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O 28º Congresso da ANPG elegeu o primeiro presidente pernambucano, LGBTQIA+ e residente em saúde

 

Entre 23 e 25 de julho, aconteceu na UnB, em Brasília, o 28º Congresso Nacional da Associação Nacional de Pós-graduandos, com o tema “O Papel da Ciência Nacional e da Pós-graduação para a Reconstrução de um Brasil Independente”. No encontro, estudantes do Brasil inteiro debateram questões fundamentais para o país como democracia, valorização do pesquisador e desenvolvimento nacional e também elegeram a diretoria para o período de 2022 a 2024.

 

Os estudantes escolheram, em consenso, o nome do pernambucano Vinícius Soares, 29 anos, como presidente. “Entrei para o movimento estudantil em 2011, quando disputei o diretório acadêmico de ciências biológicas da UPE”, conta.

 

Para a próxima gestão, Vinícius reforça que a ANPG seguirá exercendo um papel fundamental na garantia da democracia brasileira. “Até outubro, estaremos vigilantes para que as eleições sejam livres e democráticas. A nossa gestão também estará focada na valorização da ciência e do pesquisador. Isso passa pela continuidade de nossa campanha de reajuste das bolsas de pós-graduação e de recomposição do orçamento do Ministério da Educação e do Ministério da Ciências e Tecnologia.”

 

Conheça Vinícius Soares

 

Rogean Vinicius Santos Soares é o primeiro de sua família a se formar na graduação. Nascido em Recife, Pernambuco, o novo presidente da ANPG sempre teve os estudos como prioridade.

 

Cursou biologia na Universidade de Pernambuco e foi logo no primeiro ano que se tornou pesquisador. “Em 2015, tive a oportunidade de participar do Ciências Sem Fronteiras e fui para os Estados Unidos estudar na Marshall University. Foi uma experiência transformadora e voltei ao Brasil decidido a seguir na carreira acadêmica”, conta.

 

Mestre em biologia celular e molecular aplicada pela Universidade de Pernambuco, Vinícius é atualmente residente de saúde coletiva pelo IMIP-Recife.

 

Esta é a primeira vez que a ANPG terá um presidente residente, pensando nos desafios que foram intensificados com a pandemia da Covid-19 e pela necessidade de fortalecimento e integração do SUS.

 

“Acrescentar essa experiência à direção será essencial nesta nova gestão”, diz Soares, que também será o primeiro estudante LGBTQI+ a assumir o cargo. “É uma honra estar à frente de uma entidade tão combativa como a ANPG.”

 

 

Essencial para retomar os investimentos em Ciência e Tecnologia, é urgente que o projeto de país inclua a valorização dessas áreas para o desenvolvimento econômico e social. 

Para isso, é preciso barrar o projeto de desmonte em curso e a saída passa pelas eleições: com um congresso nacional formado por parlamentares que coloquem a educação e a formação como prioridade para avançar.

Sob essa perspectiva,  o debate “As eleições de 2022 e a urgência de uma bancada da ciência em defesa da pós graduação” realizado na tarde desse sábado (24), apresentou candidaturas femininas, engajadas na produção de conhecimento.

Ana Pimentel, candidata a deputada federal em Minas Gerais (PT), ex-secretária de saúde da Prefeitura de Juiz de Fora, ressaltou que os salários e as bolsas seguem defasadas sem correção da inflação o que torna a vida dos pesquisadores e residentes muito afastada da continuidade.

“Um país que pense a ciência e tecnologia como um projeto deve integrar a universidade pública e o SUS, para oferecer o que a sociedade precisa”.

Ampliar o fomento à pesquisa também está na ordem do dia para um país soberano, que invista em tecnologia. Flor Ribeiro, mestranda em  engenharia biomédicas pela UFPE e pré-candidata à deputada estadual em Pernambuco, defendeu um orçamento próprio do estado para a pesquisa, além daqueles oriundos dos recursos da união.

“Fortalecer os projetos eleitorais, as pautas são debatidas dentro do movimento estudantil e a mudança se dá quando conseguimos levá-la aos espaços de poder”

Ana Prestes, candidata a deputada federal no DF pelo PCdoB, doutora em ciência política e diretora da Fundação Maurício Grabois, lembrou da resistência que as universidades organizam quando regimes de exceção surgem. 

“Além disso, essencial que a nossas propostas estejam organizadas, assim como a ANPG desenvolveu o Plano Nacional Anísio Teixeira, que poderemos levar ao congresso no próximo período.

Olgamir Amancio, professora adjunta da UnB e pré-candidato à vice governadora pelo PT, acrescentou ao debate  a importância de reconhecer a formação de profissionais qualificados para desenvolvimento de país, o que passa também por mudanças na universidade.

“Ainda que avançamos muito no acesso, nós não mudamos os currículos dos cursos, que continuam extremamente conservadores. É preciso mudar a suas estruturas. E por isso que a extensão é tão importante, além da graduação na pesquisa também, para que se vinculem à realidade”.

 

         

Convidados de peso trouxeram luz para a crise brasileira e para enfrentar os desafios futuros

Neste segundo dia do 28º Congresso da ANPG, o debate “O papel da ciência, tecnologia e inovação para retomada da economia e reindustrialização nacional” apresentou as incoerências no modelo econômico vigente no Brasil e o projeto – a ausência de estratégias – que cria pobreza e trava o desenvolvimento.

A presidente da entidade, Flávia Calé, abriu o debate levantando questões sobre desenvolvimento e redução de desigualdades no país e após graduação.

“Como gerar riqueza no Brasil por meio da ciência, emprego de qualidade para “abraçar” essa mão de obra e como a universidade, esse lugar de produção de conhecimento, pode estar vinculado ao desenvolvimento nacional. São esses questionamentos que queremos trocar aqui para buscar repostas e caminhos dentro no nosso Congresso”, afirmou.

O agrônomo Gabriel Colombo, atual candidato ao governo de São Paulo pelo PCB e ex -diretor da ANPG, relembrou que os últimos anos, marcados pelo “lavajatismo,”desmontou as possibilidades de avanços tecnológico em empresas nacionais, como a Petrobras e a Embraer.

“Não devemos ter qualquer ingenuidade que a burguesia retome essa produção de conhecimento e um ciclo de investimento pela soberania. É preciso que as universidades se fortaleçam para responder e melhorar a vida da população”,  alertou.

Elias Jabbour, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ (Universidades Estadual do Rio de Janeiro) , avalia que o enfrentamento  à hegemonia do pensamento neoliberal é o mais  importante caminho para a retomada de desenvolvimento e alertou para o processo destrutivo em curso, em que o Brasil pratica dumping sobre o próprio estado.

“Devemos esquecer a burguesia para o investimento em ciência e acumular forças para um sistema empresarial e financeiro brasileiro, pensando na soberania monetária. Os recursos não devem sair apenas da União, mas desse outro modelo”.

Jabbour ainda acrescentou um caminho para um futuro próximo. ”A partir de 1º de janeiro, com a eleição de um governo progressista, é preciso destravar as 40 mil obras paradas para criar e retomar o desenvolvimento e fazer a economia crescer”.

 Aprofundando os questionamentos sobre a incoerência no sistema financeiro brasileiro, Fernando Peregrino , presidente do Confies (Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológico), alertou sobre o mito do déficit primário, como justificativa para bloqueio de orçamentos e cortes de recursos para educação, ciência e tecnologia.

“ Esse modelo econômico foi criado como uma forma de dominação. Não há qualquer relação entre endividamento do estado por dispender mais recursos para investir.”

Peregrino ainda trouxe dados alarmantes sobre a situação da pesquisa no Brasil atualmente: apenas 1% do PIB é investido em ciência; são 880/milhão de pesquisadores  no país, enquanto o México, como exemplo, tem 6 mil/milhão, além da baixa interação da universidade com a indústria e ainda a baixa qualidade no ensino básico, impacta totalmente a continuidade da formação (hoje o Brasil está na 64º posição no PISA)

 

No pós-pandemia, a saída pela saúde

 

Dalmare Anderson, da Comissão Intersetorial de Ciência, Tecnologia e Assistência Farmacêutica do Conselho Nacional de Saúde – CICTAF/CNS e atual presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Sergipe, trouxe perspectivas da retomada de desenvolvimento pelo viès da saúde, uma vez que atravessamos um período pós crise pandêmica e foram expostas muitas carências brasileiras.

 “O Brasil precisa investir na indústria farmacêutica;. Hoje importamos 90% dos insumos para vacinas, no auge da crise da pandemia, não tínhamos disponível máscaras e luvas  suficientes para proteger profissionais da saúde e população, porque não temos indústria que as produza. Hoje despendemos R$ 20 bilhões em importação de medicamentos, sem gerar um emprego” .

Anderson ainda acrescentou a importância de usar os dados gerados pelo SUS para fortalecer e a indústria farmacêutica; a partir do atendimento de saúde básica é possível planejar a fabricação de medicamentos e a distribuição adequada.

 

 

 

Debate de abertura do encontro neste sábado (23.07) traçou caminhos para a (re)construção da soberania

 

Depois de quatro anos sem um Congresso presencial, a ANPG “quebrou o jejum” dos encontros calorosos neste sábado, 23.07, e deu início ao seu 28ª edição do Congresso Nacional de Pós Graduandos, na UnB (Universidade de Brasília).

Como em sua fundação, o Congresso da ANPG acontece em paralelo a Reunião Anual da SBPC ( Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência), em sua 74ª edição neste ano.

Com a participação total de 44 universidades, em 15 estados, a vice-presidente da entidade, Stella Gontijo, ressaltou a capilaridade das APG´s no último período.

“Mesmo em um cenário tão desafiador, os pós graduandos demonstram que são ativos e possuem muita disposição para se organizar para a reconstrução do país”, disse.

 

Regido pelo marco do bicentenário da independência do país, o debate inicial do Congresso trouxe participantes de diversas frentes, envolvidos com a educação e a pós-graduação  para apresentar propostas para construir um Brasil independente.

 

A reitora da UnB, Márcia Abrahão Moura, homenageada pela ANPG pela contribuição e parceria com as lutas da entidade, alertou que a essência para reconstrução deve ter princípios claros, pautados pela democracia.

“É preciso uma grande união de quem acredita em um país democrático, em investimento em educação e na importância da Ciência”. 

 

 

Fernando Morais, presidente do Sindicato dos Servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ressaltou a importância da juventude na reconstrução. 

“Para gerações anteriores que acompanharam um investimento em educação é muito claro que houve um rompimento nesse últimos anos, portanto é essencial que os mais jovens entendam as perdas. Para reconstruir é necessário ter um consenso que houve uma destruição”. 

Já o ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, Sérgio Rezende, apresentou um importante movimento para as próximas eleições.

“Ex-reitores e acadêmicos estão se organizando para lançar candidaturas ao Congresso Nacional e assembleias estaduais, formando uma grande bancada pela educação, em contraponto às bancadas da bala, que representam o extremo oposto”.

 

“Não há soberania sem investimento em tecnologia”

Com essa citação Augustina Rosa Echeverria, professora titular da UFG (Universidade Federal de Goiás), 

apresentou um contexto histórico da trajetória do investimento em ciência e inovação no Brasil e alertou para a descontinuidade desses ciclos em diferentes governos ao longo da história e correlacionando a dificuldade do país em alcançar a soberania.

Como exemplo, citou o ano de 1969, que militares interromperam as pesquisas com energia nuclear, e em 2015 quando o  então vice-presidente Michel Temer elaborou um programa de governo chamado “Uma ponte para o futuro”, sem citar a palavra Ciência nem uma vez. 

 

 

 Para Luis Manuel Rebelo Fernandes, coordenador da área de Ciência Política e Relações Internacionais da CAPES (2018-2022), a pandemia tem se mostrado um período de exposição das lacunas presentes na saúde, na tecnologia e na soberania brasileira

“São essas lacunas o principal legado a ser enfrentado nos 200 anos da independência, e que tem como pilar para solução o investimento público em ciência para garantir o desenvolvimento tecnológico. Até os países mais liberais seguem essa cartilha”.

Para o professor da UFC (Universidade Federal do Ceará), Ênio Pontes, devem existir propostas com alternativas ao modelo neoliberal e negacionista, que atualmente vigora no país.

“Caso contrário, a iniciativa privada tomará esse espaço, recebendo o investimento público e impedindo de gerar desenvolvimento ao povo”.

 

Os debates do 28º Congresso da ANPG sendo transmitidos pelo Canal da ANPG no Youtube.

 

A Mostra Científica da ANPG já é uma tradição no meio acadêmico. Dessa vez, a mostra que acontece tradicionalmente no Congresso da entidade, será de forma virtual e para divulgação e popularização dos projetos científicos que as (os) pós-graduandas (os) estão produzindo.
A mostra que integra o roll de atividades do XXVIII Congresso Nacional de Pós-Graduandos, que ocorrerá do dia 23 a 25 de Julho, de modo presencial e transmitida através plataforma virtual, acontecerá em uma conjuntura delicada para ciência e tecnologia. Entretanto, o Minuto da Ciência, a edição da XII Mostra de Ciência e Tecnologia da entidade, dará palco aos pós-graduandos brasileiros exporem suas pesquisas e a importância para a sociedade brasileira.

Para participar, os(as) Pós-graduandos(as) deverão produzir um vídeo de, no máximo, Três minutos, explicando qual o tema de sua pesquisa e as implicações dela para a sociedade. Esses vídeos devem ser submetidos até o dia 20 de Julho (20/07/2022) por meio do formulário, o qual deverá conter algumas outras informações.

A Revista Científica da ANPG – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19” se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas.

“Trazemos muitos temas pertinentes ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”.

Entre os dias 1 e 2 de julho, pós-graduandos participaram de mais uma etapa preparatória para o 28º Congresso da ANPG, que será realizado entre os dias 23 e 25 deste mês, em Brasília.

 

Entre debates, grupos de trabalho e lançamentos de estudos, o Seminário Educação e Ciência, sob o tema “Caminhos para superar os desafios brasileiros” ressaltou a urgência da retomada de investimentos em ciência, um Plano Nacional de Pós-Graduação que reduza as assimetrias  e a mobilização pela defesa da democracia.

 

No primeiro dia do Encontro, a presidente da ANPG,  Flávia Calé, anunciou que, com a discussão de atraso de quase dois anos , o sétimo PNPG teve a formação da comissão anunciada na última semana  e a ANPG terá uma cadeira.

 

Dessa forma, com essa novidade, a primeira mesa  do seminário: “Do PNPG ao PNE: qual sistema educacional é necessário para o Brasil?” tratou do tema.

 

“ Esse PNPG é emblemático por estar sendo debatido no marco do bicentenário da independência do Brasil. A autonomia científica nos possibilita soberania e para a independência do Brasil  no século XXI é necessário torná-lo um produtor do conhecimento, sendo assim, a ciência e a educação são pilares”, avalia Flávia.

 

Jorge Audy, professor titular da Escola Politécnica e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da PUCRS e coordenador da comissão de acompanhamento do PNPG, avalia que um dos principais objetivos do próximo Plano é articular todas as agências de fomento, em todo país. 

 

Para a presidente também é urgente que o Plano preveja a implementação das cotas raciais na Pós-Graduação e plano de emprego para os jovens doutores, evitando a “fuga de cérebros” do país.

 

Assim, a ANPG, em conjunto com o CEMJ (entro de Estudos e Memória da Juventude), desenvolveu a Nota Técnica Fuga de Cérebros, Circulação Internacional da Ciência e Diáspora Científica de Pesquisadores Brasileiros: Contribuições para o Debate, trazendo um painel do cenário atual da ciência brasileira e também  25 recomendações para conter o fenômeno de expulsão de pesquisadores brasileiros para outros países.

 

Leia a nota técnica completa aqui 

 

Financiamento

 

No segundo dia do Seminário, os participantes da mesa “Caminhos para o financiamento sustentável das universidades e da pós-graduação”, trouxeram grandes contribuições sobre a superação das crises atuais, que envolvem as universidades e a produção científica brasileira, hoje concentrada majoritariamente nessas intuições e que sofrem constantes e sistemáticos ataques.

 

 “As universidades federais fazem parte de um projeto de democratização, na perspectiva de gerar novas oportunidades à comunidade estudantil, à população, dentro da sociedade”, afirmou Alfredo Macedo, reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ao reiterar a necessidade de defender a democracia para retomar investimentos em Ciência.

Ainda, segundo o reitor, o financiamento sustentável nas universidades e pós graduação dependem de um projeto nacional.

“O financiamento deve ser um política de estado, com normativas específicas para proteger os recursos, que sejam permanentes e transparentes. Deve estar definido em um orçamento geral do país anualmente, e não liberado por meio de emendas, após as mobilizações e articulação de reitores e instituições com parlamentares”, acrescenta.

O secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

 

“Iniciativas como cobrar mensalidades e taxas não vão resolver a questões de estruturas de universidades, inserção na comunidade e produção de pesquisa – só criarão outros problemas, além de  não garantir os investimentos necessários. O Financiamento passa pelo Congresso Nacional e os respeito às Leis de Diretrizes Orçamentárias” , ressaltou o secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

Ações afirmativas: uma bandeira urgente

Durante os debates foi ressaltado que o próximo PNPG deve incluir ações afirmativas como as cotas raciais também na pós-graduação.

Cléber Santos,  presidente da  ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as), trouxe explicações sobre a revisão da Lei de Cotas (12711/12) neste ano e dos projetos que tramitam no Congresso, que incluem e ampliam as ações afirmativas também na pós-graduação.

“Por outro lado, devemos ficar atentos aos Projetos que também visam acabar com a reserva racial e deixando apenas a social, o que não contempla as necessidades e urgências para democratização da pós-graduação”.

“As ações afirmativas não são apenas por justiça, só isso já justificaria a sua existência, claro. Mas é também pensando em maior eficiência, uma vez que  com mais diversidade e com instituições mais democráticas, a produção do conhecimento seja melhor, com melhores formulações”, observa Leticia de Oliveira, coordenadora da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membra do movimento Parent in Science, movimento que debate a parentalidade do universo da ciência do Brasil.

Letícia ainda acrescentou um recorte de gênero sobre a ciência brasileira.

“ A sociedade é excludente para as mães, seja nos espaços de poder, como nas instituições de ensino, o que reflete também na Ciência. Existem desde os problemas estruturais, para incluir as pesquisadoras com filhos, quanto questões administrativas: o currículo da pós-graduanda deve ser avaliado levando em conta sua maternidade e deve existir um regulamento para a prorrogação de prazos  também”, enfatiza.

Mulheres Cientistas e a Pandemia

A Revista Científica da ANPG  – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19”   se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas. 

“Trazemos muitos temas pertinentes  ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”. 

Também foi anunciada a submissão de trabalhos para a Mostra Científica do 28º Congresso da ANPG, que poderá ser feita pelo link, com resumo do projeto e vídeo

 

 

 

 

 

 

Finalizando o Seminário de Educação e Ciência da ANPG, mais uma etapa para o 28º Congresso da entidade, que será realizado entre os dias 23 e 25 de julho, o debate  “Universidade pintada de povo: do acesso a permanência – ações afirmativas na graduação e na pós-graduação”, trouxe importantes contribuições para o debate da reserva de vagas, como um poderoso instrumento para a redução de desigualdades.

 

Ainda no primeiro dia do Seminário, a presidente da ANPG, Flávia Calé, ressaltou que  sétimo Plano Nacional de Pós Graduação, que começará a ser debatido neste segundo semestre deve incluir as cotas, como forma de tornar a ciência mais diversa no país e para reduzir assimetrias. 

 

Cléber Santos,  presidente da  ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as),também ressalta que o PNPG ainda vigente, da década passada, não contempla as ações afirmativas. 

“Deve haver muita mobilização da sociedade, das entidades e instituições para a inclusão das cotas raciais e sociais no próximo Plano para dar continuidade à democratização que na graduação. ” 

Ainda, Cléber trouxe explicações sobre a revisão da Lei de Cotas (12711/12) neste ano e dos projetos que tramitam no Congresso, que incluem e ampliam as ações afirmativas também na pós-graduação.

“Porém, devemos ficar atentos aos Projetos que também visam acabar com a reserva racial e deixando apenas a social, o que não contempla as necessidades e urgências para democratização do ensino”.

 

Além disso, ainda na graduação deve existir pesquisas sobre a trajetória dos estudantes que ingressaram por meio de ações afirmativas. “ Quantos estudantes chegaram á pós-graduação. Não basta ser apenas contabilizada a matrícula. Hoje não há qualquer monitoramento”, conclui Cléber.

Leticia de Oliveira, coordenadora da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membra do movimento Parent in Science, movimento que debate a parentalidade do universo da ciência do Brasil

“As ações afirmativas não são apenas por justiça, só isso já justificaria a sua existência, claro. Mas é também pensando em maior eficiência, uma vez que  com mais diversidade e com instituições mais democráticas, a produção do conhecimento seja melhor, com melhores formulações”, observa

Letícia ainda acrescentou um recorte de gênero sobre a ciência brasileira.

“ A sociedade é excludente para as mães, seja nos espaços de poder, como nas instituições de ensino, o que reflete também na Ciência. Existem desde os problemas estruturais, para incluir as pesquisadoras com filhos, quanto questões administrativas: o currículo da pós-graduanda deve ser avaliado levando em conta sua maternidade e deve existir um regulamento para a prorrogação de prazos  também”, enfatiza.

 

Projeto

 

Orlando Silva, deputado federal (PcdoB), afirmou em participação por vídeo, avaliando que os ataque ao setor da Ciência e Tecnologia fazem parte de um projeto político, que não almeja a soberania nacional nem a ampliação de consciência do povo.

“Isso se agrava conforme a universidade vai ficando mais diversa, mesmo com empecilhos, com falta de políticas de permanências. Fui o primeiro presidente negro da UNE, e sei as importantes mudanças que aconteceram nas instituições, que potencializaram ainda mais o papel delas e da sua produção científica, por isso levaremos a Congresso Nacional essas demandas urgentes”.

Dentro do Seminário Educação e Ciência, a ANPG, em conjunto com o CEMJ ( Centro de Estudos e Memória da Juventude), foi apresentada a Nota Técnica Fuga de Cérebros, Circulação Internacional da Ciência e Diáspora Científica de Pesquisadores Brasileiros: Contribuições para o Debate*, trazendo um painel do cenário atual da ciência brasileira e também  25 recomendações para conter o fenômeno de expulsão de pesquisadores brasileiros para outros países.

 

Vinicius Soares, diretor de comunicação da ANPG, apresentou a conjuntura da ciência brasileira e que tem gerado dificuldades e ausência de perspectivas para os cientistas brasileiros.

Tanto a perseguição política, a exemplo do que já aconteceu no período da Ditadura Militar, com o “Massacre de Manguinhos”, que cientistas foram perseguidos , afastados das suas pesquisas e exilados, os cortes, bloqueios, desvalorização da bolsas de pesquisa levam a um cenário desfavorável aos pesquisadores.

 

“Lembrando que o Brasil vive agora a sua janela demográfica, em que sua população economicamente ativa representa o maior contigente, e em vez de investimentos, está sucateando a educação e os recursos em inovação e pesquisa e com ausência de projetos”, observa. 

 

Para Alexsandro do Nascimento Santos, coordenador do Estudo, o Brasil não escolhe uma história de desenvolvimento para soberania e aproveita pouco o ambiente internacional de Ciência e Tecnologia. 

 

“Os pesquisadores brasileiros devem circular globalmente, mas com o objetivo de conectar o país a um projeto soberano de desenvolvimento e não deixá-lo, por ausência de oportunidades”. 

 

Leia a nota técnica completa aqui 

 

*Expediente: Pesquisa e redação: Alexsandro do Nascimento Santos (coordenador) Daniela Olorruama,  Elisangela Lizardo Luana Meneguelli Bonone

A terceira mesa do Seminário Educação e Ciência, realizada na tarde deste sábado, 02.07, foi marcada por importantes contribuições de reitores experientes, que acompanharam os recentes períodos da educação e da ciência brasileira e suas transformações dentro das instituições.

Com o tema “Os desafios para construção da Universidade: um olhar inter e multidisciplinar sobre o futuro”, dialogou com os desafios mundiais e brasileiros atuais.

Ana Lúcia Almeida Gazzola, professora da UFMG ( Universidade Federal de Minas Gerais) e ex -diretora do  Instituto Internacional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe – IESALC da UNESCO, avalia que a atual conjuntura é de Rupturas.

“Estamos em meio da Revolução 4.0, que impõe uma aceleração no campo tecnológico e de conhecimento e assim, repensar atitudes e comportamentos, e a pandemia da Covid-19, que ainda não passou, e a universidade deve se abrir para responder a esses anseios que surgem”.

Para a professora, os desafios impostos com essas mudanças intensas devem ser pensados com destrezas, e relembrando que o Brasil não superou desigualdades históricas.

“É preciso pensar em uma ciência, dentro de um mundo globalizado, mas situada territorialmente, para responder aos anseios e necessidades da nossa população”, acrescenta.

E ainda, refletindo sobre as rápidas transformações que o modelo industrial e econômico 4.0 impõe, Ana Lucia aposta em um modelo de educação para ao longo da vida.

“Com as mudanças constantes, muitas profissões deixarão de existir, e devemos ter em mente projetos de ‘reprofissionalização’, com atualização tecnológica, para garantir emprego decente à população”, conclui.

 

Naomar de Almeida Filho, ex-reitor da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) e professor aposentado de epidemiologia no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, o tema da universidade alinhada com o futuro impõe uma agenda, inserida em uma sociedade democrática, em um mundo globalizado. 

“A democracia é o que garante uma educação emancipatória e nessa agenda para a universidade brasileira, o domínio da tecnologia, com conhecimento dos seus princípios e efeitos e a sensibilidade eco-social, com proteção ao meio ambiente, devem ser pilares. O desenvolvimento predatório não pode ser privilegiado”.

 Além disso é preciso reposicionar a extensão universitária. “A instituição não precisa se ‘estender,’ ela já está a serviço da sociedade, seu conhecimentos produzidos inseridos nesse contexto”.