Tem razão o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, ao conclamar, no discurso de posse, as empresas brasileiras a investir "muito mais" em inovação. Enquanto isso não ocorrer, é retórica esperar que o país supere o nível de uma economia medianamente industrializada. Esse é o único consenso entre acadêmicos, analistas e instituições. Os resultados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) referentes a 2008, recentemente divulgados colocaram boas polêmicas na mesa.
Os resultados da Pintec, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram recebidos com decepção ou reservas por alguns analistas. Já o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), principais responsáveis pelo fomento à inovação no país, viram avanços. A Pintec 2008 é o retrato mais recente e completo do estágio em que se encontra o Brasil na área da inovação.
Apesar de a taxa de inovação na indústria (percentual que representa o total de indústrias ouvidas dividido pelo total das que disseram ter introduzido pelo menos uma inovação) ter passado de 33,4% em 2005 para 38,1% em 2008, o economista David Kupfer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos principais estudiosos da evolução industrial do país, constatou que quando visto mais de perto, com lupa, o resultado não é tão auspicioso quanto possa parecer.
Ele constatou que das 100,5 mil indústrias pesquisadas, apenas 4,2% realizaram atividades internas de pesquisa e desenvolvimento em 2008, ante 5,6% na Pintec de 2005. O dado é o principal indicador do esforço inovativo feito pelas empresas industriais. "Eu gosto de ver mais as variáveis de esforço do que de resultado", disse Kupfer. Ressalvando a necessidade de que seja feito um mergulho mais profundo nos números da Pintec, ele alinhou outros dados que, na sua opinião, corroboram sua relativa decepção.
Outros dados
Sempre comparando 2008 com 2005, os gastos da indústria de transformação com pesquisa e desenvolvimento (P&D) caíram de 2,8% para 2,6% do faturamento. A proporção de pessoas ligadas a atividades de P&D em relação ao pessoal total caiu de 0,80% para 0,69%, e o número de mestres e doutores aumentou apenas de 4.280 para 4.340 em três anos.
De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a Pintec mostrou um crescimento de 10%, com o total dos gastos empresariais na área passando de 0,49% para 0,54% do PIB. Analistas do Ipea compararam o avanço brasileiro com o de outros países e concluíram que o esforço brasileiro, embora expressivo, está sendo muito pequeno quando considerada a necessidade que o país tem de investir para reduzir o fosso tecnológico entre ele e os países que estão na fronteira tecnológica.
Os 10% de avanço brasileiro em relação a 2005 foram inferiores aos 12% dos Estados Unidos, aos 21% da China, aos 23% da Espanha, e aos incríveis 145% de Portugal, onde a taxa de investimento das empresas em P&D passou de 0,31% para 0,76% do PIB. Com base nos dados analisados, os técnicos do Ipea calculam que aumentando os investimentos no ritmo atual o Brasil precisaria de 20 anos para chegar aos níveis europeus.
Para Kupfer, a decepção veio também por conta da falta de resultados mais expressivos em um período no qual a economia brasileira cresceu em ritmo mais acelerado. De 2006 a 2008 o PIB brasileiro expandiu-se a uma média anual de 5,1%. "Parece que a indústria brasileira não investe em inovação na fase ruim porque está ruim e também não investe na fartura porque está farto", provocou.
9 mil empresas a mais
Já o presidente da Finep, Luis Fernandes, considera que o economista David Kupfer está "excessivamente pessimista, inclusive com os dados". Ele disse que a próprio crescimento da taxa de inovação na indústria para 38,1% "não é desprezível", considerando que essa taxa "estava estagnada na casa dos 33% até 2005". "São 9 mil empresas a mais que inovaram", ressalta.
Fernandes destacou também, no que toca ao esforço de pesquisa, o aumento de 0,57% para 0,62% do percentual do faturamento das indústrias destinado a pesquisa e desenvolvimento (P&D). Outro dado positivo destacado pelo dirigente da principal agência de fomento à pesquisa tecnológica do Brasil foi o fato de ter passado de 18,8% para 22,3% o percentual de empresas inovadoras que utilizaram pelo menos um mecanismo de apoio governamental.
Fernandes resume assim o quadro que viu dos números da Pintec: "Precisamos melhorar muito, mas ficamos satisfeitos em ver uma evolução na direção correta". O presidente da Finep também ponderou os efeitos da crise econômica mundial cujos impactos começaram a ser sentidos em 2008 para explicar retração dos investimentos privados em inovação.
Também o BNDES, que nos últimos anos aumentou muito sua participação nos mecanismos de apoio estatal à inovação, considera que a leitura da Pintec feita pelos analistas precisa ser ponderada, mesmo admitindo que há um longo caminho a percorrer. Para Claudio Leal, superintendente de planejamento do banco, o período de 2006 a 2008 compreendido pela última pesquisa do IBGE "não é capaz de captar" os resultados dos diversos mecanismos de apoio à pesquisa e desenvolvimento e à inovação no Brasil.
Processo positivo
"Estamos com a Finep, há um processo positivo", disse, ressaltando que esse aspecto positivo existe mesmo quando o avanço é obtido só com a compra de máquinas e equipamentos mais modernos.
Ele destacou o crescimento do interesse de empresas estrangeiras de instalarem centros de pesquisas no país, especialmente na área de petróleo, e o aumento da disponibilidade de financiamento, liberando a empresa de usar recursos próprios para inovar.
Somente o BNDES possui hoje 15 mecanismos de fomento voltados para a inovação. No conjunto, eles desembolsaram R$ 563 milhões em 2009, no total de 156 projetos, saltando para R$ 999 milhões em 217 projetos, de janeiro a outubro de 2010.
O relatório anual de utilização dos incentivos fiscais da chamada Lei do Bem (nº 11.196/2005) referente a 2009, recentemente divulgado pelo MCT, também reflete o clima de otimismo, com ressalvas, existente no governo quanto aos avanços do país em P&D e inovação.
Nas suas conclusões, o trabalho do MCT também destaca a necessidade de uma evolução maior. Considerando que o total de empresas beneficiárias dos incentivos fiscais da Lei do Bem corresponde a 14,5% do total de empresas que investiram em P&D no Brasil (dados da Pintec 2008), o ministério diz que "a participação do empresariado brasileiro nos investimentos em P&D ainda é bastante tímida".
Direção certa, caminho longo
"Essa situação não é compatível com o atual sistema de educação e de ciência e tecnologia do Brasil, o que tem provocado um descompasso entre a tênue geração de inovação das empresas brasileiras e a alta competência técnico-científica das nossas universidades", diz o trabalho, corroborando, de certa forma, o economista David Kupfer quando diz, aplaudindo a Lei do Bem: "Não estamos na direção errada, mas ainda temos muito que andar".
O economista Antonio Barros de Castro, também professor da UFRJ, ex-presidente do BNDES, reconhece que entre os estudiosos da temática da indústria no Brasil "ninguém se entusiasmou" com o resultado da Pintec. Segundo ele, o mais impressionante é que na 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada em maio deste ano, "ficou evidente que o Brasil vem acumulando forças para um possível desejado ingresso na economia do conhecimento".
Entre os sinais desses esforços, ele enumerou o aumento da verba do MCT "de US$ 600 milhões para US$ 2 bilhões em uma década" e a multiplicação de órgãos, tanto na esfera federal como na estadual e na municipal, voltados para o incentivo à busca da inovação.
"Sessenta por cento dos gastos com inovação na América Latina vêm do Brasil", resume Castro, que acrescenta: "Os resultados, porém, são bastante modestos". Ele acha que o furacão China inibe o apetite inovador do empresário e sugere, como vem fazendo há muito tempo, que o Brasil busque adensar as cadeias produtivas em áreas nas quais pode ser líder, como o petróleo em águas profundas e o etanol.
Por Luana Bonone, Diretora de Comunicação da ANPG, com informações do Valor Econômi
A 63ª Reunião Anual da SBPC será realizada entre os dias 10 e 15 de julho, no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. O tema central do encontro é "Cerrado: água, alimento e energia". O primeiro prazo para inscrição online termina em 25 de fevereiro.
Até o dia 25 de fevereiro, os interessados em participar do encontro podem fazer a inscrição com desconto. Para estudantes, professores da Educação Básica ou Técnica e/ou sócios de Sociedade Associada à SBPC, o valor da inscrição é de R$ 20 (sócio quite da SBPC) e R$ 40 (não-sócio). Para professores de Ensino Superior e demais categorias, a inscrição, no mesmo período, é de R$ 50 (sócio quite da SBPC) e R$ 100 (não-sócio).
Quem se associar à SBPC também terá desconto: o valor é de R$ 60 (estudantes, professores da Educação Básica ou Técnica e/ou sócios de Sociedade Associada) e de R$ 110 (professores de Ensino Superior e demais categorias), incluindo anuidade e inscrição na Reunião Anual. Os valores sofrerão acréscimo após o dia 25 de fevereiro.
A partir de maio, os inscritos na Reunião Anual poderão efetuar a matrícula em um minicurso (taxa de R$ 10).
3º Salão Nacional de Divulgação Científica
Durante a reunião, será realizado também o 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela ANPG. O Salão contará com mesas de debates, atividades culturais e mostra científica, entre outras atividades.
A primeira edição da atividade foi na PUC-SP, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2009, e a segunda ocorreu na 62ª Reunião Anual da SBPC em Natal, em julho de 2010.
Inscrição de trabalhos
Quem quiser submeter resumos para apresentação de trabalhos na 63ª Reunião Anual da SBPC deve fazer a inscrição no evento. Serão aceitos resumos de pesquisa científica já concluída, de trabalho contendo experiências e/ou práticas de ensino-aprendizagem (apenas para professor da educação básica ou técnica) ou de trabalho selecionado para integrar a Jornada Nacional de Iniciação Científica (aluno de graduação previamente comunicado da sua seleção, pela Pró-Reitoria de Pesquisa ou setor equivalente da sua instituição de origem).
O prazo para envio de resumos vai até 7 de abril. As normas – assim como a ficha de inscrição e demais informações sobre o encontro – estão disponíveis no site www.sbpcnet.org.br/goiania
História
Realizada desde 1948, com a participação de autoridades, gestores do sistema nacional de C&T e representantes de sociedades científicas, a Reunião Anual da SBPC é um importante meio de difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debate de políticas em C&T.
A programação científica é composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres para apresentação de trabalhos científicos. Também são realizados eventos paralelos, a exemplo da SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), da ExpoT&C (mostra de ciência e tecnologia) e da SBPC Cultural (atividades artísticas regionais).
O evento reúne milhares de pessoas, entre cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e demais interessados. Nos últimos anos, o público circulante tem sido superior a 10 mil pessoas.
Da redação, com informações do Jornal da Ciência
Manter e ampliar os investimentos em pesquisas no país, garantir equidade na distribuição de recursos entre os estados e criar políticas para incentivar as indústrias a aproveitar o conhecimento científico produzido no país. Estes são os principais desafios do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na opinião de professores da Universidade de Brasília (UnB).
Leia também:
Aloizio Mercadante: quando o discurso de posse é uma tese
Pintec levanta debate sobre inovação tecnológica no Brasil
Para Isaac Roitman, professor aposentado, ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB e membro da Academia Brasileira de Ciências, garantir o orçamento dos últimos oito anos, além de brigar para aumentar o montante de recursos da pasta, deve ser a prioridade do novo ministro.
“O volume de recursos destinados à área de ciência e tecnologia foi a principal conquista da última década”, explica. “Manter esse orçamento é o mínimo indispensável”, defende.
“É papel fundamental do futuro ministro convencer as demais áreas de que Ciência e Tecnologia são importantes”, emenda outro professor, Marco Antônio Amato, do Instituto de Física da UnB. Entre 2007 e 2010, os valores disponibilizados no orçamento para a área foram de cerca de R$58 bilhões.
No último dia 3 de dezembro, Luiz Antonio Elias, secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou que o orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico deve alcançar a marca de R$3,8 bilhões em 2011. Em 2010, foram liberados R$3,1 bilhões. “É importante que esse investimento seja mantido”, afirma Antônio Brasil, diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB.
Política de diversidade
Além da manutenção do orçamento, Brasil aponta como desafio do novo ministro manter a política de equidade nos avanços de ciência e, principalmente, tecnologia em todas as regiões do Brasil. “A gestão de Sérgio Rezende buscou isso claramente. É importante a continuidade dessa política”, disse.
“A atenção à ciência precisa ser tratada com mais igualdade entre os estados”, reforça o professor Marco Amato. “Espero que, apesar do fato de ser de São Paulo, Mercadante tenha um ministério e uma política de diversidade”, completa.
Alguns professores vêem com preocupação o fato de o novo ministro ser um político paulista. “Tradicionalmente, a ciência e tecnologia são controladas por paulistas e cariocas e o fato de termos um político de São Paulo como chefe dessa pasta pode levá-lo a manter essa lógica, o que não é bom”, acredita o professor Elimar Santos, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB.
Trabalho conjunto
Isaac Roitman enumera ainda como essencial a necessidade de construir uma política de incentivo à inovação. “Cientistas trabalham isolados dentro das universidades e empresas contratam conhecimento de fora, especialmente na área tecnológica. É preciso uma política de aproximação entre a academia, indústria e empresas, de forma a transformar ciência e tecnologia em inovação”, explica Isaac.
Para Marco Amato, o momento é favorável para que isso ocorra. “Esse é um avanço que depende de uma economia favorável, aquecida. É o que ocorre no Brasil nesse instante”, diz.
Uma das ações do ministério no último ano mais aplaudidas pela comunidade acadêmica foi a Medida Provisória que dá preferência nas licitações públicas a produtos e serviços de conteúdo tecnológico produzidos no Brasil, como uma nova política de apoio à inovação. A medida já foi aprovada pelo Congresso Nacional.
Quando o discurso é uma tese
Em seu discurso de posse, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, faz referência ao Novo Desenvolvimentismo, tese recém-defendida em seu doutorado na Unicamp.
Fonte: Portal da UnB, com informações do Portal Vermelho
Na última semana de 2010 ainda há lutas, como o repúdio aos cortes no orçamento previsto para a Ciência e Tecnologia em 2011, manifestado em nota pública. Mas o ano inteiro foi recheado de pautas, conquistas e atividades.
Desde abril, quando a atual diretoria da ANPG foi eleita em congresso realizado no Rio de Janeiro, não houve descanso ao movimento nacional de pós-graduação. Além de realizar as etapas finais da Caravana de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG em maio, a diretoria teve uma semana agitada em sua posse, no mesmo mês. Foram audiências com o ministro da Educação, o presidente da Capes, o presidente do CNPq e o ministro da Ciência Tecnologia, consolidando uma robusta campanha de bolsas, que pautou os direitos dos pós-graduandos junto a esses órgãos. A posse foi seguida da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, que a ANPG participou de forma destacada, distribuindo para os participantes as resoluções do seu recém realizado congresso, compondo mesas da conferência e expondo suas opiniões e articulando com os participantes em todos os debates.
Em junho a ANPG participou da luta pela aprovação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação no Senado Federal e a APG da UFRGS tomou posse. No mesmo mês, foram fundadas a Federação Nacional de Pós-Graduandos em Direito (FEPODI) e a APG da UFBA. No início de julho, a ANPG participou da pressão pela aprovação da PEC da Juventude, aprovada no dia 07 daquele mês. Julho também foi o mês de intenso debate acerca da Portaria Conjunta número 01 da CAPES e do CNPq, que permitiu o acúmulo de bolsas de pesquisa com atividade remunerada.
2º Salão
Em agosto a UFLA realizava o seu congresso de pós-graduação em conjunto com reunião regional da SBPC. Entre os debates, destacou-se a discussão sobre o convênio entre 7 universidades mineiras, que vem sendo chamado de “superuniversidade”. No mesmo mês, a ANPG foi a Brasília cobrar a instituição da licença-maternidade para bolsistas da CAPES, o que veio a se tornar realidade em novembro. E o reconhecimento de que esta foi uma pauta da ANPG foi registrado no Diário Oficial da União péla própria CAPES.
Em agosto teve ainda greve de médicos residentes, da qual o diretor de saúde da ANPG participou ativamente, com o apoio da diretoria da entidade.
Eleições
Em outubro a entidade dos pós-graduandos brasileiros garantiu participação na maior feira de inovação do país, a Inovatec, lançou o Blog do PNPG e a APG da UFV elegeu nova diretoria. Participamos também da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e em novembro garantimos a intervenção dos estudantes de pós-graduação na Conferência sobre Desenvolvimento, organizada pelo IPEA.
Além da conquista da licença-maternidade pela CAPES, em novembro a ANPG engrossou a pressão das entidades estudantis para que nenhum estudante fosse prejudicado pelas falhas do ENEM. No mesmo mês os pós-graduandos da UFMA organizaram a sua APG e a ANPG reforçou as mobilizações pela aprovação do Estatuto da Juventude no Congresso Nacional.
Praia do Flamengo, 132
Em 2011 começaremos participando de uma grande Bienal de Arte, Ciência e Cultura, organizada pela UNE no Rio de Janeiro logo no primeiro mês do ano. Durante a semana da Bienal, a ANPG realizará sua reunião ampliada para planejar as atividades… e aí virão CONAP, 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, debates, seminários, mobilizações, campanhas e muito mais.
Participe da construção de um Brasil justo e desenvolvido, some-se à ANPG nesta luta e participe das nossas atividades. Por um 2011 com ainda mais lutas e conquistas que 2010. Que venha o futuro!
![]() |
| Presidentes da UNE e da UBES com o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral no lançamento da pedra fundamental da sede das entidades estudantis. |
Praia do Flamengo 132, nada será como antes
A funcionária pública Maria Arlinda de Castro, 68 anos, moradora da Praia Flamengo no Rio há mais de 40, ajeitava-se na grade de proteção montada em frente ao número 132, na tarde dessa segunda-feira, 20 de dezembro. Ao seu lado, chegavam centenas de curiosos, vendedores ambulantes, turistas e outras pessoas cuja atenção se prendia no enorme painel de 18 metros de comprimento e 6 de altura, montado em frente ao endereço e onde se impõe uma foto do ex- lider estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Honestino Guimarães, um dos muitos desaparecidos políticos da ditadura militar.
Muita gente não entendia ainda a movimentação e alguns burburinhos davam conta da visita do presidente da republica mais positivamente aprovado desde a redemocratização: “Lula vem aí”, ouvia-se. No entanto, a maioria não sabia o que aconteceria dentro daquele terreno, que por muitos anos abrigou somente um estacionamento. Dona Maria Arlinda sabia. No dia primeiro de abril de 1964,
ao voltar do trabalho por volta das 19h, ela percebeu que o trânsito estava interrompido. Descendo a pé e caminhando em direção ao número 132, viu o prédio da UNE e da UBES pegando fogo, destruído pela ditadura militar recém- instalada no país: “Foi muito triste e chocante”, relata.
Depois disso, dona Maria Arlinda testemunhou todo o período de perseguições da ditadura, acompanhou a proclamação do AI-5, viu pessoalmente a sede dos estudantes ser demolido em 1980, acompanhou a redemocratização do país em 1985, votou cinco vezes em Lula para presidente e, nessa tarde, retornou ao endereço numero 132 para vê-lo inaugurar as obras que reconstruirão o prédio da UNE e da UBES. De acordo com o projeto de lei 12.260, de 21 de junho de 2010, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, o Estado Brasileiro reconhece a responsabilidade pelo incêndio e demolição da casa dos estudantes, investindo agora em sua reparação.
Chegadas
Em frente ao terreno e por suas imediações, onde o trânsito estava interrompido e diversos carros de reportagem se amontoavam, balões ornamentavam a entrada e capacetes de construção da UNE e UBES eram distribuídos aos convidados. Entre ele muitos e emocionados ex-presidentes das duas entidades como José Frejat (1950), Aldo Arantes (1961) Jean Marc Von der Weid (1969), Wadson Ribeiro (1999), Gustavo Petta (2003 e 2005), Orlando Silva (1995), Lindberg Farias (1992), Thiago Franco (2006), Marcelo Gavião (2004), além de um dos fundadores da UNE, Irum Santana e da ex-esposa de outro, Francisca Talarico, que foi casada com José Gomes Talarico, falecido no início de dezembro. Francisca foi homenageada no evento e recebeu uma placa.
O clima de confraternização entre as gerações é brevemente interrompido com a chegada do arquiteto Oscar Niemeyer, que completou 103 anos de vida recentemente. Erguem-se as mãos de todos em aplausos ou empunhando câmeras e celulares para registrar uma imagem do homem que desenhou Brasília e que, também, generosamente cunhou o projeto da nova sede das entidades estudantis no local.
A agitação na Praia do Flamengo, 132 já era completa quando chegou o presidente Lula, acompanhado de sete ministros, do governador do estado do Rio Sérgio Cabral, do prefeito da capital Eduardo Paes, de deputados e senadores, além de outras autoridades. Aos poucos, as pessoas foram se ajeitando dentro do terreno, entre elas Dona Maria Arlinda. O escritor Arthur Poerner, talvez o maior conhecedor da história do movimento estudantil brasileiro, lembrou-se de outra visita de Lula ao local em 2008 e cochichou uma importante observação “É a primeira vez na história do Brasil que um presidente visita, duas vezes, a sede da UNE”.
Dia histórico
Se ainda havia alguém no local ainda não contaminado pela palpitação de um dia histórico, foi obrigado a render-se com a exibição de um vídeo contando a história do movimento estudantil e da sede na Praia do Flamengo. O telão homenageou jovens como Helenira Rezende e Honestino Guimarães, enquanto o público gritava “presente” a cada nova foto mostrada. Ao final da exibição, e ainda antes do presidente da UNE Augusto Chagas dizer as primeiras palavras, o coro da platéia já tomava conta de todo espaço: “A nossa história ninguém apaga, UNE e UBES de volta para casa”.
Augusto comemorou a presença de tantos personagens históricos do movimento estudantil no evento: “Essa platéia é a cara da UNE, com toda amplitude de idéias e pessoas que fazem a nossa luta por todos esses anos”. O presidente da UNE ressaltou, sob aplausos, que o projeto de lei que permitiu a indenização para reconstrução da sede não foi questionado por nenhum parlamentar de nenhum partido político. Dirigindo-se a Lula, afirmou: “Alguns não entendem a nossa relação presidente, confundem com subserviência, mas nós sabemos muito bem que essa reparação não representa favor ou agrado de ninguém, isso é justiça e nós reconhecemos a sua grandeza por ser sensível a isso”.
O presidente da UBES, Yann Evancovick fez questão de homenagear aqueles que tombaram e perderam suas vidas na esperança de retornar à Praia do Flamengo 132: “Quando este prédio se reerguer, se erguerão juntos os sonhos daqueles que por aqui passaram, que lutaram por esse momento que agora vivemos”. Lembrou também que a reconstrução da sede irá revigorar as lutas do movimento estudantil no próximo período. “Quero inclusive te convidar, presidente Lula, para a nossa jornada de manifestações no mês de março, por bandeira como 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação brasileira”.
Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, que também esteve no palanque do ato, com a colocação da pedra fundamental, "o Estado definitivamente reconhece sua responsabilidade em relação a esta e outras violências contra o povo brasileiro, e dá um passo decisivo no fortalecimento da nossa democracia. A luta da juventude e dos estudantes brasileiros faz parte da história do Brasil e a valorização da sua memória e dos seus espaços de luta fortalece os instrumentos da democracia que dão voz ao povo".
Lula e os estudantes
Antes de tomar a palavra, Lula vestiu o capacete da UNE e inaugurou a pedra fundamental do novo prédio e conheceu a nova maquete do projeto. Assim que começou a falar, fez questão de render efusivos elogios a Oscar Niemeyer, aplaudido de pé por todos os presentes: “Niemeyer é motivo de orgulho para todos nós e uma lição àqueles, muito mais novos, que às vezes se mostram indispostos ou cansados para ir a uma passeata, uma assembléia ou outra atividade importante”, disse o presidente.
Muito à vontade, Lula também ressaltou que a relação de seu governo com os estudantes não envolveu complacência de nenhum dos lados: “O que fizemos foi um pacto para criar uma pequena revolução na educação desse país”, afirmou, referindo-se depois a programas como o Prouni e o Reuni, amplamente discutidos com o movimento estudantil e que permitiram a entrada de milhões de jovens nas universidades brasileiras. “Nenhuma decisão do nosso governo foi tomada sem consultar vocês”.
O presidente também deixou sua homenageou os jovens que perderam suas vidas durante o período da ditadura militar: “Precisamos aprender, na verdade, que quando um companheiro tomba, ele precisa nos inspirar a continuar lutando, ser a marca da nossa luta ate conseguirmos. O que vocês estão conquistando hoje é muito mais do que um espaço para uma sede, o que se ganha aqui hoje é um espaço para consolidar a democracia no Brasil”.
Em tom de despedida, o presidente finalizou: “Aproveitando que este é meu ultimo pronunciamento para os estudantes brasileiros, queria dizer que foi uma grande honra estar ao lado de vocês. Vou carregar uma lembrança extraordinária disso tudo até o ultimo dia da minha vida”.
Nada será como antes
Encerrada a atividade, depois que o presidente desceu do palco e conseguiu vencer, carinhosa e pacientemente, a avalanche de abraços, beijos e outros afetos do público, a Praia do Flamengo podia, enfim, começar a voltar à normalidade. A empresa de trânsito liberava as pistas, as equipes de reportagem retornavam as redações para produzir as matérias, as autoridades deixavam o local nos carros oficiais. Alguns ex-presidentes da UNE, amigos e apoiadores estenderam a comemoração no Boteco da Praia, que fica logo ao lado do terreno, até a meia noite.
No entanto, quando a noite realmente caiu, o que sobrou de tudo foi apenas o gigantesco painel de Honestino Guimarães em frente ao número 132. Muitos que passam pelo local agora devem estar se perguntando o que representa aquela bela foto de um jovem, de punhos erguidos, indiscutivelmente convicto, com um semblante forte e positivo.
A resposta está lá dentro do terreno, grafada no texto da pedra fundamental que foi inaugurada:
“O poder imaculado dos jovens
o traço de Oscar Niemeyer
e a rebeldia desta pedra
dizem que a casa dos sonhos invencíveis
nunca será derrubada
Em memória a todos que fazem parte desta história
Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2010”
A casa dos sonhos inesquecíveis
Quarenta e seis anos depois, hoje é o dia em que marcamos a pedra fundamental das obras para reerguer essas paredes e reabrir as portas e janelas da chamada “casa do poder jovem”.
Mais um capítulo se encerra para que outro se inicie, mais uma demonstração da vitalidade da juventude brasileira. Aqui, neste histórico pedaço de chão no Rio de Janeiro, começa a reforma da “casa da resistência democrática”.
A aprovação por unanimidade no Congresso Nacional do projeto de lei 22.260/ 2010 reconheceu corajosamente a dívida do estado brasileiro com seus estudantes durante um regime de exceção que ousou vencer a primavera, ceifando-lhe as flores.
No entanto, os sonhos daqui nunca saíram. Foram invencíveis. Não há como deter a alvorada, por mais escura que seja a noite. Em breve, os traços de Oscar Niemeyer darão vida a uma conquista de gerações.
Agradecemos a vocação democrática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, personagem fundamental em todo esse processo sempre acreditando na volta definitiva das entidades estudantis para o seu lar, na Praia do Flamengo, 132.
Mãos a obra!
Fonte: Estudantenet
Leia também: ANPG faz pressão no Congresso pelo aumento do orçamento para bolsas
Leia a íntegra da emenda elaborada
O CNPq oferecerá mais 2 mil bolsas de mestrado e doutorado em 2011. Este anúncio foi feito dia 10 de dezembro, após a conquista pela ANPG junto ao Congresso Nacional do acréscimo de 15 milhões de reais no Orçamento 2011 para a agência. A demanda dos estudantes é que a Capes (cujo orçamento previsto é quase o dobro que o de 2010) também aumente o número de bolsas e para que as duas agências reajustem os valores das bolsas, a fim de cumprir as metas do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2005-2010.
Em 23 de novembro a ANPG apresentou emendas no Congresso Nacional pautando o aumento dos orçamentos da Capes e do CNPq para garantir o reajuste dos valores das bolsas de mestrado e doutorado, assim como o crescimento do número de bolsas oferecidas pelas agências nessas modalidades. A ação foi parte de uma campanha de bolsas que a entidade desenvolve. Desde a posse da diretoria em maio de 2010, a ANPG vem pautando mais e melhores bolsas, tendo apresentado tais demandas aos ministros da Educação e da Ciência e Tecnologia e aos presidentes da Capes e do CNPq. A questão também foi debatida em espaços como 62ª a reunião anual da SBPC e a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI).
| ANPG durante campanha de bolsas realizada em maio deste ano, na semana da posse da nova diretoria da entidade. |
A demanda dos pós-graduandos é para que, além do aumento do número de bolsas oferecidas, seja promovido o reajuste dos valores das bolsas, com vistas a atender as metas estabelecidas pelo PNPG 2005-2010 que prevê que o valor das bolsas em 2010 chegue a 50% de reajuste em relação a 2005. A emenda da ANPG propunha, de acordo com essas metas e a partir dos debates realizados pela entidade, o aumento de 20% do número de bolsas oferecidos pela Capes e pelo CNPq e reajustes que levariam as bolsas de mestrado a R$ 1.673,00 e as de doutorado a R$ 2.481,00. O último reajuste das bolsas foi feito em 2008.
Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, a valorização da formação de recursos humanos qualificados é um elemento fundamental à política de desenvolvimento soberano do país. Além disso, Elisangela falou sobre a importância do Estado instituir um processo de humanização das bolsas: “Os pesquisadores e as pesquisadoras brasileiros precisam ser munidos das melhores condições para incrementar a produção científica nacional. Isso significa, entre outras medidas, valorizar os pós-graduandos como elemento fundamental desta produção, por meio do reajuste do valor das bolsas e aumento do número, para democratizar o acesso a elas; significa retomar apoios como a taxa de bancada e o auxílio tese, políticas de moradia estudantil para pós-graduandos, implementação de políticas de redução das desigualdades regionais, além de garantias como a recém conquistada licença-maternidade para as bolsistas da Capes. É preciso, em resumo, investir na humanização das bolsas de pós-graduação, que deve ser um reflexo de uma ousada política de valorização da produção científica nacional”.
O aumento do número de bolsas anunciado pelo CNPq terá vigência a partir de março de 2011 e representa um acréscimo de cerca de 10% sobre as 19.765 bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela agência de fomento em 2010. A ANPG encaminhou documentos ao MEC, ao MCT, à Capes e ao CNPq, pautando as demandas de aumento do número e do valor de bolsas. Além disso, a entidade fará uma pressão junto ao parlamento para a aprovação do orçamento 2011 com aumento de verbas para as agências, conforme pressão já realizada na Câmara para que tal aumento fosse incluído no relatório do Orçamento 2011.
| A presidente da ANPG, Elisangela Lizardo (à esquerda), e a vice-presidente, Carolina Pinho (direita), com a deputada Jô Moraes (PCdoB/MG) (centro), na campanha pelo aumento do orçamento para bolsas |
O secretário geral da ANPG, Rodrigo Cavalcanti, que participou da elaboração da emenda da entidade apresentada ao Congresso Nacional, defendeu que o Estado cumpra as metas estabelecidas pelo PNPG 2005-2010: “os planos são uma referência para a implementação das políticas governamentais e o seu cumprimento é o caminho para a garantia dos resultados debatidos no momento da sua elaboração. As metas do PNPG, sobretudo em relação ao aumento do número e do valor das bolsas, são viáveis e devem ser cumpridas para o bem da ciência e tecnologia nacional. Consideramos uma vitória importante o anúncio de mais 2 mil bolsas do CNPq, mas o acréscimo ao orçamento do CNPq conquistado pela ANPG deve ser convertido em políticas mais ousadas, que garantam também o reajuste do valor das bolsas de mestrado e doutorado. O mesmo vale para a Capes, que também teve o seu orçamento aumentado. A nossa expectativa é que nos próximos dias esta agência também anuncie o oferecimento de mais bolsas de mestrado e doutorado em 2011, assim como o reajuste do seu valor.”
No total, o CNPq concede mais de 93 mil bolsas em várias modalidades, apoiando desde jovens pesquisadores com bolsas de Iniciação Científica até pesquisadores altamente qualificados, com a modalidade Produtividade em Pesquisa.
As novas bolsas serão concedidas aos cursos em forma de cotas. Vários critérios foram estabelecidos pelo CNPq para a distribuição das cotas, como o conceito do curso junto à Capes, o desenvolvimento de atividades em consonância com as diretrizes do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), número de alunos sem bolsa e sem vínculo empregatício e localização regional.
As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão um mínimo de cotas garantidas, como parte de uma política governamental de diminuir as desigualdades regionais em ciência e tecnologia.
Por Luana Bonone, Diretora de Comunicação da ANPG
