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Assinado em novembro de 2008, por Brasil e Canadá, o Acordo sobre Ciência, Tecnologia e Inovação visa promover uma maior colaboração em pesquisa e desenvolvimento (P & D) entre Brasil e Canadá em áreas de interesse mútuo. Agricultura, biotecnologia, nanotecnologia e medicamentos são algumas das áreas nas quais os interessados podem se inscrever até 19 de abril.

 

Em agosto de 2010, para estimular a mobilidade acadêmica e a cooperação científica, Brasil e Canadá, por intermédio da CAPES -Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior no Brasil e do Escritório Regional do Ministério das Relações Exteriores e Comércio Internacional (DFAIT)assinaram um Memorando de Entendimento (MoU). O "Prêmio Brasil-Canadá – Projetos Conjuntos de Pesquisa" é a primeira iniciativa a ser lançada no âmbito do MoU. O objetivo do presente concurso é fornecer bolsas de estudo para alunos de doutorado de modo a apoiar projetos de pesquisa orientada em equipe entre instituições canadenses e brasileiras de ensino superior em áreas-chave da cooperação bilateral.

As equipes de pesquisa devem ser formadas por um professor coordenador e no máximo cinco estudantes de doutorado por projeto. Cada doutorando receberá 8,4 mil dólares canadenses para uma estadia de seis meses no Canadá – esses recursos ajudarão a cobrir os custos de subsistência, os vistos e as taxas de administração escolares, além da passagem aérea e do plano de saúde. O professor coordenador do projeto poderá receber, mediante solicitação, 3 mil dólares canadenses para fazer uma visita de dez dias ao Canadá.

A duração do projeto é 24 meses: de setembro de 2011 a setembro de 2013. O financiamento será concedido pelo Governo do Canadá por meio do Escritório Canadense de Educação Internacional (CBIE).

Os pesquisadores brasileiros devem se inscrever por intermédio da Capes. No entanto, é importante que os grupos de pesquisa que pretendem trabalhar juntos apresentem propostas alinhadas. Os coordenadores brasileiros e canadenses devem concordar sobre as duas propostas paralelamente.

 

Mais informações aqui.

Da Redação, com informações do Jornal da Ciência e Consulado do Canadá.

 

Lançado no dia 23 de fevereiro deste ano, o abaixo assinado da ANPG que reivindica o reajuste do aumento dos valores das bolsas de mestrado e doutorado já conta com mais de 38 mil assinaturas. Essa é uma das diversas atividades que vem ocorrendo Brasil afora e que compõem a Campanha de Bolsas da ANPG, iniciada no ano passado. Na opinião da entidade, o reajuste das bolsas está diretamente ligado à valorização da formação do capital humano brasileiro, tão necessário ao desenvolvimento soberano do país.

Além do reajuste imediato, a ANPG pauta também uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa, aos moldes da proposta apresentada pelo PL 2315/2003, o PL dos pós-graduandos, que foi desarquivado e imediatamente arquivado novamente neste início de legislatura. O objetivo é valorizar a pesquisa científica, que deve, cada vez mais, conseguir dar respostas à sociedade, valorizando a criatividade e as potencialidades do povo brasileiro para a realização de uma ciência original, voltada tanto ao desenvolvimento tecnológico quanto ao social.

Leia também ANPG lança abaixo-assinado por reajuste de bolsas e alcança 21 mil assinaturas em 5 dias

Clique aqui para assinar o texto do abaixo-assinado da Campanha de Bolsas da ANPG.

Jornada de Lutas

Por sua vez, a Campanha de Bolsas se insere no calendário de mobilizações do Movimento Estudantil, que já tem o mês de março como tradicional mês da Jornada de Lutas realizada conjuntamente com a UNE, UBES e ANPG, na qual jovens de todos os estados saem às ruas, em atos e manifestações, e realizam atividades como seminários e debates, chamando a atenção da sociedade e do governo sobre as reivindicações do movimento estudantil.

Está convocada para a próxima quinta-feira (24), uma grande marcha em Brasília, com concentração às 10h da manhã, na Biblioteca Nacional. Cerca de 10 mil estudantes tomarão a capital federal colorindo a Esplanada dos Ministérios com a irreverência característica do Movimento Estudantil. A marcha, que terá o reforço de uma bateria de samba, seguirá para o Congresso Nacional. Lá, os estudantes esperam ser recebidos pela presidenta Dilma Rousseff. A audiência já foi solicitada e o objetivo será dialogar sobre a nova pauta de reivindicações, principalmente a respeito de dois temas: o veto do presidente Lula ao projeto de lei que destina 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação e os recentes cortes no orçamento que podem afligir o financiamento das universidades.

Os pós-graduandos serão representados pelo diretor de Diretor de Tecnologias da Informação e da Comunicação da ANPG, Thiago Custódio, que participará da audiência das três entidades com a presidenta para tratar da pauta de reivindicação dos estudantes.

A ANPG convoca todos os pós-graduandos e APG’s a se somarem a esta mobilização, divulgando o abaixo-assinado e promovendo atividades em conjunto com a Jornada de Lutas.

Envie o relato da atividade realizada pela sua APG para comunicaçã[email protected]

 

Da Redação

A Secretaria de C&T do estado de Pernambuco, em parceria com a Secretaria da Mulher, promove o Colóquio A Mulher na Ciência e Tecnologia, na próxima segunda-feira, (28/03), às 11h30.

Tendo em vista o papel destacado que as mulheres cumprem neste setor, ainda majoritariamente composto pelo sexo masculino, o objetivo do evento é discutir as especificidades e avanços que a presença feminina garante e proporciona à área de C&T.

O evento contará com a presença da presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, na condição de debatedora, e da deputada federal, e membro da Comissão de C&T da Câmara, Luciana Santos (PcdoB-PE).

O endereço do Colóquio é : Auditório da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de PE – FCM/UPE

Rua Arnóbio Marques, 310 Sto. Amaro – Campus Universitário – Recife – PE
Tel: (81) 3183-3522

 

Da Redação.

 

 

Dois acordos foram assinados no último final de semana entre os Estados Unidos e o Brasil: o primeiro permitirá que as agências federais de formação científica identifiquem pesquisas em áreas prioritárias para ambos. O outro intensifica o

intercâmbio acadêmico.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, agência vinculada à presidência americana, vão atuar conjuntamente no incremento do intercâmbio de cientistas, pós-graduandos e professores, especialmente na área de biodiversidade. Leia mais aqui.

Em outra iniciativa, Capes e Comissão Fulbright, que já possuem 11 parcerias, iniciam uma nova ação, o programa Diálogos Estratégicos. A cooperação intensifica a relação entre acadêmicos de instituições brasileiras e norte-americanas, em áreas de interesse para as duas comunidades científicas. O programa apoiará a participação de docentes e

pesquisadores de alto nível em programas de pós-graduação de doutorado e mestrado ministrados no Brasil e nos EUA. Além disso, as universidades serão estimuladas a fortalecer e aumentar a cooperação acadêmica.

De 1998 a 2010, a Capes financiou a formação de 6.016 bolsistas em universidades dos Estados Unidos em todas as áreas do conhecimento, principalmente qualificando profissionais em engenharias, ciências sociais aplicadas, ciências agrárias e da saúde. No total, a Capes mantém 14 programas de intercâmbio educacional e científico com os Estados Unidos.

 

Da Redação com informações da Assessoria de Comunicação Social da Capes.

 

São três Bolsas de Pós-Doutorado destinadas ao desenvolvimento de pesquisa sobre os seguintes temas: Novos modelos de formação de professores em serviço em países da América Latina e O trabalho docente nos diferentes modelos criados na América Latina para formação de professores em serviço.

O valor da bolsa é de R$ 5.028,90 mensais. A duração do projeto será de 12 meses. Há também Reserva Técnica, conforme tabela da FAPESP. Os pré-requisitos para aplicações são:

  • Ter título de doutor, com comprovada competência na área e tema proposto;
  • Se houver vínculo empregatício, comprovar a concordância da instituição em conceder afastamento sem vencimentos;
  • Apresentar currículo atualizado, carta de recomendação, carta contendo breve relato de sua experiência e objetivo de carreira. Os documentos devem ser enviados em formato PDF.

Os candidatos aceitos deverão:

  • Apresentar ao menos um artigo científico para publicação em periódicos nacionais ou internacionais na área da pesquisa e um relatório anual de atividades;
  • Participar ativamente do Grupo de Pesquisa e apresentar ao menos um seminário por semestre;
  • Reconhecer e citar o Grupo de Pesquisa nos resultados do projeto de pesquisa, como livros, artigos e outras formas de transferência de conhecimento.

As propostas deverão ser enviadas até o dia 31 de março de 2011 para a dra. Marilene Proença, no e-mail [email protected].A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros.

Outras vagas de Bolsas de Pós-Doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em www.oportunidades.fapesp.br.

 

Fonte: Agência FAPESP
 

 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou o tema do concurso de trabalhos escritos e desenhos do Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento de 2011. Este ano será "Química: Nossa Vida, Nosso Futuro". Os interessados têm até 5 de setembro para enviar os trabalhos escritos e desenhos para a Unesco, juntamente com a ficha de inscrição.

De acordo com o regulamento, o concurso destina-se a estudantes do ensino médio regular, do ensino médio integrado à educação profissional e do ensino médio especial das redes pública e privada do Brasil, orientados por professores de suas escolas. Estudantes e professores serão igualmente premiados.

O Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento (10 de novembro) foi estabelecido pelo Sistema das Nações Unidas em 2001 e é celebrado no Brasil desde o ano 2005.

Foto:Marie Curie.

O concurso ocorre em comemoração também ao Ano Internacional da Química (2011), além de aludir ao centenário do Prêmio Nobel de Química de Marie Curie.

Ela foi a primeira pessoa a receber dois Prémios Nobel em campos diferentes, Física em 1903 e Química em 1911. A única outra pessoa, até hoje, foi Linus Pauling.

No entanto, Marie  foi a única pessoa a receber dois prémios Nobel em áreas científicas.

Mais informações: http://eventos.unesco.org.br/diadaciencia/index.php

 

Da redação.

A consolidação de nosso sistema de Pós-Graduação, Ciência e Tecnologia é parte do processo democrático onde os estudantes brasileiros já demonstraram seu protagonismo. Os desafios em P&D que são colocados aos pós-graduandos brasileiros exige da ANPG maior capacidade de intervenção na comunidade científica nacional. 
 
É bem verdade que hoje a ANPG já participa do CS (Conselho Superior) e CTC (Conselho Técnico Científico) da CAPES, assim como, está em vias de assegurar a representação dos pós-graduandos no CD (Conselho Deliberativo) do CNPq, mas os desafios são demasiadamente amplos e precisamos, sem dúvida, de uma maior participação discente nas sociedades de área. 
 
 
Portanto é com muito entusiasmo que convocamos todos os estudantes brasileiros a se filiarem na maior comunidade científica brasileira, a SBPC. “Trata-se de uma sociedade que há mais de 60 anos vêm defendendo os interesses nacionais, a consolidação de nossa P&D, a divulgação da pesquisa e popularização da ciência”, confirma Elisangela Lizardo, presidente da ANPG. 
 
A 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ocorrerá de 10 a 15 de julho de 2011, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), terá como tema central “Cerrado: água, alimento e energia”.  Você pode encontrar maiores informações no sítio eletrônico da SBPC. 
 
Para saber mais sobre a filiação acesse http://www.sbpcnet.org.br/goiania/associe/  Para saber mais sobre a inscrição acesse http://www.sbpcnet.org.br/goiania/inscricao/
 
Confira os valores (R$) para cada categoria e a promoção para quem se tornar novo associado da SBPC. Não perca os descontos oferecidos, que variam conforme o prazo da inscrição. 
 

Prazos

14/nov a 25/fev

26/fev a 07/abr

14/abr a 28/jun
e durante o evento

Categorias

Categoria 1

Categoria 2

Categoria 1

Categoria 2

Categoria 1

Categoria 2

Sócio quite da SBPC

20,00

50,00

30,00

60,00

40,00

70,00

Não Sócio

40,00

100,00

60,00

120,00

80,00

140,00

Sócio Novo da SBPC (promoção)

60,00 de anuidade + inscrição grátis

110,00 de anuidade + inscrição grátis

60,00 de anuidade + 10,00 de inscrição

110,00 de anuidade + 10,00 de inscrição

60,00 de anuidade + 20,00 de inscrição

110,00 de anuidade + 20,00 de inscrição

 
Categoria 1: 
 
Estudante de Ensino Superior e/ou 
Professor de Educação Básica ou Profissionalizante e/ou 
Sócio da SBPC que também é Sócio de Sociedade Associada
Estudantedo Ensino Médio e/ou Profissionalizante (apenas p/ submissão de resumo de IC, IFs ou equivalente)
 
Categoria 2:  
 
Professor de Ensino Superior e/ou 
Profissionais diversos: Pesquisador, Profissional da Indústria e outros.
 

Por Thiago Oliveira Custódio, Diretor de Tecnologias da Informação e da Comunicação da ANPG 

Marco Antônio Raupp foi nomeado, nesta quarta-feira (2), presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).
 
"Fico honrado com o convite do ministro Aloízio Mercadante e aceito o desafio de contribuir para aumentar a efetividade do Programa Espacial Brasileiro", disse Raupp. A solenidade de posse será marcada nos próximos dias.
 
Ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), não é a primeira vez que Raupp trabalha no Programa Espacial. Ele é pesquisador titular e ex- diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Raupp é, também, especialista em análise numérica, ex-diretor e pesquisador titular do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e membro titular da Academia Internacional de Astronáutica (IAA).
 
A frente da agência, tem a missão de gerenciar os programas de satélites, cujo carro chefe é o projeto Cbers em parceria com a China, além da estruturação dos programas de lançadores de satélites (VLS) e de centros de lançamento. O principal desafio da AEB é permitir o lançamento do VLS, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
 
Raupp substitui Carlos Ganem, presidente da instituição desde março de 2008, que retorna para a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
 
Finep
 
O Diário Oficial da União (DOU) de ontem também publicou a nomeação de João Alberto de Negri como diretor de inovação da Finep. Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desde 1996, Negri tem mestrado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutorado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB). Coordenou diversos estudos sobre a indústria nacional com ênfase na inovação tecnológica e tem diversas obras editadas sobre essa temática.
 
Fonte: Jornal da Ciência
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, anunciou na quarta-feira (2), um conjunto de medidas simplificadoras na logística das importações para pesquisa a serem adotadas conjuntamente pelo CNPq, Receita Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e pelo Sistema de Vigilância Agropecuária (Vigiagro).
 
Mercadante apresentou o resultado do Grupo de Trabalho que se reuniu por dois meses convergindo para um novo modelo de logística que deve reduzir significativamente o tempo de liberação de importações de insumos e equipamentos para pesquisa científica.
 
Inicialmente, este novo sistema será implantado, como um projeto piloto, no Terminal de Cargas da Infraero em Guarulhos (SP), que hoje concentra cerca de 60% das importações para pesquisa. Após um período operacional que permita avaliar sua eficácia e realizar os ajustes necessários, pretende-se expandir estes procedimentos para outros aeroportos.
 
A iniciativa visa resolver uma demanda antiga de pesquisadores e cientistas no sentido de desburocratizar e simplificar os procedimentos para as importações destinadas à pesquisa.
 
Fonte: Jornal da Ciência
Novo presidente da Finep diz que falta visão estratégica nas tentativas de estimular empreendedorismo de cientistas no Brasil. 
 
Quem estiver perto do sociólogo Glauco Arbix vai ouvir com frequência a música tema de "Indiana Jones", personalizada como toque de seu telefone celular.
 
Desde que ele assumiu a presidência da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), as ligações não param. "Sua demanda é legítima, mas não é comigo que você deve tratar disso", argumentava Arbix ao celular quando recebeu a Folha.
 
A Finep é hoje uma das principais engrenagens do motor da inovação brasileira, embora as tentativas de transformar ciência em tecnologias lucrativas ainda engasguem em boa parte das grandes empresas do país.
 
No ano passado, o órgão desembolsou R$ 3,3 bilhões entre créditos e subvenções (valor não reembolsável para empresas fazerem pesquisa). Em 2011, mesmo com contigenciamentos, o orçamento deve chegar a R$ 4 bilhões. O sociólogo entrou em cena para transformar a instituição numa espécie de "banco da inovação", num contexto em que empresários estão começando a inovar. "Não é a universidade que deve ter patentes", diz. Acompanhe a entrevista.
 
Folha – Como surgiu o convite do ministro Aloizio Mercadante [Ciência e Tecnologia] para a Finep?
 
Glauco Arbix – Tenho contato com ele há muitos anos. Também fui presidente do Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] no primeiro mandato do presidente Lula [2003 a 2006]. O Aloizio era líder do governo no Senado e o Ipea fazia uma série de previsões para o governo. Mas eu não pensava em voltar a Brasília depois da experiência do Ipea…
 
Folha – O que aconteceu na sua experiência no Ipea?
 
Glauco Arbix – Bom, era presidente e coordenador do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Isso me deu uma posição privilegiada – para o bem e para o mal. Quando você está dentro das entranhas do monstro, sabe como ele funciona. A experiência de governo é muito absorvente e você não tem tempo de ler nem telegrama de casamento. Estava afastado do meio acadêmico e quis voltar. Estar à frente de uma instituição muito tempo não é bom. Ela te molda e você molda a instituição. É preciso sacudir as instituições com a mudança de gestão.
 
Folha – O que o sr. poderia apontar como problemático na maneira como a Finep funciona?
 
Glauco Arbix – Existe um problema institucional que é desenhar a Finep como uma instituição financeira. A Finep é uma instituição financeira, mas não é acompanhada e supervisionada pelo Banco Central. Isso significa que os processos que a Finep tem nem sempre estão adequados às regras definidas pelo marco regulatório financeiro.
 
Folha – Há um mundo enorme: contabilidade, gestão de risco, áreas críticas, montagem da carteira. Esse é um problema, ou seja, como conceber a Finep como uma instituição financeira "especial"?
 
Glauco Arbix – Ela não é um banco, e não adianta falar que ela será simplesmente um "banco de inovação". Ela não será um banco qualquer. Sem a Finep hoje a universidade brasileira acaba se esfarelando em minutos. Foram cerca de R$ 2 bilhões para as universidades do país em 2010. Estamos estabelecendo uma relação com as empresas que nunca tivemos no Brasil. Os países avançados fazem isso há muito tempo. Os instrumentos são desenvolvidos a partir de modelos dos Estados Unidos.
 
Folha – O modelo de inovação dos EUA funciona plenamente?
 
Glauco Arbix – Não. É um modelo que conheço bem. No semestre passado passei o segundo semestre dando aula no MIT [Instituto de Tecnologia de Massachussets]. Eles têm problemas muito semelhantes, como o preconceito da indústria, que diz que a academia fica "voando". Em todo lugar existe isso. O MIT é de 1861, nasceu com esse espírito e ainda enfrenta problemas gigantescos: coisas como controle do tempo da pesquisa, agenda, resultados. Institucionalmente falando, universidade e empresa não casam porque têm uma temporalidade diferente. A empresa é geradora e a universidade é gastadora.
 
Folha – Mas essa aproximação não seria papel das agências de inovação das universidades?
 
Glauco Arbix – Acompanhei as agências de inovação do MIT. Mas as nossas são muito centradas na ideia de aproveitar o conhecimento da universidade para desenvolver patentes [de produtos inovadores.] Ajudam o professor a desenvolver patentes e, eventualmente, licenciar – o que nem sempre é muito claro, já que para licenciar é preciso ter análise comercial. Não basta fazer patente para currículo. No MIT a análise da patente está próxima da análise de comercialização. As agências de inovação aqui parecem mais um "despachante inteligente", que está atrás de ideias. Os americanos começaram a estimular o processo patentário. Isso se espalhou pelo mundo todo e está chegando aqui.
 
Folha – Está mesmo chegando?
 
Glauco Arbix – Acho que sim. As empresas brasileiras estão atentando para isso. O lugar para gerar patentes é nas empresas e não nas universidades. Estou em contato com uma empresa chinesa chamada Foxconn, que tem 37 mil patentes. É uma máquina de fazer patentes, e ela foi criada para isso. Entrar numa política dessas significa dar um valor à inovação para convencer o financeiro. Não basta só olhar o vizinho. Mas as empresas precisam ter isso internalizado.
 
Folha – E a China está dando um banho no Brasil nessa área?
 
Glauco Arbix – A China está avançando muito, mas conta com "facilidades" que a gente não tem porque aqui vivemos numa democracia. Eu visitei Pequim duas vezes e, entre uma vez e outra, havia um anel viário novo na cidade. Não se constrói um anel viário em São Paulo nessa velocidade. Aqui você tem de convencer. O empresariado brasileiro está acordando, mas o debate sobre inovação no Brasil ainda é levantado pelo poder público. Surgiram as leis de inovação, os incentivos fiscais. Sem isso não dá pra fazer inovação no Brasil. Inovação é muito caro, existe um custo de transição, você demora. A economia brasileira inova pouco e não é ligada à inovação. Esses são dois grandes gargalos.
 
Folha – As empresas brasileiras sabem como inovar?
 
Glauco Arbix – Os empresários devem entender que inovação se faz com pessoas. Tecnologia é resultado de gente. Hoje, na esmagadora maioria das empresas, salário continua sendo visto como custo. Mas não se inova, remodela e repensa um processo se o pessoal não receber bem. É preciso fazer inovação a partir de pessoas que ganham bem. E elas têm de ganhar bem porque têm de ler, falar inglês, ter vida cultural ativa para ter um fluxo de ideias. Elas têm de funcionar como uma espécie de "antena" que capta informações. A verdadeira herança maldita do Brasil é achar que não se deve investir nas pessoas.
 
Fonte: Folha de S. Paulo