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Jornalista ANPG

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A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vem a público manifestar seu mais
veemente repúdio e condenação às ações orquestradas e impetradas pelos Estados Unidos da América contra a Venezuela. Os acontecimentos registrados na madrugada do dia 03 de janeiro, em território latino-americano, configuram um ataque frontal à soberania dos povos, um grave desrespeito ao direito internacional e uma violação explícita dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, especialmente aqueles relativos à autodeterminação dos povos e à não ingerência externa.
Expressamos nossa irrestrita solidariedade ao povo venezuelano, que deve ter garantido o
direito soberano de decidir seu presente e seu futuro, livre de pressões, sanções, ameaças ou intervenções estrangeiras. A defesa intransigente da soberania da Venezuela hoje é, também, a defesa da soberania do Brasil, da América Latina, e da Amazônia amanhã. A história recente demonstra que a naturalização de intervenções externas abre precedentes perigosos, sobretudo em uma região estratégica marcada por disputas geopolíticas e interesses econômicos alheios aos interesses de seus povos.
A soberania nacional não se sustenta apenas por meios diplomáticos ou militares, mas também pela capacidade dos povos de produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e planejar seu próprio futuro. A ciência, a pós-graduação e as universidades públicas constituem pilares estratégicos da autonomia dos Estados nacionais. Por essa razão, ataques à soberania caminham historicamente lado a lado com os projetos de enfraquecimento dos sistemas nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, a partir de cortes orçamentários, isolamento acadêmico e desestruturação das instituições de pesquisa.
Assim, atacar a ciência é uma das formas de enfraquecer a soberania; enfraquecer a soberania é, igualmente, um caminho para subordinar a produção científica aos interesses externos.
A Venezuela não é apenas um território alvo de disputas políticas e econômicas, mas um país
com tradição universitária e científica, integrado a redes de cooperação latino-americanas em áreas estratégicas como saúde pública, energia, biodiversidade e estudos amazônicos. A desestabilização de sua soberania compromete diretamente essas redes de cooperação científica regional, afetando projetos de pesquisa, intercâmbios acadêmicos e a produção de conhecimento compartilhado entre países da América Latina, inclusive com o Brasil. Isolar a ciência venezuelana significa fragilizar a integração científica regional e limitar as possibilidades de um desenvolvimento soberano para nossos povos.
Os pós-graduandos brasileiros não estão alheios a esse processo. O mesmo projeto
internacional que naturaliza intervenções militares, sanções econômicas e ingerência sobre países latino-americanos é aquele que historicamente impõe a precarização das bolsas, o contingenciamento de recursos para universidades e institutos de pesquisa e a dependência tecnológica do Brasil. Defender a soberania dos povos da América Latina é, portanto, defender também o direito à ciência pública, à pesquisa de qualidade e à formação de alto nível no nosso país e em nossa região.
Nesse contexto, a Amazônia ocupa lugar central. Trata-se de um território estratégico não
apenas por suas riquezas naturais, mas pelo conhecimento científico produzido sobre ela. A
militarização, a ingerência externa e os projetos de exploração subordinados a interesses estrangeiros representam também tentativas de controle da produção de saberes, das tecnologias e dos modelos de desenvolvimento para a região. Defender a Amazônia é defender as universidades públicas, os institutos de pesquisa, os pós-graduandos e os povos amazônicos como protagonistas na produção de conhecimento e na definição de seu próprio futuro.
Nesse sentido, é fundamental destacar que o setor de Petróleo e Gás, é responsável por
expressivos investimentos em ciência e tecnologia, inovação e pesquisa, os quais garantem empregos de qualidade, fortalecem a soberania política e contribuem de maneira decisiva para o desenvolvimento social de nossos países. Esses recursos e capacidades estratégicas não devem ser drenados para atender interesses econômicos externos, sem responsabilidade socioambiental, tampouco utilizados como pretexto para intervenções ou para a justificação de guerras que aprofundam desigualdades e instabilidades regionais
Além disso, apesar dos históricos de tentativas de neocolonização, a América Latina se
constituiu, ao longo do último século, como uma zona de paz. Esse patrimônio político e diplomático, construído a partir do diálogo, da cooperação e da solução pacífica de conflitos, não pode ser colocado em risco por escaladas militares que ameaçam transformar o território amazônico em palco de conflitos internacionais, com consequências graves e irreversíveis para nossos povos. Rechaçamos, portanto, qualquer tentativa de invasão, ocupação ou ingerência que viole a integridade territorial dos países latino-americanos e amazônicos.
Diante desse cenário, a ANPG insta o Estado brasileiro a reafirmar sua histórica tradição
diplomática de promoção da paz, da mediação política e da cooperação entre as nações, assumindo papel ativo e protagonista na construção de soluções pacíficas para os conflitos regionais. Essa liderança deve se traduzir em um conjunto estruturado de medidas políticas e estratégicas, que contemple:

1) O fortalecimento da promoção da paz na região, por meio da diplomacia ativa, do
multilateralismo e do reforço de mecanismos regionais de diálogo e cooperação;
2) O investimento estratégico e massivo em Ciência, Tecnologia, Inovação e Defesa,
rompendo com a lógica de sucessivos cortes orçamentários, garantindo condições
materiais para o desenvolvimento soberano, a independência tecnológica e a proteção do
território nacional, da Amazônia e das águas territoriais, articulando segurança,
sustentabilidade e justiça socioambiental;
3) O aprofundamento dos projetos de integração da América Latina e da América do Sul,
com destaque para o fortalecimento das rotas de integração regional e para a criação da
Universidade da Integração Amazônica, como instrumento de cooperação científica,
formação de quadros estratégicos e diplomacia de base.
A ANPG reafirma, por fim, que não há soberania sem ciência, não há ciência sem
universidades públicas fortes e não há futuro justo para os pós-graduandos brasileiros sob a lógica da guerra, da ingerência externa e da dependência tecnológica. Seguiremos firmes na defesa da paz, da autodeterminação dos povos, da integração latino-americana e de uma Amazônia protegida por seus próprios povos, pesquisadores e instituições públicas, a serviço do desenvolvimento soberano de nossas nações.


Diretoria Executiva da ANPG

São Paulo, 23 de dezembro de 2025

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta profunda preocupação e repúdio aos cortes promovidos pelo Congresso Nacional na aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que atingem diretamente a CAPES, o CNPq e as universidades federais. Em um cenário internacional marcado por disputas tecnológicas, produtivas e geopolíticas, a ciência é elemento central da soberania nacional, e fragilizar seu financiamento significa comprometer o futuro do desenvolvimento econômico, social e estratégico do Brasil.

Apesar de todos os esforços de mobilização presencial e nas redes sociais, pressão das entidades académicas e científicas, o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) encaminhado pelo Governo Federal sofreu severos cortes nas dotações orçamentárias para as agências que estruturam a ciência no país. No total, o Congresso Nacional apresentou e aprovou cancelamentos que somam R$ 359 milhões na CAPES, sendo R$ 230 milhões apenas em bolsas, e R$ 92 milhões no CNPq, dos quais R$ 86 milhões recaem diretamente sobre a política de bolsas. Com isso, os orçamentos dessas agências estarão menores do que foi em 2025, tornando ainda mais instáveis o financiamento da formação de mestres e doutores.

Os impactos se agravam, pois ocorreram cortes também para o Ensino Superior. Somados, Universidades Federais e Instituto Federais tiveram cortes de quase R$ 1 bilhão, sendo mais de R$ 234 milhões para sua manutenção e quase R$ 140 milhões na assistência estudantil, comprometendo a permanência daqueles em situação de vulnerabilidade e fragilizando a base material que sustenta a pós-graduação e a democratização do ensino superior.

Em contrapartida, enquanto ciência, universidades e políticas de permanência sofrem cortes, o Congresso Nacional ampliou de forma expressiva o volume de emendas parlamentares. Os valores saltaram de R$ 13,5 bilhões em 2019 para R$ 61 bilhões para 2026. O contraste é evidente: segundo estudos do Observatório do Conhecimento, o chamado Orçamento do Conhecimento — que reúne universidades federais, CAPES, CNPq e institutos federais — permanece em patamar historicamente rebaixado, representando pouco mais da metade do que foi investido em 2014, enquanto as emendas parlamentares crescem de forma acelerada. Trata-se de uma distorção de prioridades que compromete políticas estruturantes e de longo prazo.

Esse movimento vai frontalmente na contramão dos próprios documentos estratégicos do Estado brasileiro. O Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) e a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) reconhecem a pós-graduação como eixo estruturante do desenvolvimento nacional, defendem a expansão do sistema, a valorização dos jovens cientistas e a ampliação do número de bolsas. No entanto, os cortes aprovados pelo Congresso inviabilizam essas diretrizes, enfraquecem a capacidade do Estado de planejar e ameaçam a sustentabilidade do Sistema Nacional de Pós-Graduação.

Diante desse cenário, a ANPG reafirma que fortalecer a ciência é fortalecer a soberania nacional. O momento exige que o Estado brasileiro garanta direitos aos pós-graduandos, incluindo um novo reajuste das bolsas, a ampliação do número de bolsas para todos que produzem ciência no país e a construção de uma política de previdência que assegure dignidade e proteção social aos pesquisadores em formação. A pós-graduação é estruturante para o Brasil, e não aceitaremos retrocessos. Seguiremos mobilizados para reverter os cortes, garantir suplementação orçamentária urgente para CAPES e CNPq, especialmente para assegurar o pagamento das bolsas ao longo de 2026, e defender um projeto nacional que tenha a ciência, a educação e os jovens cientistas no centro de seu desenvolvimento.

Tabela 1. Valores da dotação orçamentária para rubricas especificas das universidades, CAPES e CNPQ contidos na PLOA e LOA 2026

PLOA 2026CortesLOA 2026
Funcionamento das Universidades5.535.803.186173.194.954,005.362.608.232,00
Funcionamento Institutos Federais (IFS)2.231.849.18361.295.881,002.170.553.302
Assistência estudantil- Universidades 1.378.529.69698.892.915,001.279.636.781
Assistência estudantil – IFS547.574.74139.195.024,00508.379.717
CAPES
Orçamento total5.085.585.247359.285.620,004.726.299.627
      Avaliação pós-graduação418.654.26726.461.994,00392.192.273
      Bolsas de estudos – mestrado e doutorado3.146.076.433230.488.182,002.915.588.251
      Fomento às Ações de Pós661.275.208833.028.173
      Bolsas Pibid1.306.221.58395.696.541,001.210.525.042
CNPQ0,00
Orçamento total1.831.082.48892.405.481,001.738.677.007
       Bolsas de estudos 122101034786.373.787,001.134.636.560

Valores em 1 real

PLOA 2026 – Projeto de Lei Orçamentária 2026 (enviado pelo Governo Federal ao Congresso)

Cortes (Cancelamentos propostos pelo Congresso Nacional em rubricas especificas da ciência.

LOA 2026 – Lei Orçamentária Anual aprovado pelo Congresso Nacional

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta seu total apoio ao parecer recentemente aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que estabelece novas diretrizes para a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu e coíbe práticas irregulares de terceirização, conhecidas popularmente como uso de universidades como “barriga de aluguel” para a comercialização indiscriminada de cursos.

A medida representa um avanço histórico na defesa da qualidade da pós-graduação brasileira. O parecer fortalece os mecanismos de regulação e supervisão, impede convênios fraudulentos e reafirma que apenas instituições devidamente credenciadas e responsáveis academicamente podem ofertar especializações. Isso coloca um freio na mercantilização do ensino superior, que vinha prejudicando estudantes, fragilizando a credibilidade das titulações e corroendo a confiança da sociedade na formação avançada.

Ao reforçar critérios rigorosos de qualidade, transparência e responsabilidade institucional, o CNE eleva o patamar das especializações no Brasil, colocando a pós-graduação lato sensu em um nível de maior seriedade, compromisso público e alinhamento com o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

A ANPG reafirma que a pós-graduação é parte estratégica do Sistema Nacional de Educação e deve servir ao interesse público, ao avanço da ciência e à qualificação profissional com responsabilidade. Por isso, celebra a decisão do CNE e seguirá vigilante e colaborativa para que a implementação das novas diretrizes fortaleça ainda mais a formação de especialistas e o papel social da ciência brasileira.

Educação e ciência não são mercadorias. São compromissos com o Brasil.

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG

Sob coordenação de Amanda Mendes, vice-presidenta da ANPG, ocorreu a mesa sobre Ciência, Raça e Gênero para debater os desafios para a efetiva inclusão de negros e mulheres na pós-graduação. Participaram da discussão a dra. Laisa Liane, professora da UFBA e líder do grupo de pesquisas “Saúde da População Negra e doenças crônicas”, Dani Costa, Chefe de Gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, e Natália Trindade, pós-graduanda da APG da UFRJ.

A professora Laisa criticou o que chamou de “pacto da branquitude”, que, mesmo após quase 400 anos de escravidão, resiste a cumprir políticas afirmativas e inclusão para manter privilégios historicamente constituídos. “Isso não é rivalidade entre pessoas pretas e brancas, mas de entender que, estruturalmente, viemos em uma sociedade que privilegia uma determinada classe sobre a outra”, afirmou.

Para garantir que as políticas de cotas sejam de fato implementadas, defendeu a atuação das comissões de heteroidentificação nas universidades. “Eu não gostaria de colocar 10 pessoas negras e ter que confirmar que a pessoa é mesmo negra. Mas diante de uma sociedade racista que ainda quer perpetuar o pacto da branquitude, a comissão de heteroidentificação vai existir, vai resistir, vai ter preto na universidade, sim!”

Dani Costa Costa contou sua experiência como estudante da UFBA antes da lei de cotas na universidade e, hoje, como pós-graduanda na mesma instituição: “Sou de uma geração anterior à política de cotas na UFBA e, na época, eram pouquíssimas estudantes negras. Agora, estando na pós, apesar de negros agora serem maioria nos estudantes, não tive ainda nenhum professor negro ou mulher. Ou seja, os espaços de poder e direção continuam majoritariamente brancos”, relatou.

Falando sobre a necessidade de reparação histórica para a população negra, Dani Costa lembrou que a abolição foi incompleta e relegou os escravos libertos à marginalidade, negando-lhes direitos e incentivando a imigração europeia. “Após o fim da escravização, os negros foram jogados na marginalidade. O emprego assalariado foi incentivado para os imigrantes brancos europeus”.

Também criticou o mito da democracia racial brasileira como uma forma de maquiar o racismo e protelar políticas afirmativas. Disse que a miscigenação no Brasil, em sua maioria, foi produzida por homens brancos e mulheres negras e indígenas, muitas vezes de maneira forçada. “O processo de colonização no Brasil utilizou sim o estupro como forma de dominação de corpos negros”.

Amanda concluiu o debate afirmando que o Brasil é marcado por um processo escravagista que não acabou e continua vitimando corpos negros, fazendo alusão à chacina ocorrida no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Mas a vice-presidenta comemorou a vitória obtida com a aprovação das cotas na pós-graduação. “O aumento da população negra na graduação acontece graças à lei de cotas. A lei de cotas proporcionou que nós estivéssemos nesse espaço e nós, como entidade, tivemos uma grande conquista que foi a inclusão da pós-graduação na revisão da lei de cotas”, finalizou.

Em meio ao 46º CONAP, a ANPG lançou o “Dossiê Newton Sucupira” – “Entrelaçamento” investigativo sobre a inserção de mestres e doutores no mercado de trabalho no Brasil”. O nome é referência ao Parecer 977/1965, elaborado pelo professor Newton Sucupira, que definiu as bases, objetivos e a estrutura do Sistema Nacional de Pós-Graduação.

Na mesma linha do “Dossiê Florestan Fernandes”, que traçou um diagnóstico sobre a pós-graduação no país, o novo documento procura aprofundar o debate sobre a empregabilidade dos pesquisadores e fazer apontamentos para ampliar sua interligação com o setor produtivo não acadêmico nacional.

Uma das constatações do estudo foi a grande prevalência da academia como caminho profissional dos pós-graduandos. Segundo pesquisa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) de 2024, a área da Educação é a que mais emprega mestres e doutores no Brasil, concentrando 72% dos doutores e 37,7% dos mestres no país em 2021.

O “Dossiê Sucupira”, ao estudar os Planos Nacionais de Pós-Graduação ao longo das décadas, mostra que esse percurso não se dá ao acaso, mas por uma opção de colocar a formação de professores para o magistério universitário como objetivo central do sistema de pós-graduação brasileiro. “Foi criada, desde o primeiro PNPG, uma política pública de formação de quadros docentes, inclusive seguindo o Parecer Sucuprira. Hoje, a realidade é que a gente não tem espaço para a absorção de todos nós na academia”, reflete Cris Fairbanks, uma das pesquisadoras do dossiê.

Nesse contexto, o poder público se consolida como a principal área de absorção de mão de obra de doutores. “O setor público é o principal empregador em todas as áreas, com destaque para as Engenharias (38,1% em 2021), Ciências Exatas e da Terra (40,4%) e multidisciplinar (32,6%)”, apresenta o dossiê.

A boa notícia é que fazer pós-graduação é um diferencial profissional importante. O estudo “Brasil: Mestres e Doutores 2024”, elaborado pelo CGEE e uma das referências do “Dossiê Sucupira”, mostra que, entre 2009 e 2021, o número de doutores empregados cresceu 192% e de mestres cresceu 139%. “Outro dado importante é que, mesmo em momentos de crise econômica, a taxa de empregos de mestres e doutores se mantém em trajetória positiva”, assinalou Natália Trindade.

Para ampliar a relação entre a pós-graduação e os setores produtivos não acadêmicos, o estudo aponta possibilidades, como a contratação de mestres e doutores como contrapartida necessária para empresas que utilizem créditos ou subsídios de bancos e empresas públicas.

O “Dossiê Newton Sucupira” é um documento elaborado pelo Centro de Estudos e Memórias da Juventude (CEMJ), em parceria com a ANPG, e teve Natália Trindade como coordenadora e Cris Fairbanks, Dan Oloruama, Luiza Martins, Daisy Jorge Lima e Beatriz Lopes Durval na equipe de pesquisa.

O prestigiado ato solene, realizado ao final do primeiro dia de trabalhos do 46º CONAP, teve como centro a defesa da Ciência, do Trabalho e da Soberania Nacional como fatores fundamentais para a construção de um projeto nacional de desenvolvimento. Participaram da mesa Vinícius Sores, Amanda Mendes e José Fernando, respectivamente presidente, vice e secretário-geral da ANPG; Paulo Miguez, reitor da UFBA; Alice Portugal, deputada federal pelo PCdoB-BA; Daniel Almeida Filho, do MCTI; Yann Evanovick, do MEC; Mônica Aguiar, diretora da Faculdade de Direito da UFBA; Augusto Vasconcelos, secretário do Trabalho da Bahia; Hugo Saba, SECTI-BA; Diego Menezes, presidente da ABIPTI; Edneide de Oliveira, superintendente do IEL-FIEB; Suani Tavares, da Academia de Ciências da Bahia; José Bites, CEPEE SEC); e Bianca Paiva, vice-presidente da UNE na Bahia.

Logo na abertura, Vinícius Soares apontou que construir uma maior integração entre a pós-graduação e os setores produtivos não acadêmicos é um dos principais desafios do país e condição para a empregabilidade de mestres e doutores. “Essa diretriz não quer dizer que a academia não precisa de doutores, pelo contrário, precisa de cada vez mais. Mas é fato que os países que lograram maiores índices de desenvolvimento foram os que conseguiram impulsionar seus setores produtivos não acadêmicos através da ciência e tecnologia”.

O reitor Paulo Miguez falou sobre a importância do movimento estudantil para a formação cidadã, lembrando que guarda como recordação o seu crachá de delegado ao congresso de reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1979.

Miguez saudou o mote político do CONAP – “ciência, trabalho e soberania” – como uma agenda central e necessária para o desenvolvimento do país e que está intrinsicamente ligada à ciência. “A soberania se conquistará com ciência”, afirmou, alertando que, para tanto, mais investimentos para garantir a permanência são urgentes: “é necessário mobilização e compromisso do governo federal com a assistência estudantil, inclusive incorporando a pós-graduação”, defendeu.

A estudante Bianca Paiva, vice-presidenta da UNE na Bahia, também exaltou a luta por mais investimentos em educação como uma pré-condição para a construção de uma nação que consiga realizar seu potencial de maneira soberana. “A cada dia que falamos de soberania e trabalho, estamos falando de educação. Sem educação de qualidade, não conseguiremos romper as amarras da subalternidade”, disse.

Augusto Vasconcelos pontuou que nenhum país se desenvolveu sem fortes investimentos em pesquisa e valorizou que a ANPG tenha identificado a ligação entre a academia e o mundo do trabalho como questão a ser enfrentada. “Há um gap entre a produção científica produzida nas universidades e o mercado. A pauta da ANPG faz o link entre a ciência e o mundo do trabalho”.

Augusto afirmou que é preciso enfrentar a política fiscalista que condena o país a permanentes cortes de recursos em áreas estratégicas. “Quando se fala em corte de gastos, todas as vezes a ciência e tecnologia entra no bolo. Nós temos que dizer o contrário: a ideologia neoliberal vai nos levar a ficar sem horizontes. A ciência precisa ser tratada como tema soberano. Na divisão internacional do trabalho não nos pode sobrar apenas ser exportadores de comodities, pois temos cérebros, temos ciência”, disse.

A deputada Alice Portugal reforçou que avanços sociais estão intimamente ligados à conjuntura política vivida pelo país. Em períodos mais democráticos, os avanços são maiores e mais rápidos e, em momentos autoritários, os riscos de retrocessos crescem. “Por isso, para mim é uma honra estar ao lado da ANPG na luta por direitos dos pós-graduandos e, sobretudo, pelos recursos para a ciência. Quanto mais estivermos oxigenados pelos vetos da democracia, mais teremos vitórias para a ciência, educação, saúde e tudo o mais”.

De acordo com Daniel Almeida Filho, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, é possível utilizar instrumentos legais que hoje subsidiam segmentos econômicos para ampliar a contratação de mestres e doutores na indústria. A Lei do Bem (11.196/2005) e a Lei de TICs (Lei nº 8.248/91) proporcionam bilhões em benefícios fiscais para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “No Brasil, somos quase o último lugar em mestres e doutores dentro das empresas. Por isso, estamos usando a Lei do Bem e a Lei de TICs para virar esse jogo e contratar cada vez mais mestres e doutores no setor privado”, disse.

Representando o Ministério da Educação, Yann Evanovick instou os estudantes a comemorarem os avanços obtidos nos últimos anos e irem para as ruas disputar a consciência da sociedade para impulsionar o governo no caminho das mudanças e impedir retrocessos. “É preciso ir para as ruas, disputar consciências das pessoas, porque, do contrário, o Brasil vai realizar uma COP e 5 dias depois a boiada vai passar”, disse, aludindo à derrubada dos vetos do presidente Lula pelo Congresso Nacional no chamado PL da Devastação.

Confira as fotos no Telegram da ANPG.

O período da tarde deste primeiro dia do 46º CONAP teve a realização da mesa “Pesquisador per si – trabalho científico, direitos e reconhecimento”, que abordou a situação atual e as necessidades dos jovens pesquisadores no país. Participaram do debate a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), Cássia Bastos, pró-reitora de Ações Afirmativas da UFBA, Marcelo Magnasco, presidente da Federação Latino-americana e Caribenha dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Pesquisa, Mariana Lopes; Mariana Lopes, mestranda em sociologia e direito na UFF; e Mario Magno, pós-graduando em gestão pública.

Para Mario Magno, há uma falsa concepção em parcelas da sociedade de que a atividade de pesquisador atende a uma “vocação”, como se fosse algo quase lúdico e não um trabalho, que tem regras e exige dedicação assim como os outros. “A gente precisa entender que a pesquisa não é um lugar de privilégio, é um lugar de sobrevivência. A ciência muitas vezes é colocada como um lugar de vocação, mas a gente utiliza isso como trabalho. Trabalho requer horas, requer escrita, requer pesquisa. Por que isso não é reconhecido como trabalho?”, questionou.

Cássia Bastos, pró-reitora de Ações Afirmativas da UFBA, falou sobre a importância do movimento estudantil para garantir conquistas. “Nenhum gestor acorda e pensa hoje vou criar tal política. É a luta estudantil no centro gravitacional da universidade que faz com que avancemos”, disse.

Ela, que também é doutoranda na USP, discorreu sobre a importância da aprovação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) para que as condições básicas para a dedicação à pesquisa se mantem estáveis. “Tivemos uma estrada longa para a transformação do PNAES em lei. Era um decreto. Nós conseguimos, agora no governo Lula, transformar o PNAES em lei e incluir a pós-graduação. Agora vamos criar as políticas locais nas universidades e vamos atrás das dotações orçamentárias necessárias”.

Segundo a advogada e mestranda Mariana Lopes, ainda há um incômodo de parcelas da academia com a maior popularização da ciência, que tem mudado o perfil de espaços antes reservados exclusivamente às elites, o que por vezes é materializado em rejeição às pesquisas com recorte de gênero e raça. ”Há professores e orientadores incomodados com a nossa presença e demonstram isso tentando diminuir nossas pesquisas, como se fossem militantes e não tivessem rigor científico”, criticou.

O sindicalista argentino Marcelo Magnasco abordou a necessidade de lutar por condições dignas e direitos para os pesquisadores dos países da região. “Temos que trabalhar alguns pontos, como salários dignos para os pesquisadores, nenhum tipo de discriminação, direitos de estabelecer convenções coletivas de trabalho regionais, entre outros”.

Magnasco, que estima que existem cerca de 1 milhão de trabalhadores da pesquisa na América Latina, salientou que há uma desproporção entre a população da região em relação ao e a participação na produção científica global, sendo 8% da população só e pouco mais de 4% da produção científica, o que seria reflexo dos baixos investimentos governamentais e da pequena participação da iniciativa privada no fomento à pesquisa. Disse ainda que no continente há uma desproporção entre os países, pois apenas Brasil, México e Argentina representam mais de 80% da produção científica regional.

Aplaudida com entusiasmo por seu papel em defesa dos pesquisadores no Congresso Nacional, a deputada Alice Portugal salientou que os avanços necessários para a ciência e a pós-graduação estão diretamente ligados ao “oxigênio democrático” do país. “Bolsonaro transformou a educação, a ciência e a cultura em inimigos do Estado. Tínhamos uma correlação de forças que nos envergonhava, mas que retratava o que acontece quando as democracias morrem”, relembrou em relação ao governo do ex-presidente agora presidiário.

Alice resgatou as conquistas obtidas para os mestrandos e doutorandos nos últimos anos, desde a aprovação da lei 13.536/2017, de sua autoria, que garante a extensão do tempo de bolsa e do tempo de licença maternidade, até a urgência no PL da Previdência, apontado que só a pressão e a mobilização podem trazer resultados num Congresso de maioria conservadora.

“Aprovamos a urgência e foi uma luta enorme. Agora, nessas próximas 3 semanas, é fazer pressão para colocar em votação [o mérito]. A mobilização nesse fim de ano é para aprovar o projeto da previdência, porque isso é justo, é direito”, finalizou, lembrando ainda do projeto de facilitação fiscal para empresas que contratem mestres e doutores, que deve ser aprovado no Senado e, no futuro, será debatido na Câmara.

O presidente da ANPG, Vinícius Soares, encerrou o debate saudando as mobilizações que possibilitaram a aprovação da urgência no PL 974/24, mas ressaltou a necessidade de se realizar um profundo debate sobre ajustes na pós-graduação para o próximo período. “Estamos vivendo um momento de transição na pós-graduação, que é muito recente no Brasil. Vivemos um momento de democratização e ampliação. Precisamos fazer ajustes, pois 70% dos doutores empregados no Brasil estão no setor de educação. Precisamos fazer um debate na academia, já que os currículos na pós-graduação muitas vezes estão voltados para realimentar o ciclo da academia, pouco associados às necessidades do desenvolvimento nacional”, refletiu.

As delegações festejaram ao fim do debate cantando “sou estudante, faço ciência, vou conquistar reajuste e previdência!”

Nesta sexta-feira, 28/11, no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), teve início o 46º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos da ANPG, fórum que reúne representantes de APGs de todo o país para debater sobre os rumos da pós-graduação.

Sob o lema “Ciência, Trabalho e Soberania”, o 46º CONAP apontará os desafios da ciência nacional em uma conjuntura política marcada por grandes tensões geopolíticas e comerciais que afetam as relações entre países.

O encontro transcorrerá até a noite de sábado. Após a mesa de abertura, ainda no período da manhã, acontecerão grupos de trabalho organizativos da entidade. No período da tarde, será instalada a mesa de debate “Pesquisador per si – trabalho científico, direitos e reconhecimento”, que abordará as particularidades e necessidades dos pós-graduandos como categoria híbrida de estudantes-trabalhadores da ciência.

Entre 14h30 e 16h30, novo período para debates em grupo acontecerá, dessa vez para atualizar a cartilha de direitos e deveres dos pós-graduandos. O primeiro dia finaliza com o ato de abertura do Conselho e atividades culturais.

O segundo dia do encontro terá uma agenda repleta de discussões, agora realizadas no auditório XX do Senai/CIMATEC. Será lançado o Dossiê Sucupira, em homenagem ao pesquisador Newton Sucupira, documento que traz considerações sobre a inserção dos pós-graduandos no mercado de trabalho.

Depois transcorrem mesas de debate sobre ciência, raça e gênero e formação de recursos humanos. À tarde, os ex-presidentes da ANPG serão protagonistas em uma atividade do Conselho de Memória da entidade, após o que novamente serão realizados grupos de trabalho para debater os caminhos para a absorção de mestres e doutores por área de conhecimento.

À tarde, acontecerá a premiação da Maratona Científica e o lançamento da logo comemorativa dos 40 anos da ANPG. Por fim, será instalada a plenária final para deliberar sobre as resoluções do conselho e a convocação do próximo congresso da entidade.

O CONAP 46 será realizado na Faculdade de Direito da UFBA e no Senai Cimatec. A iniciativa é promovida pela ANPG, UFBA, UFPI e Senai Cimatec, com patrocínio da Secretaria de Turismo do Governo da Bahia, Bahiagás e Sudene. Também conta com apoio do Conselho Nacional de Saúde, Fundação Pedro Calmon, e das Secretarias de Cultura, Educação, Trabalho, Ciência e Tecnologia, Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, além do Governo da Bahia, FIEB, FADEX, Fapex, Instituto Federal do Maranhão, Capes, CNPq, MEC e MCTI.

A Maratona Científica será um dos destaques do 46º Congresso Nacional de Pós-Graduandos (CONAP 46), reunindo estudantes, pesquisadores e profissionais em uma dinâmica intensiva de criação e colaboração. O evento propõe o desenvolvimento de soluções e projetos inovadores em ciência e tecnologia, estimulando criatividade, trabalho em equipe e a aplicação prática do conhecimento científico. Ao longo da maratona, os participantes enfrentarão desafios específicos e atuarão em grupos multidisciplinares, com o objetivo de produzir protótipos e propostas viáveis que dialoguem com demandas reais.

Nesta edição, o desafio foi apresentado pela Bahiagás, Companhia de Gás da Bahia, que irá premiar o grupo vencedor com R$ 2.000. A iniciativa busca direcionar o talento dos pós-graduandos para soluções tecnológicas que contribuam com o setor energético e com a sustentabilidade. Entre os dias 26 e 27 de novembro de 2025, pós-graduandos de diferentes regiões do país se inscreveram para participar, resultando na seleção de mais de 40 candidatos. Eles formarão equipes interdisciplinares responsáveis pelo desenvolvimento de soluções inéditas relacionadas ao tema proposto.

O lançamento da maratona acontece em 28 de novembro, com apresentação dos grupos, detalhamento da metodologia e início das atividades. Os trabalhos presenciais seguem nos dias 28 e 29, com acompanhamento de mentores das áreas de Direito, Contabilidade, Sustentabilidade e Políticas Públicas. As propostas serão apresentadas no formato de pitch no dia 28, entre 17h e 18h, com duração máxima de três minutos por equipe. A Comissão Julgadora avaliará critérios como inovação, funcionalidade, aderência ao desafio, impacto e viabilidade. Projetos que não cumprirem prazos ou regras serão desclassificados.

O CONAP 46 será realizado na Faculdade de Direito da UFBA e no Senai Cimatec. A Maratona Científica é promovida pela ANPG, UFBA, UFPI e Senai Cimatec, com patrocínio da Secretaria de Turismo do Governo da Bahia, Bahiagás e Sudene. O evento conta ainda com apoio do Conselho Nacional de Saúde, Fundação Pedro Calmon, e das Secretarias de Cultura, Educação, Trabalho, Ciência e Tecnologia, Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, além do Governo da Bahia, FIEB, FADEX, Fapex, Instituto Federal do Maranhão, Capes, CNPq, MEC e MCTI.

A ANPG acaba de divulgar a lista de trabalhos selecionados a Mostra Científica realizada pela entidade. São 25 projetos de pesquisa, de diferentes campos do conhecimento, representando universidades e institutos de pesquisas de diversos estados brasileiros, que terão a oportunidade de serem apresentados durante os trabalhos do 46º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP), a ser realizado em Salvador (BA), entre 27 e 30 de novembro. Veja a lista!