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 A Secretaria de Ciência, Tecnologia  e Meio Ambiente (Sectma) do Estado de Pernambuco promove nesta semana (25 e 26 de março) a 1ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (CECTI). O evento ocorre no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com o tema “Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável” e abriga a primeira etapa da Caravana de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG, que ocorre no primeiro dia da Conferência. As inscrições já estão abertas e os interessados em participar da 1ª CECTI podem fazer a inscrição na página eletrônica da Conferênciawww.sectma.pe.gov.br/, onde devem baixar a ficha, preenchê-la e enviá-la para o e-mail: [email protected].

 

A Caravana de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG, terá seu primeiro debate durante a 1ª CECTI de Pernambuco, no dia 25 de março. O tema do debate, organizado em conjunto com a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) é Ciência e Educação: A Formação de Recursos Humanos no Projeto de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Nacional, e contará com a presença de reitores e representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além da  secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Luciana Santos  e dos presidentes da ANPG e da UEP.

 

A CECTI Pernambuco

 

O objetivo da Conferência é discutir os seguintes temas: Sistema Estadual de Ciência Tecnologia e Inovação; Inovação na Sociedade e nas Empresas; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas e Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social, devendo ser tirados encaminhamentos como resultado final das  discussões.

 

Durante encontro preparatório para a Conferência, Luciana destacou o esforço do Governo do Estado para que os ambientes de produção científica se espalhem por todas as regiões de Pernambuco. “Muitas vezes a inovação surge fora do núcleo acadêmico, a exemplo dos arranjos produtivos locais (Apl’s) do Estado, que foram desenvolvidos de acordo com as necessidades econômicas de cada região, mas o desenvolvimento local também depende de investimentos em ciência e tecnologia”, ressaltou.

 

Segundo Hugo Valadares, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a entidade  “participará ativamente de todo o processo de construção da conferência, levantando a bandeira dos pós-graduandos e da pós-graduação brasileira. Nesse sentido, colocam-se dois desafios: a absorção e formação de mão-de-obra qualificada e o salto que o Brasil precisa dar no que tange à Inovação Tecnológica”.

 

No encontro, os participantes irão integrar grupos de debates para discutir linhas para a elaboração de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação que poderão ser adotadas pelo Governo do Estado. Eles também apresentarão propostas que farão parte de um documento a ser encaminhado à Conferência Regional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CRCTI), que ocorrerá nos dias 15 e 16 de abril, em Maceió (AL), e à 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que acontecerá de 26 a 28 de maio, em Brasília.

 

De São Paulo, Eleonora Rigotti e Luana Bonone, com informações da CECTI

 

 

O credenciamento dá direito a alimentação, hotel, traslado e as atividades culturais.

Entre os dias 15 e 18 de abril o Rio de Janeiro sediará o XXII Congresso Nacional de Pós-graduandos. Mostras científicas, debates sobre a pós-graduação e a pesquisa no Brasil, atividades culturais e grupos de discussão comporão a extensa programação do Congresso.
 
O valor do credenciamento é R$ 100,00, e dá direito a alimentação, hotel, translado e às atividades culturais. Os participantes do Rio de Janeiro pagarão R$ 50,00 e terão direito a alimentação, traslado (do Centro do Rio até a UFRJ, campus Fundão) e às atividades culturais.
 
Os participantes da Mostra Científica terão o valor de inscrição da mesma (R$ 20,00) abatido ao valor total do credenciamento, sendo seus trabalhos aceitos ou não. Assim, pagarão R$ 20,00 pela inscrição de trabalhos na Mostra e mais R$ 80,00 pelo credenciamento no congresso. O mesmo vale para os participantes do Rio de Janeiro que inscreverem trabalhos: terão o valor da mostra abatido do credenciamento.
 
Assim:
Participante do Congresso de fora do RJ: R$ 100,00 de inscrição no Congresso*
Participante do Congresso residente no RJ: R$ 50,00 de inscrição no Congresso*
Inscrição de trabalho na Mostra Científica: R$ 20,00
* Se o participante tiver inscrito trabalho na III Mostra Científica da ANPG, o valor da isncrição de trabalho (R$20,00) será descontado da isncrição no congresso.
 
Para que o desconto se efetive no credenciamento do Congresso, é necessário enviar o comprovante de pagamento da Mostra por e-mail ([email protected]) ou apresentá-lo no ato da inscrição.
 
Para saber sobre como participar do congresso clique aqui
 
Para saber mais sobre a III Mostra Científica da ANPG clique aqui
Na página da ANPG estão divulgados todos os trabalhos que foram apresentados durante a Mostra Científica do 1º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela ANPG em conjunto com o CENAPET, a UNE e a UBES.
 
No congresso da ANPG será divulgado o CD com os Anais do Salão, incluindo vídeos, a programação, informações sobre o próprio salão e a Mostra Científica, além da relação de trabalhos e o número ISBN.
 
Confira os trabalhos da Mostra Científica do 1º Salão Nacional de Divulgação Científica na página da ANPG clicando aqui.

Por Theófilo Rodrigues*

Conta a sabedoria popular que em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, um pobre agricultor, pai de uma dúzia de filhos, já não sabia mais como mantê-los em sua pequena casa. Sem saber mais o que fazer com aquela situação insustentável, o pequeno agricultor foi procurar o padre da cidade, grande conselheiro que a todos ajudava. Após ouvir a história do pobre coitado, o padre pensou, pensou e sugeriu que o homem levasse um bode para sua casa.
O pai, que àquela altura já estava desesperado, resolveu seguir o conselho do velho padre. Levou o bode e o amarrou bem no meio da sala de sua casa. Passaram-se alguns dias e o fedor do bode na sala cada vez aumentava mais. Até que a família, que já não agüentava mais o fedor e a sujeira do bode, resolveu levá-lo de volta ao padre. Ao vê-los o padre perguntou se as coisas tinham melhorado. A resposta da família foi negativa. O padre então pediu que eles devolvessem o bode para a Igreja. Alguns dias depois, ao encontrar a família feliz na missa das 7, o padre perguntou: E agora, melhorou?
A resposta foi imediata: Sim, padre, melhorou bastante!
A Teoria do Bode pode ser um importante instrumento de análise da ciência política para a compreensão de determinados conflito políticos. Ora, vejamos o caso da polêmica redistribuição dos royalties entre os estados.
Assim que foram descobertos os poços de petróleo na camada Pré-sal, políticos de todos os estados e matrizes ideológicas cresceram seus olhos para a fortuna dali decorrente. O debate virou capa de todos os jornais e era protagonizado de um lado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, defensor ferrenho de que os recursos deveriam ser distribuídos por todos os estados e do outro lado pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defensor de que os recursos ficassem nos estados produtores.
Naquele momento, portanto, o debate centrava em recursos futuros provenientes do petróleo a ser explorado na camada Pré-sal. O impasse era muito grande e o próprio presidente Lula não queria se meter nessa grande briga de governadores.
Qual a solução? O padre diria: Coloquem o bode no meio da sala!
Pois bem, foi o que o Congresso fez ao aprovar na última quinta-feira a “Emenda Ibsen”. Para quem não sabe, a “Emenda Ibsen” divide entre todos os estados os recursos provenientes do Pré-sal. Mais do que isso, a emenda garante que também sejam distribuídos entre todos os estados os recursos provenientes da exploração dos atuais poços de petróleo da camada Pós-sal. Ou seja, corta do atual orçamento do Rio de Janeiro para distribuir aos outros estados.
Agora, tudo que o governador do Rio de Janeiro quer é tirar o “bode da sala”. Nos bastidores, já se diz: deixem o orçamento do Rio como está e topamos dividir o Pré-sal entre todos os estados. Ao que parece, o bode salvou mais uma vez a política nacional! Sábio conselho do velho padre mineiro…

*Theófilo Rodrigues é mestrando em Ciência Política na Universidade Federal Fluminense (UFF)




Na última quarta-feira, 10/03, uma reunião no Rio de Janeiro firmou importante parceria política entre a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia(FINEP) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

 

A pauta envolveu temas atuais como o XXII Congresso da ANPG, a 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e a polêmica crise financeira do Iuperj. Para o presidente da FINEP, professor Luis Fernandes, a ANPG joga papel importantíssimo no atual momento, em que o Brasil consegue finalmente aliar em sua agenda o desenvolvimento econômico, o  desenvolvimento social e o desenvolvimento democrático.

 

O presidente da Finep, professor Luiz Fernandes, durante a audiência com diretores da ANPG

Nesse contexto, Luis Fernandes ressaltou a importância dos pós-graduandos no processo de construção da 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação que acontecerá em Brasília de 26 a 28 de maio de 2010.Fernandes lembrou ainda de sua época no movimento estudantil no início da década de 80 quando chegou a ser diretor da UNE. Para ele sua atuação hoje a frente da FINEP é uma continuidade de sua militância, sempre em defesa da transformação social.

 

O presidente da ANPG, Hugo Valadares, apresentou algumas questões que serão levantadas pela entidade durante a 4ª. Conferência, como a luta pela ampliação e valorização das bolsas de pesquisa, a absorção dos pós-graduandos pelo mercado de trabalho e a construção do PNPG. Valadares aproveitou o momento para convidar o professor Luís Fernandes para a mesa de abertura do XXII Congresso da ANPG. A parceria entre FINEP e ANPG tem tudo para persistir por bastante tempo. A começar pela proximidade de suas sedes, que como foi bem lembrado por Valadares, são vizinhas e contam com a belíssima vista para a Praia do Flamengo.

 

 

Confira a entrevista feita com o Professor Luis Fernandes:

 Do Rio de Janeiro,Theófilo Rodrigues

 

 

ANPG, UNE e UBES se reuniram na última terça-feira (09/03), com o novo Presidente do CNPq, Professor Carlos Aragão. O presidente da ANPG, Hugo Valadares, valorizou a atitude de Aragão de ter recebido as entidades estudantis poucos dias após sua posse, reforçando que foi uma atitude de "fortalecimento da democracia e que ajuda na aproximação da ciência com a sociedade".

 

Na última terça-feira, em Brasília, o Presidente da ANPG, Hugo Valadares, a Diretora de Relações Institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcela Cardoso e o Diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Rafael Clabonde, reuniram-se com o novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico  (CNPq), professor Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho. Acima, a foto do presidente do CNPq com os representantes estudantis.

A pauta da reunião foi a relação das entidades estudantis com o Conselho, dando enfoque principal às demandas dos pós-graduandos.

A ANPG iniciou a reunião com um convite ao professor para participar do XXII Congresso da ANPG, que acontecerá no Rio de Janeiro, entre os dias 15 e 18 de abril deste ano. Vários temas serão debatidos, entre eles, os rumos da ciência no Brasil.

Já há algum tempo a ANPG vem participando de forma destacada dos conselhos da CAPES, o que levou a entidade a pleitear a participação no Conselho Deliberativo do CNPq. Pleito que segundo o prof. Aragão, será avaliado na próxima reunião da diretoria. Já a solicitação de inclusão do Ministério da Ciência e Tecnologia e do CNPq na comissão que debaterá o PL 2.315/2003, o PL dos Pós-Graduandos, foi atendida prontamente. O Ministério da Educação (MEC) e a Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CAPES) já compõem esta comissão.

A notícia mais esperada veio no fim do encontro, quando o professor Aragão interrompeu a fala da entidade, que demonstrava preocupação com o longo período de estagnação dos valores das bolsas, para anunciar, que horas antes, durante a Reunião de Diretoria do CNPq, fora aprovado um reajuste não só das bolsas de Pós-Doutorado, mas também das de Iniciação Científica. O reajuste médio foi da ordem de 21%, com destaque para a bolsa de pós-doutorado, que passou de R$ 2.218,56 para R$ 3.200,00, um acréscimo de 44% (ver tabela abaixo). As bolsas de Iniciação Científica (IC) foram as mais beneficiadas no quantitativo: passaram de 29 para 43 mil, um incremento substancial de 14 mil bolsas, ou cerca de 48%.

A ANPG comemora mais essa vitória do Movimento Estudantil, mas muito ainda há por vir! Hugo Valadares foi enfático ao salientar durante o encontro que as bolsas dos pós-graduandos, sobretudo de mestrado e doutorado, além de estarem sem aumento desde 2008, ainda não contemplam diversas demandas dos estudantes, como a licença-maternidade plena, o tempo de contribuição à aposentadoria,  uma data base para aumentos e ainda impede que o estudante possa trabalhar, mesmo com aval do seu orientador. O Prof. Aragão se mostrou atento a essas questões e disse que medidas estão sendo estudadas neste sentido, juntamente com a CAPES.

 

 

 

QUADRO DE REAJUSTE DAS BOLSAS

A partir de 01/março/2010

MODALIDADE

DE

PARA

% REAJUSTE

IC e PIBITI

300,00

360,00

20%

Apoio Técnico – NS

483,01

550,00

14%

Apoio Técnico – NM

300,00

400,00

33%

Pós-Doutorado

2.218,56

3.200,00

44%

Pós-Doutorado Sênior

3.000,00

4.000,00

33%

PQ-1A

1.254,00

1.500,00

20%

PQ-1B

1.185,00

1.400,00

18%

PQ-1C

1.116,00

1.300,00

16%

PQ-1D

1.011,00

1.200,00

19%

PQ-2

976,00

1.100,00

13%

DT-1A

1.254,00

1.500,00

20%

DT-1B

1.185,00

1.400,00

18%

DT-1C

1.116,00

1.300,00

16%

DT-1D

1.011,00

1.200,00

19%

DT-2

976,00

1.100,00

13%

 

Para saber mais informações sobre o XXII Congresso da ANPG acesse

https://www.anpg.org.br

Ou entre em contato através do telefone (11)5081-5566

Para conhecer todas as modalidades de bolsas do CNPq acesse

http://www.cnpq.br/bolsas/index.htm

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A sociedade brasileira corre o risco de perder um dos seus principais centros de produção científica: o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro- Iuperj. Responsável pelos melhores cursos de pós-graduação na área de Ciências Sociais do país, o Iuperj hoje corre o risco de fechar suas portas por absoluta falta de recursos. Segundo o Diretor-Executivo do Instituto, professor Jairo Nicolau, os professores e funcionários já estão há seis meses sem receber. Apesar de sua fundamental relevância pública, o Iuperj é vinculado a Universidade Candido Mendes (particular) que se encontra numa situação financeira gravíssima com dívidas de aproximadamente R$ 300 milhões.

Enquanto nenhuma alternativa de salvamento se materializa, a estatização ou criação de uma Organização Social (OS), a ANPG debate a crise e possíveis ações em defesa deste importante e histórico Instuto. Salvem o IUPERJ!

Confira abaixo o artigo do professor Luiz Werneck Vianna, professor-pesquisador do IUPERJ e ex-presidente da ANPOCS, publicado no Jornal O Globo no dia 6 de março:
Professor Luiz Werneck Vianna
O IUPERJ vale uma missa?
A moderna pós-graduação em Ciências Sociais no Rio de Janeiro nasceu no Museu Nacional e no IUPERJ em fins dos anos 1960. Veio à luz em momento pouco propício – o recrudescimento do regime político autoritário, que culminou com a edição do AI-5, em 1969. Na mesma época, em São Paulo, fundava-se o CEBRAP, centro de pesquisas criado por professores da USP compulsoriamente aposentados, que assim repetiam, pouco tempo depois, o triste destino dos professores da Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ, da Fundação Osvaldo Cruz e do ISEB.
            Banidos de seus lugares tradicionais, os cientistas sociais reinventam seus papéis e se tornam criadores de instituições, tal como o CEBRAP e o IUPERJ. Insulados em suas novas agências, sua reação ao regime autoritário se vai realizar a partir de uma intervenção critica, em que o tema de fundo será o da inquirição das raízes históricas do autoritarismo brasileiro e o do diagnóstico das desigualdades sociais reinantes. Paradoxalmente, esse insulamento dos intelectuais, em meio a um clima de repressão das liberdades civis e públicas, estimulou sua reaparição na esfera pública e no processo de formação da opinião. Ao abrigo das disputas políticas diretas, desvinculados da vida partidária, exercendo a vocação do seu ofício e se expressando como intérprete do interesse geral e não como representante do particularismo de indivíduos e grupos, acabam por conquistar uma espécie de mandato implícito, com respaldo na ciência, para falarem em nome da sociedade.
            Daí uma importante mutação quanto aos intelectuais do período pré-64: se, antes, sob a democracia, seus vínculos com as instâncias da sociedade civil, como partidos, sindicatos e a vida associativa, eram, em geral, estabelecidos individualmente, no contexto autoritário se instituem como corpus, apresentando-se com a linguagem da ciência. A constituição dessa nova identidade conhece, então, uma extraordinária difusão, de que a ANPOCS (Associação Nacional da Pós-graduação em Ciências Sociais) e outras instituições são exemplares, congregando, anualmente, cada vez um número maior de filiados.
            Nesses corpus, sob controvérsias, sedimentam-se opiniões, diagnósticos que são selecionados pela mídia ou partidos, e eventualmente, dependendo da oportunidade e/ou relevância, canalizados para a esfera pública. Foi assim que, sob o regime ditatorial, a pós-graduação brasileira e os centros de pesquisa isolados, sempre no registro do trabalho científico especializado, estabeleceram suas redes de comunicação com o mundo exterior, mantendo preservada a sua autonomia quanto aos demais atores sociais, principalmente os partidos políticos. Essa não foi, é claro, uma estratégia consciente, embora muito bem sucedida para os fins a que se dispunha, qual seja a de instituir uma agenda razoável para o assentamento da questão democrática e da social.
            Assim, pode-se sustentar, sem triunfalismos patéticos, que a história da resistência ao autoritarismo e a da conquista da democracia não pode ser contada desconhecendo o papel desempenhado por essas novas agências de intelectuais, inclusive – e, em certos momentos, principalmente –, pelas instituições de pós-graduação, como é o caso do IUPERJ, que, entre outras características, estimulou a formação e abrigou as primeiras secretarias da ANPOCS.
            O IUPERJ começa sua história com foco no tema das instituições políticas democráticas, rejeitando as concepções que as entendiam como formas vazias de conteúdo. Sua ênfase, desde sempre, foi a de que “o substantivo” deveria encontrar canais institucionais livres, a fim de se expressar na esfera pública como demandas a serem realizadas. Com essa orientação, abriu sua agenda para as questões sociais, dedicando-se à pesquisa e à formação especializada dos seus alunos em temas estratégicos à nossa sociedade, tais como sindicatos, violência, profissões, pobreza e marginalidade, raça e gênero. Seus pesquisadores, nessas duas frentes de trabalho, produziram dezenas de trabalhos, publicados pelas principais editoras do país, e participaram da orientação de centenas de pesquisas, para fins de teses de doutorado ou de dissertações de mestrado – um repertório respeitado nacional e internacionalmente. Ademais, conservando seu caráter de instituto orientado para as diferentes linhas de especialização que se afirmam nas Ciências Sociais, o IUPERJ mantém e aprimora a tradição institucional de privilegiar a cultura humanista e o pensamento clássico brasileiro em Ciências Sociais, patente na sua lista de publicações e nas teses defendidas.
            Essa é uma história de êxitos e a opinião pública reconhece e valoriza essa instituição. Mas, passados 40 anos, ela se encontra sob o risco iminente de acabar por absoluta falta de recursos para a preservação dos seus quadros de professores e funcionários. O fim tem data marcada, que está próxima. A ironia dessa história, de uma instituição que se apresentou para a sociedade como capaz de ajudá-la a resolver seus problemas, é que, agora, o problema é ela própria.                

 




 


Para comemorar o Dia Internacional da Mulher e avançar nos direitos das mulheres pesquisadoras, a ANPG participará de atividades no dia 8 de março. No Rio, o Ato será na Cinelândia. Em São Paulo, na Praça da Matriarca, ambos a partir das 10 horas da manhã. 

 

Em 1910, durante o II Congresso de Mulheres Socialistas em Paris, que reunia grandes pesquisadoras marxistas da época, Clara Zetkin, professora formada e escritora, apresentou sua proposta pela realização de um dia de luta internacional da mulher para reivindicar melhores condições trabalhistas para as operárias e defesa dos direitos políticos das mulheres. A proposta foi aprovada por aclamação. A consagração do direito de manifestação pública veio com apoio internacional, em 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu oficialmente a data como o Dia Internacional da Mulher.

 

Há cem anos a luta de mulheres guerreiras garantiu a conquista de muitos direitos a todas. Nas décadas de 1920 e 1930, Bertha Lutz, zoóloga, foi uma das pioneiras na luta pelos direitos das mulheres no Brasil. Nascida em São Paulo, é a responsável pela aprovação da legislação que outorgou o direito das mulheres votarem e serem votadas (1932).

 

Bertha ingressou por concurso público como bióloga no Museu Nacional, sendo assim a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro. Criou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (1919), que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a FBPF. Foi também eleita como suplente à Deputada Federal em outubro de 1934, assumindo o cargo em decorrência da morte do titular em julho de 1936.

 

No exercício parlamentar defendeu mudanças na legislação referente ao trabalho da mulher e do menor, a isenção do serviço militar, a licença de 3 meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas. É reconhecida como a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras.

 

De lá pra cá, muitas vitórias foram conquistadas, contudo, ainda temos muito a fazer. Na área científica o desafio das mulheres é ainda maior.

 

Em setembro de 2003, ao empossar o novo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou-o de "clube do Bolinha", por ter uma única mulher – Wrana Maria Panizzi, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – entre os seus 24 integrantes.

 

Na verdade, elas existem e até são em maior número na maioria das áreas do conhecimento. Mas, como entraram mais recentemente nesse universo, são minoria entre os pesquisadores mais titulados e, portanto, recebem menos recursos para bolsas e auxílios que exigem maior experiência e títulos.

 

São ainda quase invisíveis em cargos de direção de centros e institutos de pesquisa ou de gestão de política científica e tecnológica. A Academia Brasileira de Ciências, por exemplo, tem cerca de 10% de mulheres em seus quadros. Pouco, mas mais que nos Estados Unidos, onde a presença feminina está em torno de 7,5%.

      

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher e estimular o debate e a realização de mais atividades com esta temática  as mulheres voltam a ocupar as ruas. Atividades em várias cidades do Brasil estão programadas para ocorrer. Em São Paulo, o ato será na Praça da Matriarca (rebatismo simbólico da Praça do Patriarca, feito pelo movimento de mulheres há dois anos), a partir das 10 horas da manhã, para comemorar o já conquistado nesta história de mobilização coletiva, mas também mostrar que a luta por autonomia, igualdade e direitos segue atual e necessária.

Bandeiras históricas como a socialização do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, o combate à violência, a reivindicação de creches para todas as crianças e o direito ao aborto continuam na ordem do dia do movimento.

A ANPG se solidariza com a luta de todas as mulheres e convida a todos(as) a participarem das atividades em suas cidades. Nestes 100 anos de 8 de Março, ainda temos muito por que lutar! Junte-se a nós na luta pela democratização da ciência, pela ampliação dos recursos do MEC e do MCT e pela licença maternidade para todas as bolsistas. Sua participação é muito importante!

 

Todos os pós-graduandos brasileiros podem participar do Congresso Nacional de Pós-graduandos. Contudo, apenas os delegados têm direito a voto.

 

São possíveis delegados(as) ao CNPG todos os pós-graduandos regularmente matriculados em cursos de pós-graduação no Brasil (stricto e lato sensu).

 

Os delegados(as) serão eleitos a partir de reunião da Associação de Pós-graduandos de cada instituição de ensino (ou comissão pró-APG, ou seja, comissão de 10 estudantes comprometidos em  fundar a APG) e respeitará a seguinte proporção:

 

a) no caso dos estudantes de cursos stricto sensu: 3 (três) delegados para os primeiros 200 (duzentos) pós-graduandos, sendo acrescido 1 (um) delegado para cada porção posterior de 200 (duzentos) pós-graduandos ou fração.

 

b)no caso dos estudantes de cursos lato sensu: 3 (três) delegados para os primeiros 1000 (mil) pós-graduandos, sendo acrescido 1 (um) delegado para cada porção posterior de 2000 (dois mil) pós-graduandos ou fração.

 

Para cada delegado poderá ser eleito um suplente, que retirará sua credencial de delegado apenas em caso de ausência deste.

 

Onde houver cursos à distância, a eleição dos delegados deverá ser comunicada 15 dias antes do Congresso à Diretoria da ANPG, que deverá acompanhar o processo de eleição desses delegados.

 

Os diretores da ANPG são delegados natos ao Congresso Nacional de Pós-Graduandos e todos os delegados inscritos têm direito à voz e voto nas discussões e deliberações do Congresso. Os convidados na condição de observadores têm direito a voz. 

 

Credenciamento

 

O credenciamento deverá ser feito junto à comissão organizadora no local do encontro até as 14 horas do dia 17 de abril (dia anterior a plenária final). Para efetuá-lo, serão necessários os seguintes documentos:

 

a)  Ata de eleição de delegado(a), realizado pela APG ou Comissão de Pró-APG (comissão de 10 integrantes);

Modelo de Ata de eleição de delegado

Modelo de Ata de Fundacao da Comissão Pró-APG

 

b)  Ata de Posse da Diretoria Vigente da APG;

 

c)  Comprovantes de matrícula de todos os delegados;

 

d) Comprovante oficial do número de alunos da instituição.

 


Por Theófilo Rodrigues

A sociedade brasileira corre o risco de perder seu principal centro de produção científica: o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro- Iuperj. Responsável pelos melhores cursos de pós-graduação na área de ciências sociais do país, o Iuperj hoje corre o risco de fechar suas portas por absoluta falta de recursos.

Fundado em 25 de setembro de 1969, o Iuperj tem uma importante galeria de serviços prestados ao país. Lá se foram 40 anos de produção científica do mais alto nível, além da formação de professores/pesquisadores que hoje atuam nas principais instituições de ensino superior do Brasil.

O Instituto publica regularmente, desde 1966, DADOS – Revista de Ciências Sociais, revista acadêmica reconhecida internacionalmente. Publica, portanto, desde antes de sua fundação enquanto programa de pós-graduação, a principal revista de ciências sociais do Brasil.

Em recente cerimônia de posse da atual Diretoria do Iuperj, o presidente da Finep, professor Luís Fernandes, deixou claro o reconhecimento público do Ministério da Ciência e Tecnologia para com o Iuperj. Segundo Fernandes, esse reconhecimento se dá graças ao “papel único e insubstituível que o Iuperj tem no desenvolvimento não só das ciências sociais, mas do pensamento que subsidia a formulação de políticas publicas no país. Esse reconhecimento parte da excelência do trabalho de formação e pesquisa que é realizado no Iuperj”.

Vale lembrar que o próprio Luís Fernandes é cria da casa, tendo realizado seu mestrado e doutorado em ciência política no Iuperj. Figura pública reconhecida no meio acadêmico e na sociedade, Fernandes já ocupou a Secretaria-Executiva do MCT e a Diretoria Científica da FAPERJ.

Mas assim como Fernandes, podemos encontrar sem esforço dezenas de outros importantes quadros intelectuais formados pelo Iuperj e que hoje ajudam a transformar o Brasil em destacados cargos públicos e privados.

Infelizmente, esse importante centro de excelência da produção científica brasileira se encontra ameaçado. Segundo o Diretor-Executivo do instituto, professor Jairo Nicolau, os professores e funcionários já estão há seis meses sem receber.

Apesar de sua fundamental relevância pública, o Iuperj é vinculado a Universidade Candido Mendes (particular) que se encontra numa situação financeira gravíssima com dívidas de aproximadamente R$ 300 milhões.

Uma alternativa sempre lembrada é ser incorporada a uma universidade pública, ou seja, sua estatização. Solução ideal, se levarmos em consideração que hoje o Iuperj possui o único curso de doutorado em Ciência Política do Rio de Janeiro. Infelizmente, essa possibilidade é deixada de lado devido à ligação histórica do professor Cândido Mendes com o Instituto. Outra possibilidade mais plausível é a criação de uma Organização Social (OS) como forma de captar recursos públicos.

Enquanto nenhuma das duas alternativas se materializa, observamos de longe o triste estado em que se encontra a maior casa de produção científica do país. Aguardamos, esperançosos, por uma decisão sensata do poder público e da direção da Universidade Candido Mendes. Não deixem o Iuperj morrer. Salvem o Iuperj!

Para saber mais sobre o Iuperj, visite www.Iuperj.br

Theófilo Rodrigues é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal Fluminense – UFF.