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A cidade de São Paulo, segunda maior da América Latina, sediará entre os dias 3 e 6 de maio, o  23º Congresso Nacional de Pós-Graduandos. O evento será realizado no Campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

São esperados cerca de mil pós-graduandos, estudantes e pesquisadores do Brasil todo. O tema desta edição do CNPG são os “Desafios Brasileiros”. O tema será discutido pelos presentes em uma série de conferências e grupos de discussão.  Além de se aprofundar no tema, os delegados presentes deverão, no último dia, participar da Plenária Final.  É nesse momento que são definidas as propostas centrais a serem encaminhadas pela próxima gestão da entidade e é eleita a nova diretoria.

O objetivo principal do congresso é estimular a discussão e o debate sobre os rumos da ciência no Brasil, além de tratar de temas presentes no cotidiano dos pós-graduandos, como a licença-maternidade plena e os valores das bolsas acadêmicas.

Como participar

Para participar do congresso, basta se inscrever em formulário que será disponibilizado neste site na próxima semana. Os(as) pós-graduandos(as) que tiverem interesse em participar como delegados(as), ou seja, que têm direito a voto, devem seguir as orientações do regimento. O regimento já está disponível neste link.

Confira nele como realizar a eleição de delegados para o congresso. As Associações de Pós-Graduandos (APGs) de todo o país estão desde já convocadas a realizarem o processo de eleição dos(as) delegados(as) e mobilização para o 23º CNPG. Baixe a Ata de Eleição de Delegados.

Mostra Científica

Assim como em outas edições, o Congresso Nacional de Pós-Graduandos contará com uma mostra científica, onde pós-graduandos de todo o Brasil podem apresentar seus trabalhos. As normas para submissão de resumos podem ser conferidas no Edital da 4ª Mostra Científica da ANPG, disponível neste link.


Programação

O Ministro de C,T&I, Marco Antônio Raupp, já é um dos nomes confirmados para o CNPG. Além dele,  o membro da comissão de elaboração do PNPG e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), José Fernandes Lima e o secretário Executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), Mário Theodoro, também estarão presentes.

Ainda aguardam confirmação nomes como o da filósofa da USP, Marilena Chauí e do neurocientista Miguel Nicolelis. 

Desafios Brasileiros

O tema do 23ºCNPG remete aos Desafios Brasileiros colocados no Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020. São 12 áreas em que a formação de recursos humanos qualificados se faz extremamente necessária para que o Brasil não dependa de transferência de conhecimento de outros países. São elas: Água; Energia; Transporte; Controle de Fronteiras; Agronegócio; Amazônia; Mar; Saúde; Defesa; Justiça, Segurança Pública, e Criminologia; Programa Espacial; Desequilíbrio Regional.

 

Da Redação.

O Projeto de Lei nº 691/2007, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que destina recursos para educação, ciência e tecnologia, será analisado amanhã (14), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, depois de cinco anos aprovado no Senado Federal.

Trata-se do projeto que altera o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), determinando mais recursos para educação, elevando o percentual atual de 18% para 20% no mínimo do dinheiro aplicado no fundo. Ao mesmo tempo, o projeto cria um percentual de 10%, no mínimo, dos recursos para ciência e tecnologia (C&T). Até então, as áreas de C&T não eram contempladas pelo fundo, instituído em 2000 pela Lei 9.998.

Corte no orçamento e Jornada de Lutas

Em recente corte no orçamento, a área de C,T&I perdeu 22% do seu orçamento e Educação 5,5%. Neste cenário, iniciativas que visem reverter esse quadro são vistas como positivas pela ANPG.

Também em busca de mais recursos, a ANPG está organizando, em conjunto com as entidades estudantis, UNE e Ubes, a Jornada de Lutas 2012. As principais reivindicações são: a destinação de 10% do PIB e de 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação, ciência e tecnologia.

Aulas públicas, debates, atos políticos e twittaço são algumas das atividades previstas para a semana do dia 26 a 30 de março.

Receita do Fust

A fonte de recursos do Fust é proveniente de dotações designadas na lei orçamentária anual da União e de recursos cobrados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) como condição para a transferência de concessão de permissão ou de autorização de serviço de telecomunicações ou de uso de radiofrequência; e de contribuições de 1% sobre a receita operacional bruta (das empresas) decorrente de prestação de serviços de telecomunicações nos regimes público e privado, dentre outras.

 

Com informações do Jornal da Ciência.

Acontece nesta quinta-feira (15) o Colóquio “A Organização da Pesquisa na USP”.

Organizado pelo Instituto de Física da USP, a atividade está marcada para às 16h, no auditório Abrahão de Moraes.

O Palestrante é o  Prof. Dr. Marco Antonio Zago, Pró-Reitor de Pesquisa da Universidade.

A entrada é franca e haverá transmissão pela internet. Para assistir, clique aqui.

Veja como chegar na USP: http://www.usp.br/cocesp/?p=37&f=57

 

Da Redação.


 

Projeto Temático "Aspectos Biológicos de Tióis: Estrutura Proteica, defesa Antioxidante; Sinalização e Estados Redox", no Intituto de Biociências da USP abre seleção para pós-doutoramento.

O Projeto Temático “Aspectos Biológicos de Tióis: Estrutura Proteica, Defesa Antioxidante; Sinalização e Estados Redox” oferece uma oportunidade de pós-doutoramento com Bolsa da FAPESP.

O projeto é coordenado pelo professor Luis Eduardo Soares Netto no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.

Os mecanismos pelos quais as células se defendem contra os efeitos tóxicos de radicais livres e espécies correlatas são estudados no laboratório liderado por Soares Netto. Ênfase é dada a uma classe de proteínas denominadas peroxirredoxinas, que inclui tiorredoxinas peroxidases e que tem uma cisteína reativa em seu centro ativo.

“Recentemente, além do papel na defesa antioxidante, essas proteínas têm recebido atenção como mediadores de sinalização redox em muitas vias relacionadas com processos fisiopatológicos”, disse Soares Netto.

A levedura Saccharomyces cerevisiae é utilizada como modelo de estudo entre outros motivos por ser manipulada geneticamente, ter seu genoma sequenciado e pela variedade de ferramentas de genômica funcional disponível. “Temos interesse também na expressão de proteínas heterólogas (por exemplo, proteínas de mamíferos ou plantas) nessa levedura e na investigação do fenótipo resultante”, disse.

Entre outras ferramentas, é utilizada uma coleção de aproximadamente 4 mil linhagens, cada uma com uma deleção em um gene distinto. “Procuramos realizar múltiplas abordagens experimentais, incluindo análises de estruturas cristalográficas de proteínas antioxidantes, utilizando infraestrutura do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron”, disse Soares Netto.

Maiores detalhes das linhas de pesquisa, incluindo artigos publicados, podem ser obtidos em www.ib.usp.br/antioxidantes.

Os candidatos à bolsa deverão enviar para o e-mail [email protected], em formato pdf, até o dia 20 de março de 2012: currículo atualizado, duas cartas de recomendação de profissionais da área e breve relato (máximo duas páginas) da experiência profissional e motivações quanto à função.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP (no valor de R$ 5.333,40 mensais) e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis emwww.fapesp.br/bolsas/pd.

Fonte: Agência FAPESP

No mês de fevereiro, a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, esteve em Havana, Cuba, participando do Universidad 2012: 8º Congreso Internacional de Educación Superior.

No dia 17 de fevereiro, a mesa de abertura contou com a participação de Manuela Braga, presidenta da Ubes, ao lado de entidades como as Federações Estudantis Universitárias (FEU) de Cuba, Uruguai e Colômbia.

Com rica programação, o fórum foi um importante espaço de articulação com entidades dos países da América Latina. A experiência da ANPG, entidade de âmbito nacional de representação dos pós-graduandos, foi de grande valia para os presentes, que foram incentivados a constituir associações semelhantes em seus países.

Durante o Congresso, a Organização Caribenha e Latino Americana de Estudantes (OCLAE) realizou a reunião de seu secretariado-geral, da qual a ANPG faz parte. Na ocasião, foram apresentadas as atividades do próximo período, como a Rio+20 e a convocação geral para Jornada de Lutas em março deste ano. A diretora de Comunicação da ANPG, Luana Bonone, aproveitou a oportunidade para convidar os presentes para participarem do 23º Congresso da ANPG.

Rio+20

A próxima Cúpula da Terra Rio+20 – oficialmente designada como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – acontecerá de 20 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro, Brasil. Tal encontro é uma nova tentativa das Nações Unidas, neste início do milênio, para progredir em relação ao compromisso dos Estados e da comunidade mundial com as grandes mudanças deste século XXI. Acontece vinte anos depois da primeira cúpula histórica de Rio de Janeiro, em 1992, e dez anos depois do encontro de Johanesburgo, em 2002.

A comissão organizadora abriu espaço para que entidades organizem atividades autogestionadas durante o evento e a ANPG já se inscreveu. A intenção é montar um estande de recepção/divulgação e organizar miniconferências sobre C&T e meio ambiente.

Jornada de Lutas e Campanha de Bolsas

Compondo as atividades da Jornada de Lutas das entidades estudantis, cujas reivindicações principais são: a destinação de 10% do PIB e de 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação, ciência e tecnologia, a ANPG convoca todas as APG’s e pós-graduandos para atividades pelo Brasil em torno dessas bandeiras e do Reajuste Imediato das Bolsas de Mestrado e Doutorado.

Aulas públicas, debates, atos políticos e twittaço são algumas das atividades sugeridas para serem realizadas nas universidades entre os dias 26 e 30 de março.

As atividades devem ser comunicadas à ANPG através dos e-mails ou perfis nas redes sociais para que sejam divulgadas e posteriormente documentadas.

Fechando a semana de atividades, a ANPG pretende organizar uma audiência pública convocada pelas comissões que tratam de Educação e de Ciência e Tecnologia na Câmara dos Deputados (CEC e CCTCI) para pautar a questão.

Saiba mais sobre a Campanha de Bolsas

Da Redação.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

                                                                                                                                                                                          por Raquel Soares*

Todos estamos cientes da sub-representação da mulher na ciência, predominantemente quando nos referimos a cargos de liderança. Um exemplo elucidativo é o facto de apenas dez por cento dos cientistas contemplados com o prémio Nobel desde a sua criação em 1901 serem do sexo feminino. No entanto, isso torna-se um paradoxo, quando nos apercebemos que o nível de escolaridade da mulher está a aumentar comparativamente ao do homem em todo o mundo. Um número crescente de estudantes do sexo feminino entra nas universidades em áreas tão díspares como as humanidades, a medicina ou até mesmo as engenharias, sendo estes últimos cursos maioritariamente masculinos há pouco mais de dez anos.

Mas como se explica este paradoxo? A principal causa é a pressão que a sociedade exerce na mulher. A ciência é uma actividade apaixonante, que combina a curiosidade característica do Homem com o interesse em descobrir novos caminhos que possam ajudar a humanidade a ultrapassar os problemas quotidianos, sejam eles de índole científica ou tecnológica. No entanto, esta actividade requer um grande esforço por parte dos profissionais. Para além das muitas horas passadas no laboratório, a ciência requer muito tempo de leitura, de reflexão e de discussão.

A somar a estas tarefas diárias, frequentemente os cientistas têm que se ausentar dos seus locais de trabalho para participarem em congressos e reuniões, ou realizarem estágios noutras instituições que são essenciais para a actualização dos conhecimentos e para o sucesso das suas carreiras. O esforço da mulher, particularmente quando tem uma actividade tão cativante como a ciência, é ainda bastante superior ao do homem hoje em dia. A sociedade nas últimas décadas tem vindo a alterar-se, fazendo com que homens e mulheres partilhem as tarefas domésticas. Cada vez mais os homens são capazes de cuidar dos filhos e da organização do lar.

Porém, a mulher continua a ter a seu cargo a gestão destas tarefas familiares. Por isso, torna-se difícil (e por vezes quase incompatível) conciliar a actividade profissional numa área tão absorvente como a ciência, com a vida familiar e social dinâmica da actualidade. Por outro lado, sendo a ciência tão fascinante, facilmente nos embrenhamos no trabalho dias a fio, ficando as restantes actividades do dia-a-dia para segundo plano. 

O que seria da ciência sem as mulheres? De um modo geral, a mulher apresenta várias qualidades fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira científica bem sucedida. Entre estas destacam-se a imaginação, o espírito criativo, a perseverança, o empenho e o entusiasmo. Estas qualidades tornam a mulher um importante impulsionador da ciência.

Neste dia internacional da mulher, é importante realçar a garra que caracteriza as mulheres do século XXI, envolvendo-se sem receio em variadíssimas áreas da sociedade às quais durante muito tempo não tinham acesso. A ciência, pelo seu carácter absorvente, é um dos exemplos paradigmáticos. 

Mas a contribuição da mulher em áreas da ciência como a matemática, a astronomia, a química, a medicina, a agricultura ou a biologia, é já de longa data. Há quatro mil anos uma sacerdotisa na Babilónia dedicou-se ao estudo das estrelas, constituindo uma referência importante para os astrónomos e matemáticos que a sucederam.

O conhecido “banho-Maria” que todos nós usamos diariamente no laboratório, e que contribuiu para o desenvolvimento de muitas áreas da ciência e da indústria, é atribuído a uma química, Maria la Hebrea, que viveu no século I em Alexandria. Já no século XX, o papel das mulheres na ciência tornou-se cada vez mais conhecido. Marie Curie é sem dúvida o caso mais marcante que culminou com a atribuição de dois prémios Nobel (da física em 1903 juntamente com o seu marido, e da química em 1911, pela descoberta de dois elementos químicos). 

É verdade que a prevalência de mulheres na ciência tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer até atingirmos a igualdade em número de homens e mulheres na ciência. Será que um dia veremos a versão feminina do estereótipo do cientista de bata branca, com os óculos na ponta do nariz e o cabelo desgrenhado? Esperemos que não! Primeiro porque não é saudável, e em segundo lugar porque o papel da mulher (tal como a do homem) na sociedade não se limita à sua profissão.

A educação dos filhos, por exemplo, é imprescindível e salutar quer para os filhos quer para as mães. Talvez no meio esteja a virtude! Tentemos manter uma vida saudável, tornando compatível uma carreira científica de sucesso com a estabilidade de uma vida familiar que todos desejamos. Não é fácil, mas não é de todo impossível! Evocando Darwin, neste ano em que se comemora o bicentenário do seu nascimento, podemos dizer que a diversidade (neste caso de actividades) é essencial para a evolução. 

*Raquel Soares é  Subdiretora do Ciência HojeProfessora de Bioquímica, Faculdade de Medicina, Universidade do Porto 

 

O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é um dia marcado por manifestações e homenagens mundo afora. Tal data

Embora hoje as mulheres componham metade do total de pesquisadores, sua distribuição é desigual dentro das grandes áreas de conhecimento. No campo de linguística, letras e artes, elas chegam a 67% e nas ciências da saúde, a 60%. Nas ciências exatas, porém, são apenas 33% e nas engenharias, 26%.¹

surgiu pela luta por melhores condições de trabalho, historicamente precarizadas em relação à condição masculina. A realidade feminina ainda é a de quem vive em um mundo com cultura patriarcal. Assim, as mulheres ainda são discriminadas sexualmente, no mercado de trabalho, nos espaços de poder e em todos os aspectos da vida pública. Entretanto, há ícones importantes da contribuição das mulheres em todos os campos, inclusive na ciência.

Mayana Zatz, geneticista pioneira; Káthia Maria Honório, professora da USP – foi a laureada na área de Ciências Químicas na edição 2010 do Prêmio L’Oréal/UNESCO “Para Mulheres da Ciência”; Marilena Chauí, filósofa de reconhecimento internacional; Maria da Conceição Tavares, que chegou a participar da elaboração do Plano de Metas do governo JK; Wrana Panizzi, presidenta da Andifes na ocasião da primeira reunião da entidade com um presidente da República e depois vice-presidente do CNPq, são apenas alguns exemplos contemporâneos.

As mulheres já são maioria dentro das universidades. Entretanto, a realidade é que são minoria em cargos de chefia. Além do mais, estar no campo das ciências significa estar em todas as áreas, e isso ainda não é uma realidade para as mulheres. Os estereótipos ainda são muito fortes dentro da academia (e na sociedade como um todo), de forma que áreas como engenharias e tecnologia ainda são majoritariamente ocupadas por homens.

A jornada tripla de trabalho (estudos, casa e emprego) apresenta-se como obstáculo para a garantia do aumento do número de mulheres à frente de pesquisas de ponta. O Estado não oferece suporte suficiente para que a mulher se desobrigue de funções que lhe foram historicamente atribuídas de forma exclusiva, como o cuidado com os filhos. A menor remuneração delas nos mesmos postos de trabalho que eles e as barreiras sociais também impedem uma participação mais protagonista das mulheres na vida pública.

Ganha força a ideia de que a sociedade precisa avançar em termos de emancipação das mulheres, desde o que as nossas crianças aprendem e apreendem (afinal, as meninas brincam de cozinhar enquanto os meninos brincam de carrinhos), até o que publicamos nos livros de História, onde quase sempre o papel da mulher nos grandes acontecimentos é apagado. Mas, principalmente, é preciso fornecer as condições para revelar os talentos e potenciais oprimidos em séculos de confinamento doméstico.

ANPG para as mulheres

O dia 16 de novembro de 2010 marca uma conquista contemporânea grande importância. Nesta data foi publicada, no Diário Oficial da União, a Portaria n° 220, que concedeu licença maternidade às bolsistas da Capes, nos moldes do que já ocorria com bolsistas do CNPq.

Essa vitória é significativa pelo que representa para as centenas de bolsistas pelo país que passam a gozar do direito de serem mães (ao invés de serem condenadas pelo atraso do seu programa de pós-graduação, como até então ocorria), e também porque se deu sob a presidência de uma mulher à frente da ANPG, Elisangela Lizardo.

Ainda há muito que se conquistar no rumo de uma sociedade onde cada um e cada uma tenha a liberdade de ser o que é, contribuindo para o desenvolvimento coletivo com suas qualidades mais próprias.

Emancipação das mentes

 
Marie Curie, Nobel de Física (1903) e Química (1911).

Neste 8 março, a ANPG se imbui do espírito pioneiro e revolucionário de Marie Curie, a primeira pessoa a ser duas vezes laureada com o Nobel de Física (1903 e 1911), e que almejava transformar a ciência. É com este pensamento avançado e ousado que as mulheres poderão conquistar transformações realmente significativas, para elas e para o conjunto da sociedade, que só tem a ganhar com emancipação de mentes e com a diversidade das qualidades daqueles (as) que a conduzem.

Um belo 8 de março a todas as mulheres e a todos os homens que trabalham por um Brasil democrático e um povo livre!

História do 8 de março

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho parada de dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

 

ANPG

 

¹ Os dados são do estudo “A participação feminina na pesquisa: presença das mulheres nas áreas do conhecimento”, conduzido por Isabel Tavares, coordenadora da área de iniciação científica do CNPq. Ela se baseou em números de 2006 do Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) da instituição, da Plataforma Lattes e da Coleta/Capes.

Neste 8 de março, a ANPG relembra alguns fatos históricos marcantes protagonizados por mulheres.

1788 – o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

1792 – Inglaterra

Mary Wollstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Vindication of the Rights of Woman (A Reivindicação dos Direitos da Mulher) – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.

1827 – Brasil

Surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas a elas.[2]

1832 – Brasil

Nísia Floresta.

1840 – Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.A brasileira Nísia Floresta, do Rio Grande do Norte, defendia mais educação e uma posição social mais alta para as mulheres. Lança uma tradução livre da obra pioneira da feminista inglesa Mary Wollstonecraft. Inspirada nesta obra, Nísia escreve Direitos das mulheres e injustiça dos homens. Mas Nísia não fez uma simples tradução, ela se utiliza do texto da inglesa e introduz suas próprias reflexões sobre a realidade brasileira. É por isso considerada a primeria feminista brasileira e latino-americana.

1857- Estados Unidos

No dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres.

1859 – surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

1862 – durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

1865 – na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

1866 – No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas

1869 – é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres

1870 – Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

1874 – criada no Japão a primeira escola normal para moças

1878 – criada na Rússia uma Universidade Feminina

1879 – Brasil

As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.

1893 – Nova Zelândia

Pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto.

1901 – o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

1917 – Brasil

A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.

1920 – EUA

Sufrágio feminino.

1922

Bertha Lutz fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF).

1928 – Brasil

O Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres. Elas foram às ruas, mas seus votos foram anulados. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lajes – RN.

1932 – Brasil

Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras.

1937/1945 – Brasil

O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: "luta de qualquer natureza, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol". O Decreto só foi regulamentado em 1965.

1945

A igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.

1949

São criados os Jogos da Primavera, ou ainda "Olimpíadas Femininas". No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro O Segundo Sexo, no qual analisa a condição feminina.

1951

Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.[9]

1962 – Brasil

É criado no dia 27 de agosto foi sancionado o Estatuto da Mulher casada, que garantiu entre outras coisas que a mulher não precisava mais de autorização do marido para trabalhar, receber herança e em caso de separação ela poderia requerer a guarda dos filhos.

1975 – Argentina

Reconhecendo a gravidade da situação da mulher no mundo na época, a Assembléia Geral da ONU proclamou que 1975 seria o Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação.

1979 – Brasil

Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora, por falecimento do titular da vaga.

A Convenção para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher foi adotada pela Assembléia Geral.

A equipe feminina de judô inscreve-se com nomes de homens no campeonato sul-americano da Argentina. Esse fato motivaria a revogação do Decreto 3.199.

1980 – Brasil

Recomendada a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência doméstica contra a mulher. Surge o lema: Quem ama não mata.

1983 – Brasil

Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM – Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher.

1985 – Brasil

Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher – DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

1985 – Nações Unidas

É criado o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), em lugar do antigo Fundo de Contribuições Voluntárias das Nações Unidas para a Década da Mulher.

1987 – Brasil

Criação do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro – CEDIM/RJ, a partir da reivindicação dos movimentos de mulheres, para assessorar, formular e estimular políticas públicas para a valorização e a promoção feminina.

1988 – Brasil

Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.[9]

1993

Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.

1996 – Brasil

O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.

2006

Sancionada a Lei Maria da Penha. Dentre as várias mudanças, a lei aumenta o rigor nas punições das agressões contra a mulher.

O Parlamento pasquistanês aprova mudança na lei islãmica sobre o estupro: a lei exigia que uma mulher estuprada apresentasse como testemunhas quatro homens considerados "bons muçulmanos" ou, caso contrário, enfrentaria acusações de adultério.

A nova lei tira este crime da esfera das leis religiosas e o inclui no código penal.

2010

Brasil elege a primeira mulher para o cargo de Presidente da República: Dilma Rousseff. 

ANPG 

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai acrescentar, na plataforma eletrônica Lattes, que traz currículos e atividades de 1,8 milhão de pesquisadores de todo o país, duas novas abas para divulgação pública. Em uma delas, os cientistas brasileiros informarão sobre a inovação de seus projetos e pesquisas; e na outra, deverão descrever iniciativas de divulgação e de educação científica.

Com a mudança, cientistas de todos os campos de investigação deverão descrever, na Plataforma Lattes, dados sobre a organização de feira de ciências, promoção de palestras em escolas, artigos e entrevistas concedidas à imprensa – além das informações básicas como dados pessoais, formação acadêmica, atuação profissional, publicações, linhas e projetos de pesquisa, áreas de atuação e domínio de idioma estrangeiros. A intenção do CNPq é aumentar o conhecimento da sociedade sobre as atividades científicas que ocorrem no país.

“No século 21, o cientista reconhece seu papel de engajamento na sociedade. Ele sabe que está sendo pago e financiado e que deve uma prestação de contas sobre o que faz”, disse o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, em entrevista à Agência Brasil. “Ainda há um fosso grande entre aqueles que fazem ciência e aqueles que consomem e financiam a ciência. A sociedade não conhece com profundidade toda a riqueza com que a ciência brasileira tem contribuindo para o desenvolvimento nacional”, avaliou.

Segundo Oliva, passou a ser papel dos cientistas dar publicidade às atividades de pesquisa, mostrar experimentos e explicar projetos para o público, e ligar o trabalho a inovações que contribuam com as políticas públicas e até mesmo para a criação de novos produtos a serem lançados no mercado.

A mudança na plataforma Lattes poderá ocorrer em até dois meses. O modelo e a funcionalidade das abas já estão formatados e respeitarão as regras de transparência de informações públicas. O CNPq muda já na próxima semana o portal www.cnpq.br que, entre outras funções, permite acesso à plataforma Lattes.

Os novos dados informados serão considerados pelos 48 comitês de avaliação do CNPq quando forem aprovar projetos de pesquisa e conceder bolsas de estudo a professores e estudantes universitários. O conselho terá indicadores para avaliação dos trabalhos científicos em quesitos de inovação e de produção em divulgação científica, como ocorre hoje com a cobrança de publicação de artigos científicos, os papers, em revistas especializadas, inclusive do exterior.

Desde junho do ano passado, o CNPq exige, na submissão eletrônica das propostas de pesquisa e nos relatórios eletrônicos de concessão científica, que sejam descritos, “em linguagem para não especialistas”, a relevância do que está sendo proposto e os resultados atingidos. “Com isso, eu passo a ter um banco fantástico para alimentar [com dados] os jornalistas”, promete o presidente do CNPq. Segundo Oliva, o sistema terá busca de projetos e relatórios por palavras-chave, instituição e área geográfica. Por ano, cerca de 15 mil propostas de pesquisa são recebidas pelo conselho no edital universal (para todas as áreas do conhecimento).

Com a divulgação das propostas e relatórios, a expectativa de Oliva é despertar o interesse de “jovens talentos” para a ciência e criar uma nova cultura acadêmica em quatro anos – aproveitando o aumento significativo de novos mestres e doutores formados no Brasil. Na década passada, esse número dobrou, tendo atingido mais de 50 mil em 2009.

Além de mudar a cultura no ambiente acadêmico, o presidente do CNPq imagina que a divulgação de trabalhos e a educação científica possam alterar o comportamento social. “As pessoas têm que usar a ciência no dia a dia. Entender, por exemplo, que há relações de causa e efeito”, observou. “Educar para os valores da ciência e para o método científico na vida pessoal nos protege de extremismos e intolerâncias”, acrescentou Oliva.

Fonte: Agência Brasil

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Análise de cartas trocadas entre Oswaldo Cruz e outros médicos renomados no início do século 20 revela incertezas sobre a segurança e a eficácia dos soros e vacinas usados no Brasil, apesar do discurso público de total confiança nesses produtos.

Por Thaís Fernandes


Análise de cartas trocadas entre Oswaldo Cruz e outros médicos renomados no início do século 20 revela incertezas sobre a segurança e a eficácia dos soros e vacinas usados no Brasil, apesar do discurso público de total confiança nesses produtos.

Embora o conhecimento científico muitas vezes se apresente de forma inquestionável, seu processo de construção e consolidação é marcado por divergências. No início do século 20, por exemplo, cientistas liderados pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz esforçavam-se para atestar publicamente a segurança e a eficácia dos soros e vacinas usados no Brasil. Mas a análise da correspondência desses pesquisadores revela um cenário de incertezas em relação a esses produtos.

A controvérsia presente no processo de desenvolvimento e produção de soros e vacinas brasileiros nesse período foi analisada pelo sociólogo Jorge Carreta, pesquisador do Instituto Federal de São Paulo, em artigo da revista História, Ciências, Saúde: Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Para isso, ele examinou cartas trocadas entre Oswaldo Cruz, seus colaboradores Vital Brazil, Chapot Prévost e Francisco Fajardo e outro renomado médico da época, Miguel Pereira.

As cartas tratavam do uso do soro antipestoso, que estava sendo produzido por Cruz no recém-criado Instituto Soroterápico Federal (que posteriormente deu origem à Fiocruz) para combater e prevenir a peste bubônica. Naquele período, a doença havia se tornado um problema de saúde pública no Brasil e o soro estava começando a ser testado em pessoas doentes e naquelas que tinham algum risco de contrair a doença.

A correspondência analisada mostra que, a despeito da confiança mostrada publicamente por Oswaldo Cruz e seus colaboradores em relação ao uso do soro, vários fracassos ocorreram durante seu processo de produção. “Não havia toda a certeza que eles tentavam transmitir ao público”, afirma Carreta.

O pesquisador conta que Cruz e seus colegas faziam experiências individualmente e depois trocavam os resultados por carta, onde relatavam as reações aos diferentes tipos de soro. “O conteúdo das cartas mostra a incerteza em relação à eficácia e à segurança do soro”, resume. Os principais problemas estavam associados à definição da dosagem correta, aos efeitos colaterais e ao processo de fabricação.

Em uma das cartas, por exemplo, Chapot Prévost relata a Francisco Fajardo o resultado de testes do soro antipestoso com 56 adultos e sete crianças. Ele conclui: “Em suma, de todas as pessoas por mim inoculadas não houve uma só que não apresentasse algum problema podendo ser atribuído ao trabalho de imunização.”

Desconfiança geral

Mesmo não tendo conhecimento desses resultados, a população temia os possíveis perigos dos soros e vacinas para a saúde e mostrava grande resistência em relação a seu uso. Um marco dessa oposição popular foi o episódio da Revolta da Vacina, em 1904, quando as pessoas se rebelaram contra a campanha de vacinação obrigatória, instituída pelo governo federal para combater a varíola.

A oposição popular à vacinação obrigatória reivindicada por Oswaldo Cruz culminou com a chamada Revolta da Vacina, em 1904. Cartuns publicados na época (como o acima) retratam o clima de guerra do momento. (imagem: Arquivo/ Fiocruz)

Essa incerteza não se restringia à população. Até na comunidade médica não havia consenso em relação aos efeitos da administração de soros e vacinas. Muitos médicos colocavam em xeque a própria bacteriologia, em que se baseava o combate às epidemias e cujos métodos eles não consideravam científicos. Em carta a Oswaldo Cruz, por exemplo, o médico Miguel Pereira manifestou suas dúvidas sobre o soro antipestoso – chegando inclusive a mencionar falecimentos em decorrência da imunização – e declarou-se inimigo de seu uso.

A desconfiança em relação ao soro antipestoso aumentou em 1906, quando um dos colaboradores de Cruz, Francisco Fajardo, morreu horas depois de ter injetado em si mesmo o soro produzido pelo Instituto Soroterápico. Embora as opiniões médicas sobre a causa de sua morte fossem contraditórias, a maior suspeita recaía sobre o soro. Mas Cruz continuava enfático ao defender a segurança do uso do produto.

Carreta explica que a adoção do discurso de infalibilidade dos soros e vacinas por Cruz estava relacionada à defesa do projeto do Instituto Soroterápico e de seus planos para a saúde pública brasileira. Além disso, o sanitarista acreditava em sua própria ciência. “Para ele, os acidentes decorrentes da aplicação do soro eram pouco importantes se comparados à quantidade de vidas que seriam salvas”, diz.

O pesquisador ressalta que a atuação de Oswaldo Cruz e seus colegas foi muito importante para consolidar a crença dos médicos e do público nos soros e vacinas. “Apesar de turbulento e controverso, esse trabalho foi fundamental para estabelecer a confiança nos produtos da bacteriologia e o sucesso atual das campanhas de vacinação no Brasil”, avalia.