
A igualdade de gênero, na ciência e em outros setores da sociedade, é considerada pela ONU uma meta vital para o desenvolvimento das nações. Ela está, entretanto, longe de ser atingida. De acordo com um estudo conduzido em 14 países, as probabilidades de uma mulher obter um título universitário, de mestrado e de doutorado nas áreas da ciência conhecidas como STEM (da sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics) são de, respectivamente, 18%, 8% e 2%. Para um homem, esses números são mais que o dobro (37%, 18% e 6%).
Com a finalidade de diminuir essas lacunas, a ONU declarou 11 de fevereiro como sendo o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Aproveitando essa oportunidade, o São Paulo Research and Analysis Center (SPRACE), em colaboração com a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), realizará uma edição especial do tradicional evento internacional MasterClass nos dias 10 e 11 desse mês. Um de seus objetivos é chamar a atenção para essa acentuada diferença na escolha e atuação profissional de homens e mulheres em relação às áreas STEM.
“A motivação principal ao promover o evento é mostrar, especialmente às meninas, que estudar e trabalhar em Física pode ser muito estimulante e gratificante. Após serem expostas a essa realidade, em geral bem distante das suas, quem sabe elas possam ser incentivadas a incluir ciências, em particular Física de Partículas, entre suas opções para uma futura escolha profissional”, diz Sandra Padula, uma das organizadoras do evento, professora da Unesp e pesquisadora do CERN.
Assim como em edições anteriores, o MasterClass levará estudantes do Ensino Médio para conhecer a sede do SPRACE, no campus da Unesp da Barra Funda, em São Paulo. Lá, as alunas serão apresentadas ao mundo da Física de Altas Energias. Mentores irão trabalhar junto com as participantes para abordar importantes conceitos dessa área descobertos ao longo dos séculos XX e XXI, mas que ainda são pouco contemplados na maioria dos currículos escolares do nosso país.
O evento oferece palestras e também atividades práticas. Entre essas, destaca-se a análise de dados reais produzidos pelo Large Hadron Collider (LHC), o acelerador de partículas do CERN. As alunas também participarão de uma videoconferência com outros institutos ao redor do mundo. Nessa edição especial do evento MasterClass, essa atividade dará a oportunidade para as estudantes conversarem com pesquisadoras internacionais e ouvirem sobre suas trajetórias e suas visões em relação à igualdade de gênero na ciência. A programação do evento encontra-se em https://www.sprace.org.br/events/MasterClass-2017/mc-feminino.
O MasterClass tradicional nesse ano será realizado entre os dias 10 e 14 de março. Para saber mais sobre o evento, acesse o site do SPRACE: https://www.sprace.org.br/events/MasterClass-2017/
Fonte: Unesp Notícias
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O II Seminário de Internacionalização da Ciência Brasileira debateu as perspectivas e desafios para transformar a ciência realmente internacionalizada. Marcelo Marcos Morales, diretor cientifico do CNPq, Nagyla Maria Galdino Drumond, SECITECE, CE, e Lindeberg Lima Gonçalves, SBPC estiveram com o pós-graduando apresentado o que está disponível hoje e os próximos passos necessários para alcançar os objetivos.
O debate também girou em torno do “Ciências sem fronteiras” e seus benefícios e defeitos do programa. Para Morales é necessário que exista um programa mais conciso de internacionalização. “É preciso começar pela pós-graduação e incluir as universidades neste processo”, disse. O professor Lindeberg também concorda: “Quando se pensa em internacionalização da ciência é preciso pensar primeiro da internacionalização das universidades”.
A professora Nagyla também reforça que é preciso fortalecer a ciência brasileira e para isso é preciso que o Estado tenha a ciência como uma politica pública fundamental.
O II Seminário foi uma das atividades realizadas pela ANPG dentro da 10 Bienal da Une.
A mesa sobre Ações Afirmativas na pós-graduação contou com a presença de do secretário geral da ANPG, Gabriel Nascimento, Luciana de Oliveira Dias, ABPN, Rita Gomes do Nascimento, Secadi-MEC, Frei David Santos, Educafro, e Roger Richer da UNE.
“É preciso ter um discurso conciso de como queremos que as ações afirmativas dentro da pós-graduação. É necessário desmistificar a pós, que é um ambiente conservador”, afirmou Gabriel Nascimento.
Para Rita Gomes do Nascimento as ações afirmativas na pós-graduação são fundamentais para criar uma agenda de inclusão de negros no campo da ciência. E Luciana de Oliveira Dias concorda. “Ela é essencial, pois está no meio da graduação e do mercado de trabalho”.
Luciana também trouxe para o debate a experiência da UFG (Universidade Federal de Góias) que instituiu cotas em toda a universidade desde 2015. De acordo com a professora, essas ações já tem alguns resultados alcançados como, por exemplo, a manifestação do racismo oculto, a quebra de nichos de privilégios, constituição de ambiente acadêmico cientifico tematicamente desafiador, representatividade quantitativa e problematização do conhecimento cientifico único e vislumbre de pluralidade de saberes.
A mesa aconteceu no segundo dia do I Encontro de jovens negras e negros que aconteceu em Fortaleza, CE, dentro da 10 Bienal da Une.
Com o objetivo de criar uma agenda de ciências e tecnologia para a Conferência de Córdoba que acontecerá em 2018, a ANPG reuniu em uma mesa Fernando Sasa, AUGM, Heidi Villuendas Ortega, Oclae, Francisco Tamarit, presidente da Conferência de Coórdoba, Luiz Roberto Liza Curi, presidente do Conselho Nacional de Educação e Tamara Naíz, presidenta da ANPG.
O debate girou em torno da necessidade de criar uma estratégia pautada em uma maior união entre as universidades da América Latina e Caribe para um maior desenvolvimento das ciências e tecnologia em toda a região. Para Curi, que apresentou um panorama do ensino superior no Brasil, é preciso ter um plano estratégico que também envolva politicas públicas. Para Francisco Tamarati, presidente da Conferência Regional de Educação superior de Córdoba, 2018. É necessário que alunos, universidades e instituições se unam para desenvolver uma agenda de compromisso para um trabalho em conjunto em toda a América Latina e Caribe. “É preciso preservar a pluralidade de cada país e criar meios de ter um maior e mais efetivo compartilhamento de informações, pois isso traz benefícios sustentáveis, qualidade de vida e mais competividade para toda a região”, explicou.
Tamarati fez uma convocação e convidou a todos os estudantes a participarem ativamente desse debate. A ANPG se comprometeu a contribuir com conhecimento e organizar os estudantes de toda a América Latina.
Começou hoje, 30 de janeiro, o I Encontro de Jovens Cientistas Negros e Negras com o lançamento da campanha O lugar de negro e negra é na ciência.
O evento começou com a Comenda Milton Santos de Promoção dos Negros na Ciência, que contou em sua mesa com Tamara Naiz, presidenta da ANPG, Moara Saboia, presidenta da UNE, Frei David Santos, Educafro, Nagila Maria, presidenta da União dos estudantes da Bahia, Flávia Steffany, presidenta da união dos Estudantes de São Paulo, e Edson Franco, da Unegro. “Esse é um momento especial, pois ações afirmativas precisam estar nas pautas de todos os estudantes. A ANPG está nessa luta desde 2014 e em seu último Congresso assinou o compromisso sobre essa bandeira. Aprovar essa portaria foi uma das lutas mais intensas que eu vivenciei”, afirmou Tamara Naiz.
Após a comenda se formou a mesa o lugar de Negro da Ciência, com a professora Roseane da Silva Borges, professora da USP e Dennis Oliveira, professor da USP. As apresentações debateram o papel do negro nas ciências e as mais diversas formas de modificação de uma sociedade racista cujo potencial de violência racista começa pelo próprio olhar racista da Academia brasileira. “Uma arquitetura que foi montada no Brasil após o século 19 apresenta que o negro é periférico, pois sua agenda e sua expressão periférica. E isso se estabeleceu, inclusive nas Universidades, que reproduzem esse ciclo da periferização. Isso precisa ser combatido”, contou o professor Dennis Oliveira.
“É preciso pensar na Universidade que queremos. Que além de ser pública e de qualidade, temos de pensar em pluralidade. O próprio tema O lugar do negro na Ciência a gente supõe que há um lugar de negro no Brasil e se há um lugar é porque ele é cristalizado. O problema é ausência de negros. Vivemos em um país racista que tem um sistema que legitima isso”, explicou a professora Rosane da Silva Borges.
O I Encontro de Jovens Cientistas Negros acontece durante a 10 Bienal da UNE em Fortaleza. Amanha, 31 de janeiro acontecerá a mesa. É chegada a hora de ações afirmativas na pós-graduação, às 9 horas na Escola Porto Iracema das Artes.
O diretor do CAPES, Patrício Pereira Marinho, apresentou o programa que será lançado nos próximos meses: Mais Ciência, mais Desenvolvimento Programa Johana Dobereiner será o substituto do Sem Fronteiras.
De acordo com Marinho, o programa visa fortalecer a ciência brasileira. “Estamos criando um grupo de trabalho com Capes e outros atores e instituições que discutirão o programa. O primeiro passo é enviar uma pesquisa para as pro-reitorias e com as respostas vamos formaliza-lo”, explicou.
Marinho ainda contou que o papel do CAPES, será guiar, monitorar e avaliar as Universidades. A apresentação aconteceu na mesa A Internacionalização do ensino superior e da produção cientifica nacional, que faz parte do II Seminário de Internacionalização da Ciência Brasileira, que acontece dentro da 10 Bienal da UNE.
A Coordenação Científica da Mostra de Ciência e Tecnologia avaliou, nos últimos 5 dias, 227 resumos submetidos à Mostra de Ciência e Tecnologia da 10a Bienal da UNE!
Nesta edição, 40 pareceristas contribuíram para a seleção de trabalhos em 6 áreas de concentração e 2 eixos temáticos. Ao todo, 108 trabalhos foram selecionados. Minas Gerais foi o estado que mais teve trabalhos selecionados, contando com 18 trabalhos de 8 instituições diferentes.
Confira se o seu trabalho foi aprovado para apresentação na Mostra de Ciência e Tecnologia da 10a Bienal da UNE:
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Vem aí a décima edição da Bienal da UNE, entre os dias 29 de janeiro e 01 de fevereiro. E a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) estará presente realizando uma série de atividades em Fortaleza, onde acontecerá a Bienal em 2017. Agora fique atento a nossa programação:
II Seminário de Internacionalização da Ciência Brasileira –
realidades e desafios
O evento tem como objetivo ampliar e contribuir com o debate acerca das novas perspectivas da internacionalização da ciência brasileira, e qual o papel pertinente às politicas, instituições e comunidade acadêmica nesse processo, com a inclusão dos pós-graduandos nestas politicas, na perspectiva da formação ampliada, da produção de conhecimento e da melhoria do desempenho acadêmico e institucional.
29 de janeiro
MESA: A CTI na Conferencia Regional de Educação Superior
Horário: 14 às 17
Dia 30 de janeiro
MESA: A internacionalização do Ensino superior e da produção científica nacional
Horário: 9h ao 12h
Dia 31
RODA de conversa: Desafios do Movimento estudantil de Pós-Graduação em nosso continente e no mundo.
Horário: 9h ao 12h
MESA MAESTRA: A Internacionalização da ciência brasileira: Realidades, perspectivas e Desafios.
Horário: 14h às 17 horas
I Encontro de Jovens Cientistas Negras e Negros
O evento tem como objetivo principal debater o papel do negro na ciência, as realidades dos cientistas negros, desde a graduação, e as formas de estímulo e democratização, tanto do acesso quanto dos objetos científicos, para a presença de negros cientistas na comunidade científica brasileira.
Dia 30
Abertura e lançamento da campanha #LugarDeNEgroÉNaCiencia!
Horário: 14 às 17 horas
Dia 31
MESA: É chegada a hora de ações afirmativas na pós-graduação
Horário: 9h ao 12h
Grupo de Trabalho: O negro entre o mundo do trabalho e academia
Horário: 14h às 17 horas
Grupo de Trabalho: Os desafios dos cientistas negros: da iniciação cientifica à pós-graduação
Horário: 14h às 17 horas
Grupo de Trabalho: A produção de conhecimento sobre o negro na Academia e o e racismo institucional
Horário 14h às 17 horas
HORÁRIO DA MOSTRA CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Dia 30: Horário: 10h às 13 horas
Dia 31: Horário: 10h às 13 horas
Para quem já se inscreveu, confira as orientações para participar das atividades aqui.

Após a aprovação pela Assembleia Legislativa do Projeto de Lei 328/16, que se transformou na Lei 16.338 desde 14 de dezembro de 2016 quando foi promulgada no Diário Oficial do Estado, pesquisadores e profissionais de apoio à pesquisa reiteraram já neste início do ano, por meio da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que devem continuar lutando pelas áreas que ainda constam na lista de alienações, que são consideradas pela Secretaria da Agricultura como inservíveis, mas que na realidade abrigam pesquisas centenárias e importantes áreas de preservação ambiental.
De acordo com o presidente da APqC, Joaquim Adelino Azevedo Filho, no início da discussão do PL 328, era interesse do Estado se desfazer de 13 áreas destinadas à Pesquisa Científica. Depois de muitos argumentos por parte dos pesquisadores, manifestações e pedidos de associações de produtores rurais a vereadores, prefeitos e deputados, quatro áreas foram retiradas do texto inicial, porém das nove áreas que ainda constam na lista de alienação da Lei 16.338, cinco são consideradas fundamentais para a continuidade de importantes linhas de pesquisa. “Nós vamos continuar lutando, principalmente pelas áreas de Jundiaí, Pindamonhangaba, Itapeva, Itapetininga e Nova Odessa. Nossa intenção é impedir que o governo venda estas cinco áreas, onde estão alocados anos e anos de pesquisa. É humanamente impossível realocar tudo que temos nestas áreas. Além de ser um custo enorme para que o governo adapte outras áreas para que recebam estes acervos, muito material se perderá. Também temos um fator complicador que é a falta de pesquisadores. Com estas mudanças, muitos devem antecipar a aposentadoria e suas linhas de pesquisa ficarão abandonadas. Sem ninguém para passar o bastão, é óbvio que uma pesquisa chega ao fim”, avalia o presidente da APqC.
Sobre as áreas imprescindíveis para a Pesquisa e que constam como alienáveis
O Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, está localizado na terceira região mais poluída do País, conforme Organização Mundial da Saúde de 2011. A cidade de Nova Odessa tem apenas 2% de remanescentes da floresta original, sendo que todo este percentual está em áreas internas do Instituto de Zootecnia, que o governo pretende alienar. Trata-se de uma das últimas áreas sem urbanização desta região, importantíssima em relação aos serviços ecossistêmicos para a sociedade. O IZ, inclusive, foi recentemente contemplado com R$ 3 milhões do Fundo Estadual de Interesses Difusos da Secretaria de Cidadania e Justiça para execução do projeto “Bioma IZ: uma proposta ambiental”, que visa a delimitação, recuperação e manutenção de extensas áreas de vegetações nativas, algumas remanescentes da Mata Atlântica e reflorestadas, além da implantação de sistemas integrados de produção animal para pesquisas científicas. O projeto ainda não foi executado.
Atualmente, as compensações ambientais efetuadas em matas ciliares, segundo a diretora do IZ, Renata Helena Branco Arnandes, têm recebido maior atenção dentro da pesquisa. “Isso se dá devido à importância ecológica da manutenção da biodiversidade e de corredores biológicos, além da importância da manutenção da qualidade hidrológica dos mananciais, o que salienta a ideia de que o IZ capta água de manancial reflorestado”, afirma Renata.
Localizado em Jundiaí, o Centro de Engenharia e Automação (CEA) teve toda a sua estrutura projetada pelo Departamento de Engenharia e Mecânica da Agricultura (DEMA) para dotar o Estado de São Paulo de um moderno local de treinamento de técnicos em mecanização, bem como para a realização de trabalhos de experimentação e pesquisas relacionados com a mecânica agrícola, à altura dos mais adiantados Centros congêneres existentes em outras partes do mundo. O CEA é responsável por diversas linhas de pesquisa em desenvolvimento, como as de protótipos, desenvolvimento de métodos de ensaio, participação na elaboração de normas técnicas (ABNT, ISO) com a utilização de máquinas, equipamentos e componentes agrícolas; Engenharia de biossistemas, com a interação entre a máquina, a planta e o ambiente; Tecnologia de aplicação de insumos agrícolas: avaliação e desenvolvimento da qualidade na aplicação de agrotóxicos, corretivos, fertilizantes e adjuvantes; avaliação das condições de segurança em máquinas agrícolas; Tecnologia pós-colheita; desenvolvimento de tecnologias da informação; e gestão agroambiental.
De acordo com o presidente da APqC, não há como deslocar apenas as duas áreas mencionadas na Lei sem graves prejuízos, qualitativos e quantitativos, às atividades de pesquisas científicas. “Além disso, muitas das ações são interligadas e interdependentes. É inviável transferir a pesquisa feita no CEA para outro local, como pretende fazer o Governo. Não existem no CEC em Campinas ou mesmo no Centro de Frutas em Jundiaí estrutura física adequada para receber tais laboratórios. A transferência do CEA, com o simples abandono deste investimento, impactará seriamente na pesquisa, bem como nos investimentos já realizados pelo Estado e por parceiros”, garante Adelino.
A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, cuja principal linha de pesquisa é a ovinocultura, desenvolve trabalhos científicos na região há 58 anos, beneficiando a sociedade com o desenvolvimento de tecnologias para agricultura familiar. A área a ser alienada hoje sedia uma pesquisa de cana-de-açúcar em um projeto de arrendamento, que arrecada em torno de R$100.000,00 anuais. Esses recursos têm sido aplicados nos últimos anos para o desenvolvimento dos projetos de pesquisas com compras de equipamentos e insumos para experimentos, bem como para a alimentação do rebanho experimental e sua manutenção, manutenção da própria unidade com cercas elétricas, galpões, confecção de silagem para alimentação, compra de equipamentos, reforma no prédio, na hospedaria e nos galpões experimentais. “O Governo afirma que todos os projetos de pesquisa serão transferidos e não encerrados. Porém, nós estamos mostrando que essas possíveis transferências trarão prejuízos irreparáveis para as pesquisas que vem sendo realizadas”, acrescenta Joaquim.
Atualmente a UPD de Itapeva possui projetos registrados de atividade de pesquisa e validação de tecnologia para transferir para os pequenos suinocultores, como inseminação artificial; manejo sustentável; nutrição e melhoramento de suínos; comportamento animal; bem-estar animal; desempenho; tratamento de dejetos; experimentos com alimentos alternativos e utilização de soja grão tostada no preparo de rações. A propriedade da Unidade, recebida como doação em 1941, foi originalmente criada para o desenvolvimento da suinocultura no Estado de São Paulo, e representa hoje, um Centro de Referência no estudo, desenvolvimento e difusão de tecnologias nessa área, mantendo rebanho de alto valor genético que é utilizado para as mais diversas atividades.
A UPD de Itapeva também mantém, atualmente, parceria com os produtores, sindicatos e associações, o que a caracteriza como uma área de atividade predominante da agricultura familiar. A Unidade mantem preservada sua área de proteção ambiental (22,23 hectares), composta pelo rio, corpos d’água, vegetação nativa remanescente e reflorestamento.
Por fim, o Polo Regional do Vale do Paraíba, de Pindamonhangaba, possui diversos importantes projetos ligados à pecuária, além de novos cultivares de arroz irrigado para o Vale do Paraíba, com elevado potencial produtivo, grãos de boa culinária e de maior valor agregado, bem como a diversificação da produção dos solos de várzea no período do verão, atendendo os consumidores com novos tipos de arroz. Entre os projetos em andamento, o programa reprodutivo utilizando inseminação artificial em tempo fixo seguido de ressincronização em fêmeas bovinas leiteiras se destaca. Além dele, também são de fundamental importância a o programa de implantação de um sistema demonstrativo de produção de gado de corte no Vale do Paraíba, o melhoramento genético do arroz e o manejo cultural do arroz. Em 70 anos de atividade, foram selecionadas e recomendadas mais de 20 cultivares de arroz, o que caracteriza verdadeiramente uma escala evolutiva nos aspectos da performance produtiva e qualidades de grãos, que se modificaram em conformidade com as exigências e perspectivas do mercado.
Após a aprovação pela Assembleia Legislativa do Projeto de Lei 328/16, que se transformou na Lei 16.338 desde 14 de dezembro de 2016 quando foi promulgada no Diário Oficial do Estado, pesquisadores e profissionais de apoio à pesquisa reiteraram já neste início do ano, por meio da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que devem continuar lutando pelas áreas que ainda constam na lista de alienações, que são consideradas pela Secretaria da Agricultura como inservíveis, mas que na realidade abrigam pesquisas centenárias e importantes áreas de preservação ambiental.
De acordo com o presidente da APqC, Joaquim Adelino Azevedo Filho, no início da discussão do PL 328, era interesse do Estado se desfazer de 13 áreas destinadas à Pesquisa Científica. Depois de muitos argumentos por parte dos pesquisadores, manifestações e pedidos de associações de produtores rurais a vereadores, prefeitos e deputados, quatro áreas foram retiradas do texto inicial, porém das nove áreas que ainda constam na lista de alienação da Lei 16.338, cinco são consideradas fundamentais para a continuidade de importantes linhas de pesquisa. “Nós vamos continuar lutando, principalmente pelas áreas de Jundiaí, Pindamonhangaba, Itapeva, Itapetininga e Nova Odessa. Nossa intenção é impedir que o governo venda estas cinco áreas, onde estão alocados anos e anos de pesquisa. É humanamente impossível realocar tudo que temos nestas áreas. Além de ser um custo enorme para que o governo adapte outras áreas para que recebam estes acervos, muito material se perderá. Também temos um fator complicador que é a falta de pesquisadores. Com estas mudanças, muitos devem antecipar a aposentadoria e suas linhas de pesquisa ficarão abandonadas. Sem ninguém para passar o bastão, é óbvio que uma pesquisa chega ao fim”, avalia o presidente da APqC.
Sobre as áreas imprescindíveis para a Pesquisa e que constam como alienáveis
O Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, está localizado na terceira região mais poluída do País, conforme Organização Mundial da Saúde de 2011. A cidade de Nova Odessa tem apenas 2% de remanescentes da floresta original, sendo que todo este percentual está em áreas internas do Instituto de Zootecnia, que o governo pretende alienar. Trata-se de uma das últimas áreas sem urbanização desta região, importantíssima em relação aos serviços ecossistêmicos para a sociedade. O IZ, inclusive, foi recentemente contemplado com R$ 3 milhões do Fundo Estadual de Interesses Difusos da Secretaria de Cidadania e Justiça para execução do projeto “Bioma IZ: uma proposta ambiental”, que visa a delimitação, recuperação e manutenção de extensas áreas de vegetações nativas, algumas remanescentes da Mata Atlântica e reflorestadas, além da implantação de sistemas integrados de produção animal para pesquisas científicas. O projeto ainda não foi executado.
Atualmente, as compensações ambientais efetuadas em matas ciliares, segundo a diretora do IZ, Renata Helena Branco Arnandes, têm recebido maior atenção dentro da pesquisa. “Isso se dá devido à importância ecológica da manutenção da biodiversidade e de corredores biológicos, além da importância da manutenção da qualidade hidrológica dos mananciais, o que salienta a ideia de que o IZ capta água de manancial reflorestado”, afirma Renata.
Localizado em Jundiaí, o Centro de Engenharia e Automação (CEA) teve toda a sua estrutura projetada pelo Departamento de Engenharia e Mecânica da Agricultura (DEMA) para dotar o Estado de São Paulo de um moderno local de treinamento de técnicos em mecanização, bem como para a realização de trabalhos de experimentação e pesquisas relacionados com a mecânica agrícola, à altura dos mais adiantados Centros congêneres existentes em outras partes do mundo. O CEA é responsável por diversas linhas de pesquisa em desenvolvimento, como as de protótipos, desenvolvimento de métodos de ensaio, participação na elaboração de normas técnicas (ABNT, ISO) com a utilização de máquinas, equipamentos e componentes agrícolas; Engenharia de biossistemas, com a interação entre a máquina, a planta e o ambiente; Tecnologia de aplicação de insumos agrícolas: avaliação e desenvolvimento da qualidade na aplicação de agrotóxicos, corretivos, fertilizantes e adjuvantes; avaliação das condições de segurança em máquinas agrícolas; Tecnologia pós-colheita; desenvolvimento de tecnologias da informação; e gestão agroambiental.
De acordo com o presidente da APqC, não há como deslocar apenas as duas áreas mencionadas na Lei sem graves prejuízos, qualitativos e quantitativos, às atividades de pesquisas científicas. “Além disso, muitas das ações são interligadas e interdependentes. É inviável transferir a pesquisa feita no CEA para outro local, como pretende fazer o Governo. Não existem no CEC em Campinas ou mesmo no Centro de Frutas em Jundiaí estrutura física adequada para receber tais laboratórios. A transferência do CEA, com o simples abandono deste investimento, impactará seriamente na pesquisa, bem como nos investimentos já realizados pelo Estado e por parceiros”, garante Adelino.
A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, cuja principal linha de pesquisa é a ovinocultura, desenvolve trabalhos científicos na região há 58 anos, beneficiando a sociedade com o desenvolvimento de tecnologias para agricultura familiar. A área a ser alienada hoje sedia uma pesquisa de cana-de-açúcar em um projeto de arrendamento, que arrecada em torno de R$100.000,00 anuais. Esses recursos têm sido aplicados nos últimos anos para o desenvolvimento dos projetos de pesquisas com compras de equipamentos e insumos para experimentos, bem como para a alimentação do rebanho experimental e sua manutenção, manutenção da própria unidade com cercas elétricas, galpões, confecção de silagem para alimentação, compra de equipamentos, reforma no prédio, na hospedaria e nos galpões experimentais. “O Governo afirma que todos os projetos de pesquisa serão transferidos e não encerrados. Porém, nós estamos mostrando que essas possíveis transferências trarão prejuízos irreparáveis para as pesquisas que vem sendo realizadas”, acrescenta Joaquim.
Atualmente a UPD de Itapeva possui projetos registrados de atividade de pesquisa e validação de tecnologia para transferir para os pequenos suinocultores, como inseminação artificial; manejo sustentável; nutrição e melhoramento de suínos; comportamento animal; bem-estar animal; desempenho; tratamento de dejetos; experimentos com alimentos alternativos e utilização de soja grão tostada no preparo de rações. A propriedade da Unidade, recebida como doação em 1941, foi originalmente criada para o desenvolvimento da suinocultura no Estado de São Paulo, e representa hoje, um Centro de Referência no estudo, desenvolvimento e difusão de tecnologias nessa área, mantendo rebanho de alto valor genético que é utilizado para as mais diversas atividades.
A UPD de Itapeva também mantém, atualmente, parceria com os produtores, sindicatos e associações, o que a caracteriza como uma área de atividade predominante da agricultura familiar. A Unidade mantem preservada sua área de proteção ambiental (22,23 hectares), composta pelo rio, corpos d’água, vegetação nativa remanescente e reflorestamento.
Por fim, o Polo Regional do Vale do Paraíba, de Pindamonhangaba, possui diversos importantes projetos ligados à pecuária, além de novos cultivares de arroz irrigado para o Vale do Paraíba, com elevado potencial produtivo, grãos de boa culinária e de maior valor agregado, bem como a diversificação da produção dos solos de várzea no período do verão, atendendo os consumidores com novos tipos de arroz. Entre os projetos em andamento, o programa reprodutivo utilizando inseminação artificial em tempo fixo seguido de ressincronização em fêmeas bovinas leiteiras se destaca. Além dele, também são de fundamental importância a o programa de implantação de um sistema demonstrativo de produção de gado de corte no Vale do Paraíba, o melhoramento genético do arroz e o manejo cultural do arroz. Em 70 anos de atividade, foram selecionadas e recomendadas mais de 20 cultivares de arroz, o que caracteriza verdadeiramente uma escala evolutiva nos aspectos da performance produtiva e qualidades de grãos, que se modificaram em conformidade com as exigências e perspectivas do mercado.
