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Foto: Duke School of Medicine

 
Entrevista Exclusiva com Miguel Nicolelis para o site da ANPG
Por Ana Bueno

Nicolelis: O Andar de Novo é mais uma prova de que a Ciência é voltada para a melhoria da humanidade, essa é a Ciência que realmente vale a pena. Esse Projeto é uma prova de que a Ciência brasileira tem condições de competir em qualquer lugar, que somos pesquisadores de alto nível, em comparação com qualquer outro em escala mundial – é só uma questão de investir nos cientistas brasileiros e na produção científica do Brasil, porque o talento humano é abundante aqui. Então, o que nós precisamos realmente é confiar no nosso taco.

O premiado e destacado neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor de Neurobiologia, codiretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), divulgou nesta quinta-feira (11) os resultados de seus experimentos na prestigiada revista científica Scientific Reports, publicação da Nature.

Miguel Nicolelis concedeu entrevista exclusiva à ANPG na tarde desta quinta-feira para nos falar um pouco do feito inédito em pesquisas realizadas aqui no Brasil. É um marco não só para a ciência brasileira como para a ciência mundial.

Nicolelis nos contou um pouco do Projeto Andar de Novo e do início dessas pesquisas e do desenvolvimento do exoesqueleto apresentado ao público na abertura da Copa do Brasil em 2014. O exoesqueleto robótico foi desenvolvido para dar movimentos a pessoas paraplégicas e é controlado somente por força da mente, em testes com oito pacientes (com paralisia total das pernas há anos) recuperaram parte de seus movimentos e sensibilidade nas pernas. Ele destaca que “O projeto foi iniciado em 2013 e a primeira versão do exoesqueleto ficou pronta em março de 2014, agora estamos já no segundo protótipo”.

Sobre a inédita publicação na revista britânica Nature, uma das mais importantes revistas cientificas do mundo, Nicolelis ressaltou que “É um marco, porque mostra que todo esse esforço em desenvolver essas pesquisas nesses últimos vinte anos resultou numa melhora neurológica, o que não era nem parte da expectativa original. Isso faz uma diferença brutal, pois há uma possibilidade de que essa tecnologia vire uma terapia para os pacientes. A melhora neurológica foi o maior destaque! Esses avanços começaram um mês depois da apresentação na Copa do Brasil e é um processo que continua evoluindo”.

A Ciência como agente de transformação social

Em 2003 Miguel Nicolelis foi idealizador de um audacioso projeto que instalou, ao lado de outros cientistas internacionais, no Rio Grande do Norte um instituto internacional de pesquisas neurocientíficas de referência.  Assim, o Instituto Campus do Cérebro foi o primeiro laboratório brasileiro que tinha a ciência de ponta como um agente de transformação social, contribuindo com o desenvolvimento social e econômico de toda uma comunidade sem muitas oportunidades, na cidade de Macaíba, região metropolitana de Natal. Mais tarde, formaram o reconhecido programa Educação para Toda a Vida que apoia desde o pré-natal das mães de seus futuros alunos até o ensino médio. Atualmente Nicolelis é o diretor do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra em Natal (RN).

Foto: Pragmatismo político

Segundo Nicolelis o projeto implementado no Rio Grande do Norte foi a base do Projeto Andar de Novo, no qual visava a Ciência como agente de transformação social. E como destacou Nicolelis: “O Andar de Novo é mais uma prova de que a Ciência é voltada para a melhoria da humanidade, essa é a Ciência que realmente vale a pena. Esse Projeto é uma prova de que a Ciência brasileira tem condições de competir em qualquer lugar, que somos pesquisadores de alto nível, em comparação com qualquer outro em escala mundial – é só uma questão de investir nos cientistas brasileiros e na produção científica do Brasil, porque o talento humano é abundante aqui. Então, o que nós precisamos realmente é confiar no nosso taco”.

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Recentemente, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) recebeu resposta jurídica oriunda da Procuradoria Federal junto à Fundação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) a respeito de uma alternativa frente à situação  da acumulação de bolsas no exercício de 2014, na medida em que houve concessão concomitante de bolsa da CAPES e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), presente no Relatório da Auditoria da Controladoria da União no apontamento de irregularidades e determinação de ressarcimentos.

Diante da posição da Procuradoria Federal, a CAPES tem comunicado às universidades a possibilidade de devolução de bolsa de menor valor para os pós-graduandos que se encontram nesta situação. Integrando os documentos que são objetos da assessoria jurídica que tem acompanhado a ANPG, disponibilizaremos abaixo, com preservação dos nomes e valores referentes a cada estudante, o informe recebido por uma universidade, após resposta da Procuradoria Federal:

“Em virtude de questionamentos sobre a possibilidade de devolução do menor valor entre as bolsas acumuladas, vimos dar ciência do posicionamento da Procuradoria Federal junto à CAPES, por meio do Parecer n.00097/2026/CMF/PFCAPES/PGF/AGU,  do qual destacamos o seguinte trecho:

24. (conclusão)… b) no caso do bolsista apresentar comprovação de que devolveu ao FNDE todo o montante relativo à bolsa do período de acumulação ilegal, a Capes pode avaliar o caso e, mediante decisão fundamentada, entender pela desnecessidade da devolução da bolsa CAPES se não houver qualquer outra irregularidade. (grifos nossos).

Lembramos que para a devolução das bolsas do FNDE, os bolsistas devem seguir as orientações divulgadas na página seguinte: http://www.fnde.gov.br/bolsas-e-auxilios/restituicao-bolsas

Dúvidas sobre os procedimentos de devolução do FNDE devem ser sanadas pelo e-mail: [email protected]

Os bolsistas que optarem pela devolução dos valores devidos à CAPES devem enviar e-mail para [email protected] com o nome completo e CPF, com o assunto Orientação CAPES – Devolução;. As mensagens serão respondidas com as orientações específicas e o valor reajustado pelo IPCA.

IMPORTANTE: Em ambos os casos, a GRU e o comprovante de pagamento devem ser remetidos à Capes somente via e-mail com o assunto da mensagem Devolução – Duplicidade, para o e-mail [email protected] e também para o FNDE, conforme instruções no link acima.

Por derradeiro, lembramos que compete também à Instituição de Ensino Superior e ao bolsista verificar se há novas ocorrências de acúmulos de bolsas, em períodos posteriores aos apontados pela CGU em seu relatório anual, e buscar meios de sanar as possíveis situações de recebimentos cumulativos.
Os valores devidos à CAPES e ao FNDE seguem em anexo.

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Na 165ª reunião do Conselho Técnico Científico (CTC) da CAPES, realizada na última segunda-feira, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), solicitou esclarecimentos em relação à documentação individual entregue pelos pós-graduandos, enaltecendo, na maioria dos casos acolhidos, a defesa de boa fé, a indução ao erro, entre outras alegações como contraditório.

O informe recebido por algumas pró-reitorias e exposto anteriormente neste comunicado trata do Parecer n.00097/2026/CMF/PFCAPES/PGF/AGU. Neste parecer, há o resgate do posicionamento da Diretoria de formação de professores da educação básica da CAPES, diante da Auditoria Interna, quando instada a se manifestar, que a devolução de uma das bolsas recebida seria suficiente para cessar o acúmulo irregular. O parecer atual da Procuradoria Federal junto à CAPES conclui, a partir dos documentos e informações constantes dos autos, que a agência federal (CAPES) somente pode buscar o ressarcimento de valores relativos à bolsa que concedeu.

Deste modo, no informe recente recebido pelas instituições e exposto anteriormente pela ANPG, há a orientação de contato com endereço eletrônico de responsabilidade do FNDE para realização da devolução (em casos da bolsa de menor valor for de concessão do FNDE), assim como o email para contato com a CAPES nos casos da menor bolsa ser da sua competência (custeio oriundo da CAPES e se constituir a bolsa de menor valor a ser devolvida).

Em casos de devolução a partir desta alternativa, ressaltamos que o pós-graduando que optar pela devolução, deve atentar-se na solicitação da CAPES presente no informe acima: o envio da comprovação da devolução de bolsa do FNDE para a CAPES, na ocorrência do pagamento da bolsa de menor valor ser oriunda do FNDE. Destacamos também que o pós-graduando deve manter cópias dos comprovantes de pagamento guardadas para eventuais comprovações pelo período mínimo de 5 anos.

Em relação ao trecho do Parecer da Procuradoria Federal enviado pelas instituições aos estudantes, nos casos de comprovação de devolução da bolsa do FNDE, configurando todo o montante relativo à bolsa do período de acumulação, ressaltamos que a CAPES avaliará o caso e, mediante decisão fundamentada, pode entender pela desnecessidade da devolução da bolsa CAPES, se não houver qualquer outra irregularidade.

Esta alternativa de devolução presente no Parecer surge de questionamento estudantil, também pleito da ANPG e motivação da Diretoria de Programas e Bolsas no País (DPB) na consulta e encaminhamentos feitos. Temos relatos de pós-graduandos que solicitaram no seu contraditório fracionamento do valor a ser devolvido, diante de seu empenho em finalizar esta situação no menor tempo possível, em virtude de qualquer sanção, prejuízo futuro e continuidade de cálculo de juros de mora que incidem nos tributos federais.

Aqui ressaltamos que esta possibilidade de devolução de forma parcelada deve ser averiguada junto aos dois órgãos concedente das bolsas conforme dito em reunião com a DPB, que darão retorno sobre a solicitação de fracionamento após processamento de consultas a este respeito.

A DPB nesta segunda-feira, em relação às questões apresentadas, esclareceu à entidade nacional que a CAPES constituiu equipe mais volumosa para análise da documentação comprobatória individual e devolutiva/retorno às universidades, estas que deverão encaminhar o resultado para seus estudantes. A CAPES reforçou o comprometimento em avaliar todas as defesas entregues e que processará consultas à Procuradoria Federal em casos que apresentam grande volume em sua frequência, podendo originar informes. Contudo, na oportunidade, não foi informado prazo máximo para finalizar a análise das documentações entregues.

Na maioria dos casos que temos tido contato, os pós-graduandos apresentam para a entidade que a identificação de acúmulo é percebida como improcedente (que não houve o acúmulo) ou há discordância da decisão e das providências tomadas pela Capes sobre o caso, inclusive relatado na confecção da defesa individual por escrito, acompanhada de documentos comprobatórios entregues mediante solicitação das suas universidades para encaminhamento.

Assim, temos quadro de pós-graduandos que detém objeções à notificação inicialmente recebida e não desejam proceder, a devolução da bolsa de menor valor no momento, sem retorno substanciado de sua argumentação (já entregue) e partilhas da sua realidade.

Os pós-graduandos que tiverem seus casos apreciados deverão receber comunicado a partir de suas instituições e não diretamente da CAPES. Como visto nesta semana, não houve a finalização de todos os processos recebidos pela agência, como destacado por gestores. Caso o pós-graduando receba a análise da sua defesa individual e a posição da agência for de manutenção da cobrança e restituição do valor, haverá prazo informado e procedimentos orientados, destaca a diretoria. Em casos de não cumprimento, poderá ser encaminhado o caso para outros entes de  responsabilidade frente aos cofres públicos, episódio que não ocorreu até o momento frente ao conjunto de casos.

A ANPG destacou a importância de assegurar o pagamento das bolsas de pós-graduandos bolsistas na atualidade (que estão no momento como pós-graduando bolsista da CAPES) e notificados da acumulação no exercício de 2014. A DPB afirmou, na oportunidade, que nenhuma bolsa ativa de pós-graduando sofrerá suspensão sem análise do contraditório e da defesa individual, grande preocupação dos atuais bolsistas notificados e objeto preventivo de atenção da nossa assessoria, bem como a suspensão da cobrança de devolução de valores recebidos por parte dos bolsistas.

Por fim, ressaltamos, que os pós-graduandos que não entregaram sua defesa entrem em contato com as suas pró-reitorias, no sentido de receber novo prazo junto à CAPES (solicitação também da ANPG na reunião) para apresentação do contraditório. A ANPG continuará atentamente acompanhando esta situação, na interlocução com a agência de fomento, conduzindo medidas que sejam necessárias. Embora não possamos assegurar o desfecho de toda a situação, o que podemos reafirmar é nossa luta.

Todo o trabalho de uma escola deve estar voltado para a realidade que a cerca. É para formar jovens com possibilidade de olhar para o mundo e se desafiar a torná-lo um lugar melhor através do seu trabalho e dos seus conhecimentos. Para que isso aconteça, não podemos confundir o ato de ensinar com a simples ação de transmitir conhecimento. O ser humano não é um robô. Apenas na reflexão crítica sobre a prática poderemos melhorar o mundo, torná-lo mais justo e mais democrático. Esse é o sentido de uma educação libertadora.
Mas, parece que o governo golpista de Michel Temer e seus aliados não concordam com essa visão. Não concordam que a escola precisa ser um espaço democrático, não concordam com a livre organização de todos os setores que compõem a comunidade escolar. Hoje, se debate no Congresso Nacional um perigoso projeto intitulado “Escola Sem Partido”, que recebeu recentemente a simpatia do governo ilegítimo e do seu Ministério da Educação. Ao invés de defender um sistema de ensino livre e crítico, trata-se, na verdade, do contrário. É uma iniciativa de censura e perseguição à liberdade de expressão dentro do ambiente escolar, amplamente garantida pela Constituição Brasileira após o fim da ditadura militar.
Paulo Freire (um dos estudiosos brasileiros mais admirados e traduzidos do mundo) dizia que “constatando, nos tornamos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplesmente a de nos adaptar a ela”. É este o objetivo que a educação deve ter: gerar novos saberes e não permitir que nos adaptemos às injustiças ou que as vejamos como coisas naturais. Mas o ministro de educação prefere receber as propostas de Alexandre Frota do que ler Paulo Freire…
Os parlamentares que defendem o projeto “Escola Sem Partido” são geralmente pessoas não ligadas à formação ou à luta pela educação, mas às bancadas mais conservadoras do Congresso Nacional. O que eles querem, na verdade, é substituir a liberdade de diálogo e de debate de ideias na sala de aula por uma ideologia conservadora. Isso mesmo: o projeto “Escola sem partido” é extremamente ideológico! Nele, não existe imparcialidade nenhuma! É a ideologia dos que querem uma população alienada, dos que não querem que a sociedade mude, mas que continue desigual e injusta.
A “Escola Sem Partido” também tem o objetivo de perseguir os grêmios e entidades estudantis, criminalizando e desrespeitando o corajoso movimento estudantil secundarista que recentemente tem ocupado escolas de todo o Brasil e vem ganhando a opinião pública sobre o real problema da escola, o sucateamento e o descaso em diversos lugares.
O projeto quer impedir de forma ultraconservadora o debate plural sobre temas cruciais como a história, a política, os direitos humanos e o combate às opressões, buscando impedir o exercício de uma pedagogia que possibilite a autonomia dos estudantes e a transformação da sociedade. A verdade, é que não há um único fato histórico que não tenha conteúdo político. Até mesmo a decisão sobre o que vamos ou não estudar na escola é uma decisão política. É necessário, portanto, que se permita o debate, que se apresente a diversidade dos pontos de vista. A “Escola Sem Partido” é a escola de apenas um partido, de apenas um lado (o mais conservador de todos), buscando enterrar a diversidade de pensamento natural na busca de conhecimentos e transformando o processo educacional em instrumento de opressão e de censura.
Aqueles que defendem a “Escola Sem Partido” talvez não conheçam a força do movimento estudantil secundarista. Os estudantes têm opinião e defendem, acima de tudo, a democracia e a liberdade. Por isso seguiremos nas escolas, nas redes e nas ruas denunciando o caráter autoritário deste projeto e lutando pela escola dos nossos sonhos.
Não à “Escola Sem Partido”! Sim à escola democrática!
Camila Lanes, presidenta da UBES

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Foto: Guilherme Bergamini

Do pequi, passando pelo bagaço da cana de açúcar, até os hábitos dos saguis e a tendência de mortalidade por doenças isquêmicas do coração: cabe de tudo na Mostra Científica do 25º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, evento que será encerrado neste domingo, em Belo Horizonte.
Segundo Roberto Nunes Júnior, doutorando em filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco e vice-diretor Nordeste da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), é justamente essa peculiaridade o maior atrativo da mostra. “Ela reúne no mesmo espaço grandes áreas do conhecimento. Permite o diálogo entre elas, algo que é especial na ciência”, afirma. Além disso, segundo ele, a iniciativa é mais um esforço da associação em valorizar a pesquisa produzida pelos pós-graduandos. Ao todo, foram selecionados 27 trabalhos entre as inscrições recebidas.
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Alan B. Dias, mestrando em ciências biológicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Foto: Guilherme Bergamini

Alan B. Dias, mestrando em ciências biológicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), realiza um estudo sobre ecologia vegetal. Ele analisa as mudanças fenotípicas do pequi paulista de Botucatu com o do Centro-Oeste brasileiro. “O menor tamanho da flor pode alterar a fauna responsável pela sua dispersão. Assim, o pequi não seria só polinizado pelo morcego”, descreve. Com o estudo, o mestrando muda um paradigma da ciência, que diz que plantas polinizadas por morcegos não evoluiriam, abrindo caminhos para novas pesquisas e possibilidades.
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Bárbara Fernandes, mestranda da Universidade de São Paulo (USP) Foto: Guilherme Bergamini

Já Bárbara Fernandes, mestranda da Universidade de São Paulo (USP), procura descobrir como reutilizar um elemento extraído do bagaço de cana para aplicações industriais diversas, da área alimentícia à farmacêutica. “É um resíduo agroindustrial muito gerado no Brasil”, explica a estudante. Segundo ela, muitas empresas no país buscam por uma solução para os resíduos que agregue valor e lucro para além do portfólio principal da indústria. E, com isso, a empresa alcança essa meta sem agredir ainda mais o meio ambiente.
A pós-graduanda destaca que por meio da mostra ela consegue interagir com outros pesquisadores do país. “É muito importante para divulgação da nossa pesquisa. Podemos agregar conhecimento e achar projetos parecidos em que um possa alavancar o outro. E o que a gente faz aqui é ciência. Buscamos processos que vão cada vez mais otimizar os procedimentos”, explica.
Esse diálogo entre os centros de estudo, promovido pela Mostra Científica, é um dos objetivos de participação apontados pela mestranda Vanessa de Paula Lopes, da Universidade Federal de Viçosa. “Acredito na união das universidades para fazer pesquisas. Ela amplia o conhecimento e vai interligando os assuntos”, afirma.
Foi em outro congresso em Manaus que lhe foi sugerida a pesquisa morfológica de primatas. Atualmente, ela estuda o intestino grosso da cobra de duas cabeças, o que ajuda a determinar o indivíduo pelo tipo de alimentação e permite fazer uma análise da evolução dos organismos das espécies ao longo da história. Vanessa também desenvolve uma pesquisa sobre hábitos antrópicos de saguis. De acordo com a pesquisa, a espécie procura por sítios para dormir onde homens os alimentavam — contrapondo o instinto animal de se proteger de predadores. A ação humana nesse caso é responsável pela morte desses animais, que não conseguem retornar à caça posteriormente. Dessa forma, será proposta um plano de educação ambiental específica na comunidade.
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Jackeline Lara, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Foto: Guilherme Bergamini

Os resultados do estudo de Jackeline Lara, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também serão guias para uma ação focada na promoção da saúde na cidade. Como parte do seu mestrado, ela traça um perfil das vítimas de leishmaniose. “A letalidade é baixa, mas pode ser evitada. Não é uma doença grave, mas falta diagnóstico”, explica.
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Aldiane Macedo, Unicamp Foto: Guilherme Bergamini

Aldiane Macedo, também da Unicamp, tem uma longa pesquisa pela frente analisando a tendência de mortalidade por doenças esquêmicas do coração em idosos, de Pernambuco e São Paulo, entre 1980 e 2012. As doenças cardiovasculares são as principais causas de mortes no país.
Artênius Daniel, de Belo Horizonte

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Em defesa da democracia, o 25º Congresso Nacional de Pós-graduandos definiu em seu encerramento, neste domingo (12), os rumos da associação nos próximos anos. O evento, realizado entre os dias 10 e 12, na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, reuniu mais de 600 estudantes de todo Brasil, que definiram propostas sobre temas diversos como direitos dos pós-graduandos, política educacional e ciência e tecnologia.
Ao todo, foram encaminhadas 16 moções, votadas por 284 delegados. Dentre elas o repúdio à pauta retrógrada da Câmara dos Deputados, à fusão do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação com o das Comunicações, ao machismo e assédio nas universidades. A ANPG fez uma moção ainda em defesa da educação pública de qualidade e por uma associação estudantil forte, capaz de barrar os retrocessos da “Ponte para o futuro”, programa do governo interino, que, entre outras coisas, indica o corte de bolsas e a cobrança de mensalidades na pós-graduação.
Entre as propostas apresentadas no 25º Congresso estão a construção de um dia nacional de mobilização contra a extinção do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, a defesa de 2% do PIB de investimento para essa área e o reconhecimento da bolsa como direito do pós-graduando.
A proposta mais forte foi elaborada em forma de uma carta final, em que a ANPG se contrapõe ao programa de retrocessos representado pelo governo interino de Michel Temer.
“Em outros períodos de desestabilização democrática, a comunidade científica reagiu e resistiu”, diz o documento.
Para Tamara Naiz, presidente reeleita da ANPG, o 25º CNPG foi muito representativo, porque elegeu 863 delegados de todas as regiões do Brasil: do Amapá ao Rio Grande do Sul. Esse número representa quase 300 mil pós-graduandos, que foram eleitos de forma indireta nas instituições.
“É importante destacar que, pela primeira vez no congresso da ANPG, nós tínhamos 70% de mulheres palestrantes, incluindo três mulheres trans. Todas as mesas foram compostas por elas e algumas eram exclusivas. Isso é uma novidade. A gente sabe que na ciência a maioria absoluta é de homens brancos do Sul e Sudeste”, pontuou Tamara Naiz, presidente da ANPG.
Para a presidenta, as propostas conseguiram dar conta do conjunto de debates feito pela ANPG, como a defesa por mais direitos aos pós-graduandos, o combate ao assédio dentro das universidades, a implementação das cotas, a defesa do MCTI e a crítica ao desmonte das políticas educacionais.
Em breve, as moções e a carta estarão disponíveis no site da ANPG.
Shirley Pacelli, de Belo Horizonte

Tamara reeleita
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Foto: Guilherme Bergamini
Terminou hoje, em Belo Horizonte, o 25o Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduandos, entidade que representa os estudantes da pós-graduação de todo o país. O evento teve início na sexta-feira (10) e contou com a participação de mais de 600 representantes de diversos estados. Ao final do evento, foi reeleita presidenta da entidade a goiana Tamara Naiz, que representará os pós-graduandos brasileiros pelos próximos dois anos.
A chapa de Tamara, “Vamos à luta: ANPG é pra lutar”, recebeu 188 votos de um total de 229 delegados credenciados. Concorreu também a chapa “Amanhã Será Maior: Oposição de Esquerda na ANPG”, que obteve um total de 41 votos. Tamara é a décima mulher à frente da ANPG e a primeira reeleita em 30 anos de história da entidade.
“Tivemos um congresso vitorioso, que conseguiu fortalecer o nosso movimento e que mostrou a nossa capacidade de organização. Os desafios do próximo período serão grandes e precisamos da unidade dos pós-graduandos das universidades de todo país”, afirmou, em referência à luta contra a tentativa de golpe no país.
Para o vice-presidente da ANPG, Cristiano Flecha, a entidade está cada vez mais próxima das lutas dos movimentos sociais e dos trabalhadores “Após este Congresso, devemos seguir em direção a construção de uma greve geral nas universidades brasileiras”, defendeu.
Ao longo do Congresso foram realizados um total de 13 debates com temas envolvendo o papel da ciência na sociedade, as políticas educacionais no Brasil, a integração da América Latina, os Direitos Humanos, a saúde pública, a inovação tecnológica. Foi também realizada uma mostra científica, com dezenas de trabalhos de universidades de todo o país e um ato político com a participação de diversas organizações populares.
QUEM É TAMARA NAIZ

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Foto: Guilherme Bergamini

Nos últimos dois anos, uma jovem voz feminina tem tomado o microfone nas principais manifestações do movimento social brasileiro para falar em nome dos 300 mil pesquisadores e pesquisadoras do país. Ao invés do imaginado protocolo ou da morosidade de um discurso científico, tem trazido uma mensagem enérgica.
Quase sempre ao lado das outras presidentas do movimento estudantil brasileiro (Carina Vitral da UNE e Camila Lannes da UBES), a goiana Tamara Naiz, 31 anos, mestranda da área de História Econômica da Universidade Federal de Goiás defende o crescimento e a massificação do movimento de pós-graduandos, representando todos os estudantes dos programas de mestrado e doutorado no país.
“A ANPG precisa ser uma organização popular, contrariando a ideia de que a ciência e a academia são espaços fechados, inacessíveis. A luta da pós-graduação está diretamente ligada ao futuro do país, está ligada à vida de absolutamente todas as pessoas”, define. Ela acredita que a mobilização dos pós-graduandos é vital neste momento de ataques à democracia nacional. “Somos o movimento social daqueles que produzem conhecimento, que formam opinião, que podem fazer uma grande diferença contra o golpe”, ressalta.
A primeira gestão de Tamara, iniciada em 2014, conseguiu vitórias importantes no país, tanto nas pautas específicas da pós-graduação como em conjunto com os movimentos ligados à educação. Entre elas, estiveram a aprovação do Plano Nacional de Educação, com a conquista dos 10%do PIB para o setor, as cotas raciais na pós-graduação por meio de uma portaria do Ministério da Educação, a mudança nas regras da revalidação dos diplomas de estrangeiros no Brasil e o avanço da luta pelos direitos específicos dos pós-graduandos.
Para a nova gestão que se inicia, além da resistência ao golpe, a entidade enfrenta o retrocesso nas políticas públicas e já encampa, com todas as forças, a mobilização pela volta do Ministério da Ciência e Tecnologia, extinto com o governo interino de Michel Temer. Segundo a presidenta, outros temas de prioridade máxima são o enfrentamento ao machismo e assédio nas universidades brasileiras, o fortalecimento das mulheres, negros e LGBT na academia e a busca pela assistência estudantil na pós-graduação.
Artênius Daniel, de Belo Horizonte

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Foto: Guilherme Bergamini

“Para ocupar o mesmo posto (de um homem) e ganhar o mesmo salário, a mulher tem que estudar oito anos a mais”, alertou Lúcia Rincon, presidenta da União Brasileira das Mulheres (UBM), durante um debate sobre a representatividade feminina na academia no 25º Congresso Nacional de Pós-Graduandos. A discussão, realizada neste sábado (11), escancarou a desigualdade da sociedade patriarcal brasileira para os estudantes.
Lúcia Rincon avalia como “ruim, mas melhorando” a presença das mulheres na academia. A existência delas está marcada pelo conservadorismo. Embora sejam a maioria, continuam concentradas em profissões menos prestigiadas. A presidenta brinca que para se ter um parâmetro bom a fim de se estimar esse pequeno avanço, só mesmo comparando os números de hoje com o do século passado. “Para ter uma melhora substancial a gente tem que buscar para trás, senão não mostra nem muita diferença”, disse.
A presidente da UBM pondera que a presença feminina na faculdade vem aumentando significativamente nos últimos 40 anos, mas que é estigmatizada pelos padrões e cultura patriarcais. “Fica condicionada pelos mesmos elementos: homem, branco, hétero. Eles sempre têm postos melhores. E mulheres são cuidadoras, prestadoras de serviço. A academia vai reproduzir isso também”, explica.
Não se pode ainda estabelecer o raciocínio lógico de que se há mais mulheres com títulos, logo há mais mulheres recebendo mais. Entre os profissionais com nível maior de instrução (13 anos ou mais de estudo), a disparidade salarial entre gêneros chega a 25,6%, segundo a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
Esse perverso sistema machista acaba se retroalimentando. Durante a formação, as referências de autores masculinos são predominantes. Lúcia destaca que é importante dar visibilidade à produção e ação das mulheres. “Mas quase tão importante quanto isso, é combater todo tipo de violência, porque elas excluem”, pondera. Para ela, devido à violência simbólica, as próprias estudantes acabam reproduzindo o sistema.
Diariamente, as pós-graduandas lidam com diferentes tipos de assédio: moral, sexual e físico, nas instituições. “Nas áreas das ciências duras, isso se manifesta de forma mais violenta, inclusive”, relembrou a presidente da UBM. Isso torna ainda maior o desafio de se arriscar por esse ambiente nada acolhedor.
Lúcia observa que do ponto de vista da estrutura acadêmica, várias medidas paliativas podem ser tomadas para combater o machismo nas universidades. Mas que, sob a perspectiva do conteúdo, é preciso que essas instituições absorvam a transversalidade de gêneros nas matrizes curriculares e nas práticas docentes. “Se não, vamos continuar formando gente sob a égide apenas do patriarcado”, finalizou.
A mesa de debate contou também com a presença de Maira Soares Ferreira, pesquisadora da Universidade Federal de Goiás. Ela atentou para a importância de se ter ciência de que existem muitas mulheres produzindo para a academia. “É que somos inviabilizadas. Esses espaços, essas falas e essas produções são desvalorizadas. São subalternizadas”, explica.
Segundo ela, a sociedade perde ao não considerar um conhecimento que existe e que a produção predominante não se interessa por temas importantes como o corpo e a saúde da mulher. “Se a gente chegar a um ginecologista hoje, 2016, e perguntar para ele por que nós temos tanta cólica ou o que é a TPM, ele não sabe responder. Porque não tem produção sobre isso”, exemplifica. Assim, a população acaba não tendo acesso a um conjunto de saberes que já está aí, como a rica cultura da obstetrícia indígena, rural e quilombola, que é desmerecida.
Shirley Pacelli, de Belo Horizonte.

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Foto: Guilherme Bergamini

Qual é o papel do cientista na sociedade? Diante da recente extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pelo governo interino, essa é uma indagação importante, que foi debatida intensamente no sábado (11), no 25º Congresso Nacional de Pós-graduandos.
A conversa sobre esse tema, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, contou com a professora Elisangela Lizardo, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFECTSP) e André Viana, professor da área de inovação e competitividade da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
De forma interativa, Elisangela levou o público a questionar o impacto social de suas próprias pesquisas. O que o estudo, por exemplo, da plurinacionalidade em países da América Latina traz para a sociedade brasileira? “Somos chamados a todo momento para dizer qual é a relevância do nosso tema”, mostrou.
Ao longo da explanação, os pós-graduandos discutiram o fato de que, muitas vezes, só o impacto social ligado à economia ou que resulta em um produto para o mercado é o que ganha os holofotes. Mas afinal, é apenas por isso que a ciência se torna um fator de desenvolvimento de um país? O que faz o número de titulados influenciar na riqueza de uma nação?
Dos participantes do debate vieram as mais diversas respostas: a qualificação do doutorando para intervir na estrutura nacional, à não dependência tecnológica de outros países, o empoderamento e autonomia da população para compreender e transformar a sociedade.
“O cidadão mais formado presta mais atenção. Cobra mais. Ele exige, não pede, o espaço na sociedade. Inclusive nas esferas de governo. Então, ele fiscaliza mais, cobra mais”, avaliou Najó Glória, doutoranda na Universidade Federal de Sergipe.
Foi este o ponto de reflexão que levou a professora Elisangela a uma ponderação: Para ela, um povo que lê mais é menos subalterno, mais consciente. “Consegue compreender a importância das políticas públicas”, ressaltou.
Porém, ela ressaltou que, infelizmente, não é esse o elemento de grande interesse do Estado na ciência. Não é o seu principal objetivo. “O foco quando se fala em inovação é a capacidade de acumular riqueza”, observou.
A percepção da própria ciência como algo distante, endeusado, foi um dos fatores apontados como o grande responsável por essa valoração restrita. Nem toda pesquisa gera um produto final visível. Alguns estudos têm papel indireto sobre a população. “É necessário que a ciência consiga mudar a sua percepção na sociedade”, defendeu o professor André Viana, da UFBA.
Essa realidade se relaciona, de certa forma, a ausência da ciência no ensino básico. Às pessoas não é dito que não existem verdades absolutas e que o conhecimento não foi apenas revelado. “Elas não conseguem entender que a nossa vida é permeada de política e ciência. E que política é ciência”, disse Elisangela.
Shirley Pacelli, de Belo Horizonte