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Uerj01

As universidades públicas do Rio de Janeiro vão passar a reservar vagas nos cursos de pós-graduação para estudantes cotistas. O Sistema vai valer para os cursos de mestrado e doutorado, especialização, aperfeiçoamento e demais cursos oferecidos pelas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro (Uerj, Uenf e Uezo).

A reserva de oportunidades está prevista na lei estadual 6.914, de autoria do deputado Zaqueu Teixeira (PT), e sancionada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). A legislação entrou em vigor com a publicação no Diário Oficial na última sexta-feira (7).

De acordo com o texto, o objetivo é assegurar gratuitamente o aprimoramento, qualificação e especialização profissional a estudantes carentes. Do total de vagas, 12% são destinadas a estudantes graduados negros e indígenas; 12% a estudantes oriundos da rede pública e privada de ensino superior; e 6% para pessoas com deficiência, filhos de policiais civis e militares, bombeiros, inspetores de segurança e administração penitenciária mortos ou incapacitados em razão do serviço.

“Aprovamos como resolução, no 24° Congresso Nacional de Pós-graduandos, a defesa de cotas na pós-graduação brasileira, um passo importante para democratização do acesso, diversificação do perfil dos pós-graduandos e para a potencialização da pesquisa e da produção do conhecimento no país”, comentou Tamara Naiz, presidenta da ANPG.

No caso de cotas destinadas aos alunos da rede privada de ensino, são englobados os estudantes carentes, ou seja, beneficiários de bolsas de estudo como o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), o Programa Universidade para Todos (PROUNI) ou outro incentivo do governo.

Para o deputado Zaqueu Teixeira, a nova modalidade de cotas é importante para modificar o cenário da pós-graduação. “É importante para dar mais chances a quem está entrando no mercado de trabalho e permitir condições iguais àqueles que buscam alçar postos mais altos nas instituições onde trabalham”, disse.

De acordo com a nova lei, as instituições, “no exercício de sua autonomia, adotarão os atos e procedimentos necessários para a gestão do sistema, observados os princípios e regras estabelecidos na legislação estadual”.

Da redação com informações d’O Dia e do Jornal do Brasil

Dalmare CNS

O Diretor de Saúde da ANPG, Dalmare Sá, esteve presente, representando a entidade, na 263ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde, realizada nos dias 5 e 6 de novembro. A reunião teve início com o lançamento do “Guia Alimentar para População Brasileira”, publicação que busca fundamentar a prevenção da obesidade e desnutrição em todo o país, por meio da promoção da alimentação saudável.

A avaliação e planejamento das seguintes políticas de saúde estiveram em pauta: Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, Politica Nacional de Oncologia, Doenças Renais e Crônicas e Política Nacional de Atenção Integral a Saúde da Criança (PAISC). Todas estas políticas têm tido avanços significativos em suas áreas, com resultados animadores dos indicadores de saúde, como, por exemplo, o cumprimento do objetivo do milênio número 4 antes do previsto pelo Brasil, com a diminuição da mortalidade infantil nacional. Contudo, existe a necessidade de maior aprofundamento e difusão de alguns temas, tais como o racismo institucional que a Política de Saúde da População Negra combate.

Além destes pontos foi aprovado com algumas ressalvas o Relatório Anual de Gestão dos gastos públicos em saúde, apresentados pela Comissão de Financiamento (COFIN). Foi tratado também da retirada do Conselho Federal de Medicina do Plenário do CNS após diversas ausências da entidade devido a não concordância com as posições tomadas pelo plenário do mesmo, tais como a posição contrária ao “Ato Médico” e a posição favorável ao programa “+Médicos”, todas ações que visaram a melhora da saúde de toda população brasileira. A Comissão Intersetorial de Recursos Humanos (CIRH) também expôs alguns pareceres sobre abertura e avaliação de cursos de saúde no país.

Por fim, dois pontos foram debatidos que têm grande importância para os pós-graduandos e a pós-graduação no país: a apreciação das novas resoluções da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, que versaram sobre: Pesquisas Estratégicas para o SUS, Acreditação de Conselhos de Ética em Pesquisas e Especificidades éticas das Pesquisas nas Ciências Sociais e Humanas e de outras que se utilizam de metodologias próprias destas áreas, que serão apreciadas a posteriori para colaborações no Encontro de Conselhos de Ética em Pesquisa e através de uma Consulta Pública. O outro ponto de grande importância, principalmente para os pós-graduandos residentes, foi a análise do regimento da IV Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora, que prepara o CNS para a fase final de preparação para este grande evento que ocorrerá de 15 a 18 de dezembro e será o novo norteador das políticas para a área.

Da redação

Evento discutirá pesquisa realizada na área de TI

O Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia promove o IV Seminário de Pesquisa do PPGCI/UFBA: Integrando Graduação e Pós-Graduação, nos dias 20 e 21 de novembro. O objetivo do evento, que será realizado no ICI/UFBA (campus Canela), é construir um espaço de apresentação e discussão em torno das pesquisas desenvolvidas no PPGCI/UFBA e no ICI. Com isso, busca-se desenvolver a interlocução entre os professores e alunos de Pós-Graduação e da Graduação, para que haja o compartilhamento do conhecimento produzido e a integração para o crescimento da pesquisa no Instituto.

As inscrições, para professores e alunos que tenham interesse em apresentar seus trabalhos de pesquisa, devem ser feitas até o dia 10/11, através do envio de e-mail com resumo para seminá[email protected].

Mais informações pelo telefone: (71) 3283-7751.

Da redação

Matéria Conjuve - Forum de políticas da juventude

Fonte da imagem

O I Fórum Global de Políticas de Juventude provido pela ONU foi realizado em Baku-Azerbaijão, de 28 a 30 de outubro. O evento reuniu mais de 700 participantes de 165 países, entre ativistas, organizações da sociedade civil, agências da ONU, acadêmicos, ministros, entre outros. O encontro teve como objetivo avaliar o atual cenário das políticas de juventude no mundo, em especial, os 20 anos da adoção das metas estabelecidas entre diversos países, no Programa Mundial de Ação para Jovens (Wpay, 1995).

Os resultados do I Fórum foram a criação de uma agenda global para enfrentar os desafios da juventude e o compromisso dos países na implementação das metas globais de políticas públicas (PPJs).

Ângela Guimarães, secretária-adjunta da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e presidenta do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), apresentou as experiências brasileiras de participação da juventude na definição das PPJs: Conferência Nacional de Juventude, Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Participatório, Estatuto da Juventude e os Encontros Nacionais de Conselhos Estaduais e Municipais de Juventude. “Foi de grande importância este encontro, pois tivemos oportunidade de apresentar a rica e viva experiência brasileira de participação social da juventude na definição das políticas publicas. Representantes de outros países ficaram impressionados com nossos espaços de interação com os movimentos juvenis e as nossas agendas e ações. Como resultado ficamos de criar processos de cooperação bilateral entre o governo brasileiro e governo de países interessados nessa agenda de participação social e a política da juventude”, afirmou.

Segundo Ângela, foi de grande importância reconhecer que um país com a imensidão continental e cultural do Brasil, somada à sua diversidade regional consegue ao longo de uma década ter ações concretas que impulsionaram o desenvolvimento de milhões de jovens como as políticas de inclusão social na saúde, educação, cultura, emprego, dentre outros, assim como mantém um espaço de representação plural da juventude como o Conjuve que dá o tom na formulação e avaliação das políticas de juventude e que realiza também de forma constante os encontros nacionais de conselhos, articulando numa rede nacional que vem dos conselhos municipais, passando pelos estaduais até chegar ao nacional.

“Também chamou bastante atenção dos países presentes bem como da própria ONU o fato de realizarmos grandes espaços de ausculta juvenil como a nossa conferência nacional de juventude que é precedida tanto pelas etapas formais nas cidades e estados como valoriza e estimula a diversidade juvenil por meio da realização das conferencias livres, virtual, territoriais, regionais E da consulta aos povos e comunidades tradicionais.

Apresentamos ainda o nosso Estatuto da Juventude a nossa Carta de Direitos das e dos jovens brasileiros que também foi outro destaque da experiência brasileira. Diante de tudo isso, muitos países nos demandaram intercâmbio de nossas experiências e se mostraram interessados em conferir “In loco” a terceira edição da nossa conferência nacional de juventude em 2015, ao que respondemos lhes convidamos prontamente”, explicou Ângela.

Para o jovem Eduardo Zanatta, selecionado como representante da sociedade civil via chamada pública, participar do Fórum foi uma experiência única e pôde perceber que o Brasil é uma das referências sobre PPJs para outros países: “Sou formado em Relações Internacionais e pude colocar em prática aqui neste encontro o que aprendi na teoria. E senti que nossas políticas de juventude estão no caminho certo e têm se tornado referência, como por exemplo, veio tirar dúvidas comigo um representante do Instituto de Juventude do Governo Mexicano, que queria saber sobre as nossas políticas e disse que vai basear a legislação do estatuto da juventude, para a criação da deles”, diz.

Eduardo é presidente do Conselho Municipal de Juventude (CMJ) de Balneário Camboriú/SC, e foi na delegação brasileira juntamente com Ângela Guimarães da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), Murilo Amatneeks do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e João Scarpelini da Assessoria Internacional da SNJ.

O I Fórum Global de Políticas de Juventude foi organizado pelo Escritório do Enviado de Juventude do Secretário-Geral da ONU e o Ministério de Juventude do Azerbaijão, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Unesco e o Conselho da Europa.

Da redação com informações do Conjuve.

A cerimônia de posse da nova diretoria da APG da USP-Capital ocorreu ontem (03) na Universidade de São Paulo

ANPG apresenta moção aprovada no 24º CNPG ao reitor da USP
USP – Cidade Universitária

A assembleia de apuração dos votos da eleição da nova APG- USP aconteceu na última sexta-feira (31), às 16h, e contou com a presença p’os-graduandos de diversas unidades da universidade.

A chapa eleita foi a “Unindo Forças na USP”, composta por pós-graduandos de diversas áreas, entre eles, o diretor de cultura e eventos científicos da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Philipe Pessoa, mestrando em Química.

“Os estudantes da USP ganham com essa nova direção que se preocupa com a luta pelos direitos dos pós-graduandos e não apenas com o debate sobre poder na universidade”, diz Marcelo Arias, diretor da ANPG e membro da comissão eleitoral.  Dentre os temas principais da chapa eleita está a Campanha por mais direitos aos pós-graduandos e às pós-graduandas, lançada pela Associação.

A votação ocorreu em urnas físicas. A apuração dos votos para a diretoria da APG “Helenira ‘preta’ Rezende” do Campus Capital totalizou 594 votos, distribuídos da seguinte forma:

Chapa

Votos

Percentual dos Válidos

Pós Ativa, Voz Ativa

194

33,16

Unindo Forças na USP

391

66,83

Brancos

2

Nulos

7

 Da redação

A coalizão de movimentos sociais pela Reforma Política reuniu-se em Brasília ontem (03). Iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil, a coalizão reúne quase uma centena de movimentos e forças em prol de uma reforma política que aprofunde a democracia brasileira.

Durante a reunião foram discutidos os marcos para uma reforma política que possibilite mais representação política, colocando em destaque as vozes das minorias secularmente desprezadas, como os negros e as mulheres. As entidades e os participantes presentes se colocaram à disposição da luta por uma reforma ampla e irrestrita que transforme nossa democracia em um sistema cada vez mais representativo.

A próxima reunião da coalizão está marcada para a próxima sexta-feira (07) e os movimentos e forças integradas se comprometeram em fazer mobilizações e atos públicos entre 15 de novembro e 15 de dezembro, pressionando os poderes instituídos da República por uma Reforma Política ampla e democrática. O diretor da ANPG, Gabriel Nascimento, presente na reunião acredita que a reforma política precisa ser dialogada com toda a sociedade. “Por isso, a coalizão dos movimentos e entidades é um passo importante na democracia brasileira, porque mais de 50 entidades estão fazendo pressão juntas por uma reforma política democrática”, diz Gabriel.

Da redação

O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, participou na última quarta-feira (29), no edifício-sede da Agência, da reunião Expandida do Conselho Consultivo do Programa de Apoio à Aquisição de Periódicos (PAAP), com representantes de editoras internacionais e de revistas científicas brasileiras. Estiveram presentes também a Coordenadora Geral do Portal de Periódicos da Capes, Elenara Chaves Edler, e o diretor de Programas e Bolsas no País, Marcio de Castro.

O objetivo do encontro é discutir as propostas de editoras internacionais para a edição de revistas científicas brasileiras como estão fazendo a China, a Coreia e outros países. “Queremos um modelo em que as revistas brasileiras, sem perder sua identidade e características, possam ter um padrão internacional e assim aumentar sua visibilidade”, disse o presidente da Capes.

Durante a ocasião, as editoras Elsevier, Emerald, Springer, Taylor &Francis e Willey apresentaram suas propostas aos editores de revistas brasileiras, que se reuniram para ouvir as propostas e discuti-las em público cada editora internacional.

Guimarães citou ainda a experiência Japonesa, na qual mesmo com quantidade e qualidade na sua produção científica, enfrentava dificuldades com a língua na disseminação de seus artigos em meados do século passado. “Hoje encontramos esses mesmos pesquisadores [japoneses] publicando na Science e na Nature, resultado de uma decisão acertada do país com o objetivo de ampliar a visibilidade de suas publicações. É esse tipo de avanço que necessitamos”, explicou.
Para o presidente, essa é uma das iniciativas que faz parte da preocupação com a internacionalização das nossas universidades, focando na produção científica brasileira. “Nenhuma universidade brasileira tem condição de se internacionalizar inteiramente, mas ela pode se internacionalizar por setores”, completou Jorge Guimarães.

Acesse aqui as apresentações realizadas pelos editores internacionais.

Gisele Novais

Fonte: site da Capes

Prêmio é entregue por Virgínia Gonzalez, diretora da ANPG e presidenta da APG – Fiocruz

A Fiocruz recebeu o título de Instituição Educacional 2014, em cerimônia realizada pela Folha Dirigida com apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no dia 23 de outubro. A eleição, que homenageia dez educadores e três instituições pela contribuição que trazem para o ensino brasileiro nas mais diversas áreas, é feita por um colégio integrado por quase 5 mil figuras representativas da área de Educação e Cultura no Rio. A APG Fiocruz – RJ foi convidada a participar da entrega do prêmio.

Durante a cerimônia de premiação, realizada na Academia Brasileira de Filosofia, a vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade, apontou que o prêmio foi um reconhecimento dos educadores que trabalham qualificando profissionais de saúde, formando pesquisadores, especialistas e técnicos de nível médio. Ao receber a homenagem, Nísia reconheceu que não é comum a Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, ser vista como uma instituição educacional, embora reúna 33 programas de pós-graduação, entre outras ações na área. “Realizamos uma atividade intensa na formação de especialização para o SUS e também de desenvolvimento do ensino politécnico e de saúde. Estar aqui como instituição educacional nos dá projeção e mostra o reconhecimento dos educadores sobre nosso papel”, destacou.

A vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade, entregou a placa comemorativa para a presidente da Associação de Alunos de Pós-graduação da Fiocruz, Virgínia Valiate Gonzalez (Foto: Folha Dirigida)
A vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade, entregou a placa comemorativa para a presidente da Associação de Alunos de Pós-graduação da Fiocruz e  Diretora da ANPG, Virgínia Valiate Gonzalez (Foto: Folha Dirigida)

Como forma de homenagear os estudantes da instituição, Nísia escolheu que a placa comemorativa fosse entregue a ela pela presidente da Associação de Alunos de Pós-graduação da Fiocruz e Diretora de Tecnologia da Comunicação e da Informação da ANPG, Virgínia Valiate Gonzalez. “Quero oferecer o prêmio aos estudantes da Fiocruz, representados pela Virgínia; à equipe da vice-presidência de ensino; e ao diretor da nossa unidade de produção de medicamentos (Farmanguinhos), Hayne Felipe da Silva, que aqui representa o nosso Conselho Deliberativo”, ressaltou Nísia, ao receber a placa. A vice-presidente destacou ainda que educação e saúde são pilares fundamentais para o fortalecimento da cidadania no país.

Em depoimento, o diretor do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Hayne da Silva, abordou a relevância do professor como figura central no processo de ensino. “A importância do educador é vital. Se não valorizarmos esse agente, não iremos resolver esse ‘buraco’ que existe, principalmente, no campo tecnológico de nosso país. Vejo que cada vez mais nos faz falta formação de pessoas de qualidade. E isso precisa, necessariamente, de uma educação básica sólida. Mas, sem professores valorizados, isso não acontecerá. E conseguimos, ao longo desses anos, não só promover uma valorização em termos de remuneração, mas também entender que a capacitação do professor é algo importante”.

Também receberam o título de Instituição Educacional 2014: a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Rio de Janeiro (Apae-Rio) e o Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região (Sinpro-Rio). Foram agraciados com o título de Personalidade Educacional: o reitor da UniSuam, Arapuan Netto; o professor da Uerj e da UFF, Aristeo Gonçalves; o reitor da Unigranrio, Arody Cordeiro; o reitor da Universidade Candido Mendes, professor Candido Mendes; a diretora do Colégio Bahiense, Denise Bahiense; o diretor da Facha, Hélio Alonso; a presidente da Sociedade Propagadora das Belas Artes, Myriam Freire; o diretor do Colégio Pedro II, Oscar Halac; o vice-presidente da Instituto de Desenvolvimento Educacional da FGV, Stavros Xanthopoylos; e a escritora e conferencista Tania Zagury.

Fonte: Agência Fiocruz

Conversando com o autor Latino-Americano: Alejandro Crimson
Conversando com o autor Latino-Americano: Alejandro Crimson

O antropólogo argentino Alejando Crimson, da Universidad Nacional de San Martín (Buenos Aires), foi o convidado para a estreia da sessão “Conversando com o autor latino-americano”, espaço destinado a destacados pesquisadores na América Latina, em sintonia com o esforço de ampliar o escopo da internacionalização das ciências sociais brasileiras. A atividade, ocorreu nesta quarta-feira (29), e integrou a programação do 38º Encontro Anual da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais).

Em sua palestra, intitulada “Argentina exotizada, como si hiciera falta”, o pesquisador abordou as 70 mitomanias que os argentinos falam sobre seu país e sobre si mesmos, pesquisa publicada em seu mais recente livro “Mitomanias Argentinas”, um estudo antropológico da linguagem coloquial tanto nos momentos de soberba como de autodenegrição do cotidiano dos argentinos. A ANPOCS bateu um papo com ele após sua conferência para saber mais sobre o assunto. Confira na entrevista abaixo!

ANPOCS: Na sua palestra você expôs uma seleção de 70 mitomanias que os argentinos falam do seu país e de si próprios. Você poderia citar algumas e falar sobre elas?
Alejandro Grimson: Tem uma [mitomania] muito forte de que a Argentina é um país europeu. Isso tem uma grande influência no sentido do imaginário social sobre a nação, que contribui para a soberba, muito conhecida dos argentinos, mas, também, para a frustração deles para com o país existente de fato. É antiga essa história da ‘europeidade’ da Argentina, um país branco, no sul da América, que tem uma conotação de superioridade, e eu faço uma crítica disso. Mas, por outro lado, os argentinos sabem que o seu país não é a Europa. Além do que eles superestimam a Europa, imaginando-a melhor do que de fato é. Eu sempre falo que os europeus adorariam morar na Europa imaginada pelos Argentinos, como se fosse um território perfeito, tudo funciona perfeito, não tem desigualdade, não tem problema nenhum.

A segunda mitomania muito importante é a ideia de que todo o tempo no passado foi melhor do que o presente: ‘A Argentina já foi um grande país, uma grande potência, perdeu tudo e hoje é um desastre’. Essa ideia é um obstáculo para entender quais coisas hoje funcionam melhor e pior do que no passado. Mas, é uma ideia que regula tudo e que faz com que os cidadãos olhem tudo o que acontece no país, na política, na democracia, na economia, na educação, na saúde como se fosse sempre pior do que no passado. E é obvio que não é assim. Porque, por exemplo, a Argentina nunca na sua história teve 30 anos de democracia continuada, hoje a Argentina tem o menor índice de analfabetismo também, muito mais universidades do que em outra época… Então, há fatores que pioraram e que melhoraram. E essa realidade é muito mais complexa.

Outra mitomania é que ‘na Argentina não tem racismo porque não tem negros’, o que já é uma ideia racista. O uso do termo negro na Argentina é muito classista porque todos os pobres são considerados negros, assim como todos os favelados, os peronistas e os torcedores do clube de futebol mais popular. Então, por um lado, segundo a mitomania, não há negros, por outro lado, na linguagem popular, metade da população é negra.

ANPOCS: Como foi o processo e o que você concluiu com este estudo?
A. G.: Eu venho fazendo pesquisas há cerca de vinte anos na Argentina e, há quatro anos, eu decidi tentar colocar essas pesquisas e também outras pesquisas das ciências sociais argentinas em tensão com a linguagem coloquial dos argentinos. E tentar saber exotizar essa linguagem, porque é uma linguagem que está no meu corpo, na minha própria fala, na fala de amigos… Essas frases que eu cito são frases que você escuta durante a sobremesa do domingo, no boteco, no trabalho, no ônibus, na mídia. Assim, a ideia foi exotizar isso, criar metodologicamente uma distância e então ir registrando as frases, pouco a pouco. A partir daí, fazer uma crítica dessas frases com dados da pesquisa antropológica e sociológica, mas numa linguagem para um público comum. É meu primeiro livro dedicado a um público que não é só acadêmico, embora as informações que o livro oferece aos leitores são informações da academia, da universidade e das pesquisas.

ANPOCS: Queria comentar algo que você disse sobre os argentinos acharem que o passado é sempre melhor do que o presente. Você acha que isso, de alguma forma, contribui para a polarização amor x ódio dos cidadãos argentinos em relação ao atual governo da Cristina Kirchner?
A. G.: A ideia da decadência da Argentina nasceu no final da década passada, depois da ditadura, no ano 1976, que destruiu o aparelho industrial da Argentina, que era importante, e também deu golpes muito duros para a universidade e para a educação. Os anos 80, quando volta a democracia no ano 1983, o governo praticamente não tem orçamento, é uma situação de crise permanente. E, nos anos 90, chega um neoliberalismo extremo na Argentina quando o governo do [Carlos Saúl] Menem assume, e tem essa situação que o governo cria a paridade dólar X peso, um dólar vale um peso e vice-versa, mas isso gera uma situação que culmina em um processo de recessão no ano 1998 e que vai até o ano 2002. E essa recessão esteve acompanhada de aumento de desemprego, que foi de 15% para 22%. Tem toda uma coisa de que a classe média na Argentina está em processo de desaparecimento. O governo Kirchner produz também uma divisão onde os opositores do governo atual tem um discurso de que a Argentina continua no processo de decadência e o oficialismo politico acha que o país já resolveu esse processo.

A minha posição é uma posição de distanciamento crítico para tentar compreender essa divisão, desde as ciências sociais, e tentando contribuir para um debate público menos polarizado do que se tem hoje na Argentina.

ANPOCS: Você recebeu diversos prêmios com as suas obras, como o “Relatos de la diferencia y la Igualdad”, que ganhou o prêmio FELAFACS, como a melhor tese em comunicação na América Latina. Depois de publicar “La Nacion em sus limites, interculturalidad y comunicación”, você também recebeu o prêmio Bernardo Houssay pelo Estado Argentino, como o mais destacado pesquisador jovem nas Ciências Sociais. De certa forma, nos seus estudos você sempre busca estudar a questão dos contrastes e dos limites culturais…?
A. G.: Eu pesquiso, por um lado, uma sociedade -pode ser um bairro, uma comunidade, um Estado, uma nação-, que pode ser compreendida como uma configuração cultural. Isso significa que você tem uma grande heterogeneidade dentro de qualquer sociedade, mas que essa heterogeneidade tem um tipo de associação histórica particular dentro de cada uma delas. Então, quando você estuda cada sociedade, você pode fazer uma comparação com como funciona essas heterogeneidades em outras configurações. Porque você pode ter desigualdade em duas sociedades, mas em cada sociedade essa desigualdade é processada de uma forma particular, tem formas particulares de conflito e de confronto, que tem a ver com sua própria história e contexto. Então, isso tem uma potencialidade comparativa que eu consegui desenvolver. Em parte da minha tese de doutorado, eu abordei as fronteiras do Brasil e da Argentina. Em outra parte, num projeto posterior, que é um livro que se chama “Paixões Nacionais”, diz uma comparação bastante abrangente entre cultura política no Brasil e Argentina.

ANPOCS: No seu mais recente livro “Mitomanias Argentinas”, no qual foi baseada sua conferência, você propôs um modo de abordagem crítico do sentido comum que teve repercussão na televisão…
A. G.: Lá, na Argentina, há vários anos, o Ministério da Educação criou um canal educativo, chamado Encuentro, muito respeitado, no qual se procura abordar a ciência, a matemática, a biologia, a física, a filosofia com uma linguagem acessível para o público. Nesse canal, a gente desenvolveu um programa de televisão em oito capítulos baseado no livro “Mitomanias Argentinas”, num intento de aproximar a Antropologia da Sociedade Contemporânea para o grande público. Elaboramos esse programa, homônimo ao livro, no qual combinamos os conceitos da antropologia ao humor. Chamamos alguns humoristas para algumas piadas, porque a antropologia e o humor tem algo em comum: assim como essa ciência precisa de uma distância [de seu objeto de estudo] para compreender, o humor sobre o próprio país também implica uma reflexão, um convite lúdico para refletir sobre determinado assunto. Então, esses programas tem uma parte bastante engraçada e teve muito sucesso na televisão. Está na web, as pessoas podem assistir ao programa pela internet.

ANPOCS: É a primeira vez que você participa como palestrante de um Encontro da ANPOCS?
A.C.: Sim.

ANPOCS: O que você achou de participar do encontro?
A.C.: É um programa muito interessante, pois coloca muitas discussões estratégicas sobre as ciências sociais contemporâneas, os seus desafios, os seus problemas, as suas agendas. Eu acho muito interessante conhecer de perto os debates que hoje tem as ciências sociais brasileiras. Eu fiz o doutorado no Brasil, na Universidade de Brasília, mas finalizei faz doze anos. Então, mesmo que eu tenha feito uma tradução para o espanhol do livro “Antropologia Brasileira Contemporânea”, que é uma coletânea, isso me deixou atualizou apenas neste campo. Vir à ANPOCS vai muito além da Antropologia, é possível ver a agenda de outros campos das Ciências Sociais brasileira.

ANPOCS: Você selecionou algumas mesas para assistir aqui no Encontro?
A. C.: Eu fui para a Conferência [“O Deslocamento das Placas Tectônicas da Sociedade Brasileira”] do Luiz Eduardo Soares [realizada na terça-feira (28)].

O 38o Encontro Anual da ANPOCS termina nesta quinta-feira(30).

Por Natasha Ramos, de Caxambu (MG)

Fonte: ANPOCS

No último domingo, dia 26 de outubro, a presidenta Dilma Rousseff do PT foi reeleita com 51,67% dos votos válidos. A ANPG, em reunião ampliada de sua diretoria, decidiu pronunciar-se em apoio à Dilma no segundo turno, entendendo que a candidatura de Aécio Neves do PSDB representava um retrocesso às políticas neoliberais já experimentadas e com graves consequências para o Brasil. Em carta aos pós-graduandos e à toda sociedade brasileira, a entidade posicionou-se em seu nome e também assinando a carta em conjunto com as demais entidades estudantis, UNE e UBES.
Confira aqui os dois documentos:
https://www.anpg.org.br/?p=6454
https://www.anpg.org.br/?p=6459
A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, comentou a importância e o significado da reeleição de Dilma “Acreditamos que com a reeleição de Dilma Rousseff haverá um ambiente político mais favorável para as lutas e conquistas sociais por pautas mais avançaadas, como a reforma política e implantação do PNE. Também acreditamos que o governo deve ser cada vez mais incisivo na implementação de políticas que garantam a promoção social. Para tal, a política econômica deve estar a serviço do crescimento da economia, regulamentando o mundo do trabalho e promovendo distribuição de renda e sustentabilidade.
Do ponto de vista da ciência e da pós-graduação brasileira, defendemos a valorização da ciência e dos pesquisadores, continuaremos a lutar por mais investimentos em CT&I, tendo como bandeiras principais: 2% do PIB para a área e a recomposição do FNDCT.
Além disso, iniciamos agora a campanha que será o carro chefe dessa gestão que é a luta por melhores condições de pesquisa, expressa na luta por mais direitos para os pós-graduandos brasileiros, que exercem cotidianamente e com afinco suas pesquisas e estudos.
Com a vitória de Dilma temos a confiança no não retrocesso das políticas públicas que vem sendo implementadas, mas para além disso, temos a oportunidade de novos sonhos e novas lutas! Avancemos!”
No seu primeiro pronunciamento depois da confirmação do resultado da eleição pelo presidente do TSE, Dilma ressaltou a importância do diálogo e a reforma mais importante sendo a política, através de um plebiscito popular. Para isso, a presidenta disse ser fundamental discuti-la com os movimentos sociais e as forças da sociedade civil. Além disso, dentre as áreas prioritárias que destacou, citou a educação, a cultura e o desenvolvimento da ciência e tecnologia.
Da redação