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O exame das diretrizes, metas e estratégias do Plano Nacional de Educação (PNE) para o período 2011-2020 começa este mês na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Durante cinco sessões ordinárias, os parlamentares podem apresentar emendas ao Projeto de Lei nº 8.035/2010, enviado ao Congresso Nacional em 15 de dezembro do ano passado pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Pelas regras do Parlamento, depois de examinado na comissão da Câmara, o projeto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado nas duas instâncias legislativas, é enviado às comissões correspondentes do Senado Federal.
 
O PNE 2011-2020 tem dez diretrizes, que preveem, entre outras iniciativas, a erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, a gestão democrática da educação e a difusão dos princípios de equidade e do respeito à diversidade. O plano define metas e prazos para que elas sejam alcançadas. A meta número um é a universalização do atendimento escolar – até 2016, de crianças de quatro e cinco anos de idade e de adolescentes de 15 a 17 anos; até 2020, de crianças de até três anos (ampliação do atendimento em 50%). O aumento da oferta de educação integral pública também está previsto e deve atingir 50% das escolas até 2020.
 
O Distrito Federal, os 26 estados e os 5.564 municípios têm uma série de tarefas a cumprir a partir da aprovação do PNE no Congresso Nacional. Eles devem, por exemplo, criar leis específicas, no prazo de um ano, para disciplinar a gestão democrática da educação nas redes de ensino, além de atualizar ou elaborar planos estaduais e municipais de educação.
 
Avaliação
 
O plano estabelece que o índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb), calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), será usado para avaliar a qualidade do ensino. O Ideb foi criado em 2007 para aferir o desempenho de escolas e redes de ensino e determina metas a serem atingidas até 2021.
 
Quanto aos recursos, o projeto de lei prevê a ampliação progressiva do investimento público até que seja atingido o mínimo de 7% do produto interno bruto (PIB) do país. Esse percentual será revisto em 2015.
 
Fonte: Jornal da Ciência, por Ionice Lorenzoni, da Assessoria de Comunicação do MEC
Já estão abertas, no site www.sbpcnet.org.br/goiania, as inscrições para a 63ª Reunião Anual da SBPC, que será realizada de 10 a 15 de julho, nas dependências da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO). Trata-se do maior evento científico do país, que é realizado anualmente pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A Reunião é aberta ao público e voltada para estudantes, pesquisadores, técnicos, gestores públicos e privados, entre outros profissionais. Durante a reunião, a ANPG organiza o 3º Salão Nacional de Divulgação Científica.
 
Serão realizadas centenas de atividades, tais como conferências, simpósios e mesas-redondas, com a participação de cientistas renomados de todas as regiões do país. Entre elas, o 3º Salão Nacional de Divulgação Cintífica, organizado pela ANPG em conjunto com as entidades de representação dos estudantes, e que conta com mostra cine´tifica, atividades culturais, oficinas e debates.
 
O objetivo dessas atividades é discutir políticas públicas de educação, ciência, tecnologia, meio ambiente e saúde, além de mostrar os avanços da ciência nas mais diversas áreas do conhecimento. Boa parte dessas discussões versará sobre o tema central do evento: "Cerrado: água, alimento e energia".
 
Além dessas atividades, serão oferecidos diversos minicursos cujos temas serão de interesse tanto de universitários e pesquisadores como de professores da rede pública de ensino básico e técnico. O evento contará ainda com três programações paralelas: a SBPC Jovem, voltada para estudantes do ensino básico e técnico; a ExpoT&C, exposição de ciência e tecnologia; e a SBPC Cultural, mostra da cultura regional.
 
Como participar
 
O evento é aberto ao público, que pode participar gratuitamente e sem inscrição prévia da maioria das atividades. A inscrição é necessária apenas para aqueles que pretendem apresentar trabalhos científicos, que queiram participar de um dos minicursos ou receber a programação impressa.
 
Até 25 de fevereiro, a taxa de inscrição terá desconto maior. Sócios da SBPC, nas categorias de estudantes de ensino superior e/ou professores da educação básica ou técnica e/ou sócios de sociedade associada, pagam R$ 20,00; professores de ensino superior e outros profissionais pagam R$ 50,00. Não sócios da SBPC pagam R$ 40,00 ou R$ 100,00, nas respectivas categorias.
 
Já quem se associar à SBPC até essa data terá isenção na taxa de inscrição. Paga apenas pela anuidade: R$ 60,00 (estudantes, professores da educação básica ou técnica e/ou sócios de sociedade associada) ou R$ 110,00 (professores de educação superior e demais categorias), e tem ainda a vantagem de receber gratuitamente assinaturas da revista Ciência e Cultura e do Jornal da Ciência.
 
Mais informações no site http://www.sbpcnet.org.br/goiania, onde constam todas as normas de inscrição e participação das sessões de posteres para apresentação de trabalho de pesquisa científica e dos minicursos.
 
Da redação, com Jornal da Ciência

 

Programa pode ser visto, a partir deste sábado e ao longo da semana, pela TV e pela internet.
 
A cada dia que passa a conquista espacial se afasta mais daquela forte noção antiga de guerra fria e disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Hoje é bem mais difundida a importância dos satélites na vida cotidiana, das transmissões de TV ao uso dos GPSs – aqueles aparelhinhos que orientam os motoristas pelos desconhecidos caminhos do trânsito. Já se sabe também da importância do rastreamento de imagens para a previsão de tempo, controle de desmatamento, mapeamento e segurança.
 
Mas o que talvez poucos saibam é que o Brasil é um dos sete países do mundo com programa espacial completo, ou seja, sítios de lançamento, foguetes e satélites, razão pela qual foram reunidos neste programa especialistas capazes de possibilitar mais uma viagem pelos caminhos do conhecimento.
 
Participantes:
 
– Carlos Ganem, presidente da Agência Espacial Brasileira, é economista, advogado e administrador de empresas, com MBA pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e vasta experiência em funções executivas em empresas públicas e privadas, no Brasil e no exterior.
 
– Petrônio Noronha de Souza, engenheiro mecânico, mestre em ciência espacial e doutor e engenharia, chefia o Laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e foi um dos fundadores da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB), que presidiu por dois períodos.
 
– José Monserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia, além da formação completa em direito internacional é graduado pela Universidade Internacional do Espaço, vice-presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial e diretor do Instituto Internacional de Direito Espacial, que tem sede em Amsterdam.
 
– José Bezerra Pessoa Filho, mestre e doutor em engenharia mecânica, é do Instituto de Aeronáutica e Espaço, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial do Ministério da Defesa e, além de realizar pesquisas envolvendo aquecimento aerodinâmico e radiativo em veículos espaciais, trabalha diretamente em projetos de foguetes.       
 
Confira os canais que transmitem o "Tome Ciência":
 
– Rio TV, canal legislativo da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (canal 12 da Net Rio), às 24h de sábado e 8h30 de domingo
 
– TV Alerj, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, às 19h de domingo, com reprises às 20h30 de quinta, por satélite (Satélite Brasilsat – B4 at 84° W), pela internet (www.tvalerj.tv) e pelos sistemas a cabo das seguintes cidades do estado: Angra dos Reis (14), Barra Mansa (96), Cabo Frio (96), Campos dos Goytacazes (15), Itaperuna (61), Macaé (15), Niterói (12), Nova Friburgo (97), Petrópolis (95), Resende (96), Rio de Janeiro (12), São Gonçalo (12), Teresópolis (39), Três Rios (96) e Volta Redonda (13)
 
– TV Ufam, da Universidade Federal do Amazonas (canal 7 e 27 da Net), às 23h de domingo, com reprises às 19h de segunda e quinta e às 15h de sexta-feira
 
– TV Assembleia, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (em Campo Grande pelo canal 9, em Dourados pelo canal 11, em Naviraí pelo canal 44 e internet – www.al.ms.gov.br/tvassembleia, às 20h de sábado, com reprises durante a programação
 
– TV Câmara, da Câmara Municipal de Angra dos Reis (canal 14 da Net e internet), às 19h de quarta-feira, com reprises durante a programação
 
– TV Câmara da Câmara Municipal de Bagé (canal 16 da Net), durante a programação e no horário de 20 h de sexta-feira
 
– TV Ales, da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (canal 12 da Net), às 9h e 22h de quinta-feira
 
– TV UFSC, da Universidade Federal de Santa Catarina (canal 15 da Net), às 21h de quinta-feira, com reprises durante a programação
 
– TV Unicamp (canal 12), às 21h de quarta-feira, 19h de sexta-feira e 13h de sábado.
 
– TV Câmara Caxias do Sul, às 12h de sábado, com reprises às 12h de domingo, 16h de segunda a quinta e 20h15 de sexta-feira.
 
Além disso, o programa pode ser visto a qualquer hora no site http://www.tomeciencia.com.br
 
O programa, apresentado pelo jornalista André Motta Lima, conta com o apoio de pauta das sociedades vinculadas à SBPC, além de um Conselho Editorial de cientistas.
 
Fonte: Jornal da Ciência
 

 

Desmatamento atribuído à demanda de recursos naturais por grandes consumidores, como China e Estados Unidos, é tema de projeto de intercâmbio selecionado em chamada de propostas conjunta entre Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

 

 
O desmatamento na Floresta Amazônica está quase sempre associado ao desenvolvimento local e, para a comunidade internacional, trata-se de um problema causado por questões nacionais, como a ocupação do solo para fins diversos.
 
"Mas a Amazônia também se encontra na fronteira agrícola e parte da responsabilidade pelo desmatamento pode ser atribuída à crescente demanda da comunidade internacional por recursos naturais", disse Joaquim José Martins Guilhoto, professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), à Agência Fapesp.
 
O pesquisador decidiu entender e mensurar o desmatamento devido à demanda global por produtos agrícolas brasileiros. O estudo se tornou tema de uma proposta aprovada em chamada realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em conjunto com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, cujo resultado foi divulgado em dezembro.
 
O projeto será conduzido por Guilhoto e por Karen Polenske, professora do Departamento de Planejamento e Estudos Urbanos do MIT, economista especializada em recursos naturais e energéticos, sobretudo dos Estados Unidos e da China.
 
Guilhoto acaba de voltar ao Brasil após passar um ano como professor visitante no Departamento de Planejamento e Estudos Urbanos do MIT. "Durante esse período, desenvolvi com Karen e seu grupo estudos na área de economia regional, abordando questões ambientais no Brasil, Estados Unidos e China. Dessa interação surgiu a ideia de fazer um projeto para entender mais sobre o desmatamento na Amazônia", contou o coordenador do Projeto Temático "Mercados internacionais agrícolas, pobreza e desigualdade no Brasil", apoiado pela Fapesp e concluído em 2010.
 
A nova pesquisa está em fase inicial – na formação da base de dados -, e a partir do próximo semestre três alunos orientados por Guilhoto irão a Boston para estagiar no MIT por duas semanas. Em seguida, outros três estudantes de pós-doutorado orientados por Karen virão ao Brasil por outras duas semanas para a troca de experiências com colegas da USP.
 
Esse intercâmbio marcará a segunda fase do projeto, quando serão analisados os dados coletados. Na USP, as pesquisas serão conduzidas em dois grupos do Departamento de Economia da FEA: no Núcleo de Economia Regional e Urbana e no Núcleo de Economia Socioambiental.
 
"Nesses grupos, temos bancos com dados econômicos, sociais e ambientais do Brasil que possibilitam fazer estudos e análises regionais e ambientais da economia do país. E é essa experiência que estamos levando para a pesquisa", destacou Guilhoto.
 
Por outro lado, o professor ressalta que é necessário entender a dinâmica das economias de países mais desenvolvidos e também como esse fator externo afeta o desmatamento da Amazônia brasileira.
 
Demanda quantificada
 
Os estudos de Karen sobre ocupação do solo tiveram início em áreas urbanas na década de 1990. "Estudamos como se dão as relações de produção, demanda de energia e uso de recursos naturais em países como os Estados Unidos e a China, que são grandes consumidores", disse.
 
O grupo do MIT terá como missão fornecer um panorama do mercado internacional de recursos naturais, principalmente dos países que exercem pressão sobre recursos presentes na região amazônica.
 
"Pretendemos observar as mudanças da ocupação do solo em regiões rurais da Amazônia e, junto com estudantes de pós-doutorado do projeto, analisar as consequências energéticas, econômicas e ambientais desse processo", disse Karen.
 
Segundo Guilhoto, com a troca de informação e conhecimento entre os pesquisadores brasileiros e norte-americanos, a pesquisa poderá quantificar o potencial de demanda global por produtos agrícolas e minerais na região que compreende nove Estados: Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins.
 
Apenas no Pará o grupo incluirá na conta o minério de ferro. O estado, um dos grandes responsáveis pelo desmatamento na Amazônia Legal, exporta uma quantidade expressiva de ferro e outros minérios.
 
Tanto Guilhoto quanto Karen veem na parceria entre os pesquisadores da USP e do MIT, permitida pelo projeto aprovado na chamada, uma excelente oportunidade para o avanço do conhecimento na área.
 
"Até há alguns anos, a maior parte de nossas pesquisas estava direcionada apenas para a China, grande consumidor de combustível fóssil, principalmente carvão. Com o apoio de diversas fontes, estamos conseguindo atuar mais no Brasil, que também é um grande consumidor de energia, mas focado em fontes renováveis", disse a economista.
 
Fonte: Agência Fapesp
Luiz Elias (secretário executivo), Carlos Nobre (Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento), Marco Antonio de Oliveira (Inclusão Social), Ronaldo Mota (Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e Virgílio Almeida (Política de Informática) tomaram posse nesta quarta-feira (2).
 
Ampliar informações e serviços úteis aos cidadãos, associar conhecimento científico à inovação, e agregar valor às cadeias de biodiversidade são algumas das missões dos novos secretários do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), empossados nesta quarta-feira (2/2) pelo ministro Aloizio Mercadante. A cerimônia ocorreu no auditório do MCT e reuniu autoridades da área científica e parlamentares.
 
A Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis/MCT) será comandada por Marco Antonio de Oliveira. Ele assume o lugar de Roosevelt Tomé Silva Filho. No governo do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, Oliveira foi presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
 
O professor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Virgílio Augusto Fernandes Almeida , substitui Augusto Gadelha na Secretaria de Política de Informática (Sepin/MCT).
 
Almeida é graduado em Engenharia Elétrica pela UFMG e possui mestrado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO) e  doutorado em Ciência da Computação pela Vanderbilt University, nos Estados Unidos. Virgílio Almeida tem atuado, nos últimos anos, no Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
 
Para a Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCT), o ministro Mercadante nomeou Carlos Afonso Nobre, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT). Nobre é considerado um dos maiores especialistas mundiais em mudanças climáticas e integra o Comitê Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP).
 
O meteorologista ainda coordena o programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Rede-Clima do MCT.
 
Nas secretarias Executiva (Sexec/MCT) e de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec/MCT) não haverá mudança. Luiz Antonio Rodrigues Elias e Ronaldo Mota darão continuidade aos trabalhos já desenvolvidos em ciência e tecnologia.
 
Em seu discurso, o ministro Mercadante destacou a importância da pasta na erradicação da pobreza, no apoio à saúde e no desenvolvimento do emprego e renda. "É preciso impulsionar a tecnologia da informação, o uso da banda larga, a inclusão digital e o apoio às micro e pequenas empresas", disse.
 
De acordo com ele, a prioridade é desenvolver políticas voltadas para a sustentabilidade ambiental. "Esse ministério estará à frente da reflexão sobre políticas de sustentabilidade e geração de valor agregado à biodiversidade", disse.
 
Oura prioridade, segundo Mercadante, é o apoio necessário para a reconstrução das áreas atingidas pelas fortes chuvas ocorridas recentemente no estado do Rio de Janeiro. "Vamos melhorar a capacidade de leitura dos satélites e dos radares meteorológicos", garantiu o ministro.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa do MCT
A repatriação de cientistas brasileiros que atuam no exterior, proposta pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, no início da sua gestão, pode não ser uma matemática simples.
 
De acordo com quem está fazendo ciência fora do Brasil, mesmo que exista vontade de voltar, a burocracia para se fazer pesquisa e a falta de competitividade nas universidades nacionais, diferentemente do que acontece nos EUA e na Europa, ainda são fatores de repulsa.
 
"No Brasil, os salários acadêmicos são iguais. Nos EUA, eu não ganho o mesmo salário que meus colegas. Há competitividade", diz o físico José Nelson Onuchic, professor da UCSD (Universidade de San Diego).
 
Ele está há 21 anos nos EUA, país que, estima-se, tenha 3.000 professores brasileiros.
 
A opinião de Onuchic é compartilhada por outros pesquisadores, como Alysson Muotri, que também é UCSD, mas é biólogo.
 
Em entrevista à Folha, disse que "para algumas pessoas, o real patriotismo é abandonar as melhores condições de trabalho no exterior e voltar ao Brasil. Alguns dizem "vem aqui sofrer com a gente, vamos juntos tentar melhorar este país’".
 
Quem faz pesquisa por aqui concorda com as dificuldades. "A gente perde muito tempo por lidar com tanta atividade burocrática", diz o biólogo Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
 
"Mas quem sai tem que saber que existem oportunidades para se fazer pesquisa aqui. Estou no Brasil não só porque estudei em universidade pública, mas por valores", completa o biólogo.
 
Onuchic não pensa em voltar de vez ao Brasil, mas, para ele, uma alternativa possível seria passar alguns meses por aqui.
 
Essa solução é uma das ideias de Mercadante para a repatriação. Em entrevista exclusiva à Folha, ele disse que pretende criar, via agências de fomento, um formato de "bolsas-sanduíche" (bolsa de pesquisa de curto período no exterior) ao contrário.
 
Seriam bolsas de pesquisa oferecidas aos brasileiros no exterior para que eles passem um tempo fazendo pesquisa por aqui.
 
"O Brasil é um país agradável, provavelmente os cientistas acabariam retornando", acredita o ministro.
 
A ideia é criar, com as bolsas de curta duração, uma espécie de rede da "inteligência brasileira" no exterior.
 
Essa política está sendo tocada na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). "As redes ajudam. Mas temos trazido também cientistas com o Programa Jovem Pesquisador. Há repatriados e também estrangeiros", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação.
 
De acordo com ele, a Fapesp já apoiou mil pesquisadores com esse perfil nos últimos dez anos. "A maior parte deles ficou aqui", afirma Cruz. A Fapesp, no entanto, não tem os números exatos.
 
"A gente sempre tem vontade de voltar", diz pesquisadora
 
Mesmo com as condições atrativas de países como EUA e da Europa Ocidental, há quem prefira ser cientista na sua terra natal. Entre esses pesquisadores está a cientista da computação Juliana Salles, da Microsoft Research.
 
A mineira formada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) hoje faz pesquisas em solo brasileiro, depois de quatro anos nos EUA.
 
A possibilidade veio com um convênio firmado entre a Microsoft e a Fapesp em 2006, para desenvolvimento de sistemas computacionais com foco em clima.
 
"É claro que a gente sempre tem vontade de voltar para o país de origem, né?", disse Salles à Folha.
 
Mas o motivo maior do retorno teve razões pessoais: seu marido teve dificuldades com o visto americano.
 
"O país viveu uma diáspora por causa de recessão, instabilidade, falta de recursos", analisa Mercadante, ao falar dos nossos cientistas em terras estrangeiras.
 
O ministro afirmou que pretende criar um comitê para mapear esses profissionais e estudar políticas de incentivo para trazê-los de volta. Foi o que fizeram a Índia, com o "Ministério dos Indianos do Exterior", e a China, em programa para levar seus cientistas de volta ao país (sob regime autoritário, claro).
 
O ministro também disse que pretende "aproveitar" a crise econômica que afeta alguns países desenvolvidos para atrair ao Brasil técnicos e cientistas estrangeiros.
 
Fonte: Folha de S. Paulo (2/2), por Sabine Righetti
"Findo a período de vigência do PNE-F [que ora se encerra], ainda não universalizamos sequer o ensino fundamental, apesar de este ser obrigatório desde a Constituição de 1988".
 
Por Otaviano Helene e Lighia Horodynski-Matsushigue*
 
O atual Plano Nacional de Educação (PNE) chegou ao fim e, como esperado, o Executivo federal apresentou nova proposta para os próximos dez anos. O que esperar dela?
 
Comecemos a análise pelo plano que ora se encerra (PNE-F). Com isso teremos elementos para prever o que, a depender do novo (PNE-N), poderá ocorrer com a educação nacional nos próximos dez anos. O primeiro fato sobre o PNE-F é que as metas estabelecidas não foram cumpridas; ao contrário, afastamo-nos ainda mais da maioria delas.
 
Por exemplo, no início de sua vigência, há dez anos, o número de concluintes do ensino fundamental correspondia a cerca de 75% das crianças da coorte etária típica. Segundo os dados consolidados mais recentes, esse porcentual pode estar reduzido a cerca de 70%. Assim, findo a período de vigência do PNE-F, ainda não universalizamos sequer o ensino fundamental, apesar de este ser obrigatório desde a Constituição de 1988.
 
As matrículas na educação básica permaneceram estagnadas, ou até diminuíram; a taxa de conclusão do ensino médio foi reduzida e hoje só um de cada dois brasileiros entra na idade adulta com esse nível educacional, o que nos põe em enorme desvantagem em comparações internacionais.
 
Por que isso aconteceu? Uma primeira razão é a simples falta de recursos financeiros, sem os quais é absolutamente impossível atacar o problema educacional. Embora investimentos de 7% do PIB em educação tivessem sido aprovados pelo Congresso, tal provisão, ainda que insuficiente, foi sumariamente vetada pelo Executivo de então. Assim, não havendo condições objetivas, as metas simplesmente não foram cumpridas.
 
Um segundo fator que pode explicar a inoperância do PNE-F é que não havia definição clara quanto a quem deveria cumprir as metas, o que é fundamental para um país onde as atribuições educacionais são repartidas por municípios, Estados e União. Na ausência dessa definição, os Poderes Executivos, o Congresso, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais não se sentiram responsáveis por nenhuma das metas e simplesmente se omitiram. Os órgãos responsáveis pela defesa da ordem jurídica também nada fizeram, apesar de uma lei nacional não estar sendo cumprida. E os Conselhos de Educação, nacional e estaduais, embora, em princípio, devessem cuidar das metas do PNE, igualmente nada fizeram.
 
Vejamos agora o novo PNE. Quanto ao financiamento, há uma previsão de que se deva "ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, 7% do produto interno bruto". Embora uma estimativa realista, adotada até pela Conferência Nacional de Educação de 2010, indique que seriam necessários cerca de 10% do PIB, essa é uma meta importante.
 
Entretanto, como as metas do PNE-F não foram cumpridas, não há nenhuma garantia de que esta o seja. Para que isso venha a ocorrer duas coisas deveriam ser definidas: o que se considera gasto com educação (para evitar a prática comum, e amplamente adotada por Estados e municípios, de debitar na conta de educação coisas que nada têm que ver com ela) e qual a responsabilidade de cada ente da Federação na composição do total.
 
O PNE repete as mesmas omissões fundamentais do que se encerra, apresentando metas sem dizer quem as deve cumprir – um primeiro passo para sua falência. Por exemplo, a meta de incluir 50% das crianças com até 3 anos na educação infantil, embora louvável, não define de onde virão os recursos nem quem deve arcar com a responsabilidade. Além disso, continua não havendo previsão de punição se as metas não forem cumpridas; afinal, como punir alguém por algo que não foi feito sem que estivesse clara a sua responsabilidade nessa omissão?
 
Há, também, metas erradas no PNE-N, em especial no que diz respeito ao ensino superior. Uma delas é estabelecer a relação mínima de 18 alunos por professor nos estabelecimentos públicos. Essa proporção é altíssima para um país onde a pós-graduação e o desenvolvimento científico, cultural e tecnológico ocorrem basicamente nesse tipo de instituição. Ao contrário, esperar-se-ia que, se houvesse uma definição de limite para a relação estudantes/professores, este fosse máximo, não mínimo, condição necessária para tornar viável a execução com qualidade dessas tarefas.
 
Há, ainda, uma meta muito perigosa: elevar a taxa de conclusão de cursos superiores nas instituições públicas para 90%. Mesmo nos países cujos sistemas educacionais são bem estabelecidos ou, no caso do Brasil, em muitos dos cursos de alto prestígio, níveis de conclusão tão elevados não são atingidos.
 
Cabe perguntar: o que se pretende com essa meta? Forçar a aprovação de estudantes, mesmo quando despreparados? Baixar os níveis de qualidade do ensino superior público e igualá-lo ao de muitas instituições privadas? Vale lembrar que tal meta foi imposta, a partir de 2007, às universidades federais pelo programa Reuni e já se provou descabida na maioria dos casos.
 
No todo, o PNE-N mais se assemelha a uma peça de gerenciamento que a um plano que pretenda atingir as raízes dos problemas que nos levaram a um péssimo desempenho na educação. Tanto pela história do PNE-F como de outros projetos de lei, sabemos que o Congresso, que deverá analisá-lo, não tem compromissos com uma educação pública republicana, democrática e igualitária, e pouco podemos esperar dele.
 
Assim, se quisermos obter algum avanço, é necessário que a população e as entidades científicas, acadêmicas, estudantis, sindicais e educacionais se mobilizem. Caso isso não se concretize, corremos o sério risco de ver repetir-se o que aconteceu na última década: a educação continuar aquém das necessidades e possibilidades da sociedade, não servindo como instrumento de promoção do desenvolvimento pessoal e nacional, em sua conceituação mais ampla.
 
*Otaviano Helene é professor no Instituto de Física da USP, foi presidente da Adusp e do Inep; Lighia Horodynski-Matsushigue é professora aposentada do Instituto de Física da USP, foi vice-presidente da regional São Paulo do Andes-SN
 
Fonte: O Estado de S.Paulo (18/1)
 
Observação: As opiniões reproduzidas nesta coluna não refletem necessariamente as opiniões e deliberações da diretoria da ANPG.  A publicação deste artigo tem o objetivo de instigar o debate sobre a educação e a ciência e tecnologia no país.

O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.

 

O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake.

Nicolelis aproveitou o episódio como gancho para tratar da questão da identidade no contexto das redes sociais. Ele sustentou que o modelo de mundo que conhecemos, bem como nossa identidade, não passa de uma “simulação” do cérebro. Emendou dizendo que a “cultura do ‘eu’ é uma ilusão”.

“Eu me defrontei com essa ilusão ao tentar provar que eu sou eu. Eu me engajei num debate com uma jornalista que foi uma das coisas mais fascinantes. Comecei a falar das minhas opiniões, primeiro sobre a política do RN, mas não funcionou”.

“Pare pra pensar: nós vivemos num mundo em que qualquer um pode ser eu, qualquer um pode assumir qualquer personalidade. O sucesso das redes sociais, em minha opinião de neurocientista, se deve, primeiro,  a uma coisa que vou tratar no livro que será lançado no próximo mês. Daqui a algumas centenas de anos não vamos precisar disso aqui, teclado, celular… Nós vamos pensar e nos comunicar, nos amalgamar numa rede conscientemente sem a necessidade dessas coisas pouco eficientes, como os nossos dedos, os teclados… Nós já estamos observando, mesmo com os limites que temos, já vivemos os primórdios de uma sociedade onde a identidade real não faz diferença nenhuma”, discorreu.

O neurocientista destacou que as redes sociais “conseguiram fazer as identidades, às quais a gente se apegou tanto, desaparecerem”. “Você pode assumir o que você sempre quis ser, mas não podia por medo do preconceito. Nós ainda não conseguimos lidar com o fato que as pessoas são de diferentes matizes. As redes têm essa vantagem de permitir que as pessoas possam assumir [suas ideias] livremente”.

“Não existe isso de imparcialidade”
 

 

Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra.

“O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010.

“Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.
Miguel Nicolelis frisou que outro efeito provocado pelo surgimento dessa teia é o fato de considerar “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia e do fato”. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato”.

Mesmo ressaltando sua condição de neófito, Nicolelis demonstrou entusiasmo com o potencial dessa “teia” desembocar no surgimento de um novo modelo de democracia, em que os indivíduos tenham um novo papel.

“A democracia representativa é muito interessante, mas ela faliu, porque o grande objetivo dos representantes dos indivíduos do planeta é representar a si mesmo. Existe um potencial imenso de uma nova democracia, onde os indivíduos tenham um novo papel, em que possam ser agentes atuantes e definidores da nossa cidadania”.

 

 

Retirado de: Blog Embolando Palavras

FAPESP e Institut National de Recherche en Informatique et Automatique selecionam propostas de intercâmbio em tecnologia da informação e comunicação entre pesquisadores do Estado de São Paulo e da França (Inria)

A FAPESP e o Institut National de Recherche en Informatique et Automatique (Inria), da França, lançam nova chamada de propostas para intercâmbio de pesquisadores no âmbito do acordo de cooperação científica e tecnológica entre as instituições.

Serão aceitas propostas de pesquisa e desenvolvimento em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e sua aplicação em quaisquer áreas do conhecimento nas quais haja colaboração científica entre pesquisadores do Inria e de instituições de ensino superior e pesquisa no Estado de São Paulo.

As propostas apoiadas receberão recursos para financiar missões envolvendo a ida de pesquisadores do Estado de São Paulo a instalações do Inria e a vinda de pesquisadores da instituição francesa a instituições paulistas.

Podem participar da chamada pesquisadores responsáveis ou principais de Auxílio à Pesquisa vigente na FAPESP dentre as modalidades: Auxílio à Pesquisa – Regular, Projeto Temático, Apoio a Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes ou Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).

Pelo lado francês, podem participar pesquisadores e engenheiros do corpo científico do Inria e pesquisadores ou acadêmicos autorizados por sua instituição de origem a participar em projetos da instituição.

A FAPESP apoiará com recursos de até 10 mil euros anuais cada proposta selecionada. Os recursos oferecidos para as missões se destinam ao pagamento das passagens de ida e volta à França e ao pagamento de diárias.

Cada missão compreende a ida à França de pesquisadores principais do projeto FAPESP ou de seus alunos de pós-graduação e pós-doutorado, por um período de até um mês a cada oportunidade. A FAPESP concederá seguro-saúde pelo período aprovado.

Os pesquisadores que atuarem como visitantes serão considerados pelo organismo de recepção como “convidados”, devendo os mesmos se adequar às obrigações e regulamentos da instituição na qual serão recebidos.

As propostas poderão ser submetidas até o dia 1º de março de 2011. Cada proposta deve ser apresentada por um pesquisador do Estado de São Paulo à FAPESP simultaneamente à apresentação de proposta idêntica pelo pesquisador francês parceiro ao Inria.

Os documentos de submissão devem ser enviados em inglês e contemplar condições semelhantes às apresentadas pela equipe francesa.

Os laboratórios do Inria e seus projetos podem ser consultados em www.inria.fr/recherche/equipes/listes/alpha.en.html. Mais informações sobre a chamada no lado francês: www.inria.fr/medias/inria/documents/texte-de-l-appel-a-projets-bresil-2011.

Mais informações sobre a chamada: www.fapesp.br/acordos/inria

 

Fonte: FAPESP

Presidente do órgão diz que programas de pós-graduação regulares precisam melhorar desempenho: "Ou muda ou vai fechar"

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela pós-graduação, vai exigir mais qualidade dos mestrados e doutorados no país. Cursos que recebem nota 3 na avaliação trienal da Capes – pontuação mínima, hoje, para continuar funcionando – deverão ser fechados, caso não consigam melhorar seu desempenho.

O presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, diz que as novas regras serão definidas até março. Ele defende o descredenciamento de mestrados e doutorados que tirem nota 3, considerada regular, em três avaliações trienais consecutivas – portanto, num período de nove anos. Hoje, a Capes descredencia de imediato cursos que recebam notas 1 e 2. A escala vai até 7.

– Ou muda ou vai fechar – diz Guimarães, convencido de que uma boa pós-graduação não pode ficar estagnada. – O certo é que o curso comece com 3 e vá a 7.

Levantamento realizado pela Capes mostra que 141 programas de pós-graduação obtiveram sempre nota 3 nas últimas três avaliações, divulgadas em 2004, 2007 e 2010. Quando um programa reúne mestrado e doutorado, ele recebe uma nota única, válida para ambos. Estão nessa lista 14 programas de instituições do Rio de Janeiro, sendo dois da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), um da Universidade Federal Fluminense (UFF) e três do Instituto Militar de Engenharia (IME).

Universidades prestigiadas como a USP (Universidade de São Paulo), a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a Universidade de Brasília (UnB) também estão na lista. Se for considerada somente a última avaliação, estão lá a UFRJ, a Uerj, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Guimarães quer passar um pente-fino nos 141 cursos aprovados com nota mínima nas últimas três avaliações. A ideia é que comissões de especialistas façam inspeções nos próximos meses, indicando à Capes quais providências devem ser tomadas – o que poderia até incluir a antecipação da próxima avaliação para fins de descredenciamento. Segundo ele, as visitas devem começar pelas instituições mais prestigiadas, pois elas deveriam dar o exemplo.

– Não se justifica que uma instituição como a USP, a Unicamp ou a UFRJ tenha um curso 3. Alguma coisa está errada – afirmou o presidente da Capes.

Os novos critérios serão discutidos pelo Conselho Técnico-Científico da Educação Superior, que reúne representantes de 46 áreas do conhecimento e terá nova composição em março. Para Guimarães, há mestrados e doutorados de boa qualidade que perdem fôlego e acabam caindo nas avaliações. Outros recebem a nota mínima 3 no ato de criação e não progridem.

Nos dois casos, segundo ele, há falhas da instituição. Guimarães diz que é compreensível que universidades sem tradição de pós-graduação tenham cursos com nota mínima. Isso vale para instituições novas ou que só criaram cursos de doutorado nos últimos anos. Mas ele não vê desculpa no caso de universidades prestigiadas, sobretudo em áreas do conhecimento com tradição de pesquisa:

– Ter um curso 3 na Física só é desculpável se for em instituição nascente. Passou uma avaliação, duas, três cinco, a culpa já é da instituição.

A última avaliação trienal mostrou, porém, que mesmo instituições de ponta têm cursos reprovados com notas 1 e 2. Em 2010, a Capes descredenciou 61 programas (2% do total avaliado), alguns deles oferecidos por USP, Unicamp, Unifesp, Uerj, UFF, PUC-Rio e Fiocruz.

A Capes quer mexer também na avaliação dos cursos de ponta, que recebem repetidas vezes notas 6 e 7 – consideradas muito boas em nível internacional. Guimarães defende que esses programas de mestrado e doutorado sejam avaliados a cada cinco e não mais três anos. Nas últimas três avaliações, 168 programas obtiveram notas 6 e 7, sendo que 44 só receberam 7 – oito deles do Rio.

(Demétrio Weber)
(O Globo, 31/1)
 

Fonte: Jornal da Ciência