Category

Notícias

Category

Para que as universidades passem a frequentar mais e melhor os rankings internacionais de qualidade, o MEC prepara um plano para aumentar a quantidade de publicação de brasileiros em meios científicos.

"Estamos terminando um estudo aprofundado dos rankings para potencializar a participação das federais brasileiras", diz Luiz Cláudio Costa, secretário de Educação Superior do ministério.

Conforme a Folha publicou ontem, a ciência nacional amarga posições ainda inexpressivas nos rankings internacionais mais renomados do mundo. A intenção do MEC é começar o projeto com as universidades federais mais reconhecidas, com os cursos mais tradicionais de graduação e pós, injetando recursos específicos para pesquisa.

"Vamos fomentar a publicação e a citação. Citação se faz por meio de intercâmbio de acadêmicos e estudantes, incentivando trabalhos conjuntos com universidades internacionais", afirma ele. Para o secretário, a desvantagem do País é muito clara. Na lista dos pesquisadores mais citados do mundo, ele diz haver em torno de cinco brasileiros, ao passo que a Universidade Harvard (EUA) tem uma centena.

"Existem revistas científicas altamente conceituadas, como a Nature. Por ano, temos uma média de três a quatro [artigos publicados por pesquisadores brasileiros]", exemplifica. Segundo Costa, o principal problema hoje das instituições brasileiras é reconhecimento, e não exatamente produção. Para justificar sua afirmação, ele cita um estudo da Unesco em que o Brasil é o 13º maior produtor do mundo de ciência nova.

 

Metodologia – Costa considera que os rankings internacionais têm problemas metodológicos, mas reconhece que eles são, no mínimo, coerentes. "Os rankings têm muitos questionamentos, mas as universidades mais bem avaliadas são as que mais contribuem para o avanço da humanidade," afirma o secretário. Ele diz "olhar com mais carinho" o THE (Times Higher Education) e o recém-criado QS.

Na última edição do THE, divulgada no mês passado, o País era o único Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) que não tinha nenhuma instituição entre as 100 melhores.


Fonte: Folha de São Paulo

A FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) vai liberar um orçamento de R$ 100 milhões para projetos de tecnologia da informação relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Os recursos serão aplicados na área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) e irão privilegiar propostas que possam gerar tecnologia nacional inovadora e competitiva no mercado global.

 

Segundo o presidente da FINEP, Glauco Arbix, a iniciativa está inserida em uma proposta maior de governo voltada para os dois megaeventos que ocorrem no Brasil.

Virgílio Fernandes, Secretário de Política e Informática do MCT, disse que as exigências de alocação dos recursos estarão ligadas à ampliação da integração universidade-empresa, o uso de tecnologias de software em plataformas abertas e a participação de múltiplas empresas de várias regiões do país.

 

Infra estrutura

O governo federal já definiu as tarefas de cada setor para a realização da Copa. As obras nos portos e aeroportos serão de responsabilidade da União, enquanto os governos estaduais e municipais cuidarão da expansão de vias exclusivas para ônibus, além de estradas, viadutos e metrôs, assim como do projeto para veículo leve sobre trilhos (VLT) com apoio de R$ 5 bilhões de linhas crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao todo, até 2014, o governo deverá destinar cerca de R$ 9 bilhões para obras em portos e aeroportos, por exemplo. De acordo com especialistas, a grande vantagem com a realização desses eventos está no fato de que eles vão ajudar a acelerar obras que demorariam décadas para ser concluídas.

Estudos preliminares, obtidos pela Agência Brasil indicam que a realização dos Jogos Olímpicos criará um impacto de R$ 90 bilhões somente na cidade do Rio de Janeiro.Esses investimentos podem gerar a partir de 2016 cerca de 120 mil empregos diretos e indiretos por ano, número que pode chegar a 130 mil depois de 2017.


Da redação, com informações da FINEP e Agência Brasil.

Os interessados em inscrever trabalhos no 7º Simpósio de Pesquisa em Ciências da Saúde da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense) têm até sexta, dia 15 de abril.

 

O evento será realizado nos dias 9 e 10 de junho, reunindo especialistas nacionais e estrangeiros para debater sobre temas nas áreas de fisiopatologia, desenvolvimento de novos fármacos, fisiologia e bioquímica do exercício e neurociências.

As conferências foram organizadas de forma a contemplar desde a área básica até pesquisa aplicada, sendo o foco principal os “Mecanismos da Neurodegeneração”. O Simpósio, promovido pelo PPGCS (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde), terá como palco o Auditório Ruy Hülse, da Universidade, em Criciúma.

 

As inscrições variam de R$35,00 a R$85,00. A divulgação dos trabalhos selecionados está prevista para 15 de maio e a inscrição de ouvintes começa no dia 6 de junho.

Para ter acesso à programação completa e às Normas de Resumo, clique aqui.

 

Da Redação.

O professor Olival é Licenciado e Bacharel em Física pela UFBA, Mestre em Ensino de Física e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. Atualmente é Professor Associado II da UFBA e Pesquisador 1-C do CNPq na área de História da Ciência. Realizou estágios de pós-doutoramento na Université Paris 7 e na Harvard University e Estágio Sênior no MIT. Em 2004 foi distinguido com uma Sênior Fellowship do Dibner Institute for the History of Science and Technology, MIT, EUA. É ainda o presidente da Sociedade Brasileira de História da Ciência para o período 201-2012 e o 1o Vice-Presidente da Comissão para História da Física Moderna da União Internacional de História e Filosofia da Ciência. Foto: Agência UFBA

Recentemente nomeado para coordenar a Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, o físico Olival Freire Jr fala em entrevista à Agência Ciência e Cultura sobre o importante cargo que assume no governo, da política nuclear do país e sobre o papel da cultura e do desenvolvimento científico e tecnológico para combate à desigualdade social.

 

Ciencult – O que o levou a estudar física e como foi seu primeiro contato com ela?

 

Freire Jr. – É uma boa pergunta. No meu segundo grau sempre gostei de matemática. Era bom aluno em matemática e me abria propensão para engenharia, que na época era uma das carreiras mais valorizadas.  Então fiz o vestibular para engenharia elétrica na UFBA e cursei um ano e meio nessa área e só depois que mudei para a física. No início, a física não me atraia, o que me levou a ela foram dois fatores circunstanciais: primeiro, minha atração pelas ciências exatas e o outro, ligado a um professor que ainda atua aqui na UFBA: Benedito Pepe. Ele dava um curso, hoje padrão pela Federal, de quatro semestres, mas na época ocupava só dois semestres. E apesar disso, ele dava o curso de física geral, claro que de maneira não muito aprofundada, mas conseguia cobrir toda a parte da física clássica, dedicando mais atenção à parte da física moderna, atômica; noções de mecânica quântica, relatividade, eu ficava encantado com as aulas do Pepe.  Ele dava aula a uns quatro ou cinco contados, porque, evidentemente o resto da turma ia embora, alguns da física, outros da engenharia. Fiquei encantado com essa visão, a da física, dos fenômenos físicos, mesmo com a parte da física clássica, eletricidade, magnetismo, o Pepe apresentava de maneira cativante.

 

Ciencult – Em sua opinião, quais são os grandes nomes da ciência baiana e por que não são conhecidos pelo grande público?

 

Freire Jr. – É uma boa questão, porque temos pesquisadores aqui na Bahia de certa projeção. Na escola de medicina, que foi liderada pelo professor Zilton Andrade. Essa escola formou os seus descendentes, Manoel e Aldina Barral, são pesquisadores de larga projeção. Na área de saúde coletiva, nós temos aqui o pesquisador Maurício Barreiro. Aqui no Instituto de Física, o professor Antônio Ferreira, que trabalha com nanotecnologia, uma pessoa de vastíssimo conhecimento. Em geral, o público não conhece os cientistas do Brasil, mas eu acho que aqui na Bahia temos uma agravante, uma tradição cultural no estado que valoriza pouco a ciência.

 

Ciencult – Essa desvalorização pode ser atribuída à tradição que a Bahia tem nas artes?

 

Freire Jr. – Exatamente. Às artes e à literatura. Lembro que há dez, doze anos… Vou te contar uma pequena história? Estávamos preparando um trabalho sobre as indicações que o Carlos chagas havia recebido para o Nobel, ele havia recebido duas indicações ao premio. E a outra pesquisadora da Fiocruz, a Marília, que estava comigo, descobriu que uma das indicações que Chagas recebeu partiu do medico baiano Pirajá da Silva. Ela me sugeriu que investigasse a vida desse pesquisador baiano, quando comecei fiquei absolutamente encantado com a história dele. Pirajá  foi o homem que desvendou uma dessas doenças tropicais, se não me engano a esquistossomose, foi professor da Faculdade de Medicina da Bahia, teve uma trajetória excepcional. Ele descobre essa doença, a divulga, viaja até a Inglaterra, e passa a ser conhecido como um dos descobridores dessa morbidade, e é nessa condição que ele recebe aqui na Bahia uma carta do comitê do Nobel, pedindo que indicasse um nome ao premio e aí ele recomenda Carlos Chagas. Preparada essa documentação, nosso artigo saiu publicado nas memórias da Fundação Oswaldo Cruz e aí, porque estou te contando toda essa história, vou te mostrar duas evidências dessa cultura. Uma vez contei toda essa historia para um reitor da Ufba, médico de formação, procurando sensibilizá-lo para o fato de que a Bahia precisava homenagear, dar mais destaque, não é que não tenha homenagem nenhuma, mas o reitor rapaz, que eu não vou dizer o nome, fez com que a informação entrasse por um ouvido e saísse pelo outro, mudou de assunto. Já com um veículo impresso, daqui da cidade, respeitado, que até dedica certo espaço à divulgação cientifica, aconteceu o seguinte: peguei um artigo sobre Pirajá da Silva, sobre o centenário do aniversario dele e mandei para lá e a resposta que obtive foi que o assunto não tinha o interesse popular. Certamente se fosse um artigo sobre um literato, ou coisa desse tipo, nos homenagearíamos mais esse personagem. Então, a minha impressão é essa: fazer ciência na Bahia é remar contra a maré. E essa cultura, em minha opinião, esta arraigada nas elites baianas. As elites baianas, tanto de esquerda, quanto de direita acham que a Bahia não é terra de ciência.

 

Ciencult – O senhor acredita que a imagem passada de uma Bahia de descanso e preguiça com o intuito de propagar uma imagem que reforce o turismo pode ajudar a oprimir o desenvolvimento da ciência no estado?

 

Freire Jr. – Não há conflito nisso. Certamente o turismo é uma atividade importante no estado, agora, acho que uma parte significativa do turismo que vem à Bahia, não tenho números pra lhe mostrar, não é só por causa do carnaval, das praias, aliás, a rigor, se alguém quer procurar boas praias no nordeste não venha aqui para Bahia, as praias de Alagoas são melhores. Muita gente que vem à Bahia vem pela historia dela. Agora, nessa historia da Bahia, mais de 500 anos moldados aqui, ciência é parte dessa historia. E quando apresentamos a Bahia apagamos essa parte.

 

Ciencult- Como historiador de ciência, como o senhor vê esse esquecimento dado pela população, mídia, e até através do ensino básico de ciência nas escolas?

 

Freire Jr. – Posso falar um pouco sobre isso. Acho que estamos num fenômeno cultural que ainda não é completamente entendido por nós. O Brasil se orgulha pouco da sua historia. O Lula falou uma frase, dizendo que o Brasil está perdendo um pouco do complexo de vira lata, eu acho que essa frase, do hoje ex-presidente, condensou um problema que é complicado na historia do Brasil. Nós tivemos uma república que gerou uma idéia de a gente não se orgulhar do período imperial. Nessa época, a gente não se orgulha do período em que o Brasil era colônia.

 

Ciencult – Mas sabemos que a República Velha, por exemplo, foi uma extensão do período imperial. Boa parte das peças do governo republicano era oriunda das oligarquias constituídas durante o império.

 

Freire Jr. – Pois é. Mas chegamos aonde chegamos fruto dessa historia. Nenhum outro país faz cortes tão bruscos como a gente faz. Então eu acho uma grande dificuldade de valorizar a nossa historia e por tabela os componentes da historia da ciência fazem parte dessa historia.

 

Ciencult – O senhor acha que colocamos todos numa "bacia" só?

 

Freire Jr. – Exatamente. Estávamos falando de Carlos chagas, ele é um homem da primeira república e se você acha que a primeira republica foi uma porcaria você generaliza e coloca tudo no bolo.

 

Ciencult – Este ano o senhor recebeu o convite do Ministério da Ciência e Tecnologia para coordenar a Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Como se deu o convite.

 

Freire Jr. – Vários fatores influenciaram, um deles é o fato de conhecer o ministro Mercadante há bastante tempo. Tive militância política e sindical junto com ele na ampliação das entidades sindicais docentes no inicio dos anos de 1980. Depois estivemos juntos na primeira campanha do Lula em São Paulo na eleição de 1990, mas há bem 20 anos que não tinha contato com ele. Acho que para a escolha tenha pesado também recomendações político – partidárias e também, o fato de anteriormente, o ministério ser centrado no nordeste e agora se diz que o MCT virou um "paulistério", por ter muitos paulistas. Então ele entendeu que precisava ter um contrabalanço. Acho que também influenciou a minha trajetória acadêmica pelo fato de parte da minha pesquisa envolver parte da historia da ciência no Brasil. Não sei dizer se houve um fator decisivo, mas deve ter sido um mix de tudo isso.

 

Ciencult – Para que serve esse Conselho e qual foi a sua reação?

 

Freire Jr. – É um conselho grande, são quase 50 membros e serve para assessorar o Estado brasileiro na formulação da política de ciência e tecnologia e o acompanhamento da execução dessa política. E o meu trabalho em Brasília, aceitei de bom grado. Estou orgulhoso pela natureza do convite, mas também porque tenho uma confiança muito grande na capacidade do ex-senador e hoje ministro Aloísio Mercadante como político e liderança política.

 

Ciencult – Como é visto pelo senhor a nomeação de um político de carreira, como é o caso do atual ministro para assumir uma pasta tida como tão técnica e quais os desafios que deve enfrentar Mercadante?

 

Freire Jr. – Quando ele foi indicado, algumas vozes expressaram descontentamento, por estar saindo um cientista e entrando um político. E desde o começo eu tive uma atitude completamente diferente. A minha percepção é que se você tem uma boa liderança política à frente de um ministério técnico, a liderança vai saber se cercar de assessores que compreendam o aspecto técnico.

 

Ciencult – Então pela sua fala o momento é positivo para o ministério.

 

Freire Jr. – Em muito pouco tempo, há quatro semanas que estou trabalhando, estou muito animado. É um período de certas dificuldades porque o cenário econômico traz a necessidade de reajustes e cortes orçamentários então não é uma fase de total expansão da economia. Percebo que não é só a vontade do ministro, mas também do governo de ajustar a política estratégica deles para a manutenção de uma rota de crescimento e desenvolvimento econômico e com a compreensão que ciência, tecnologia e educação são essenciais para que o Brasil efetivamente enfrente esse desafio do desenvolvimento econômico.

 

Ciencult – O senhor acha que para cada país existe um limite de crescimento considerando as características de cada um? Fala-se em crescimento sem levar em conta o efeito colateral disso. No caso do Brasil, considerado o "celeiro do mundo", talvez nunca possamos ser como os Estados Unidos, por exemplo, que é uma grande potência tecnológica, sem sofrer da escassez de recursos naturais?

 

Freire Jr. – Tento ser menos pessimista. Acho que as questões estão mais generalizadas do que podemos suspeitar. No caso específico do Brasil, pais em desenvolvimento, a grande dificuldade é essa: vamos frear o desenvolvimento à custa do bem estar da sociedade brasileira? Enquanto países já desenvolvidos mantêm um padrão de conforto bem maior do que o nosso à custa de um consumo maior de energia e um maior desgaste do meio ambiente? Então essa é uma escolha que não é trivial. Certamente, o país que está mais próximo desse dilema é a China. Eu acho que nessa conjuntura o Brasil está muito bem posicionado pelo fato de ter uma matriz energética que é menos danosa ao meio ambiente, é bem visto no cenário internacional, com a produção de energia por meio da biomassa e dispõe de um potencial hidroelétrico muito grande, então posso dizer que estamos numa posição relativamente privilegiada. O que temos que nos preocupar é como manter o desenvolvimento para combater as desigualdades sociais com sustentabilidade.

 

Ciencult – Recentemente foi matéria de capa da revista Veja a descoberta de cálculos até então secretos que levavam à construção de uma ogiva nuclear americana, a W-87. O descobridor foi o físico brasileiro Dalton Barroso, do Instituto Militar de Engenharia (IME). Ele publicou um livro com os cálculos o que motivou a vinda da Agência Internacional de Energia Atômica ao Brasil. A matéria insinuava a possibilidade de o Brasil ter capacidade técnica e intelectual de produzir o artefato, o senhor já soube de algo do tipo?

 

Freire Jr. – Infelizmente não li esse livro e não posso comentar o mesmo. Mas o que posso lhe dizer é situar um pouco o que nós temos certeza e o que é um terreno propício à especulação. O primeiro elemento que temos certeza é que, desde o período posterior ao regime militar, na época do governo Sarney, o Brasil e a Argentina, a comunidade cientifica brasileira, a Sociedade Brasileira de Física e a Sociedade de Física da Argentina tomaram iniciativas que levaram a uma atitude de extensão das suspeitas entre os dois países. Que um ou outro pudesse estar se preparando para a construção de uma bomba. As armas se forem usadas, são contra os vizinhos. Diz-se que a Índia se preparou com a bomba atômica com medo de que a China a atacasse. O Paquistão chegou à bomba atômica com medo que a Índia a atacasse. No Oriente Médio, Israel tem cerca de 100 ogivas nucleares, se tiver de lançar uma onde serão lançadas essas ogivas? Então quero dizer com isso é que América Latina é hoje uma região privilegiada, que não tem conflito que possa levar ao uso de armar atômicas e ainda existe um acordo entre diversos países deste continente que permite a inspeção mútua, de modo que Brasil e Argentina sabem o que cada um faz na área nuclear. Essa foi uma vitória dos governos Sarney e Alfonsín e das sociedades de física brasileira e Argentina a partir de 1985.

 

Ciencult – Mesmo com toda essa transparência ainda sofremos restrições ao nosso programa nuclear.

 

Freire Jr. – Apesar de estar autoevidente que o Brasil não tem nenhuma intenção de construir armamentos militares e ter uma situação geopolítica favorável continuamos sofrer restrições. Então o primeiro problema que queria chamar a atenção, é que parte das restrições aos armamentos atômicos deriva do fato que essa é uma tecnologia especial e que um pequeno clube de países detentores dessa tecnologia não querem cedê-la em hipótese alguma para nenhum outro país.

 

Ciencult – Apesar das atrocidades cometidas pela ditadura militar há quem diga que o período foi de grande desenvolvimento científico e tecnológico, isso é verdade?

 

Freire Jr. – No período do regime militar, como boa parte da nossa historia, ainda não está escrita, o acesso aos arquivos é difícil, muita documentação desapareceu, é um período que se presta a especulações. Entretanto, é importante dizer o que ganhamos com o desenvolvimento da ciência e que, nesse período, os militares apostaram no desenvolvimento da área nuclear. E o grande avanço que tivemos na área nuclear é o domínio do enriquecimento de urânio. Essa técnica foi dominada pela Marinha, num laboratório localizado em Aramar, região de Sorocaba em São Paulo. O líder científico e administrativo disso é o físico militar Oton Silva, em colaboração com entidades civis. O fato é que os militares tiveram papel importante no desenvolvimento da tecnologia nuclear.

 

Ciencult – Como é o processo de enriquecimento do urânio?

 

Freire Jr. – Há uma parte dessa tecnologia que é a de enriquecer o urânio. O urânio retirado da natureza não serve nem para ser colocado dentro de um reator nem mesmo numa bomba atômica. Enriquecer é um processo físico no qual você aumenta a presença de um determinado isótopo do urânio em detrimento do outro. O processo é muito delicado tecnologicamente e não pode ser por um processo de reação química usual e esse é um gargalo tecnológico. Esse gargalo o Brasil venceu e venceu graças ao projeto da Marinha. Algumas pessoas dizem que a marinha e o exercito brasileiro fizeram isso porque queriam chegar à bomba. O projeto de Othon Silva estava embutido em outro no qual a cúpula militar ou alguns setores militares queriam desenvolver o projeto ate chegar a uma bomba? Eu não digo que não, mas também não digo que sim, porque a partir do urânio enriquecido se pode tomar outra finalidade, a de gerar energia ou fins militares.

 

Ciencult – Estamos acompanhando os desastres causados pelo tsunami no Japão e as explosões nos reatores do Complexo Nuclear de Fukushima, ao norte de Tóquio. O acidente já está sendo comparado com Chernobyl por estar no nível 6 numa escala de 7, que foi a classificada na Ucrânia. O governo pretende criar quatro usinas no país até 2030, uma delas está em disputa entre Pernambuco e Bahia. Há mesmo a necessidade dessas usinas no país, uma vez que dispomos de alternativas energéticas de menor risco?

 

Freire Jr. – Não sou um expert na área, mas pelo que estamos acompanhando pela imprensa e o que sabemos de Chernobyl, está longe de ser parecido. O que deve acontecer agora é uma revisão em todos os padrões de segurança, como ocorre após acidentes aéreos. A aviação civil aprende com cada acidente, da mesma forma será com as usinas. Certamente teremos um debate e a revisão de todas as normas de segurança. O Japão não vai abrir mão da energia nuclear, já que 25 por cento de sua energia é oriunda das usinas. No Brasil existem especialistas que acham que não devemos utilizar a energia nuclear, o nosso percentual de uso da energia produzida nas usinas é pequeno, mas necessário para manter um percentual que, na minha opinião, deve se manter entre três e cinco por cento, o que é necessário para termos uma diversidade energética para o futuro. Alem disso, a energia nuclear deve ser dominada em todas as suas facetas. A primeira é que o país se tornaria um grande enriquecedor de urânio e com isso pode entrar no mercado internacional para também enriquecer o urânio de outros países. Esse nicho de mercado é extremamente importante. Outro segmento é a medicina e agricultura. O Brasil hoje já não tem auto-suficiência em radiofármaco, equipamentos que utilizam a energia nuclear para tratamento e diagnostico de câncer. O investimento diminuiria a compra desses equipamentos do exterior.

 

Ciencult – Também é papel da Secretaria que o senhor faz parte apresentar projetos desse tipo ao governo para o setor energético?

 

Freire Jr. – Enquanto política para ciência e tecnologia sim. O Conselho debate o conjunto da política e não de financiar, que é o papel do Estado brasileiro por meio dos seus ministérios competentes. Opinamos e fiscalizamos a execução dessas políticas publicas. Aproveitando, já estamos com um projeto da construção de um reator multipropósito para a produção, por exemplo, de radiofármacos e não só de energia.

 

Ciencult – No caso da vinda de uma das usinas para a Bahia, o estado dispõe de mão de obra qualificada para o seu funcionamento?

 

Freire Jr. – Esse é um aspecto estratégico muito importante. Se o Brasil quer aumentar o numero de usinas nós teremos que formar muito mais técnicos numa escala muito maior do que temos hoje. Mas esse desafio de formar mais gente não é só da área nuclear, temos o pré -sal. Você acha que iremos poder explorar o pré-sal com o número de técnicos que dispomos atualmente no Brasil?

 

Ciencult – Gostaríamos de agradecer a entrevista e a disponibilidade dada pelo professor.

 

Freire Jr. – Eu que agradeço. Ficam meus parabéns a você e a Agência que estão fundando para promover a divulgação cientifica que eu acho extremamente importante.  Quem sabe a Agência não contribua para quebrar essa tradição na Bahia de que ciência não é parte da cultura baiana? E aproveito para fazer uma ultima propaganda que pode nos ajudar nisso, está sendo criada a Academia de Ciência da Bahia, presidida pelo professor, ex – governador e ex-presidente do CNPq, Roberto Santos.

 

(Wagner Ferreira da Agência Ciência e Cultura)

 

 

Instituído em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia foi restaurado pelo Decreto 5.924, de 04 de outubro de 2006, em reconhecimento e estímulo a cientistas brasileiros que venham prestando relevante contribuição nos campos da Ciência e Tecnologia. O Prêmio é entregue anualmente, em cerimônia pública, pelo Presidente da República.
Considerado uma das mais importantes premiações do país, contempla, em sistema de rodízio, uma grande área do conhecimento por ano: Ciências da Vida, Ciências Exatas e da Terra; e Ciências Humanas e Sociais. O vencedor recebe diploma, medalha de ouro e um prêmio em dinheiro quantificado anualmente pelo CNPq, não inferior a R$ 150 mil, concedido pela Fundação Conrado Wessel. O diferencial do prêmio é não aceitar inscrição, uma comissão de especialistas indicados pelo Ministro da Ciência e Tenologia faz a seleção e escolha do premiado.

A cerimônia de entrega do prêmio será no dia 3 de maio, na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, com a participação do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.


Reconhecido como um dos maiores pesquisadores do mundo na área de biologia da memória, Izquierdo fez grandes descobertas, como a separação funcional entre as memórias de curta duração e longa duração. Foto: Arquivo Pessoal

Neurocientista – O médico e neurocientista, Iván Antonio Izquierdo é especialista nos mecanismos da memória. Graduou-se e doutorou-se na Universidade de Buenos Aires (UBA) e fez seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla). Foi professor da Universidade de Córdoba, na Argentina, e mudou-se para o Brasil em 1973, incorporando-se posteriormente à Escola Paulista de Medicina, hoje Unifesp, onde fundou um grupo de pesquisas em neurociência. Desde 1978, reside em Porto Alegre (RS), e em 1981 obteve nacionalidade brasileira. Após passagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desde 2003 passou a atuar na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), onde é Professor Titular de Neurologia desde 2004 e coordenador do Centro de Memória do Instituto do Cérebro desta instituição.

Desde então vem trabalhando na descoberta do mecanismo de persistência da memória, tendo completado o mapa molecular da consolidação da memória.

 

Vencedor 2009

Ciências Exatas, da Terra e Engenharias
Luiz Davidovich, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da área de Física

Vencedor 2008

Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes
José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da área de História.

 

 

Da redação, com informações da Assessoria de Comunicação do MCT.

No último final de semana a União Nacional dos Estudantes (UNE), realizou em São Paulo o 59º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG). O fórum reuniu centenas de representantes de DCE’s, UEE’s, Executivas e Federações de Curso de todo país.

O Ex-Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participa do 59º Coneg da UNE. Foto: Alexandre Rezende

 

No sábado, o destaque ficou por conta da presença do ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na Conferência Especial sobre Política Internacional do 59º CONEG. “Também fui da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro [Ames-RJ] e sofri com o incêndio da sede na Praia do Flamengo logo nos primeiros dias do golpe militar”, disse, depois da recepção calorosa que teve dos estudantes no teatro da Unip.

A vinda de um chanceler aqui nesse encontro do movimento estudantil reflete o amadurecimento da população brasileira a respeito dos temas internacionais. Reflete também o destaque que política externa teve no governo Lula”, pontuou.

Celso Amorim e Augusto Chagas, presidente da UNE. Foto: Alexandre Rezende

 

Em um discurso que foi marcado em diversos momentos pela defesa da autonomia dos povos, Amorim disse que “a paz é como o ar e a liberdade, você só percebe que ela é importante quando está em falta”. Para ele, o Brasil, por sua representatividade e importância, deve ter como uma das prioridades trabalhar pela paz, um “processo que tem que ser construído como uma contribuição para o desenvolvimento dos países” .

A recente invasão americana na Líbia, a integração latino americana e a visita do presidente dos estados Unidos ao Brasil foram outros assuntos de destaque abordados pelo ex- ministro.

 

52º CONUNE

Durante a plenária final, no domingo, foi convocado o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE), que será realizado em Goiânia, entre os dias 13 e 17 de julho.

Confira aqui a carta de convocação da atividade.

 

Da redação com EstudanteNet.

 

Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) foi criado pelo decreto estadual 26.914, de 15 de março de 1987. É integrado pelos reitores das três universidades estaduais paulistas (Unesp, USP e Unicamp) e pelos titulares das Secretarias de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e da Educação.

Vice-reitor Julio Cezar Durigan é professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV)/Unesp Jaboticabal. É mestre em Produção Vegetal pela Unesp (1978) e doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ-USP(1983).O professor titular do Departamento de Fitossanidade da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) foi bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq até 2004, além de coordenador da Área de Ciências Agrárias da Fapesp por seis anos, de 1989 a 1994. Foto: Renata Massafera

O vice-reitor no exercício da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Julio Cezar Durigan, assumiu o cargo de presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). A cerimônia de transmissão da presidência foi realizada na própria sede do conselho, na capital paulista, no dia 4 de abril.

Temos que focar esforços na divulgação dos resultados das pesquisas das três universidades estaduais paulistas para aumentar o impacto social de nosso trabalho. A interação das instituições com as empresas e os parques tecnológicos do Estado de São Paulo é uma das formas de aumentar essa visibilidade, gerando inovação”, disse Durigan.

O reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, passou a presidência do Cruesp na presença do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.

O conselho é um fórum muito importante, por congregar as três melhores universidades do país, responsáveis por cerca de 50% da produção científica nacional e por quase metade dos mestres e doutores formados no Brasil”, disse Costa.

Para o vice-governador, a política de desenvolvimento estadual deve ser debatida e proposta em conjunto com a comunidade universitária. Afif destacou a necessidade de descentralizar a geração de riquezas, hoje concentrada em 89 municípios paulistas que respondem por 83% do Produto Interno Bruto de São Paulo.

Unesp, USP e Unicamp acumulam autonomia, conhecimento e amadurecimento suficientes para auxiliar o governo na tarefa de expandir o crescimento econômico para as cidades das fronteiras do Estado”, ressaltou.

 

Financiamento

As universidades estaduais paulistas conquistaram, em 1989, a autonomia financeira. Elas administram uma parcela do Imposto sobre Consumo de Mercadorias e Serviços (ICMS) no valor de 9,57% do total arrecadado pelo estado.

Ao longo desses 22 anos, o número de alunos matriculados na graduação cresceu 85%, na média das três instituições, com destaque para a Unicamp, que multiplicou mais de cinco vezes as suas vagas nos cursos noturnos.

Na pós-graduação, as matrículas aumentaram em média 86% nos mestrados e 229% nos doutorados. A Unesp teve um desempenho ainda mais expressivo: 728% mais doutores em formação. Esses dados mostram um crescimento acadêmico superior ao de recursos, que ficou em 37% no mesmo período.

Entre os objetivos do conselho está o fortalecimento da interação entre as universidades. Também cabe ao órgão assessorar o governador em assuntos prioritários de ensino superior e pesquisa. A presidência é rotativa entre os reitores das instituições, com duração de um ano para cada gestão.

 

Fonte: Agência FAPESP

 

Evento ocorre do dia 14 a 16 de junho, em São Carlos, e pretende reunir docentes e pesquisadores e divulgar a produção nacional sobre o tema.

Em 2007, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) aglutinou pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento (ciências humanas, engenharias, ciências sociais aplicadas, ciências exatas e ciências da saúde) e criou o Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS), uma iniciativa relevante para a construção de um diálogo interdisciplinar.

O 1º. Seminário Brasileiro de Ciência, Tecnologia e Sociedade (1º. SBCTS) pretende ter um caráter essencialmente plural e abarcar as diversas abordagens presentes nos estudos CTS atualmente, promovendo um diálogo que poderá esclarecer a necessidade de manutenção de determinadas fronteiras e o rompimento de outras.

O evento destina-se a pesquisadores, estudantes e profissionais da área de Ciência, Tecnologia e Sociedade e áreas correlatas assim como a tomadores de decisão em C&T e público de diversas áreas.

A programação está dividida em Conferências, Mesas-Redondas e Comunicações Orais. O valor das inscrições varia de R$50,00 a R$200,00.

O evento conta com apoio da Capes, CNPq e FAPESP.

Mais informações podem ser obtidas no sítio oficial. Dúvidas pode ser solucionadas através do email [email protected]

Datas importantes

Período para submissão dos artigos: até 16 de abril de 2011

Divulgação dos trabalhos aceitos: 17 de maio de 2011

Prazo final para pagamento da inscrição dos autores com trabalhos aceitos: 29 de maio de 2011

 

Da redação.

 

Cursos e palestras com convidados especiais movimentam o mês de comemoração dos 25 anos do programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Agnés Fine, historiadora e antropóloga, professora na Universidade de Toulouse-Le Mirail e Michel Bozon, um dos maiores pesquisadores sobre sexualidade dentro do campo das Ciências Sociais, são presenças confirmadas.

Confira a programação completa:

 

Dia 12 de abril – terça-feira

14h às 18h – Miniauditório do CFH

Aula 2 – Curso Michel Bozon – Sexualidade, gênero, gerações – O que os inquéritos sobre comportamentos sexuais na França dizem sobre o gênero: aproximações entre mulheres e homens o reformulação da assimetria? (curso em português)

Dia 13 de abril – quarta-feira

10h30 às 12h – Sala 310 CFH

Palestra “Gênero, Adoção e Pluriparentalidades contemporâneas”, com Agnès Fine (EHESS) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Miriam Grossi

Dia 14 de abril – quinta-feira

18h30 às 22h – Miniauditório do CFH

Aula 3 – Curso Michel Bozon – Sexualidade, gênero, gerações – Socialização em sexualidade e gerações: processos universais e particularidades latino-americanas (curso em português)

Dia 15 de abril – sexta-feira

18h30 às 22h – Miniauditório do CFH

Aula 4 – Curso Michel Bozon – Sexualidade, gênero, gerações – Saúde, saúde sexual, sexualidade: uma abordagem sociológica (curso em português)

Dia 19 de abril – terça-feira

16h30 às 18h – Sala 10 da História – CFH

Palestra “Da família ao individuo, os usos da escrita ordinária nos livres de raison franceses (séculos XV-XIX), com Sylvie Mouysset (Université de Toulouse Le Mirail) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Joana Pedro

18h30 – Sala 111 – CFH

4º Depoimento – O papel do PPGAS/UFSC na formação acadêmica dos seus egressos: Antropologia no Rio Grande do Norte, com Elisete Schwade (UFRN)

Dia 20 de abril – quarta-feira

10h30 às 12h – Sala 310 – CFH

Palestra “A construção social da feminilidade na França: das sociedades rurais à sociedade contemporânea”, com Agnès Fine (EHESS) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Miriam Grossi

16h – Sala 111 – CFH

5º Depoimento – O papel do PPGAS/UFSC na formação acadêmica dos seus egressos: Antropologia no Oeste do Paraná, com Allan de Paula Oliveira (UNIOESTE)

Dia 26 de abril – terça-feira

16h30 às 18h – Miniauditório do CFH

Oficina 4 – “Ética e Pesquisa: a legislação e o Conselho de Ética da UFSC”, com Washington Portela de Souza (coordenador do Conselho de Ética em Pesquisa da UFSC e professor do Departamento de Ciências Fisiológicas – CCB)

Dia 27 de abril – quarta-feira

8h30 às 10h – Local: Sala 308 – CFH

Palestra “Dissimulado, vivido, cuidado: o corpo disciplinado das mulheres religiosas”, com Danielle Rives (França) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Miriam Grossi

10h30 às 12h30 – Sala 308 – CFH

Palestra “Sofrer, curar, amar. Escrita e consciência de si no feminino na Europa do século XV ao século XX”, com Sylvie Mouysset (Université de Toulouse Le Mirail -palestra em francês com tradução consecutiva feita por Joana Pedro

18h30 às 20h – Auditório do CFH

Conferência “Parentesco espiritual, apadrinhamento e relações familiares na França Contemporânea”, com de Agnès Fine – a tradução da conferência será feita por Carmen Rial, sendo disponibilizada por escrito e apresentada em PP durante a sua realização

Dia 28 de abril – quinta-feira

18h30 – Miniauditório do CFH

Palestra “Enobrecimento urbano: balanço e perspectivas”, com o professor Rogério Proença Leite (UFS/SE)

 

Informações: (48) 3721-9714, ramal 4 ou [email protected]

 

Da redação.

 

 

 

 

José Ellis Ripper Filho. Foto: Fábio Castro

José Ellis Ripper Filho,presidente da AsGa S.A. (Soluções em Telecom) e ex-professor titular da Unicamp, foi um dos destaques da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), realizada em maio de 2010, em Brasília. O engenheiro defende, nessa entrevista à Agência FAPESP, que universidades contribuam com sistema de inovação formando desenvolvedores e não apenas pesquisadores.

A ANPG vem abrindo espaço em seu sítio para diversos temas, por vezes abordados sob ângulos opostos, contribuindo assim para a reflexão e o debate crítico. Contribua você também, envie seu artigo ou sugestão para [email protected]

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

Entrevistas

Culturas diferentes

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A universidade brasileira pode se tornar um elo eficiente na cadeia de tecnologia e inovação. Mas para isso, além de formar pesquisadores em seus programas de pós-graduação, ela precisará começar a formar desenvolvedores, cujo perfil é mais adequado para as necessidades das empresas.

O ponto de vista defendido pelo engenheiro José Ellis Ripper Filho, presidente da AsGa S.A. (Soluções em Telecom), foi um dos destaques da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), realizada de 26 a 28 de maio, em Brasília.

Exemplo bem-sucedido de migração da academia para o mundo empresarial, Ripper fundou a empresa em 1989, quando era professor titular no Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A AsGa teve diversos projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP por meio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), especialmente para o desenvolvimento de tecnologias de transmissão em redes de fibras ópticas.

Graduado em 1961 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Ripper fez mestrado e doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e, também nos Estados Unidos, foi pesquisador dos Laboratórios Bell Labs.

Segundo ele, a cultura da pós-graduação no Brasil se concentra na formação do pesquisador individual e, eventualmente, em um líder de pesquisas. Mas, afirma, as empresas não querem pesquisadores e sim desenvolvedores.

São cabeças diferentes, formadas por culturas diferentes. O desenvolvedor é alguém que ajuda a equipe a resolver o problema. O trabalho de equipe é inerente ao desenvolvimento de produtos, de tecnologias e de processos. Não interessa à empresa apenas uma mente brilhante capaz de achar a solução sozinha, mas sim um indivíduo capaz de ajudar a equipe a resolver o problema”, disse à Agência FAPESP.

De acordo com Ripper, a cultura do pesquisador é altamente eficiente para as necessidades da universidade, onde a missão principal é formar recursos humanos e, consequentemente, a orientação de alunos é fundamental, mas não para as empresas, onde a atividade de desenvolvimento de produtos é inerentemente uma atividade coletiva. Mesmo em carreiras vistas como mais afeitas à inovação, a diferença cultural se manteria.

A universidade tende a formar gente à sua imagem e semelhança, mesmo nas carreiras menos especulativas e mais aplicadas. Se tomarmos como exemplo a pós-graduação em engenharia nas duas maiores universidades paulistas, veremos que elas formam essencialmente pesquisadores de engenharia e não engenheiros. Isso não significa que alguns não se transformem em engenheiros, mas, do ponto de vista da universidade, ser pesquisador é visto como algo mais nobre”, disse.

A opção do mestrado empresarial, no entanto, não seria uma boa solução. “É bobagem. O que precisamos para a empresa em termos de conteúdo é o mesmo que precisamos para a pesquisa: formação sólida. A diferença não está no conteúdo, mas na forma da tese”, afirmou.

Para Ripper, embora não seja incomum que pesquisadores se tornem desenvolvedores, é difícil mudar a cultura das universidades para estimular essa transformação.

As instituições têm vocações mais rígidas do que as pessoas. Embora muitos pensem que a pesquisa e a prestação de serviços sejam objetivos da universidade, essas são apenas atividades meio para seu objetivo único, que é a formação de recursos humanos. Mas elas formam profissionais que vão passar 95% de sua vida lidando, nas empresas, com conhecimento que ainda não existe enquanto elas cursam a universidade”, disse. Então não adianta inserir conteúdo prático e achar que é isso que as empresas querem.

Enquanto a universidade se dedica fundamentalmente à pesquisa, a empresa de porte médio só está interessada no desenvolvimento, segundo Ripper. “A ênfase da universidade na pesquisa a torna muito eficiente durante a fase especulativa de um projeto. É nessa fase que se pode gerar teses”, afirmou.

Outra característica da universidade é o baixo risco relacionado às pesquisas. “A formatura proporciona um fim natural às pesquisas. O doutorado termina e as ideias que foram levantadas ali podem ser abandonadas sem nenhum processo traumático. Em outras organizações, empresas ou institutos de pesquisas, não há ‘formatura’, portanto abandonar um projeto é visto como um fracasso, aumentando o risco de iniciar um projeto especulativo”, afirmou.

 

Fonte: Agência FAPESP