuários da substância, mas também por muitos que questionam o poder do tráfico e acreditam que a legalização poderá enfraquecer o crime. Ou seja, por mais que sejam pautas de liberdade individual, são temas de ampla repercussão em toda sociedade e que não dizem respeito apenas aos que estão diretamente vinculados.

No que diz respeito à segunda característica, não parece desimportante uma luta política pelo fato de que ela não seja de classe ou de massas. Ao contrário, a mobilização da classe média em favor de pautas que colaborem com a igualdade, a justiça e com questões intimamente ligadas ao equilíbrio de direitos é uma vitória, dado que o outro comportamento possível seria a omissão ou o favorecimento da opressão, da exploração, da desigualdade. O caso de Higienópolis foi flagrante: a classe média e alta da juventude paulistana foi quem protestou contra o preconceito dos moradores do bairro em relação aos pobres e trabalhadores, “gente diferenciada”, que poderia contaminar seu bairro. Seria preferível que essa juventude “pop cult” se somasse à adjetivação preconceituosa dos os moradores do bairro? Evidente que não. A participação desse segmento nas causas políticas mais progressistas, por mais limitações e peculiaridades que possa ter, é uma conquista relevante na caminhada por uma sociedade menos hipócrita e egoísta fundamental aos avanços mais concretos para a classe trabalhadora. Não parece, portanto, desprezível a colaboração dessa juventude classe média ao outro mundo possível que ao longo dos anos tem motivado a luta classista por uma sociedade de desconcentração de renda e cidadania plena.

Quanto à relação entre as Marchas e as questões políticas mais gerais, parece evidente que os direitos individuais estão relacionados ao sistema político e econômico, sendo impossível descolá-los. Uma sociedade patriarcal, concentradora de renda ou teocrática, por exemplo, dificilmente permitirá o casamento gay ou a liberdade sexual das mulheres. Ao mesmo tempo, uma sociedade de distribuição das riquezas sem equiparação dos gêneros, livre sexualidade ou comportamento, dificilmente produzirá um sentimento de igualdade entre seus membros. Ou seja, mesmo descolados das questões políticas mais gerais e determinantes, as Marchas e lutas por liberdade podem, ainda que sem esse objetivo claro, contribuir para o questionamento do sistema sócio-econômico, no momento em que desestruturam valores e crenças que alicerçam o grande sistema. De toda forma, entretanto, a ausência de uma estratégia política de fundo, de uma unidade ideológica e da capacidade de conectar as questões específicas às gerais, é um grande limitador dos avanços desses movimentos e da concretização de suas bandeiras.

Por outro lado, é urgente que os partidos de esquerda e as entidades estudantis e sindicais tenham a capacidade de englobar essas pautas, de forma consistente e não apenas visando um diálogo superficial com esses movimentos. O erguimento de novos padrões de relação, comportamento, conduta, valores, liberdades e felicidade para todas as pessoas é fundamental para uma nova lógica econômica e política a que se pretendem os grupos políticos de contestação tradicional.

Por fim, o quarto ponto já é o mais estudado dos três, afinal já não é de hoje e cada vez se intensifica o poder da internet sobre os debates e decisões públicas, às vezes subestimado, noutras superestimado. Levaremos um tempo para compreender exatamente o quanto as pessoas estão engajadas com as pautas que apoiam pelo computador, bem como quem e de que forma influencia e é influenciado nas redes sociais. Fica aqui apenas a verificação de que esse é o canal principal de mobilização desses movimentos que podem não ter vindo pra ficar, mas já deixaram sua novidade e sua marca e requerem atenção. Afinal, até o STF já conhece, entende e apoia essa contestação irreverente que as Marchas trouxeram ao cenário político brasileiro.

Que possamos seguir marchando, lutando, sonhando e refletindo sobre nossa caminhada, para que cada passo nos aproxime do mundo de igualdade, justiça e respeito que impulsionam nossos gritos por liberdade.

Louise Caroline Lima e Silva(@LouCarolinePE no Twitter) é mestranda em Ciência Política na UFPE, militante do PT e Secretária da Mulher na Prefeitura de Caruaru. Foi vice-presidente da UNE de 2005 a 2007.

 

O ministro da Ciência e Tecnologia quer que as 18 unidades de pesquisa vinculadas ao MCT possam substituir automaticamente um terço do quadro de pesquisadores que se desligarem da instituição.
A regra vale desde 2010 para os institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia vinculados ao Ministério da Educação.

Segundo o Decreto 7.312, de 2010, os institutos federais não dependem de autorização específica para realizar concurso público e prover cargos de professor. A perspectiva de aposentadoria de muitos pesquisadores é um problema comum a várias unidades de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia. A estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por exemplo, é que metade do seu corpo de pesquisadores esteja aposentada em cinco anos.

A falta de quadros e a necessidade de substituição da força de trabalho intelectual foram a tônica dos discursos dos novos diretores empossados por Mercadante na última quinta-feira (16), em Brasília. O ministro prometeu "lutar" pelas mesmas condições dos institutos federais e para realizar novos concursos públicos.

Segundo o novo diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Bruno Vaz de Castilho Souza, além do concurso, outras possibilidades mais imediatas seriam a contratação temporária de pesquisadores e o reforço do programa de bolsas para ter pesquisadores visitantes por mais tempo.

Castilho tomou posse junto com os novos diretores do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Ignácio Hernán Salcedo; do Centro de Tecnologia Renato Archer (CTI), Victor Pellegrini Mammana; e do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), Maria Margareth Lopes. Na mesma ocasião, foi reconduzido ao cargo o diretor do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Domingos Manfredi Naveiro.

A escolha dos novos diretores seguiu o rito dos comitês de busca que são encarregados oficialmente de receber currículos de candidatos, fazer entrevistas, selecionar e apresentar uma lista de nomes para a escolha do ministro. Mercadante afirmou que escolheu os primeiros colocados indicados e teve como critério a meritocracia. "Aqui não teve esse negócio de QI [quem indica]", garantiu.
 
A escolha por meio dos comitês de busca foi instituída em 1999. O primeiro gestor escolhido por este sistema foi o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o médico e pesquisador Marcus Barros.

(Agência Brasil)

A reportagem veiculada no Estadão do último domingo (19) sobre a comemoração de 100 mil titulações de mestrado e doutorado pela USP evidencia a importância de uma política de valorização das bolsas de pesquisa, que vem sendo defendida pela ANPG na Campanha de Bolsas 2011. Confira a matéria.

Maior universidade da América Latina trabalha agora para melhorar qualidade dos programas. No ano em que completa 77 anos, a Universidade de São Paulo (USP), maior instituição de ensino superior da América Latina, comemora o total de 100 mil títulos de pós-graduação, entre mestrados e doutorados. Como feito, agora a universidade se volta para a necessidade de discutir novos critérios para aprimorar a qualidade dos programas.

O número de 100 mil títulos se refere apenas aos trabalhos registrados após 1969, quando surgiram os padrões para a pós-graduação do País. Ficam de fora dessa contagem, portanto, inúmeras personalidades que obtiveram o reconhecimento acadêmico antes daquele ano, mas ajudaram a compor os cenários político, intelectual e científico do País, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os literatos Antonio Candido e Alfredo Bosi, o economista Antonio Delfim Netto, o jurista Miguel Reale Júnior, o geneticista Crodowaldo Pavan e o cardiologista Adib Jatene, entre outros.

A universidade – que hoje abriga 56 mil estudantes de graduação e 22 mil de pós-graduação – realiza um grande evento em outubro, quando o marco simbólico dos 100 mil títulos será atingido. Do total, 53% são mestrados e 47%, doutorados. A unidade que mais produziu títulos – 9,5% – foi a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. "Os números, embora importantes, devem ser acompanhados por qualidade contínua e crescente", afirma o reitor da USP, João Grandino Rodas. Segundo ele, "a tendência é exigir mais dos alunos, visando à formação ampla dos titulados".

Foto: Ernesto Rodrigues/AE
João Alex Carneiro é diretor da Associação de Pós-Graduandos (APG) da USP e diretor de Políticas de Emprego da ANPG.

Renúncia pessoal e profissional marca período

Orçamento apertado, pouco tempo para o lazer e muitas horas de estudo. Para consolidar o desejo de ter um título pela USP, os estudantes de pós-graduação, bolsistas ou não, acabam fazendo uma série de renúncias na vida pessoal e profissional. No caso daqueles que recebem bolsa, o trabalho fica ainda mais comprometido, pois algumas agências de fomento exigem que eles não tenham outra fonte de renda.

A situação foi diagnosticada pela revista Science, que publicou, no fim do ano passado, um raio X da pesquisa no País. Um dos títulos da reportagem define os estudantes de doutorado como "talentosos, mas subfinanciados". O texto descreve a rotina de um pós-graduando em bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com rendimentos que não ultrapassam R$ 2 mil, ele enfrentava a aventura de se sustentar e ajudar a família. Ninguém ganhava mais do que ele em sua casa.

As dificuldades também perpassam a vida dos alunos da USP. Rutinéia Micheletto, de 32 anos, doutoranda no departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, precisa da ajuda do pai para se sustentar. Há um mês, ela conseguiu uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de cerca de R$ 1,8 mil. Mesmo assim, ainda não é suficiente para as despesas. "Isso desestimula muita gente, principalmente profissionais que podem ter uma renda melhor. Eles não vão se submeter a pressões e prazos de uma pós", afirma. "Só termina um doutorado quem realmente ama a vida acadêmica."

O mestrando em Filosofia João Alex Carneiro, de 28 anos, concorda com Rutinéia. "Não dá para ter uma vida muito dispendiosa." Ele veio de Vitória (ES) para se titular pela USP. "Mesmo tendo alguns problemas, a USP oferece uma estrutura muito boa, com bibliotecas e vida cultural."

Para o professor titular da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, o grande obstáculo dos alunos é conciliar atividade profissional com estudo. "A maioria trabalha. Eles se desdobram para atender as exigências da vida prática e da pesquisa."

Empregabilidade

O mestrando João Alex Carneiro diz que alguns setores públicos não valorizam a pós-graduação. "Isso desestimula o pesquisador a atuar em outras áreas além da acadêmica mesmo", opina.

Kazuo Nishimoto, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da USP, destaca outro obstáculo. "O Brasil ainda não tem empresas nas quais se possa absorver de forma eficiente esses titulados", afirma. "Isso começa a mudar, porque a indústria está se preparando, requisitando mestrandos e doutorandos. Mas a transformação é tímida."

Reflexão

 

O pró-reitor de pós-graduação Vahan Agopyan afirma que o momento é de reflexão. "Estamos com um modelo antigo, da década de 1960", destaca. "Precisamos nos questionar: queremos formar doutores só para alimentar a universidade ou para termos recursos de alto nível para o desenvolvimento do país?"

Até agora, nenhum pesquisador titulado pela USP faturou um Prêmio Nobel. Contudo, alguns já receberam homenagens equivalentes em áreas que não são contempladas pela academia sueca. O físico José Goldemberg, por exemplo, recebeu em 2008 o Blue Planet, principal homenagem aos benfeitores do meio ambiente. Dois anos antes, Paulo Mendes da Rocha recebeu o Pritzker, prêmio mais importante da arquitetura mundial. E o reitor João Grandino Rodas recorda que o principal candidato brasileiro a um Nobel é o neurocientista Miguel Nicolelis – um "uspiano" que não economiza críticas à própria USP.

Para os titulados, o marco de 100 mil trabalhos de pós-graduação guarda histórias e sentimentos de gratidão à universidade. "Tenho 30 anos de USP", conta o ministro da Educação, Fernando Haddad, que fez a graduação, o mestrado e o doutorado na área de Direito. "Eu me sinto, mais do que tudo, um uspiano. Entrei com 18 anos e nunca mais saí da USP – e ela também não saiu mais de mim."

A vida do geógrafo Aziz Ab’Saber também sempre orbitou ao redor da USP. Lá ele descobriu sua paixão pela geografia e se tornou uma referência, dentro e fora do Brasil, quando o assunto é impacto ambiental da ação humana. Recorda sorrindo que, em 1946, foi contratado como jardineiro pela universidade. A ideia foi de um professor. "Era um jeito de manter um pé na USP", afirma.

O casal Victor e Ruth Nussenzweig, responsáveis pelas principais descobertas que poderão levar a uma vacina contra a malária, iniciaram suas carreiras na Faculdade de Medicina da USP. Lá, fizeram o doutorado. Victor recorda a grande liberdade de que gozavam para pesquisar em uma faculdade ainda em criação. "Não tive um orientador de doutorado", recorda. "Naquela época, a tese dependia muito mais do aluno."

Professores pioneiros dão valor à titulação – Os professores que detêm os primeiros títulos registrados após 1969 destacam a importância que a titulação teve em suas vidas profissionais. "A comemoração das 100 mil teses da USP demonstra que desde seu início houve a criação de um ambiente fértil de pesquisa, o que propiciou a formação e o desenvolvimento de um grande número de pesquisadores e de alunos de iniciação científica, mestrado e de doutorado em todas as áreas do conhecimento", destaca o professor Hildebrando Rodrigues.

Ele ainda dá aulas e orienta alunos. Rodrigues apresentou seu mestrado na área de matemática no campus de São Carlos em novembro de 1970. O estudo investigava equações diferenciais. O segundo titulado, que obteve o título de mestre uma semana após Rodrigues com uma pesquisa na área de recursos hídricos, saiu da USP depois de 33 anos. Hoje, Arthur Mattos é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "A pós foi fundamental na minha vida", considera.

Mattos destaca que o desenvolvimento da pós-graduação na USP teve grande apoio das agências de fomento. "Em São Paulo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) é essencial. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também é muito aparelhado e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é fundamental."

GERAÇÃO PÓS-1969

Mayana Zatz. Em 1974, defendeu uma tese de doutorado em Ciência Biológicas em que estudou distrofias musculares hereditárias.

Miguel Nicolelis. Em 1989, defendeu sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina. O trabalho recorria à computação para analisar propriedades de redes neurais.

Fernando Novais. Seu doutorado, Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808), de 1973, inovou a análise da dinâmica entre metrópole-colônia.

Anamaria Aranha Camargo. Em 1997, defendeu o doutorado pelo Instituto de Ciências Biomédicas e pela Universidade de Wurzburg, na Alemanha. Teve papel decisivo no Projeto Genoma.

Eros Grau. O ministro aposentado do STF obteve o doutorado em 1972 com a teseAspectos Jurídicos do Planejamento Metropolitano.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo. Matéria publicada em 19 de junho de 2001 (domingo).

 

Em assembleia realizada na última terça-feira (14/06), a diretoria da APG-UFSCar debate a portaria conjunta CAPES/CNPq n°01/2010 e nota de esclarecimento divulgada neste ano sobre as supostas interpretações errôneas da portaria. Para a APG, cada programa de pós-graduação da UFSCar precisa discutir seus posicionamentos quanto ao vínculo empregatício para que suas necessidades sejam expostas e contempladas caso a portaria venha a ser regulamentada pelo Conselho de Pós-Graduação da universidade.

Em texto divulgado, a APG-UFSCar  afirma que a nova portaria é uma resposta negativa as demandas do movimento estudantil, que vem negociando há anos por mais e melhores bolsas em nível de pós-graduação. Para a Associação, é preciso regulamentar as definições da portaria e seus adendos para que ela não se torne uma política complementar e de substituição do financiamento de bolsas por iniciativa pública.

“APG-UFSCar é favorável à regulamentação do trabalho como forma de complementação à formação acadêmica, em âmbito de pesquisa e docência, contudo se posiciona, contrária à portaria conjunta CAPES/CNPq n° 01/2010 da forma como ela se apresenta, e exigimos a regulamentação da mesma, tanto em âmbito nacional quanto local, sendo este representado pelo Conselho de Pós-Graduação(CoPG/UFSCar), e que venham a reforçar a formação strictu sensu para pesquisa e a docência no ensino superior”, declara na nota.

A definição sobre o posicionamento dos pós-graduandos da USCar e a possível regulamentação da portaria será deliberada na Assembléia Geral dos Pós-Graduandos que ocorrerá no dia 29/06, quarta-feira, às 18h.

APG-UFSCar frente à greve dos funcionários
A greve dos funcionários e servidores da UFSCar foi deflagrada no último dia 6 de junho, paralisando serviços como o RU, Biblioteca, DiCA e outros de grande importância para toda a comunidade acadêmica. Há meses a Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Universidades Brasileiras (FASUBRA Sindical) e o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) vêm realizando rodadas de negociação para discutir a pauta de reivindicações da categoria.

Em nota, a APG-UFSCar considera a greve dos funcionários como uma forma de luta legítima diante do risco de prejuízo maiores a longo prazo, não só ao trabalho dos funcionários e servidores, mas para a própria instituição UFSCar. “Acreditamos que as reivindicações sejam pertinentes dentro do contexto que se inserem, portanto almejamos que esta mobilização continue concisa e responsável, fortalecendo o movimento e que em curto prazo sejam conquistadas as exigências propostas pela FASUBRA, minimizando os efeitos que repercutem sobre, não só os alunos de pós-graduação, mas toda a comunidade da UFSCar”.

Pautada na luta por um Ensino Público e Pesquisa de qualidade, a APG-UFSCar espera que com o restabelecimento das negociações, estas avancem, e convoca todos os pós-graduandos a participar desta discussão.


De quem é a responsabilidade pela Ciência e Tecnologia no Brasil?
Portaria Conjunta CAPES/CNPq n° 01/2010

Segue abaixo a carta na íntegra da APG-UFSCar sobre a portaria

Entendemos que a Portaria Conjunta n° 1 da Capes e do CNPq, publicada em 16 de julho de 2010, é uma resposta negativa as demandas do movimento estudantil que vem negociando e dialogando há anos por mais e melhores bolsas no ensino superior em nível de pós-graduação. Por um lado essa medida atende a demanda de alguns estudantes acerca da experiência profissional e a regulamentação de situação pré-existente, mas por outro transfere a responsabilidade do Estado no que tange a coordenação das bolsas e ainda, abre precedente para que se estabeleça um novo período de congelamento do valor das bolsas (que está há três anos sem reajuste) e/ou uma política de complementação de bolsa por iniciativa privada e com vínculo empregatício (ou trabalhista).

Diante dos fatos a campanha “Por mais e melhores bolsas” se posta como vigente. É preciso regulamentar essas definições da portaria e seus adendos para que isso não se torne uma política complementar e de substituição do financiamento das bolsas por iniciativa pública. É papel do Estado contribuir e fomentar a formação do pesquisador (a) para a pesquisa no país. A APG-UFSCar entende que a formação de recursos humanos tem papel central para o desenvolvimento científico, sócio-cultural e tecnológico do Brasil. Ciente dessa importância, é bandeira permanente da APG-UFSCar a luta pela valorização e investimento na formação dos mestres e doutores do nosso país.

O acúmulo do vínculo empregatício só se torna interessante quando a pesquisa é prioridade para o (a) pós-graduando(a), pois o desenvolvimento da pesquisa exige dedicação e prioridade, mesmo assim, a carga de trabalho deve ser reduzida, para beneficiar tanto a experiência profissional quanto a produção intelectual.

Situações como essa exemplificam a utilidade dessa Portaria, mas esta não deve permitir o enfraquecimento da nossa reivindicação quanto ao papel do Estado em fomentar a produção científica com mais bolsas. Mas o aumento do número de bolsas é uma medida incompleta se o valor da mesma não for suficiente para coibir qualquer outro tipo de dedicação do pesquisador senão para a própria pesquisa. Mais uma vez, essa é a nossa demanda – “que as bolsas sejam reajustadas imediatamente e que o governo encaminhe para aprovação uma legislação que garanta reajustes periódicos das bolsas, de forma a obrigar aqueles que elaboram o Orçamento da União a considerar isso no planejamento da distribuição das verbas” (trecho retirado da Campanha de Bolsas da ANPG, cuja pauta é o reajuste das bolsas de mestrado dos atuais R$ 1.200 para R$ 1.672,16 (39,34%) e as bolsas de doutorado de R$ 1.800 para R$ 2.479,78 (37,76%), conforme o texto do abaixo-assinado que já conta com mais de 42 mil assinaturas).

APG-UFSCar é favorável à regulamentação do trabalho como forma de complementação à formação acadêmica, em âmbito de pesquisa e docência, contudo se posiciona, contrária à portaria conjunta CAPES/CNPq n° 01/2010 da forma como ela se apresenta, e exigimos a regulamentação da mesma, tanto em âmbito nacional quanto local, sendo este representado pelo Conselho de Pós- Graduação(CoPG/UFSCar), e que venham a reforçar a formação strictu sensu para pesquisa e a docência no ensino superior. A APG-UFSCar também se solidariza com os pós-graduandos das diversas universidades brasileiras que tiveram suas bolsas cortadas devido à publicação da nota de “esclarecimento”, da portaria citada, lançada pela CAPES este ano e exigimos o imediato retorno do recebimento destas bolsas, sem que outros pós-graduandos, que já receberam a bolsa, também sejam prejudicados. O governo não pode se eximir da responsabilidade pelo lançamento de tal nota, prejudicando programas de pós-graduação ou mesmo pesquisadores contemplados pelas bolsas devido às diferentes interpretações permitidas pelo texto desta portaria.

Venha e participe destas discussões que envolvem diretamente a qualidade da sua pesquisa e, principalmente, a sua qualidade de vida como pesquisador brasileiro, a APG-UFSCar convoca a todos mais uma vez para participar da Campanha Nacional por Mais e Melhores Bolsas na Pós-Graduação, cujo objetivo perpassa pela humanização das bolsas, o aumento da remuneração e da quantidade das bolsas e, pela garantia de direitos como a licença-maternidade e a 13ª bolsa.

Associação de Pós-Graduandos da UFSCar
Gestão 2011/2012 “Ação Coletiva”
 

Durante os dias 23 e 24 de junho, acontecerá em Belo Horizonte, na universidade FUMEC, o Congresso Nacional da Federação Nacional dos Pós-Graduandos em Direito – FEPODI. O evento ocorrerá juntamente com o XX Encontro Nacional do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito – CONPEDI. Além da Assembleia Geral, será uma importante oportunidade para os discentes discutirem as questões mais relevantes da Área do Direito.

"Precisamos realizar um debate sobre uma nova realidade da pós-graduação em direito no Brasil. Estamos em um momento em que precisamos nos aperfeioçar. Sentimos uma necessidade de uma reavaliação, uma autocrítica", afirma Rogério Monteiro Barbosa, da Diretoria da FEPODI.

No Congresso serão discutidos temas como a análise da área de direito na CAPES e propostas para sua atuação; papel dos discentes no programa de pós-graduação stricto sensu, PROCAD e Casadinho; o necessário diálogo sobre a educação na pós-graduação stricto sensu e na pesquisa jurídica; proposta de reflexão sobre o ensino jurídico brasileiro; e oportunidades da carreira de professor e os problemas dos pós-graduandos no Brasil.

Por fim, haverá o lançamento da Revista da FEPODI.

 

Para mais informações: www.fepodi.webnodi.com.br

 

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) recebe, até 29 de julho, propostas para bolsas de Doutorado Pleno, Doutorado Sanduíche e Pós-Doutorado, no âmbito do programa de cooperação com a Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS).

O programa é voltado somente para estrangeiros provenientes de países em desenvolvimento, que deverão submeter a documentação exigida via Plataforma Carlos Chagas. Além da mensalidade e taxa de bancada oferecidas pelo CNPq, a TWAS paga o deslocamento dos candidatos entre o país de origem e o Brasil e um auxílio-instalação.

Entre os requisitos para candidaturas, destaca-se a necessidade de obtenção de uma carta de aceite emitida por um programa de pós-graduação com nota 5, 6 ou 7 na última avaliação trienal da Capes. Toda a documentação enviada deve ser redigida em língua inglesa.

Para mais informações, leia a chamada disponível em: http://www.cnpq.br/editais/ct/2011/twas.htm

Um estudante pós-graduando sorrindo e olhando para o seu lado esquerdo, durante uma aula.

 

(Portal MCT)

Fonte: Sergio Salles-Filho(*), Revista Eletrônica ComCiência

“Investimos 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento”; “aplicamos 1% da receita fiscal do estado em Ciência e Tecnologia”; “o país investe 1% de seu PIB em C&T”… Estas métricas são cada vez mais comuns e mais conhecidas no mundo da pesquisa científica e da inovação tecnológica, assim como no mundo da burocracia, do planejamento e das políticas públicas de CT&I.

Na outra ponta do esforço, métricas tais como: “publicamos 3% da produção científica mundial”; “depositamos 0,05% das patentes nos EUA”; 38% das empresas produziram inovação de produto e processo” etc., são métricas de output (resultado) igualmente frequentes e cada vez mais comuns.
Inputs e outputs vão e vêm e nos dão indicações aproximadas do quão importantes ou desimportantes estamos nos sistemas de CT&I. Acabam também sendo usados para avaliar a capacidade de desenvolvimento econômico e social: indicadores elevados dessas métricas são considerados “bons”, quase proxies de boa política, boa estratégia, bom caminho. E podem mesmo ser… ou não.

Agências de fomento, empresas, secretarias estaduais e ministérios compilam indicadores de input (esforço) que tendem cada vez mais a ser comparáveis aqui e lá fora. Isto é bom porque faz pouco tempo não tínhamos indicadores sistemáticos que permitissem aquilatar nosso esforço de pesquisa e de inovação. Nesta matéria, o Brasil avançou nos últimos 15 anos.

Não obstante os avanços, acostumamo-nos mal com indicadores típicos de esforço e outros que, no máximo, são proxies e acabam sendo usados como dados de impacto – e não o são. Impacto é uma medida diferente de resultado. Impacto é o efeito ou consequência que o resultado traz. Medi-lo não é tarefa simples, por vários motivos, sendo que um deles dificulta sobremaneira o trabalho: a atribuição da causalidade. Em outras palavras, como afirmar que o investimento em pesquisa foi mesmo responsável pelo faturamento de uma empresa, por uma inovação incremental (ou mesmo radical), pelo florescimento de um setor, pela introdução de uma política pública, pelo ganho na renda e, mais difícil ainda, pela qualidade de vida? Haja método para tanta correlação.

Um segundo desafio metodológico da mensuração de impactos é a chamada multidimensionalidade. Em breve, multidimensionalidade refere-se a mensurar impactos de mais de uma dimensão simultaneamente: econômica, social, ambiental, capacitação, político-institucional etc.. Esta é uma tendência dos métodos de avaliação em todo o mundo.

Finalmente, vale destacar um terceiro desafio, não menos importante, que é o de não ser trucidado pelos avaliados quando for mostrar os resultados do trabalho de avaliação. O antídoto, aqui, é o de fazer com que os avaliados e demais interessados participem do processo de construção do método, dando palpites, sugerindo indicadores e métricas e, sobretudo, acompanhando o trabalho para depois não dizer algo como “não era isto que deveria ter sido avaliado”, ou “como foi que vocês chegaram a esses números”. Comparado aos dois primeiros desafios, este último é mais fácil de resolver, mas jamais será totalmente superado, assim como os demais.

Em trabalhos recentes de avaliação de impactos, conduzidos pelo Grupo de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi)1, temos enfrentado, com ajuda de colegas de outras instituições, esses desafios metodológicos.

Dos trabalhos mais importantes destaca-se a avaliação dos programas da Fapesp. Por iniciativa do Conselho Administrativo da Fundação, um conjunto de estudos de impactos teve início em 2007. A ideia da Fapesp é justamente a de medir efetivamente impactos dos investimentos realizados em seus programas.

Os primeiros programas avaliados entre 2007 e 2009 foram o Pipe – que aporta recursos para pesquisadores em pequenas empresas visando finalização de desenvolvimentos tecnológicos direcionados à inovação; o Pite – que fomenta projetos de pesquisa entre empresas e instituições de ciência e tecnologia (ICTs), o Jovem Pesquisador – que estimula lideranças científicas em centros ou em temas emergentes; e o programa de Pesquisa em Políticas Públicas, cujo objetivo é o de aproximar organizações formuladoras e executoras de políticas da pesquisa acadêmica.

Estes quatro programas foram avaliados em termos de seu impactos em diferentes dimensões, usando dados secundários e primários, estes últimos baseados na construção e aplicação de questionários estruturados e dirigidos a diversos grupos envolvidos nos programas. Foram sete tipos de questionários para os quatro programas.

Os resultados da avaliação mostraram, de forma geral, impactos positivos em todas as dimensões. O trabalho, ao final, subsidiou reformulações nos programas buscando organizá-los para alcançarem maior impacto.

Os programas Pite e Pipe, por lidarem com empresas, foram avaliados sobretudo em seus aspectos de impacto na inovação e no fortalecimento das relações universidade empresa (Pite) e no crescimento e sucesso de pequenas empresas de base tecnológica (Pipe).

A avaliação de impactos permitiu conclusões muito interessantes, que a simples obtenção de dados de input e output não permitiria. Por exemplo, numa amostra de mais de duzentas empresas que se utilizaram de recursos financeiros do Pipe, as mais bem sucedidas em termos de geração de inovações e de crescimento do faturamento foram empresas que não estiveram incubadas, o coordenador do projeto tinha vínculo forte com a empresa (era sócio), boa parte delas eram spin-offs de outras experiências empreendedoras e não haviam sido criadas para concorrer aos recursos do Pipe. Eram também empresas que tinham mais vínculos com ICTs.

Ademais, a avaliação de custo benefício do investimento Fapesp no Pipe mostrou um retorno de cerca de 6 reais para cada real investido. São dados que permitem à Fapesp mensurar continuamente e redirecionar o programa sempre que necessário, alimentando, inclusive, os critérios de avaliação de mérito das propostas, já que a avaliação de impactos, sempre ex-post, alimenta as próximas avaliações de mérito, sempre ex-ante.

No caso do Pite, os projetos avaliados mostraram que o programa estimulou novas parcerias entre empresas e ICTs (cerca de 75% das empresas envolvidas passaram a se relacionar de forma mais intensa e frequente com ICTs). Mostrou ainda que 40% das empresas que não tinham como rotina estabelecer contato com ICTs passaram a fazê-lo, graças ao Pite. Por outro lado, o programa e seus projetos pouco alavancaram de inovação junto às empresas e as tecnologias resultantes dos projetos das pesquisa pouco foram incorporadas pelas empresas. Houve aumento de interesse por pesquisa, mas quase sempre executada nas ICTs e com baixo impacto junto ao core business das empresas envolvidas. Este ponto a Fapesp já vinha revisando quando começou a estimular o Pite na modalidade Convênio, que envolve, de forma mais efetiva, a participação das empresas na definição dos projetos e prioridades. De toda forma, a avaliação redirecionou alguns critérios do programa, de maneira a torná-lo mais efetivo em seus impactos.

A avaliação do programa Jovem Pesquisador (JP) trouxe revelações muito interessantes: a análise das variáveis utilizadas demonstrou que os JPs mais produtivos e que mais contribuíram para a criação de grupos emergentes de pesquisa foram aqueles localizados fora do eixo geográfico principal (fora de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Piracicaba) e que estavam sediados em universidades privadas. Este resultado da avaliação foi um choque e revelou um aspecto que ninguém até então conhecia: há vida inteligente fora do mainstream institucional do Estado, basta estimulá-la corretamente.

Finalmente, no programa de Políticas Públicas (PP), a avaliação de impactos mostrou que 84% dos projetos levaram a inovações em políticas públicas junto a 127 municípios do Estado de São Paulo, sendo que os projetos originais estavam concentrados em apenas 23 municípios. Isto revelou que os projetos, embora de âmbito municipal, tinham spillovers para outros municípios, numa proporção de mais de 5 para 1.

Passada esta fase, estamos agora trabalhando na avaliação de mais 3 programas: o primeiro(não exatamente um programa) são as bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado que a Instituição concedeu nos últimos 15 anos. São cerca de 60 mil bolsas que estão sendo avaliadas segundo seu impacto na trajetória profissional do bolsista e segundo seu impacto na produção técnico-científica, acadêmica e de inovação. Trata-se de um esforço que complementa outro já concluído pela Fapesp há 3 anos, sob liderança do professor Geraldo Giovanni, do Instituto de Economia, da Unicamp. Na presente avaliação está sendo empregado método quasi-experimental, comparando trajetórias de bolsistas com não bolsistas em condições semelhantes. É um esforço e tanto da Fapesp para poder planejar e melhor informar a sociedade sobre os efeitos socioeconômicos de seus investimentos.

Os outros dois programas agora sob avaliação, o Biota e o programa de Equipamentos Multiusuários, estão sendo vistos também sob metodologia quasi-experimental, com grupos de controle e de tratamento.

As experiências em curso na Fapesp mostram que as avaliações de impacto trazem informação valiosa, seja para redirecionar e apoiar o planejamento da alocação de recursos da Fundação, seja para prestar contas à sociedade dos efeitos causados pelo investimento em ciência e tecnologia. A perspectiva que a Fapesp tem no curto prazo é a de tornar essas avaliações sistemáticas, ação que deverá ser implementada em breve.

Avaliar é uma necessidade que só faz valorizar o esforço e os resultados do fomento à pesquisa e à inovação. Faz-se mais e melhor conhecendo-se os impactos do investimento.

(*) Sergio Salles-Filho é diretor da Faculdade de Ciências Aplicadas, da Unicamp, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica, do Instituto de Geociências, da mesma instituição e pesquisador do Geopi.

Nota: 1 O GEOPI é um grupo de pesquisas do Departamento de PolíticaCientífica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp. Fundado em 1995, tem, emconjuntocomgrupos da própria Unicamp, Embrapa, USP e FGV trabalhado no desenvolvimento e aplicação de metodologias de avaliação de impactos de CT&I.