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Você conhece o Hapvida? A operadora de saúde é a maior do Norte e Nordeste, oferecendo saúde de qualidade há mais de 40 anos e contando com mais de 7,3 milhões de beneficiários espalhados por todo o território nacional.

A operadora é conhecida por sua qualidade, atendimento humanizado, estrutura tecnológica, e também pelo seu preço, que é um dos menores do país e a solução para muitos estudantes que geralmente procuram por planos de saúde com preço baixo.

Muitos estudantes não possuem plano de saúde por não poder arcar com o valor, e se esse for o seu caso, os seus problemas acabaram! O Hapvida desenvolveu planos feitos especialmente para estudantes pós-graduandos, para que cuidem da sua saúde, gastando pouco.

E aí? Ficou curioso(a) para conhecer mais? Nós da ANPG, junto ao Joov, trouxemos aqui algumas informações sobre os planos de saúde Hapvida que você precisa saber! Confira.

Como funcionam os planos de saúde para pós-graduandos do Hapvida?

Os planos do Hapvida Saúde são regionais, o que faz o seu preço ser baixo, possuindo segmentação “Ambulatorial + Hospitalar com Obstetrícia”, o que te dá direito à consulta e exames médicos, além de serviços obstétricos e internações completas, com acomodação em enfermaria (quarto compartilhado) ou apartamento (quarto individual). Vale ressaltar que o quarto individual tende a ser mais caro.

Os planos de saúde Hapvida podem ter coparticipação, sendo planos mais em conta, cobrando pequenas taxas na utilização dos serviços, mas com um limite de cobrança. Ou, sem coparticipação, cobrindo tudo, sem taxas, mas com preços mais altos.

Quanto custa um plano de saúde do Hapvida?

A partir de R$ 59,96, você já pode garantir o seu plano de saúde no Hapvida, podendo contar com até com assistência odontológica, e todos os demais benefícios que a operadora oferece.

Quais são os principais diferenciais do Hapvida?

Dentre os diversos diferenciais do Hapvida, elencamos aqui os principais, veja quais são eles.

  1. O Hapvida é um dos maiores sistemas de saúde suplementar do país;
  2. Ampla Rede Credenciada por todo o Brasil;
  3. Rede Exclusiva;
  4. 37 mil colaboradores diretos;
  5. Mais de 15 mil médicos;
  6. Mais de 15 mil dentistas;
  7. 47 hospitais próprios;
  8. 47 prontos-atendimentos;
  9. 199 clínicas;
  10. 172 centros de diagnóstico;
  11. A maior Rede Exclusiva Pediátrica;
  12. Preço baixo;
  13. Hapvida+Odonto – o 3º maior plano odontológico do Brasil, que pode ser conjugado com o plano de saúde;
  14. Call Center 24 horas;
  15. Aplicativo Hapvida – com diferentes serviços médicos remotos, como agendar consulta e exames médicos, além de teleconsultas.
  16. Site completo.

E por fim, agora que você já sabe tudo sobre o Hapvida, saiba onde contratar o seu plano também.

Onde contratar um plano de saúde para pós-graduandos do Hapvida?

Se você está pensando em contratar um plano de saúde estudantil da maior operadora de saúde do Norte e Nordeste, o Hapvida, e não sabe onde, conheça o nosso parceiro Joov, uma plataforma 100% online de venda segura de planos para estudantes, com preços baixos, zero fidelidade e burocracia mínima.

Converse com o Joov, e encontre um plano de saúde sob medida para você!

Carta conjunta das entidades estudantis convoca atos pelo impeachment de Bolsonaro

Carta conjunta das entidades nacionais estudantis, lançada na tarde deste sábado, convoca a sociedade à participação nos diversos atos pelo Fora Bolsonaro. Lideranças da ANPG, UNE e UBES irão participar dos atos deste 12 de setembro com o objetivo de estabelecer relações e ampliar as mobilizações em defesa da democracia e pelo impeachment em atos unitários a serem realizados.

As entidades compõem a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que já organizou quatro grandes atos de caráter nacional pelo impeachment nos últimos meses, e não participaram da convocação da mobilização do dia 12. No entanto, com os acontecimentos de 7 de setembro, quando Bolsonaro e a extrema-direita realizaram manifestações de caráter golpista, entendem que há uma mudança no quadro político que impõe a necessidade de união de amplos setores para criar uma barreira contra tentativas de ruptura institucional.

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, nem mesmo a carta de recuo divulgada por Bolsonaro deve desmobilizar as manifestações. “Bolsonaro é e sempre foi um golpista autoritário. Seu recuo é à espera de oportunidade. O que o Brasil viu no 7 de setembro é de uma gravidade inédita: o presidente da República convoca os brasileiros à violência e à ruptura. O momento é gravíssimo e é nosso dever criar uma barreira intransponível em defesa da democracia. Por isso, a ampliação deste dia 12, que inicialmente foi convocado por setores conservadores não bolsonaristas, deve construir pontes para atos unitários que juntem multidões, de todas as opiniões políticas, pelo impeachment de Bolsonaro!”

 

LEIA ABAIXO NA INTEGRA A NOTA E A CARTA

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ESTUDANTES ÀS RUAS PELO FORA BOLSONARO

Leia o PDF AQUI

São Paulo, 11 de setembro de 2021.

Nota da UNE, UBES e ANPG sobre os próximos passos do #ForaBolsonaro

O ano de 2021 tem sido marcado pelas consequências da política genocida e antidemocrática de Bolsonaro. Pelas decisões políticas do Governo Federal, o país tem enfrentado aprofundamento da  crise econômica, social e política, com aumento do desemprego, da vulnerabilidade social e fome, além dos desafios impostos pelo retorno às aulas presenciais e continuidade das pesquisas. E mesmo com esse cenário, na semana que o Brasil se aproxima da marca de 600 mil mortos pelo coronavírus, Bolsonaro tem como agenda prioritária inflar a população para uma ruptura institucional, como mostrou no último dia 7 de setembro, agravando, ainda mais, a instabilidade das instituições democráticas ao mesmo tempo em que negligencia a morte e a fome que atingem milhares de brasileiros. Por isso, mais do que nunca, é fundamental reunirmos amplos setores pelo Fora Bolsonaro.

Afirmamos que as entidades estudantis não organizam e não convocaram as manifestações do dia 12, apesar de reconhecerem a importância de todas as iniciativas em curso que tenham como centro a defesa do Fora Bolsonaro. Neste sentido respeitamos todos os dirigentes das entidades que decidam participar dos atos. Trabalharemos, em conjunto com a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, para que a próxima manifestação nacional #ForaBolsonaro, com indicativo de acontecer no dia 2 de outubro, seja ampla, unitária e que reúna todos que defendem esta pauta.

Assim, convidamos toda a rede do movimento estudantil – CAs, DCEs, DAs, grêmios, APGs, coletivos, federações e executivas de cursos – a se juntar às Entidades Estudantis Nacionais pelo Fora Bolsonaro, a assinar o manifesto dos estudantes brasileiros e construir um calendário de lutas e mobilizações estudantis pelo impeachment do presidente.

 

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CARTA AO BRASIL – ESTUDANTES PELO FORA BOLSONARO

A nossa geração enfrenta hoje o momento mais difícil de sua história. A convergência da crise econômica e social, evidente pelos altos índices de desemprego e número de brasileiros em situação de pobreza, com a crise política, diante das revelações das ações criminosas do governo Bolsonaro, têm levado ao seu enfraquecimento. Enquanto milhares de brasileiros perdem suas vidas, enfrentam a fome e se vêem impedidos de acessar as escolas e universidades, o presidente concentra sua energia em inflar seus apoiadores a apoiar um golpe de Estado.

Como Inimigo número 1 da democracia e das instituições, ele tentou levar milhares de manifestantes às ruas no último dia 7 para deflagrar um golpe de Estado. Não bastassem os escândalos e crimes em série cometidos por seu governo, os quais vieram à tona por meio da CPI da COVID, Bolsonaro, ao utilizar-se de um discurso de ódio, incitando a violência contra adversários políticos, ministros da Suprema Corte e deslegitimar os poderes da República, comete verdadeiro crime de responsabilidade e cria um clima de hostilidade e violência política que há muito não se via no Brasil.

E a única saída capaz de deter a sanha golpista de seu governo e seu projeto de destruição nacional é a mobilização nas ruas. Já fomos milhões nas ruas em defesa do Brasil e a gravidade do momento exige que ampliemos essa unidade.

E mais uma vez, a história convoca os estudantes brasileiros a continuarem seu papel de protagonismo nesse processo. É hora de mobilizarmos a rede do movimento estudantil em grandes passeatas. Defender as liberdades democráticas e a União Nacional dos Estudantes contra qualquer ataque autoritário. É preciso dar continuidade a esse processo de mobilização com responsabilidade, coesão, unidade e amplitude. A ampliação da oposição ao governo Bolsonaro nas ruas inaugura uma nova fase da nossa luta, e cria mais condições de vitórias do que nunca.

Por fim, reafirmamos nossa posição pelo impeachment de Bolsonaro e convocamos os estudantes, CAs, DCEs, DAs, grêmios, APGs, coletivos, federações e executivas de cursos, a se somarem à essa luta. Este governo tem aprofundado as consequências das crises enfrentadas, e não apresenta qualquer saída para a melhora da vida do povo em nosso país. Derrubar Bolsonaro é tarefa primordial da nossa geração! #ForaBolsonaro

Helena Augusta Lisboa de Oliveira
Diretora de Juventude

Recebi um e-mail de uma famosa Sociedade Química estrangeira. No e-mail, havia um convite para um evento online sobre a participação de mulheres na ciência, em tempos de pandemia. Atraída pela temática, corri para me inscrever. Estava com boas expectativas sobre o evento nessa Sociedade de tanto renome. Imaginei que eles trariam oportunidades para mulheres, trariam empatia para o que passamos, falando da competitividade cruel a que somos submetidas desde crianças, trariam propostas de caminhos para uma sociedade mais igualitária, com mais justiça social. Não imaginei que eles iriam me surpreender tanto.
Para começar, o único homem da seção era quem estava liderando as falas. Até aí tudo bem, nenhuma novidade, mas, puxa, num evento sobre empoderamento de mulheres! Mas “beleza”…
No decorrer do evento, mulheres falavam sobre como alcançar posições elevadas. As “dicas” eram sobre como se comportar, como se vestir, qual maquiagem usar, como falar. Foi me dando uma angústia… Até que as dicas começaram a chegar no sentido de “acolher” e “apoiar” as concorrentes à uma vaga. De uma maneira nitidamente falsa, mas que deixasse transparecer que você é uma pessoa de “bom coração”.
Nada foi falado sobre as estruturas machistas, racistas e preconceituosas a que somos submetidas, e que alimentamos com esse tipo de pensamento, que coaduna com a competição e inequidade social. Nesse ponto, constatei que realmente precisava intervir, por uma questão ética ao ver o quão limitado era aquele debate, de um assunto de dimensão imensamente maior do que aquilo que era trazido. A participação do público era exclusivamente por um chat, com moderação. As perguntas no chat eram ingênuas, dentro daquela mentalidade de que, se a mulher quisesse um espaço, ela que rale, pois a sociedade e aquele grupo, não iriam defendê-la. Eu estava chocada.
Pois bem, escrevi meu comentário checando se eles não iriam questionar as crenças preconceituosas racistas e xenofóbicas, sobre a estrutura que coloca as mulheres nessa condição, de terem que fazer um trabalho multiplicado, se quiserem alcançar iguais posições de homens. De que é papel exclusivo da mulher exercer atividades subservientes. Crenças essas que se reflete também no mundo da ciência, pois o nosso caminho para sermos cientistas sofre impactos dessa cultura doente em todo o seu percurso. Queria verificar se eles não achavam que essa cultura deveria ser atualizada.
Enfim, a moderação não aceitou meu comentário. Não aceitou mais nada que eu falasse. E constatei o tipo de defesa que eles estavam fazendo. Não era à mulher. O interesse era a manutenção dessa estrutura. Provavelmente porque quem se beneficia dela tem desconhecimento genuíno dos seus profundos danos humanos.
Aliviada, porém, percebo um movimento no ar inverso a esse, aqui no Brasil. Aqui há espaço para as sementes florescerem, ainda que tenha muita gente pisando sobre elas, por não compreender. Há mais espaço de fala, ainda que insuficiente, mas em crescimento e em luta constante. Há o surgimento de políticas de equidade, humildes e ineficientes, ainda. Tudo graças a muito sangue, muitas lutas, e muitas vidas. Aí a importância de permanecermos mobilizados e investirmos numa educação humanizada, para construção de um cultura de paz e humanitária, para não perdermos os direitos alcançados, e sermos exemplos a esse outro país que, apesar do destaque na ciência, perde tanto no quesito humanidade.
A temática dessa revista confirma que estamos indo na direção certa, da busca de uma equidade mais genuína. Com muito ânimo e esperança, celebro esse movimento. Sei que ainda teremos batalhas, mas sei que venceremos, pois o que nos move não é o medo, mas o suor e o amor pela humanidade.

 

AS OPINIÕES AQUI VEICULADAS NÃO NECESSARIAMENTE REFEREM-SE AS OPINIÕES DA ENTIDADE E SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES.

São Paulo, 10 de julho de 2021.

São repugnantes e condenáveis os ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral e aos ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre Moraes.
Ao desacreditar e ameaçar o processo eleitoral, Bolsonaro rompe com as fronteiras do que é aceitável na disputa política e coloca-SE como adversário da democracia e do Estado de Direito.
É intolerável! A sociedade brasileira deve se unir, acima de cores partidárias e ideologias políticas, para defender o bem intocável e maior, a democracia.
A unidade é o remédio para derrotar o arbítrio. Viva a democracia! Fora Bolsonaro!

DIRETORIA EXECUTIVA DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUANDOS

Em carta aberta, reitoras, reitores e diretores eleitos e não empossados nas instituições federais de ensino superior cobram das autoridades respeito à autonomia universitária, cuja expressão máxima se dá nas votações realizadas pelas comunidades para a escolha de seus dirigentes.

Os signatários, que lutam contra as intervenções antidemocráticas realizadas pelo governo Bolsonaro nas IFES, querem que se faça valer o voto do Ministro Edson Fachin na ADIN 6565, que vincula a nomeação do dirigente à ordem da lista tríplice.

“As escolhas dos dirigentes máximos das universidades e institutos federais devem seguir os seguintes requisitos: “(I) se ater aos nomes que figurem na respectiva lista tríplice; (II) respeitar integralmente o procedimento e a forma da organização da lista pela instituição universitária; e (III) recaia sobre o docente indicado em primeiro lugar na lista”, apontam, ao conclamar a mobilização em defesa da democracia e da autonomia universitária.

Atualizado em 16 de julho de 2020

Há anos o movimento de pós-graduandos se depara com um problema objetivo para obter um diagnóstico completo do quadro de bolsas de estudos da pós-graduação: a falta de detalhamento quanto à distribuição entre modalidades de bolsas, programas e áreas do conhecimento. 

As informações da maior agência de fomento à pós-graduação do país, que possuem evidente interesse público, sempre foram genéricas, dificultando análises mais aprofundadas sobre o mapa situacional da pós-graduação. Contudo, após a judicialização da Portaria 34, por pedido de suspensão feito pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul na Justiça Federal do mesmo estado, a agência foi obrigada a disponibilizar uma planilha oficial mais minuciosa sobre a atual distribuição das bolsas. O processo, em questão, foi finalizado no último dia 03 de junho, por parte do próprio MPF após recuperação das quase 6000 bolsas ao sistema no mês de abril. 

Foi com base nessas informações que a ANPG iniciou a montagem de um panorama das bolsas da Capes que estão ativas, possibilitando aos pós-graduandos e entidades da área o entendimento sobre os tipos de bolsas, os programas atendidos, sua distribuição geográfica e de áreas do saber.

A Capes disponibiliza quatro tipos de bolsas de estudos: Demanda Social, que atende programas de pós-graduação de nível A, 2,3, 4 e 5 em universidades públicas; Programa de Excelência Acadêmica (Proex), que abrange programas de conceitos 6 e 7; Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares (Prosup) e Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições Comunitárias de Ensino Superior. 

Essas quatro modalidades de bolsas chegam aos estudantes, basicamente, através de duas formas, pelas cotas de programa ou via cotas de pró-reitorias, ambas dirigidas na ponta pelas universidades. Essas bolsas mantêm-se ativas após a conclusão do mestrado ou doutorado realizado pelo estudante que a utilizava, sendo então disponibilizada para que outro tenha acesso, normalmente no mesmo programa, caso seja do primeiro tipo, garantindo assim a continuidade do sistema de pós-graduação, relativamente resguardado de intempéries políticas ou de governos.

A partir de uma análise histórica dos últimos dez anos, com dados das leis orçamentárias de cada ano, é possível perceber que, em termos gerais, o pico de bolsas de mestrado e doutorado concedidas pela Capes foi em 2015, quando havia disponibilidade de 92.146 bolsas no sistema (Figura 1). Ressalve-se que a data também coincide, ainda, com o programa “Ciência Sem Fronteiras”, que custeava estudantes de graduação no exterior e foi ponto alto de financiamento da agência, que chegou a deter R$ 7,45 bilhões de orçamento global, sendo R$ 2,21 bi para as bolsas de estudos (apenas bolsas de mestrado e doutorado). Agora, em 2020, o recurso total da Capes é de R$ 3,76 bi, sendo apenas R$ 1,87 bi alocado em bolsas, o que na prática permite a concessão das 84.076 bolsas atuais. Esse número representa um corte de 8070 bolsas desde 2015.

Figura 1: Histórico dos últimos 10 anos do orçamento global da CAPES, fomento à bolsas de estudos e quantitativo de bolsas por valores de bilhões de reais. Fonte: Lei de Diretrizes Orçamentárias dos respectivo ano e CAPES.

 

Cabe destacar que o atual número de concessões só não é menor em virtude das mobilizações do Tsunami da Educação, que levaram milhares de estudantes às ruas do país em 2019. As manifestações ajudaram na reversão dos sucessivos cortes de mais de 6000 bolsas realizadas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante o ano passado. Além disso, também reforçou a pressão no Congresso Nacional para o incremento do orçamento da CAPES em 2020, pois na proposta original do governo havia redução de quase metade do orçamento (saindo de 4,19 bi em 2019 para 2,2 bi em 2020), o que resultaria na concessão de apenas 47.249 bolsas. Foi a conquista de 1,2 bi, através de emendas aprovadas nas comissões de educação e ciência e tecnologia, que possibilitou o atual número de bolsas 

 

 DESIGUALDADES NA DISTRIBUIÇÃO DE BOLSAS

O número total de bolsas concedidas no início desse ano ainda é confuso, pois a planilha disponibilizada pela CAPES apenas torna públicos o cenário “antes” – já sob as portarias 18, 19 e 21 – e “depois”, após vigência da portaria 34. Essas portarias foram publicadas para implementar um modelo oficial de distribuição de bolsas no sistema nacional de pós-graduação. 

Assim, sem um cenário de distribuição antes da portaria fica impossibilitada uma análise mais profunda sobre real impacto dessas portarias no sistema como um todo. Sem uma cronologia da disponibilização de bolsas, não é possível, por exemplo, comprovar que houve incremento de 3.386 bolsas no sistema, conforme alegado pelo Ministro Weintraub, em 27 de março. Ainda mais que, posteriormente, a CAPES alegou erro no saldo de bolsas, restituindo cerca de 6000 bolsas que foram contabilizadas pelo sistema como bolsas empréstimos. 

O que se sabe oficialmente, pelos próprios dados da CAPES, é que posteriormente às portarias 18, 19 e 21 haviam 80.272 bolsas concedidas, sendo 40.201 de mestrados e 40.071 de doutorado, e que hoje, após portaria 34, há 84.076 bolsas, sendo 41.306 de mestrado e 42.963 de doutorado (Tabela 1).  

Tabela 1. Quantidade de bolsas de estudos concedidas pela CAPES antes e depois da portaria 34, distribuídas por tipos de curso e conceito.

Legenda: Antes = Efeitos das portarias 18, 19 e 20; D= Doutorado; Depois = Efeitos da portaria 34; E = Bolsas empréstimos; M= Mestrado; N = Bolsas por cota de programas e pro-reitoria. Fonte: Planilha CAPES disponibilizada no processo Inquérito Civil nº 1.29.000.001595/2019-65 da Justiça Federal do Rio Grande do Sul .

 

Além disso, ao correlacionar esses dados a partir da quantidade dos programas de pós-graduação (PPG) por conceito, percebe-se a já existente desigualdade na distribuição das bolsas CAPES no sistema nacional de pós-graduação (SNPG). Embora os programas de pós-graduação de nível 3 representem quase 35% de todo o sistema, esses abarcam apenas 8,5% (7.211) do total de bolsas, enquanto os de nível 6 e 7, que correspondem juntos a 11,4%, possuem quase 30% do total de bolsas (Figura 2). Não obstante, os programas de nível 5 são 18% do total de PPGs, mas possuem quase 30% das bolsas. 

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, os novos critérios para alocação de bolsas deveriam ser precedidos de ampliação dos benefícios e das verbas da agência e não o esvaziamento de programas. “Qualquer discussão sobre novo modelo de distribuição de bolsas deveria pressupor novas bolsas e ampliação do orçamento da CAPES e não a retirada de bolsas de determinados programas, de forma repentina. Sem contar as consequências, como a concentração de recursos de fomento nas regiões mais ricas do país e os transtornos aos pós graduandos que já haviam se planejado, deixado empregos, mudado de cidade e de repente se viram sem bolsa de estudo”, afirma.

Figura 2: Distribuição dos programas de pós-graduação no Brasil por conceito. Fonte: GeoCapes2018. Não há dados para programas nível 2 para o GeoCapes 2018, último até a data de publicação da matéria.

 

O SÚBITO CRESCIMENTO DAS BOLSAS EMPRÉSTIMOS

Ademais, percebe-se que cerca de 10 mil bolsas foram transformadas em modalidade empréstimo após publicação da portaria 34. E é justamente aqui que mora o perigo para o sistema nacional de pós-graduação. Essas ditas “bolsas empréstimos” são um terceiro tipo virtual de bolsas, que possuem concessão ativa, mas que, ao término da vigência atual, voltarão ao sistema nacional de bolsas, e, na teoria, serão redistribuídas no sistema. Ou seja, o programa ou pró-reitoria não podem fazer novas indicações de bolsistas a partir delas, como acontece para os demais tipos de bolsas. 

Segundo a CAPES, essas bolsas voltarão ao sistema à medida que forem terminando suas atuais vigências e serão redistribuídas a partir do modelo disposto na portaria 34. Hoje, são 14.761, mas nesse periodo 12.118 bolsas foram convertidas em empréstimos, distribuídas majoritariamente em PPGs 3, 4 e 5 (1975, 4570, 3544, respectivamente) (Tabela 1). 

Assim, é preciso vigilância de toda a comunidade acadêmica e cientifica para que elas não aumentem as estatísticas das bolsas cortadas do sistema. Há ainda um agravante: caso sejam redistribuídas pelas regras da portaria 34, isso poderá significar o colapso desses programas, uma vez que o modelo atual, além de aumentar o teto de perda de bolsas dos programas, privilegia aqueles de maiores conceitos, ampliando a já desigual distribuição de bolsas entre os programas.

“A Capes informa que não houve cortes, mas na prática com a retirada de bolsas de um programa para outro, houve sim. Você pode não ter retirado bolsas do sistema, mas retirou uma bolsa que estava prometida para um pós-graduando. O que tem colocado centenas de pós-graduandos ainda na incerteza do recebimento desse direito”, avalia Vinícius Soares, diretor de Comunicação da ANPG. 

SAIBA MAIS: Essa é a primeira matéria de uma série que a ANPG publicará com base nos dados de destinação de bolsas divulgados pela Capes. Acompanhe no site.

 

 

 

A ANPG tem recebido uma enxurrada de contatos de pós-graduandos, nos últimos dias, denunciando cortes de bolsas de estudos ou relatando situações de desespero e ansiedade com a possível perda do benefício, em virtude dos novos critérios de distribuição estabelecidos pela Portaria 34 da Capes.

A Ouvidoria da entidade já recebeu mais de 80 chamados de pós-graduandos, de diversas áreas e instituições de ensino, que foram notificados do corte após já terem assinado os termos de concessão para o recebimento das bolsas.

“Os pós-graduandos que entraram em contato foram notificados às pressas, não podendo ter qualquer planejamento. Muitos apresentaram que mesmo com o termo de aceite assinado e a entrega dos documentos solicitados dentro do prazo exigido pelos programas as respectivas bolsas foram revogadas, sem qualquer aviso prévio”, relata Elisângela Volpe, advogada responsável pela Ouvidoria da ANPG.

Segundo Elisângela, a revisão de critérios para a distribuição das bolsas proposta pela Capes também pegou as instituições desprevenidas. “A surpresa não parte só dos pós-graduandos, mas também dos programas que tiveram que voltar atrás, após a seleção dos bolsistas”, diz. A Ouvidoria tem coletado os dados para tomar as medidas jurídicas cabíveis aos interesses dos estudantes.

Mais de 150 mil assinam abaixo-assinado da ANPG

A reação entre os pós-graduandos e a comunidade acadêmica contra a Portaria 34 da Capes vem ganhando corpo. O abaixo-assinado digital feito pela ANPG ultrapassou a marca de 150 mil adesões na tarde desta sexta-feira. A entidade também realiza ações junto ao Congresso Nacional, onde já tramitam quatro projetos de decreto legislativo (3 na Câmara e 1 no Senado) para sustar os efeitos da medida. Em consulta pública aberta pelo Senado Federal, mais de 50 mil pessoas já se manifestaram contra a Portaria 34.

Flávia Calé, presidenta da ANPG, denunciou que a portaria vai na contramão do esforço necessário de fortalecimento da ciência em um momento que o mundo é acometido por uma pandemia de efeitos graves. “Vemos com maus olhos essa sinalização de fazer a toque de caixa mudanças tão importantes. A resultante será drástica para a pesquisa nacional, num momento em que apenas a ciência pode salvar o Brasil de sucumbir diante do coronavírus e da crise econômica que nos abate”, afirmou através das redes sociais.

Dramas humanos e deboche do poder público
Por trás de cada reclamação contra os cortes produzidos pela Portaria 34 da Capes existem também aflições pessoais, como o drama da paralização das pesquisas e também o corte da única forma de subsistência de muitos pós-graduandos, já que a dedicação exclusiva aos projetos é uma exigência para obtenção de bolsas.

Insensível às queixas de quem teve seu sonho interrompido, Arthur Weintraub, irmão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, hostilizou um estudante que protestava contra o corte de sua bolsa pelas redes sociais. “Deixou de ganhar a bolsa da Capes para mestrado em direitos humanos na PUC PR? Dedique-se à sua carreira de confeiteiro”, ironizou o assessor especial da presidência.

[pdf-embedder url=”http://www.anpg.org.br/wp-content/uploads/2020/03/PLANO-EMERGENCIAL-PARA-EDUCAÇÃO-UNE-UBES-ANPG.pdf”]

 

Entidades estudantis propõem Plano Emergencial para a Educação em tempos de Coronavírus

O movimento estudantil brasileiro, através de suas entidades nacionais de representação ANPG, UNE e UBES, propôs um Plano Emergencial com medidas que assistem os estudantes de todos os níveis em meio ao período de quarentena para enfrentamento à pandemia de Coronavírus.

O documento intitulado “Plano Emergencial para Escolas, Instituições de Ensino e/ou de Pesquisas durante o Período de Suspensão das Aulas por Conta do COVID-19” defende a recomposição imediata das verbas da Capes e CNPq, suspensão da Portaria 34 da Capes, fortalecimento de Hospitais Universitários, manutenção do funcionamento dos Restaurantes Universitários em conformidade com as medidas para evitar aglomerações, suspensão de mensalidades nas instituições particulares, não obrigatoriedade de adesão às aulas EaD, ampliação das verbas destinadas ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), dentre outras ações do poder público para que os dissentes não sejam prejudicados durante o período sem aulas.

Cada entidade aprovou o documento em sua direção executiva e depois remeteu aos órgãos competentes como reivindicações dos estudantes. Veja abaixo a íntegra do Plano Emergencial proposto pelas entidades estudantis

 

Asssine o abaixo assinado online disponível no link https://bit.ly/RevogaPortaria34 e pedimos que todos assinem e compartilhem para ampliarmos essa mobilização em defesa da ciência, tecnologia e pós-graduação do país.

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A Associação Nacional de Pós-Graduandos ( ANPG) lançou nessa sexta-feira, 20 de março de 2020, seu posicionamento em defesa da imediata revogação da Portaria 34 da CAPES, que dispõe sobre as condições para o fomento aos cursos de pós-graduação no Brasil, o qual na prática implica um modelo de distribuição de bolsas. A entidade também disponibilizou um abaixo assinado sobre o tema.

A entidade representativa dos pós-graduandos externa sua preocupação com um alerta que a medida prolongará o clima de pânico e desesperança que já existe entre os pós-graduandos e todos que integram o sistema nacional de pós-graduação brasileiro. E adiciona que ela aprofundará as desigualdades já existentes entre programas de pós-graduação, áreas de conhecimentos e regiões brasileiras. Além de penalizar os programas mais novos e com conceito 3 e 4 e tirar os instrumentos necessários para que esses programas possam progredir na próxima avaliação quadrienal. E lembra, ainda, que isso agravará ainda mais o cenário de já defasagem significativa no orçamento da CAPES e quantitativo de bolsas, que já somam quase 8000 perdidas em consequência dos cortes, associado ao fato de menos de 50% de bolsistas no sistema nacional de pós-graduação.

O posicionamento da diretoria da ANPG endossa as vozes das entidades acadêmicas e científicas, como o Fórum de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (FORPROP) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), além da Sociedade Brasileira Pelo Progresso da Ciência e da Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais, pela revogação da portaria e no apontamento da ausência de debate amplo e democrático para publicação da medida.  Veja abaixo o posicionamento dessas entidades.

ANPG indica também que para discussão de um modelo de distribuição de bolsas é imprescindível a recomposição do orçamento da ciência e tecnologia e educação para, no mínimo, patamares de 2014, e que se coloquem como prerrogativas fundamentais: i) a vigência de um novo modelo apenas para novas bolsas no sistema; ii) valorização dos programas de menor conceito; 3) a melhoria das condições de trabalho dos mestrandos e doutorandos do país.

Assim, o abaixo assinado pretende mobilizar os pós-graduandos, entidades acadêmicas e científicas e todos aqueles que estão preocupados com o desenvolvimento científico nacional para pressionar a CAPES pela revogação da portaria. Entre os pontos pedido no abaixo assinado estão:

–  Revogação imediata da portaria 34 da CAPES

  – Liberação do sistema de bolsas para indicação dos novos bolsistas e renovação das já implementadas.

 – Recomposição de todas as bolsas perdidas em 2019 e o seu reajuste em valor integral.

 

O abaixo assinado online está disponível no link https://bit.ly/RevogaPortaria34 e pedimos que todos assinem e compartilhem para ampliarmos essa mobilização em defesa da ciência, tecnologia e pós-graduação do país.

 

Confira abaixo a íntegra da nota da ANPG

[pdf-embedder url=”http://www.anpg.org.br/wp-content/uploads/2020/03/ANPG-portaria-34.pdf”]

 

Assine o abaixo assinado https://bit.ly/RevogaPortaria34

Veja o posicionamento das demais entidades:

Forprop

Andifes

SBPC

 

Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas