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A Revista Científica da ANPG – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19” se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas.

“Trazemos muitos temas pertinentes ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”.

Entre os dias 1 e 2 de julho, pós-graduandos participaram de mais uma etapa preparatória para o 28º Congresso da ANPG, que será realizado entre os dias 23 e 25 deste mês, em Brasília.

 

Entre debates, grupos de trabalho e lançamentos de estudos, o Seminário Educação e Ciência, sob o tema “Caminhos para superar os desafios brasileiros” ressaltou a urgência da retomada de investimentos em ciência, um Plano Nacional de Pós-Graduação que reduza as assimetrias  e a mobilização pela defesa da democracia.

 

No primeiro dia do Encontro, a presidente da ANPG,  Flávia Calé, anunciou que, com a discussão de atraso de quase dois anos , o sétimo PNPG teve a formação da comissão anunciada na última semana  e a ANPG terá uma cadeira.

 

Dessa forma, com essa novidade, a primeira mesa  do seminário: “Do PNPG ao PNE: qual sistema educacional é necessário para o Brasil?” tratou do tema.

 

“ Esse PNPG é emblemático por estar sendo debatido no marco do bicentenário da independência do Brasil. A autonomia científica nos possibilita soberania e para a independência do Brasil  no século XXI é necessário torná-lo um produtor do conhecimento, sendo assim, a ciência e a educação são pilares”, avalia Flávia.

 

Jorge Audy, professor titular da Escola Politécnica e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da PUCRS e coordenador da comissão de acompanhamento do PNPG, avalia que um dos principais objetivos do próximo Plano é articular todas as agências de fomento, em todo país. 

 

Para a presidente também é urgente que o Plano preveja a implementação das cotas raciais na Pós-Graduação e plano de emprego para os jovens doutores, evitando a “fuga de cérebros” do país.

 

Assim, a ANPG, em conjunto com o CEMJ (entro de Estudos e Memória da Juventude), desenvolveu a Nota Técnica Fuga de Cérebros, Circulação Internacional da Ciência e Diáspora Científica de Pesquisadores Brasileiros: Contribuições para o Debate, trazendo um painel do cenário atual da ciência brasileira e também  25 recomendações para conter o fenômeno de expulsão de pesquisadores brasileiros para outros países.

 

Leia a nota técnica completa aqui 

 

Financiamento

 

No segundo dia do Seminário, os participantes da mesa “Caminhos para o financiamento sustentável das universidades e da pós-graduação”, trouxeram grandes contribuições sobre a superação das crises atuais, que envolvem as universidades e a produção científica brasileira, hoje concentrada majoritariamente nessas intuições e que sofrem constantes e sistemáticos ataques.

 

 “As universidades federais fazem parte de um projeto de democratização, na perspectiva de gerar novas oportunidades à comunidade estudantil, à população, dentro da sociedade”, afirmou Alfredo Macedo, reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ao reiterar a necessidade de defender a democracia para retomar investimentos em Ciência.

Ainda, segundo o reitor, o financiamento sustentável nas universidades e pós graduação dependem de um projeto nacional.

“O financiamento deve ser um política de estado, com normativas específicas para proteger os recursos, que sejam permanentes e transparentes. Deve estar definido em um orçamento geral do país anualmente, e não liberado por meio de emendas, após as mobilizações e articulação de reitores e instituições com parlamentares”, acrescenta.

O secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

 

“Iniciativas como cobrar mensalidades e taxas não vão resolver a questões de estruturas de universidades, inserção na comunidade e produção de pesquisa – só criarão outros problemas, além de  não garantir os investimentos necessários. O Financiamento passa pelo Congresso Nacional e os respeito às Leis de Diretrizes Orçamentárias” , ressaltou o secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

Ações afirmativas: uma bandeira urgente

Durante os debates foi ressaltado que o próximo PNPG deve incluir ações afirmativas como as cotas raciais também na pós-graduação.

Cléber Santos,  presidente da  ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as), trouxe explicações sobre a revisão da Lei de Cotas (12711/12) neste ano e dos projetos que tramitam no Congresso, que incluem e ampliam as ações afirmativas também na pós-graduação.

“Por outro lado, devemos ficar atentos aos Projetos que também visam acabar com a reserva racial e deixando apenas a social, o que não contempla as necessidades e urgências para democratização da pós-graduação”.

“As ações afirmativas não são apenas por justiça, só isso já justificaria a sua existência, claro. Mas é também pensando em maior eficiência, uma vez que  com mais diversidade e com instituições mais democráticas, a produção do conhecimento seja melhor, com melhores formulações”, observa Leticia de Oliveira, coordenadora da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membra do movimento Parent in Science, movimento que debate a parentalidade do universo da ciência do Brasil.

Letícia ainda acrescentou um recorte de gênero sobre a ciência brasileira.

“ A sociedade é excludente para as mães, seja nos espaços de poder, como nas instituições de ensino, o que reflete também na Ciência. Existem desde os problemas estruturais, para incluir as pesquisadoras com filhos, quanto questões administrativas: o currículo da pós-graduanda deve ser avaliado levando em conta sua maternidade e deve existir um regulamento para a prorrogação de prazos  também”, enfatiza.

Mulheres Cientistas e a Pandemia

A Revista Científica da ANPG  – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19”   se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas. 

“Trazemos muitos temas pertinentes  ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”. 

Também foi anunciada a submissão de trabalhos para a Mostra Científica do 28º Congresso da ANPG, que poderá ser feita pelo link, com resumo do projeto e vídeo

 

 

 

 

 

 

Finalizando o Seminário de Educação e Ciência da ANPG, mais uma etapa para o 28º Congresso da entidade, que será realizado entre os dias 23 e 25 de julho, o debate  “Universidade pintada de povo: do acesso a permanência – ações afirmativas na graduação e na pós-graduação”, trouxe importantes contribuições para o debate da reserva de vagas, como um poderoso instrumento para a redução de desigualdades.

 

Ainda no primeiro dia do Seminário, a presidente da ANPG, Flávia Calé, ressaltou que  sétimo Plano Nacional de Pós Graduação, que começará a ser debatido neste segundo semestre deve incluir as cotas, como forma de tornar a ciência mais diversa no país e para reduzir assimetrias. 

 

Cléber Santos,  presidente da  ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as),também ressalta que o PNPG ainda vigente, da década passada, não contempla as ações afirmativas. 

“Deve haver muita mobilização da sociedade, das entidades e instituições para a inclusão das cotas raciais e sociais no próximo Plano para dar continuidade à democratização que na graduação. ” 

Ainda, Cléber trouxe explicações sobre a revisão da Lei de Cotas (12711/12) neste ano e dos projetos que tramitam no Congresso, que incluem e ampliam as ações afirmativas também na pós-graduação.

“Porém, devemos ficar atentos aos Projetos que também visam acabar com a reserva racial e deixando apenas a social, o que não contempla as necessidades e urgências para democratização do ensino”.

 

Além disso, ainda na graduação deve existir pesquisas sobre a trajetória dos estudantes que ingressaram por meio de ações afirmativas. “ Quantos estudantes chegaram á pós-graduação. Não basta ser apenas contabilizada a matrícula. Hoje não há qualquer monitoramento”, conclui Cléber.

Leticia de Oliveira, coordenadora da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membra do movimento Parent in Science, movimento que debate a parentalidade do universo da ciência do Brasil

“As ações afirmativas não são apenas por justiça, só isso já justificaria a sua existência, claro. Mas é também pensando em maior eficiência, uma vez que  com mais diversidade e com instituições mais democráticas, a produção do conhecimento seja melhor, com melhores formulações”, observa

Letícia ainda acrescentou um recorte de gênero sobre a ciência brasileira.

“ A sociedade é excludente para as mães, seja nos espaços de poder, como nas instituições de ensino, o que reflete também na Ciência. Existem desde os problemas estruturais, para incluir as pesquisadoras com filhos, quanto questões administrativas: o currículo da pós-graduanda deve ser avaliado levando em conta sua maternidade e deve existir um regulamento para a prorrogação de prazos  também”, enfatiza.

 

Projeto

 

Orlando Silva, deputado federal (PcdoB), afirmou em participação por vídeo, avaliando que os ataque ao setor da Ciência e Tecnologia fazem parte de um projeto político, que não almeja a soberania nacional nem a ampliação de consciência do povo.

“Isso se agrava conforme a universidade vai ficando mais diversa, mesmo com empecilhos, com falta de políticas de permanências. Fui o primeiro presidente negro da UNE, e sei as importantes mudanças que aconteceram nas instituições, que potencializaram ainda mais o papel delas e da sua produção científica, por isso levaremos a Congresso Nacional essas demandas urgentes”.

Dentro do Seminário Educação e Ciência, a ANPG, em conjunto com o CEMJ ( Centro de Estudos e Memória da Juventude), foi apresentada a Nota Técnica Fuga de Cérebros, Circulação Internacional da Ciência e Diáspora Científica de Pesquisadores Brasileiros: Contribuições para o Debate*, trazendo um painel do cenário atual da ciência brasileira e também  25 recomendações para conter o fenômeno de expulsão de pesquisadores brasileiros para outros países.

 

Vinicius Soares, diretor de comunicação da ANPG, apresentou a conjuntura da ciência brasileira e que tem gerado dificuldades e ausência de perspectivas para os cientistas brasileiros.

Tanto a perseguição política, a exemplo do que já aconteceu no período da Ditadura Militar, com o “Massacre de Manguinhos”, que cientistas foram perseguidos , afastados das suas pesquisas e exilados, os cortes, bloqueios, desvalorização da bolsas de pesquisa levam a um cenário desfavorável aos pesquisadores.

 

“Lembrando que o Brasil vive agora a sua janela demográfica, em que sua população economicamente ativa representa o maior contigente, e em vez de investimentos, está sucateando a educação e os recursos em inovação e pesquisa e com ausência de projetos”, observa. 

 

Para Alexsandro do Nascimento Santos, coordenador do Estudo, o Brasil não escolhe uma história de desenvolvimento para soberania e aproveita pouco o ambiente internacional de Ciência e Tecnologia. 

 

“Os pesquisadores brasileiros devem circular globalmente, mas com o objetivo de conectar o país a um projeto soberano de desenvolvimento e não deixá-lo, por ausência de oportunidades”. 

 

Leia a nota técnica completa aqui 

 

*Expediente: Pesquisa e redação: Alexsandro do Nascimento Santos (coordenador) Daniela Olorruama,  Elisangela Lizardo Luana Meneguelli Bonone

A terceira mesa do Seminário Educação e Ciência, realizada na tarde deste sábado, 02.07, foi marcada por importantes contribuições de reitores experientes, que acompanharam os recentes períodos da educação e da ciência brasileira e suas transformações dentro das instituições.

Com o tema “Os desafios para construção da Universidade: um olhar inter e multidisciplinar sobre o futuro”, dialogou com os desafios mundiais e brasileiros atuais.

Ana Lúcia Almeida Gazzola, professora da UFMG ( Universidade Federal de Minas Gerais) e ex -diretora do  Instituto Internacional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe – IESALC da UNESCO, avalia que a atual conjuntura é de Rupturas.

“Estamos em meio da Revolução 4.0, que impõe uma aceleração no campo tecnológico e de conhecimento e assim, repensar atitudes e comportamentos, e a pandemia da Covid-19, que ainda não passou, e a universidade deve se abrir para responder a esses anseios que surgem”.

Para a professora, os desafios impostos com essas mudanças intensas devem ser pensados com destrezas, e relembrando que o Brasil não superou desigualdades históricas.

“É preciso pensar em uma ciência, dentro de um mundo globalizado, mas situada territorialmente, para responder aos anseios e necessidades da nossa população”, acrescenta.

E ainda, refletindo sobre as rápidas transformações que o modelo industrial e econômico 4.0 impõe, Ana Lucia aposta em um modelo de educação para ao longo da vida.

“Com as mudanças constantes, muitas profissões deixarão de existir, e devemos ter em mente projetos de ‘reprofissionalização’, com atualização tecnológica, para garantir emprego decente à população”, conclui.

 

Naomar de Almeida Filho, ex-reitor da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) e professor aposentado de epidemiologia no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, o tema da universidade alinhada com o futuro impõe uma agenda, inserida em uma sociedade democrática, em um mundo globalizado. 

“A democracia é o que garante uma educação emancipatória e nessa agenda para a universidade brasileira, o domínio da tecnologia, com conhecimento dos seus princípios e efeitos e a sensibilidade eco-social, com proteção ao meio ambiente, devem ser pilares. O desenvolvimento predatório não pode ser privilegiado”.

 Além disso é preciso reposicionar a extensão universitária. “A instituição não precisa se ‘estender,’ ela já está a serviço da sociedade, seu conhecimentos produzidos inseridos nesse contexto”.

 

Com a proximidade do 28º Congresso da ANPG, que acontece entre os 23 e 25 de julho, a entidade aquece e intensifica os debates sobre a conjuntura da ciência brasileira com o Seminário Educação & Ciência da ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos), com o tema “Caminhos para superar os desafios brasileiros” . 

Nesse segundo dia, os participantes da mesa “Caminhos para o financiamento sustentável das universidades e da pós-graduação”, trouxeram grandes contribuições sobre a superação das crises atuais, que envolvem as universidades e a produção científica brasileira, hoje concentrada majoritariamente nessas intuições e que sofrem constantes e sistemáticos ataques.

Para o reitor da UFPE ( Universidade Federal de Pernambuco), Alfredo Macedo, os ataques recorrentes às universidades, bloqueios orçamentários e negligência não são isolados e vem acompanhados das narrativas de ataques à democracia e às instituições democráticas.

 

“As universidades federais fazem parte de um projeto de democratização, na perspectiva de gerar novas oportunidades à comunidade estudantil, à população, dentro da sociedade”, afirma.

Ainda, segundo o reitor, o financiamento sustentável nas universidades e pós graduação dependem de um projeto nacional.

“O financiamento deve ser um política de estado, com normativas específicas para proteger os recursos, que sejam permanentes e transparentes. Deve estar definido em um orçamento geral do país anualmente, e não liberado por meio de emendas, após as mobilizações e articulação de reitores e instituições com parlamentares”, acrescenta.

Ainda, relembrou a tragédia embutida na PEC do Teto de Gastos, que trouxe o projeto -e a narrativa- de que esse orçamento destinado à educação, ciência e tecnologia é gasto público e não um investimento.

 

O secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

“Iniciativas como cobrar mensalidades e taxas não vão resolver a questões de estruturas de universidades, inserção na comunidade e produção de pesquisa -só criarão outros problemas, além de  não garantir os investimentos necessários. O Financiamento passa pelo Congresso Nacional e os respeito às Leis de Diretrizes Orçamentárias” , ressalta.

Guedes ainda alertou sobre os trágicos bloqueios no FNDTC (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que causam prejuízos enormes à sustentabilidade da pesquisa brasileira.

“Bloquear o orçamento da estrutura de pesquisa gera um duplo prejuízo: com a perda do que já foi investido, levando à interrupção dos trabalhos, e também para as futuras”.

Posicionamentos

Os debatedores da mesa foram enfáticos sobre a importância das eleições de 2022 e da defesa de um projeto que contemple a reconstrução.

Para Soraya Smaili, presidente do Instituto Sou Ciência e ex reitora da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), esse não é um processo eleitoral qualquer e é necessário aproveitar o reconhecimento da sociedade no papel das universidades e da Ciência, intensificado após as grandes contribuições das instituições na pandemia.

“Hoje entendemos que a Ciência é um sujeito político. Nós, pesquisadores, precisamos levar propostas para universidades e programas de pós-graduação que contribuam para novas perspectivas para o país, e ainda atuar no combate à desinformação e cooperar com a tomada de decisões da soceidade”,  avalia Soraya.

Soraya também anunciou que no próximo dia 7 de julho será lançado mais um estudo do Instituto Sou Ciência, dessa vez, sobre as perspectivas do Financiamento de Educação. Acompanhe por aqui

 

 

 

Mesa de abertura aponta caminhos para o sétimo Plano Nacional de Pós-Graduandos e reitera a importância da defesa democrática do país

 

Na tarde desta sexta-feira, 1º de julho, foi dada a largada para o Seminário Educação & Ciência da ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos), com o tema “Caminhos para superar os desafios brasileiros” . 

 

A primeira mesa “Do PNPG ao PNE: qual sistema educacional é necessário para o Brasil?”

reuniu as três mulheres da mesa diretora – a presidente Flávia Calé, Stella Gontijo, vice-presidente,  e Raquel Luxemburgo, secretária-geral, – e convidados para debater o sétimo Plano Nacional de Pós Graduação, dentro do contexto atual, com atraso de quase dois anos teve a formação da comissão anunciada, na qual a ANPG terá uma cadeira.

Jorge Audy, professor titular da Escola Politécnica e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da PUCRS e coordenador da comissão de acompanhamento do PNPG, avalia que um dos principais objetivos do próximo Plano é articular todas as agências de fomento, em todo país. 

“Além disso, é urgente rever os valores das bolsas de pesquisa que estão totalmente defasadas e assim tornar a pesquisa atrativa novamente aos estudantes”, observa. 

 

Flávia Calé, avalia que o PNPG é emblemático por estar sendo debatido no marco do bicentenário da independência do Brasil.

 

“A autonomia científica nos possibilita soberania e para a independência do Brasil  no século XXI é necessário torná-lo um produtor do conhecimento, sendo assim, a ciência e a educação são pilares”. 

 

Para a presidente também é urgente que o Plano preveja a implementação das cotas raciais na Pós-Graduação e plano de emprego para os jovens doutores, evitando a “fuga de cérebros” do país.

 

Tarcila Atolini, professora de engenharia química da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), alerta sobre as ameaças que os reitores interventores, estão gerando nas instituições, com a perseguição a professores e funcionários, e como afetam o propósito e objetivos das universidades..

 

“Os reitores nomeados por Bolsonaro e que não respeitam a ordem democrática representam um projeto privatista, com interesses, e que desmonta a universidade pública a serviço da sociedade”.

 

O presidente do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-graduação (FOPROP) Robério Rodrigues, também lista o desrespeito à democracia interna das instituições como um entrave para a que os com os programas de pós-graduação estejam alinhados com os problemas e necessidades da sociedade.

“Deve ser articulado no Congresso o fim da lista tríplice, para que a vontade da comunidade acadêmica seja respeitada nas eleições para a reitoria”.

 

Redução de Assimetrias 

Para Emmanuel Zagury Tourinho, reitor da UFPA (Universidade Federal do Pará) , o PNPG deverá avançar pela redução das desigualdades do território brasileiro. 

Ele explica a conjuntura que permeia a – ausência – de investimentos na pesquisa na região amazônica. 

“É um paradoxo que a região da Amazônia, com tanta importância para  o mundo e envolvida em tantos desafios, receba o menor orçamento de educação. Com o PIB produzido na região, financiamos a ciência e pesquisa para outras regiões”, diz.

O reitor ainda acrescenta que o Brasil chegou muito tardiamente à atividade científica, à estruturar instituições,  mas deve-se observar que construíram tanto em pouco tempo, sem políticas estáveis que favoreçam o desenvolvimento, e sem saber o orçamento do próximo ano. 

“As dificuldades não surgem pela falta de formulação, mas do pouco poder nas mãos das comunidades acadêmica e científica para definir as políticas públicas necessárias para o desenvolvimento da ciência e do país”, conclui.

 

Mulheres Cientistas

 

Durante a mesa também foi apresentada a Revista Científica da ANPG  – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19”  que se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

 

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas. 

“Trazemos muitos temas pertinentes  ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”. 

 

Também foi anunciada a submissão de trabalhos para a Mostra Científica do 28º Congresso da ANPG, que poderá ser feita pelo link, com resumo do projeto e vídeo

 

A mostra será on-line e transmitida pelo canal do Youtube da ANPG e replicada nas redes.

 

 

 

Nesse mês do Orgulho, a Diretoria de Combate às Opressões traz a necessidade de pensar juntes sobre o sentido da pós-graduação brasileira e as medidas de diversidade e inclusão que têm sido direcionadas às LGBT+s trabalhadoras. Se por um lado setores privatistas ressaltam que diversidade traz maior produtividade, vantagem competitiva, performance e lucratividade, por outro é colocado por eles em segundo lugar que o tratamento humano da nossa comunidade é vantajoso simplesmente por ser porque somos gente e na maioria das vezes se ignoram as condições econômicas degradantes quando comparadas ao restante da população com quem convivemos. 

Durante a pandemia de COVID-19 é impossível a comunidade LGBTQIA+ não comparar a epidemia de AIDS com a atual situação: o tempo, capital e mobilização da sociedade foram muito diferentes nos dois casos. “É que essa doença pegou todo mundo igual!” Isso é o que se ouve quando se fala da COVID-19. Sabemos que não é assim nem para a pandemia atual e muito menos com a crise humanitária da AIDS de 1980 e 90!

O desmonte fascista das políticas públicas de saúde e educação do governo Bolsonaro e de seus aliados é contra o povo trabalhador brasileiro. Pesquisadores e servidores viram na linha de frente os ataques ao combate à pandemia e ao programa brasileiro referência internacional no combate ao HIV/Aids em meio ao aumento nacional de 33,3% de mortes violentas de LGBT+ em relação ao ano anterior (Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, 2021). 

Apenas em 2022 o IBGE trouxe pela primeira vez dados sobre números de homossexuais e bissexuais através dos dados da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) de 2019 e alcançando apenas 108 mil domicílios, sendo que é fundamental a presença de toda a comunidade no Censo. É urgente que nós, pós graduandes, nos organizemos para que  a população LGBTQIA+ supere os estigmas danosos e opressão nas formas de falta de moradia, emprego, altas taxas de suicídio, discriminação, marginalização, disfunções familiares e barreiras ao acesso a serviços públicos que demandam investimento estatal.

Espaço de auto-organização da luta feminista, o III Encontro de Mulheres Estudantes da ANPG, além de dar voz e trazer à tona as pautas específicas que afetam as pós-graduandas, foi um momento marcante de empoderamento: pela primeira vez em sua história, a mesa diretora da entidade é integralmente composta por mulheres – a presidenta Flávia Calé, a vice Stella Gontijo e a secretária-geral Raquel Luxemburgo.

Participaram do Encontro mais de 220 lideranças, representando APGs de diversas universidades do país, que puderam acompanhar e contribuir nos debates realizados de maneira híbrida (presencial e on line), como etapa preparatória do 28º Congresso Nacional da ANPG.

Antes da mesa inaugural, os grupos de trabalho já debatiam questões fundamentais para a pós-graduação brasileira, como os desafios adicionais enfrentados pelas mães cientistas para manter os níveis de produtividade acadêmica e as dificuldades de acesso e permanência de indígenas e quilombolas, populações historicamente discriminadas.

Foto: Patricia Santos – ANPG

A mesa de abertura, que ocorreu na sexta-feira (10/06) à noite, discutiu o tema “Mulheres cientistas pela democracia: ocupar o poder e tecer um novo Brasil” e foi marcada pelo tom crítico ao projeto de desmonte da Ciência e Tecnologia e da Educação preconizados pelo governo Bolsonaro.

Além de Bruna Brelaz e Jade Beatriz, presidentas das entidades co-irmãs UNE e UBES, contribuíram nessa rodada a professora Ana Lanna, pró-reitora de Inclusão e Pertencimento da USP; a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, a primeira a ocupar o posto na centenária universidade; Sofia Manzano, professora da UESB; a mestranda do INPE, Gabryele Moreira; e Mariana Moura, criadora do grupo Cientistas Engajados.

 

Denise Pires durante transmissão da Mesa de abertura.

O segundo dia foi aberto com a pauta “Mulheres transformam a ciência: luta por direitos e o novo Plano Nacional de Pós-Graduação”, tendo como debatedoras a vice-presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Fernanda Sobral; professora Sandra Goulart, reitora da UFMG; a doutoranda Luane Bento, representando a Associação Brasileira de Pesquisadoras Negras; Geovana Lunardi, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd); e Flávia Calé, presidenta da ANPG.

 

Presidenta da ANPG, Flávia Calé no segundo dia do III Encontro de Mulheres Estudantes.

A tônica das explanações foi o atraso na construção do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), que deve nortear os objetivos estratégicos da área para a próxima década. Foi consenso entre as debatedoras que os avanços na participação feminina na pós-graduação, chegando a ser maioria entre os estudantes matriculados, ainda não se reverte nos postos de maior poder de mando em virtude do chamado “efeito tesoura”.

Para elas, o novo PNPG deve colocar no centro o enfrentamento dos gargalos estruturais do país, além de conduzir políticas públicas afirmativas que proporcionem melhores condições para as mães cientistas, as cotas raciais que insiram pesquisadoras e pesquisadores negras e negros, dentre outras.

Na parte da tarde, novos grupos temáticos reuniram as participantes em discussões sobre as perspectivas das cientistas nas atuais condições do mundo do trabalho; o assédio moral e sexual e seus impactos na saúde das pós-graduandas; e as políticas públicas para ampliar a presença de mulheres negras na produção científica.

A mesa de encerramento debateu as “Contribuições do pensamento feminista para a produção do conhecimento científico” e contou as colaborações da socióloga e professora Mary Castro; Clarisse Paradiz, professora da UNILAB; a mestra em Antropologia Luana Kumaruara, Daniela Costa, chefe de gabinete da Secretaria de Política para Mulheres da Bahia; Renata Regina, do Coletivo Ana Montenegro; e Carol Azevedo, diretora de Mulheres da UNE.

As debatedoras criticaram a ideia de “sujeito universal”, que acaba por reproduzir uma espécie de “conhecimento oficial”, formulado em geral pela contribuição teórica de homens brancos e de origem europeia, invisibilizando outros saberes. Além disso, negaram o rótulo de identitarismo, algumas vezes atribuído ao feminismo no debate acadêmico, realçando o entrelace entre classe, gênero e raça na formulação de ideais para a emancipação social.

O segundo dia de debates do III Encontro de Mulheres Estudantes da ANPG teve início pautando os desafios da construção de um novo PNPG, na mesa “Mulheres transformam a ciência: luta por direitos e o novo Plano Nacional de Pós-Graduação”, com a participação das professoras Fernanda Sobral, vice-presidenta da SBPC, Sandra Goulart, reitora da UFMG e presidenta do Grupo Montevideo, Luane Bento, doutoranda da PUC-Rio e representante da Associação Brasileira de Pesquisadoras Negras, e Geovana Lunardi, presidenta da ANPED.

Fernanda Sobral iniciou as explanações abordando que há uma inegável desproporção histórica entre os gêneros na produção científica, mas que aconteceram avanços nos últimos. Exemplo disso é que o número de titulações de doutoras cresceu 61% entre 2013 e 2019. Contudo, as barreiras à igualdade ficam nítidas quando são analisados os postos de direção e mesmo a divisão por dos titulados pelas áreas do saber, que em que as mulheres são maioria em ciências de saúde e linguística, mas ficam em defasagem nas engenharias e nas exatas.

Seguindo linha semelhante, a reitora da UFMG, Sandra Goulart, alertou para o chamado “efeito tesoura” que marca a carreira acadêmica para as mulheres. Maioria entre matriculados na pós-graduação com cerca de 54%, esse percentual vai se reduzindo drasticamente no avançar do tempo. Emblemático dessa desproporção é que, segundo a professora, “apenas 23% das bolsistas 1.A do CNPq são mulheres”.

Ela também alertou para um ciclo de invisibilidade da produção acadêmica feminina que se materializa na baixa quantidade de citações de mulheres como referências em trabalhos científicos. Para romper tal estado de coisas, clamou que “mulheres citem mulheres” em suas dissertações e artigos acadêmicos.

Doutoranda e representante da Associação Brasileiras de Pesquisadoras Negras/os, Luane Bento demonstrou que, embora avanços tenham ocorrido em governos anteriores, a pós-graduação permanece majoritariamente branca e pediu respeito às políticas afirmativas e mais políticas que garantam a permanência de pós-graduandas/os.

Também ressaltou que as referências intelectuais na academia continuam a ignorar saberes historicamente relegados a segundo plano para privilegiar pensadores brancos de origem europeia. Em sua concepção, “é preciso descolonizar os currículos” como forma de favorecer a permanência intelectual de negras e negros na pós-graduação.

Geovana Lunardi, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), mostrou dado irrefutável que retrata a desigualdade de gêneros nos postos de direção da academia e seus reflexos na política: entre os 58 ministros da Educação que o Brasil já teve, apenas uma vez o posto foi ocupado por uma mulher.

Sistematizando o debate e elencando propostas concretas para o novo Plano Nacional de Pós-Graduação, a presidenta da ANPG, Flávia Calé, afirmou que o desafio do próximo período é voltar a desenvolver o país, reconciliar a sociedade, resolver dramas urgentes, como a fome e a miséria, além de enfrentar problemas específicos que afetam a pós-graduação, em particular no caso das mulheres.

Em sua opinião, é preciso que a conquista da licença-maternidade para pesquisadoras-mães seja efetivada automaticamente e até mesmo antecipada, em caso de necessidade; propôs que as bolsas de estudos devem observar critérios econômicos, beneficiando aqueles que têm dedicação exclusiva e precisam do apoio, independentemente da nota de seu programa, além de defender que as cotas raciais na pós-graduação devem ser garantidas em lei e que os pós-graduandos devem ser incluídos nas políticas de permanência do PNAES, como alguns dos desafios a serem debatidos no próximo PNPG.