
A reformulação do currículo do ensino médio está sendo discutida há algum tempo por vários setores da sociedade. Inclusive a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) já tinha em sua proposta formalizar um currículo comum de até 60% e a ANPG também debateu o assunto no seu Fórum de Educação Básica. Agora, à “toque de caixa” e alegando “agenda congestionada”, o Governo apresentará, ainda esta semana, uma Medida Provisória (MP) a ser editada pelo presidente Michel Temer.
A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, reagiu de forma bastante crítica à notícia. “O currículo é algo precioso para a educação básica no Brasil e carece de uma discussão mais aprofundada. Essa medida interrompe de forma abrupta o debate que está sendo realizado na última década e diminui o número de disciplinas”.
Com essas informações, a ANPG se prepara para lançar sua posição oficial enquanto entidade, ao mesmo tempo em que aprofunda a conversa com as demais entidades do movimento estudantil e educacional organizado. “É imprescindível que ocorra um debate para a reforma da educação, principalmente a básica, que é fundamental na construção do tipo de um país que queremos, além de ter interlocução direta com a pesquisa básica. Ela é o primeiro passo”, afirma Naiz.
A presidenta da ANPG ainda afirma que o Brasil deu um grande passo civilizatório em relação à educação na última década e que ele pode ser perdido a qualquer momento. “Nenhum governo ilegítimo conseguirá mudar a educação brasileira para pior sem que haja resistência do povo”, conclui.

A Folha de São Paulo divulgou hoje, 19 de setembro, que a Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, está em primeiro lugar no ranking da RUF (Ranking Universitário Folha 2016). De acordo com a publicação os motivos da boa qualificação estão o crescimento da área de petróleo na última década e a diversificação do perfil do aluno.
A nota da Universidade pulou de 96,74 em 2015 para 97,46 este ano. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, disse à Folha que a Universidade está pulsando, ativa na produção do conhecimento, mas que existem muitas preocupações com o orçamento que criam um ponto de interrogação angustiante.
E apesar da boa notícia, Leher tem que estar angustiado mesmo, há dois dias, 17 de setembro, o Jornal O GLOBO, publicou uma matéria em que afirma que a falta de dinheiro para as pesquisas essenciais está paralisando a ciência no Rio de Janeiro.
Escrita pela jornalista Ana Luiza Azevedo, a reportagem mostra que o Estado do Rio de Janeiro está mergulhado em uma crise financeira abissal. Segundo o texto: “Não há dinheiro para manter os animais essenciais a pesquisas de doenças neurodegenerativas, como mal de Alzheimer. Tampouco há um tostão para o tratamento experimental com células-tronco de pacientes com asma e enfisema sem opção de terapia”.
Ainda de acordo com o que foi publicado no GLOBO, a consequência dessa paralisação será sentida por anos. Tanto que na semana passada a ABC e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) alertaram o governador em exercício Francisco Dornelles sobre os danos. A reportagem também ressalta que este ano, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj), que custeia a manutenção da maioria dos laboratórios do estado, não pagou um centavo aos projetos. Além disso, outro exemplo da emergência são os servidores e o sistema de fibra ótica da RedeRio, que fornece internet a todas as universidades públicas e à PUC, ao Museu do Amanhã, ao Hospital do Cérebro e a todos os centros de pesquisa. Dependem da RedeRio o armazenamento de dados e numerosos estudos feitos em colaboração nacional e internacional que estão a beira de um colapso.
Sobre a colocação da UFRJ: “A ANPG acredita que a avaliação da pesquisa brasileira precisa ser alavancada a partir dos investimentos em pesquisa básica, mas também em setores estratégicos. A UFRJ vem fazendo esses investimentos, principalmente na década dos governos Lula e Dilma”, explicou a presidenta da entidade Tamara Naiz.
Já sobre a situação da pesquisa no Rio de Janeiro “Os governos deveriam entender que os investimentos em educação e ciência e tecnologia não são meros gastos. Eles são essenciais para o desenvolvimento do próprio estado e não deveriam ter as verbas cortadas indiscriminadamente, principalmente no Rio de Janeiro, que tem a pesquisa mais avançada na área de saúde”, afirma Naiz.
Entenda mais:
http://ruf.folha.uol.com.br/noticias/2016/09/1813970-petroleo-e-ensino-levam-ufrj-ao-primeiro-lugar.shtml
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/falta-de-dinheiro-para-pesquisas-essenciais-paralisa-ciencia-no-rio-20128823?

A cidade de Montevidéu, no Uruguai, foi palco do primeiro Fórum de Ciências da América Latina e Caribe – CILAC 2016 que discutiu o desenvolvimento sustentável da pesquisa e a Agenda 2030.
O Fórum teve um caráter de diálogo e contou com plenárias, sessões com temas específicos e eventos paralelos. Participaram de vários painéis e mesas especialistas do mundo inteiro, ministros, reitores das universidades da região, cientistas, pesquisadores, empresários e representantes de organizações internacionais e não governamentais.
O evento que aconteceu no LATU (Laboratório Tecnológico do Uruguai) ainda contou com exposição de pôsteres e instalação de estandes institucionais e visitas técnicas. Mas por toda capital do Uruguai também foram programadas atividades de divulgação da ciência e suas ligações com a sociedade.
Todos os debates gerados no CILAC deste ano geraram um documento com intenções para a elaboração de uma Agenda comum. Este texto tem como intuito organizar as ações e o domínio da ciência que possam contribuir para as mudanças necessárias da América Latina e Caribe. Este documento também será apresentado ao Fórum Ciência Mundo, que será realizado na Jordânia em novembro 2017, como uma contribuição regional para o debate global.
ANPG no CILAC
A ANPG foi convidada pela AUGM, Associação das Universidades do Uruguai, para estarem no Fórum e participarem de forma ativa na construção de um pensamento sobre o futuro da pesquisa. Como primeira atividade, no dia 7 de setembro, a presidenta Tamara Naiz e a diretora Lis Volpe participaram da mesa “A Pós-graduação como estratégia regional na formação de pesquisadores”: “É preciso estar atento e desenvolver um pensamento crítico e sustentável sobre a formação de pós-graduandos no Brasil e na América Latina e Caribe”, contou a presidenta.
A diretoria da ANPG também participou da mesa “A Ciência e a tecnologia para o desenvolvimento: tendência no Brasil” composta pela ABC, SBPC e Unesco Brasil. Outra mesa que contou com a participação da entidade foi a proposta pela REDPOP “Ciência e parlamento: como contribuir para que os tomadores de decisões tomem decisões mais bem informados em temas científicos?” Com a participação de Helena Nader (presidente da SBPC- Brasil), Gabriel Aintablian (ministério da educação- Uruguai), Maritza Urrego (ColCincias – Colômbia), Guilhermo Anillo (sub secretário de CTI de Buenos Aires).
Para Naiz a participação da ANPG foi extremamente importante. “O futuro é de quem detém conhecimento. Por isso esperamos e trabalhamos para que os pós-graduandos compreendam o impacto de sua atuação no mundo que os rodeia. Os pesquisadores devem escolher que tipo de impacto querem causar”, disse.

A sexta edição do Salão da Pós-Gradução, que será realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), inovou este ano. A comissão organizadora que é formada por alunos da pós-graduação, membros da ANPG e APG da UFRGS consultou os próprios alunos sobre os temas que serão discutidos.
Para isso, foi enviado para cada aluno da pós-graduação um formulário para consultá-los sobre suas preferências de temas que estavam divididos em questões mais próprias da vida do pós-graduando e questões mais amplas.
Entre os temas mais amplos, os mais comentados foram: “Produção cientifica/ produtivismo (61,2%)” e “Cortes na verba da pós (46,6%)”. Já na escolha dos temas gerais e trasnversais os escolhidos são: “Internacionalização da pós-graduação (45,2%)”, “Escola sem partido/ sem mordaça (34,9%)” e a terceiro tema ficou empatado entre “Cortes na saúde e Educação” e “Direitos Sociais na Democracia”, por isso os dois se tornaram uma pauta só.
O Salão acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de outubro e terá como eixo central o tema “Por uma pesquisa sem mordaças”. O evento será um espaço para a divulgação, a promoção e o acompanhamento dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos por alunos de pós-graduação da UFRGS e de outras Instituições de Ensino Superior (IES), além de favorecer o diálogo sobre trabalhos em desenvolvimento e discussões acerca de temas de interesse para pós-graduação no Brasil.
A programação completa do VI Salão de Pós-graduação será divulgada em breve e ANPG divulgará assim que disponível.
O projeto de Lei 4559/2016,de autoria do Deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), que visa que os valores das bolsas concedidas pelos órgãos sejam reajustados no dia 1º de cada ano adotando a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado e divulgado pelo IBGE, ainda não tem data para ser aprovado, segundo a assessoria do deputado.
A ANPG tentou contato com o deputado Lobbe Neto para saber em que “pé” está parado o projeto. A assessoria de imprensa do parlamentar afirmou que o Projeto está pronto e foi entregue para a Pauta na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), mas não tem data para ser pautado. Ainda segundo a assessoria, a lei deve receber emendas e substitutivos.
Perguntando sobre que tipo de emendas, o assessor afirmou que “infelizmente” não tem exemplos. O último reajuste no valor das bolsas foi em 2013. A ANPG estará de olho e lutando para que essa lei venha logo à votação. O pós-graduando precisa desse reajuste e de bolsas que incentivem cada vez mais o trabalho de pesquisa no Brasil.
Acontece entre os dias 6 e 9 de setembro, em Montevideu, Uruguai, o primeiro Fórum Aberto da Ciências da América Latina e do Caribe, CILAC, e a presidenta Tamara Naiz junto com a diretora da entidade Lis Volpe estão no evento para discutir de forma crítica estratégias para o desenvolvimento da educação e dos pesquisadores no Brasil e região.
A ANPG foi convidada pela AUGM, Associação das Universidades do Uruguai, para estarem no Fórum e participarem de forma ativa na construção de um pensamento sobre o futuro da pesquisa. Como primeira atividade, no dia 7 de setembro, Naiz e Volpe participaram da mesa “A Pós-graduação como estratégia regional na formação de pesquisadores”: “É preciso estar atento e desenvolver um pensamento crítico e sustentável sobre a formação de pós-graduandos no Brasil e na América Latina e Caribe”, contou a presidenta.
O CILAC traz como temas principais Politicas Cientificas, Desenvolvimento das universidades, Cultivando Ciências e Cidadania, Ciências para Inovação empresarial e uma Agenda sobre ciências até 2030.
A Associação Social e Cultural de Estudantes do Ensino Público e a Federação de Estudantes Universitários do Uruguai apresentaram nesta semana uma carta que em que rechaça o golpe ocorrido no Brasil. Leia a seguir:
“Tras instalarse y elegir sus autoridades la Asamblea General del Claustro (AGC) de la Universidad de la República lamentó este miércoles la destitución de la presidenta de Brasil Dilma Rousseff: «Hoy es un dia triste para nuestra América Latina, otra vez la democracia ha sido violentada y desconocida».
La Asamblea General del Claustro de la Universidad de la República declara:
Hoy es un dia triste para nuestra América Latina, otra vez la democracia ha sido violentada y desconocida.
Otra vez, los mismos intereses que hace más de 40 años nos quitaron la libertad atentan contra una Presidenta electa democráticamente por 54 millones de personas. Otra vez, es violentada con ligereza la soberanía del pueblo latinoamericano.
Este golpe nos duele como nos duele cada día la impunidad todavía reinante en nuestro país. Son los mismos intereses corruptos que no quieren el pleno goce de derechos y libertades de toda la ciudadanía en igualdad de condiciones, a quienes les molesta que Dilma sea una mujer que haya sido investida por los más pobres, los históricamente marginados de la sociedad brasileña.
Hoy nos duele Brasil, pero tenemos claro que la cuestión sigue siendo entre libertad y despotismo.
Tradução:
“Depois de se instalar e eleger suas autoridades a Assembleia Geral do Senado (AGC) da Universidade da República, lamentou nesta quarta-feira a demissão da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff:” Hoje é um dia triste para a nossa América Latina, mais uma vez a democracia foi violada.”
A Assembleia Geral da Universidade da República declara:
Hoje é um dia triste para a nossa América Latina, a democracia foi novamente violada.
Mais uma vez, os mesmos interesses de mais de 40 anos atrás, lavaram a minar o governo de um presidente eleito democraticamente em 54 milhões de pessoas. Mais uma vez é violada a soberania dos povos latino-americanos.
Este golpe dói, como dói a cada dia ainda a impunidade no nosso país. São os mesmos interesses corruptos que não querem o pleno gozo dos direitos e liberdades de todos os cidadãos em igualdade de condições, que estão contra Dilma – uma mulher que tem cuidado pelos mais pobres, historicamente marginalizados na sociedade brasileira.
Hoje no Brasil só há dor, mas está claro que a questão permanece entre liberdade e despotismo.
Para mais informações: http://universidad.edu.uy/prensa/renderItem/itemId/39439/refererPageId/12
Por Teddy Falcão | Edição Ana Bueno

Chega ao fim o questionável e controverso processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, reeleita em 2014 com mais de 54,5 milhões de votos para o seu segundo mandato.
Nos últimos meses o mundo acompanhou um processo deliberadamente político e sem provas contundentes para sustentar a alegação de crimes de responsabilidade praticados por Dilma. Um golpe arquitetado por uma classe política de ficha suja escancarada, com parlamentares envolvidos e até condenados pelos mais diversos crimes. Um conjunto de eventos contestáveis de lamentável afronta à democracia brasileira, agravando ainda mais a crise pela qual o país lutava para sair.
Liderados por Eduardo Cunha, que sem escrúpulos, aceitou o pedido de impeachment à Presidenta Dilma de modo vingativo e decidido a destituí-la do poder que lhe foi conferido pelo voto popular e legítimo. Os deputados federais protagonizaram em rede nacional um dos episódios mais tristes e vergonhosos da história da política brasileira, dizendo “sim” à abertura do processo de impeachment contra Dilma, tirando-a, assim, de seu posto de Presidente da República temporariamente para dar lugar ao vice-presidente. Michel Temer, eleito como vice-presidente da República, assumiu interinamente a Presidência e em menos de um mês aplicou medidas em todas as áreas fazendo o país retroceder de forma significativa, especialmente na área de Ciência, Tecnologia e Informação, pauta do movimento nacional de pós-graduandos.
Três meses depois, 81 senadores totalizaram o quórum da sessão final do processo de cassação do mandato da Presidenta Dilma. Destes, ninguém se absteve, 61 votaram a favor e 20 contra o afastamento definitivo da Presidenta, deixando o posto para o seu vice.
Um processo de impeachment, que mesmo que siga o rito constitucional não apresenta provas contundentes de crimes presidenciais, gera instabilidade ao país e aprofunda incertezas geradas desde o início desse período, levando a questionamentos como: Quais retrocessos já se comprovam desde o afastamento de Dilma? Quais as principais ameaças aos direitos dos pós-graduandos nesse momento? O que os pós-graduandos podem esperar desse novo “governo”?
A Presidenta da ANPG, Tamara Naiz, como militante do movimento estudantil, hoje liderando o movimento nacional de pós-graduandos, acompanhou de perto o processo, e com sentimento de tristeza destaca que “Todos sabíamos que se tratava de um jogo de cartas marcadas, mas mesmo assim foi muito dolorido”, se referindo a forma como foi levado todo o processo até a votação final.
Sobre os já constatados retrocessos ocorridos no período de governo interino de Temer, Tamara afirma:
“Com a extinção do Ministério de Ciência e Tecnologia, a suspensão de bolsas e a promessa de cortes de verbas de quase 50% nas Universidades Federais, os pós-graduandos não podem esperar coisas boas desse governo. Um governo que veio por meio de um golpe. E que mesmo em caráter provisório já tem imprimido diversos retrocessos na educação e na ciência brasileira. Então o que nos espera é uma fase de dificuldades, mas também de muita luta para que a gente continue assegurando e garantindo os direitos de quem cotidianamente ajuda a construir a ciência nesse País.”
Para o Diretor da Anpg, Gabriel Nascimento,
“os pós-graduandos esperam o pior desse governo porque há várias questões sendo colocadas como retrocessos para o próximo período, como a PEC 241, que pretende congelar por vinte anos os gastos com saúde e educação e afixá-los às metas de inflação. O que deverá gerar um desmonte na área de educação no Brasil, o que é muito perigoso, principalmente porque nenhuma forma de investimento será crescente, ao contrário, haverá um congelamento nos investimentos em Ciência no Brasil, o que é muito danoso à nação. Esses retrocessos já foram inclusive colocados em tramitação no Congresso Nacional pelo, então governo interino. Resta-nos esperar para o próximo período uma derrocada de direitos… Um momento muito difícil em relação aos direitos dos pós-graduandos, à Ciência nacional e ao nosso povo”.
Ainda sobre os retrocessos e sobre as principais ameaças aos direitos dos pós-graduandos nesse momento, Tamara cita que
“a suspensão do programa Brasil Alfabetizado e outros cortes representarão imensos retrocessos na Educação. A extinção de vários Ministérios ligados às politicas de Direitos Humanos também representam graves prejuízos na ordem dos direitos do povo brasileiro. Portanto, acredito que as principais ameaças aos direitos dos pós-graduandos, são na verdade ameaças ao desenvolvimento do nosso País e à soberania nacional. Assim como é com os projetos de lei de privatização do aquífero Guarani, o fim do fundo soberano do petróleo, a venda do pré-sal, o fim dos royalties do petróleo para a saúde e a educação, o combate à pobreza e agora as propostas de mudança radical na legislação trabalhista de retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do país.” E finaliza dizendo que “isso afeta todo o conjunto do Povo Brasileiro e para os pós-graduandos, isso não é diferente”.
Mesmo com toda a injustiça e atitudes criminosas dessa classe política no poder hoje, o sentimento é de fortalecimento dos movimentos sociais e chamamento à resistência de quem realmente tem o poder: o povo.
É de Millôr Fernandes a frase “o Brasil tem um enorme passado pela frente”, atualizada para o tempo presente. E para o futuro, uma longa estrada de luta é o que nos resta!
Neste momento complexo da conjuntura brasileira a Associação Nacional de Pós-graduandos, entidade representativa de milhões de pós-graduandos no Brasil, se coloca no lado mais coerente da história e repudia o enredo político que promete levar o Brasil à deposição da democracia tão duramente conquistada e a um retrocesso nos direitos sociais e investimentos públicos no Brasil. Os dias que se avizinham valerão por anos e a sociedade brasileira tende a assistir uns dos ataques mais recentes à nossa nova democracia. Os grandes marcos civilizacionais e os direitos sociais garantidos pela Constituição Federal de 1988 estão em risco.
Está em curso um golpe perpetrado contra uma presidenta que não cometeu crime nenhum, como demonstra amplamente todas as investigações e laudos técnicos apresentados até aqui, tanto pelos peritos do Senado Federal quanto pelas conclusões do Ministério Público Federal. O cenário político permite entrever que o julgamento contra a presidenta é um julgamento contra um colégio eleitoral de mais de 100 milhões de eleitores que, em outubro de 2014, foram às urnas depositar o seu direito democrático e soberano de escolher o próximo presidente da República. Um julgamento sem crime que busca vitimar uma presidenta democraticamente eleita é mais do que um julgamento puramente político, mas é um julgamento que leva o Brasil a uma democracia sem povo e, portanto, à destruição das instituições democráticas. De modo que é preciso que a sociedade brasileira reaja contra a dissimulação daqueles que nunca tiveram responsabilidade com a democracia e a conquista de direitos.
A ANPG completou 30 anos em 2016 e só pôde ser fundada graças a redemocratização do país. Em coerência com nossa história, é de nosso dever repudiar e combater qualquer golpe, mesmo travestido em instituições democráticas que deveriam prezar pela defesa do Estado de direito. De outro modo, um ataque à democracia também coloca em risco os investimentos estratégicos que o país vinha fazendo em ciência e tecnologia na última década.
Outrossim, nos solidarizamos com as questões que envolvem a crise econômica que atravessamos e nos colocamos no esforço de discussão de medidas para o Brasil superar a crise, unindo o povo brasileiro, buscando retomar as obras e projetos para o desenvolvimento do país, incluindo a expansão da pós-graduação e a formação de quadros científicos especializados, bem como continuidade de grandes obras na área de ciência e tecnologia. No entanto, acreditamos que só defendendo a democracia e combatendo essa nociva crise política, faremos o Brasil crescer novamente. Essa luta passa pela defesa de um mandato legitimamente conquistado pela primeira mulher a presidir o Brasil.
Por isso, e por fim, e para repactuar nossa democracia, acreditamos que o povo brasileiro deva ser consultado sobre a realização de novas eleições através de um plebiscito. Se todo poder emana do povo, como apresenta nossa Constituição, que a população brasileira decida os rumos para o país, fortalecendo nosso projeto democrático. O povo é soberano e assim deve ser tratado. A Associação Nacional de Pós-graduandos convida os pós-graduandos e a sociedade brasileira a se mobilizar contra o golpe e se coloca na resistência contra qualquer ataque à nossa ainda jovem democracia.
Associação Nacional de Pós-graduandos, 24 de agosto de 2016
O evento reunirá acadêmicos em torno de debates e reflexões sobre temas “quentes” da conjuntura
A saída para a crise do país por meio da ciência política: este é o mote do 10o Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, que acontece entre os dias 30 de agosto e 02 de setembro de 2016, em Belo Horizonte. Com o tema geral “Ciência Política e a Política, Memória e Futuro”, o evento celebra os trinta anos de fundação da ABCP e os vinte anos de sua efetiva organização no âmbito nacional.
“Com a participação de especialistas nacionais e internacionais, o encontro tentará sistematizar os diversos diagnósticos sobre a crise brasileira e apontar possíveis horizontes para a continuidade da nossa construção democrática”, diz o cientista político Leonardo Avritzer, professor da UFMG e presidente da ABCP.
A RELAÇÃO ENTRE CIÊNCIA POLÍTICA E A POLÍTICA
Entre avanços e desafios que marcam o presente contexto da democracia brasileira, o evento pretende abordar as dimensões complexas e os aspectos contraditórios da relação entre a Ciência Política – campo de produção de conhecimento, de pesquisa e de ensino – e a Política em geral, esteja esta relacionada com as transformações da comunidade política e de suas instituições, com as relações de poder e os conflitos na sociedade, com as diferentes formas de ação coletiva e cooperação, ou ainda com as políticas públicas, seus processos decisórios, sua implementação e posterior avaliação.
Assim, traçar as possíveis contribuições da Ciência Política para a Política, no sentido de pensar caminhos para a saída da atual crise brasileira.
A construção deste balanço deve ocorrer em torno de pelo menos 4 eixos centrais:
- A relação entre o tempo dos políticos (mais imediato) e o tempo da pesquisa (mais longo);
- A relação entre as instituições e a comunidade política, e entre estas e a sociedade civil;
- O democratização e as relações entre Ciência Política e a Política, no Brasil e em vários outros países latino-americanos;
- A noção mais ampla de responsabilidade da Ciência Política, ou seja, a sua contribuição para definir a forma de agir do Estado e dos políticos.
A partir do conjunto de ideias e hipóteses lançadas durante o evento, espera-se que os participantes e convidados de outros países, possam dialogar criticamente, aprofundar conhecimentos, intercambiar resultados de projetos, definir novas agendas de pesquisa e, portanto, contribuir, entre outros, para o avanço da democracia brasileira.
PROGRAMAÇÃO
Durante o evento serão realizados minicursos, mesas redondas, sessões especiais e sessões para apresentação de pôsteres. Dentre os conferencistas estão André Singer (USP), Cláudio Couto (FGV), John S. Dryzek (University of Camberra), Yves Sintomer (Paris VIII) e diversos outros convidados nacionais e internacionais.
Confira os destaques da programação:
Conferência de Abertura | Perspectivas da Teoria Democrática
Quando e onde: 30/8, 18h, Salão Centenário, 1º andar, Hotel Ouro Minas
Moderador: Leonardo Avritzer, UFMG
Conferencistas: John S. Dryzek (University of Camberra) e Yves Sintomer (Paris VIII)
Mesa Redonda | A Ciência Política e a Crise Brasileira
Quando e onde: 31/08, 19h45, Auditório Ouro Preto, Lobby, Hotel Ouro Minas
Moderador: André Singer, USP
Expositores: Leonardo Avritzer (UFMG), Luis Felipe Miguel (UnB), Fabiano Guilherme Mendes Santos (UERJ) e Brasílio João Sallum Júnior (USP).
Mesa Redonda | Regimes Políticos e Política Internacional
Quando e onde: 31/08, 08h30, Espaço Niemeyer, Lobby
Coordenador: Carlos Schmidt Arturi, UFRGS
Debatedor: Marcelo de Almeida Medeiros, UFPE
Expositores: Simone Diniz (UFABC), Timothy Power (Oxford University) e Andrés Malamud (Universidade de Lisboa)
Sessão Especial | Brazil in the International Order: Foreign Policy and Domestic Politics
Quando e onde: 31/08, 10h45, Salão Centenário II, 1º andar
Moderador: Carlos R. S. Milani, UERJ
Expositores: Mahrukh Doctor (University of Hull), Monica Hirst (Univ. Nac. Quilmes) e Feliciano de Sá Guimarães (USP)
Mesa Redonda | A Ciência Política e a Crise Brasileira
Quando e onde: 31/08, 19:45, Auditório Ouro Preto, Lobby, Hotel Ouro Minas
Moderador: André Singer, USP
Expositores: Leonardo Avritzer (UFMG), Luis Felipe Miguel (UnB), Fabiano Guilherme Mendes Santos, (UERJ) e Brasílio João Sallum Júnior (USP).
Mesa Redonda | A crise política e as perspectivas do sistema partidário brasileiro
Quando e onde: 01/09, 08h30, Salão Tiradentes I, Lobby
Coordenador: Yan de Souza Carreirão, UFSC
Debatedora: Luciana Fernandes Veiga, UNIRIO
Expositores: Antonio Lavareda (UFPE), Carlos Ranulfo Melo (UFMG), Jairo Nicolau (UFRJ)
Sessão Especial | As direitas no Brasil e na América Latina: reemergência e significados
Quando e onde: 01/09, 10h45, Salão Centenário I, 1º andar
Moderadora: Maria do Socorro Sousa Braga, UFSCar
Debatedor: João Feres, UERJ
Expositores: Sebastião Carlos Velasco e Cruz (UNICAMP), Luciana Tatagiba (UNICAMP), Cesar Augusto Coelho Guimarães (UERJ) e Cláudio Gonçalves Couto (FGV)
Sessão Especial | South Africa, foreign policy and domestic politics
Quando e onde: 01/09, 10h45, Sala Ibituruna, 1º andar
Moderador: Carlos R. S. Milani, UERJ | ABCP
Expositores: Tawanda Sachikonye (Tawanda Sachikonye), Ongama Mtimka (Nelson Mandela Metropolitan University), Anselmo Otavio (UFRGS), Pablo de Rezende Saturnino Braga (UERJ)
Mesa Redonda| Razões estruturais da crise do Brasil de hoje
Quando e onde: 02/09, 08h30, Salão Centenário III, 1º andar
Coordenador: Eduardo de Vasconcelos Raposo, PUC Rio
Debatedor: Eduardo Antonio Salomão Condé, UFJF
Expositores: Antonio José Junqueira Botelho (IUPERJ | UCAM), Renato Monseff Perissinoto (UFPR), Armando Boito Júnior (UNICAMP)
Sessão Especial | Economia Política da Crise Brasileira: Determinantes e Desdobramentos
Quando e onde: 02/09, 10h45, Salão Centenário II, 1º andar
Moderador: Carlos Eduardo Ferreira Pereira Filho, FGV
Expositores: Marcos de Barros Lisboa (INSPER), Samuel de Abreu Pessoa (FGV), Fernando Limongi, (USP), Marcus Andre Melo (UFPE)
Para ver a programação completa, clique aqui
10o Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política
Quando: de 30 de agosto a 02 de setembro
Onde: Hotel Ouro Minas (AV. CRISTIANO MACHADO, 4001 | BH – MG)
Quanto: As inscrições possuem valores variados. Clique aqui para ver a tabela.
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Sobre a ABCP
A ABCP é uma sociedade civil sem fins lucrativos, de âmbito nacional, que tem por objetivo o intercâmbio de ideias, o debate de problemas, a manutenção de elevado padrão de ética profissional, e a defesa dos interesses comuns da Ciência Política.



