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Humilhações em reuniões e aulas, omissão na resposta sobre a orientação, abandono de responsabilidades com o orientado, pedido para realização de tarefas não relacionada à pesquisa, corte de bolsas e reprovação não justificadas ou com justificativas falsas ou não acadêmicas. A lista é enorme. Infelizmente, essas são atitudes comuns de professores (e orientadores) em relação aos estudantes de pós-graduação. Porém, o que – exatamente – caracteriza uma relação abusiva entre professor-estudante na pós-graduação? Confira nesse artigo uma discussão baseada em dados empíricos e na legislação existente para tentar responder a essa pergunta.
Alguns relatos (do inferno) vivido por pós-graduandos.
Quero iniciar esse artigo com uma coletânea de relatos de abusos sofridos pelos pós-graduandos que tenho recolhido:
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São dezenas, senão centenas, de relatos como esses. São desabafos de pós-graduandos vindo direto do sentimento de humilhação, injustiça e omissão na sua relação com seus professores (especialmente com os orientadores). É explícito em diversos deles o aviltamento da dignidade desses estudantes como pessoas, a violação de seus direitos mais básicos como pós-graduandos – como aquele de ter uma orientação para seu trabalho. Como foi possível que chegássemos a essa situação?
Dados de pesquisas sobre abusos na academia
Segundo pesquisa publicada no artigo “O rebaixamento cognitivo” (veja fonte abaixo) que recolheu 1.014 relatos de casos de “constrangimento e humilhação, envolvendo alunos e professores de instituições de educação superior” em seis instituições de educação superior do Estado de Minas Gerais (públicas e privadas) foi possível categorizar 12 situações de abuso sofrido pelos estudantes. No quadro abaixo observamos as 12 categorias e uma definição de cada uma delas comparadas pela frequência com ocorreram.
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Os tipos de abusos mais sofridos pelos estudantes pesquisados são “Rebaixamento da capacidade cognitiva”, em primeiro lugar, e “Agressão verbal” na sequência. Somados esses dois tipos de abusos correspondem à 50,49% dos relatos. Confira no gráfico abaixo, feito a partir dos dados listados na tabela:
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Outras formas de abuso comuns são “comentários depreciativos” e “recusa em fazer seu trabalho”, respectivamente com 12,03% e 8,97%. Essa pesquisa, voltada para estudantes universitários (graduação) não pode ser considerada um índice da situação dos abusos em relação aos pós-graduandos. Porém, indica bem que o problema está presente na universidade (tanto pública como privada).
Quando a relação professor/estudante pode ser caracterizada como abusiva na pós-graduação?
A literatura científica especializada reconhece os processos de humilhações, agressões e provação de prejuízo acadêmico proposital cometido contra os estudantes como casos de “assédio moral” na universidade. Marie-France Hirigoyen – psiquiatra, uma das pioneiras e mais renomadas estudiosas do assunto no mundo – afirma sobre o assédio moral nas universidades em seu livro A violência perversa no cotidiano:
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Ela realizou sua pesquisa pioneira sobre a opressão psicológica no trabalho na França. Sua pesquisa chegou a conclusões que posteriormente foram confirmadas por estudos mais abrangentes tanto na Europa como em outros países – inclusive no Brasil. Elas constataram, em linhas gerais:
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O problema, por muito tempo ocultado, vem ganhando certa visibilidade nos últimos anos. Com isso, tem se aprovado leis para assegurar os direitos dos trabalhadores na administração pública contra esses abusos. Em São Paulo adotou-se a Lei n° 12.250 de 9 de fevereiro de 2006 (uma das poucas leis no Brasil que regulamenta e define o assédio moral).  Em seu artigo 2° define-se o assédio como:
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De acordo com essa lei o assédio moral caracteriza por três aspectos básicos: ele é uma atitude repetitiva, o assediador está em relação de autoridade sobre o assediador e o assédio consiste em “atingir a autoestima e a autodeterminação”. Na sequência dessa “definição” um tanto quanto vaga a lei específica 6 atitudes que se configuram em assédio moral. Se comparamos essas atitudes com os casos relatados por pós-graduandos podemos adaptar algumas definições do assédio moral para o ambiente da pós-graduação:
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No Brasil inexiste uma lei em âmbito federal acerca do assédio moral. Alguns estados, entretanto, estão mais avançados nessa questão e já adotaram legislações próprias tratando especificamente desse problema. São eles: São Paulo (lei estadual 12.250, de 9 de fevereiro de 2006 – supracitada), Pernambuco (lei estadual nº 13.314, de 15 de outubro de 2007), Minas Gerais (Lei estadual complementar 116/2011), Rio Grande do Sul (Lei Complementar nº 12.561, de 12 de julho de 2006) e Rio de Janeiro (Lei estadual nº 3921, de 23 de agosto de 2002).
Porém, o Superior Tribunal de Justiça, por intermédio da aprovação do Recurso Especial nº 1.286.466 – RS (2011⁄0058560-5) emitido pela 2ª Turma reconheceu que o assédio moral pode ser enquadrado como um ato de improbidade administrativa. Confira abaixo parte da resolução:
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De acordo, pôde-se ler na Lei n° 8.429 de 2 de junho de 1992 que versa sobre a improbidade administrativa:
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Portanto, passamos a compreender os atos de abusos cometidos por funcionários públicos – aí incluindo-se professores universitários – como improbidade administrativa por violar os deveres de “honestidade, imparcialidade e legalidade”. Desta forma, podemos responder a pergunta “quando a relação entre professor/estudante se torna abusiva na pós-graduação” da seguinte maneira:
Se os professores agem de maneira reiterada no sentido de aviltar a dignidade humana ou mesmo prejudicar o desempenho acadêmico do estudante com:  humilhações (xingamentos, piadas depreciativas, criação de situações de constrangimento público ao estudante, etc.), discriminações (falas e posturas machistas, preconceituosas, etc.), omissão frequentes em fazer reuniões de orientação (ou correção de trabalhos) que prejudicam o andamento da pesquisa, fazem exigências inexequíveis relacionadas (ou não) à pesquisa, cometem atos de assédio sexual (como cantadas, comentários sobre a “beleza”, piadas com conotação sexual, etc.). Os pós-graduandos podem – e devem – denunciar essas atitudes.
Como lutar contra esses abusos?
Inexiste pesquisas acadêmicas sobre o assédio moral na pós-graduação (ao menos não fui capaz de encontrar nenhuma – se souberem de alguma me enviem!). Em si esse silencio não impressiona. O tema é um “tabu” nas universidades. As vítimas são sistematicamente silenciadas tanto pelos seus agressores como por ameaças de outros professores que tentam “defender” o agressor.
O problema é generalizado. Mesmo entre os professores em posições hierárquicas distintas ele ocorre (sem esquecer os casos de assédio entre professores e funcionários). Confira esse link para uma pesquisa sobre esses casos: http://www.apgs.ufv.br/index.php/apgs/article/view/545/333#.WOzdQ9Lyu00 .
Qual é a raiz desse problema? Gostaria de tentar algumas explicações. Em primeiro lugar, é preciso admitir que existe o silenciamento. Mas, além disso, é preciso investigar as possíveis causas dele. É notável que a tipificação dos casos de assédio na pós-graduação gerados a partir da literatura científica existente e das leis brasileiras que estudamos neste texto revelam fatos extremamente comuns no ambiente acadêmico. Dificilmente haverá um único estudante de pós-graduação que já não tenha ouvido falar de abusos de professores (e orientadores) contra estudantes – ou tenha ele mesmo sofrido com isso.
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Embora não existam dados sobre o problema na pós-graduação as pesquisas existentes entre os segmentos de estudantes de graduação e entre funcionários/docentes parecem indicar que o problema é realmente alarmante nas universidades. Paradoxalmente, ele é muito pouco abordado e denunciado.
No caso dos pós-graduandos – afirmo pela minha própria experiência – me parece que o fato é que o grau de normalização dessas atitudes que implicam no aviltamento da dignidade humana dos estudantes é tão grande que nós simplesmente “aceitamos” como “normal”. Existe uma visão, que diversos relatos de pós-graduandos por todo o país confirmam, de que alguns professores podem agir como se detivessem um poder ilimitado sobre a vida e a morte acadêmica dos pós-graduandos. Esses agem como se detivessem o poder de prejudicar (ou favorecer) alvos escolhidos ao seu bel-prazer, sem se importar com qualquer parâmetro de dignidade humana ou mesmo de honestidade intelectual. Alguns professores infelizmente – certamente não todos e possivelmente apenas uma minoria, não façamos generalizações injustificadas – agem como se fossem deuses no Olimpo da academia. Dão-se a liberdade de agir para além e acima de qualquer lei, regulamentação ou parâmetros de avaliação acadêmica honesta.
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Mas, apesar da imagem que alguns professores parecem fazer de si mesmos como detentores de um poder ilimitado entre os muros da academia, o fato é que eles são funcionários públicos (os professores de universidades públicas) e – enquanto tal – estão obrigados a seguir os ditames dos princípios da moralidade na administrativa pública.
Na minha visão a liberdade para abusar de sua posição hierárquica sobre estudantes e orientados liga-se – é preciso constatar –  ao aspecto pouco democrático das próprias universidades. Isto permite que o problema se perpetue. Tenho dito nos fóruns do movimento nacional de pós-graduandos que é preciso lutar pelo reconhecimento do direito a representação política independente da nossa categoria. Esperar que as pessoas que estão em posições elevadas na hierarquia da administração universitária tomem o problema em mãos sem a pressão dos pós-graduandos e suas entidades representativas me parecer ilusório.
Infelizmente, nos diversos casos de abusos contra estudantes que acompanhei como vice-presidente da ANPG os professores muitas vezes adotam uma postura corporativa de defender uns aos outros – mesmo diante dos abusos mais repugnantes (veja mais sobre isso abaixo).
Isto faz com que os representantes discentes nos Programas de Pós-Graduação fiquem acuados em encaminhar denúncias. E, quando estes tentar expor a situação, são eles próprios vítimas de novos abusos e ameaças! Chegamos a um ponto onde se proliferam situações absurdas – como a que ouvi em um relato – onde um estudante de pós-graduação se sentiu injustiçado no processo do corte de sua bolsa e solicitou ao representante discente do programa que questionasse o processo na reunião do programa. Este se recusou a questionar alegando que temia que os professores pudessem prejudicar sua carreira acadêmica como uma forma de “revide” pelo – mero! – questionamento das ações dos docentes.
Embora a situação seja absurda, ela representa bem a realidade dentro dos programas de pós-graduação. O aviltamento do direito a uma avaliação impessoal em disciplinas, ao tratamento respeitoso e a um cronograma mínimo de orientação consistente é comum. Isto se expressa na famosa frase “meu orientador sumiu” ou “disseram que posso perder a bolsa” ou “me ameaçam de desligamento do programa” que tantos pós-graduandos repetem.
Sem o direito a questionar esses abusos o problema se reproduz. Poucos são os estudantes que corajosamente enfrentaram o comportamento corporativista dos professores de defender as violações uns dos outros e romperam o silêncio. Não sem motivos os estudantes temem retaliações contra as denúncias, são muitos os casos que a ANPG recebe todo o mês de estudantes que foram desligados do programa ou perderam suas bolsas ou foram reprovados em disciplinas meramente pelo fato de terem ousado confrontar atitudes abusivas de professores.
Cito aqui – como uma humilde homenagem – o caso da pós-graduando Thais Moya que denunciou publicamente o assédio sexual contra ela cometido pelo seu orientador na Universidade Federal de São Carlos e vergonhosamente “defendido” por alguns dos colegas dele no programa de pós-graduação.
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Tudo isso revela a importância de que as universidades reconheçam o direito à representação política dos estudantes de pós-graduação. Sem ela os estudantes têm ainda mais dificuldades para lutar contra os abusos que podem vir a sofrer. Daí a importância da existência das Associações de Pós-graduandos em todas as universidades e que funcione de fato a representação discente de pós-graduação nos órgãos colegiados das universidades. Daí a necessidade de lutarmos por uma regulamentação que estabeleça claramente os direitos dos pós-graduandos, luta histórica desta Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
Sem isso não se realiza as condições para que os pós-graduandos possam resistir a esses abusos e começar a mudar essa realidade. Onde impera o medo à perseguição não pode haver verdadeiramente democracia. É preciso romper o ciclo vicioso das ameaças de retaliação acadêmica que emudece as vítimas desses abusos e passar a denunciar os abusos tanto à administração universitária como as entidades estudantis e, se for preciso, começarmos a sistematicamente levar os casos à Justiça.
O que a ANPG pode fazer em relação a tudo isso?
Em primeiro lugar – como foi dito antes – é absolutamente imprescindível que lutemos para constituir organizações representativas independentes dos pós-graduandos. Isto quer dizer: organizações que tenham um funcionamento autônomo da universidade, auto-organização pelos estudantes. Mas, como dissemos, é um passo essencial nisso tudo que as próprias administrações das universidades reconheçam que os pós-graduandos têm esses problemas e que para poderem se defender eles têm o direito de se organizar para essa finalidade.
Em segundo lugar, quero notar que a Associação Nacional de Pós-Graduandos vem já a diversos anos lutando por:

  1. Que se constitua em cada universidade brasileira uma “Associação de Pós-Graduandos” (APG) que é a entidade que pode – e deve – encaminhar a luta reivindicativas dos pós-graduandos nas universidades (confira aqui a lista de APGs).
  2. Que todo e qualquer estudante que se sinta prejudicado em seus direitos por ações de professores/orientadores/dirigentes acadêmicos pode – e deve – denunciar a situação à sua APG, ou na ausência desta a ANPG. Nós buscaremos dar atendimento a todos os casos denunciados fornecendo orientações aos pós-graduando para possam ser capazes de defender desses abusos. Bem como orientar as próprias APGs em como encaminhar esse tipo de luta.

Além disso, é preciso reconhecer que a ANPG ainda não envida esforços suficientes no sentido de conscientizar os dirigentes acadêmicos sobre esse problema (bem como o problema associado do estresse e depressão entre pós-graduandos). Por isso, eu acredito que deve se incluir na agenda da entidade, no futuro próximo, uma reunião entre a ANPG e a ANDIFES (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais Ensino Superior) e a própria ANDES (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) para discutir uma campanha de divulgação e conscientização sobre esses problemas.

Cristiano Junta
Vice-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos

UFMG
Ontem, 10 de abril, ocorreu na UFMG uma reunião dos pós-graduandos para debater o atraso das bolsas FAPEMIG e a necessidade de uma campanha pela valorização da ciência e do pesquisador. Acompanhamos desde setembro do ano passado uma irregularidade no pagamento das bolsas FAPEMIG e um desnivelamento de informações entre a agência e os programas de pós-graduação.
É inadmissível tal postura, uma vez que os pós-graduandos precisam da bolsa para garantir sua permanência nos programas e em algumas vezes até para financiamento de questões básicas para execução de suas pesquisas. O estudante Bruno Alvarenga (Doutorando em Estudos Literários pela UFMG) disse: “Recebo bolsa da FAPEMIG desde o mestrado. Infelizmente, quando soube que no doutorado continuaria com a agência o sentimento foi de apreensão. Isso porque desde o fim do ano passado convivemos com atrasos e falta de informação por parte da FAPEMIG e do governo estadual. Os repasses que antes eram feitos para as fundações ligadas às universidades​ a cada três meses agora são feitos mês a mês, o que ocasiona o não recebimento em dia e gera insegurança em nós pesquisadores. Esse mês, mais uma vez, ainda não recebemos a bolsa referente a março, sendo que, na UFMG, o pagamento é sempre realizado no último dia útil do mês. Sabemos da calamitosa situação financeira do estado, mas esperamos ao menos uma comunicação transparente por parte do governo e da FAPEMIG, já que nossas contas não esperam a boa vontade dos governantes.”
Sendo assim, se inicia agora um movimento em torno de uma campanha permanente pela valorização da ciência e do pesquisador:
“Convocamos todas as associações de pós-graduandos, representantes discentes, bolsistas e pós-graduandos em geral a entrarem nessa luta com a gente. Acreditamos que seja o momento de radicalizar mais nas ações em defesa dos nossos direitos e por mais conquistas para os pós-graduandos. Temos uma agenda extensa em Minas Gerais, estamos construindo a marcha pela ciência e vamos receber o salão de divulgação cientifica da ANPG e a reunião da SBPC. Seguimos mobilizados e em luta por nenhum direito a menos.” reitera Laís Moreira – Vice-presidente sudeste da ANPG.
 

(com informações do CONJUVE)
O governo de Michel Temer alterou radicalmente o decreto de criação do Conselho Nacional de Juventude (2005). Entre as mudanças, um ponto fundamental é a retirada de autonomia da sociedade civil.
A eleição agora não é mais convocada pelo pleno do conselho, mas pela Secretaria Nacional de Juventude numa comissão prevista no decreto e composta por: 1 membro do conjuve; 1 membro da OAB; 1 membro do fórum de gestores estaduais; 2 membros do governo federal. É a maioria do governo. E mais: não há mais eleição: existe agora “um amplo processo de diálogo social  a ser promovido pela Secretaria Nacional de Juventude, responsável por apresentar ao Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República as indicações para composição do Conselho Nacional de Juventude”. Quem escolhe quem faz parte do conselho pela sociedade civil?
Quem quiser ler sobre o decreto:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Decreto/D9024.htm#art16
Veja mais sobre a situação do Conjuve em matéria de novembro de 2016: https://www.anpg.org.br/conjuve-reage-a-sabotagem-do-governo-de-temer/

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Hoje, 10 de abril, acontece as eleições de representantes discentes da Pós-Graduação stricto sensu e lato sensu dos Campi UFV-Viçosa, UFV-Florestal e UFV-Rio Paranaíba nos Colegiados da Universidade e de sua Diretorias. Participe! A votação é eletrônica e você pode votar neste site: https://www2.dti.ufv.br/criterium/eleicaoapg.
Este ano apenas uma chapa concorre na eleição: “Esta chapa que concorre novamente a eleição da diretoria e conselhos da UFV procurou aglutinar a todos que queriam construir a associação. Na gestão anterior tivemos conquistas importantes como a regularização administrativo-financeira, reformulação do estatuto por meio de assembleia geral e com acompanhamento da ANPG, ampliamos a divulgação da associação na universidade, procuramos ter transparência e participação na gestão de todo o conjunto dos pós-graduandos. Agora nos candidatamos para uma próxima gestão onde procuramos colocar na chapa pessoas que realmente tivesse afinidade e capacidade de executar as pastas. Nossas principais pautas são: maior transparência no processo seletivo de pós-graduandos e bolsas, o atendimento as cotas na pós-graduação, eliminar a subjetividade nos processos seletivos, e principalmente ir a luta contra as estruturas postas pelos direitos dos pós-graduandos, valorização da ciência e do pesquisador e contra o assédio moral. Queremos construir uma gestão participativa, transparente, democrática e alinhada com a defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade em todas as esferas.” Diogo Baiero, diretor geral da APG UFV.
 

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No dia 04 de março ficará marcado na história da Universidade Federal de Minas Gerais. O Conselho de Pesquisa, Ensino e Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (CEPE) discutiu e aprovou um projeto sobre cotas na pós-graduação.
Para a aprovação acontecer um ato em defesa das cotas foi convocado na frente da reitoria, reunindo representantes de entidades de defesa dos direitos da população negra, do movimento negro, da educação, e outros militantes dos movimentos. Phillipe Pessoa, coordenador do Fórum de Divulgação Científica da ANPG esteve presente no ato. Em sua intervenção, registrou o histórico da pauta de cotas na pós-graduação a partir da aprovação da resolução congressual de 2014, a criação do grupo de trabalho na CAPES e a publicação da portaria número 13 de 2016.
“Com muita luta estamos conseguindo quebrar o conservadorismo na UFMG. A entrada de estudantes de origem negra e periférica tem contribuído para este cenário”, disse Alexandre Braga, estudante de Ciência do Estado da UFMG e membro do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial. “Estamos aqui pela democratização da universidade. Já avançamos na graduação e falta na pós. Além disso, temos a questão epistêmica, pois a maioria do conhecimento gerado é por cientistas brancos, negligenciando estudos de populações quilombolas, educação indígena, mulheres negras. Precisamos democratizar também a produção de conhecimento”, declarou Kelly Cândido, mestranda da FAE-UFMG, que pesquisa de trajetórias de estudantes negros na pós-graduação.
A proposta de cotas aprovada é de reserva para negros, indígenas e pessoas com deficiência, ampla para todos os programas com uma percentagem entre 20 e 50% a ser definida localmente.

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A revista britânica Nature publicou uma reportagem que mostra como os cientistas brasileiros ficaram horrorizados com uma redução de 44% no orçamento federal de ciência, anunciado pelo governo do país na última quinta-feira.
De acordo com a publicação, isto deixará o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com seu orçamento mais baixo em pelo menos doze anos: com apenas R$ 2,8 bilhões (US$ 890 milhões) – um corte de R$ 2,2 bilhões no financiamento de R$ 5 bilhões que o governo havia proposto originalmente para 2017.
O corte é parte de um contingenciamento geral de R$ 42 bilhões do orçamento federal. O presidente Michel Temer diz que a medida foi uma resposta difícil, mas necessária ao crescente déficit fiscal do Brasil.
Os pesquisadores argumentam que a ciência já foi gravemente afetada pela crise econômica. Desde 2014, uma série de cortes de recursos significou o abandono de um programa de intercâmbio emblemático para estudantes brasileiros visitarem instituições líderes no exterior, e grandes projetos como o Sirius, fonte de luz síncrotron, de R$ 1,75 bilhão, foram colocados em perigo. O número de trabalhos de pesquisa publicados no Brasil também está diminuindo, segundo uma estimativa preliminar de 2016.
A ANPG está em luta para tentar reverter esse contingenciamento e o sucateamento da ciência e tecnologia. “Se este corte for efetivado significará um grande retrocesso para a ciência brasileira, pois ele implica no fim de todas as politicas de CTI no país”.
Veja o texto completo da Nature aqui
 

Todas as pesquisas disponíveis sobre o assunto indicam claramente que os índices de depressão e outros distúrbios psíquicos são assustadoramente altos na pós-graduação. O problema se torna ainda mais grave com a insistência da academia em não o enfrentar. Veja nesse artigo uma discussão detalhada sobre os dados disponíveis e uma tentativa de descobrir a origem desse grave problema.
Uma pesquisa na UFRGS
Em outubro de 2013 eu e os queridos amigos Gabriela Blanco e Glauco Araújo – na época pós-graduandos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – realizamos uma pesquisa pela Associação de Pós-Graduandos da UFRGS (da qual éramos os três diretores) sobre as condições socioeconômicas dos estudantes de pós-graduação desta universidade.
Nosso objetivo era levantar dados que nos permitisse comprovar para a Reitoria da UFRGS que os pós-graduandos tem sim demanda por assistência estudantil. Na época a UFRGS se negava a conceder vagas na moradia estudantil da universidade para pós-graduandos.
Como não havia qualquer dado sobre isso decidimos nós mesmo (pela APG-UFRGS) conduzir uma pesquisa. Utilizamos como base para o questionário socioeconômico uma pesquisa realizada pelo departamento de sociologia da própria universidade com os estudantes há uns 10 anos antes. Entretanto, por essa época eu tinha lido uma pesquisa inglesa “Under a cloud: Depression is rife among graduate students and postdocs” publicada na Revista Nature em outubro de 2012 (confira aqui: http://www.nature.com/naturejobs/science/articles/10.1038/nj7419-299a) que afirmava que os índices de depressão entre pós-graduandos na Inglaterra eram altíssimos. Eu propus inserirmos algumas questões relativas à saúde mental no questionário. Uma delas era a seguinte:
“Você já sentiu ou sente alguns desses problemas em algum momento após ter entrado em um curso de pós-graduação?” (a mesma pergunta feita na pesquisa inglesa) Eram dadas algumas opções, eis o resultado:
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A pesquisa foi conduzida simultaneamente entre estudantes do Lato Sensu (cursos de especialização) e Stricto Sensu (mestrado e doutorado) da universidade. Os números apontam claramente a deterioração das condições de vida dos estudantes do mestrado e doutorado.
Em todos as alternativas mestrandos e doutorandos apresentaram uma frequência maior de problemas. Os mestrando e doutorandos da UFRGS em 2013 estavam aproximadamente 3 vezes menos sociáveis, 2 vezes mais irritados, 1 vezes e meia com mais problemas de apetite e menos motivados, e quase 1 vezes mais com problemas para dormir do que os estudantes dos cursos Lato Sensu, de acordo com as respostas.

Confira nosos aritgo sobre – Mapa-múndi

Outros estudos sobre depressão e estresse na pós-graduação: UFRJ e UNESP.
Coincidência? Uma particularidade da UFRGS? A comparação com outros estudos conduzidos no Brasil indica que não. Pesquisa publicada em 2009 na Psicologia em Revista mostra dados em que 58,6% dos estudantes de pós-graduação da UFRJ (que foram entrevistados) estavam com algum nível de estresse.
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Em outro estudo, dessa vez de 2005 com estudantes de pós-graduação do curso de Medicina Veterinária da UNESP Botucatu e Jaboticabal afirma-se:

Este estudo aponta que 89% dos estudantes apresentavam sintomas de ansiedade, 64% de angústia, 63% de desânimo e 61% com dificuldades de concentração. Veja parte dos dados publicados no estudo abaixo:

Processo de avaliação e o adoecimento dos estudantes.
Infelizmente, a regra atualmente nos programas de pós-graduação é punir os estudantes que, em virtude da deterioração das condições da qualidade de vida, tem seu desempenho acadêmico prejudicado.
Não é incomum que a Associação Nacional de Pós-Graduandos receba reclamações de pós-graduandos com dificuldades para pedir, ou renovar, prazos de titulação e qualificação em virtude de afastamentos comprovadamente causados por doença no período de realização do mestrado e doutorado.
Infelizmente os dirigentes acadêmicos (não todos, mas em grande proporção) continuam insensíveis para o problema. Por quê? Em primeiro lugar, há uma certa cultura na academia do “no pain, no gain”. O “sacrifício” da vida pessoal é exaltado como meio para alcançar a excelência acadêmica. Isto se combina com um ambiente que incentiva uma competição sem limites, ora por prestígio, ora pelos próprios recursos financeiros – cada vez mais minguados nos últimos 2 anos – para se realizar as pesquisas acadêmicas. Parte do problema, eu avalio, se deve a combinação em larga medida do modo como é organizado o sistema de avaliação acadêmica da pós-graduação e a essa ideologia do “sacrifício individual”.
Nesse quesito ocupa um lugar proeminente a própria política de avaliação dos Programas de Pós-Graduação da CAPES. Ela incentiva um ritmo de produção acadêmica desmesurada. Os programas são avaliados levando-se em conta fatores como número de publicações e tempo de titulação dos discentes. A regra básica, que todo estudante de pós-graduação sabe por experiência própria é: quanto mais publicações, quanto mais participação em eventos, quanto menor tempo de titulação: melhor a nota do programa e sua própria posição pessoal dentro do sistema de avaliação de seu programa. E consequentemente mais recursos para as pesquisas e reputação entre os seus pares.

Porém, não há um limite para o quanto essa fórmula (mais produção no menor tempo) pode ser estendida. Isto provoca uma aberração no sistema de avaliação. Me lembro perfeitamente quando um professor da Universidade Federal de Santa Maria contou em uma atividade que pude participar lá representando a ANPG que havia colegas dele, professores da UFSM, que tinha uma média de 1 publicação de artigo a cada 10 dias registrado no Currículo Lattes no último ano. Com razão este professor perguntou: isso é factível?
Obviamente não. Inexiste pesquisa científica no mundo atual capaz de render – por um ano todo – uma publicação de artigo a cada (em média) 10 dias. O xis da questão é que as notas da CAPES em relação aos programas funcionam de acordo com uma escala móvel. Não há um padrão pré-definido de desempenho (atualmente), se um programa puxa o quociente de artigos publicados em um ano para cima, o sistema de avaliação é projeto de maneira que os demais programas – para manter suas notas atuais – tenham que produzir mais. Há uma espécie de escala móvel de desempenho para se manter dentro dos critérios de avaliação de uma nota determinada, em um sistema onde apenas o céu (ou o inferno) é o limite.
Em breve publicaremos um artigo explicando detalhadamente como funciona o sistema de avaliação trienal da CAPES sobre os programas de pós-graduação. No momento, basta explicar isso: uma das deficiências do atual sistema é que ele funciona como um torniquete apertando cada vez mais os programas para produzir mais em menos tempo. Aumentando a pressão a cada triênio. Estes, por sua vez, transferem uma parte dessa pressão aos estudantes de pós-graduação (e outra aos próprios professores).
Um dos resultados maléficos disso tudo está aí, para quem quiser ver, a disseminação da deterioração das condições de vida dos pós-graduados e seu consequente adoecimento psíquico. As pesquisas que existem sobre o assunto ainda são muito restritas, pontuais em uma universidade ou mesmo em apenas um programa, mas elas apontam que o problema é bem mais profundo do que a maioria dos dirigentes acadêmicos gostaria de admitir.
Não sabemos a extensão completa desse problema. Não há qualquer pesquisa em âmbito nacional sobre o perfil socioeconômico dos pós-graduandos e suas condições de vida. A ANPG logo percebeu essa deficiência e abriu negociações com a CAPES no ano passado para conduzir a primeira pesquisa desse tipo em âmbito nacional na história da pós-graduação do país, instalou-se um grupo de trabalho com representantes da CAPES, da ANPG e do Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação.
Tínhamos a perspectiva de poder convencer a CAPES e o próprio MEC a adotar políticas para combater a deterioração das condições de vida dos pós-graduandos, baseando em dados concretos sobre suas condições de vida e estudo. Uma pesquisa como essa poderia fundamentar empiricamente a necessidade de uma série de medidas como: a regulamentação do direito a licença saúde, maternidade, uma política de reajuste anual das bolsas, a instituição de um programa nacional de apoio aos pós-graduandos e – inclusive – a flexibilização dos prazos estabelecidos pela CAPES para titulações. Porém, após o golpe contra o governo Dilma e a ascensão de Michel Temer à presidência e Mendonça Filho ao Ministério da Educação o grupo foi paralisado e posteriormente desfeito unilateralmente pelo MEC.
Essa foi, apenas, mais uma das consequências nefastas para os pós-graduandos nesses tempos sombrios que adentramos.

Cristiano Junta
Vice-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos

 

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No dia 24 de abril a APG – UFSC realiza uma aula inaugural com a professora doutora Virgínia Fontes, da Universidade Federal Fluminense, autora do livro “O Brasil e o capital-imperialismo: teoria e história”. O tema da aula será “Governo Temer: os impactos na Pós-Graduação”. Atualíssimo e pertinente, tendo em vista o anúncio recente do Ministro da Educação, José Mendonça Filho, de que o governo irá acabar com o programa Ciência Sem Fronteiras este ano.

Outra consequência dos cortes de gastos implementado por Temer é a retenção de 44% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação. Agora, a área de Ciência e Tecnologia está com um dos menores orçamentos de sua história, um reversão da tendência da última década de aumentos constantes de recursos.
A Gestão “Resistir e Lutar, Pós Popular”  da APG-UFSC reafirma com esse evento sua determinação de prosseguir na luta contra as medidas antipopulares do governo Temer e seu compromisso de discutir as questões políticas atuais com o conjuntos dos pós-graduandos da Universidade.
EVENTO:

Aula Inaugural APG-UFSC
Data: 24/04/2017 – segunda-feira
Horário: 14h
Local: Auditório da Reitoria

LINK: https://www.facebook.com/events/1367879296604947

 

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O Prof. Dr Miguel Nicolelis considerado internacionalmente com um dos mais renomados cientistas da atualidade fará uma Aula Magna de recepção dos ingressantes nos programas de pós-graduação da USP no dia 6 abril às 18 horas. O vento ocorrerá no Auditório Professor Francisco Romeu Landi, na POLI/USP.

A atividade faz parte do calendário de mobilizações da Associação de Pós-Graduandos da USP-Capital. O tema da aula magna será “Universidade, Estado e Democracia: desafios e perspectivas para a ciência brasileira”. Nicolelis, notoriamente, não costuma fugir da discussão sobre a grave situação política do país, por isso mesmo, a atividade promete adentrar em temas importante sobre a atual conjuntura nacional.

Em entrevista ao site Painel Acadêmico em dezembro do ano passado ele afirma, por exemplo:

“Fora do Brasil os cientistas estão completamente chocados com a guinada que o Brasil está dando. O prestígio do país está sofrendo e a imagem do Brasil está sendo dizimada. É importante que os brasileiros saibam o quão nefastos têm sido os efeitos deste golpe que, basicamente, tirou o Brasil do rumo correto e está colocando ele em um precipício de onde vamos levar décadas para sair”

(Fonte: http://painelacademico.uol.com.br/painel-academico/8121-imagem-do-brasil-esta-sendo-dizimada-diz-miguel-nicolelis )

Confira o texto completo do convite para o evento:

RECEPÇÃO DOS INGRESSANTES DE PÓS-GRADUAÇÃO DA USP CAPITAL

Querid@s Pós-Graduand@s,

Com enorme satisfação viemos convidá-l@s para a AULA MAGNA do Prof. Dr. Miguel Nicolelis, que dará as boas-vindas aos ingressantes da Pós-Graduação USP Capital, palestrando sobre “Universidade, Estado e Democracia: desafios e perspectivas para a ciência brasileira”.

O Prof. Dr. Miguel Nicolelis é neurocientista, considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo pela revista “Scientific American”. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Lidera um grupo de pesquisadores da área de Neurociência na Duke University (Durham, Estados Unidos), no campo de fisiologia de órgãos e sistemas. Seu objetivo é integrar o cérebro humano com máquinas (neuropróteses ou interfaces cérebro-máquina). Suas pesquisas desenvolvem próteses neurais para a reabilitação de pacientes que sofrem de paralisia corporal. Nicolelis e sua equipe foram responsáveis pela descoberta de um sistema que possibilita a criação de braços robóticos controlados por meio de sinais cerebrais.

Desde 1994, é professor do Departamento de Neurobiologia e Codiretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University. Em 2003, retornou ao Brasil com a ideia de usar a ciência como um agente de transformação social e econômica, tendo o estado do Rio Grande do Norte como início desse projeto, do qual nasceu a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP). É fundador e preside voluntariamente a AASDAP desde sua criação, em 2004.

Para maiores informações sobre Nicolelis, acesse: http://www.nicolelislab.net/
LOCAL: Auditório Professor Francisco Romeu Landi – POLI USP, São Paulo, Brazil
DATA: 06 de abril 2017, às 18 horas.

 

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Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A deputada Alice Portugal, líder do PCdoB na Câmara, comemorou a rejeição pelo Plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 395/14, do deputado Alex Canziani, que permite a cobrança de pós-graduação lato sensu nas universidades públicas. Foram 304 votos favoráveis à matéria, quando o necessário seriam 308 para que fosse aprovada em segundo turno. Desde o primeiro turno da votação, Alice encabeçou a batalha para derrubar a PEC. Para ela, trata-se de uma janela de oportunidade para se votar a privatização nas instituições públicas.
“A educação pública e gratuita venceu nesta noite! O artigo 206 da Constituição Federal que trata da gratuidade permanece inalterado. Se essa PEC fosse aprovada, quebraria a gratuidade do ensino e nós teríamos já nas próximas semanas aqui no Congresso o projeto que prevê a quebra da gratuidade na graduação, conforme defendeu, recentemente, a secretária-executiva do MEC, Maria Helena. Isso seria um estrago na educação pública. Nós poderíamos, com o Termo de Ajuste de Conduta, resolver o problema das universidades que foram judicializadas em relação à cobrança da pós-graduação lato sensu. Não é abrindo a Constituição que iremos resolver este conflito”, disse.
No Plenário, Alice falou do posicionamento da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) que é terminantemente contra à PEC e que esteve ao lado da parlamentar nessa luta para derrubar a matéria. O PCdoB chegou a apresentar destaque à proposta na tentativa de retirar a cobrança de mensalidades de pós-graduação lato sensu, deixando apenas os cursos de extensão, mas não chegou a ser apreciado, uma vez que a proposta foi rejeitada.
Para Alice, a rejeição desta PEC nesta noite foi uma derrota importante para as intenções privativas do governo de Michel Temer. Ela continuará na linha de frente na defesa da gratuidade nas universidades públicas do Brasil.
Confira a mensagem direto do Plenário da líder Alice: https://www.youtube.com/watch?v=7-_Lkm3GtkI&feature=youtu.be