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A ciência está presente no cotidiano das pessoas, mas muitas vezes elas não se dão conta disso e a consideram uma atividade inalcançável e até misteriosa, feita por alguns poucos “gênios” ou predestinados e não por pessoas de carne e osso.

A ANPG considera que um dos grandes desafios para a valorização da ciência no Brasil é torná-la mais visível para o conjunto da população. É importante mostrar que por trás da descoberta da cura para uma doença, do surgimento de um novo remédio ou vacina, está o trabalho árduo e muitas vezes anônimo de pesquisadores que se dedicam ao estudo científico.

Uma recente pesquisa realizada pela Fiocruz com 2 mil jovens mostra que a maioria deles (51%) tem interesse pela ciência, mas muito consideram difícil seguir tal carreira e só buscam ou recebem informações sobre o tema de vez em quando. A prova contundente de que a ciência é um assunto de poucos no país é que 93% dos jovens entrevistados não sabiam dizer de pronto o nome de um cientista brasileiro.

Pensando em contribuir para mudar isso e dar maior visibilidade a grandes nomes da ciência nacional, a ANPG lança a campanha “Grandes Cientistas Brasileiros”. A ideia é trazer semanalmente um curto perfil biográfico de pesquisadores brasileiros e suas principais obras. Acompanhe em nossa página.

 

Veja alguns nomes:

Milton Santos

Bertha Becker

Mário Schenberg

Sidarta Ribeiro

Carlos Chagas

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) chega aos 33 anos nesse mês de julho. A entidade é fruto do Movimento Nacional de Pós-Graduandos e nasceu em meio à efervescência democrática que tomou conta do país e ajudou a derrotar uma ditadura de mais de duas décadas. Oriundos da luta pela liberdade, sabemos bem o valor da democracia e de tudo que ela nos proporcionou alcançar.

Não foram poucas as batalhas e as conquistas nesse período. A expansão da rede de universidades federais e dos programas de mestrado e doutorado, a política afirmativa de cotas na pós-graduação e a licença-maternidade para as mães pós-graduandas são exemplos concretos de vitórias obtidas recentemente. Porém, a realidade atual é de resistência aos efeitos da profunda crise que aflige o país.

Do ponto de vista econômico, a situação é desoladora. Após anos de recessão que produziram um recuo de 7% do PIB em dois anos, os dados para 2019 apontam para estagnação ou nova queda, o desemprego ultrapassa 12% e atinge mais de 13 milhões de pessoas. Ao lado destes, subsistem cerca de 28 milhões de subocupados, vivendo a agonia de se submeter a qualquer tipo de trabalho precário para ganhar o pão.

Mas há ainda um subproduto da crise: a desesperança e o descrédito nas instituições, que embutem verdadeiros riscos de retrocessos civilizatórios para o Brasil. São múltiplas ameaças à ordem jurídico-institucional e a preceitos basilares da democracia e dos direitos fundamentais consagrados na Constituição Federal.

Os cortes brutais que atingiram a Educação e congelaram 42% do já insuficiente orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia são os pontos mais visíveis de um retrocesso muito mais amplo. As milhares de bolsas de mestrado e doutorado ceifadas, economizando tostões enquanto centenas de bilhões são drenados pelo capital financeiro, ameaçam as metas do PNPG e projetam danos que podem perdurar por décadas. A face mais perigosa dessa política de sabotagem à produção do conhecimento está expressa no culto ao obscurantismo, na negação da ciência, na perseguição à liberdade de cátedra e à autonomia universitária.

Em situação tão adversa, como estimular o jovem a sonhar com a ciência como caminho possível? De que maneira vamos convencer quem sabe que seu projeto de pesquisa – e por não dizer de vida? – está por um fio, à mercê do próximo burocrata que não titubeia em exterminar o futuro para atender às pressões do agora?

É que somos resilientes, acreditamos na força da democracia e do povo brasileiro, que há de virar essa página triste de nossa história e construir um novo amanhã. Não temos o direito de deixar os desígnios do atraso inviabilizarem uma nação tão pujante, com recursos naturais abundantes e com um povo uno em sua imensa diversidade, criativo e trabalhador para enfrentar de cabeça erguida as dificuldades do cotidiano.

Acreditamos no potencial do Brasil e temos sonhos e lutas para finalmente realizá-lo!

A primeira delas é a valorização da ciência como elemento fundamental e indispensável para o desenvolvimento da nação e geração de riqueza para nosso povo. Isso significa compreender que os recursos empregados na área não são gastos, mas sim investimentos sem os quais o país estará relegado à segunda divisão da competição mundial pelas fronteiras tecnológicas. Significa dizer que o Brasil deve valorizar as empresas públicas, de economia mista ou de capital nacional em setores estratégicos, muitas delas referências internacionais e que produzem tecnologia de ponta, e não desnacionalizá-las, como na lesiva entrega da Embraer e nas privatizações que atingem a cadeia de petróleo e gás.

Reivindicamos condições dignas de vida para os pesquisadores, por isso, lutamos pela garantia dos recursos para o reajuste das bolsas de estudo de mestrado e doutorado, que estão corroídas pelo acumulado da inflação desde 2013, tendo perdido parte significativa de seu valor real. Não é possível que os estudantes-trabalhadores da ciência, que realizam grande parte da pesquisa científica do país e agregam valor à produção nacional, estejam relegados ao último plano da política governamental. É inadmissível que as autoridades assistam inertes à fuga de cérebros e talentos formados aqui e que, sem perspectivas no mercado de trabalho, migram para ser mão-de-obra qualificada a serviço do desenvolvimento de outras nações.

Reivindicamos igualdade de direitos aos pós-graduandos, porque somos profissionais híbridos, estudantes-trabalhadores da pesquisa, e atualmente temos atraso médio de 6 anos até o ingresso no mercado de trabalho formal, tempo este que não é computado para fins previdenciários. Propomos que o bolsista possa ter os anos de pesquisa contados como tempo de trabalho ou que ele possa aderir a alíquotas diferenciadas e simplificadas de recolhimento, de maneira a contribuir com a Previdência Social e ter os mesmos direitos que todos.

E temos propostas para o financiamento da política de ciência, tecnologia e inovação em nosso país. O pré-sal é fruto direto do trabalho sério e denodado de pesquisadores, é exemplo de como o investimento científico produz resultados incrivelmente superiores aos dispendidos. Reivindicamos a aprovação dos projetos que tramitam no Congresso, fruto de elaboração da ANPG e demais entidades científicas, e preveem a destinação de parte dos recursos do fundo social do pré-sal para a ciência e tecnologia. Isso é possível, necessário e não desconhece a dura realidade fiscal do país.

O Brasil das próximas décadas será construído ou desconstruído a partir das decisões tomadas hoje. O mundo discute robótica, nanotecnologia, inteligência artificial, questões que ditarão os novos padrões de produção e acumulação do capital. Perder esse passo pode condenar o país ao retorno à condição colonial. Isso jamais admitiremos!

Por isso, a melhor homenagem dos atuais pós-graduandos aos 33 anos de nossa entidade é construir no presente a resistência democrática que nos garantirá um futuro de paz, soberania, desenvolvimento e justiça social.

Confira os documentos para meia entrada

Bertha Becker foi uma importante e premiada geógrafa brasileira, pós-doutorada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e professora livre-docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi titular da Academia Brasileira de Ciências e presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE).

Nascida em 1930, no Rio, dedicou-se principalmente aos estudos da Amazônia brasileira e as transformações decorrentes da ocupação da região, tema em que se tornou uma das maiores referências. Colaborou em projetos de pesquisa e na formulação de políticas públicas junto aos ministérios de Integração Nacional, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente.

Escreveu destacadas obras, como “Geopolítica da Amazônia” (1982), “Amazônia” (1990), “Migrações Internas no Brasil – Reflexo da Organização do Espaço Desequilbrada”, dentre outras. Faleceu no ano de 2013.

Milton Santos

Baiano de Brotas de Macaúbas, Milton Santos foi um dos maiores geógrafos brasileiros, reconhecido e premiado internacionalmente por sua obra. Embora graduado em Direito, a geografia humana foi sempre sua grande paixão e disciplina que lhe abriu as portas da academia como professor da Universidade Católica de Salvador e da Universidade Federal da Bahia. Estudioso da ocupação dos grandes centros urbanos nos países do chamado terceiro mundo, sua tese de doutoramento foi intitulada O Centro da Cidade de Salvador.

Em 1964, na esteira do golpe militar, foi preso e exilado, quando passou a lecionar na França nas universidades de Toulouse, Bordeaux e Paris-Sorbonne. Também teve passagens, como docente ou pesquisador convidado, por renomadas instituições de ensino de EUA e Canadá, como MIT (Massachusetts Institute of Technology ) e Universidade de Toronto, dentre outras.

Voltou ao Brasil em 1977 e passou a dar aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 1983, quando ingressa como professor titular de geografia humana na Universidade de São Paulo, onde lecionaria até se aposentar, em 1997, como professor emérito.

Escreveu obras de grande repercussão, como O Espaço Dividido, na qual aborda os circuitos econômicos de centros urbanos dos países subdesenvolvidos; Urbanização Desigual, na qual analisa os agrupamentos urbanos nos países do terceiro mundo; ou Por uma outra Globalização (do pensamento único à consciência universal), no qual, como pesquisador engajado, Milton Santos faz a crítica da globalização sob domínio capitalista e as formas de exclusão daí decorrentes.

Em 1994, ganhou o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud., considerado a maior honraria da área. Como reconhecimento de sua vasta produção, recebeu o título de Doutor Honoris Causa de doze universidades brasileiras e sete estrangeiras. Faleceu em 2001, aos 75 anos.

Obras de Milton Santos: http://miltonsantos.com.br/site/livros/

Os dias que se seguiram entre a eleição e a nomeação da reitora da UFRJ, professora Denise Pires Carvalho, foram de grande expectativa na comunidade acadêmica, pois, em meio às tensões envolvendo o MEC e as universidades, havia o temor que Bolsonaro fosse ignorar a decisão da democracia interna da instituição. Ao nomear a primeira colocada da lista tríplice, parecia que o presidente tinha sido acometido por um súbito bom senso e passaria a respeitar a escolha de professores, estudantes e funcionários.

Mas o que se viu, desde então, foram seguidos golpes contra a autonomia universitária, mostrando que o governo segue obstinado em sua cruzada antiacadêmica. Já são três os casos de universidades que tiveram nomeados reitores à revelia da decisão da comunidade: Universidade Federal do Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e UniRio.

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, passar por cima das escolhas da comunidade para a direção das universidades demonstra que os alicerces democráticos do país passam por um período de abalo. “A escolha de reitores para as universidades públicas é importante balizador da vitalidade da democracia na sociedade brasileira. As indicações fora da lista tríplice, além de caracterizarem forte ataque à autonomia universitária, evidenciam a fragilidade da nossa vida democrática”, aponta.

Na UFGD foi nomeada como reitora provisória a professora Mirlene Damázio, que sequer disputou a eleição interna, preterindo os nomes da chapa “Unidade”, vencedora da disputa. Segundo a revista Carta Capital, o que se pretende é fortalecer o grupo de professores alinhados ao bolsonarismo, vez que foi nomeado como vice-reitor o professor Luciano Geisenhoff, apoiador do presidente.

“É uma afronta à autonomia universitária quando um presidente da República deliberadamente resolve não reconhecer uma decisão da maioria da comunidade acadêmica, como aconteceu na Universidade da Grande Doutorados nos últimos dias e nomeia uma interventora”, denuncia José Germano Neto, diretor de Instituições Públicas da ANPG.

O caso da UniRio, que também teve o mais votado preterido, traz ainda um componente inédito: um autogolpe contra a democracia acadêmica. Nas eleições internas, embora a vitória tenha sido da chapa encabeçada por Leonardo Vilela de Castro, com 72% dos votos, seguido de Cláudia Aiub, com 28%, o Colégio Eleitoral resolveu indicar como primeiro nome da lista tríplice o professor Ricardo Silva Cardoso, atual vice-reitor, posição acolhida por Bolsonaro.

Em nota publicada em sua página do Facebook, o DCE da UniRio chama o nomeado de “interventor do MEC” e afirma que “o professor Ricardo Silva Cardoso foi nomeado reitor pelo Ministério da Educação, consolidando assim as estratégias do golpe de 11 de abril: participar sem debater, vencer sem ser votado, assumir sem ser eleito”. A comunidade da universidade também convocou uma assembleia para debater o assunto e tirar apontamentos para o próximo dia 25/6.

Na Universidade Federal do Triângulo Mineiro a tradição de nomear o primeiro da lista foi solenemente ignorada por Bolsonaro, que optou pelo segundo colocado, professor Luiz Fernando Resende. Ocorre que o primeiro nome, professor Fábio Cesar da Fonseca, teve no passado filiações partidárias ao PT e ao PSOL, o que torna evidente que o presidente não acatou a lista pela ligação do escolhido com a esquerda.

Germano Neto considera que tais medidas constituem “um pacote de desmontes” para acabar com a universidade e o pensamento crítico em diversas frentes. “De um lado vai minar a frente do financiamento, fazendo com que as universidades não tenham dinheiro para manutenção e a geração de conhecimento e, por outro, visa fragilizar e flexibilizar os critérios democráticos dentro das universidades”, conclui.

Escrito por: FNDC

O Brasil volta a ser ameaçado pela mordaça da censura. A marca do governo Jair Bolsonaro é o combate ao jornalismo livre, ao pensamento livre e à cultura livre.

A liberdade de expressão é um direito fundamental. Em tempos de polarização política e de ascensão de discursos autoritários e de ódio, com ataques frontais à própria democracia, a luta pela plena garantia desse direito precisa ser intensificada.

O Brasil volta a ser ameaçado pela mordaça da censura. A marca do governo Jair Bolsonaro é o combate ao jornalismo livre, ao pensamento livre e à cultura livre. Desde a sua campanha eleitoral, Bolsonaro não esconde seu menosprezo pela democracia e pelos direitos fundamentais, e elegeu a liberdade como adversária na sua cruzada política, ideológica e cultural.

Desde o primeiro dia como presidente, Bolsonaro demonstra profundo desrespeito pela imprensa. Em sua cerimônia de posse, confinou profissionais de comunicação em condições degradantes. E em seis meses de mandato já deu ordem para demitir jornalista e já afirmou que empresas de comunicação são inimigas a serem combatidas. Integrantes de seu governo e seus filhos (que atuam como príncipes numa monarquia) usam redes sociais para expor e linchar jornalistas que produzem reportagens com denúncias sobre o governo.

Com decretos e medidas administrativas, alterou legislações de forma ilegal para reduzir a transparência do Estado, impôs sigilo a documentos de interesse público (decreto assinado pelo vice Mourão, que alterou a Lei de Acesso à Informação e previu novas regras de classificação de informações secretas e ultrassecretas), desmontou a comunicação pública (decreto que unificou a programação da EBC e NBr), persegue universidades e professores, ataca a pesquisa científica e tenta criminalizar organizações políticas (como se previa no texto original da MP 870, que reorganizada a administração pública federal).

Nos últimos anos, o Brasil já convivia com um cenário de graves violações à liberdade de expressão, que se davam a partir de processos judiciais para impedir a publicação ou retirada de conteúdos, movidos principalmente por setores da própria mídia hegemônica contra comunicadores e jornalistas da mídia alternativa, ou por políticos e setores da segurança pública.

Mas, desde o impeachment de Dilma Rousseff, a judicialização da censura, além de crescer, passou a ter a companhia de violações à liberdade de expressão cometidas pelo poder central (intervenção na Empresa Brasil de Comunicação, perseguição a professores, violência contra manifestantes, ameaças contra jornalistas na tentativa de violar o sigilo da fonte e tantas outras). A denúncia dessas violações foi o objeto da campanha Calar Jamais!, lançada pelo Fórum Nacional pela Democratização Comunicação, em 2016.

Segundo o relatório “Violações à liberdade de expressão”, produzido pela organização Artigo 19, ameaças e assassinatos de jornalistas e blogueiros aumentaram 30% no ano de 2018 em relação ao ano anterior, e as principais vítimas são os comunicadores de cidades pequenas. Na Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa, produzida pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Brasil aparecia, em 2017, na posição 103º entre 180 países. Em 2019, caiu para a posição 105º. Os dados demonstram degeneração significativa na garantia do direito à livre expressão e, portanto, uma fragilidade maior no sistema democrático.

Nesse cenário de ascensão da extrema-direita e do pensamento fundamentalista, cresce no país a intolerância, o preconceito, a desinformação e a propagação de mentiras (fake news). O discurso de ódio passa a ser praticado de forma recorrente como instrumento de combate político e ideológico.

Com Bolsonaro, o Brasil retrocedeu ainda mais e deixamos de ter casos difusos de violações à liberdade de expressão, para um cenário de institucionalização dessas violações, ou seja, estamos sob um estado censor.

O que nos torna humanos é a possibilidade da palavra e do pensamento livre. Quando o poder político e econômico nos obriga a ocultar nosso pensamento por medo das consequências, quando a palavra na nossa garganta é amordaçada, quando nossas organizações são criminalizadas, quando nossas manifestações são reprimidas com violência, quando nossos jornalistas são tratados como criminosos, já não há mais liberdade de expressão e muito menos democracia.

Reafirmando e defendendo ser a liberdade de expressão um direito fundamental, reconhecido internacionalmente como base para a construção de uma sociedade democrática, o FNDC relança a campanha Calar Jamais! agora com foco na defesa deste direito fundamental. Seu objetivo passa a ser debater o tema de forma ampla, requalificando a discussão em torno da própria liberdade de expressão, do seu significado nos dias de hoje, quem são seus sujeitos e quais seus limites. Essa requalificação política, jurídica e teórica é indispensável para fazer uma defesa direta, não apenas reativa, desde direito fundamental.

Defender a liberdade de expressão é defender a própria democracia! Calar Jamais!

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O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) congrega entidades da sociedade para enfrentar os problemas da área no país. São mais de 500 filiadas, entre associações, sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais e coletivos que se articulam para denunciar e combater a grave concentração econômica na mídia, a ausência de pluralidade política e de diversidade social e cultural nas fontes de informação, os obstáculos à consolidação da comunicação pública e cidadã e as inúmeras violações à liberdade de expressão.

Organizado em quase todo o Território Nacional, em 20 Comitês Estaduais ou Regionais pela Democratização da Comunicação, o FNDC nasceu nos anos 80 como movimento social pela democratização da comunicação.

Em 2016, ao completar 25 anos de atuação, o FNDC lançou a campanha Calar Jamais!, para denunciar violações à liberdade de expressão em curso no país. A campanha foi uma reação ao avanço do conservadorismo e da ruptura democrática ocorrida com a deposição da presidenta Dilma Rousseff. Da repressão aos protestos de rua à censura privada ou judicial a conteúdo nas redes sociais, passando pela violência contra comunicadores, pelo desmonte da comunicação pública e pelo cerceamento de vozes dissonantes dentro das redações, a campanha quer enfrentar o problema dando visibilidade nacional e internacional a essas graves violações. Clique aqui para conhecer a campanha

No último dia 12 de junho, a Associação Nacional de Pós-Graduandos reuniu-se com a Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da CAPES para tratar sobre as reivindicações dos pós-graduandos a cerca do Programa de Doutorado Sanduíche (PDSE) edital 47/2017 e 41/2018. Participaram da reunião o atual Diretor da DRI, Mauro Luiz Rabelo, técnicos que atuam no PDSE e funcionários do setor jurídico responsável pelos editais.

Em relação ao edital 47/2017 foram questionados: 1) aceitação de outros critérios pedagógicos e de produtividade para comprovação da proficiência para os regressos do edital 47/2017 que não obtiveram conceito exigido no edital; 2) diminuição da pontuação exigida no edital 47/2017 para valor correspondente ao edital atual 41/2018; e 3) apresentação de alternativa à devolução de recursos, exigida em caso de não obtenção da pontuação.

Sobre esses pontos supracitados, a Capes informa que já houve essa flexibilidade das notas de proficiência condizentes ao edital, pois embora o termo de compromisso assinado pelos pós-graduandos coloca como prazo três meses após início da bolsa, há a possibilidade da entrega da nota posterior ao retorno do bolsista.  Esse prazo tem levado em consideração ainda uma janela de tempo para apresentação do documento, considerando o calendário das provas oferecidas pelas Instituições de Ensino de maneira gratuita. Nesse sentido, a nota precisará ser entregue conforme acordado. O pós-graduando poderá indicar a data da entrega dessa nota desde que a data seja a mais próxima do retorno ao Brasil. O fechamento desse calendário deverá ser via mensagem direta no portal capes, sendo feito individualmente.

Sobre o segundo ponto do edital 47/2017, a agência informa que a não exigência da pontuação e flexibilização da nota fere a isonomia do edital, o que poderá acarretar um questionamento jurídico do edital como um todo. No terceiro ponto, a CAPES ressalta que não há como não dar consequência a exigência da devolução dos recursos caso não haja entrega da nota, pois está quebrando um dos termos do contrato assinado por ambas as partes. Entretanto, haverá possibilidade de parcelar o valor sob o argumento de não interrupção do processo de pesquisa.

O edital 47/2017 distribuiu 2500 bolsas. Há oito casos encerrados, e que irão ser encaminhados o setor de cobrança. Ainda há 226 casos que ainda estão em processo, sendo alguns aguardando a documentação, outros com data para a entrega da nota e uma parcela que não responde à CAPES quanto ao calendário de entrega dessa nota.

Em relação ao edital 41/2018, foram questionados uma possível flexibilização da data de entrega da nota de proficiência em idioma estrangeiro e a diminuição do nível de exigência da proficiência espanhol Siele. Em relação a aquele primeiro pleito, a DRI argumenta que não há como flexibilizar a nota uma vez que não se trata mais de um edital de transição como foi argumentado no edital passado pela ANPG para diminuição dos scores da proficiência. Assim, com ciência prévia do edital, o primeiro calendário dispunha a apresentação da documentação até março, com a prorrogação até abril de 2019.

Sobre o segundo pleito do mesmo edital, a CAPES irá avaliar a a solicitação e apresentará em breve uma resposta sobre o pleito, pois apresentamos que o nível C1 é o nível máximo a ser alcançado exame SIELE, sendo o nível C o mais alto do Marco Comum Europeu de Referência. Assim, esse nível é considerado avançado e não intermediário, como exigido em todas as outras proficiências.

Diante das devolutivas sobre os questionamentos, a ANPG informa que continuará se colocando sempre ao lado dos pós-graduandos e mantém sua posição crítica as mudanças promovidas nos últimos editais do PDSE em vista que o processo de internacionalização da ciência brasileira deve ser amplo e de forma democrática. Entendemos que o idioma ainda é uma barreira para esse processo que precisamos criar políticas públicas, como curso de línguas Idiomas Sem Fronteiras – gratuito para os alunos de graduação e pós-graduação, para que os estudantes possam ter oportunidades de conseguirem proficiência sem dispender quantias altas para realização dos cursos e testes.