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Mulheres deste Brasilzão, neste 29 de setembro de 2018 nós começamos a derrotar o Bolsonaro e as ideias fascistas que ele representa, que exalta agressões que todas as mulheres sofrem de alguma maneira todos os dias. A cultura do estupro, a violência doméstica, a desigualdade salarial, o racismo estrutural, a tentativa de nos excluir dos espaços públicos, a subestimação. A reação veio em sentido contrário e com mais intensidade.

Foi um dia de muita emoção que renovou nossas esperanças no futuro. Foram mais de 200 cidades no Brasil e no mundo. A mais bela demonstração da força social que emerge vigorosa e consistente, a força feminina e feminista. Prevaleceu não o revanchismo, mas os melhores sentimentos humanitários e democráticos.
O #EleNão virou um movimento político, que extrapolou qualquer sentimento corporativo que o reduza à temática de gênero. Trata-se da expressão de uma maioria social por tanto tempo invisibilizada, que tomou para si a responsabilidade de contribuir para a construção de um projeto de Brasil.
As maiores beneficiadas por políticas públicas de qualidade, como saúde, educação, creches, acesso ao crédito, habitação e empregos dignos somos nós mulheres. Ao passo que também somos as maiores vítimas de políticas como a EC95, o draconiano “teto de gastos” que congela investimentos por 20 anos, como o fim dos direitos trabalhistas e como o desemprego.
Acreditamos num país em que todos os brasileiros e brasileiras tenham oportunidade de serem felizes e terem uma vida digna. Queremos uma política econômica voltada a geração de emprego e renda; a revogação da EC 95 do teto de gastos, da reforma trabalhista e da Lei de Terceirizações; liberdade religiosa e garantia do Estado laico; fim do “Escola sem partido” e da censura que se impõe sobre a ciência e ao pensamento crítico; o equilíbrio entre os poderes constituídos da República e o respeito à Constituição brasileira; direito à salários iguais entre homens e mulheres e o direito de decidirmos sobre nossos corpos; por uma nova política de segurança e por uma nova cultura de paz. Por isso ocupamos as ruas. Queremos democracia, trabalho, paz e igualdade!
O dia 29 de setembro foi também uma importante manifestação de legitimação do processo eleitoral em curso. Bolsonaro ameaça não reconhecer o resultado das eleições caso ele perca. A força demonstrada nas ruas blinda a sociedade de viver mais um golpe, como anuncia o “coiso”. Não respeitar as ruas terá um alto custo para o país.
Mas mais do que isso, a força do movimento político impulsionado pelo #EleNão pode reverter a tendência reacionária que tomou conta da sociedade brasileira e nos levar a uma vitória eleitoral, que reverta o Estado de Exceção vigente desde o golpe de 2016.
Importantes candidaturas se fizeram presentes nas manifestações de São Paulo. Manuela D’Ávila, candidata a vice presidenta do Fernando Haddad pelo PT; Kátia Abreu, candidata a vice presidenta de Ciro Gomes pelo PDT; a candidata a presidência Marina Silva pelo PV; Sônia Guajajara, candidata a vice presidenta de Guilherme Boulos pelo PSOL. O movimento #EleNão pode contribuir na sedimentação de uma ampla aliança nacional antifascista no segundo turno, criando vínculos políticos entre diferentes programas capazes pavimentar a vitória do campo democrático, nacional e popular.
O recado foi retumbante: #EleNão #EleNunca. Nosso dia foi vitorioso, foi unitário, contou com a grandeza de mulheres maravilhosas, que a revelia das diferenças que temos, entenderam que o que estava em jogo era muito maior, a derrota do fascismo e a possibilidade de planejar o futuro. Um dia para a história. Uma página linda escrita por nossas mãos.
Venceremos com a força da generosidade que nos uniu!
A próxima manifestação será nas urnas, no dia 07 de outubro. Venceremos!

*Flávia Calé é mestranda do Programa de História Econômica da USP e Presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG.

Confira nota da Universidade Estadual do Estado do Amapá:

A universidade do estado do Amapá nasceu há 12 anos com a filosofia de formar cidadãos comprometidos com o desenvolvimento social e sustentável. Desde o início levantamos a bandeira da inclusão e da luta por uma educação superior mais acessível. Por essas razões, a academia não compactua com visões políticas que ferem a democracia e o respeito ao próximo. A radicalização do atual cenário político não mudou e não mudará nossa filosofia. Seguiremos lutando contra a descriminação e a injustiça social, por isso repudiamos qualquer manifestação de apologia à tortura, homofobia, machismo e demais formas de intolerância.
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Ana Clara Franco, Diretora de Mulheres da UNE, Maria Clara Arruda, Diretora de Mulheres da UBES e Stella Ferreira, Diretora de Mulheres da ANPG

A eleição de 2018 tem, como uma de suas principais tarefas, a retomada da democracia no nosso país, após o Golpe de 2016 contra a presidenta Dilma. Ao se colocar contra os avanços conquistados nos 12 anos de governo do PT, o Golpe inaugurou uma agenda conservadora no Brasil, agenda essa que incide, principalmente, na vida das mulheres, das negras/os e da população LGBT. A Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência, os cortes em saúde e educação, a ameaça à programas sociais como o Bolsa Família, colocam em xeque a autonomia das mulheres e ameaça o espaço conquistado no último período. Além disso, o discurso conservador vem para controlar ainda mais os nossos corpos e nossas vidas, impondo uma política pública ainda mais patriarcal, misógina, racista, classista e contra os interesses do povo. Nosso país vive hoje um cenário não só eleitoral, mas também social, de polarização. A extrema direita avança na medida em que se estrutura por discursos de ódio, com um teor classista, racista e lgbtfobico. É neste cenário que a disputa eleitoral deste ano se insere, ela está diretamente relacionada em barrar o golpe de 2016 por meio da participação popular nas urnas, mas também de se colocar na contramão de um processo fascista que ganha força por todo país.
O principal representante do discurso conservador é o candidato à presidência Jair Bolsonaro, com o lema “ Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, que ameaça diretamente as conquistas sociais que tivemos nos últimos períodos. O Brasil é hoje um país que assassina violentamente corpos negros, LGBTs e as taxas de feminicídio são alarmantes. Não queremos, como dirigente do nosso país, alguém que não se preocupa com a situação social desses grupos, e que além de tudo dissemina o ódio e a violência.
É também neste cenário que a população se levanta diante das injustiças. As mulheres que denunciaram Cunha, Feliciano e gritaram nas ruas contra o golpe, agora se colocam como linha de frente à Jair Bolsonaro e sua agenda ultra-conservadora! São as mulheres que estão mobilizando através das redes, com a criação de grupos e por meio da hashtag #elenao, fazendo das redes uma ferramenta de organização para as ruas e urnas.
As mobilizações em todo o país neste dia 29 de Setembro, organizado por mulheres de norte a sul, colocam que uma vitória nas urnas contra o fascismo só será construída através da mobilização e da organização popular. Nós denunciamos Jair Bolsonaro, pois não toleraremos nenhum retrocesso sobre nossos corpos e vidas, não teremos como representante do povo brasileiro alguém que não respeita as mulheres. Somos nós mulheres, ameaçadas diariamente, que vamos mostrar nossa força, nas ruas e nas urnas, para barrar qualquer ameaça às nossas vidas!
Desta forma se faz importante que todas as mulheres estudantes das nossas entidades, de representação municipal, estadual e nacional, estejam organizadas para se somarem nos atos das suas cidades. Nesse 28 de setembro, Dia Latino-americano e Caribenho pela Legalização do Aborto, a UNE, UBES e ANPG reforçam não só a importância deste ato, mas também a importância de derrotar Bolsonaro nestas eleições.
Nenhum direito a menos! É pela vida das mulheres! Até que todas sejamos livres! #ELENÃO #ELENUNCA

Ana Clara Franco, Diretora de Mulheres da UNE
Maria Clara Arruda, Diretora de Mulheres da UBES
Stella Ferreira, Diretora de Mulheres da ANPG

Este tomo refere-se ao conjunto de propostas dos grupos de discussões, individuais, dos Fóruns de Educação Básica, de Divulgação Científica, as moções e as cartas de saúde, das mulheres e de Brasília, onde, no primeiro dia de julho do ano de dois mil e dezoito, na Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos, na Universidade de Brasília (UnB), cerca de 700 delegados (as) e suplentes eleitos (as) de 72 instituições de ensino e/ou pesquisa de 20 Estados, reuniram-se na plenária final aprovando a eleição da nova diretoria 2018-2020, bem como  o conjunto das propostas que nortearão os próximo biênio da nova gestão.
Veja o documento: tomo 26 congresso

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem esclarecer, em relação à matéria publicada em 21 de setembro de 2018 pela Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), que destacou a avaliação realizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) classificando a execução orçamentária-financeira da Fiocruz nas ações de Ensino e Pesquisa e de Modernização das Unidades de Pesquisa como intolerável, que a avaliação realizada pelo Conselho se deteve ao período de janeiro a abril de 2018. Passados mais de cinco meses do período coberto pela avaliação do CNS a situação de execução orçamentária da Fiocruz nas ações de Ensino e Pesquisa e de Modernização das Unidades de Pesquisa é diversa da apontada em relação àquele período. Até 19 de setembro, a Fiocruz empenhou 96% do orçamento da ação de Ensino, 72% da ação de Pesquisa e 49% da ação de Modernização, quando considerada a dotação disponível para empenho. Em relação à ação de Modernização, cabe ressaltar que por contemplar parte significativa de despesas de capital, tem sua execução atrelada ao processo de compras compartilhadas, que encontra-se em fase final.  A execução orçamentária-financeira da Fiocruz até o momento reforça a necessidade de liberação dos 134 milhões que foram contingenciados no início do ano. A Fiocruz encontra-se em processo de negociação com o Ministério da Saúde para que o desbloqueio desses recursos seja realizado até o final do exercício de 2018.
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Da esquerda para a direita: Marianna Ribeiro (Diretora Administrativa da APG UFV), Frederico Carmo (FUNARBE) e Diogo Baiero (Diretor Geral da APG UFV).

Minas Gerais está enfrentando uma crise financeira que tem refletido em políticas públicas básicas como Ciência e Tecnologia. Os cortes executados pelo governo federal impactaram de maneira voraz em fundações estaduais e institutos de pesquisa o que ajudou a gerar atraso nos repasses de verbas do governo estadual através da Secretaria da Fazenda à FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, agência mineira de fomento à Ciência e Tecnologia, setor essencial para o desenvolvimento do estado.
Com atrasos frequentes dos repasses, pesquisadores bolsistas vinculados à FAPEMIG estão enfrentando dificuldades estruturais como relata Renata Ranielly, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da UFV ao afirmar que “aluguel tem data para vencer” e muitas vezes faltam condições de se alimentar, mas que mesmo com todas as dificuldades de se manter pesquisando, ela considera a pesquisa científica “engrenagem para o desenvolvimento de um país”, afirma que escolheu ser pesquisadora porque “é fascinante ver uma ideia sair do papel para realidade e gerar resultados que possam mudar a história do nosso país”, mas pondera ” infelizmente, isso é quase impossível por conta do sucateamento” [da Ciência e Tecnologia].
Para compreender melhor a razão dos atrasos e saber o porquê da demora no pagamento das bolsas quando as gestoras recebem a verba, Diogo Baiero e Marianna Ribeiro, Diretores da Associação de Pós-Graduandos estiveram na sede Fundação Arthur Bernardes – FUNARBE e conversaram com Frederico Carmo, do Núcleo de Gestão de Recursos que explicou os trâmites para que o dinheiro chegue na conta do bolsista.
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Fluxo de pagamento de bolsas. (Fonte: FAPEMIG/FUNARBE)

Carmo destaca que do recurso a ser empenhado à FAPEMIG até chegar na conta do bolsista há um longo caminho percorrido e que as burocracias bancárias de compensação dos valores contribuem com a morosidade no pagamento.
“Quando o dinheiro é creditado na conta da FUNARBE, damos prioridade aos pagamentos dos bolsistas porque recebemos muitos relatos de estudantes passando necessidade por causa dos atrasos.”
A APG UFV tem se colocado disponível a tornar os atrasos menos impactantes, como a articulação feita com a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e o mandando de segurança preventivo que a Associação move contra a FAPEMIG e o governo do estado de Minas Gerais.
Fonte: APG-UFV (Por Marianna Ribeiro, mestranda em Letras pela UFV. Contribuiu Diogo Baiero, doutorando em Ciência Florestal pela UFV)

Nesta manhã, do dia 21 de setembro, a Comissão de Financiamento do Conselho Nacional de Saúde se reuniu para debater sobre os recursos para saúde. Chamou a atenção os valores o empenho e a liquidação dos recursos da FioCruz.
Segundo documento obtidos pela ANPG, a classificação orçamentária e financeira (janeiro-abril 2018) recebeu a classificação intolerável do CNS, sobretudo nos quesitos que são atividades-fim da FioCRuz como, por exemplo, estudos e pesquisas e modernização das unidades. (Veja Tabela).
É necessário lembrar a importância da FioCruz para a saúde brasileira. Em 115 anos o instituto tem contribuído por meio de descobertas científicas, produção de vacinas e medicamentos, formação de profissionais de vários níveis para o SUS, desenvolvimento de pesquisas, atendimento de referência à população, fortalecimento do pensamento crítico sobre a saúde e a sociedade, entre outras contribuições. Vale destacar como a FioCuz foi imprescindível e rápida em dar respostas para o Zika vírus, além de estar sempre presente em publicações como a Nature e Sience.
A ANPG destaca que este nível de orçamento pode inviabilizar projetos de pesquisas importantes para a saúde pública no Brasil como, por exemplo, o estudo de vacinas para o vírus do Zika. Além disso, hoje a Fiocruz tem 21 unidades técnico-científicas, sendo 11 localizadas no Rio de Janeiro, 10 localizadas em outros estados brasileiros e uma unidade em Maputo, capital do Moçambique.
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De acordo com a classificação orçamentária o Intolerável  em nível de emprenho é 22% < X < 27% e o nível de liquidação é de 17% < X < 22%

Veja a nota de resposta da FioCruz aqui
 
 

Estamos em período eleitoral e é muito importante que apresentemos as demandas da pós-graduação, ciência e tecnologia para as candidatas e candidatos ao parlamento e ao executivo.

Precisamos alertar sobre da grave situação dos bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas, a FAPEMIG. Há mais de um ano, pós-graduandos e bolsistas de iniciação científica convivem com grandes atrasos no recebimento das bolsas. O problema começou quando os repasses à fundação, que eram trimestrais, passaram a acontecer mensalmente.
Enquanto é compreensível que o Estado de Minas passa por grave crise orçamentária que atinge diversos setores e servidores, é preciso reconhecer que a ciência não tem sido tratada como prioridade.
Os cientistas em formação, em sua ampla maioria, dependem exclusivamente da bolsa. No caso dos pós-graduandos, é exigido uma dedicação exclusiva ao projeto de pesquisa. E é importante que seja assim num estado que entende o papel estratégico da ciência e tecnologia para o desenvolvimento nacional. Todos temos contas a pagar, que têm data de vencimento; temos despesas com saúde, alimentação, vestuário e as diversas atividades acadêmicas desenvolvidas. Os atrasos causam grande prejuízo, houve casos de pessoas que passaram a depender de doações.
A FAPEMIG destina mais de 90% de sua receita para bolsas de pesquisa e hoje temos 10 mil bolsistas no estado. Entendo que é necessário um empenho de quem quer se eleger para compreender e propor soluções concretas para esta questão. Buscando contribuir, deixo algumas sugestões.
Por lei, o estado de Minas deve destinar 1% de sua receita líquida para a FAPEMIG. Esta garantia fundamental para o desenvolvimento científico não vem sendo cumprida. Neste sentido, seria importante que o legislativo propusesse regulações para assegurar este repasse, incluindo imposição de sanções ao governo no caso de descumprimento.
Além dos recursos públicos destinados à Fapemig, ela capta recursos privados, que destina a projetos de pesquisa. No entanto, estes recursos hoje não podem ser destinados às bolsas de pesquisa. Mudar esta legislação pode trazer um alento à questão dos atrasos nas bolsas.
Sou favorável à interação do setor produtivo com a universidade, desde que ela seja bem regulada para evitar distorções. Em particular, acho fundamental que essas parcerias contemplem empresas nacionais, que vão gerar emprego e renda em nosso país.
Ainda sobre recursos privados, acho importante que a comunidade acadêmica discuta a melhor forma para a alocação de recursos privados nas universidades. Acredito, que independente das áreas dos projetos fomentados pelo setor produtivo, parte dos recursos deva ser aplicado de modo difuso, para todas as áreas do conhecimento – biológicas, exatas e HUMANAS.
O argumento mais forte para isso, é que nem toda pesquisa tem uma aplicação industrial imediata. No entanto, todas elas têm o potencial para gerar tecnologias, industriais E SOCIAIS. E essas tecnologias podem trazer benefícios imensos para toda a sociedade. Para alcançarmos um modelo de desenvolvimento socialmente responsável e ambientalmente sustentável precisamos de ciência de ponta em todas as áreas do conhecimento.
Outro ponto muito importante é que os pós graduandos sejam ouvidos nas Fundações de Amparo à pesquisa, garantindo uma cadeira para eles em seus conselhos científicos. Eu defendo abertamente, que os critérios de avaliação de todas as agências de fomento passem a incluir e dêem peso considerável ao impacto social da ciência produzida. Afinal, precisamos estimular um retorno efetivo dos recursos investidos pela sociedade nas pesquisas científicas!
Por fim, é importante que todos os órgãos de ciência e educação se preocupem com a divulgação e a popularização da ciência. Precisamos contribuir para a formação de cidadãos com pensamento crítico e estimular que nossos jovens queiram ser cientistas e ajudem a produzir novos conhecimentos, percepções sobre a vida e contribuam para o desenvolvimento nacional.

Phillipe Pessoa, ex-diretor da ANPG Gestão 2016-2018

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

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A Semana De Meninas e Mulheres Na Ciência é um evento que busca incentivar meninas que ainda estão em idade escolar a conhecer as ciências e motivá-las para que acreditem que mulheres podem ocupar todos os espaços na sociedade. O evento será realizado do dia 5 a 9 de novembro de 2018 na UERJ (Rio de Janeiro).
Durante o evento serão oferecidas quatro oficinas por dia para meninas de 12 a 17 anos. As oficinas focarão nos seguintes temas: física, química, biologia e geociências.
As inscrições estão abertas no site até dia 1 de Novembro! Não deixe para última hora pois as vagas são limitadas!
Ah, e os adultos e meninos não precisam ficar chateados, pois o evento também contará com outras atividades para todos os públicos!
ATENÇÃO: Apenas as oficinas necessitam de inscrição, para participar das outras atividades do evento ela não será necessária, é só aparecer lá!
http://mmciencia.com.br

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A pós-graduação é um período intenso para os estudantes. São anos de dedicação a uma pesquisa, com rigorosa análise e concorrência acadêmica acirrada. A pressão dentro da Universidade, de algumas famílias e até do mercado de trabalho levam alguns pós-graduandos a viverem verdadeiras situações-limite. Não é a toa que distúrbios como depressão e ansiedade estão cada vez mais recorrentes na pós-graduação e chamam a atenção de pesquisadores e de Universidades do mundo inteiro para o tema.
Em abril deste ano, a Revista Nature publicou um estudo no qual aponta que estudantes de pós-graduação têm seis vezes mais chance de enfrentar depressão e ansiedade (leia aqui). Ainda de acordo com a pesquisa apresentada na publicação, em que foram entrevistados mais de 2.200 estudantes de 26 países, sendo 90% deles alunos de doutorado, e o restante de mestrado, mostra que 41% e 39% dos entrevistados apresentaram sinais de ansiedade e depressão, respectivamente, de nível moderado ou grave. Na população em geral, em média, esses índices são ambos de 6%.
Além desta pesquisa, a Revista da Fapesp de dezembro de 2017 trouxe um estudo publicado em 2001 na Educational Psychology, do Reino Unido, que verificou que 53% dos pesquisadores das universidades britânicas sofriam de algum distúrbio mental, enquanto na Austrália a taxa foi considerada até quatro vezes maior no meio acadêmico em comparação com a população de modo geral.
Para a Diretora de Saúde da ANPG, Yasmin Melo, é possível reconhecer a depressão além das pesquisas. “Na nossa própria vivência com os amigos e amigas durante a pós-graduação, podemos observar um grande número de estudantes com transtornos de ansiedade e depressão. Acredito que os principais fatores disso acontecer são a grande exigência, além da conta do aluno, durante o processo de aprendizagem, os prazos curtíssimos para entrega de produções, a máquina de publicar artigos em revistas com os melhores qualis possíveis, o descaso dos orientadores com seus discentes… enfim, uma rotina absurdamente intensa”, explica.
Melo também reforça que a competição predatória em que as instituições e orientadores colocam os alunos é um fator ainda mais agravante. “Estamos o tempo inteiro em competição por bolsas de estudos, vagas de estágio, participação em grupos de pesquisa e intercâmbio, por exemplo”.
O papel do orientador

Todo pós-graduando tem um orientador, um professor que irá ajudá-lo na conclusão de curso, dissertação ou tese e que representa uma figura central na vida do estudante. Por isso, ele pode desempenhar um papel fundamental na hora de reconhecer algum problema nos distúrbios de seu aluno e ajudá-lo.
De acordo com Eduardo Benedicto, coordenador do Centro de Orientação Psicológica da USP de Ribeirão Preto, em entrevista para a Folha de São Paulo, é preciso levar em conta as especificidades de cada caso. “Não se trata de transformar a figura do orientador em um terapeuta, mas me parece fundamental que ele tenha sensibilidade às características de cada aluno”, diz Benedicto.
Para a Diretora de Saúde da ANPG, seria importante que os orientadores estivessem atentos às dificuldades de seus alunos. “Na maioria das vezes o orientador acaba se distanciando do pós-graduando, por isso, é importante ele orientar de fato e acompanhar mais de perto. Valorizar o cuidado com o seu orientando, é olhar um a um, é colocar prazos possíveis para o pós-graduando”, diz.
Assédio na pós-graduação
Humilhações em reuniões e aulas, omissão na resposta sobre a orientação, abandono de responsabilidades com o orientado, pedido para realização de tarefas não relacionada à pesquisa, corte de bolsas e reprovação não justificadas ou com justificativas falsas ou não acadêmicas. A lista do assédio na pós-graduação é enorme e essas atitudes podem levar os alunos a quadros de depressão entre outros disturbios. “Naturalmente, o pós-graduando é um ser humano, que ao sofrer assédio, pode ser impactado emocionalmente, o que reflete em sua vida e consequentemente no seu trabalho. Esse impacto não foi ainda mensurado a nível nacional. Sabe-se porém, por levantamento realizado pelas Universidades de Kentucky e de Ghent (2017) com cerca de 3.659 doutorandos, que 39% apresentam um perfil de depressão moderada ou grave, a frente dos 6% da população geral”, explica a diretora da ANPG, Helena Augusta.
Helena que também faz parte da APG da UnB que fez uma pesquisa com os pós-graduando da Universidade de Brasília e dos 637 participantes, de adesão espontânea, cerca de 10% afirmaram que pensam em suicídio entre todos os dias a uma vez por semana. Você pode conferir a pesquisa na íntegra aqui
Para tentar combater o Assédio na pós-graduação, a ANPG lançou em julho a campanha Com Assédio não se Brinca (Veja aqui) e criou o serviço de Ouvidoria para atender casos que precisem de auxílio. Você pode entrar em contato com a ouvidoria pelo e-mail: [email protected]
Ações dentro das Universidades
No ano passado, 2017, após um estudante de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) cometer suicídio, a depressão na pós-graduaçãon começou a chamar a atenção da mídia. Na época, ao jornal Folha de S.Paulo, a coordenadora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante da Unicamp, em Campinas (SP), disse que ainda não havia a percepção dentro das universidades de que a incidência de depressão e ansiedade entre pós-graduandos tenham uma ligação com o “ensino e a vida acadêmica”. “Em geral, considera-se que é um problema do aluno”, disse Tânia de Mello.
De acordo com números obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo na época, entre 2012 e 2017, cinco estudantes da Unifesp e UFABC cometeram suicídio e outros 22 na Ufscar tentaram tirar a própria vida.
Atentas aos números, algumas Universidades passaram a ter um “olhar especial” para essa questão. Em março deste ano, a Associação de Pós grdauandos da USP de Ribeirão Preto, SP, deu um passo importante no tratamento de doenças pisicológicas que atingem os estudantes da pós-graduação e conseguiu criar um atendimento dentro do campus.
“Nós da APG do Campus USP RP reconhecemos a necessidade de criar um atendimento para os pós-graduandos. Isso ficou evidente depois de dois casos de suícidio – um em São Paulo e outro aqui dentro da Universidade. A partir disso, fizemos uma mesa-redonda para discutir o que pode ser feito e os sinais de depressão. Com isso, começamos a mapear as demandas pisicológicas dentro do Campus e conseguimos uma ótima visibilidade dentro da própria USP. Após esses debates, a professora Dra. Laura Vilela e Souza, líder do grupo de pesquisa do CNPq DIALOG, teve a iniciativa de fazer um projeto de atendimento aos alunos”, conta Pâmella da Silva Beggiora, diretora de relações acadêmicas da APG/USP-RP.
Para a diretora da ANPG e da APG da UnB, Helena Augusta, o ideal também seria debater uma padronização dos programas de pós-graduação em relação a este assunto. “Deveriamos discutir sobre uma regulamentação padronizada que priorizasse a saúde mental do estudante nas decisões referentes à sua vida acadêmica, efetivamente levando em consideração seu estado de saúde mental com bom senso”.
E dentro da sua Universidade é oferido algum suporte? Conte para gente pelo e-mail [email protected].
Pós-graduando unidos
Na batalha em favor da vida é preciso que todos fiquem atentos. “Como pós-graduandos, podemos aderir à cultura de observarmos uns aos outros, com empatia, e nos acolhermos, favorecendo a formação de vínculos saudáveis, e valorizar também atividades que promovam a saúde física e mental – o que deveria ser valorizado sobretudo pelas autoridades do pós-graduando”, afirma Helena.
Confira algumas dicas para ajudar seu colega
Seja Disponível
Ofereça seu tempo para encontrar e sair com a pessoa que está se sentindo depressiva
Ouça
Apenas falar já pode ajudar a diminuir o sofrimento. Pratique a escuta atenciosa.
Não proponha soluções
Evite as frases de autoajuda e de exagerado otimismo, nem minimize os sentimentos da outra pessoa
Esqueça as regras
Não aponte estratégias e planos perfeitos para a cura da depressão
Estimule a procura por ajuda profissional
Aconselhe e encoraje a pessoa a buscar tratamento. Se for o caso, tente ajudá-la a tirar os preconceitos de se consultar com psicólogos e psiquiatras
Avise pessoas próximas
Caso a pessoa com depressão sinalize que pensa em suicídio, que não quer mais viver, entre em contato com pessoas da família.
Fonte: Fernando Fernandes, psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da USP, Guido Boabaid May, psiquiatra e CEO da GnTech e Guilherme Polanczyk, doutor em psiquiatria e professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.