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O professor Olival é Licenciado e Bacharel em Física pela UFBA, Mestre em Ensino de Física e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. Atualmente é Professor Associado II da UFBA e Pesquisador 1-C do CNPq na área de História da Ciência. Realizou estágios de pós-doutoramento na Université Paris 7 e na Harvard University e Estágio Sênior no MIT. Em 2004 foi distinguido com uma Sênior Fellowship do Dibner Institute for the History of Science and Technology, MIT, EUA. É ainda o presidente da Sociedade Brasileira de História da Ciência para o período 201-2012 e o 1o Vice-Presidente da Comissão para História da Física Moderna da União Internacional de História e Filosofia da Ciência. Foto: Agência UFBA

Recentemente nomeado para coordenar a Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, o físico Olival Freire Jr fala em entrevista à Agência Ciência e Cultura sobre o importante cargo que assume no governo, da política nuclear do país e sobre o papel da cultura e do desenvolvimento científico e tecnológico para combate à desigualdade social.

 

Ciencult – O que o levou a estudar física e como foi seu primeiro contato com ela?

 

Freire Jr. – É uma boa pergunta. No meu segundo grau sempre gostei de matemática. Era bom aluno em matemática e me abria propensão para engenharia, que na época era uma das carreiras mais valorizadas.  Então fiz o vestibular para engenharia elétrica na UFBA e cursei um ano e meio nessa área e só depois que mudei para a física. No início, a física não me atraia, o que me levou a ela foram dois fatores circunstanciais: primeiro, minha atração pelas ciências exatas e o outro, ligado a um professor que ainda atua aqui na UFBA: Benedito Pepe. Ele dava um curso, hoje padrão pela Federal, de quatro semestres, mas na época ocupava só dois semestres. E apesar disso, ele dava o curso de física geral, claro que de maneira não muito aprofundada, mas conseguia cobrir toda a parte da física clássica, dedicando mais atenção à parte da física moderna, atômica; noções de mecânica quântica, relatividade, eu ficava encantado com as aulas do Pepe.  Ele dava aula a uns quatro ou cinco contados, porque, evidentemente o resto da turma ia embora, alguns da física, outros da engenharia. Fiquei encantado com essa visão, a da física, dos fenômenos físicos, mesmo com a parte da física clássica, eletricidade, magnetismo, o Pepe apresentava de maneira cativante.

 

Ciencult – Em sua opinião, quais são os grandes nomes da ciência baiana e por que não são conhecidos pelo grande público?

 

Freire Jr. – É uma boa questão, porque temos pesquisadores aqui na Bahia de certa projeção. Na escola de medicina, que foi liderada pelo professor Zilton Andrade. Essa escola formou os seus descendentes, Manoel e Aldina Barral, são pesquisadores de larga projeção. Na área de saúde coletiva, nós temos aqui o pesquisador Maurício Barreiro. Aqui no Instituto de Física, o professor Antônio Ferreira, que trabalha com nanotecnologia, uma pessoa de vastíssimo conhecimento. Em geral, o público não conhece os cientistas do Brasil, mas eu acho que aqui na Bahia temos uma agravante, uma tradição cultural no estado que valoriza pouco a ciência.

 

Ciencult – Essa desvalorização pode ser atribuída à tradição que a Bahia tem nas artes?

 

Freire Jr. – Exatamente. Às artes e à literatura. Lembro que há dez, doze anos… Vou te contar uma pequena história? Estávamos preparando um trabalho sobre as indicações que o Carlos chagas havia recebido para o Nobel, ele havia recebido duas indicações ao premio. E a outra pesquisadora da Fiocruz, a Marília, que estava comigo, descobriu que uma das indicações que Chagas recebeu partiu do medico baiano Pirajá da Silva. Ela me sugeriu que investigasse a vida desse pesquisador baiano, quando comecei fiquei absolutamente encantado com a história dele. Pirajá  foi o homem que desvendou uma dessas doenças tropicais, se não me engano a esquistossomose, foi professor da Faculdade de Medicina da Bahia, teve uma trajetória excepcional. Ele descobre essa doença, a divulga, viaja até a Inglaterra, e passa a ser conhecido como um dos descobridores dessa morbidade, e é nessa condição que ele recebe aqui na Bahia uma carta do comitê do Nobel, pedindo que indicasse um nome ao premio e aí ele recomenda Carlos Chagas. Preparada essa documentação, nosso artigo saiu publicado nas memórias da Fundação Oswaldo Cruz e aí, porque estou te contando toda essa história, vou te mostrar duas evidências dessa cultura. Uma vez contei toda essa historia para um reitor da Ufba, médico de formação, procurando sensibilizá-lo para o fato de que a Bahia precisava homenagear, dar mais destaque, não é que não tenha homenagem nenhuma, mas o reitor rapaz, que eu não vou dizer o nome, fez com que a informação entrasse por um ouvido e saísse pelo outro, mudou de assunto. Já com um veículo impresso, daqui da cidade, respeitado, que até dedica certo espaço à divulgação cientifica, aconteceu o seguinte: peguei um artigo sobre Pirajá da Silva, sobre o centenário do aniversario dele e mandei para lá e a resposta que obtive foi que o assunto não tinha o interesse popular. Certamente se fosse um artigo sobre um literato, ou coisa desse tipo, nos homenagearíamos mais esse personagem. Então, a minha impressão é essa: fazer ciência na Bahia é remar contra a maré. E essa cultura, em minha opinião, esta arraigada nas elites baianas. As elites baianas, tanto de esquerda, quanto de direita acham que a Bahia não é terra de ciência.

 

Ciencult – O senhor acredita que a imagem passada de uma Bahia de descanso e preguiça com o intuito de propagar uma imagem que reforce o turismo pode ajudar a oprimir o desenvolvimento da ciência no estado?

 

Freire Jr. – Não há conflito nisso. Certamente o turismo é uma atividade importante no estado, agora, acho que uma parte significativa do turismo que vem à Bahia, não tenho números pra lhe mostrar, não é só por causa do carnaval, das praias, aliás, a rigor, se alguém quer procurar boas praias no nordeste não venha aqui para Bahia, as praias de Alagoas são melhores. Muita gente que vem à Bahia vem pela historia dela. Agora, nessa historia da Bahia, mais de 500 anos moldados aqui, ciência é parte dessa historia. E quando apresentamos a Bahia apagamos essa parte.

 

Ciencult- Como historiador de ciência, como o senhor vê esse esquecimento dado pela população, mídia, e até através do ensino básico de ciência nas escolas?

 

Freire Jr. – Posso falar um pouco sobre isso. Acho que estamos num fenômeno cultural que ainda não é completamente entendido por nós. O Brasil se orgulha pouco da sua historia. O Lula falou uma frase, dizendo que o Brasil está perdendo um pouco do complexo de vira lata, eu acho que essa frase, do hoje ex-presidente, condensou um problema que é complicado na historia do Brasil. Nós tivemos uma república que gerou uma idéia de a gente não se orgulhar do período imperial. Nessa época, a gente não se orgulha do período em que o Brasil era colônia.

 

Ciencult – Mas sabemos que a República Velha, por exemplo, foi uma extensão do período imperial. Boa parte das peças do governo republicano era oriunda das oligarquias constituídas durante o império.

 

Freire Jr. – Pois é. Mas chegamos aonde chegamos fruto dessa historia. Nenhum outro país faz cortes tão bruscos como a gente faz. Então eu acho uma grande dificuldade de valorizar a nossa historia e por tabela os componentes da historia da ciência fazem parte dessa historia.

 

Ciencult – O senhor acha que colocamos todos numa "bacia" só?

 

Freire Jr. – Exatamente. Estávamos falando de Carlos chagas, ele é um homem da primeira república e se você acha que a primeira republica foi uma porcaria você generaliza e coloca tudo no bolo.

 

Ciencult – Este ano o senhor recebeu o convite do Ministério da Ciência e Tecnologia para coordenar a Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Como se deu o convite.

 

Freire Jr. – Vários fatores influenciaram, um deles é o fato de conhecer o ministro Mercadante há bastante tempo. Tive militância política e sindical junto com ele na ampliação das entidades sindicais docentes no inicio dos anos de 1980. Depois estivemos juntos na primeira campanha do Lula em São Paulo na eleição de 1990, mas há bem 20 anos que não tinha contato com ele. Acho que para a escolha tenha pesado também recomendações político – partidárias e também, o fato de anteriormente, o ministério ser centrado no nordeste e agora se diz que o MCT virou um "paulistério", por ter muitos paulistas. Então ele entendeu que precisava ter um contrabalanço. Acho que também influenciou a minha trajetória acadêmica pelo fato de parte da minha pesquisa envolver parte da historia da ciência no Brasil. Não sei dizer se houve um fator decisivo, mas deve ter sido um mix de tudo isso.

 

Ciencult – Para que serve esse Conselho e qual foi a sua reação?

 

Freire Jr. – É um conselho grande, são quase 50 membros e serve para assessorar o Estado brasileiro na formulação da política de ciência e tecnologia e o acompanhamento da execução dessa política. E o meu trabalho em Brasília, aceitei de bom grado. Estou orgulhoso pela natureza do convite, mas também porque tenho uma confiança muito grande na capacidade do ex-senador e hoje ministro Aloísio Mercadante como político e liderança política.

 

Ciencult – Como é visto pelo senhor a nomeação de um político de carreira, como é o caso do atual ministro para assumir uma pasta tida como tão técnica e quais os desafios que deve enfrentar Mercadante?

 

Freire Jr. – Quando ele foi indicado, algumas vozes expressaram descontentamento, por estar saindo um cientista e entrando um político. E desde o começo eu tive uma atitude completamente diferente. A minha percepção é que se você tem uma boa liderança política à frente de um ministério técnico, a liderança vai saber se cercar de assessores que compreendam o aspecto técnico.

 

Ciencult – Então pela sua fala o momento é positivo para o ministério.

 

Freire Jr. – Em muito pouco tempo, há quatro semanas que estou trabalhando, estou muito animado. É um período de certas dificuldades porque o cenário econômico traz a necessidade de reajustes e cortes orçamentários então não é uma fase de total expansão da economia. Percebo que não é só a vontade do ministro, mas também do governo de ajustar a política estratégica deles para a manutenção de uma rota de crescimento e desenvolvimento econômico e com a compreensão que ciência, tecnologia e educação são essenciais para que o Brasil efetivamente enfrente esse desafio do desenvolvimento econômico.

 

Ciencult – O senhor acha que para cada país existe um limite de crescimento considerando as características de cada um? Fala-se em crescimento sem levar em conta o efeito colateral disso. No caso do Brasil, considerado o "celeiro do mundo", talvez nunca possamos ser como os Estados Unidos, por exemplo, que é uma grande potência tecnológica, sem sofrer da escassez de recursos naturais?

 

Freire Jr. – Tento ser menos pessimista. Acho que as questões estão mais generalizadas do que podemos suspeitar. No caso específico do Brasil, pais em desenvolvimento, a grande dificuldade é essa: vamos frear o desenvolvimento à custa do bem estar da sociedade brasileira? Enquanto países já desenvolvidos mantêm um padrão de conforto bem maior do que o nosso à custa de um consumo maior de energia e um maior desgaste do meio ambiente? Então essa é uma escolha que não é trivial. Certamente, o país que está mais próximo desse dilema é a China. Eu acho que nessa conjuntura o Brasil está muito bem posicionado pelo fato de ter uma matriz energética que é menos danosa ao meio ambiente, é bem visto no cenário internacional, com a produção de energia por meio da biomassa e dispõe de um potencial hidroelétrico muito grande, então posso dizer que estamos numa posição relativamente privilegiada. O que temos que nos preocupar é como manter o desenvolvimento para combater as desigualdades sociais com sustentabilidade.

 

Ciencult – Recentemente foi matéria de capa da revista Veja a descoberta de cálculos até então secretos que levavam à construção de uma ogiva nuclear americana, a W-87. O descobridor foi o físico brasileiro Dalton Barroso, do Instituto Militar de Engenharia (IME). Ele publicou um livro com os cálculos o que motivou a vinda da Agência Internacional de Energia Atômica ao Brasil. A matéria insinuava a possibilidade de o Brasil ter capacidade técnica e intelectual de produzir o artefato, o senhor já soube de algo do tipo?

 

Freire Jr. – Infelizmente não li esse livro e não posso comentar o mesmo. Mas o que posso lhe dizer é situar um pouco o que nós temos certeza e o que é um terreno propício à especulação. O primeiro elemento que temos certeza é que, desde o período posterior ao regime militar, na época do governo Sarney, o Brasil e a Argentina, a comunidade cientifica brasileira, a Sociedade Brasileira de Física e a Sociedade de Física da Argentina tomaram iniciativas que levaram a uma atitude de extensão das suspeitas entre os dois países. Que um ou outro pudesse estar se preparando para a construção de uma bomba. As armas se forem usadas, são contra os vizinhos. Diz-se que a Índia se preparou com a bomba atômica com medo de que a China a atacasse. O Paquistão chegou à bomba atômica com medo que a Índia a atacasse. No Oriente Médio, Israel tem cerca de 100 ogivas nucleares, se tiver de lançar uma onde serão lançadas essas ogivas? Então quero dizer com isso é que América Latina é hoje uma região privilegiada, que não tem conflito que possa levar ao uso de armar atômicas e ainda existe um acordo entre diversos países deste continente que permite a inspeção mútua, de modo que Brasil e Argentina sabem o que cada um faz na área nuclear. Essa foi uma vitória dos governos Sarney e Alfonsín e das sociedades de física brasileira e Argentina a partir de 1985.

 

Ciencult – Mesmo com toda essa transparência ainda sofremos restrições ao nosso programa nuclear.

 

Freire Jr. – Apesar de estar autoevidente que o Brasil não tem nenhuma intenção de construir armamentos militares e ter uma situação geopolítica favorável continuamos sofrer restrições. Então o primeiro problema que queria chamar a atenção, é que parte das restrições aos armamentos atômicos deriva do fato que essa é uma tecnologia especial e que um pequeno clube de países detentores dessa tecnologia não querem cedê-la em hipótese alguma para nenhum outro país.

 

Ciencult – Apesar das atrocidades cometidas pela ditadura militar há quem diga que o período foi de grande desenvolvimento científico e tecnológico, isso é verdade?

 

Freire Jr. – No período do regime militar, como boa parte da nossa historia, ainda não está escrita, o acesso aos arquivos é difícil, muita documentação desapareceu, é um período que se presta a especulações. Entretanto, é importante dizer o que ganhamos com o desenvolvimento da ciência e que, nesse período, os militares apostaram no desenvolvimento da área nuclear. E o grande avanço que tivemos na área nuclear é o domínio do enriquecimento de urânio. Essa técnica foi dominada pela Marinha, num laboratório localizado em Aramar, região de Sorocaba em São Paulo. O líder científico e administrativo disso é o físico militar Oton Silva, em colaboração com entidades civis. O fato é que os militares tiveram papel importante no desenvolvimento da tecnologia nuclear.

 

Ciencult – Como é o processo de enriquecimento do urânio?

 

Freire Jr. – Há uma parte dessa tecnologia que é a de enriquecer o urânio. O urânio retirado da natureza não serve nem para ser colocado dentro de um reator nem mesmo numa bomba atômica. Enriquecer é um processo físico no qual você aumenta a presença de um determinado isótopo do urânio em detrimento do outro. O processo é muito delicado tecnologicamente e não pode ser por um processo de reação química usual e esse é um gargalo tecnológico. Esse gargalo o Brasil venceu e venceu graças ao projeto da Marinha. Algumas pessoas dizem que a marinha e o exercito brasileiro fizeram isso porque queriam chegar à bomba. O projeto de Othon Silva estava embutido em outro no qual a cúpula militar ou alguns setores militares queriam desenvolver o projeto ate chegar a uma bomba? Eu não digo que não, mas também não digo que sim, porque a partir do urânio enriquecido se pode tomar outra finalidade, a de gerar energia ou fins militares.

 

Ciencult – Estamos acompanhando os desastres causados pelo tsunami no Japão e as explosões nos reatores do Complexo Nuclear de Fukushima, ao norte de Tóquio. O acidente já está sendo comparado com Chernobyl por estar no nível 6 numa escala de 7, que foi a classificada na Ucrânia. O governo pretende criar quatro usinas no país até 2030, uma delas está em disputa entre Pernambuco e Bahia. Há mesmo a necessidade dessas usinas no país, uma vez que dispomos de alternativas energéticas de menor risco?

 

Freire Jr. – Não sou um expert na área, mas pelo que estamos acompanhando pela imprensa e o que sabemos de Chernobyl, está longe de ser parecido. O que deve acontecer agora é uma revisão em todos os padrões de segurança, como ocorre após acidentes aéreos. A aviação civil aprende com cada acidente, da mesma forma será com as usinas. Certamente teremos um debate e a revisão de todas as normas de segurança. O Japão não vai abrir mão da energia nuclear, já que 25 por cento de sua energia é oriunda das usinas. No Brasil existem especialistas que acham que não devemos utilizar a energia nuclear, o nosso percentual de uso da energia produzida nas usinas é pequeno, mas necessário para manter um percentual que, na minha opinião, deve se manter entre três e cinco por cento, o que é necessário para termos uma diversidade energética para o futuro. Alem disso, a energia nuclear deve ser dominada em todas as suas facetas. A primeira é que o país se tornaria um grande enriquecedor de urânio e com isso pode entrar no mercado internacional para também enriquecer o urânio de outros países. Esse nicho de mercado é extremamente importante. Outro segmento é a medicina e agricultura. O Brasil hoje já não tem auto-suficiência em radiofármaco, equipamentos que utilizam a energia nuclear para tratamento e diagnostico de câncer. O investimento diminuiria a compra desses equipamentos do exterior.

 

Ciencult – Também é papel da Secretaria que o senhor faz parte apresentar projetos desse tipo ao governo para o setor energético?

 

Freire Jr. – Enquanto política para ciência e tecnologia sim. O Conselho debate o conjunto da política e não de financiar, que é o papel do Estado brasileiro por meio dos seus ministérios competentes. Opinamos e fiscalizamos a execução dessas políticas publicas. Aproveitando, já estamos com um projeto da construção de um reator multipropósito para a produção, por exemplo, de radiofármacos e não só de energia.

 

Ciencult – No caso da vinda de uma das usinas para a Bahia, o estado dispõe de mão de obra qualificada para o seu funcionamento?

 

Freire Jr. – Esse é um aspecto estratégico muito importante. Se o Brasil quer aumentar o numero de usinas nós teremos que formar muito mais técnicos numa escala muito maior do que temos hoje. Mas esse desafio de formar mais gente não é só da área nuclear, temos o pré -sal. Você acha que iremos poder explorar o pré-sal com o número de técnicos que dispomos atualmente no Brasil?

 

Ciencult – Gostaríamos de agradecer a entrevista e a disponibilidade dada pelo professor.

 

Freire Jr. – Eu que agradeço. Ficam meus parabéns a você e a Agência que estão fundando para promover a divulgação cientifica que eu acho extremamente importante.  Quem sabe a Agência não contribua para quebrar essa tradição na Bahia de que ciência não é parte da cultura baiana? E aproveito para fazer uma ultima propaganda que pode nos ajudar nisso, está sendo criada a Academia de Ciência da Bahia, presidida pelo professor, ex – governador e ex-presidente do CNPq, Roberto Santos.

 

(Wagner Ferreira da Agência Ciência e Cultura)

 

 

Instituído em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia foi restaurado pelo Decreto 5.924, de 04 de outubro de 2006, em reconhecimento e estímulo a cientistas brasileiros que venham prestando relevante contribuição nos campos da Ciência e Tecnologia. O Prêmio é entregue anualmente, em cerimônia pública, pelo Presidente da República.
Considerado uma das mais importantes premiações do país, contempla, em sistema de rodízio, uma grande área do conhecimento por ano: Ciências da Vida, Ciências Exatas e da Terra; e Ciências Humanas e Sociais. O vencedor recebe diploma, medalha de ouro e um prêmio em dinheiro quantificado anualmente pelo CNPq, não inferior a R$ 150 mil, concedido pela Fundação Conrado Wessel. O diferencial do prêmio é não aceitar inscrição, uma comissão de especialistas indicados pelo Ministro da Ciência e Tenologia faz a seleção e escolha do premiado.

A cerimônia de entrega do prêmio será no dia 3 de maio, na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, com a participação do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.


Reconhecido como um dos maiores pesquisadores do mundo na área de biologia da memória, Izquierdo fez grandes descobertas, como a separação funcional entre as memórias de curta duração e longa duração. Foto: Arquivo Pessoal

Neurocientista – O médico e neurocientista, Iván Antonio Izquierdo é especialista nos mecanismos da memória. Graduou-se e doutorou-se na Universidade de Buenos Aires (UBA) e fez seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla). Foi professor da Universidade de Córdoba, na Argentina, e mudou-se para o Brasil em 1973, incorporando-se posteriormente à Escola Paulista de Medicina, hoje Unifesp, onde fundou um grupo de pesquisas em neurociência. Desde 1978, reside em Porto Alegre (RS), e em 1981 obteve nacionalidade brasileira. Após passagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desde 2003 passou a atuar na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), onde é Professor Titular de Neurologia desde 2004 e coordenador do Centro de Memória do Instituto do Cérebro desta instituição.

Desde então vem trabalhando na descoberta do mecanismo de persistência da memória, tendo completado o mapa molecular da consolidação da memória.

 

Vencedor 2009

Ciências Exatas, da Terra e Engenharias
Luiz Davidovich, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da área de Física

Vencedor 2008

Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes
José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da área de História.

 

 

Da redação, com informações da Assessoria de Comunicação do MCT.

No último final de semana a União Nacional dos Estudantes (UNE), realizou em São Paulo o 59º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG). O fórum reuniu centenas de representantes de DCE’s, UEE’s, Executivas e Federações de Curso de todo país.

O Ex-Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participa do 59º Coneg da UNE. Foto: Alexandre Rezende

 

No sábado, o destaque ficou por conta da presença do ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na Conferência Especial sobre Política Internacional do 59º CONEG. “Também fui da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro [Ames-RJ] e sofri com o incêndio da sede na Praia do Flamengo logo nos primeiros dias do golpe militar”, disse, depois da recepção calorosa que teve dos estudantes no teatro da Unip.

A vinda de um chanceler aqui nesse encontro do movimento estudantil reflete o amadurecimento da população brasileira a respeito dos temas internacionais. Reflete também o destaque que política externa teve no governo Lula”, pontuou.

Celso Amorim e Augusto Chagas, presidente da UNE. Foto: Alexandre Rezende

 

Em um discurso que foi marcado em diversos momentos pela defesa da autonomia dos povos, Amorim disse que “a paz é como o ar e a liberdade, você só percebe que ela é importante quando está em falta”. Para ele, o Brasil, por sua representatividade e importância, deve ter como uma das prioridades trabalhar pela paz, um “processo que tem que ser construído como uma contribuição para o desenvolvimento dos países” .

A recente invasão americana na Líbia, a integração latino americana e a visita do presidente dos estados Unidos ao Brasil foram outros assuntos de destaque abordados pelo ex- ministro.

 

52º CONUNE

Durante a plenária final, no domingo, foi convocado o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE), que será realizado em Goiânia, entre os dias 13 e 17 de julho.

Confira aqui a carta de convocação da atividade.

 

Da redação com EstudanteNet.

 

Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) foi criado pelo decreto estadual 26.914, de 15 de março de 1987. É integrado pelos reitores das três universidades estaduais paulistas (Unesp, USP e Unicamp) e pelos titulares das Secretarias de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e da Educação.

Vice-reitor Julio Cezar Durigan é professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV)/Unesp Jaboticabal. É mestre em Produção Vegetal pela Unesp (1978) e doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ-USP(1983).O professor titular do Departamento de Fitossanidade da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) foi bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq até 2004, além de coordenador da Área de Ciências Agrárias da Fapesp por seis anos, de 1989 a 1994. Foto: Renata Massafera

O vice-reitor no exercício da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Julio Cezar Durigan, assumiu o cargo de presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). A cerimônia de transmissão da presidência foi realizada na própria sede do conselho, na capital paulista, no dia 4 de abril.

Temos que focar esforços na divulgação dos resultados das pesquisas das três universidades estaduais paulistas para aumentar o impacto social de nosso trabalho. A interação das instituições com as empresas e os parques tecnológicos do Estado de São Paulo é uma das formas de aumentar essa visibilidade, gerando inovação”, disse Durigan.

O reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, passou a presidência do Cruesp na presença do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.

O conselho é um fórum muito importante, por congregar as três melhores universidades do país, responsáveis por cerca de 50% da produção científica nacional e por quase metade dos mestres e doutores formados no Brasil”, disse Costa.

Para o vice-governador, a política de desenvolvimento estadual deve ser debatida e proposta em conjunto com a comunidade universitária. Afif destacou a necessidade de descentralizar a geração de riquezas, hoje concentrada em 89 municípios paulistas que respondem por 83% do Produto Interno Bruto de São Paulo.

Unesp, USP e Unicamp acumulam autonomia, conhecimento e amadurecimento suficientes para auxiliar o governo na tarefa de expandir o crescimento econômico para as cidades das fronteiras do Estado”, ressaltou.

 

Financiamento

As universidades estaduais paulistas conquistaram, em 1989, a autonomia financeira. Elas administram uma parcela do Imposto sobre Consumo de Mercadorias e Serviços (ICMS) no valor de 9,57% do total arrecadado pelo estado.

Ao longo desses 22 anos, o número de alunos matriculados na graduação cresceu 85%, na média das três instituições, com destaque para a Unicamp, que multiplicou mais de cinco vezes as suas vagas nos cursos noturnos.

Na pós-graduação, as matrículas aumentaram em média 86% nos mestrados e 229% nos doutorados. A Unesp teve um desempenho ainda mais expressivo: 728% mais doutores em formação. Esses dados mostram um crescimento acadêmico superior ao de recursos, que ficou em 37% no mesmo período.

Entre os objetivos do conselho está o fortalecimento da interação entre as universidades. Também cabe ao órgão assessorar o governador em assuntos prioritários de ensino superior e pesquisa. A presidência é rotativa entre os reitores das instituições, com duração de um ano para cada gestão.

 

Fonte: Agência FAPESP

 

Evento ocorre do dia 14 a 16 de junho, em São Carlos, e pretende reunir docentes e pesquisadores e divulgar a produção nacional sobre o tema.

Em 2007, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) aglutinou pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento (ciências humanas, engenharias, ciências sociais aplicadas, ciências exatas e ciências da saúde) e criou o Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS), uma iniciativa relevante para a construção de um diálogo interdisciplinar.

O 1º. Seminário Brasileiro de Ciência, Tecnologia e Sociedade (1º. SBCTS) pretende ter um caráter essencialmente plural e abarcar as diversas abordagens presentes nos estudos CTS atualmente, promovendo um diálogo que poderá esclarecer a necessidade de manutenção de determinadas fronteiras e o rompimento de outras.

O evento destina-se a pesquisadores, estudantes e profissionais da área de Ciência, Tecnologia e Sociedade e áreas correlatas assim como a tomadores de decisão em C&T e público de diversas áreas.

A programação está dividida em Conferências, Mesas-Redondas e Comunicações Orais. O valor das inscrições varia de R$50,00 a R$200,00.

O evento conta com apoio da Capes, CNPq e FAPESP.

Mais informações podem ser obtidas no sítio oficial. Dúvidas pode ser solucionadas através do email [email protected]

Datas importantes

Período para submissão dos artigos: até 16 de abril de 2011

Divulgação dos trabalhos aceitos: 17 de maio de 2011

Prazo final para pagamento da inscrição dos autores com trabalhos aceitos: 29 de maio de 2011

 

Da redação.

 

Cursos e palestras com convidados especiais movimentam o mês de comemoração dos 25 anos do programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Agnés Fine, historiadora e antropóloga, professora na Universidade de Toulouse-Le Mirail e Michel Bozon, um dos maiores pesquisadores sobre sexualidade dentro do campo das Ciências Sociais, são presenças confirmadas.

Confira a programação completa:

 

Dia 12 de abril – terça-feira

14h às 18h – Miniauditório do CFH

Aula 2 – Curso Michel Bozon – Sexualidade, gênero, gerações – O que os inquéritos sobre comportamentos sexuais na França dizem sobre o gênero: aproximações entre mulheres e homens o reformulação da assimetria? (curso em português)

Dia 13 de abril – quarta-feira

10h30 às 12h – Sala 310 CFH

Palestra “Gênero, Adoção e Pluriparentalidades contemporâneas”, com Agnès Fine (EHESS) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Miriam Grossi

Dia 14 de abril – quinta-feira

18h30 às 22h – Miniauditório do CFH

Aula 3 – Curso Michel Bozon – Sexualidade, gênero, gerações – Socialização em sexualidade e gerações: processos universais e particularidades latino-americanas (curso em português)

Dia 15 de abril – sexta-feira

18h30 às 22h – Miniauditório do CFH

Aula 4 – Curso Michel Bozon – Sexualidade, gênero, gerações – Saúde, saúde sexual, sexualidade: uma abordagem sociológica (curso em português)

Dia 19 de abril – terça-feira

16h30 às 18h – Sala 10 da História – CFH

Palestra “Da família ao individuo, os usos da escrita ordinária nos livres de raison franceses (séculos XV-XIX), com Sylvie Mouysset (Université de Toulouse Le Mirail) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Joana Pedro

18h30 – Sala 111 – CFH

4º Depoimento – O papel do PPGAS/UFSC na formação acadêmica dos seus egressos: Antropologia no Rio Grande do Norte, com Elisete Schwade (UFRN)

Dia 20 de abril – quarta-feira

10h30 às 12h – Sala 310 – CFH

Palestra “A construção social da feminilidade na França: das sociedades rurais à sociedade contemporânea”, com Agnès Fine (EHESS) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Miriam Grossi

16h – Sala 111 – CFH

5º Depoimento – O papel do PPGAS/UFSC na formação acadêmica dos seus egressos: Antropologia no Oeste do Paraná, com Allan de Paula Oliveira (UNIOESTE)

Dia 26 de abril – terça-feira

16h30 às 18h – Miniauditório do CFH

Oficina 4 – “Ética e Pesquisa: a legislação e o Conselho de Ética da UFSC”, com Washington Portela de Souza (coordenador do Conselho de Ética em Pesquisa da UFSC e professor do Departamento de Ciências Fisiológicas – CCB)

Dia 27 de abril – quarta-feira

8h30 às 10h – Local: Sala 308 – CFH

Palestra “Dissimulado, vivido, cuidado: o corpo disciplinado das mulheres religiosas”, com Danielle Rives (França) – palestra em francês com tradução consecutiva feita por Miriam Grossi

10h30 às 12h30 – Sala 308 – CFH

Palestra “Sofrer, curar, amar. Escrita e consciência de si no feminino na Europa do século XV ao século XX”, com Sylvie Mouysset (Université de Toulouse Le Mirail -palestra em francês com tradução consecutiva feita por Joana Pedro

18h30 às 20h – Auditório do CFH

Conferência “Parentesco espiritual, apadrinhamento e relações familiares na França Contemporânea”, com de Agnès Fine – a tradução da conferência será feita por Carmen Rial, sendo disponibilizada por escrito e apresentada em PP durante a sua realização

Dia 28 de abril – quinta-feira

18h30 – Miniauditório do CFH

Palestra “Enobrecimento urbano: balanço e perspectivas”, com o professor Rogério Proença Leite (UFS/SE)

 

Informações: (48) 3721-9714, ramal 4 ou [email protected]

 

Da redação.

 

 

 

 

José Ellis Ripper Filho. Foto: Fábio Castro

José Ellis Ripper Filho,presidente da AsGa S.A. (Soluções em Telecom) e ex-professor titular da Unicamp, foi um dos destaques da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), realizada em maio de 2010, em Brasília. O engenheiro defende, nessa entrevista à Agência FAPESP, que universidades contribuam com sistema de inovação formando desenvolvedores e não apenas pesquisadores.

A ANPG vem abrindo espaço em seu sítio para diversos temas, por vezes abordados sob ângulos opostos, contribuindo assim para a reflexão e o debate crítico. Contribua você também, envie seu artigo ou sugestão para [email protected]

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Entrevistas

Culturas diferentes

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A universidade brasileira pode se tornar um elo eficiente na cadeia de tecnologia e inovação. Mas para isso, além de formar pesquisadores em seus programas de pós-graduação, ela precisará começar a formar desenvolvedores, cujo perfil é mais adequado para as necessidades das empresas.

O ponto de vista defendido pelo engenheiro José Ellis Ripper Filho, presidente da AsGa S.A. (Soluções em Telecom), foi um dos destaques da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), realizada de 26 a 28 de maio, em Brasília.

Exemplo bem-sucedido de migração da academia para o mundo empresarial, Ripper fundou a empresa em 1989, quando era professor titular no Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A AsGa teve diversos projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP por meio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), especialmente para o desenvolvimento de tecnologias de transmissão em redes de fibras ópticas.

Graduado em 1961 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Ripper fez mestrado e doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e, também nos Estados Unidos, foi pesquisador dos Laboratórios Bell Labs.

Segundo ele, a cultura da pós-graduação no Brasil se concentra na formação do pesquisador individual e, eventualmente, em um líder de pesquisas. Mas, afirma, as empresas não querem pesquisadores e sim desenvolvedores.

São cabeças diferentes, formadas por culturas diferentes. O desenvolvedor é alguém que ajuda a equipe a resolver o problema. O trabalho de equipe é inerente ao desenvolvimento de produtos, de tecnologias e de processos. Não interessa à empresa apenas uma mente brilhante capaz de achar a solução sozinha, mas sim um indivíduo capaz de ajudar a equipe a resolver o problema”, disse à Agência FAPESP.

De acordo com Ripper, a cultura do pesquisador é altamente eficiente para as necessidades da universidade, onde a missão principal é formar recursos humanos e, consequentemente, a orientação de alunos é fundamental, mas não para as empresas, onde a atividade de desenvolvimento de produtos é inerentemente uma atividade coletiva. Mesmo em carreiras vistas como mais afeitas à inovação, a diferença cultural se manteria.

A universidade tende a formar gente à sua imagem e semelhança, mesmo nas carreiras menos especulativas e mais aplicadas. Se tomarmos como exemplo a pós-graduação em engenharia nas duas maiores universidades paulistas, veremos que elas formam essencialmente pesquisadores de engenharia e não engenheiros. Isso não significa que alguns não se transformem em engenheiros, mas, do ponto de vista da universidade, ser pesquisador é visto como algo mais nobre”, disse.

A opção do mestrado empresarial, no entanto, não seria uma boa solução. “É bobagem. O que precisamos para a empresa em termos de conteúdo é o mesmo que precisamos para a pesquisa: formação sólida. A diferença não está no conteúdo, mas na forma da tese”, afirmou.

Para Ripper, embora não seja incomum que pesquisadores se tornem desenvolvedores, é difícil mudar a cultura das universidades para estimular essa transformação.

As instituições têm vocações mais rígidas do que as pessoas. Embora muitos pensem que a pesquisa e a prestação de serviços sejam objetivos da universidade, essas são apenas atividades meio para seu objetivo único, que é a formação de recursos humanos. Mas elas formam profissionais que vão passar 95% de sua vida lidando, nas empresas, com conhecimento que ainda não existe enquanto elas cursam a universidade”, disse. Então não adianta inserir conteúdo prático e achar que é isso que as empresas querem.

Enquanto a universidade se dedica fundamentalmente à pesquisa, a empresa de porte médio só está interessada no desenvolvimento, segundo Ripper. “A ênfase da universidade na pesquisa a torna muito eficiente durante a fase especulativa de um projeto. É nessa fase que se pode gerar teses”, afirmou.

Outra característica da universidade é o baixo risco relacionado às pesquisas. “A formatura proporciona um fim natural às pesquisas. O doutorado termina e as ideias que foram levantadas ali podem ser abandonadas sem nenhum processo traumático. Em outras organizações, empresas ou institutos de pesquisas, não há ‘formatura’, portanto abandonar um projeto é visto como um fracasso, aumentando o risco de iniciar um projeto especulativo”, afirmou.

 

Fonte: Agência FAPESP

 

 

 

A formação de recursos humanos cumpre papel central no que se refere ao pleno desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. Ciente dessa importância, é bandeira permanente da ANPG a luta pela valorização e investimento na formação dos mestres e doutores do nosso país.

Exemplos desse empenho são a contribuição destacada e o acompanhamento dado ao Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), ao Projeto de Lei 2315/2003(PL dos Pós-Graduandos) e às sucessivas e vitoriosas Campanhas de Bolsas.

A ANPG não apenas compôs a comissão de elaboração do PNPG, onde pôde pautar entre outras reivindicações, o aumento do número e do valor das bolsas, como também agregou contribuições de todo o conjunto dos pós-graduandos através de seus fóruns e de uma ferramenta digital, o blog. O plano prevê, entre outras medidas, um aumento de 50% no valor das bolsas, tendo como referência o valor de 2005.

Diretoria da ANPG em campanha de bolsas realizada na semana da posse da atual gestão, em maio de 2010. Foto: Luana Bonone


Outra iniciativa importante na conquista da valorização dos pesquisadores é o PL dos Pós-Graduandos, defendido pela ANPG enquanto política permanente de valorização das bolsas de pesquisa, considerando que o mecanismo de indexação do valor das bolsas aos salários docentes é estratégico e mais importante para a pós-graduação brasileira do que as próprias porcentagens apresentadas.

Leia também: PL dos Pós-Graduandos é desarquivado

O aumento do número de bolsas do CNPq em dezembro de 2010 e a conquista da licença maternidade para as bolsistas da Capes em novembro do mesmo ano foram importantes vitórias da Campanha por Mais e Melhores Bolsas( 2009-2011).

Presidenta Dilma recebe os estudantes. Foto: Roberto Stuckert Filho / PR

Leia também: Vitória da ANPG: Capes aprova licença maternidade

Neste ano de 2011, em reunião realizada no Rio de Janeiro paralelamente à 7ª Bienal da UNE, a ANPG escolheu o reajuste das bolsas como foco da campanha deste ano, visto que há 3 anos o valor das bolsas encontra-se congelado.
A reunião decidiu organizar um abaixo-assinado pela bandeira definida, assim como pautar uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff, para que os pós-graduandos pudessem apresentar a sua pauta.

O abaixo-assinado já conta com mais de 40 mil assinaturas e já foi apresentado a presidenta, durante atividade em Brasília compondo as ações da Jornada de Lutas: Educação tem que ser 10!, em referência a bandeira de destinação de 10% do PIB para o setor. Leia mais aqui.

A intenção da ANPG agora é realizar uma caravana com APGs de todo o país a Brasília para as audiências já solicitadas com MCT, CNPq e CAPES, como ação contundente da Campanha da ANPG pelo reajuste das bolsas de pesquisa.

A presidenta da ANPG, Elisangela Lizardo falou sobre a importância do Estado instituir um processo de humanização das bolsas: “Os pesquisadores e as pesquisadoras brasileiros precisam ser munidos das melhores condições para incrementar a produção científica nacional. Isso significa, entre outras medidas, valorizar os pós-graduandos como elemento fundamental desta produção, por meio do reajuste do valor das bolsas e aumento do número, para democratizar o acesso a elas; significa retomar apoios como a taxa de bancada e o auxílio tese, políticas de moradia estudantil para pós-graduandos, implementação de políticas de redução das desigualdades regionais. É preciso, em resumo, investir na humanização das bolsas de pós-graduação, que deve ser um reflexo de uma ousada política de valorização da produção científica nacional”.

 

Da Redação.

 

 

No dia 29 de março o sítio da ANPG publicou a matéria Biblioteca Digital de Teses da USP está entre as 15 maiores do mundo. Através do twitter, o mestrando em História Social pela PUC/SP, Heitor Loureiro, entrou em contato conosco e enviou-nos artigo em que aborda a notícia também sobre outros aspectos.

Se você também escreve sobre algum tema e deseja ter seu artigo publicado entre em contato com a ANPG através do e-mail comunicaçã[email protected]

Leia abaixo a íntegra do artigo.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do entidade.

 

 

As ferramentas digitais e pesquisa nas universidades brasileiras

Heitor de Andrade Carvalho Loureiro

Graduado em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF/MG), mestrando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Bolsista CNPq

 

No dia 29 de março de 2011, a Biblioteca Digital de Teses da Universidade de São Paulo (USP) foi classificada pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha como a 14ª maior biblioteca do gênero. A divulgação de tal classificação consolida os avanços que o Brasil tem conseguido nas áreas de educação e pesquisa e a consequente divulgação dos resultados destas na internet.

A Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem sido modelo a ser seguido por diversos países no mundo. O CNPq vem dando consultoria para congêneres de Portugal e EUA, a fim de implantar sistemas semelhantes nestes países. A ferramenta permite a qualquer pesquisador divulgar as suas pesquisas e trabalhos de forma aberta e transparente, e também conecta acadêmicos que possuem interesses em comum, resultando num maior diálogo entre pares e, consequentemente, uma possibilidade de enriquecimento das pesquisas.

O “Domínio Público”, mantido pelo Ministério da Educação é outro exemplo de uma biblioteca digital, multidisciplinar e gratuita. Unificando teses acadêmicas, literatura, música e imagem que já se encontram em domínio público, a ferramenta é outro mecanismo importante para a difusão de conhecimento e cultura pelo país.

Embora seja notável o nível alcançado pela Biblioteca Digital de Teses da USP e da excelência da Plataforma Lattes, é preciso colocá-lo no contexto atual das universidades brasileiras.

Há pouco mais de um mês, foi divulgado que o Brasil não possui sequer uma única universidade entre as cem melhores do mundo. Na contramão de países que vem ganhando peso no cenário internacional, como China, Rússia, África do Sul, Índia, Coreia do Sul, etc. (alguns com até mais de uma universidade entre as cem primeiras do ranking), o Brasil não conseguiu conciliar o desenvolvimento econômico vivido nos últimos anos com um avanço significativo no âmbito de desenvolvimento tecnológico e pesquisa de alto nível oriunda de instituições de educação.

A Universidade de São Paulo vem traçando uma trajetória de queda no ranking de excelência das universidades no mundo. Nos últimos anos, seus indicadores pioraram vertiginosamente, fruto de anos de investimentos muito aquém do necessário para se manter uma universidade de ponta. No último vestibular de ingresso, cerca de 25% dos estudantes provados não fizeram a matrícula, compondo o cenário de declínio vivido da instituição.

A causa de tamanha desistência, segundo alguns analistas, teria sido os investimentos do governo federal nas suas universidades. O aumento da oferta de vagas nestas instituições, bem como a seleção via ENEM, que permite o estudante escolher para qual universidade irá de acordo com a sua nota e, por fim, ao Prouni, que dá bolsas de estudos nas universidades privadas abriram o leque de possibilidades para diversos estudantes que antes tinham menos opções para cursar uma faculdade. Diante da nova perspectiva, muitos estudantes dizem “não” à universidade que outrora fora motivo de orgulho das elites paulistas.

Então, devemos comemorar o fato da USP ter uma Biblioteca Digital de Teses reconhecida internacionalmente? Com certeza, isso não é pouco. Mas também não é o suficiente. O velho jargão “tamanho não é documento” se aplica muito bem ao caso. Temos que nos questionar acerca do que é produzido e publicado no Brasil nos últimos anos e, principalmente, qual é a qualidade e a relevância de muitos estudos feitos, principalmente no âmbito da pós-graduação, principal lócus de desenvolvimento de pesquisas de ponta.

Em um panorama de cortes no orçamento da União, que inevitavelmente vão afetar a educação, defasagem dos valores de bolsas de estudo da pós-graduação e a queda constante e acentuada dos índices internacionais de qualidade da maior universidade do país, o momento que se apresenta é de lutas por parte de estudantes, professores e outros profissionais da educação. Lutas para manter as boas ferramentas que possuímos, cuja importância é inegável e incomensurável. Contudo, a luta também deve ser deflagrada em um campo mais amplo, para que não sejamos apenas uma espécie de operários mal-qualificados em uma fábrica com ferramentas de última geração, que não sabemos usar da forma mais proveitosa possível para todos.

 

 

 

A relação entre trabalho, educação e suas implicações sociais é abordada sob diversos ângulos no recém lançado livro-coletânea: “Trabalho, Educação e Reprodução Social – As contradições do capital no século XXI”.

 

Editado pela Canal 6 Editora, a obra foi organizada por Eraldo Batista e Henrique Novaes. Eraldo é doutorando em Educação pela Unicamp e professor do Centro Universitário Claretiano, e Henrique, doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp, é docente da FFC-Unesp-Marília.

 

Os textos reunidos permitem uma vasta cobertura do tema, e a análise em diversas perspectivas de assuntos tão atuais como Trabalho, Educação e Mundialização do capital, Trabalho Associado e Educação no Brasil, Trabalho e Educação profissional no Brasil e Trabalho, Educação e Movimentos sociais no Brasil. A temática da educação percorre todos os textos desta interessante coletânea.

 

Destaque para Reflexões para um debate sobre a orientação da Rede dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (de Renato Dagnino; Núbia Moura Ribeiro; Alex Cypriano) e Movimentos sociais, trabalho associado e educação: reformas e rupturas (de Neusa Dal Ri e Candido Vieitez).

 

O livro pode ser adquirido por R$ 25,00 enviando email para [email protected] ou [email protected]

 

Da redação.