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*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

Thomaz Wood Jr é professor titular da Fundação Getúlio Vargas – SP e é colunista da revista Carta Capital. Artigo publico no sítio da revista em 25 de maio de 2012.

O frenesi da globalização e seus descontentes. Consta que tudo começou com o cozinheiro Carlo Petrini. Na década 1980, este italiano participou de uma campanha contra a abertura de uma loja McDonald’s em Roma. Nasceu pouco depois o movimento Slow Food, voltado para a preservação da cozinha regional e tradicional, contra a mesmice e a pressa do onipresentefast-food. O sucesso cruzou fronteiras e atraiu seguidores em mais de 150 países. Na esteira, vieram o slow living, o slow travel e o slow cities. Como guarda-chuva, cunhou-se o termo slow movement.

Um filósofo norueguês – Guttorm Floistad – conferiu ao movimento poesia e princípios: “A única coisa que podemos tomar como certeza é que tudo muda. A taxa de mudança aumenta. Se você quer acompanhar, melhor se apressar. Esta é a mensagem dos dias atuais. Porém, é útil lembrar a todos que nossas necessidades básicas não mudam. A necessidade de ser considerado e querido! A necessidade de pertencer. A necessidade de estar próximo e de ser cuidado, e de um pouco de amor! E isso é conseguido apenas pela desaceleração das relações humanas. Para ganharmos controle das mudanças, devemos recuperar a lentidão, a reflexão e a capacidade de estarmos juntos. Então encontraremos a verdadeira renovação”.

Agora, da terra do resistente Asterix, nos chega uma nova onda do slow movement: a slow science. Seus arautos condenam a cultura da pressa e do imediatismo que invadiu, nos últimos anos, as universidades e outras instituições de pesquisa. A fast science, segundo os rebeldes franceses, busca a quantidade acima da qualidade. Aprisionados pela lógica do “produtivismo” acadêmico, os pesquisadores tornam-se operários de uma linha insana de montagem. E quem não se mostrar agitado e sobrecarregado, imerso em inúmeros projetos e atividades, será prontamente cunhado de improdutivo, apático ou preguiçoso.

Os cientistas signatários da slow science entendem que o mundo da ciência sofre de uma doença grave, vítima da ideologia da competição selvagem e da produtividade a todo preço. A praga cruza os campos científicos e as fronteiras nacionais. O resultado é o distanciamento crescente dos valores fundamentais da ciência: o rigor, a honestidade, a humildade diante do conhecimento, a busca paciente da verdade.

A “mcdonaldização” da ciência produz cada vez mais artigos científicos, atingindo volumes muito além da capacidade de leitura e assimilação dos mais dedicados especialistas. Muitos trabalhos são publicados, engrossam as estatísticas oficiais e os currículos de seus autores, porém poucos são lidos e raros são, de fato, utilizados na construção da ciência.

Os defensores da slow science acreditam que é possível resistir à fast science. Sonham com a possibilidade de reservar ao menos metade de seu tempo para a atividade de pesquisa; de livrarem-se, vez por outra, das demandantes atividades de ensino e das tenebrosas atividades administrativas; de privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade de publicações; e de preservar algum tempo para os amigos, a família, o lazer e o ócio.

A eventual chegada da onda da slow science aos trópicos deve ser observada com atenção. Por aqui, cruzará com a tentativa de fomentar a fast science. Entre nós, o objetivo de aumentar a produção de conhecimento levou à criação de uma slow bureau-cracy, que avalia e controla o aparato científico. A implantação gradativa da lógica fast, com seus indicadores e suas métricas, pretende definir rumos, estabelecer metas, ativar as competências criativas da comunidade científica local e contribuir para a construção do futuro da augusta nação. Boas intenções!

Os efeitos colaterais, entretanto, são consideráveis. A lógica fast está condicionando os cientistas operários a comportamentos peculiares. Sob as ordens de seus capatazes acadêmicos ou por iniciativa própria, eles estão reciclando conteúdos para aumentar suas publicações; incluindo, em seus trabalhos, como autores, colegas que pouco ou nada contribuíram; e assinando, sem inibição, artigos de seus alunos, aos quais eles pouco acrescentaram. Tudo em prol da melhoria de seus indicadores de produção.

Enquanto as antigas gerações vão se adaptando, aos trancos e barrancos, ao modo fast, as novas gerações de pesquisadores já são formadas sob os princípios da nova doutrina. Aqui, como ao norte, vão adotando o lema da fast science: publish or perish (publique ou desapareça). E, se o objetivo é publicar, vale tudo, ou quase tudo. Para onde vão os cientistas e a ciência? O destino não é conhecido, mas eles estão indo cada vez mais rápido.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

Theófilo Rodrigues é mestrando em ciência política da UFF e membro da APG-UFF

Desde o dia 17 de maio os docentes das universidades federais entraram em greve por melhorias na educação pública, em especial, através do reajuste salarial. Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES) já são 44 instituições que aderiram à greve.

Justa no mérito, a greve merece toda a solidariedade da comunidade acadêmica – estudantes, técnicos administrativos e professores – bem como da sociedade civil e dos movimentos sociais em geral. No entanto, o método a ser adotado em cada uma das IFES precisa ser observado com muita cautela.

A greve possui um objetivo claro, o reajuste salarial dos docentes, e consequentemente um alvo também muito bem definido: o governo federal. Pode-se dizer que o governo federal é formado por uma ampla base, sendo, portanto, contraditório. Por um lado poderia se dizer que a culpa é do ministério da educação, por outro lado poderia se dizer que os responsáveis pela falta de investimentos na área são os ministérios do planejamento e da fazenda. Por fim alguém poderia dizer que a culpa é da chefe de todos eles, ou seja, da presidenta Dilma Rousseff. Todas as variações interpretativas são possíveis, cada uma delas com seu grau de legitimidade.

A questão que se apresenta, entretanto, diz respeito ao método, ou seja, a forma como as greves são construídas em cada uma das universidades. Fechar laboratórios, cessar análises de artigos para revistas científicas, impedir defesas e qualificações só terão um resultado concreto: o prejuízo dos pesquisadores e consequentemente da produção de conhecimento. Do ponto de vista do governo federal, estas seriam ações que pouco lhe pressionariam. De fato, este tipo de mobilização não pressiona em nada o governo federal e seus atores.

Para os agentes responsáveis pela mobilização da greve, ações como ocupações do Congresso Nacional, do Planalto Central além de atividades massivas que mobilizem a sociedade em torno do tema seriam muito mais eficazes. Felizmente, a maior parte dos focos grevistas têm observado este critério, sob pressão dos próprios pesquisadores que têm consciência de suas responsabilidades. Mas é preciso muito cuidado para que paixões conjunturais não se sobreponham à razão objetiva.

A greve merece todo apoio. Desde que seja para atacar o alvo correto.

Nesta sexta-feira (25) a presidenta da ANPG, Luana Bonone, esteve em Brasília para dois compromissos: um encontro com a Secretária Nacional de Juventude, Severine Macedo e uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, embaixador Antonio de Aguiar Patriota.

Leia mais: ANPG reúne-se pela primeira vez com ministro das Relações Exteriores

Daniel Iliescu, presidente da UNE e Manuela Braga, presidenta da UBES também estiveram nas agendas. Em discussão com a Secretaria Nacional de Juventude, os presidentes da entidades trataram da tramitação do Estatuto da Juventude.

Trata-se do PLC 98/11, aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado em fevereiro e que tramita agora na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde tem como relator o senador Paulo Paim (PT-RS), que preside a CDH. Vários pontos do texto da Câmara agora estão sendo debatidos pelos senadores, entre eles a regulamentação da meia-entrada, a delimitação da faixa de idade para a juventude e o desconto no transporte interestadual.

De acordo com Severine, o texto está sendo aprimorado, com contribuições de vários ministérios, com destaque para Saúde, Educação e Justiça. No próximo período a tarefa dos movimentos sociais, em especial os relacionados à juventude, é garantir a aprovação do texto no Senado Federal.

“Fiz com os jovens um pacto de solidariedade, no sentido de interagir para que o Estatuto seja aprovado o mais rápido possível, mas com a melhor redação que possamos construir, já que haveremos de fazer algumas alterações em relação ao projeto que veio da Câmara dos Deputados, mas de acordo com os relatores do tema”, disse o relator Paulo Paim, em pronunciamento feito no plenário do Senado

Da Redação com informações de agências.

*Luana Bonone é mestranda em Comunicação e Semiótica na PUC-SP e presidenta da ANPG

A Capes e o CNPq acabam de anunciar para o dia 1º de julho deste ano o tão esperado reajuste das bolsas de pesquisa no Brasil. Com o reajuste anunciado a bolsa de mestrado passará para R$ 1.350, a de doutorado para R$ 2.000, a de pós-doutorado vai a R$ 3.700 e a de iniciação científica a R$ 400. Segundo as duas agências de fomento um novo reajuste de valor ainda indefinido acontecerá em janeiro ou fevereiro de 2013.

O último reajuste no valor das bolsas de pesquisa aconteceu há quatro anos, em junho de 2008. Além de terem se desvalorizado em consequência da inflação acumulada no último período, as bolsas não acompanharam o desenvolvimento econômico objetivo do País nem a mudança subjetiva na compreensão de que a ciência, a tecnologia e a inovação são inerentes à soberania de qualquer país.

Por um lado precisamos comemorar o aumento anunciado pelas agências de fomento do governo federal. É indubitável que tal aumento foi fruto da pressão feita pelos pós-graduandos de todo o País que paralisaram programas, organizaram atos, conquistaram reitores, mobilizaram passeatas e enviaram cartas ao governo federal exigindo o aumento. Não foi mera casualidade o fato de o reajuste ter sido anunciado pelo professor Glaucius Oliva, presidente do CNPq, em pleno 23º Congresso Nacional de Pós Graduandos que realizamos no início deste mês de maio na Unifesp. Além disso, é uma sinalização importante das agências de fomento nacionais, à medida que tal verba não estava prevista no orçamento de 2012.

Por outro lado, devemos deixar claro que este aumento de apenas 10% ainda é insuficiente para a sexta maior economia do mundo que possui pretensões de se tornar referência mundial em ciência, tecnologia e inovação.

No último período a Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) posicionou-se firmemente por um reajuste de 40% nas bolsas de pesquisa. O valor de 40% não surgiu como "um raio em dia de céu azul", mas sim fruto de muitos estudos e debates que levaram em consideração tanto a inflação acumulada quanto os aumentos em custo de vida gerados nestes últimos quatro anos. A proposta de aumento de 40% atende em especial a meta já indicada no Plano Nacional de Pós Graduandos (PNPG) de 2005-2010.

Já o PNPG 2011-2020 afirma que "para se manter a atratividade das bolsas nos parâmetros atuais, é recomendável que os valores sejam reajustados em cerca de 10% no mínimo a cada três anos". Em nossa opinião a palavra "recomendável" não expressa a consolidação de uma política pública de Estado. Além disso, é importante ressaltar que um aumento de 10% a cada três anos tende a não suprir sequer a inflação, excluindo a possibilidade, portanto, de uma política de valorização das bolsas.

Acreditamos que este reajuste não pode ser refém de políticas econômicas e conjunturais de governo, mas sim estar inserido em um projeto maior, de política pública de Estado. Por isso convocamos todos os pós-graduandos a ocuparem o Congresso Nacional em Brasília no mês de agosto para que o reajuste das bolsas alcance os 40%, pois nossa pauta principal deve ser em torno do orçamento 2013.

Como tem sido dito pela ANPG, em coro com outras entidades da sociedade civil, as medidas recentes de redução dos juros são de fundamental importância, mas é preciso mais ousadia e investimentos mais robustos em áreas como ciência e tecnologia, educação e outras também estratégicas ao desenvolvimento do Brasil. Nossa batalha em agosto, portanto, será para mobilizar o Congresso Nacional e o Poder Executivo em torno da nossa pauta, para que compreendam que se trata de uma pauta de todo o País.

Concepção que tem sido frequentemente reafirmada nos debates que realizamos na ANPG, é certo que a valorização da pesquisa e dos pesquisadores no Brasil com vistas ao desenvolvimento soberano e sustentável do País não se resume apenas ao reajuste das bolsas. Mas não há dúvidas de que aí está uma parte importante desta totalidade.

Além das resoluções, a ANPG publiciza agora as moções aprovadas pela Plenária Final do 23º Congresso Nacional de Pós-Graduandos.


1) Moção de apoio à luta dos estudantes por mais democracia na USP e pelo fim dos processos. 

O 23º Congresso Nacional de Pós-Graduandos manifesta seu apoio à luta dos estudantes por mais democracia na USP e pelo fim dos processos, conforme carta aberta aprovada em assembleia na universidade.


2) Moção de apoio à defesa da literatura e da variação linguística.

 

O XXIII Congresso Nacional de Pós-Graduandos apoia a mobilização de pós-graduandos, graduandos e profissionais de todo o país que se uniram em torno do vitorioso abaixo-assinado que, em poucos dias, atingiu mais de 7000 assinaturas em defesa da literatura e da variação linguística.

O deputado estadual Bruno Siqueira havia protocolado na Assembleia projeto de lei (1983/2011) que proibia qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à língua portuguesa, com valor sexual, erótico, atos criminosos e afins.

Dessa forma, grandes autores como Guimarães Rosa, José Saramago, Cecília Meireles e vários outros não poderiam ser trabalhados em sala de aula.

A ANPG apoia a luta dos linguistas do Brasil de respeitar e defender a variação linguística, possibilitando que todos os alunos tenham acesso à norma padrão.

 

 

 

Organizada pela New School University de Nova York através do seu Observatory on Latin America (OLA) e a Universidad Nacional de San Martín em Buenos Aires, Argentina.

A bolsa de estudos consiste em uma estadia de duas semanas na New School University onde o bolsista apresentará seu trabalho aos alunos e estudantes de Nova York, encontrará políticos e líderes civis, além de participar de várias outras atividades, como visitas a escritórios de governo, organizações multinacionais, tours em museus e livrarias públicas e das universidades.

A chamada atual premiará com três bolsas de estudo:

1. Bolsa de Estudos direcionada a cidadãos argentinos, do dia 4 ao dia 17 de novembro de 2012.

2. Bolsa de Estudos direcionada a cidadãos de outros países da América do Sul à exceção da Argentina, com início no dia 17 de fevereiro e término no dia 2 de março de 2013.

3. Bolsa de Estudos direcionada a cidadãos de outros países da América do Sul, incluindo Argentina, com início no dia 17 de fevereiro e término no dia 2 de março de 2013.

Perfil dos interessados

Os interessados deverão estar no início de sua carreira e estarem incluídos nas duas áreas abaixo:
No âmbito acadêmico, os interessados deverão ter completado um curso de pós-graduação nos últimos 15 anos ou estarem atualmente realizando um curso de pós-graduação.

Na área de sociedade civil/política, eles devem trabalhar ou terem trabalhado em organizações de serviços públicos de nível nacional, estadual ou municipal ou em uma organização não-governamental (ONGs). Neste campo, os interessados deverão ter experiência comprovada de no mínimo 4 anos e no máximo 15 anos.

Áreas de estudos relacionadas à América do Sul

Os interessados devem trabalhar em uma ou mais das seguintes áreas:  1. Relações Econômicas Internacionais, 2. Democracia e Meios de comunicação; 3. Pobreza e Políticas Sociais; 4. Papel do Estado; 5. Cooperação e Integração Regional; 6. Desigualdade e Justiça Social; 7. Democracia e Direitos Humanos; 8. Promoção da Educação e cultura política; 9. Gestão Econômica Nacional; 10. Cidades, Design, e Desenvolvimento Social.

A fluência em inglês é requisito para disputa das bolsas.

O último dia para enviar a candidatura é no dia 4 de junho de 2012, 5:00 pm horário de Nova York, ou 17h no horário de Buenos Aires.
Para mais informações sobre a Bolsa de estudos Néstor Kirchner, visite o sítio www.observatorylatinamerica.org, ou entre em contato via email [email protected]

As diretrizes para inscrição, regras e formulário de candidatura podem ser encontrados no sítio da OLA.

Há 50 anos era editado o Decreto Lei n°40.132/1962 que aprovou os estatutos da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), porém, a história da instituição começa muito antes, em1942. Nessa época, logo após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o então reitor da Universidade de São Paulo (USP), Jorge Americano, liderou a criação dos Fundos Universitários de Pesquisa para a Defesa Nacional (FUP). Ao financiar projetos e bolsas de pesquisa, os Fundos ajudavam a resolver problemas científicos e tecnológicos, ideia que 20 anos depois viria culminar com a criação da FAPESP.

É de (re) conhecimento dos paulistas a contribuição desta instituição ao desenvolvimento científico e tecnológico não apenas do estado, mas também do país. Como prevê a Constituição Estadual, a FAPESP recebe 1% do Tesouro Paulista, a principal fonte de receita da instituição. São mais de 10 mil bolsas concedidas em 2011 (entre mestrado, doutorado, pós-doc e iniciação científica), o que revela o protagonismo da FAPESP no apoio à pesquisa. Em 2011 a receita foi de cerca de R$ 912 milhões.

As universidades paulistas, em especial USP, UNESP e Unicamp, em parceria com a FAPESP e outras agências de fomento, são responsáveis por uma fatia expressiva da pesquisa de ponta no país e esse mérito é por nós visto com muito orgulho.

A ANPG, na ocasião da comemoração dos 50 anos da FAPESP, sente-se na prazerosa tarefa de desejar vida longa a esta instituição. Que os valores democráticos e inovadores que se fizeram presentes à época da fundação continuem a impulsionar o crescimento e o fortalecimento da FAPESP.

ANPG

No último dia 9 de maio, os pós-graduandos da USP reuniram-se em Assembleia Geral e a pauta foi a convocação do processo eleitoral para escolha da nova diretoria da APG USP-Capital. A Comissão Eleitoral, formada por três estudantes, está constituída, porém, aqueles que desejarem colaborar devem enviar e-mail para [email protected] até o dia 20 de junho. A lista de colaboradores será divulgada até o dia 22.

Estudantes regularmente matriculados em Programas de Pós-Graduação instalados no Campus Capital da USP tem até o dia 1º de junho (sexta), 19 horas, para inscrever suas chapas. A inscrição se dá através de contato com os membros da comissão ou pelo endereço eletrônico [email protected].

A votação acontecerá de 25 a 29 de junho. As urnas poderão ser móveis e/ou fixas, garantido o período mínimo de seis horas diárias durante o período regular de aulas.

Na próxima quinta-feira (24), uma nova Assembléia Geral convocará as Eleições de Representantes Discentes Centrais. Ambos os processos ocorrerão no mesmo perído: última semana de junho.

O Processo Eleitoral será realizado nos termos estatutários e mais informações podem ser encontradas em
http://www.apgusp.com

Da Redação.

Durante a Reunião Magna da ABC, os presidentes das instituições ressaltaram que é necessário apontar vetos "específicos" em alguns pontos do texto aprovado, por meio de uma Carta enviada à presidenta Dilma Roussef

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestaram na tarde da segunda (7), durante a Reunião Magna da ABC, sua posição a respeito do que será necessário fazer para protestar contra o texto do Código Florestal aprovado no dia 25 de abril pela Câmara. Depois de repudiarem a decisão dos deputados por meio de seu Grupo de Trabalho, as instituições declararam que é fundamental "não radicalizar" em relação ao veto reivindicado por diversos setores da sociedade.

"Se radicalizarmos para veto total, não vamos a lugar nenhum", afirma Jacob Palis, presidente da ABC. "Na nossa visão, pedir o veto total é um retrocesso de tudo aquilo que SBPC e ABC fizeram", constata Helena. Para Palis, a articulação a respeito do Código "é uma questão estratégica". "Muitos dos colegas propuseram o veto total. Isso nos isola. Nossa estratégia é pedir vetos em pontos importantes e [retomar] avanços que existiram", esclarece o presidente da ABC. Ele tampouco descarta a ideia de propor uma Medida Provisória ou uma Lei "que restaure na integralidade os pontos e avanços que houve nesse processo".

A presidenta da SBPC se manifestou após alguns palestrantes da Reunião Magna afirmarem que a ciência sofreu "uma derrota" com a aprovação do Código. "Estou me sentindo como se todo o trabalho que foi desenvolvido há vários anos pelas duas instituições fosse uma grande derrota. Eu não concordo, e realmente acho que tivemos e que vamos ter avanços. É muito fácil discutir nessa sala. Mas quantos foram a Brasília? Quantos podem parar seus afazeres?", questionou Helena, citando a pouca mobilização da comunidade a respeito da destinação de recursos dos royalties do pré-sal para ciência.

Carta a Dilma

Ela destacou que "houve algumas vitórias" em relação ao texto do Código. "Parece que as duas instituições só apanharam. O Senado introduziu coisas que a gente queria e alguns dos itens que foram colocados na Câmara também atendem a gente. Não podemos generalizar. Temos é que fazer críticas. Eu lanço o desafio: que dessa Reunião se consiga a carta final para a gente encaminhar para a presidente dizendo o que a gente quer que ela vete", afirma.

No último dia 17, a Carta foi publicada no sítio da SBPC. O documento é assinado pelos presidentes da SBPC e ABC.

Sem partido

A presidente da SBPC sublinhou que não existe "uma bancada de cientistas" (o que dificulta as reivindicações da comunidade) e que é "errado" afirmar que os ruralistas não conhecem ciência. "Eles conhecem e são articulados, coisa que falta a nós", pontua. "Não gosto do termo ambientalista e ruralista. Nós somos cientistas", sublinha, lembrando que a carta tem "base científica". "Senão, [a discussão] fica político-partidária. E a ciência não tem partido", sentencia.

Helena ressalta que a ciência está presente não apenas na conservação do meio ambiente, mas também na agricultura, "com dados científicos". "Temos muito orgulho do que aconteceu com nosso país. Éramos importadores de alimentos e hoje exportamos. Podemos fazer isso hoje até na África, onde o terreno é muito parecido, inclusive a Embrapa já está em Gana. Mas tudo dentro da chamada economia verde", pondera, insistindo, mais de uma vez, que é preciso "continuar lutando".

Prazo

O texto do Congresso Nacional sobre o Código Florestal foi protocolado no dia 7 de junho na Casa Civil. A presidente Dilma Rousseff tem até dia 25 de maio para sancionar ou vetar – parcial ou totalmente – o texto aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 25 de abril. O veto é analisado pelo Congresso e pode ser derrubado se houver maioria absoluta no Senado e na Câmara.

Fonte: Jornal da Ciência 

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

*Carlos Eduardo Lins da Silva é livre-docente e doutor em Comunicação pela USP e mestre pela Universidade Estadual de Michigan. É presidente do Conselho Acadêmico do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da UNESP, editor da revista Política Externa e diretor do Espaço Educacional Educare. Artigo publicado na edição de maio da revista Unesp Ciência

A FAPESP realizou no dia 16 de abril em seu auditório debate sobre como as atividades científicas vêm sendo tratadas por veículos jornalísticos. Durante todo o dia, mesas compostas por um cientista e um jornalista trataram do tema.

A abertura foi feita por Clive Cookson, editor de ciência no Financial Times há mais de duas décadas e considerado como um dos principais especialistas nesse tema no mundo. A palestra de Cookson, assim como as de outros participantes, aponta uma melhora constante e progressiva no tratamento de temas de ciência pela mídia em geral e especificamente a brasileira, mas há ainda muitos problemas a serem enfrentados. Em geral, eles são os tradicionais: sensacionalismo, exagero, negatividade, engajamento político-partidário e, em particular, a inconciliável diferença sobre o tempo que há entre as atividades jornalística (em que sempre se busca por resultados rápidos) e científica (necessariamente mais lenta).

A enorme polêmica que cerca as atividades jornalísticas no Reino Unido desde o escândalo do jornal News of the World, pego em flagrante cometendo crimes para obter notícias, pode ter efeitos positivos para o jornalismo em geral, inclusive o científico, na medida em que ela está exigindo dos profissionais de imprensa uma intensa revisão de seus procedimentos éticos. Seria importante se as reflexões que vêm sendo realizadas coletivamente na Grã-Bretanha respingassem em outros países, inclusive no Brasil.

Entre os aspectos positivos realçados no seminário, um dos mais relevantes é a crescente disposição da comunidade científica em colaborar mais com os jornalistas na divulgação de seu trabalho, o que não era muito comum até pouco tempo atrás. Nesse sentido, é importante que as entidades públicas de financiamento e de controle da produção científica incentivem, na medida do possível, os cientistas a tornarem público para a sociedade o resultado de sua produção.

Embora haja otimismo mais ou menos consensual em relação ao futuro, a crise econômica e de modelo de negócios que a indústria do jornalismo vem enfrentando há pelo menos 20 anos tem causado dificuldades e elas tendem a crescer. Durante o seminário da FAPESP, por exemplo, foi anunciado que um dos poucos grandes jornais brasileiros que mantinham uma editoria específica para este assunto, a Folha de S. Paulo, resolveu fundi-la com a de saúde. Cookson relatou que, também no Reino Unido e na Europa Ocidental como um todo, a crise dos veículos de comunicação tem imposto sacrifícios materiais às editorias de ciência, o que causa grande preocupação quanto ao futuro.

O ecólogo Thomas Lewinsohn, da Unicamp, um dos palestrantes, ressaltou a importância do jornalismo científico na educação científica da sociedade e destacou algo que raramente é percebido nessas análises: essa educação também se aplica a cientistas, já que praticamente todos eles conhecem muito bem a sua especialidade, mas são quase tão leigos quanto a população em geral em relação às demais e também precisam de tradução para entendê-las. Lewinsohn instigou os jornalistas a exercerem o papel de “auditores” da ciência, para o qual – julga ele – não é necessário ser um especialista em nenhum campo do conhecimento: basta sempre verificar se o cientista a respeito de quem vão escrever tem um bom currículo Lattes, se ele é bem citado, o que os colegas pensam dele e de seu trabalho.

Em especial nesta segunda década do século 21, a importância da divulgação científica é indiscutível, pelos mais diversos motivos, inclusive pela crescente consciência coletiva de que se a sociedade paga pela pesquisa, ela tem o direito de saber o que resulta dela.