Category

Notícias

Category

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) repudia a portaria 2227, de 31 de dezembro de 2019, do Ministério da Educação, que dispõe sobre os procedimentos para afastamento da sede e do país, concessão de diárias e passagens em viagens nacionais e internacionais a serviço. Na prática, a medida limita e impede a mobilidade de professores, pesquisadores e servidores em eventos científicos e acadêmicos de suas respectivas áreas de atuação, impactando diretamente no desenvolvimento científico brasileiro.

A circulação de conhecimento é um fator indispensável para a produção científica no país, uma vez que são nesses locais em que há troca de informações, divulgação científica, articulação de grupos nacionais, regionais e específicos de pesquisas e continuidade da formação profissional.

Não obstante, a nova política do MEC tem impacto direto na pós-graduação brasileira também por estar na contramão do Plano Nacional de Pós-Graduação e do sistema de avaliação dos programas de pós-graduação, nos quais são exigidas produtividade científica dos pesquisadores vinculados aos ppgs e grupos de pesquisas no país.

Além disso, a portaria 2227 amplia as políticas de cerceamento ao direito constitucional de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das universidades brasileiras por retirar delas a prerrogativa de autorização de afastamento dos quadros para aperfeiçoamento profissional, de acordo com as necessidades dessas instituições e de seus programas de pós-graduação.

No atual cenário econômico, em que apenas a educação e ciência podem criar as condições necessárias para a retomada do desenvolvimento nacional, o MEC segue com a política de desmonte educacional e científico, através de cortes de investimentos e cerceamento das liberdades constitucionais.

O investimento e a continuidade da formação profissional devem ser imperativos para um país com o potencial social e econômico do Brasil, ainda mais que, historicamente, pouco investiu na qualificação profissional de seus quadros. Assim, a ANPG conclama toda a comunidade acadêmica, científica e a sociedade civil a exigirem, em conjunto com os pós-graduandos, a revogação imediata dessa trágica medida.

São Paulo, 30 de janeiro de 2020.

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG

Documento para meia-entrada emitido pelas entidades de estudantes fomenta a luta por direitos e a cidadania nos estados, municípios, escolas e universidades

 

A emissão do Documento Estudantil é a maior fonte de renda das entidades estudantis nacionais – UNE, UBES e ANPG -, mas não garante o financiamento apenas delas. Muitos movimentos secundaristas e universitários em todos os cantos do País contam com a receita para realizar atividades, lutar pela educação pública e direitos da juventude.

 

Graças a essa articulação pulverizada, é possível que milhares de municípios se mobilizem ao mesmo tempo, como se viu nos atos de 15 e 30 de maio do ano passado. Também ficam viáveis ações e reivindicações específicas de cada região ou instituição de ensino. A receita ajuda na produção de materiais, manutenção da sede, deslocamentos dos representantes e realização de atividades.

 

Em Guarulhos (SP), por exemplo, a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) conquistou em 2019 o passe-livre para estudantes de baixa renda. “Não teríamos dialogado na cidade do mesmo jeito sem a receita das carteirinhas, que possibilita materiais, campanhas e ações”, explica o presidente da UEE-SP, Caio Iudi. Ele lembra ainda que neste estado o Documento Estudantil das entidades garante o meio-passe para qualquer estudante. 

 

Em Pernambuco, o presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES-PE), Ronny, também diz que, sem a receita das carteiras, a luta pelo passe-livre teria sido muito mais restrita. No Recife, estudantes da rede estadual têm este direito desde 2015. 

 

“Graças à renda, temos uma representatividade forte também no interior do estado, pois conseguimos realizar encontros, atividades, rodas de conversa”, conta Rony. Tanto em escolas como em universidades, principalmente nas periferias e no interiores, o movimento estudantil têm o papel de incentivar a cidadania, ampliar horizontes e perspectivas da juventude.

 

Como funciona a rede

O movimento estudantil se organiza como uma teia. UNE, UBES e ANPG são as entidades nacionais de universitários, secundaristas e pós-graduandos, respectivamente. Além delas, existem as entidades estaduais e municipais. Na ponta das redes estão os grêmios escolares e, nas universidades, os Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs), Centro Acadêmicos (CAs) e Diretórios Acadêmicos (DAs), além das Associações de Pós-Graduandos (APG).

 

Algumas entidades locais e de base estabelecem parcerias com as entidades nacionais para emissão do documento. Neste caso, retirados os custos de produção das carteiras, o lucro é dividido entre a rede. Outras, ainda, emitem suas carteirinhas por conta própria, arcando com os custos de produção. De qualquer uma destas formas, ficam garantidos os direitos e as lutas dos estudantes nas mais diversas localidades.

 

Fortalecer o movimento

Para as entidades nacionais, a ideia do governo Bolsonaro, ao criar uma Identidade Estudantil gerida pelo Ministério da Educação, é tentar enfraquecer todo o movimento de estudantes, que vêm tecendo críticas à atual gestão. Fortalecer a carteirinha dos estudantes de verdade é fortalecer toda esta rede.

Se você já tem a sua carteirinha – 5 formas de aproveitar a carteirinha de estudante!

Nos dias 21/11 a 23/11/2019 ocorreu o III Workshop de Jovens Pesquisadores em Planejamento e Desenvolvimento de Fármacos. Pela primeira vez, o evento ocorreu na região Nordeste, especificamente na cidade de Salvador na Bahia, o que favoreceu, em especial, à inserção dos jovens pesquisadores baianos na linha de frente da investigação científica em torno do desenvolvimento de fármacos além de estimular a descentralização das atividades de pesquisa na área de Química Medicinal do eixo Sul-Sudeste. O evento contou com a presença de grandes pesquisadores tal como, a diretora da divisão de Química medicinal da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) Prof. Dra. Carolina Horta, Prof. Dr. Gustavo Trossini (USP e diretor-tesoureiro da SQB) e do Vice-presidente São Paulo da Associação nacional de pós-graduandos (ANPG) Rai Campos que valorizou o evento.


Este evento teve como objetivo propiciar um espaço único de atualização, complementação acadêmica e aproximação entre expoentes brasileiros da área de Química medicinal com jovens pesquisadores apresentando suas contribuições em pesquisa, inovação e desenvolvimento científico na área de planejamento e desenvolvimento de novos fármacos e, além disso, permitindo a integração e geração de novas parcerias e colaborações científicas entre as instituições que ali puderam ser representados, como por exemplo, a única instituição da região Norte por meio do Prof. Dr. Cleydson Breno Santos (UNIFAP) e presidente da Associação Brasileira de Química Regional do Amapá (ABQ AP), Prof. Dr. Caio Oliveira (UNICAMP), Profa. Dra. Eliane Silva (UFBA), Dr. Fábio Neves (Unicamp), Profa. Dra. Francine Azeredo (UFBA), Profa. Dra. Gisele de Oliveira (UFG), Prof. Dr. Henrique Marcelino (UFBA), Dra. Marília Valli (Jovens pesquisadores-SBQ), Msc. Olavo Rodrigues (Diretor P&D – Natulab) e Profa. Dra. Rafaela Ferreira (UFMG).


O evento teve 150 inscritos (discentes, pesquisadores e profissionais), 15 palestrantes das regiões Nordeste, Norte, Centro-oeste e Sudeste e 20 trabalhos submetidos para apresentação em formato de banner.
“A realização deste evento foi acima de tudo um ato de resistência. Resistência contra a falta de financiamento público, contra o ajuste fiscal, contra o processo de sucateamento da pesquisa e aos ataques constantes à autonomia das universidades públicas” afirma Prof. Dr. Franco Henrique (UEFS), Presidente do III Workshop de Jovens Pesquisadores em Planejamento e Desenvolvimento de Fármacos. O evento contou com apoio de instituições como UEFS, UFBA e UNEB; e patrocinadores como (Agillent, Conselho regional de farmácia do estado da bahia; Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, Induslab, Labovet produtos veterinários, Natulab e Sociedade Brasileira de Química – Regional Bahia).

Iago Montalvão

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) editou a medida provisória 895/2019, que cria uma carteira estudantil emitida pelo MEC, obrigando estudantes e entidades a compartilharem seus dados com o poder público.

O ato não visa facilitar a vida do usuário ou aprimorar a meia-entrada: pretende retaliar e perseguir as entidades estudantis, como foi dito pelo presidente. Elas organizaram as maiores manifestações contra a tragédia das políticas educacionais e os cortes na educação e na ciência.

Iago Montalvão - Presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e estudante de Economia da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade)
O presidente da UNE, Iago Montalvão – Karla Boughoff/CUCA da UNE

A proposta é arbitrária e surge sem debate, como tem sido o modus operandi em casos similares. Também através de MP, o governo tentou dificultar a arrecadação da contribuição sindical e acabar com a publicação de editais de licitações em jornais. Não é só: Bolsonaro atacou Legislativo, Judiciário e entidades como OAB e CNBB; fez intervenções em universidades e em órgãos de Estado, como o Inpe; alvejou as ONGs e criticou até mesmo a ONU. O conflito institucional e a submissão a quem não se dobra configuram método para o poder sem freios.

Veja o texto na íntegra: Folha de S. Paulo

O Grupo Folha não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Mais de 50 delegados participaram da Plenária Final do 42º CONAP, realizado n9 último dia 16 de novembro, na Universidade de São Paulo, campus Guarulhos.

Todas as regiões do país estavam representadas. Esse Conselho de APG´s revela a força de organização da pós-graduação atualmente e intensificação na luta pelos direitos aos pesquisadores e mobilização contra o contingenciamento de investimentos na área, desmonte da educação e ameaças democráticas.

Faça o download

[pdf-embedder url=”https://www.anpg.org.br/wp-content/uploads/2019/11/tomo-42-conap-da-anpg.pdf”]

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vem a público repudiar a tentativa de um grupo de produtores rurais de tumultuar a mesa de abertura do evento denominado “Amazônia Centro do Mundo”, realizado no campus de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA) na manhã da última segunda-feira, dia 18 de Novembro.

 

Nesta segunda feira (18), ao invadirem e tumultuarem o evento, os produtores rurais da região não só desrespeitam as lideranças indígenas, comunitárias e entidades acadêmicas ali presentes, mas ferem a liberdade de expressão de pessoas que em geral são consideradas minoria no debate político, por possuírem poucos representantes em posições de tomada de decisão,como parlamentares ou gestores públicos. Diferentemente destes, os produtores rurais contam com poder econômico e financeiro que tem lhes garantido lugar de fala e influência sobre as políticas de governo há muitos anos. Exemplo maior disto é representado pela existência de uma bancada ruralista forte e articulada atuando a várias legislaturas.

 

Este tipo de ação agressiva, e mesmo violenta, não é novidade na região que possui um histórico de conflitos por terra incluindo assassinatos de líderes comunitários, religiosos e pistolagem. A disputa pela terra entre latifundiários e pequenos produtores rurais é a tônica destes conflitos nesta parte da região amazônica. A violência gerada a partir desta dualidade de ideias é uma das principais características que evidenciam esta situação, onde há dificuldade dos latifundiários em consentir com a sustentabilidade do cultivo setor do agronegócio.

 

A exemplo disto, esta não é a primeira vez que atividades realizadas na Universidade Federal do Pará são alvos de ações de pessoas que tentam cercear o debate acerca dos conflitos de terra na região popularmente conhecida como “terra do meio”. No ano de 2017, o prefeito da cidade de Senador José Porfírio (PA), Dirceu Biancardi (PSDB), invadiu com uma comitiva de aproximadamente 40 pessoas uma atividade acadêmica organizada pela UFPA que tinha como intuito debater as questões de terra na região.

 

Cabe salientar que os conflitos por terra na Amazônia passaram por um processo de agudização desde meados da segunda metade do século XX. Onde o governo federal adotou diversas medidas de povoamento e exploração da região, que proporcionaram o aumento das tensões e conflitos neste território. Vale ressaltar a dimensão territorial do estado do Pará que consiste em ser o segundo maior estado do país. Em termos comparativos, este Estado possui a extensão territorial comparada a duas vezes a área da França.

 

Nós, da ANPG, incluindo as diferentes APGs que a integram,especialmente aquelas localizadas na Região Amazônica, somos defensores de um debate plural sobre o desenvolvimento e o futuro da Amazônia. Debate este que deve ser pautado no respeito às diferentes visões de mundo e aos modos de vida tradicionais, cujo uso da biodiversidade se faz de modo não predatório na grande maioria das vezes. Porém, no último período, esse setor tem sido mais fortalecido pela política de desmonte do sistema ambiental brasileiro por parte do governo federal, o qual vem incentivando a derrubada da floresta e empoderando esse setor a agir com violência.

 

Na qualidade de pesquisadores e cientistas, nós, pós-graduandos e pós-graduandas somos favoráveis a proteção dos ecossistemas da região e da sua rica biodiversidade, ao desenvolvimento econômico e principalmente social, feito por meios não destrutivos, que permitam a manutenção de modos de vida tradicionais e favoreçam o uso sustentável da biodiversidade e dos seus serviços ambientais. Como prova disto, temos que nossos estudos nos mostram rotineiramente que a Floresta e ecossistemas associados, quando mantidos em pé, têm o potencial de gerar e distribuir muito mais riquezas que os modelos de produção atuais baseados em commodities com baixa tecnologia e produtividade. 

 

A Amazônia é do Brasil e do seu povo, devendo ser preservada pelo seu papel estratégico no desenvolvimento soberano de nosso país. 

 

Assinaturas:

 

APG-INPA (Associação de Pós-Graduandos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)

 

ABPG-INPE (Associação de Bolsistas, Pós-Graduandos e Pós-Graduados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

 

APG-UFPA (Associação de Pós-Graduandos da Universidade Federal do Pará)

 

APG-UFPA/Bragança (Associação dos Pós-Graduandos e Pós-Graduandas da Universidade Federal do Pará, Campus Bragança)

 

APG-UEA (Associação de Pós-Graduandos da Universidade do Estado do Amazonas)

 

APG-UEM ( Associação de Pós-Graduandos da Universidade Estadual de Maringá)

 

APG-UFGD (Associação de Pós-Graduandos da Grande Dourados)

 

APG-UFPI (Associação dos Pós-Graduandos da Universidade Federal do Piauí)

 

APG-UFV (Associação dos Pós-Graduandos da Universidade Federal de Viçosa)

 

APG-USP Ribeirão Preto ((Associação dos Pós-Graduandos da Universidade de São Paulo, Campus Ribeirão Preto)

1. Breves considerações sobre origem e competências da CAPES e do CNPq 1.1. CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior

Em 1951, foi criada a então Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior por meio do Decreto 29.741/51 para garantir a existência de pessoal especializado “em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos empreendimentos públicos e privados”. Estava previsto ainda “oferecer aos indivíduos mais capazes e sem recursos próprios o acesso a oportunidades de aperfeiçoamento” para atender às necessidades de capacitação de recursos humanos no Brasil. Em 1961, a CAPES passou à subordinação direta da Presidência da República e lá permaneceu até 1964, quando retornou à administração do então Ministério da Educação e Cultura – MEC, na condição de Coordenação. Foi tornada Fundação Pública em 1992. Atualmente, com a pósgraduação brasileira em franca expansão, a CAPES tem atuação direta na formação continuada de professores de todos os níveis e na avaliação dos cursos de pós-graduação.

As competências da CAPES são agrupadas em 5 (cinco) linhas de ação, cada qual desenvolvida por um conjunto estruturado de programas: • avaliação da pós-graduação stricto sensu;

• acesso e divulgação da produção científica;

• investimentos na formação de recursos humanos de alto nível, no país e exterior;

• promoção da cooperação internacional entre professores de ensino superior;

• indução e fomento da formação inicial e continuada de professores para a educação básica nos formatos presencial e a distância.

1.2. CNPq – Conselho Nacional do Desenvolvimento, Científico e Tecnológico

Em 1946, a ideia do CNPq nasce dentro das Forças Armadas a fim de incrementar, amparar e coordenar a pesquisa científica nacional. Em 15/01/1951, é sancionada a Lei de criação do Conselho Nacional de Pesquisas. Desde o início, o foco da atuação funcional do CNPq foi o fomento em C&T. Em 1964, o CNPq teve seu estatuto alterado para incorporar a formulação da política científica e tecnológica nacional em conjunto com outras instituições do país e, em 1974, a Lei nº 6.129/74 transformou o “Conselho Nacional de Pesquisas” em “Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico”, preservando-se a sigla CNPq e tornando-o uma fundação pública. Em 1985, com a criação do então Ministério de Ciência, o CNPq passou a ser vinculado a este que se tornou o centro do planejamento estratégico da ciência no Brasil. Nos anos 90, o CNPq cria instrumentos fundamentais para as atividades de fomento: a Plataforma Lattes, o Diretório dos Grupos de Pesquisa e Diretório de Instituições. Tais instrumentos continuam a ter papel central na avaliação, acompanhamento e direcionamento para políticas e diretrizes de incentivo à pesquisa.

Atualmente, a missão do CNPq é “Fomentar a Ciência, Tecnologia e Inovação e atuar na formulação de suas políticas, contribuindo para o avanço das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional” e, como principal órgão de fomento federal à pesquisa, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), compete ao CNPq participar na formulação, execução, acompanhamento, avaliação e difusão da Política Nacional de Ciência e Tecnologia, destacando-se 11 linhas de ação:

• promover e fomentar o desenvolvimento e a manutenção da pesquisa científica e tecnológica e a formação de recursos humanos qualificados para a pesquisa, em todas as áreas do conhecimento;

• promover e fomentar a pesquisa científica e tecnológica e capacitação de recursos humanos voltadas às questões de relevância econômica e social relacionadas às necessidades específicas de setores de importância nacional ou regional; • promover e fomentar a inovação tecnológica;

• promover, implantar e manter mecanismos de coleta, análise, armazenamento, difusão e intercâmbio de dados e informações sobre o desenvolvimento da ciência e tecnologia;

• propor e aplicar normas e instrumentos de apoio e incentivo à realização de atividades de pesquisa e desenvolvimento, de difusão e absorção de conhecimentos científicos e tecnológicos;

• promover a realização de acordos, protocolos, convênios, programas e projetos de intercâmbio e transferência de tecnologia entre entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais;

• apoiar e promover reuniões de natureza científica e tecnológica ou delas participar;

• promover e realizar estudos sobre o desenvolvimento científico e tecnológico;

• prestar serviços e assistência técnica em sua área de competência;

• prestar assistência na compra e importação de equipamentos e insumos para uso em atividades de pesquisa científica e tecnológica, em consonância com a legislação em vigor; e

• credenciar instituições para, nos termos da legislação pertinente, importar bens com benefícios fiscais destinados a atividades diretamente relacionadas com pesquisa científica e tecnológica.

Assim, fica claro que as duas agências têm, desde a sua origem e até os dias atuais, atividades, competências e missões fundamentalmente diferentes, ambas importantes e necessárias para o País. Ainda, as duas instituições estão adequadamente vinculadas aos ministérios com os quais suas atividades se relacionam, sendo que o CNPq tem um papel fundamental na estrutura do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – SNCTI, coordenado pelo MCTIC.

A fim de exemplificar as diferentes atuações, de modo simplificado pode-se dizer que a Finep financia projetos de pesquisa e inovação no âmbito das indústrias e empresas, facilitando a conexão entre estas e os pesquisadores. Estes, por sua vez, foram formados e aperfeiçoados com o apoio de diferentes instituições, seja o CNPq, a CAPES e/ou as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAP’s), entre outros, mas eles mantém suas pesquisas com o financiamento obtido via CNPq. Assim, não há multiplicidade e sobreposição de tarefas, mas complementaridade.

2. Questões relativas à fusão ou incorporação das agências

Graças à atuação complementar do CNPq e da CAPES, dentro de suas competências, o Brasil avançou nas últimas décadas em pesquisa e em pós-graduação. As duas agências vêm atuando de forma sinérgica há quase 70 anos, cada qual fomentando e executando, no seu campo de ação, as atividades de sua área de origem e escopo. Assim, uma proposta de fusão ou incorporação da CAPES pelo CNPq, ou vice-versa, deve ser precedida de dados e informações que viabilizem e justifiquem tal medida e certifiquem que não haverá prejuízos em duas áreas tão importantes para o Brasil como a Educação e a Ciência, Tecnologia e Inovação – CT&I.

A unificação das agências não evidencia de imediato que ocorrerá uma atividade administrativa mais racional nem otimização dos investimentos. As demandas e as estruturas das agências serão simplesmente somadas. A diminuição na estrutura organizacional será mínima e o pessoal alocado nas áreas continuará em exercício. Assim, a proposta veiculada pela CAPES carece de maior embasamento, estando baseada somente em suposições e informações superficiais. Caso a CAPES queira uma avaliação consistente do total do apoio nos últimos anos a todas as áreas do conhecimento, deveriam apresentar os seus próprios números, comprovando o seu investimento nas diferentes áreas. O CNPq estará mais do que disponível em apresentar esses detalhes, com transparência.

Cabe elucidar também que o fomento do CNPq não se dá prioritariamente por meio de bolsas, mas com pagamento de diversos auxílios no âmbito de diferentes programas. O CNPq exerce ações concretas para construção e manutenção de laboratórios e centros de pesquisa, ou seja, concede recursos orçamentários de capital e custeio para formação de ambientes promotores de pesquisa e inovação. No que tange especificamente ao pagamento de bolsas, foco da atuação da CAPES, e não do CNPq, há de se destacar que existe uma vasta gama de diferentes modalidades de bolsas oferecidas pelo CNPq, e não pela CAPES, sendo que, mesmo nas pretensas modalidades semelhantes, há diferença nos objetivos finais, já que as bolsas da CAPES visam a formação de pessoas e a preparação para a docência, enquanto as bolsas do CNPq visam o desenvolvimento das pesquisas e a criação de ambientes de inovação no País em todas as áreas do conhecimento, mas prioritariamente no alinhamento com a ENCTI. Tal é a eficiência e expertise do CNPq, que tanto o MEC como a própria CAPES descentralizam recursos para realizar ações via CNPq.

Atualmente, o CNPq faz a concessão da grande maioria das suas modalidades de apoio por meio de Chamadas Públicas, Projetos Especiais e Programas definidos pelo MCTIC, alinhados com a ENCTI, desmentindo-se, portanto, qualquer acusação falaciosa e enviesada de que o CNPq não financie de modo expressivo ações vinculadas diretamente à ENCTI. Ainda, o CNPq prioriza a aproximação com o setor produtivo e trabalha para a inserção de pesquisadores em empresas. Tais iniciativas têm crescido, com vários indicadores de sucesso, sendo o CNPq o principal agente do MCTIC para o redirecionamento da pesquisa no País a fim de que gere cada vez mais produtos e serviços para a população. Apenas o CNPq tem esse know-how, cumprindo papel fundamental em facilitar o processo inovativo, onde novos produtos voltados para o bem estar social sejam gerados, conectando o ambiente público e acadêmico com o ambiente privado e o setor produtivo. Uma eventual fusão ou extinção do CNPq poderia fragilizar toda essa construção e trazer grandes prejuízos ao desenvolvimento econômico do Brasil.

3. Registro do suporte financeiro do CNPq às diferentes áreas do conhecimento

Por fim, com o objetivo de comprovar o compromisso do CNPq com todas as áreas da Ciência Brasileira, exibe-se a tabela a seguir, identificando-se o percentual de dispêndios do CNPq por grande área do conhecimento desde 2014 até 2018, incluindo-se investimentos por meio de bolsas, recursos de custeio e de capital. O total de investimento no período foi de mais de R$10 bilhões. Registra-se que, no período, a aplicação nas áreas da Engenharia foi de 22,46% desse total, e o CNPq vem trabalhando para o aumento desse percentual, guiado pelas prioridades da ENCTI.

4. Conclusões:

Em vista de todo o exposto, pautado em uma Gestão Pública transparente e responsável, conclui-se que, sob o ponto de vista técnico e financeiro, não há levantamento de dados e informações demonstrando de forma segura que qualquer iniciativa de fusão ou incorporação de CNPq e CAPES resultará em economia, racionalização dos serviços prestados, ou otimização dos investimentos pois as agências têm propósitos, funções e estruturas diferentes, como também suas ações possuem objetivos diferentes. A primeira fomenta o desenvolvimento científico e tecnológico no País, enquanto a segunda atua em questões educacionais e formativas. O CNPq lamenta profundamente a divulgação de informações tendenciosas, focadas em denegrir a imagem desta instituição, que serve ao Brasil há quase 70 anos com competência, integridade e eficiência, sendo por isso reconhecida nacional e internacionalmente.

O CNPq respeita a CAPES e seus servidores, sua história e sua atuação no fortalecimento do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). Se ambas as instituições trabalham para o desenvolvimento do Brasil, esperamos da administração da CAPES uma postura íntegra e construtiva, também respeitando o CNPq, seus servidores, sua história e sua atuação no SNCTI. A parceria entre as instituições é importante para continuarmos trabalhando sinergicamente no avanço da nossa nação.

O CNPq reafirma seu compromisso e trabalho continuado com o fomento em CT&I no Brasil, a fim de que o País avance de modo inovador, sustentável e soberano, conforme nossa visão de futuro: “Ser uma instituição de reconhecida excelência na promoção da Ciência, da Tecnologia e da Inovação como elementos centrais do pleno desenvolvimento da nação brasileira”.

Encerrando os debates do 42º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (Conap), duas mesas abordaram as temáticas de liberdade de cátedra e os desafios dos estudantes da pós-graduação hoje, questões que estão na ordem do dia no país.

Sob o lema “Em defesa do conhecimento e da democracia: liberdade de cátedra e de ensino”, participaram da primeira palestra os professores Angélica Muller, da Universidade Federal Fluminense; Eduardo Serra e Eleonora Ziller, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Angélica Muller, que é estudiosa do regime militar e contribuiu no relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), mostrou-se preocupada com o avanço da extrema-direita, que já se revelava nos debates da CNV e que agora aparece escancarado em parcelas da sociedade, incentivado pelo atual governo. “Começou a crescer exponencialmente um desejo que vinha muito pequeno, muito fragmentário na sociedade, de volta da ditadura, de um revisionismo e negacionismo sobre o período”.

O professor Eduardo Serra denunciou a postura anti-intelectual do governo Bolsonaro e as consequências disso na perseguição a docentes e na ingerência na nomeação de reitores, desrespeitando a lista tríplice e a autonomia universitária para indicar verdadeiros interventores alinhados ideologicamente ao presidente.

Segundo Eduardo, vários fatores concorrem para ameaçar a liberdade de cátedra e de produção do conhecimento. “Estou falando da multiplicação de cursos Ead, que são vendas de diplomas a prazo. Então, é um ataque pela privatização, um ataque pelo estrangulamento financeiro e um ataque ideológico. A Escola Sem Partido não é de graça, tem a ver com o anti-intelectualismo, com o fundamentalismo, que passa a disputar com o pensamento científico”, disse.

Para Eleonora Ziller, do Departamento de Letras da UFRJ e presidenta da Adufrj, o momento exige que se amplie o debate com a sociedade e não “pregar para convertidos”, buscando construir pontes justamente com aqueles que não participam dos movimentos organizados. “É necessário se reeducar para furar as bolhas, é uma questão vital, de sobrevivência. A gente só vai fazer isso escutando quem está fora da militância, aquele que se recusa a ir à assembleia. A gente precisa chegar nele, porque o mundo dele está sendo destruído, principalmente no caso dos pós-graduandos, e ele não pode ficar alheio a esse processo”. “A saída é mergulhar no processo histórico e aprender com ele, caminhar junto, ninguém larga a mão de ninguém”, finalizou.

Os desafios do pós-graduando na atualidade

Finalizando os trabalhos do encontro, os participantes debateram questões que afetam o cotidiano dos estudantes, como os altos índices de adoecimento e as denúncias de assédio moral e sexual. Nessa mesa, colaboraram a jornalista e doutoranda da USP, Juliana Cunha; Dani Balbi, doutoranda em Literatura pela UFRJ; Bruno Barbosa, da Federação Nacional dos Pós-Graduandos em Direito; Lis Volpe, advogada da Ouvidoria da ANPG, e Mariana Rodrigues, diretora da entidade.

Prova das dificuldades concretas enfrentadas pelos pós-graduandos, a ANPG criou uma Ouvidoria para receber denúncias e, de setembro de 2018 até agora, mais de 300 queixas foram reportadas através do canal [email protected] .

Helena Augusta Oliveira, estudante da Universidade de Brasília, fez uma pesquisa com os pós-graduandos da instituição e descobriu que 10% deles pensam em suicídio com alguma frequência.
Segundo Juliana Cunha, o problema de adoecimento entre os pós-graduandos é crônico e mundial. “A revista Nature fez uma pesquisa em 2019 que mostra que 36% dos doutorandos tem algum problema de ansiedade ou depressão”. Para a jornalista, um dos graves problemas é a falta de perspectiva profissional diante do avanço do ensino à distância e da diminuição e fragmentação da carreira de professor.