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Hernan Chaimovich é escolhido para comandar o CNPq – Foto: Agência Fapesp

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo, indicou Hernan Chaimovich para presidir o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), substituindo Glaucius Oliva. Até o momento, Chaimovich era vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e coordenador do Programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Trata-se de uma nova responsabilidade e espero que minha longa experiência em Ciência e Política Científica nacional e internacional possa ser útil para o desenvolvimento harmônico da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil”, afirmou Chaimovich.

Ele foi presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular, chefe de Departamento de Bioquímica da Universidade de São Paulo (onde implantou e coordenou o curso de Ciências Moleculares), pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e Vice-Diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Secretário

Rebelo também nomeou o novo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Jailson Bittencourt de Andrade. Ele é conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da ABC (Conselho Fiscal), suplente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e membro do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Fonte: Agência Gestão CT&I, com informações do Confap e Fapesp

A porta de entrada da Prefeitura de São Paulo amanheceu hoje (15) interditada pela mobilização das entidades estudantis. Liderados pela União Estadual dos Estudantes (UEE-SP) e pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), estudantes representando diversas cidades do Estado de São Paulo fizeram vigília em frente ao paço.

Segundo Carina Vitral, presidenta da UEE-SP, “essa vigília marca o início de um ano em que temos motivos para comemorar e para lutar ao mesmo tempo. Comemoramos a conquista do passe livre para os estudantes prounistas e carentes, mas queremos o passe livre irrestrito para todos estudantes e para isso estamos aqui, na luta”.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos esteve representada pelo Diretor de Juventude, Marcelo Arias, que acompanhou todo o movimento. Segundo Arias, a ANPG soma-se na luta para garantir que os pós-graduandos da capital de São Paulo também sejam beneficiários desse direito. A ANPG protocolou ofício solicitando reunião com o Secretário de Transportes e as APGs que atuam na capital de São Paulo para discutir, especificamente, a situação dos pós-graduandos. Para Arias, “a portaria número 003/15, que regulamenta a gratuidade, deixa em dúvida a cobertura desse direito para os pós-graduandos e, por isso, estamos somando nessa luta. Além disso, é importante dizer que somente mudando o sistema de financiamento do transporte público, responsabilizando toda a sociedade e não apenas os usuários, atingiremos a meta de universalizar o direito à mobilidade urbana, priorizando o transporte coletivo ao individual”.

Na tarde desta quinta-feira, o Prefeito Fernando Haddad, acompanhado da Vice-Prefeita Nádia Campeão e do Secretário de Transportes, Jilmar Tatto, recebeu comissão representando os estudantes em luta e ouviram suas propostas de ampliação do passe livre. A ANPG acompanhou a reunião e pautou o problema específico dos pós-graduandos que não conseguem nem obter o meio-passe integral, pois atualmente recebem apenas a cota mínima relacionadas ao dias em que estão matriculados em disciplinas. Por conta disso, não conseguem exercer integralmente o direito ao meio-passe.

Segundo técnicos da Secretaria de Transportes, o entendimento da SPTrans é que a gratuidade abrange os pós-graduandos que atendam os requisitos da Portaria 003/15, masque existe disposição por parte do Governo municipal de adequar a portaria à realidade. Representando a APG “Helenira ‘Preta’ Rezende”, da USP-Capital, Mariana Moura também esteve presente e destacou que “a gratuidade deve se estender também para o transporte sobre trilhos. O Pós-Graduando vai todos os dias para a Universidade e não apenas quando tem disciplinas. É importante que os pós-graduandos comecem a se inscrever no sistema de gratuidade da SPTrans para verificarmos se vamos conseguir exercer esse direito”.

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Da redação

Por Gabriel Nascimento*

É meia-noite e estou voltando da festa. O carro da polícia reduz a velocidade para me identificar. Mas sou um disfarce e a polícia vai embora. Roupa nem tão simples nem chamando muita atenção. São apenas marcas das lojas de departamento. Nem as marcas que levam pujança às compras da periferia, nem os artigos de grife. O que visto é o capital simbólico da classe média. O que visto é um disfarce.

É assim que nós negros somos tratados institucionalmente no Brasil. Ou nos enquadramos em disfarces socialmente funcionais, ou somos identificados pelo Estado como “alienígenas”. Ser negro no Brasil é correr riscos. Risco de ser parado pela polícia e talvez nunca mais voltar pra casa e risco de ser confundido pelo outro negro como aquele que lhe quer subtrair o ponto de droga ou boca de fumo. É sempre uma encruzilhada perigosa.

O negro veste a roupa e o capital de classe média, mesmo sem ser de classe média, e atravessa as ruas. Às vezes o disfarce funciona. Às vezes não. É o caso de Mírian França de Melo. Estudante de doutorado pela UFRJ, este podia lhe render um bom disfarce. Não foi o caso. Acusada de matar a turista italiana Gaia Molinari, a doutoranda negra foi presa mesmo após as vinte e quatro horas do flagrante e nem pôde se comunicar com a própria mãe.   Às vezes o disfarce não funciona porque o racismo institucional funciona muito mais.

O negro se vê em encruzilhadas. Pode resistir usando roupas da periferia, de onde vem, e ser parado e assassinado pelo Estado e pelo mercado das drogas ilegais. Ou pode se disfarçar. Fazer uma faculdade, um mestrado e um doutorado. Usar roupas parecidas com as da classe média tradicional, aquela que a TV apresenta. Isso não significa que o disfarce funciona em todas as horas.

O caso de Mírian, a doutoranda negra que foi presa e mantida encarcerada, mesmo sob evidências que apontavam para outrem como assassinos da italiana, está no contexto do número de mortes da juventude negra no Brasil. Dos alarmantes mais de 30 mil homicídios anuais acometidos aos jovens, 77% dos assassinados são negros. Sem disfarce e com uma violência digna de uma sociedade autoritária e neurótica, que não conseguiu resolver sua dívida histórica com as minorias, o Brasil está na lista da Anistia Internacional. Em nosso país está em andamento um genocídio da juventude negra, este disfarçado para não negligenciar nosso eterno mito da democracia racial.

Em nosso disfarce precisa estar presente mais do que o disfarce do negro que habita o espaço urbano, de prestígio das classes médias. Em nosso disfarce precisa estar o constante contradiscurso em uma sociedade que trata o diferente como o “outro” a ser eliminado. Em nossas práticas, em detrimento da contingência do disfarce funcionar ou não, o ato rebelde de negar a importância essencial do disfarce. Se o disfarce é bom para a sobrevivência, não o é para transformar aqueles que jamais poderão se disfarçar. Não é e nunca será, enquanto vivermos numa sociedade cheia de contradições e assimetrias sociais, uma questão simples de meritocracia. Estamos muito distantes de um mundo de justiça social, mas, com toda a certeza, não é se convencendo de nosso disfarce habitual que vamos alcançá-lo.

*Gabriel Nascimento é presidente da Associação de Pós-graduandos da UnB, vice-presidente Centro-Oeste da Associação Nacional de Pós-graduandos, mestrando em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Devido ao atraso das bolsas de diversos pós-graduandos, as APGs da USP São Carlos e da UFSCar convocaram uma reunião no dia 13/01 para discutir a origem e as consequências desses atrasos, e o que faremos a respeito. Os cerca de 20 pós-graduandos que estiveram presentes no CAASO, centro acadêmico da USP – São Carlos, apontaram a falta de informações da CAPES sobre as causas do atraso, e concluíram que esta seria uma das consequências do corte de 7 bilhões no orçamento da educação anunciado pelo governo federal no novo mandato.
O repúdio a este corte de verbas, e a certeza de que não podemos continuar vulneráveis – sem direitos e sem valorização da nossa formação e trabalho – foram unânimes. Estiveram presentes também nessa reunião os diretores da ANPG, Leonardo Reis e Gabriel Mendoza, que apoiaram a manifestação.Diante do exposto, foi decidido nessa reunião que nos uniríamos à manifestação já divulgada por outros movimentos de pós-graduandos, como o da APG-UFRGS, em Porto Alegre, e de pós-graduandos independentes na UFSC, em Florianópolis, e CONVOCAMOS um ato no dia 15/01 (quinta-feira), às 13h30, em frente à reitoria da UFSCar, e em seguida nos reuniríamos com representantes da reitoria e da pró-reitoria de pós-graduação dessa instituição para pedir que apoiem nossas bandeiras:
– Contra os atrasos no pagamento das bolsas de pesquisa
– Pelo reajuste das bolsas

– Pela universalização das bolsas
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Diante das manifestações do movimento de pós-graduandos e pressões exercidas  pela Diretoria da ANPG no tocante ao atraso das bolsas concedidas pela CAPES, tivemos a publicação de uma nota oficial desta agência federal apresentando que o pagamento foi realizado no dia 09 (última sexta-feira) (https://www.anpg.org.br/?p=7189). Foram consultadas gerências de bancos à respeito do prazo para o recebimento dos valores creditados e a CAPES, e, via de regra, são 48 horas para a compensação em conta. Segundo as informações, o sábado não entraria na contagem do prazo de compensação. Entretanto, foi dito que o recurso poderia entrar antes das 48h – situação que não ocorreu até o presente momento com os pós-graduandos espalhados pelo Brasil.

Em 11 de dezembro, durante a reunião do Conselho Superior da CAPES, a representante da ANPG, Vivian Gregori, questionou sobre os atrasos nos repasses das bolsas e reiterou a importância da pontualidade do pagamento. Durante o dia do encontro, diretores da CAPES se posicionaram dizendo que foi um descompasso administrativo já solucionado e que a situação havia sido normalizada.

No dia 12 de dezembro a secretária geral da ANPG, Hercília Melo, destinou o seguinte pedido de esclarecimentos à CAPES: “A ANPG vem através deste solicitar esclarecimentos em relação ao atraso das bolsas ocorrido neste mês corrente. Muitos pós-graduandos tem procurado a entidade para que esta situação seja resolvida. Destacamos a dificuldade de obter posicionamento oficial desta coordenação na medida em que temos recebido diversas informações divergentes. Temos entrado em contato permanentemente à respeito da situação que se encontram os bolsistas, inclusive que nos repassam que as universidades também estão tendo dificuldade de compreender a real situação. Ao procuramos os setores e diretorias ligadas às bolsas, a informação repassada é que os problemas internos foram resolvidos. Contudo, os pós-graduandos não tiveram a destinação da bolsa, apesar dos compromissos e despesas que selaram para o mês. Estamos ligando para os contatos repassados, mas sem sucesso de posicionamento. Solicitamos que oficio circular seja enviado aos programas e que uma nota seja publicizada nos espaços institucionais da CAPES em decorrência da situação. A bolsa, na maioria das vezes, é a única renda que o pós-graduando detém para suas necessidades de vida e pesquisa. Segue uma matéria veiculada recentemente sobre o atraso das bolsas http://educacao.estadao.com.br/blogs/paulo-saldana/capes-atrasa-bolsas-de-pesquisadores/“.

 A CAPES, no dia 17 de dezembro, reiterou os seguintes esclarecimentos à entidade: “Embora o problema já tenha sido resolvido, afirmamos que o atraso ocorreu, como aliás era comum ocorrer antes da nossa administração, porque a CAPES não recebeu em novembro, os recursos previstos no orçamento para tal finalidade”.

Em janeiro deste ano, a ANPG denunciou a situação à imprensa, inclusive sendo noticiado o atraso em jornais de circulação nacional, impressos e etc.

A diretoria da ANPG e o  movimento de pós-graduandos continua alertando que a a bolsa não foi paga em redes sociais (hastag #cademinhabolsa puxada no protesto virtual da última quinta-feira, 08 de janeiro – https://www.anpg.org.br/?p=7167). Além disso, o apelo foi feito a diretores de entidades/associações ligadas à educação superior e à pesquisa, no sentido de ampliar os apoios para que esta situação seja resolvida. A vigília para que o governo federal cumpra o compromisso que assume com os bolsistas e programa de pós-graduação com a assinatura do termo continua nos esforços da entidade.

Para amanhã está prevista reunião da diretoria da ANPG, no sentido de reavaliar esta situação do atraso no pagamento das bolsas e outras questões pertinentes. A diretoria tem acompanhado casos enviados para a entidade desde dezembro, como conta nas reportagens, e já mira as próximas ações que possam ser mobilizadas.

A diretoria está disposta a realizar as ações necessárias para esta resolução (vide https://www.anpg.org.br/?p=7159).

No site da ANPG há o informe do pleito de reunião com o MEC para esta semana, apresentado pela presidenta, Tamara Naiz (https://www.anpg.org.br/?p=7165). Como ainda não teve confirmação de data, todos nós devemos somar esforços para que esta agenda se concretize, inclusive para tratar da valorização permanente das bolsas e outros direitos ecoados pelos pós-graduandos brasileiros.

No dia 08 de janeiro, foi apresentada pela presidenta da ANPG, que estava em Brasília, uma carta que reivindica um posicionamento da CAPES sobre o atraso nas bolsas de dezembro e das pagas em janeiro. Segundo a carta (Leia em https://www.anpg.org.br/wpcontent/uploads/2015/01/Of%C3%ADcio001_2015.pdf), a entidade se coloca “na posição de reivindicar uma posição sobre o assunto aqui endereçado, especialmente por tocar beneficiários que têm a bolsa para a sua sobrevivência, muitas vezes em outra cidade, Estado ou País. Há muitos anos a ANPG debate com o Governo Federal a valorização permanente das bolsas dos pós-graduandos, que sofreram muito com a inflação, congelamentos históricos e o aumento do custo de vida. Temos apresentado, a demanda por mecanismos de reajuste anual e o direito de recebimento da bolsa até o 5º dia útil de cada mês durante a vigência do curso, entre outros. Na história da ANPG, campanhas, caravanas, atos e reuniões têm travado lutas por mais condições de pesquisa para o pós-graduando”.

No 24º Congresso Nacional de Pós-Graduandos (CNPG), foi aprovado, de forma unânime, o Documento de Direitos e Deveres das Pós-Graduandas, elaborado a partir das dificuldades e potencialidades sentidas no cotidiano da formação. O documento de direitos tem tomado cada vez mais fôlego nos debates locais e regionais dos pós-graduandos, mediante os apontamentos que apenas a bolsa de pesquisa não garante condições de permanência e conclusão dos cursos e/ou projetos de vida. Leia o documento de direitos:http://issuu.com/associacaonacionaldepos-graduandos/docs/docdireitos.

A luta pela Assistência Estudantil e financiamento para CT&I, está prevista nas resoluções congressuais de 2014, que representam bandeiras históricas da ANPG e estão presentes nas inquietações e esforços do movimento nacional de pós-graduandos,  agora mais evidência neste momento de atraso das bolsas.  A pauta pela valorização da ciência e do pesquisador da ANPG se destaca em defesa de mais direitos e melhores condições de vida para os pós-graduandos ressaltando, inclusive, a importância do diálogo com a sociedade.

Campanha por mais Direitos configura-se como crucial agenda para ANPG, tendo a possível capilaridade de congregar pós-graduandos, pesquisadores, universidades, entidades, associações científicas e da sociedade civil pela sua efetivação (https://www.anpg.org.br/?p=6114).

Por considerar a necessidade de mais garantias aos pós-graduandos prejudicados com o atraso nas bolsas, a ANPG buscou assessoria jurídica conforme notícia veiculada. As primeiras consultorias não vislumbravam a possibilidade de ações indenizatórias favoráveis ao movimento, mas a ANPG reunia diversos relatos de dificuldades sentidas e continuou a debater os prejuízos reais envolvidos nesta situação (https://www.anpg.org.br/?p=7159).

Para membros da primeira assessoria, o dano material precisaria ser comprovado e numa ação coletiva e a ANPG não teria condições de demonstrar os danos que cada pós-graduando. Para estes, os pós-graduandos residentes fora do país teriam mais chance, segundo a consulta externa realizada.

Os argumentos da assessoria ventilavam que dificilmente os juízes concederiam, em grande número – considerando os bolsistas com concessão da CAPES – algum tipo de indenização pois o recurso poderia prejudicar a economia do país. Nestes casos, segundo a consultoria, estas indenizações são tidas com cautela, como na medida em que poderiam afetar o orçamento de órgão público. Além de precaver que a tendência da ação era de sofrer negação e não ter procedência.

Enquanto entidade, defendemos que o nexo da causalidade podia ser provado e que a ação indenizatória individual poderia ser movida. A bolsa tem caráter alimentar e, portanto, exige preferência no pagamento, inclusive pela exclusividade exigida no universo dos elegíveis na concessão da bolsa. A condição de exclusividade e a necessidade de sobrevivência já havia sido apresentada na carta da presidenta à CAPES, como  já exposto anteriormente.

A continuidade dos pareceres obtidos pela assessoria em consulta detinham a tônica de que os pós-graduandos precisariam comprovar a repercussão concreta na sua vida do atraso da bolsa, encontrando dificuldades na procedência da ação por considerarem que a natureza da bolsa era de auxiliar a pesquisa e não com característica alimentar, como salário e pensão. Para a maioria dos consultados, seria procedente ação apenas em casos em que o pós-graduando deixou de participar de curso, congresso, coleta de dados, e afins, pelo atraso.

Apesar desta assessoria ter uma avaliação desanimadora, a possibilidade da entrada de ações de ressarcimento de danos materiais por cada pós-graduando prejudicado encontra-se neste parecer jurídico obtido pela ANPG (essa ação seria individual, onde cada pós-graduando pode apresentar as despesas adicionais com o atraso das bolsas com cobrança ao Estado desse ressarcimento).De acordo com esta assessoria jurídica favorável, existe viabilidade destas ações indenizatórias.

A ANPG deverá entrar com uma ação constitucional em busca da garantia e a segurança de que a administração pública atuará, sendo interposto em Brasília um mandado de segurança. O mandado de segurança pede a regularização dos pagamentos das bolsas e precisará ser interposto onde dispõe o foro ajuizado. Ao órgão que competir responder, também será dirigido o pronunciamento.

Agradecemos a confiança de cada pós-graduando que procurou a ANPG e dispôs a situação enfrentada. Mensagens eletrônicas, extratos bancários, entre outras fontes, contribuíram na abertura da demonstração.

A ação de ressarcimento de danos materiais exigirá comprovações individuais do que foi gasto de excedente diante do atraso. Cada Estado possui defensoria pública assegurada pela constituição federal e deve ser procurada por cada pós-graduando que se sentir lesionado para ação indenizatória individual.

Dúvidas que não couberam no parecer podem ser enviados para [email protected].

Caso o pagamento das bolsas não ocorra conforme nota da CAPES publicada na última sexta-feira, a reivindicação da ANPG também tomará forma do mandato de segurança, que tem como meta oferecer ao cidadão e à sociedade a garantia e a segurança de que a administração atuará.

Aos pós-graduandos que sentem-se violados, nossa solidariedade e luta! Ao judiciário, esperamos a garantia de meios necessários ao bom desempenho de suas funções institucionais. Continuemos mobilizados, realizando reuniões locais e reunindo apoiadores na pauta da valorização dos pós-graduandos. Continuemos mobilizados, realizando reuniões locais e reunindo apoiadores na pauta da valorização dos pós-graduandos. Confira a proposta de moção para aglutinar apoiadores, podendo ser apresentada em conselhos universitários, assembleias legislativas, câmaras de pós-graduação, colegiados de cursos, etc https://www.anpg.org.br/?p=6326

Confira o Parecer – Bolsas CAPES sobre o mandato de segurança e ações de ressarcimento individual com parecer favorável.

Não satisfeita com a resposta do MEC, a ANPG convoca os pós-graduandos para se organizarem em um protesto virtual via twitter e facebook, alertando as autoridades responsáveis pela regularização dos pagamentos.

Durante todo o dia nove de janeiro (09/01) os Pós-graduandos podem fazer postagens com a hashtag #CadeMinhaBolsa e vincular os perfis da Presidenta Dilma Roussef (@dilmabr), do Ministro da Educação Cid Gomes (@cidfgomes) e do Ministro da Fazenda Joaquim Levy (@JOAQUIMLEVY).

Sugere-se a utilização de frases relacionadas à Campanha por Mais Direitos para as Pós-Graduandas e os Pós-Graduandos, como “Valorização das Bolsas”, “Pela valorização da Ciência e dos Pesquisadores” e “Por mais direitos para as Pós-Graduandas e os Pós-Graduandos”.

Quem estiver com as bolsas em atraso pode enviar seus dados (Nome completo, Universidade, Programa de Pós-Graduação, email, telefone, modalidade da bolsa e parcelas atrasadas) para o email [email protected]. A ANPG irá compilar a lista de quem estiver com problema e apresentar ao Ministério para pressionar pelo pagamento.

Leia mais em:
ANPG cobra CAPES sobre atraso nas bolsas
MEC justifica atraso das bolsas para ANPG

A Associação de Pós-Graduandos (as) da UFSCar, através dessa carta aberta, vem tornar público seu apoio à doutoranda Thais Moya, que no dia 12 de dezembro de 2014 denunciou, via redes sociais, que sofreu assédio na pós-graduação por parte de seu professor e ex-orientador. Na sua denúncia relata que foi agarrada e beijada sem o seu consentimento em duas ocasiões. Por resistir e não aceitar tal situação passou a ser perseguida, sendo retirada de projetos do núcleo de estudos que seu ex-orientador coordenava. Com toda essa situação, e devido à falta de apoio que as vítimas de assédio possuem para realizar suas denúncias, passou dois anos se sentindo amedrontada e coagida, o que não permitiu que agisse anteriormente.

A primeira vez que finalmente se sentiu segura para fazer uma denúncia de assédio foi quando a coordenação do seu programa realizou um survey com os pós-graduandos (as) visando à melhoria do programa. Uma das perguntas abertas era referente à relação entre orientado e orientador, espaço que criou abertura para denúncias. O caso da Thais foi o mais grave, porém não o único a vir à tona, o que evidencia como esse é um problema frequente na pós-graduação, devido à vulnerabilidade e à falta de direitos dos pós-graduandos (as).

Nesse momento a APG-UFSCar tomou conhecimento dessas denúncias, e começou a apoiar os discentes discutindo possíveis formas de proceder para evitar maiores exposições das vítimas, e criar condições para lutar pelo fim do assédio na pós-graduação em geral. Nessas reuniões decidimos que a resolução desse problema respeitaria as diversas instâncias da UFSCar, sendo inicialmente escrita e protocolada no programa uma carta pedindo esclarecimentos dos docentes. Em paralelo, foi realizada, no dia 4 de dezembro, uma assembleia geral dos pós-graduandos (as) com a pauta única de assédio moral e sexual na pós-graduação. Nesta ocasião, além da própria Thais apresentar o seu caso, diversos outros discentes relataram casos de assédio na universidade, especialmente quando se trata de representantes discentes que atuam em órgãos colegiados. Ainda com medo de serem expostos e sofrerem mais retaliações, discentes presentes não quiseram protocolar na ouvidoria da universidade seus casos específicos, por isso, foi encaminhado que seria escrita uma carta que tratasse de forma geral o assédio na pós, dando ciência à instituição dos relatos e exigindo que ela fortalecesse os meios de denúncia e se responsabilizasse pela assistência às vítimas que a procurassem. Agora, com a denúncia pública realizada pela doutoranda Thais Moya, o caso tomou outras proporções, assim como a discussões sobre assédio na pós-graduação, sendo necessário ser discutido não só no âmbito de toda a UFSCar, mas nacionalmente.

Dizemos isto, pois a problemática do assédio, e a necessidade de dar mais suporte aos pós-graduandos, garantindo seus direitos, não é uma discussão recente nem pontual. Alguns dos diretores da APG-UFSCar já haviam participado de um debate no 39o CONAP (Congresso Nacional de Associações de Pós-Graduandos) em Ouro Preto-MG, que teve como pauta justamente o assédio moral na pós graduação. Nesta ocasião, representantes discentes do Brasil todo, relataram diversos casos de assédio e a dificuldade que enfrentam para que esses casos sejam registrados e apurados. Essa dificuldade se dá pelo fato desses casos de assédio acontecerem através do acúmulo de eventos degradantes para a vítima, e que, justamente, por serem cotidianos, não são fáceis de serem identificados. Mesmo assim, ciente de que está sofrendo assédio, muitas vezes a vítima não consegue meios adequados para registrar a denúncia e se manter segura de possíveis retaliações. Vencendo todas essas barreiras, e uma vez registrada a denúncia, o fato ainda pode ser deslegitimado pelos órgãos que deveriam investigá-la, usando de ironias ou até ridicularizando as vítimas. Este é o caso do reitor da USP, Marco Zago, que durante uma reunião do Conselho Universitário dessa instituição no último dia 9, afirmou que os casos denunciados pelos representantes discentes “São casos isolados de alguns (…) A USP não irá, como querem alguns, promover autos-de-fé (…) As denúncias são ações inquisitórias e purificadoras”.

Finalmente, surge o mais grave dos empecilhos, que é quando há a inversão do papel de vítima, e as pessoas que realizam o ato opressor ameaçam processar quem o denunciou. Algo semelhante acontece com o caso da Thais Moya, que, apesar de vítima, corre o risco de ser processada por calúnia e difamação pelos seus agressores.

Entendendo a conjuntura nacional de vulnerabilidade dos pós-graduandos (as), especialmente àqueles (as) vítimas de assédio, e frente ao caso concreto denunciado pela doutoranda da UFSCar, a Associação de Pós-Graduandos (APG) da UFSCar declara seu apoio à Thais Moya, e repudia todo e qualquer tipo de assédio aos pós-graduandos (as) da UFSCar e de qualquer outra instituição.

Assim, solicitamos uma reunião com a Reitoria, a PROACE e a Ouvidoria da UFSCar no dia 16/12/14, às 16h, na reitoria, e que atenda as seguintes exigências:

– a criação de uma secretaria contra assédio aos estudantes;

– criação de uma secretaria de apoio à mulher;

– investigação, acompanhamento e suporte ao caso denunciado pela Thais Moya.

São Carlos, 15 de dezembro de 2014.

APG – UFSCar
Gestão 2014 – 2015 – “Horizontal”

As manifestações populares de junho de 2013 exigiram mudanças e colocaram em questionamento os mecanismos de participação do sistema político representativo no Brasil. Ansiosos por mais participação, a juventude  exigiu  qualidade dos serviços públicos e questionou os mecanismos de acesso aos cargos públicos, bem como o papel do poder econômico no atual sistema eleitoral. Foram as ruas e disseram: não dá Congresso, estas instituições não nos representam!

proximidade com as eleições presidenciais reaviva esse debate com força. E a ANPG propõe aos Pós-Graduandos e Pós-Graduandas, bem como às APGs para dedicarem todas as suas energias nesse debate que é de fundamental importância, tendo a defesa da reforma política, através do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana do sistema político, aprovada pelo 24º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, realizado no Rio de Janeiro em maio.

A Semana Nacional de Luta pela Reforma Política identifica problemas centrais que impedem um sistema verdadeiramente representativo da maioria da sociedade e aponta que mudanças no sistema político pressupõem uma ampla mobilização unitária. As entidades estudantis, sindicais e movimentos populares estão envolvidos nesta mobilização de 1 a 7 de setembro e a ANPG, em especial, os pós-graduandos (as) que acreditam no aprofundamento das mudanças democráticas em nosso país a se engajar.

Enviem registros de atividades e da participação dos pós-graduandos na Semana de Luta pela Reforma Política para a ANPG, pelo email: comunicaca[email protected].
Acesse aqui as notas http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/noticia/manifesto-de-1-7-de-setembro-vamos-votar-sim-uma-constituinte-exclusiva-e-soberana-sobre-o e http://www.reformapoliticademocratica.org.br/estamos-juntos-na-luta-por-reforma-politica-democratica/

Da Redação

 

Matéria relacionada:

28/08/2014 – APG da PUC-Rio debate reforma política e constituinte

A Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) vem apoiar os pós-graduandos da Universidade Federal de Santa Maria que estão movimentando-se contra a determinação de despejo por parte da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis.

Uma das maiores dificuldades encontradas em todo o país pelos pós-graduandos é a falta de assistência para estudantes em suas necessidades básicas, como moradia, saúde e transporte. Ora, consideramos intrigante a ideia de que uma bolsa possa suprir todas as necessidades dos estudantes de pós-graduação. A bolsa de pesquisa, na maioria das vezes, é a única fonte de renda que o pós-graduando tem para assegurar condições básicas de vida e estudo. É importante notar que há pós-graduandos sem bolsa de pesquisa ou que tem na bolsa a única renda familiar, significando que ingressar na pós-graduação, simplesmente, não assegura ascensão social, nem mais oportunidades no mundo do trabalho em decorrência da dedicação exclusiva exigida. Por isso somos radicalmente contra o corte de acesso a programas de assistência estudantil aos pós-graduandos!

A esse fato acrescenta-se que não temos reajustes permanentes das bolsas e as últimas concessões de reajuste nos seus valores estão muito aquém do índice inflacionário desse período. Na lutar pela implementação de direitos, a ANPG tem impulsionado a reivindicação da inclusão dos pós-graduandos em situação de vulnerabilidade socioeconômica no PNAES e reunido apoiadores ao pleito. A atual ação da UFSM vai na contramão disso.

Uma pró-reitoria e uma reitoria que se considerem democráticas não podem utilizar-se de privações e despejo de pós-graduandos para, supostamente, aumentar as vagas de moradia universitária aos seus discentes de graduação. Essa lógica mesquinha de melhorar indicadores em detrimento de direitos anteriormente conquistados deve acabar. Portanto, a ANPG apoia a luta dos pós-graduandos pela permanência e ampliação das vagas destinadas a eles nas moradias universitárias e chamamos a administração central da UFSM a reverter a ordem de despejo dos pós-graduandos imediatamente. A ANPG também se coloca solidária para com a demanda dos graduandos em situação socioeconômica vulnerável e se coloca a sua disposição para tomar todas as medidas necessárias para reverter essa situação.

Por novas vagas nas moradias estudantis para todos!  Não ao despejo dos pós-graduandos! Por assistência estudantil a todo corpo discente!

Brasil, 07 de agosto de 2014.
Associação Nacional de Pós Graduandos

Baixe aqui:
Nota de inteiro teor
Ofício encaminhado para Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis

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Foto: Lado B Filmes
Até domingo cerca de mil pós-graduandos debatem no Rio de Janeiro
Começou hoje (01) no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o 24º Congresso Nacional dos Pós-Graduandos. Delegações de pesquisadores de todo o país participaram nesta manhã da abertura do evento e da mesa que discutiu o tema do Congresso: a valorização da ciência e dos pesquisadores.
Os pesquisadores da Unicamp vieram para o Rio de Janeiro organizados, com quase 50 pós-graduandos para debaterem suas demandas, elencadas em uma publicação, que distribuíram aos demais participantes do congresso. Eles ressaltaram a falta de transparência no processo de seleção para pós, a lógica elitista devido à falta de assistência estudantil e a necessidade do pesquisador de ser reconhecido, ao mesmo tempo, como um estudante trabalhador com direitos.
O mestrando Felipe Costa, que estuda política de ciência e tecnologia na Universidade de Campinas, relatou que o curso se aprofunda nas formas de produção da área no Brasil. Segundo ele, sua área de atuação tem tudo a ver a com os debates do 24º CNPG.  “Questionamos muito o produtivismo acadêmico, hoje a pós-graduação é quase uma linha industrial de produção”, destacou. Além disso, Felipe levantou a questão da supervalorização da pesquisa em detrimento da extensão, na sua opinião, “tão importante quanto para produzir conhecimento”.
Já o pós-graduando Marcos Elder Parente, que cursa especialização em políticas públicas de gênero e raça na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e é presidente da Associação Fraternidade dos Povos Indígenas do Brasil (Fibras) participa como ouvinte do 24º CNPG e veio paramentado com o cocar do seu povo, os Tupinambá do litoral Norte da Bahia.  Para ele a universidade recebe investimento público e deve retribuir com conhecimento público para comunidade, inclusive para os povos indígenas. “A efetivação da Lei  nº 11.645, [do ensino da cultura afro-brasileira e indígena na rede de ensino] é primordial para que nossos futuros professores que estão aqui hoje não reproduzam a cartilha ultrapassada que não contempla nossa história”, afirmou.
Marcos explicou também que pressiona a direção do seu curso inserir uma verdadeira diversidade nos debates da sua especialização, incluindo todos os povos, não apenas os negros.
A doutoranda de estudos de gênero Dalila Santos, também veio da UFBA. Ela participa há um ano da Associação de Pós Graduandos (APG) da sua universidade. “Vim trazer as nossas pautas para fortalecer as pautas nacionais. Devemos pensar políticas de forma coletiva. Acabamos não tendo muitos espaços  e oportunidades para discutir de forma coletiva a pós-graduação, que é muito individual”, destacou.
Os amigos Michel Naslavsky, doutorando em genética da Universidade de São Paulo (USP) e Ana Claudia Ruy Cardia, mestranda em Direito e diretora da APG da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP)  vieram participar dos debates e “ouvir as perspectivas dos representantes discentes de outras universidades, as nossas dificuldades às vezes são as mesmas e podemos nos ajudar”, destacou Ana.
Michel destacou o tema pertinente do 24º CNPG. “Falta reconhecimento social para o pós-graduando. São bolsas abaixo do valor de mercado correspondente ao nosso nível de estudo. A falta de valorização faz do acesso à pós-graduação, um acesso limitado e que não colabora com a inserção social”, ressaltou.
O 24º CNPG, que vai de hoje até domingo, é portanto um espaço importante para a interação dos pós graduandos brasileiros. Diversas realidades, culturas e sotaques se  misturam e interagem, produzindo um resultado, ao mesmo tempo diverso e rico. Tanto de opiniões como de ações.
Durante os quatro dias de evento devem participar cerca de mil pesquisadores que estão construindo o maior Congresso Nacional de Pós-Graduandos da história da ANPG.
Cristiane Tada do Rio de Janeiro