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No dia 24 de abril a APG da Unesp Rio Claro, como parte da semana de mobilização da Caravana à Brasília por Mais Direitos para os Pós-Graduandos, realizou um debate com a presença do vice-presidente da ANPG, Cristiano Junta, com o tema “Os direitos dos Pós-Graduandos e a crise das estaduais paulistas”.

Na oportunidade, os estudantes discutiram a situação política pela qual passa o país e as tarefas do movimento de pós-graduação. Em foco esteve, principalmente, a discussão sobre os cortes no orçamento, tanto em São Paulo, fator que aprofunda a crise pela qual passa as estaduais paulistas, como no Governo Federal.

Cristiano Junta apontou que Dilma anunciou na semana passada, logo após a aprovação da Lei Orçamentária da União para 2015, que vai “fazer o contingenciamento, que será significativo e não será pequeno”. Para ele, infelizmente, isso reforça a política de Geraldo Alckmin que cortou 6,6 bilhões do orçamento do Estado de São Paulo, sendo 203 milhões a menos para as universidades estaduais.

“Não é possível, com esses cortes, atender as reivindicações populares, é preciso que o Governo Dilma mude de política para fazer jus ao voto popular que a reelegeu em 26 de outubro do ano passado. Dilma deve atender ao povo, aqueles que votaram contra a retirada de direitos dos trabalhadores e contra a restrição nos gastos sociais do Governo e não atender aos interesses dos especuladores”, disse o vice-presidente da ANPG.

Os pós-graduandos da UNESP Rio Claro, em conjunto com sua APG, decidiram marcar uma assembléia do campus para decidir pela regulamentação de sua entidade. Assim como, encaminharam que, com o apoio da ANPG irão entrar em contato com a Universidade e outras entidades para obter apoio para participar da Caravana à Brasília Por Mais Direitos do Pós-Graduandos entre os dias 27 a 30 de abril.

As entidades representativas dos estudantes do Brasil, UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), vêm por meio desta carta oficial manifestar publicamente a sua oposição contrária à PEC 171/93, que têm por finalidade alterar a Constituição Federal para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos.

Não defendemos a impunidade de adolescentes que cometam atos infracionais. Para nós, quem praticou ato ilícito deve cumprir a sentença determinada pelo juiz e ter a oportunidade de se transformar por meio de ações de recuperação com atividades socioeducativas. O Estatuto da Criança e do Adolescente já estabelece isso, conforme o seu artigo 112.

A justificativa para redução é falsa. A ideia de que o Estatuto da Criança e do Adolescente não pune o adolescente autor de ato infracional não pode servir de base para que o Congresso Nacional proponha uma mudança na lei de impactos até hoje não mensurados para o futuro de muitos jovens e família brasileiras. Reduzir a maioridade penal é ferir os direitos humanos, enquanto o que a gente precisa é combater a desigualdade social, o racismo e todo tipo de opressão a nossos jovens. A juventude quer viver!

Exigimos, como cidadãos, responsabilidade com a nossa juventude. Mais eficiente do que propor redução da idade penal para 16 anos ou até menos, seria implementar, de fato, soluções que previnam a criminalidade, como escolas mais atrativas e de tempo integral, popularização das universidades, assistência estudantil, saúde, meia-entrada para o acesso ao lazer, à cultura e ao esporte, mais políticas públicas para a juventude.

Dessa forma, embora consideremos o debate sobre o tema um direito democrático, mais eficiente seria pensarmos nos problemas que afetam nossos jovens, como a evasão escolar. De acordo com dados do Censo 2010, cerca de 7 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola. Desse total, 1,5 milhão são adolescentes entre 15 e 17 anos.

É preciso investir na sala de aula, e não em cadeias. Oferecer ensino de qualidade é lembrar que atualmente 84,5% das escolas brasileiras funcionam apenas com uma estrutura básica. E boa parte dessas mesmas escolas estão nas periferias do Brasil onde morrem cerca de 82 jovens por dia, 30 mil por ano, sendo 77% jovens negros com idades de 15 a 29 anos.

Os estudantes, que dividem muitas vezes essa realidade com outros colegas em seus bairros e escolas, acreditam que é preciso profissionalizar esses adolescentes, garantir espaço no mercado de trabalho e acesso a oportunidades.

Ao invés de repressão, mais violência e punições, precisamos de políticas de prevenção que afastem o jovem da convivência com o que há de pior em nossa sociedade: a pobreza, as drogas, o abuso, a exploração sexual, o trabalho infantil, entre outros fatores prejudiciais, garantindo uma educação de qualidade, com equidade e respeito.

Reduzir a maioridade é tratar o efeito, e não a causa.
Não à criminalização da juventude!

ANPG, UNE e UBES

Contra os cortes no orçamento e por mais verbas para a educação pública!

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Nos últimos anos, o sistema federal de educação superior passou por um intenso processo de expansão, promovido pelo governo federal e incentivado pela sociedade em geral. Novas universidades federais, novos campi, novos cursos de graduação, pós-graduação e extensão estão sendo oferecidos, ampliando de maneira exponencial o acesso à educação pública de qualidade, embora ainda aquém das necessidades do país. No entanto, é necessário que o financiamento federal acompanhe esse crescimento de maneira proporcional.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das universidades que mais cresceram neste processo, sofre as dificuldades do sistema universitário federal como um todo. Recursos ainda insuficientes para a manutenção de seu funcionamento e para a consolidação da expansão, tanto em termos de infraestrutura como de recursos humanos, são algumas das dificuldades mais evidentes.

Em 2015, o contexto se agrava com o ajuste das contas públicas que pode comprometer diversos serviços públicos. Atualmente, as Universidades Federais estão ameaçadas com a redução de repasses de custeio e a intermitência dos recursos de investimento.

As universidades públicas, entre elas as federais, são as principais responsáveis pela produção de conhecimento no Brasil, oferecendo educação gratuita e de qualidade, com a integração do ensino, pesquisa e extensão. O Plano Nacional de Educação estabeleceu a meta de que o setor público deve oferecer 40% do total de vagas no Ensino Superior, considerando que atualmente o setor é responsável por 32% das vagas. É necessário aumentar ainda mais o número de vagas e para isso também será importante aumentar o financiamento de modo a garantir que o congresso apoie esta iniciativa. A priorização dos recursos do MEC para o sistema público de educação é uma política a ser modificada do governo. Será importante termos mais vagas públicas, pois atualmente montantes consideráveis são investidos no ensino privado por meio de programas como FIES, Prouni e Pronatec.

É nesse contexto que a Unifesp propõe a criação do Fórum em Defesa da Educação Superior Pública, cuja primeira atividade será a realização de um debate para discutir os temas críticos que contribuem para a conjuntura atual da educação no país. Além da organização do debate, o Fórum prevê o debate permanente junto à comunidade universitária, parlamentares, intelectuais, entidades representativas e organizações sociais afins, em defesa do orçamento da educação e do financiamento que garanta o crescimento e consolidação da educação pública e de qualidade. Contra os cortes no orçamento e por mais verbas para a educação pública!

O Fórum em Defesa da Educação Superior Pública consistirá de eventos na Reitoria da Unifesp e em todos os campi da universidade, no dia 10 de abril de 2015. Será um dia em que as atividades acadêmicas regulares poderão dar lugar a outras atividades locais, e toda a comunidade poderá se dedicar ao estudo e discussão das questões orçamentárias e de financiamento, propondo estratégias conjuntas para garantir a educação superior pública e de qualidade, com seu devido investimento.

Programação do Lançamento do Fórum em Defesa da Educação Superior Pública

Data e horário: 10 de abril, das 8h30 às 17h00

Local: Anfiteatro da Reitoria da Unifesp (rua Sena Madureira, 1.500)

Manhã:
Mesas de Debate
1) Conjuntura nacional: política econômica e social, e efeitos sobre a educação superior.
2) O modelo de crescimento e financiamento do ensino superior público no Brasil.

Tarde:
Painel de Mobilização
Contra os cortes no orçamento e por mais verbas para a educação pública!

Convidados:
Reitores e gestores das universidades federais de S. Paulo
Parlamentares
Intelectuais e especialistas em política econômica e educacional
Sindicatos e entidades representativas
Grupos e ONGs atuantes na área da educação

Movimentos sociais organizados

Fonte: Unifesp

A Associação Nacional de Pós-Graduandos voltou a receber relatos de atraso nas bolsas de pós-graduação das universidades estaduais do Rio de Janeiro, com verba descentralizada pela FAPERJ. A entidade representativa dos pós-graduandos entrou em contato com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e com a Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, também através de ofícios, para buscar mais informações sobre o atraso e pressionar para que o pagamento seja feito o quanto antes.

A FAPERJ afirma que a verba para o pagamento referente ao mês de janeiro já foi descentralizada e que a agência está se empenhando ao máximo junto à Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro para que as bolsas sejam pagas o mais rápido possível.

Os relatos recebidos pela ANPG são de pós-graduandos que afirmam não receber ha três meses.

“Infelizmente ainda não recebi nenhuma bolsa dos meses trabalhados de 2015. Nenhum pós-graduando da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro que faz parte do programa de desembolso da FAPERJ recebeu os meses referentes de 2015. Os alunos não conseguem mais se manter nas pesquisas devido ao atraso e alguns estão voltando para casa dos pais, deixando a pesquisa atrasar”, diz Gabriel Taveira, doutorando do Programa de Biociências e Biotecnologia da UENF.

“O último pagamento efetuado foi o referente a dezembro, que foi pago no dia 30 de janeiro, já com atraso. Já vamos para três meses de descaso.”, afirmou, para a ANPG, a pós-graduanda Thais Louvain de Souza, também da UENF.

A Secretaria de Estado de Fazenda afirma que os atuais débitos refletem a situação econômica extremamente difícil para o país e especialmente para o estado do Rio de Janeiro e diz que: “diversas providências estão sendo tomadas para equacionar o problema de caixa do Estado”.

A ANPG continua insistindo junto aos órgãos responsáveis para solucionem essa situação o mais rápido possível. A Associação continua recebendo os relatos e acompanhando através do e-mail [email protected]

Da Redação

Logo CLIOA  - Portugues

Foi prorrogado prazo para submissão de trabalhos para o IX Congresso Latino-Americano Interdisciplinar do Adolescente – CLIOA, para 12/04. Cada autor pode inscrever até três trabalhos através do endereço http://inf.ufrgs.br/clioa/.

O evento é bianual e acontecerá durante os dias 11, 12 e 13 de junho, em Porto Alegre, sendo realizado pela UFRGS e com patrocínio da ANPG, CNPq e apoio da SBPC. Com o tema “Adolescentes e Jovens: múltiplas realidades, múltiplos olhares”, o congresso contará com mesas redondas, apresentações de trabalhos (oral e em pôster), conferências, sessões culturais e relatos de adolescentes e jovens das mais diversas áreas, bem como de alunos da educação básica, graduação e, também, pós-graduandos.
Nessa edição, a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, participará na mesa “O papel da divulgação científica na formação de jovens e adolescentes”, que será moderada pela Profa Dra Nádya Pesce da Silveira, presidente da FAPERGS, e terá a presença do Prof. Dr Alberto Passos Guimarães Filho, Físico Pesquisador Titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, da jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Prof. Dra Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes, e o Prof Dr Sigmar de Mello Rode, presidente da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC/Brasil).

No mesmo evento haverá a Mostra Educacional de Tecnologias Educacionais para o Adolescente (META), que tem como focos temáticas de pesquisa e discussões sobre jovens e adolescentes em perspectivas trans, inter e multidisciplinares, e a mostra científica do CLIOA.

Mais informações podem ser encontradas no site http://inf.ufrgs.br/clioa/inscricoes.php .

Da Redação

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Inscrições abertas para o IX CLIOA

No discurso da cerimônia de posse, Luis Manuel Rebelo Fernandes afirmou que poderá “negociar com a área econômica do Governo um descontingenciamento progressivo dos recursos do FNDCT que ainda existem”

Com uma plateia em torno de 800 pessoas, a cerimônia de posse do cientista político Luis Manuel Rebelo Fernandes como o novo presidente da Finep, realizada segunda-feira, 23, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), reuniu os principais nomes do cenário político e acadêmico da Ciência, Tecnologia e Inovação do País.

Fernandes, que foi presidente da financiadora entre 2007 e 2011 e sucede ao professor Glauco Arbix no cargo, enalteceu em seu discurso que o principal desafio é tornar o investimento governamental em P&D mais eficiente e eficaz na promoção e alavancagem de investimentos empresariais em inovação. O novo presidente da Finep arrancou aplausos da plateia ao afirmar que não há, no mundo, uma instituição que opere instrumentos e mecanismos tão abrangentes no fomento de pesquisa científica e tecnológica e na promoção da inovação como a Finep.

Segundo Fernandes, é preciso preservar a capacidade singular da financiadora de operar programas e instrumentos em toda a cadeia de geração de conhecimento e em toda a cadeia de inovação. Sem perder o foco em ações estratégicas, estruturadas e de impacto para o desenvolvimento do Brasil. Ele pontuou ainda que é preciso consolidar e aprofundar o papel da Finep como instituição financeira.

“A Finep não pode aceitar que a sua atuação fique confinada a apenas uma ponta dessas cadeias, ou concentrada em um único instrumento. Isso não só frustraria a realização da sua missão institucional como privaria o Brasil do contributo de uma agência com capacidade singular de promover e disseminar a inovação no país”, ressaltou.

Ele destacou ainda que o desafio de integrar as áreas de pesquisa com a indústria não é novo. De acordo com Fernandes, o tema já estava no centro da política industrial de 2004, chamada Política Tecnológica de Comércio Exterior.

“Não é uma tarefa fácil porque é preciso transformar mentalidades, seja em universidades e institutos de ciência e tecnologia ou dentro das próprias empresas. Boa parte das empresas encara a inovação como um gasto supérfluo que prejudicará a sua sobrevivência, ao invés de ser o motor fundamental da promoção da sua competitividade. Isso é um longo processo, mas contamos com parcerias importantes para levar essa visão adiante, como o MEI (Mobilização Empresarial pela a Inovação)”, comentou.

Na visão de Fernandes, dentro das próprias universidades é crescente o entendimento da necessidade da interação com o mercado. Mas, além da mudança cultural, ele afirmou que a Finep, como agência de fomento, tem como principal desafio tornar mais efetivos os investimentos.

“Isso implica ter mais foco estratégico nas ações, garantir captação de recursos que permitam integrar recursos associando subvenção a crédito, mobilizando capacidades instaladas nas universidades e nos institutos de Ciência e Tecnologia, para atender a demanda de desenvolvimento tecnológico das empresas”.

Recuperação do FNDCT

Para o novo presidente da Finep, a estratégia é o foco em resultados no combate  à dispersão de investimentos. “Isso seria o correto e o necessário em qualquer momento, ainda mais agora, quando vivemos uma era de restrição por conta das medidas de ajuste fiscal”, reforçou.

Outro ponto relevante do discurso de posse foi a recomposição da capacidade de investimento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Ele observou que há ações imediatas no sentido de recuperar a arrecadação para a área de Ciência e Tecnologia.

“Podemos negociar com a área econômica do Governo um descontingenciamento progressivo dos recursos do FNDCT que ainda existem. É possível acertar, no âmbito da governança do sistema nacional de Ciência e Tecnologia, a retirada de ações orçamentárias ordinárias da administração direta que vêm sendo bancadas pelo FNDCT .Isso independe de mudanças legislativas, depende de compreensão em relação ao papel do fundo”, detalhou.

Fernandes pontuou ainda que há grandes esperanças com relação à regulamentação do fundo do Pré-Sal, também destacado no discurso do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo. “Talvez possamos garantir uma nova fonte importante de arrecadação de recursos ou para o FNDCT, que é o mais desejado, pois o fundo já existe com mecanismos de financiamentos já estabelecidos ou constituindo um novo fundo voltado para o apoio da CT e Inovação”, afirmou Fernandes.

Segundo o novo presidente da Finep, o momento atual é semelhante ao início da década passada. Ele lembrou que, por coincidência o secretário do Tesouro era o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Tivemos muito sucesso em negociar com a equipe econômica, incluindo Levy. Temos que manter essa visão de participação solidária no esforço de ajuste, mas combinado com uma liberação progressiva de recursos para a área de Ciência, Tecnologia e Inovação”, disse.

Estiveram presentes ao evento o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo; o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; além dos ex-ministros do MCTI Roberto Amaral e Marco Antonio Raupp e do presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira. O professor Otávio Velho, presidente de Honra da SBPC, também estava presente.

Amante de futebol e torcedor assumido do Vasco da Gama, Fernandes contou com o apoio de Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama, que fez questão de comparecer à posse. E, não por acaso, em seu discurso, Aldo Rebelo comentou que a nova gestão de Fernandes na Finep vai ser tão iluminada quanto a passagem do jogador Ademir Marques no Vasco da Gama, no final da década de 1940.

Veja o discurso na íntegra em: http://www.sbpcnet.com.br/site/arquivos/arquivo_415.pdf

Fonte: Jornal da Ciência

A reitoria da UFSCar abriu uma sindicância para investigar o assedio possivelmente sofrido por Thais Moya, ex-doutoranda da Universidade, pelo seu antigo orientador em 2010 e 2011. Thais relatou os episódios durante uma pesquisa supostamente sigilosa feita pela IES, destinada aos pós-graduandos, e que foi divulgada entre alunos e professores. O caso ganhou notoriedade pública após a doutoranda relatar o assédio sofrido em sua página do Facebook, juntamente com uma foto sua de cabelos raspados, em protesto. “Depois de muito pensar e ponderar, decidi raspar meus cabelos e publicar meu protesto em minha página do facebook, pois estava evidente, para mim, que as vias oficiais não funcionam, pelo contrário, nos casos relatados foram válvulas de ação do corporativismo presente em algumas esferas de nossa universidade”, disse a pós-graduanda à ANPG.

A comissão de sindicância, que foi aberta após uma Comissão de Averiguação ter sido criada em 2014, terá 60 dias para concluir os trabalhos, sendo que a expectativa de divulgação dos resultados é em meados de maio. A Averiguação encaminhou os resultados preliminares das investigações no dia 6 de março. A universidade afirma, em nota, que a comissão sugeriu que seja mantido o caráter sigiloso da investigação, “por se tratar de informações pessoais – ou seja, relativas à “vida privada, honra e imagem” das pessoas”.

Thais Moya relatou, em seu perfil no Facebook e para a ANPG, o que a levou a denunciar os abusos: “Eu vi nessa pesquisa a oportunidade de relatar institucionalmente, de modo seguro e sem possíveis retaliações, duas situações de abuso de professor contra estudantes. Uma situação na qual eu fui agarrada e beijada pelo meu professor e ex-orientador em duas ocasiões sem o meu consentimento e que, desde então, o mesmo progressivamente retirou-me dos projetos que ele coordena, além de dificultar meu desenvolvimento acadêmico. E outra situação que eu testemunhei de outro professor do Programa humilhar, durante dias, seu ex-orientando por meio da página do grupo de estudo (CIS, atual Quereres) no facebook e e-mails. Diante de permanente e injustificável perseguição pública, eu, na mesma página do facebook, me posicionei criticamente a tal postura. Desde meu posicionamento, o referido professor – que antes me elogiava publicamente, além de termos tido freqüentes parcerias de trabalho – passou a me tratar friamente e com desprezo”, afirma.

Essa sindicância acontece depois da grande repercussão do caso de Thais e da cobrança firme e insistente dos pós graduandos envolvidos. A ANPG continuará acompanhando esse caso e pressionando para que uma resolução justa se dê o mais rápido possível.

Documento de Direitos dos Pós-Graduandos

Da Redação com informações do R7 

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ANPG lançou, em setembro de 2014, a Campanha por Mais Direitos para as Pós-Graduandas e para os Pós-Graduandos, baseada no Documento de Direitos e Deveres, aprovado no 24º CNPG. O documento foi elaborado a partir das dificuldades e potencialidades locais vivenciadas para o desenvolvimento científico do país e destinado a regular direitos e deveres dos pós-graduandos matriculados em Instituições de Ensino Superior públicas e privadas brasileiras, nas modalidades lato e stricto sensu. Dentre as pautas da Campanha, está a 13ª bolsa de pesquisa, a taxa de bancada, o financiamento de eventos científicos, a tradução e publicação de trabalhos acadêmicos, e o auxílio defesa.

A ANPG entende o pós-graduando como, além de um estudante, um trabalhador, pois exerce uma atividade produtiva laboral ao mesmo tempo que está em processo de formação educacional. Além disso, uma vez que esse não pode, muitas vezes, ter vínculo empregatício, o pós-graduando tem na sua atividade de pesquisa a sua principal ou única ocupação. Sendo assim, o pós-graduando é um híbrido entre estudante e trabalhador e por diversas vezes depende da bolsa de pesquisa para seu sustento. A partir dessa ótica, os pós-graduandos devem receber seus direitos trabalhistas, como a 13ª bolsa.

O eixo de melhores condições de pesquisa é muito complexo, pois envolve várias situações que requerem medidas diferentes. A primeira situação que precisamos destacar é aquela que envolve atividades que, por sua natureza, apresentam algum nível de perigo à saúde do pós-graduando. Nessas, é preciso que discutamos como implantar adicional insalubridade, bem como Equipamento de Proteção Individual (EPI).

Esse direito é consagrado na legislação brasileira mediante avaliação pericial de risco em situações reais e se reproduz com freqüência em laboratórios, onde a presença de agentes químicos, tóxicos, radioativos, corrosivos ou explosivos colocam em risco a saúde do pós-graduando.

Ainda falando em saúde, é preciso regulamentar o afastamento por motivo de saúde para o pós-graduando que, uma vez doente, não conta com o apoio do sistema nacional de seguridade (INSS). Especialmente, em tempos de alta produtividade, como o que vivemos, é comum que a pressão pela produção acadêmica provoque muitas doenças nos pós-graduandos, especialmente doenças psicológicas. Nesses casos, não se conta com o apoio de nenhum órgão oficial e tão pouco é comum se dar relevância ou humanidade a esse problema, mesmo frente a número que demonstram grande recorrência do problema. No caso da perda de bolsa, que pode significar a perda do próprio sustento, agrava-se ainda mais a situação.

Outros direitos já consagrados aos trabalhadores brasileiros também faltam à categoria. Não são poucas as situações em que pós-graduandos ficam responsáveis por experimentos laboratoriais que não são interrompidos com as atividades letivas, fazendo com que o mesmo não tenha direito efetivo às férias. Na mesma categoria, podemos encarar o 13º salário. Na opinião da ANPG, a bolsa, mais do que auxilio à pesquisa, deve ser encarada como a única forma de sustento para o pós-graduando que, para recebê-la, assina contrato de exclusividade e fica impedido de exercer sua profissão. Alem disso, é preciso destacar, a pesquisa desenvolvida pelo pesquisador não é de interesse só dele.

Nesse sentido, os gastos com a divulgação dos seus resultados, parciais ou totais, não podem concorrer com seu sustento e, portanto, não devem ser descontadas da bolsa. Algumas modalidades de bolsa mais completas já possuem taxa de bancada (um recurso a ser recebido mensalmente, junto à bolsa, pelo pós-graduando de programa stricto sensu para custear suas atividades acadêmicas, valor adicional utilizado para compra de equipamentos e suprimentos a pesquisa), financiamento para participação em congressos, bem como para tradução e publicação em revistas “qualizadas” de língua estrangeira, exigência de muitos programas. Também nessa seara, podemos falar sobre o auxílio defesa, tendo em vista que os custos para impressão, encadernação e formação da banca, como viagens e hospedagens dos examinadores, muitas vezes precisa ser bancada pelo próprio pesquisador.

A Campanha por mais Direitos para as Pós-Graduandas e para os Pós-Graduandos defende também as seguintes pautas:

– Assistência Estudantil: direito à moradia universitária, bandejão, atenção à saúde, passe-livre estudantil;
– Melhoria nas relações acadêmicas: Combate ao assédio moral e sexual, orientação e atenção periódica, direito à representação discente;
– Mais verbas para Ciência e Tecnologia: Investimento de 2% do PIB brasileiro em C,T&I, Destinação dos royalties do minério para C,T&I no novo Código Mineral, Lei federal que componha os recursos do FNDCT, Aporte de recursos a cada novo projeto e programa, para que as ações correntes não sejam prejudicadas.

Participe conosco da Campanha!

Nos dias 27, 28 e 29 de abril, a ANPG e o movimento nacional dos pós-graduandos vão à Brasília por Mais Direitos para os pesquisadores do Brasil. A Caravana realizará manifestações e blitz no Congresso Nacional, pedindo apoio aos parlamentares sobre as pautas por mais direitos. Além disso, a entidade pedirá audiência com os ministros do MCTI e MEC para apresentar as pautas da Campanha.

A Associação também promoverá, durante esse período, o Seminário Nacional de Assistência Estudantil: Políticas, Direitos e Perspectivas para a Pós-Graduação, que será realizado na Universidade de Brasília (UnB) durante o período da Caravana.

Divulgue a agenda de mobilização da sua instituição através do e-mail: [email protected]

>>Veja o Documento de Direitos e Deveres dos Pós-Graduandos

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No dia 20 de março (sexta-feira) cerca de 20 estudantes da pós-graduação da UNESP de Assis-SP se reuniram com a presença de Gabriel Mendoza, Diretor de Relações Internacionais da ANPG, para discutir a Campanha por Direitos e a necessidade de organização na pós-graduação.

Durante a atividade foi ressaltado o momento particular por que passa o país, com medidas de ajuste fiscal promovidas pelo Ministro da Fazenda Joaquim Levy e a situação particular das universidades estaduais paulistas com cortes anunciados, contratações inferiores ao necessário e ampliação da utilização de recursos próprios.

Nas falas dos pós-graduandos e pós-graduandas, ficou evidente a necessidade de se organizar para fazer avançar a luta por direitos, mesmo na difícil conjuntura que se apresenta. Por isso mesmo foi decidido a construção da comissão Pró-APG da UNESP/Assis.

“Os pós-graduandos estão se organizando para dizer ao governo federal que não foi para realizar essas medidas de ajuste que Dilma foi eleita, mas para que garanta mais conquistas para a nação, e para nós é mais que necessário o reajuste imediato das bolsas e a adoção da carta de direitos pela CAPES e CNPq, a começar por previdência, 13ª bolsa e taxa de bancada. E é com esse conteúdo que nos preparamos para ir à Brasília na Caravana por mais direitos da ANPG” defende Gabriel Mendoza.

A Caravana à Brasília, foi aprovada pela Diretoria da ANPG para os dias 27 à 30 de abril, em conjunto com o Seminário de Assistência Estudantil, a ser realizado na UnB.

Para mais informações sobre como construir a Associação de Pós-Graduandos acesse: Cartilha de APGs

Da Redação

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No dia 18 de março, a convite do Diretório Central dos Estudantes da UEM, o diretor da ANPG, Gabriel Mendoza, esteve na Universidade Estadual de Maringá (PR), para discutir a “A luta dos pós-graduandos e a crise das universidades públicas paranaenses”.
Com a presença de dezenas de estudantes da graduação e da pós, o debate passou por momentos de elencar a importância da pós-graduação no Brasil, bem como os avanços conquistados no último período. Mas também discutiu-se a necessidade de fazer frear os projetos de ajuste fiscal desde o governo federal e no governo do estado do Paraná – onde a situação é mais grave e já comprometeu o início do ano letivo -, o que motivou a greve dos servidores públicos do Estado, que impôs uma primeira derrota ao governo de Beto Richa (PSDB).
Durante o debate na UEM, a reivindicação contra os planos de ajustes fiscal, se somou a necessária luta pelo reajuste das bolsas e pelos direitos dos pós-graduandos, impulsionando a refundação da APG-UEM.
“Saímos de lá com o compromisso de refundar a APG contando com o apoio do DCE”, afirmou Gabriel Mendoza, e seguiu dizendo que “é mais um passo na construção da Caravana da ANPG à Brasília em abril para exigir da presidente Dilma – que ajudamos a eleger – que a prioridade deve ser reajuste das bolsas e os direitos dos pós-graduandos, e não agenda daqueles que foram derrotados nas urnas”.

Da Redação