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Despesas com bolsas do CNPq e importação de bens para pesquisa estão fora do teto de R$ 2,9 bi mensais fixado pelo governo.
 
O Poder Executivo baixou um decreto para controlar os gastos dos ministérios nos primeiros dias de governo, enquanto o Orçamento de 2011 não é sancionado pela presidente Dilma Rousseff. No decreto, foi fixado um gasto mensal de R$ 2,9 bilhões como teto para despesas correntes de caráter inadiável.
 
Fora essas despesas, o governo poderá gastar com obrigações constitucionais ou legais da União; bolsas de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); pagamento de estagiários e de contratações temporárias; ações de prevenção a desastres; formação de estoques públicos; e importação de bens para pesquisa científica.
 
Cortes
 
Os cortes definitivos no Orçamento de 2011 poderão chegar a R$ 30 bilhões e também serão definidos por decreto após a sanção do Orçamento, ainda sem prazo definido.
 
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o que há de concreto é apenas a determinação de cortes nos gastos de todos os ministérios.
 
"Não há um número definido do tamanho do contingenciamento. Vamos analisar, em cada ministério, os seus projetos e a maximização do uso do dinheiro. Vamos reduzir, certamente, gastos com passagens e diárias, por exemplo, e com contratação de serviços. Será feita uma triagem e os projetos prioritários continuarão; os menos prioritários poderão ser postergados. O fato é que deverá haver uma redução considerável de gastos neste ano."
 
Mantega argumenta que esse corte qualitativo, a partir da realidade de cada ministério, é mais racional do que uma redução linear nos gastos do governo.
 
Fonte: Agência Câmara, via Jornal da Ciência
 
Professor do Instituto de Física da USP/São Carlos é o atual diretor de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais (DEHS) da agência.
 
O professor titular do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, Glaucius Oliva, foi indicado como novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
 
Oliva é atualmente diretor da área de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais do CNPq. Ele substituirá o físico Carlos Alberto Aragão, que assumiu a agência em janeiro do ano passado.
 
Graduado em Engenharia Elétrica/Eletrônica pela Escola de Engenharia de São Carlos/USP, tem mestrado (pela USP) e doutorado (pela University of London) em Cristalografia. Seus principais interesses de pesquisa estão centrados em biologia estrutural e suas aplicações no planejamento e desenvolvimento de novos fármacos, com particular ênfase em doenças endêmicas brasileiras. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico.
 
Em 2009, Oliva foi o mais votado na eleição para reitor da USP, mas que acabou não sendo escolhido pelo então governador José Serra, que nomeou o segundo colocado, João Grandino Rodas.
 
Fonte: Jornal da Ciência
O ministro da C&T, Aloizio Mercadante, começou a anunciar os nomes que farão parte de sua equipe. Um dos indicados é o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, para assumir a Agência Espacial Brasileira (AEB), como afirmou Mercadante em entrevista ao "O Estado de SP" (leia na nota 2 desta edição). Raupp ainda não se pronunciou sobre o convite.
 
 
No discurso de posse, no dia 3 de janeiro, Mercadante ressaltou a importância de um programa espacial fortalecido, "que conte com recursos suficientes, nos níveis necessários para atender as importantes demandas por satélites e por aplicações espaciais, inerentes aos dias de hoje".
 
O ministro afirmou ainda que, nesse contexto, "daremos redobrado apoio à Agência Espacial Brasileira (AEB)".
 
Secretarias
 
Já segundo informações do "Globo Online", o coordenador da Rede Clima e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, será o novo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT.
 
Carlos Nobre é considerado um dos maiores especialistas mundiais sobre mudanças climáticas. Integra o Comitê Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP) e coordena programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais. Nobre também preside o Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. O engenheiro eletrônico assume no lugar de Luiz Antonio Barreto de Castro.
 
Para a Secretaria de Política de Informática, Mercadante escolheu o professor Virgílio Almeida, do Centro de Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e que terá como principal tarefa a integração das redes informatizadas do governo e dos principais centros de desenvolvimento da inovação tecnológica.
 
Virgílio é coordenador do Centro da Computação da UFMG e entra no lugar de Augusto César Gadelha Vieira.
 
Fonte: Jornal da Ciência, com informações do Globo Online

 

 

Tem razão o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, ao conclamar, no discurso de posse, as empresas brasileiras a investir "muito mais" em inovação. Enquanto isso não ocorrer, é retórica esperar que o país supere o nível de uma economia medianamente industrializada. Esse é o único consenso entre acadêmicos, analistas e instituições. Os resultados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) referentes a 2008, recentemente divulgados colocaram boas polêmicas na mesa.

Os resultados da Pintec, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram recebidos com decepção ou reservas por alguns analistas. Já o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), principais responsáveis pelo fomento à inovação no país, viram avanços. A Pintec 2008 é o retrato mais recente e completo do estágio em que se encontra o Brasil na área da inovação.

Apesar de a taxa de inovação na indústria (percentual que representa o total de indústrias ouvidas dividido pelo total das que disseram ter introduzido pelo menos uma inovação) ter passado de 33,4% em 2005 para 38,1% em 2008, o economista David Kupfer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos principais estudiosos da evolução industrial do país, constatou que quando visto mais de perto, com lupa, o resultado não é tão auspicioso quanto possa parecer.

Ele constatou que das 100,5 mil indústrias pesquisadas, apenas 4,2% realizaram atividades internas de pesquisa e desenvolvimento em 2008, ante 5,6% na Pintec de 2005. O dado é o principal indicador do esforço inovativo feito pelas empresas industriais. "Eu gosto de ver mais as variáveis de esforço do que de resultado", disse Kupfer. Ressalvando a necessidade de que seja feito um mergulho mais profundo nos números da Pintec, ele alinhou outros dados que, na sua opinião, corroboram sua relativa decepção.

Outros dados

Sempre comparando 2008 com 2005, os gastos da indústria de transformação com pesquisa e desenvolvimento (P&D) caíram de 2,8% para 2,6% do faturamento. A proporção de pessoas ligadas a atividades de P&D em relação ao pessoal total caiu de 0,80% para 0,69%, e o número de mestres e doutores aumentou apenas de 4.280 para 4.340 em três anos.

De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a Pintec mostrou um crescimento de 10%, com o total dos gastos empresariais na área passando de 0,49% para 0,54% do PIB. Analistas do Ipea compararam o avanço brasileiro com o de outros países e concluíram que o esforço brasileiro, embora expressivo, está sendo muito pequeno quando considerada a necessidade que o país tem de investir para reduzir o fosso tecnológico entre ele e os países que estão na fronteira tecnológica.

Os 10% de avanço brasileiro em relação a 2005 foram inferiores aos 12% dos Estados Unidos, aos 21% da China, aos 23% da Espanha, e aos incríveis 145% de Portugal, onde a taxa de investimento das empresas em P&D passou de 0,31% para 0,76% do PIB. Com base nos dados analisados, os técnicos do Ipea calculam que aumentando os investimentos no ritmo atual o Brasil precisaria de 20 anos para chegar aos níveis europeus.

Para Kupfer, a decepção veio também por conta da falta de resultados mais expressivos em um período no qual a economia brasileira cresceu em ritmo mais acelerado. De 2006 a 2008 o PIB brasileiro expandiu-se a uma média anual de 5,1%. "Parece que a indústria brasileira não investe em inovação na fase ruim porque está ruim e também não investe na fartura porque está farto", provocou.

9 mil empresas a mais

Já o presidente da Finep, Luis Fernandes, considera que o economista David Kupfer está "excessivamente pessimista, inclusive com os dados". Ele disse que a próprio crescimento da taxa de inovação na indústria para 38,1% "não é desprezível", considerando que essa taxa "estava estagnada na casa dos 33% até 2005". "São 9 mil empresas a mais que inovaram", ressalta.

Fernandes destacou também, no que toca ao esforço de pesquisa, o aumento de 0,57% para 0,62% do percentual do faturamento das indústrias destinado a pesquisa e desenvolvimento (P&D). Outro dado positivo destacado pelo dirigente da principal agência de fomento à pesquisa tecnológica do Brasil foi o fato de ter passado de 18,8% para 22,3% o percentual de empresas inovadoras que utilizaram pelo menos um mecanismo de apoio governamental.

Fernandes resume assim o quadro que viu dos números da Pintec: "Precisamos melhorar muito, mas ficamos satisfeitos em ver uma evolução na direção correta". O presidente da Finep também ponderou os efeitos da crise econômica mundial cujos impactos começaram a ser sentidos em 2008 para explicar retração dos investimentos privados em inovação.

Também o BNDES, que nos últimos anos aumentou muito sua participação nos mecanismos de apoio estatal à inovação, considera que a leitura da Pintec feita pelos analistas precisa ser ponderada, mesmo admitindo que há um longo caminho a percorrer. Para Claudio Leal, superintendente de planejamento do banco, o período de 2006 a 2008 compreendido pela última pesquisa do IBGE "não é capaz de captar" os resultados dos diversos mecanismos de apoio à pesquisa e desenvolvimento e à inovação no Brasil.

Processo positivo

"Estamos com a Finep, há um processo positivo", disse, ressaltando que esse aspecto positivo existe mesmo quando o avanço é obtido só com a compra de máquinas e equipamentos mais modernos.

Ele destacou o crescimento do interesse de empresas estrangeiras de instalarem centros de pesquisas no país, especialmente na área de petróleo, e o aumento da disponibilidade de financiamento, liberando a empresa de usar recursos próprios para inovar.

Somente o BNDES possui hoje 15 mecanismos de fomento voltados para a inovação. No conjunto, eles desembolsaram R$ 563 milhões em 2009, no total de 156 projetos, saltando para R$ 999 milhões em 217 projetos, de janeiro a outubro de 2010.

O relatório anual de utilização dos incentivos fiscais da chamada Lei do Bem (nº 11.196/2005) referente a 2009, recentemente divulgado pelo MCT, também reflete o clima de otimismo, com ressalvas, existente no governo quanto aos avanços do país em P&D e inovação.

Nas suas conclusões, o trabalho do MCT também destaca a necessidade de uma evolução maior. Considerando que o total de empresas beneficiárias dos incentivos fiscais da Lei do Bem corresponde a 14,5% do total de empresas que investiram em P&D no Brasil (dados da Pintec 2008), o ministério diz que "a participação do empresariado brasileiro nos investimentos em P&D ainda é bastante tímida".

Direção certa, caminho longo

"Essa situação não é compatível com o atual sistema de educação e de ciência e tecnologia do Brasil, o que tem provocado um descompasso entre a tênue geração de inovação das empresas brasileiras e a alta competência técnico-científica das nossas universidades", diz o trabalho, corroborando, de certa forma, o economista David Kupfer quando diz, aplaudindo a Lei do Bem: "Não estamos na direção errada, mas ainda temos muito que andar".

O economista Antonio Barros de Castro, também professor da UFRJ, ex-presidente do BNDES, reconhece que entre os estudiosos da temática da indústria no Brasil "ninguém se entusiasmou" com o resultado da Pintec. Segundo ele, o mais impressionante é que na 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada em maio deste ano, "ficou evidente que o Brasil vem acumulando forças para um possível desejado ingresso na economia do conhecimento".

Entre os sinais desses esforços, ele enumerou o aumento da verba do MCT "de US$ 600 milhões para US$ 2 bilhões em uma década" e a multiplicação de órgãos, tanto na esfera federal como na estadual e na municipal, voltados para o incentivo à busca da inovação.

"Sessenta por cento dos gastos com inovação na América Latina vêm do Brasil", resume Castro, que acrescenta: "Os resultados, porém, são bastante modestos". Ele acha que o furacão China inibe o apetite inovador do empresário e sugere, como vem fazendo há muito tempo, que o Brasil busque adensar as cadeias produtivas em áreas nas quais pode ser líder, como o petróleo em águas profundas e o etanol.

Por Luana Bonone, Diretora de Comunicação da ANPG, com informações do Valor Econômi

 

A 63ª Reunião Anual da SBPC será realizada entre os dias 10 e 15 de julho, no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. O tema central do encontro é "Cerrado: água, alimento e energia". O primeiro prazo para inscrição online termina em 25 de fevereiro.

Até o dia 25 de fevereiro, os interessados em participar do encontro podem fazer a inscrição com desconto. Para estudantes, professores da Educação Básica ou Técnica e/ou sócios de Sociedade Associada à SBPC, o valor da inscrição é de R$ 20 (sócio quite da SBPC) e R$ 40 (não-sócio). Para professores de Ensino Superior e demais categorias, a inscrição, no mesmo período, é de R$ 50 (sócio quite da SBPC) e R$ 100 (não-sócio).

Quem se associar à SBPC também terá desconto: o valor é de R$ 60 (estudantes, professores da Educação Básica ou Técnica e/ou sócios de Sociedade Associada) e de R$ 110 (professores de Ensino Superior e demais categorias), incluindo anuidade e inscrição na Reunião Anual. Os valores sofrerão acréscimo após o dia 25 de fevereiro.

A partir de maio, os inscritos na Reunião Anual poderão efetuar a matrícula em um minicurso (taxa de R$ 10).

 

3º Salão Nacional de Divulgação Científica

Durante a reunião, será realizado também o 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela ANPG. O Salão contará com mesas de debates, atividades culturais e mostra científica, entre outras atividades.

A primeira edição da atividade foi na PUC-SP, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2009, e a segunda ocorreu na 62ª Reunião Anual da SBPC em Natal, em julho de 2010.

Inscrição de trabalhos

 

Quem quiser submeter resumos para apresentação de trabalhos na 63ª Reunião Anual da SBPC deve fazer a inscrição no evento. Serão aceitos resumos de pesquisa científica já concluída, de trabalho contendo experiências e/ou práticas de ensino-aprendizagem (apenas para professor da educação básica ou técnica) ou de trabalho selecionado para integrar a Jornada Nacional de Iniciação Científica (aluno de graduação previamente comunicado da sua seleção, pela Pró-Reitoria de Pesquisa ou setor equivalente da sua instituição de origem).

O prazo para envio de resumos vai até 7 de abril. As normas – assim como a ficha de inscrição e demais informações sobre o encontro – estão disponíveis no site www.sbpcnet.org.br/goiania

História

Realizada desde 1948, com a participação de autoridades, gestores do sistema nacional de C&T e representantes de sociedades científicas, a Reunião Anual da SBPC é um importante meio de difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debate de políticas em C&T.

A programação científica é composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres para apresentação de trabalhos científicos. Também são realizados eventos paralelos, a exemplo da SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), da ExpoT&C  (mostra de ciência e tecnologia) e da SBPC Cultural (atividades artísticas regionais).

O evento reúne milhares de pessoas, entre cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e demais interessados. Nos últimos anos, o público circulante tem sido superior a 10 mil pessoas.

Da redação, com informações do Jornal da Ciência

 

Manter e ampliar os investimentos em pesquisas no país, garantir equidade na distribuição de recursos entre os estados e criar políticas para incentivar as indústrias a aproveitar o conhecimento científico produzido no país. Estes são os principais desafios do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na opinião de professores da Universidade de Brasília (UnB).

Leia também:

Aloizio Mercadante: quando o discurso de posse é uma tese

Pintec levanta debate sobre inovação tecnológica no Brasil

 

Para Isaac Roitman, professor aposentado, ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB e membro da Academia Brasileira de Ciências, garantir o orçamento dos últimos oito anos, além de brigar para aumentar o montante de recursos da pasta, deve ser a prioridade do novo ministro. 

“O volume de recursos destinados à área de ciência e tecnologia foi a principal conquista da última década”, explica. “Manter esse orçamento é o mínimo indispensável”, defende. 

“É papel fundamental do futuro ministro convencer as demais áreas de que Ciência e Tecnologia são importantes”, emenda outro professor, Marco Antônio Amato, do Instituto de Física da UnB. Entre 2007 e 2010, os valores disponibilizados no orçamento para a área foram de cerca de R$58 bilhões.

No último dia 3 de dezembro, Luiz Antonio Elias, secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou que o orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico deve alcançar a marca de R$3,8 bilhões em 2011. Em 2010, foram liberados R$3,1 bilhões. “É importante que esse investimento seja mantido”, afirma Antônio Brasil, diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB.

Política de diversidade

Além da manutenção do orçamento, Brasil aponta como desafio do novo ministro manter a política de equidade nos avanços de ciência e, principalmente, tecnologia em todas as regiões do Brasil. “A gestão de Sérgio Rezende buscou isso claramente. É importante a continuidade dessa política”, disse. 

“A atenção à ciência precisa ser tratada com mais igualdade entre os estados”, reforça o professor Marco Amato. “Espero que, apesar do fato de ser de São Paulo, Mercadante tenha um ministério e uma política de diversidade”, completa. 

Alguns professores vêem com preocupação o fato de o novo ministro ser um político paulista. “Tradicionalmente, a ciência e tecnologia são controladas por paulistas e cariocas e o fato de termos um político de São Paulo como chefe dessa pasta pode levá-lo a manter essa lógica, o que não é bom”, acredita o professor Elimar Santos, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. 

Trabalho conjunto

Isaac Roitman enumera ainda como essencial a necessidade de construir uma política de incentivo à inovação. “Cientistas trabalham isolados dentro das universidades e empresas contratam conhecimento de fora, especialmente na área tecnológica. É preciso uma política de aproximação entre a academia, indústria e empresas, de forma a transformar ciência e tecnologia em inovação”, explica Isaac.

Para Marco Amato, o momento é favorável para que isso ocorra. “Esse é um avanço que depende de uma economia favorável, aquecida. É o que ocorre no Brasil nesse instante”, diz. 

Uma das ações do ministério no último ano mais aplaudidas pela comunidade acadêmica foi a Medida Provisória que dá preferência nas licitações públicas a produtos e serviços de conteúdo tecnológico produzidos no Brasil, como uma nova política de apoio à inovação. A medida já foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Quando o discurso é uma tese

Em seu discurso de posse, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, faz referência ao Novo Desenvolvimentismo, tese recém-defendida em seu doutorado na Unicamp.

Confira aqui a íntegra do discurso de posse do novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Fonte: Portal da UnB, com informações do Portal Vermelho

 

Em seu discurso de posse, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, faz referência ao Novo Desenvolvimentismo, tese recém-defendida em seu doutorado na Unicamp.
 
Para Mercadante, "se o Novo Desenvolvimentismo quiser se consolidar e se transformar em algo substantivamente novo é necessário ir além da ruptura em relação ao passado e avançar na construção do futuro, enfrentando os seus desafios". Neste sentido, a sustentabilidade ambiental surge como o primeiro grande desafio, dada a necessidade da transição à economia verde e criativa.
 
O ministro de Ciência e Tecnologia destacou ainda que o Brasil pode ser o primeiro país tropical desenvolvido do mundo. "Não há país tropical desenvolvido no mundo. Não temos modelo aseguir, nós estamos criando nosso próprio modelo e temos todo o potencial para sermos o primeiro país tropical desenvolvido, seefetivamente avançarmos rumo à sociedade do conhecimento e à sustentabilidade ambiental".
 
Confira a íntegra do discurso de posse do ministro Aloizio Mercadante:
 
“PRONUNCIAMENTO
 
POSSE MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
 
É com grande honra que assumo a missão e a responsabilidade de conduzir a pasta da Ciência e Tecnologia no governo da ilustre Presidenta Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil. Mas não se trata apenas de honra. Na realidade, assumo esta função com imensa alegria. Tenho grande admiração e afinidade com a área. Embora muitos estejam acostumados a me ver apenas como senador, minhas origens estão na Universidade. Desde muito jovem me dediquei à pesquisa e à docência na área econômica. Sou professor licenciado da PUC de São Paulo e da UNICAMP. Minha formação profissional e humana sempre esteve indissoluvelmente ligada à educação e à ciência. Respirei muito pó de giz e, ao longo dessa trajetória, debati, aprendi e convivi com importantes intelectuais que contribuíram para minha formação, como a minha amiga Maria da Conceição Tavares, e os saudosos professores Florestan Fernandes, Celso Furtado, Paulo Freire, entre muitos outros. 
 
Foi essa trajetória que construiu a minha identidade. Por isso, costumava dizer que “estava” senador, mas que era, na realidade, economista e professor. Agora, “estarei” ministro, sendo, com muita honra e acima de tudo, um educador e um economista. 
 
Pois bem, recentemente voltei à academia para defender a minha tese de doutorado na UNICAMP. Neste trabalho, sustento que o governo Lula representou uma inflexão histórica e lançou as bases de um Novo Desenvolvimentismo, um novo padrão que se distingue tanto do período neoliberal imediatamente anterior quanto do antigo nacional-desenvolvimentismo. 
 
De fato, o País mudou. E muito. A massiva transferência de renda para os setores mais pobres e desprotegidos, a recuperação sistemática e expressiva do nível de emprego e do poder de compra dos salários, a popularização do crédito, a democratização das oportunidades educacionais, via o PROUNI, e a criação expressiva de novas universidades públicas e de escolas técnicas profissionalizantes permitiram ao Brasil crescer de forma sustentada, e, ao mesmo tempo, distribuir renda e conformar um amplo mercado de consumo de massas. 
 
O social tornou-se, assim, o principal eixo estruturante desse novo ciclo de desenvolvimento. Um fato histórico realmente inédito, num país acostumado à exclusão e à concentração. Além disso, a constituição desse Novo Desenvolvimentismo no Brasil está se dando no contexto do aperfeiçoamento das instituições republicanas e da consolidação do Estado Democrático de Direito.
 
Outro ponto importante tange à nova inserção internacional do Brasil. A nova política externa e de comércio exterior diversificou enormemente nossas parcerias econômicas e comerciais, o que foi de fundamental importância para a superação da vulnerabilidade externa da nossa economia. Ela também foi essencial para aumentar o protagonismo internacional do Brasil. 
 
De fato, ela foi decisiva para melhor projetar os interesses nacionais no plano externo, abrindo um espaço anteriormente inexistente para o aumento significativo da nossa cooperação internacional em ciência e tecnologia. Pretendemos avançar nesse novo espaço ampliado, dando ênfase ainda maior a essa cooperação em todos os níveis e regiões geográficas, principalmente na América do Sul e África, mas também aprofundando a nossa identidade com os BRICs. Assim, investiremos fortemente na cooperação científica com a China, a Índia e a Rússia.
 
Essas são realizações muito significativas, que deitam as bases para progressos ulteriores. Entretanto, se o que chamo de Novo Desenvolvimentismo quiser se consolidar e se transformar em algo substantivamente novo é necessário ir além da ruptura em relação ao passado e avançar na construção do futuro, enfrentando os seus desafios.
 
O primeiro grande desafio é o da sustentabilidade ambiental. A imprescindível transição mundial para uma “economia verde e criativa”, que gere baixos índices de emissão dos gases de efeitoestufa e outros agentes poluidores, implicará investimentos e custos de monta para a maior parte dos países. No entanto, a atual crise ambiental planetária não gera apenas custos e sacrifícios, ela cria também um novo e amplo horizonte de oportunidades, especialmente para aqueles países que saírem à frente, compatibilizando progresso material com rigoroso respeito ao meio ambiente. 
 
Pois bem, o Brasil está muito bem posicionado, nesse aspecto. Temos matriz energética bastante limpa, baseada fundamentalmente em hidroelétricas e na exploração das biomassas, como o etanol e o biodiesel, que podem converter-se em commodities mundiais. Possuímos enorme biodiversidade, com grande potencial para ser transformada em produtos inovadores. Temos também terras férteis e água doce em abundância, recurso estratégico que se torna crescentemente escasso e que contribui para que o Brasil seja hoje o segundo país produtor e exportador de alimentos no mundo. Quero aqui destacar o papel da EMBRAPA, dos institutos do MCT e dos institutos denominados INCTs que atuam na área, bem como dos demais institutos nacionais, os quais contribuem decisivamente para esta espetacular evolução histórica da nossa agricultura e pecuária.
 
Portanto, para o Brasil a necessária transição à economia verde representa muito mais oportunidades do que riscos e custos, ao contrário do que ocorre na maior parte dos países, especialmente dos países já desenvolvidos, que têm, em geral, matriz energética mais “suja”, baixa biodiversidade e um histórico passivo ambiental que supera em muito o nosso. Os recentes avanços que realizamos na redução do desmatamento da Amazônia, em relação ao qual o trabalho de monitoramento do INPE foi essencial, e o novo e propositivo protagonismo internacional que assumimos neste tema na Conferência de Copenhague nos qualificam para dar um grande salto de qualidade no processo de desenvolvimento recente. 
 
Contribuir para mitigar as causas do aquecimento global e impulsionar a economia verde e criativa, aprofundando as pesquisas e a inovação para gerar mais valor agregado à nossa biodiversidade, em direção à sustentabilidade, nos diversos biomas, com especial atenção para a região Amazônica, será uma das nossas grandes prioridades. 
 
Mas para isso é necessário inovar. Com efeito, na imprescindível mudança de uma economia carbonizada e poluidora para uma economia verde e criativa, a ciência e tecnologia terão centralidade, pois a difícil equação entre qualidade de vida para todos, inclusive para aqueles que ainda não a têm, e a sustentabilidade ambiental para as futuras gerações só poderá ser resolvida mediante avanços tecnologicamente inovadores e economicamente viáveis. Este é um dos maiores desafios históricos da nossa comunidade científica.
 
E aqui devo mencionar o segundo e principal desafio que o Brasil terá de enfrentar se quiser se constituir num país efetivamente desenvolvido com uma economia eficiente e competitiva: a preparação do País para a “sociedade do conhecimento”. 
 
A União Europeia, em sua Estratégia de Lisboa, considerou seu principal desafio para este século "tornar-se a economia baseada do conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento econômico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social". 
 
Pois bem, é imprescindível que o Brasil tenha um objetivo estratégico central semelhante. Apesar da nossa imensa vantagem comparativa, em termos de recursos e riquezas minerais e naturais, devemos ter este horizonte como uma diretriz estratégica para o próximo período. E é para isso que aceitei, com entusiasmo, a incumbência de assumir esta pasta. Quero contribuir para transformar, com as devidas adaptações, a “Estratégia de Lisboa” numa “Estratégia de Brasília”, que combine educação universal de qualidade, pesquisa científica, inovação e inclusão social, na perspectiva de uma nova produção científica Tropical. 
 
Não há país tropical desenvolvido no mundo. Não temos modelo a seguir, nós estamos criando nosso próprio modelo e temos todo o potencial para sermos o primeiro país tropical desenvolvido, se efetivamente avançarmos rumo à sociedade do conhecimento e à sustentabilidade ambiental.
 
Assim, assumo o dever histórico de ampliar cada vez mais a participação da ciência, da tecnologia e da inovação no PIB brasileiro. Nossa gestão vai ativar ferramentas que implantem definitivamente o item da inovação na agenda pública e privada e continuar o processo de distribuição dos benefícios dos avanços científicos e tecnológicos para toda a sociedade. O mundo da ciência e da tecnologia é estratégico para que possamos crescer com qualidade, com cultura de inovação, gerando maior valor agregado aos nossos produtos, serviços e processos, e aumentando, em consequência, a robustez e a competitividade global da economia, e acentuando o atual processo de inclusão social.
 
Muito embora a nova conformação da geoeconomia mundial, com a urbanização e industrialização de gigantes demográficos como China e Índia, tenha feito saltar os preços das commodities, especialmente das commodities agrícolas e minerais, interrompendo a antiga deterioração dos termos de intercâmbio, o que tem beneficiado muito o Brasil, o nosso país não pode depender, para competir no cenário mundial, apenas da exportação de nãomanufaturados e semimanufaturados. Não podemos nos acomodar e precisamos alavancar nossa produção industrial e de serviços com empresas modernas e competitivas construídas com base tecnológica avançada.
 
Temos muito competidores internacionais, inclusive emergentes, que já têm excelência na produção industrial. Embora exportemos, em nível ainda significativo, produtos manufaturados, especialmente para o Mercosul e a América Latina, estamos, aos poucos, perdendo competitividade, em especial frente à poderosa capacidade da China de produzir manufaturas com baixo custo. Não podemos nos conformar e nem ficar para trás. O desafio está lançado e exigirá um conjunto articulado de políticas públicas, com centralidade na ciência, tecnologia e inovação. 
 
A tarefa é imensa, pois partimos de um patamar inferior aos dos países europeus e dos demais países já desenvolvidos. Devido ao caráter tardio do nosso capitalismo, aqui temos de enfrentar, ao mesmo tempo, as pendências históricas do século XX, como a constituição de um sistema básico de ensino de qualidade, com os desafios do século XXI, como gerar uma robusta economia criativa e inovadora. 
 
Porém, temos de concluí-la. O Brasil demonstrou a si mesmo e ao mundo ser um país capaz de, em pouco tempo, produzir mudanças significativas e surpreendentes. Com a contribuição das nossas universidades e institutos de pesquisa, da nossa talentosa comunidade científica, dos estados e municípios, das empresas, do Congresso Nacional e de outras pastas, como a da Educação e Desenvolvimento e Indústria, bem como às relativas aos complexos produtivos da agricultura, insumos para a saúde e fármacos, biotecnologia, entre vários outros, tenho certeza de que poderemos fazê-lo. E fazê-lo bem e em tempo histórico acelerado. 
 
Entramos por último e saímos e bem posicionados no cenário póscrise, nesta que foi a pior crise desde 1929. Com nosso imenso potencial, sedimentado pelos avanços recentes na economia, na estrutura social e na infraestrutura, e agora aumentado exponencialmente pelos fantásticos recursos do Pré-Sal, temos tudo para superar, em tempo razoável, o fosso econômico, social e tecnológico que nos separa das nações mais avançadas. E a centralidade da ciência, da tecnologia e da inovação será absolutamente decisiva para que esta perspectiva histórica se consolide. 
 
Partimos, é claro, da boa base erguida pelas administrações que me antecederam, em especial a do Ministro Sérgio Rezende, que deixa um importante e sólido legado de ampliação e consolidação do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação em todo o País. Com efeito, as políticas públicas de ciência tecnologia implementadas desde a primeira gestão do saudoso Ministro Renato Archer, mas em especial as destes últimos oito anos, estabeleceram as bases de um novo marco regulatório para o setor, robusteceram a formação de recursos humanos qualificados, criaram mecanismos legais para enraizar a cultura da inovação, investiram com vigor na infraestrutura da pesquisa e aumentaram o crédito para P&D às áreas vitais para o crescimento da Nação. Tenho convicção de que a comunidade científica e acadêmica e o Brasil tem muito a agradecer ao esforço e à competência do Ministro Sérgio Rezende e sua equipe.
 
Deve-se ressaltar a formulação e a execução do Plano de Ação em Ciência Tecnologia e Inovação que conseguiu atingir, entre 2007 a 2010, um orçamento de R$ 41,2 bilhões, um grande volume de recursos que foi integralmente investido. Só o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico aplicou mais de R$ 3 bilhões, no ano de 2010, em programas significativos, como o de biocombustíveis, tecnologias da informação e da comunicação, projeto Antártica, bioma amazônico, biotecnologia e fármacos, saúde, petróleo e gás, novas energias limpas, defesa nacional, programa espacial, programa nuclear, entre outros.
 
De fato, o cenário da ciência, tecnologia e inovação brasileiras mudou de qualidade. Publicações especializadas, inclusive internacionais, reconheceram isso em edição recente.
Contudo, é necessário partir dessa base sólida para juntos fazermos ainda mais, muito mais. Em primeiro lugar, temos a grande prioridade de aprofundar a política de formação de recursos humanos, em todos os níveis. 
 
Tudo começa na sala de aula. Tudo começa na formação e motivação dos nossos cérebros. Stephen Jay Gould, um dos maiores biólogos e teóricos da evolução do último século, recentemente falecido, menciona uma história que vale a pena recordar. Fizeram uma sondagem nas escolas de segundo grau norte-americanas para aferir quem os adolescentes admiravam mais. O primeiro nome da lista foi Michael Jordan. Fizeram sondagem semelhante na Coréia do Sul e lá o primeiro nome da lista foi Stephen Hawking. 
 
Nada contra os grandes nomes do esporte, da dança e da música, mas quando as nossas crianças e adolescentes começarem a admirar grandes cientistas, quando elas começarem a sonhar com a grande aventura do conhecimento, a maior aventura da humanidade, a que define o Homo Sapiens, teremos dado um passo fundamental e gigantesco em direção à nossa maturidade científica e tecnológica. 
 
Para isso, é necessário incentivar, de todas as formas possíveis, o interesse de nossos jovens pela ciência. É preciso criar, em parceria com o MEC, e de acordo com o preconizado pela IV Conferência Nacional de Ciência Tecnologia e expresso no Livro Azul, a política de disseminação da ciência e tecnologia nas escolas. A constituição da Semana Nacional da Ciência e da Tecnologia, as Olimpíadas da Matemática e das Ciências, os Portais da Tecnologia, são instrumentos que, além de vários outros, precisam ser intensificados para tal finalidade. Precisamos criar estruturas e espaços permanentes de motivação e estímulo para os jovens se interessarem pelo estudo das ciências. 
 
Ademais, acredito que a banda larga e a inclusão digital podem se transformar no mecanismo mais poderoso para atingir tal objetivo. De fato, a disseminação da banda larga nas escolas públicas do Brasil, inclusive as da área rural, tal como prevêem o Projeto Nacional de Banda Larga e projeto de lei que aprovei no Senado, permitirá grande salto de qualidade na educação de nossos jovens, além de reduzir a enorme discrepância no acesso às tecnologias de informação entre os distintos estratos sociais. Não resolveremos o nosso ainda grande apartheid social sem resolver o iníquo e perverso apartheid digital que priva a maior parte dos nossos alunos e professores do acesso ao século XXI.
 
Na ponta do processo, fizemos avanços importantes. Entre 1987 e 2009, a formação de novos mestres e doutores se multiplicou por 10, de um patamar de cerca de 5.000 para aproximadamente 50.000, o que já nos coloca num patamar intermediário no ranking internacional. Porém, precisamos trabalhar para alcançar patamares mais elevados, principalmente, mas não exclusivamente, em algumas áreas estratégicas, como a da engenharia. No Brasil, formamos um engenheiro para cada cinqüenta formandos, na Coréia do Sul, um para quatro. Ademais precisamos lembrar que o Brasil tem apenas 14% dos jovens entre 18 e 24 anos nas universidades. 
 
Vamos aprofundar a parceria com o MEC para que a CAPES e o CNPQ ampliem e aumentem, em todas as áreas, seus esforços na concessão de bolsas de estudos para a formação de novos talentos brasileiros. Precisamos também valorizar a carreira do pesquisador em tempo integral em nossas universidades e institutos. Não basta reproduzir o conhecimento existente, é vital produzir conhecimento novo. É importante também estabelecer, com condicionalidades e especificidades, a ampliação das políticas de fomento para as Universidades públicas Estaduais e Municipais e as privadas sem fins lucrativos.
 
Da mesma forma, é necessário continuar a ampliar o investimento público em ciência e tecnologia. Ciência e tecnologia é investimento no futuro, como bem acentuou a presidenta Dilma em seu discurso de posse. Hoje, já investimos 1,25% do PIB. Porém, é preciso enfrentar o desafio de fazer esse índice alcançar entre 2% e 2.5% na próxima década, como preconiza a IV Conferência da Ciência, Tecnologia e Inovação, meta nada fácil de ser atingida, mas importante para os nossos objetivos estratégicos. Contudo, devemos estar atentos ao fato de que, neste primeiro ano de governo, serão feitos imprescindíveis ajustes fiscais. Além disso, torna-se necessário melhorar os mecanismos de controle dos gastos e otimizar o uso dos recursos disponíveis. Devemos aprender a fazer mais com menos. 
 
Vamos também desenvolver uma política de estímulos para a repatriação de talentos no exterior, como estão fazendo a Itália e a China. De outro lado, precisamos articular a rede de cientistas e pesquisadores brasileiros que trabalham no exterior. Só nas universidades americanas há aproximadamente 3.000 professores brasileiros lecionando, que querem e podem participar de forma ativa do esforço nacional em ciência, tecnologia e inovação. Além disso, devemos desenvolver políticas de atração de cientistas estrangeiros talentosos, já que hoje o Brasil é uma referência positiva no mundo e tem condições econômicas que permitem avançar nesta direção.
 
A segunda grande prioridade tange ao aprofundamento do avanço da pesquisa científica no Brasil. Hoje, o País se situa na honrosa 13º colocação em termos de produção de pesquisa básica, medida pelas referências nas grandes publicações internacionais indexadas. Ademais, nossa produção tem qualidade superior aos dos demais BRICS, em várias áreas importantes.
No entanto, os esforços têm de ser intensificados, não somente para aumentar o volume global da pesquisa, mas também para aprofundar o atual processo de sua desconcentração regional e melhorar a sua qualidade. Temos que fortalecer os novos pólos do sistema de pósgraduação no Nordeste, Norte e Centro Oeste do país, que serão essenciais para a redução das assimetrias regionais e a constituição de um território integrado.
 
Uma medida de suma importância seria retirar os atuais e graves entraves burocráticos à pesquisa. Estabeleceremos um diálogo construtivo com as instituições de controle, como a Anvisa, a Receita Federal, a CGU e o TCU, com a finalidade de criar regras específicas para o setor, inclusive no que concerne à importação de componentes indispensáveis às pesquisas. O Estado brasileiro, a exemplo do que acontece em outros países, precisa dar um voto de confiança aos pesquisadores e cientistas.
 
Temos também que ampliar e aprimorar o marco regulatório do incentivo à pesquisa. A Lei da Informática, a Lei do Bem, a Lei da Inovação, às quais me dediquei muito como parlamentar, e a recentemente aprovada política de preferências nas compras governamentais, da qual fui relator no Senado, são exemplos de como se pode incentivar a pesquisa e a inovação com medidas de incentivos fiscais indispensáveis. No entanto, o Estado brasileiro, apesar dos grandes avanços recentes, ainda não dispõe de uma política de incentivos e subvenções em nível adequado. As empresas também serão chamadas a enfrentar esse desafio e a investir muito mais em inovação, que será essencial à competitividade sistêmica da economia brasileira.
 
Do mesmo modo, iremos ampliar o papel da FINEP, dinamizando e otimizando a capacidade de investimento do MCT nas áreas estratégicas para o desenvolvimento do país. Queremos que a FINEP seja, além de uma agência de fomento, uma instituição financeira, que atuará fortemente para oferecer recursos reembolsáveis e não reembolsáveis para o apoio à pesquisa e ao desenvolvimento em todo o país.
 
O fortalecimento dos atuais fundos setoriais, uma experiência exitosa, e a criação de outros, em especial para agricultura e sistema financeiro, também terão papel primordial, nesse esforço. 
A terceira prioridade e, talvez, o maior desafio, é à referente ao fomento à inovação. Com efeito, o Brasil precisa de um Grande Pacto pela Inovação. Afirmo, desde já, que a articulação entre a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e o Plano de Ação em Ciência Tecnologia e Inovação (PACTI) será um dos eixos estruturantes da Fase II da nossa Política de Ciência, Tecnologia e Inovação.
 
É preciso reconhecer que a pesquisa científica brasileira é ainda fortemente concentrada em universidades e instituições públicas. Com efeito, no Brasil a participação de empresas, inclusive de empresas estatais, no número de pedidos de patentes é de somente 53%, ao passo que no Japão e na Alemanha esse índice é de cerca de 90%. Ademais, as empresas brasileiras investem, em média, apenas cerca de 0,51% do PIB em ciência e tecnologia, enquanto que no Japão, por exemplo, as empresas investem cerca de 2,7%. 
Já a pesquisa aplicada, aquela que gera inovação produtiva, ainda é insuficiente, especialmente quando comparamos a performance do Brasil com as de outras nações emergentes importantes. 
 
Esse descolamento entre produção científica nacional e processo produtivo é histórico. Com efeito, no antigo nacionaldesenvolvimentismo, a industrialização extensiva e tardia não priorizava, de um modo geral, a pesquisa em ciência e tecnologia como parâmetro decisivo. Além disso, a inflação, a instabilidade macroeconômica e os grandes custos associados, como câmbio, juros altos e carga tributária elevada, impediam investimentos de longo prazo e estimulavam a idéia de que a tecnologia deveria ser apenas algo a ser comprado quando estritamente necessário. 
 
Em passado recente, esse descolamento não foi superado pelo processo de abertura incondicional da economia brasileira, conduzido sem articulação com políticas industrial e de ciência e tecnologia consistentes, bem como pelo processo de adoção de normas relativas à propriedade intelectual inspiradas no TRIPS, os quais resultaram num mensurável aumento da nossa dependência científico-tecnológica. Continuamos com grandes desafios em nossa competitividade sistêmica, mas avançamos e podemos avançar ainda mais. Nossa contribuição estará em estimular e agilizar o processo de reconhecimento de patentes no país. Em muitos casos, há uma preferência pelo reconhecimento do exterior, por ser mais rápido e facilitado. Vamos implantar uma estrutura mais funcional e ágil, para que os pesquisadores e as empresas possam realizar todas as etapas do processo com agilidade para garantir a propriedade intelectual, incluindo a prospecção, a orientação sobre medidas de proteção, a negociação entre as partes envolvidas e o registro. 
 
Vamos fortalecer, profissionalizar e orientar os Núcleos Tecnológicos de Inovação para difundir a cultura da propriedade intelectual no meio acadêmico e, sempre junto com o MDIC, dar mais suporte ao INPI.
 
Assim sendo, no campo específico da ciência e tecnologia, torna-se necessário, além de manter e incrementar os investimentos estatais em pesquisa e na formação de recursos humanos, desenvolver uma nova política de estímulo específico à inovação produtiva, um modelo que traga a contribuição teórica “neoschumpeteriana”, que concebe a inovação como uma visão sistêmica, que articula organicamente todos os agentes envolvidos no processo. 
Coerentemente com tal modelo, precisamos articular de forma mais consistente, o saber gerado nas universidades e nos institutos de pesquisa com as necessidades tecnológicas do processo de produção industrial.
 
É preciso superar definitivamente a crença ingênua, prevalecente até pouco tempo, de que a abertura da economia e a normativa mais rígida tocante à proteção à propriedade intelectual acarretariam inexorável e isoladamente um grande aumento da inovação no Brasil. Esse caminho é insuficiente. Desde já, me comprometo a perseguir, na medida do possível, as valiosas sugestões contidas no Livro Azul, de avançarmos ainda mais no esforço que está sendo implantado de atração de plataformas de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas para o Brasil, como já ocorre na cadeia produtiva do Pré-Sal e automotiva, entre outras. Esse Livro, construído com ampla e democrática participação de todos os agentes envolvidos no processo, terá, sem dúvida, papel central na orientação da minha administração.
 
Não poderia também deixar de mencionar aqui a expressiva articulação já alcançada com o setor empresarial. A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) continuará contando com o apoio decisivo do MCT. Trabalharemos ativamente para que a Sala de Inovação seja o espaço de diálogo estratégico com aquelas empresas que queiram instalar centros de P&D e conduzir projetos inovadores. A articulação dos agentes deve envolver também os demais entes da federação, mediante instrumentos como as leis estaduais de inovação, as fundações de amparo à pesquisa estaduais, articuladas pelos governos dos estados, através do CONSECTI e do CONFAP. 
 
Ademais, devemos articular também as ações das secretarias municipais de ciência e tecnologia, envolvendo todos os entes, entre outros projetos estruturantes, nos relativos aos parques tecnológicos e às incubadoras de empresas com base tecnológicas. Trabalharemos fortemente nestas parcerias, criando um novo marco legal nacional com novos incentivos fiscais, que assegurem um sistema nacional integrado.
 
De qualquer forma, o descolamento entre ciência e produção tem de ser superado. Pasteur afirmou que não há ciências aplicadas e sim aplicações da Ciência. Todo conhecimento científico deve encontrar a sua aplicação prática. Todo conhecimento científico pode e deve contribuir para aumentar a nossa competitividade e melhorar a qualidade de vida de todos os brasileiros. 
 
Já temos “centros de excelência” em inovação reconhecidos mundialmente, como a EMBRAPA, na agricultura, o ITA-CTA e a EMBRAER, em tecnologia aeronáutica, o CENPES da PETROBRAS, em prospecção e produção de hidrocarbonetos, entre outros. Temos de reproduzir e disseminar experiências exitosas como essas por todo o Brasil, principalmente nas regiões menos desenvolvidas. 
 
Também temos de ter especial cuidado com as áreas estratégicas e mais promissoras. A biotecnologia e a pesquisa biomédica precisam de meios e infraestrutura para avançar os estudos na era pósgenoma. A nanotecnologia abre um novo campo para a interdisciplinariedade entre química, física, biologia, microeletrônica, novos matérias e engenharias, e deve ter mais apoio. As energias renováveis, especialmente a solar, eólica e a de células de hidrogênio, serão fundamentais no futuro. As tecnologias de informação e comunicação assumem um papel cada vez mais estratégico. O complexo industrial da saúde, com ênfase na produção de fármacos, assume também relevância cada vez maior. 
 
A inovação na cadeia de gás e petróleo abre enormes possibilidades. Além disso, a pesquisa e inovação associadas aos nossos principais biomas, Pampa, Cerrado, Pantanal, Semi-Árido Nordestino, Mata Atlântica, e especialmente a imensa Amazônia, são vitais. Este último bioma deve ganhar prioridade estratégica não somente no conhecimento científico, mas sobretudo na geração de valor agregado, a partir da utilização dos recursos da floresta. Isto significa implantar parques tecnológicos e incubadoras vocacionadas a impulsionar atividades que agreguem valor aos seus recursos naturais, entre outros programas. E na Amazônia Azul, que inclui a nossa plataforma continental estendida, devemos implantar, conjuntamente com a Marinha e a comunidade científica, laboratórios fixos e permanentes de estudos oceanográficos em Alto Mar, que representem presença estratégica dos interesses nacionais na plataforma continental. 
 
O INPE, a Rede Clima, o INMET do Ministério da Agricultura entre outros parceiros institucionais, terão o grande desafio de estabelecer um sistema articulado e integrado de prevenção de desastres naturais, no qual a previsão de fortes precipitações esteja articulada ao mapeamento geofísico das áreas de risco e à mobilização preventiva da Defesa Civil. 
 
Devo mencionar adicionalmente, e com relevo, duas grandes áreas estratégicas: a aeroespacial e a nuclear. De fato, o Brasil não pode prescindir de um Programa Espacial fortalecido, que conte com recursos suficientes, nos níveis necessários para atender as importantes demandas por satélites e por aplicações espaciais, inerentes aos dias de hoje. Deve, inclusive, aproveitar comercialmente as vantagens geográficas da Base de Alcântara e promover o desenvolvimento industrial de toda uma cadeia vinculada às atividades do Programa. Também não podemos esquecer a relevância de termos um veículo lançador operante, pois com ele poderíamos dominar toda a cadeia da indústria aeroespacial. 
 
Nesse contexto, daremos redobrado apoio à Agência Espacial Brasileira (AEB). Igualmente estratégicas para o país são as aplicações da energia nuclear, que adquiriram nova credibilidade, em razão da luta contra o aquecimento global. O aperfeiçoamento da institucionalidade para o setor, com a criação da Agência Reguladora Nuclear Brasileira, e a busca de mais recursos, para permitir importantes investimentos no ciclo do combustível nuclear, no gerenciamento de rejeitos radioativos e no Reator Multipropósito Brasileiro, só para citar alguns, serão prioridades. Salientamos que a construção do submarino brasileiro movido à energia nuclear seria de enorme relevância para que o Brasil possa exercer a contento a sua soberania sobre a Amazônia Azul e seus gigantescos recursos, que deverão gerar uma infinidade de inovações relevantes. 
 
Senhoras e Senhores,
 
O Brasil mudou. Temos agora um novo país: mais forte, mais justo, mais democrático e muito mais presente no cenário mundial. Um país que já começa a chamar a atenção em todo o mundo com suas realizações, inclusive no campo científico. O país do futuro que nunca chegava é agora o país do presente, a “nação a ser observada”, como disse a The Economist. 
 
Lutei mais de trinta anos ao lado do presidente Lula para construirmos este país, tive a honra de ser líder do governo, líder do PT e do bloco de apoio ao governo, nestes oito anos em que estive senador por São Paulo, e sou testemunha do papel decisivo que a então Ministra Dilma teve em todo este processo. Agradeço publicamente ao meu companheiro Presidente Lula, que entrou definitivamente para a História do Brasil como o mais popular presidente, e entro confiante neste novo governo, o qual contará com a grande capacidade de gestão, liderança e trabalho da Presidente Dilma, que continuará este projeto e avançará ainda mais nas transformações econômicas e sociais do Brasil.
 
Mas não podemos nos acomodar. Na realidade, os avanços recentes apenas tornam mais urgente a superação dos desafios do século XXI, pois criou-se uma janela histórica de oportunidades que não pode ser desperdiçada. 
 
A nossa hora é agora. A hora da ciência brasileira é agora. Chegou a nossa vez. 
 
Não se trata de ufanismo. As oportunidades e as condições estão objetivamente dadas. Temos de aproveitá-las com determinação e inteligência. 
Acredito firmemente que chegaremos, ao futuro próximo, em situação muito melhor da que já estamos, e que nesse processo difícil rumo ao desenvolvimento econômico e social pleno, a ciência brasileira terá centralidade. 
 
E creio mais firmemente ainda que essa ciência será singular, independente e espelhará nossa identidade. No excelente livro “Sonhos Tropicais”, de Moacyr Scliar, que mistura realidade e ficção na elaboração de uma biografia do grande Oswaldo Cruz, há uma passagem deliciosa que satiriza a visão determinista e preconceituosa que parcela do pensamento conservador europeu tinha (ou talvez ainda tenha) sobre o brasileiro. Nessa passagem, na qual um personagem se refere a Oswaldo Cruz quando estava estudando em Paris, se diz: ‘Mas ele não parece brasileiro. Desculpa, mas não parece. Por exemplo: tem o ar pensativo. Os do trópico não têm ar pensativo’. 
 
Compreende-se: por que haveriam de pensar muito, se o sol brilha num céu azul, se as ondas de um mar cor de esmeralda batem em praias de areia muito branca, se os coqueiros, agitados pelas brisas, deixam cair cocos na areia e se, além disto, há bananas? Como ter pensamento lógico em meio a macacos que, de árvores próximas, lhes fazem caretas e gritam? 
 
Pois bem, a nova ciência brasileira, a Ciência Tropical, será a ciência do futuro. Tenho certeza que a ciência produzida sob o céu azul e frente ao mar cor de esmeralda terá cores e luzes próprias, e nos conduzirá a dias melhores. Muito melhores. 
 
O Brasil, com todo o seu potencial, com as bases econômicas e sociais lançadas pelo Novo Desenvolvimentismo e impulsionado pela centralidade da política de Ciência, Tecnologia e Inovação, se transformará, estou certo, no primeiro país tropical desenvolvido da História.
 
Muito obrigado!”
 
Fonte: Luis Nassif Online, Por Luiz Henrique, da Agência Dinheiro Vivo
2010 foi um ano de lutas e conquistas. Com diretoria e desafios renovados desde o primeiro semestre, a ANPG buscou garantir a intervenção dos pós-graduandos brasileiros em temas como política de bolsas para a pós-graduação, política nacional de ciência, tecnologia e inovação, além de educação, direitos da juventude, divulgação científica e diversos outros debates e ações que nos envolvemos ao longo deste ano. Mas temos certeza de que o envolvimento de cada vez mais pós-graduandos e uma pauta acertada, teremos mais conquistas em 2011 do que tivemos em 2010. Aproveite as festas de fim de ano e participe conosco das lutas!
 
Na última semana de 2010 ainda há lutas, como o repúdio aos cortes no orçamento previsto para a Ciência e Tecnologia em 2011, manifestado em nota pública. Mas o ano inteiro foi recheado de pautas, conquistas e atividades.
 
Desde abril, quando a atual diretoria da ANPG foi eleita em congresso realizado no Rio de Janeiro, não houve descanso ao movimento nacional de pós-graduação. Além de realizar as etapas finais da Caravana de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG em maio, a diretoria teve uma semana agitada em sua posse, no mesmo mês. Foram audiências com o ministro da Educação, o presidente da Capes, o presidente do CNPq e o ministro da Ciência Tecnologia, consolidando uma robusta campanha de bolsas, que pautou os direitos dos pós-graduandos junto a esses órgãos. A posse foi seguida da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, que a ANPG participou de forma destacada, distribuindo para os participantes as resoluções do seu recém realizado congresso, compondo mesas da conferência e expondo suas opiniões e articulando com os participantes em todos os debates. 
 
Em junho a ANPG participou da luta pela aprovação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação no Senado Federal e a APG da UFRGS tomou posse. No mesmo mês, foram fundadas a  Federação Nacional de Pós-Graduandos em Direito (FEPODI) e a APG da UFBA. No início de julho, a ANPG participou da pressão pela aprovação da PEC da Juventude, aprovada no dia 07 daquele mês. Julho também foi o mês de intenso debate acerca da Portaria Conjunta número 01 da CAPES e do CNPq, que permitiu o acúmulo de bolsas de pesquisa com atividade remunerada.
 
2º Salão
 
Durante a 62ª Reunião Anual da SBPC em Natal, em julho, a ANPG fez o seu 2º Salão Nacional de Divulgação Científica. Com o tema “Integração Científica e Tecnológica na América Latina”, o salão reuniu representantes de diversas instituições da América Latina em uma atividade que mais uma vez uniu ciência e arte para discutir os rumos do país… e, desta vez, também da América Latina. Na ocasião foi lançado o segundo número da revista científica da ANPG.
 
Em agosto a UFLA realizava o seu congresso de pós-graduação em conjunto com reunião regional da SBPC. Entre os debates, destacou-se a discussão sobre o convênio entre 7 universidades mineiras, que vem sendo chamado de “superuniversidade”. No mesmo mês, a ANPG foi a Brasília cobrar a instituição da licença-maternidade para bolsistas da CAPES, o que veio a se tornar realidade em novembro. E o reconhecimento de que esta foi uma pauta da ANPG foi registrado no Diário Oficial da União péla própria CAPES.
 
Em agosto teve ainda greve de médicos residentes, da qual o diretor de saúde da ANPG participou ativamente, com o apoio da diretoria da entidade.
 
Eleições
 
Em setembro foi publicada a avaliação trienal da CAPES – a ANPG participa do processo por meio da sua cadeira do Conselho Técnico Científico da agência. No mesmo período, a entidade garantiu a participação dos pós-graduandos nos debates sobre o novo Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG 2010-2020) e apresentou sua plataforma aos diversos candidatos a governos estaduais e à presidência da república. A ANPG engrossou também a lista dos que elaboraram e divulgaram o Pacto pela Juventude. Em setembro a APG da UFRGS realizou o seu 1º Salão de Pós-Graduação e a UFF garantiu gratuidade em todos os seus cursos, inclusive especialização e MBA.
 
Em outubro a entidade dos pós-graduandos brasileiros garantiu participação na maior feira de inovação do país, a Inovatec, lançou o Blog do PNPG e a APG da UFV elegeu nova diretoria. Participamos também da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e em novembro garantimos a intervenção dos estudantes de pós-graduação na Conferência sobre Desenvolvimento, organizada pelo IPEA.
 
Além da conquista da licença-maternidade pela CAPES, em novembro a ANPG engrossou a pressão das entidades estudantis para que nenhum estudante fosse prejudicado pelas falhas do ENEM. No mesmo mês os pós-graduandos da UFMA organizaram a sua APG e a ANPG reforçou as mobilizações pela aprovação do Estatuto da Juventude no Congresso Nacional.
 
Praia do Flamengo, 132
 
Em dezembro, o Congresso Nacional aprovou 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação, o que o presidente Lula veio a vetar depois. O mesmo presidente Lula lançou a pedra fundamental da sede das entidades estudantis no terreno histórico da Praia do Flamengo, 132, no Rio de Janeiro, e a ANPG participou do ato. Em dezembro, a APG da UFRJ elegeu nova diretoria, a ANPG compôs a delegação brasileira que participou do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE) na África do Sul, apresentou emendas que garantiram um remanejamento de 15 milhões de reais para bolsas do CNPq e reforçou a campanha por aumento da quantidade e do valor das bolsas de pós-graduação. Nossa derradeira luta é contra os cortes em Ciência e Tecnologia para o orçamento 2011.
 
Em 2011 começaremos participando de uma grande Bienal de Arte, Ciência e Cultura, organizada pela UNE no Rio de Janeiro logo no primeiro mês do ano. Durante a semana da Bienal, a ANPG realizará sua reunião ampliada para planejar as atividades… e aí virão CONAP, 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, debates, seminários, mobilizações, campanhas e muito mais.
 
Participe da construção de um Brasil justo e desenvolvido, some-se à ANPG nesta luta e participe das nossas atividades. Por um 2011 com ainda mais lutas e conquistas que 2010. Que venha o futuro!
 
ANPG
Presidentes da UNE e da UBES com o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral no lançamento da pedra fundamental da sede das entidades estudantis.

Praia do Flamengo 132, nada será como antes

A funcionária pública Maria Arlinda de Castro, 68 anos, moradora da Praia Flamengo no Rio há mais de 40, ajeitava-se na grade de proteção montada em frente ao número 132, na tarde dessa segunda-feira, 20 de dezembro. Ao seu lado, chegavam centenas de curiosos, vendedores ambulantes, turistas e outras pessoas cuja atenção se prendia no enorme painel de 18 metros de comprimento e 6 de altura, montado em frente ao endereço e onde se impõe uma foto do ex- lider estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Honestino Guimarães, um dos muitos desaparecidos políticos da ditadura militar.
 
Muita gente não entendia ainda a movimentação e alguns burburinhos davam conta da visita do presidente da republica mais positivamente aprovado desde a redemocratização: “Lula vem aí”, ouvia-se. No entanto, a maioria não sabia o que aconteceria dentro daquele terreno, que por muitos anos abrigou somente um estacionamento. Dona Maria Arlinda sabia. No dia primeiro de abril de 1964,
ao voltar do trabalho por volta das 19h, ela percebeu que o trânsito estava interrompido. Descendo a pé e caminhando em direção ao número 132, viu o prédio da UNE e da UBES pegando fogo, destruído pela ditadura militar recém- instalada no país: “Foi muito triste e chocante”, relata.
 
Depois disso, dona Maria Arlinda testemunhou todo o período de perseguições da ditadura, acompanhou a proclamação do AI-5, viu pessoalmente a sede dos estudantes ser demolido em 1980, acompanhou a redemocratização do país em 1985, votou cinco vezes em Lula para presidente e, nessa tarde, retornou ao endereço numero 132 para vê-lo inaugurar as obras que reconstruirão o prédio da UNE e da UBES. De acordo com o projeto de lei 12.260, de 21 de junho de 2010, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, o Estado Brasileiro reconhece a responsabilidade pelo incêndio e demolição da casa dos estudantes, investindo agora em sua reparação.
 
Chegadas

Em frente ao terreno e por suas imediações, onde o trânsito estava interrompido e diversos carros de reportagem se amontoavam, balões ornamentavam a entrada e capacetes de construção da UNE e UBES eram distribuídos aos convidados. Entre ele muitos e emocionados ex-presidentes das duas entidades como José Frejat (1950), Aldo Arantes (1961) Jean Marc Von der Weid (1969), Wadson Ribeiro (1999), Gustavo Petta (2003 e 2005), Orlando Silva (1995), Lindberg Farias (1992), Thiago Franco (2006), Marcelo Gavião (2004), além de um dos fundadores da UNE, Irum Santana e da ex-esposa de outro, Francisca Talarico, que foi casada com José Gomes Talarico, falecido no início de dezembro. Francisca foi homenageada no evento e recebeu uma placa.

O clima de confraternização entre as gerações é brevemente interrompido com a chegada do arquiteto Oscar Niemeyer, que completou 103 anos de vida recentemente. Erguem-se as mãos de todos em aplausos ou empunhando câmeras e celulares para registrar uma imagem do homem que desenhou Brasília e que, também, generosamente cunhou o projeto da nova sede das entidades estudantis no local.

A agitação na Praia do Flamengo, 132 já era completa quando chegou o presidente Lula, acompanhado de sete ministros, do governador do estado do Rio Sérgio Cabral, do prefeito da capital Eduardo Paes, de deputados e senadores, além de outras autoridades. Aos poucos, as pessoas foram se ajeitando dentro do terreno, entre elas Dona Maria Arlinda. O escritor Arthur Poerner, talvez o maior conhecedor da história do movimento estudantil brasileiro, lembrou-se de outra visita de Lula ao local em 2008 e cochichou uma importante observação “É a primeira vez na história do Brasil que um presidente visita, duas vezes, a sede da UNE”.

Dia histórico

Se ainda havia alguém no local ainda não contaminado pela palpitação de um dia histórico, foi obrigado a render-se com a exibição de um vídeo contando a história do movimento estudantil e da sede na Praia do Flamengo. O telão homenageou jovens como Helenira Rezende e Honestino Guimarães, enquanto o público gritava “presente” a cada nova foto mostrada. Ao final da exibição, e ainda antes do presidente da UNE Augusto Chagas dizer as primeiras palavras, o coro da platéia já tomava conta de todo espaço: “A nossa história ninguém apaga, UNE e UBES de volta para casa”.

Augusto comemorou a presença de tantos personagens históricos do movimento estudantil no evento: “Essa platéia é a cara da UNE, com toda amplitude de idéias e pessoas que fazem a nossa luta por todos esses anos”. O presidente da UNE ressaltou, sob aplausos, que o projeto de lei que permitiu a indenização para reconstrução da sede não foi questionado por nenhum parlamentar de nenhum partido político. Dirigindo-se a Lula, afirmou: “Alguns não entendem a nossa relação presidente, confundem com subserviência, mas nós sabemos muito bem que essa reparação não representa favor ou agrado de ninguém, isso é justiça e nós reconhecemos a sua grandeza por ser sensível a isso”.

O presidente da UBES, Yann Evancovick fez questão de homenagear aqueles que tombaram e perderam suas vidas na esperança de retornar à Praia do Flamengo 132: “Quando este prédio se reerguer, se erguerão juntos os sonhos daqueles que por aqui passaram, que lutaram por esse momento que agora vivemos”. Lembrou também que a reconstrução da sede irá revigorar as lutas do movimento estudantil no próximo período. “Quero inclusive te convidar, presidente Lula, para a nossa jornada de manifestações no mês de março, por bandeira como 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação brasileira”.

Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, que também esteve no palanque do ato, com a colocação da pedra fundamental, "o Estado definitivamente reconhece sua responsabilidade em relação a esta e outras violências contra o povo brasileiro, e dá um passo decisivo no fortalecimento da nossa democracia. A luta da juventude e dos estudantes brasileiros faz parte da história do Brasil e a valorização da sua memória e dos seus espaços de luta fortalece os instrumentos da democracia que dão voz ao povo". 

Lula e os estudantes

Antes de tomar a palavra, Lula vestiu o capacete da UNE e inaugurou a pedra fundamental do novo prédio e conheceu a nova maquete do projeto. Assim que começou a falar, fez questão de render efusivos elogios a Oscar Niemeyer, aplaudido de pé por todos os presentes: “Niemeyer é motivo de orgulho para todos nós e uma lição àqueles, muito mais novos, que às vezes se mostram indispostos ou cansados para ir a uma passeata, uma assembléia ou outra atividade importante”, disse o presidente.

Muito à vontade, Lula também ressaltou que a relação de seu governo com os estudantes não envolveu complacência de nenhum dos lados: “O que fizemos foi um pacto para criar uma pequena revolução na educação desse país”, afirmou, referindo-se depois a programas como o Prouni e o Reuni, amplamente discutidos com o movimento estudantil e que permitiram a entrada de milhões de jovens nas universidades brasileiras. “Nenhuma decisão do nosso governo foi tomada sem consultar vocês”.

O presidente também deixou sua homenageou os jovens que perderam suas vidas durante o período da ditadura militar: “Precisamos aprender, na verdade, que quando um companheiro tomba, ele precisa nos inspirar a continuar lutando, ser a marca da nossa luta ate conseguirmos. O que vocês estão conquistando hoje é muito mais do que um espaço para uma sede, o que se ganha aqui hoje é um espaço para consolidar a democracia no Brasil”.

Em tom de despedida, o presidente finalizou: “Aproveitando que este é meu ultimo pronunciamento para os estudantes brasileiros, queria dizer que foi uma grande honra estar ao lado de vocês. Vou carregar uma lembrança extraordinária disso tudo até o ultimo dia da minha vida”.

Nada será como antes

Encerrada a atividade, depois que o presidente desceu do palco e conseguiu vencer, carinhosa e pacientemente, a avalanche de abraços, beijos e outros afetos do público, a Praia do Flamengo podia, enfim, começar a voltar à normalidade. A empresa de trânsito liberava as pistas, as equipes de reportagem retornavam as redações para produzir as matérias, as autoridades deixavam o local nos carros oficiais. Alguns ex-presidentes da UNE, amigos e apoiadores estenderam a comemoração no Boteco da Praia, que fica logo ao lado do terreno, até a meia noite.

No entanto, quando a noite realmente caiu, o que sobrou de tudo foi apenas o gigantesco painel de Honestino Guimarães em frente ao número 132. Muitos que passam pelo local agora devem estar se perguntando o que representa aquela bela foto de um jovem, de punhos erguidos, indiscutivelmente convicto, com um semblante forte e positivo.

A resposta está lá dentro do terreno, grafada no texto da pedra fundamental que foi inaugurada:

“O poder imaculado dos jovens
o traço de Oscar Niemeyer
e a rebeldia desta pedra
dizem que a casa dos sonhos invencíveis
nunca será derrubada

Em memória a todos que fazem parte desta história
Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2010”

A casa dos sonhos inesquecíveis

Quarenta e seis anos depois, hoje é o dia em que marcamos a pedra fundamental das obras para reerguer essas paredes e reabrir as portas e janelas da chamada “casa do poder jovem”.

Mais um capítulo se encerra para que outro se inicie, mais uma demonstração da vitalidade da juventude brasileira. Aqui, neste histórico pedaço de chão no Rio de Janeiro, começa a reforma da “casa da resistência democrática”.

A aprovação por unanimidade no Congresso Nacional do projeto de lei 22.260/ 2010 reconheceu corajosamente a dívida do estado brasileiro com seus estudantes durante um regime de exceção que ousou vencer a primavera, ceifando-lhe as flores.

No entanto, os sonhos daqui nunca saíram. Foram invencíveis. Não há como deter a alvorada, por mais escura que seja a noite. Em breve, os traços de Oscar Niemeyer darão vida a uma conquista de gerações.

Agradecemos a vocação democrática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, personagem fundamental em todo esse processo sempre acreditando na volta definitiva das entidades estudantis para o seu lar, na Praia do Flamengo, 132.

Mãos a obra!

Fonte: Estudantenet

Leia também: ANPG faz pressão no Congresso pelo aumento do orçamento para bolsas

Leia a íntegra da emenda elaborada

 

O CNPq oferecerá mais 2 mil bolsas de mestrado e doutorado em 2011. Este anúncio foi feito dia 10 de dezembro, após a conquista pela ANPG junto ao Congresso Nacional do acréscimo de 15 milhões de reais no Orçamento 2011 para a agência. A demanda dos estudantes é que a Capes (cujo orçamento previsto é quase o dobro que o de 2010) também aumente o número de bolsas e para que as duas agências reajustem os valores das bolsas, a fim de cumprir as metas do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2005-2010.

 

Em 23 de novembro a ANPG apresentou emendas no Congresso Nacional pautando o aumento dos orçamentos da Capes e do CNPq para garantir o reajuste dos valores das bolsas de mestrado e doutorado, assim como o crescimento do número de bolsas oferecidas pelas agências nessas modalidades. A ação foi parte de uma campanha de bolsas que a entidade desenvolve. Desde a posse da diretoria em maio de 2010, a ANPG vem pautando mais e melhores bolsas, tendo apresentado tais demandas aos ministros da Educação e da Ciência e Tecnologia e aos presidentes da Capes e do CNPq. A questão também foi debatida em espaços como 62ª a reunião anual da SBPC e a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI).
 

ANPG durante campanha de bolsas realizada em maio deste ano, na semana da posse da nova diretoria da entidade.

 

A demanda dos pós-graduandos é para que, além do aumento do número de bolsas oferecidas, seja promovido o reajuste dos valores das bolsas, com vistas a atender as metas estabelecidas pelo PNPG 2005-2010 que prevê  que o valor das bolsas em 2010 chegue a 50% de reajuste em relação a 2005. A emenda da ANPG propunha, de acordo com essas metas e a partir dos debates realizados pela entidade, o aumento de 20% do número de bolsas oferecidos pela Capes e pelo CNPq e reajustes que levariam as bolsas de mestrado a R$ 1.673,00 e as de doutorado a R$ 2.481,00. O último reajuste das bolsas foi feito em 2008.

Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, a valorização da formação de recursos humanos qualificados é um elemento fundamental à política de desenvolvimento soberano do país. Além disso, Elisangela falou sobre a importância do Estado instituir um processo de humanização das bolsas: “Os pesquisadores e as pesquisadoras brasileiros precisam ser munidos das melhores condições para incrementar a produção científica nacional. Isso significa, entre outras medidas, valorizar os pós-graduandos como elemento fundamental desta produção, por meio do reajuste do valor das bolsas e aumento do número, para democratizar o acesso a elas; significa retomar apoios como a taxa de bancada e o auxílio tese, políticas de moradia estudantil para pós-graduandos, implementação de políticas de redução das desigualdades regionais, além de garantias como a recém conquistada licença-maternidade para as bolsistas da Capes. É preciso, em resumo, investir na humanização das bolsas de pós-graduação, que deve ser um reflexo de uma ousada política de valorização da produção científica nacional”.

O aumento do número de bolsas anunciado pelo CNPq terá vigência a partir de março de 2011 e representa um acréscimo de cerca de 10% sobre as 19.765 bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela agência de fomento em 2010. A ANPG encaminhou documentos ao MEC, ao MCT, à Capes e ao CNPq, pautando as demandas de aumento do número e do valor de bolsas. Além disso, a entidade fará uma pressão junto ao parlamento para a aprovação do orçamento 2011 com aumento de verbas para as agências, conforme pressão já realizada na Câmara para que tal aumento fosse incluído no relatório do Orçamento 2011.
 

A presidente da ANPG, Elisangela Lizardo (à esquerda), e a vice-presidente, Carolina Pinho (direita), com a deputada Jô Moraes (PCdoB/MG) (centro), na campanha pelo aumento do orçamento para bolsas

 
O secretário geral da ANPG, Rodrigo Cavalcanti, que participou da elaboração da emenda da entidade apresentada ao Congresso Nacional, defendeu que o Estado cumpra as metas estabelecidas pelo PNPG 2005-2010: “os planos são uma referência para a implementação das políticas governamentais e o seu cumprimento é o caminho para a garantia dos resultados debatidos no momento da sua elaboração. As metas do PNPG, sobretudo em relação ao aumento do número e do valor das bolsas, são viáveis e devem ser cumpridas para o bem da ciência e tecnologia nacional. Consideramos uma vitória importante o anúncio de mais 2 mil bolsas do CNPq, mas o acréscimo ao orçamento do CNPq conquistado pela ANPG deve ser convertido em políticas mais ousadas, que garantam também o reajuste do valor das bolsas de mestrado e doutorado. O mesmo vale para a Capes, que também teve o seu orçamento aumentado. A nossa expectativa é que nos próximos dias esta agência também anuncie o oferecimento de mais bolsas de mestrado e doutorado em 2011, assim como o reajuste do seu valor.”

 
No total, o CNPq concede mais de 93 mil bolsas em várias modalidades, apoiando desde jovens pesquisadores com bolsas de Iniciação Científica até pesquisadores altamente qualificados, com a modalidade Produtividade em Pesquisa.

As novas bolsas serão concedidas aos cursos em forma de cotas. Vários critérios foram estabelecidos pelo CNPq para a distribuição das cotas, como o conceito do curso junto à Capes, o desenvolvimento de atividades em consonância com as diretrizes do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), número de alunos sem bolsa e sem vínculo empregatício e localização regional.
 

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão um mínimo de cotas garantidas, como parte de uma política governamental de diminuir as desigualdades regionais em ciência e tecnologia.

Por Luana Bonone, Diretora de Comunicação da ANPG