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Aos carcarás

Hoje deus foi esquecido
Quando deus será lembrado?
A família abandonada.
Quando então será lembrada?
Contra Marx e pelo partido,
Mostraram onde a família está:
Seus netos se fartam de carne
Fartam-se de carne humana
E agradecem a deus no jantar.

(Luci Nascimento)

Na sessão deliberativa de análise e de votação da Câmara dos Deputados sobre a denúncia contra o presidente ilegítimo Michel Temer, na última quarta-feira (2), o discurso contra a corrupção em nome de Deus e da família foi esquecido pelos deputados que, na deflagração do golpe de Estado de 2016, votaram pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que não era sequer acusada de crime de corrupção. O discurso que predominou foi o da estabilidade e da governabilidade de um presidente com cerca de 90% de reprovação popular.
“A voz das ruas”, mesmo quando não era uníssona, foi evocada pelos deputados golpistas nas sessões que deram andamento ao golpe entre 2015 e 2016, mas agora não foi citada nos discursos proferidos na sessão, que foi assistida pelo povo brasileiro com expressões de repúdio e vergonha nas redes sociais. Inúmeras marchas e manifestações populares pelo impeachment do presidente ilegítimo e impopular Michel Temer – que chegou a ser recebido na China como Mister Fora Temer, dada a notoriedade internacional da voz do povo nas ruas e nas redes exigindo que ele saia do cargo e que sejam convocadas Diretas já – foram ignoradas pelos deputados que votaram sim pelo arquivamento da denúncia, num total descompromisso com o que se entende por representatividade.
A bancada ruralista, a mais beneficiada pelo governo ilegítimo, manteve-se fiel ao seu benfeitor. Os únicos partidos que votaram em peso contra Temer, a favor da sua investigação, foram o PCdoB, a REDE, o PT e o PSOL. Os acordos entre Temer e os deputados que o protegeram de ser investigado, bem como os conchavos, trocas de favores, as barganhas, foram muitos. E foram notórios. As provas contra Temer foram ignoradas em troca de interesses pessoais e convergentes deste consórcio golpista que não tem e nunca teve moral para falar em corrupção, pois estes deputados são investigados e têm provas contra muitos deles sendo ignoradas pelo judiciário conivente, que também efetuou o golpe de Estado de 2016 e que, quando não é partidário de direita, é fascista. A grande maioria dos investigados na Lava Jato votou pelo arquivamento da denúncia contra Temer.
Não se pode esquecer o grande acordão referido em conversa entre o senador Romero Jucá (PMDB) – então ministro do Planejamento do Governo Temer – e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, “para estancar a sangria”. O propósito destes deputados corruptos era se protegerem mutuamente de investigações e, para isso, precisavam tirar Dilma Rousseff, que dava autonomia aos demais poderes e às investigações da Polícia Federal, e colocar Temer em seu lugar. Afinal, diz a sabedoria popular que quem não deve não teme. Mas Temer e estes deputados têm muito a temer, pois não são poucas as provas.
Chegaram a votar pelo arquivamento da denúncia contra Temer alegando estar votando contra o marxismo, deixando evidente que o que está em jogo é uma luta de classes. Trata-se da luta entre patrão e empregado, entre capital privado e serviços públicos básicos. Manter o presidente ilegítimo é objetivo da direita, que representa as elites deste país e que defende o Estado mínimo, que aprovou a PEC da maldade congelando os investimentos básicos por 20 anos, que aprova reforma do Ensino Médio para retirar disciplinas importantes para a construção de um pensamento crítico sobre a sociedade e o espaço habitado, que precariza as condições de trabalho, acabando com direitos trabalhistas historicamente garantidos pela CLT e que está sucateando as universidades públicas, implementando cortes nas bolsas e que tenta matar os sonhos da juventude brasileira que luta por desenvolvimento da ciência e da tecnologia nacional, pelo desenvolvimento social e pelo combate às desigualdades. Uma direita subalterna à geopolítica de Washington (EUA) que representa uma elite subalterna às elites estadunidenses e europeias: este é o consórcio golpista que atende aos interesses do capital financeiro internacional e das grandes corporações estrangeiras em detrimento do desenvolvimento nacional brasileiro e da diminuição das desigualdades. A fome voltou a crescer e se tornar um índice que envergonha o país. As estudantes e os estudantes já estão vendo suas universidades fechando as portas. A pesquisa e a ciência no país, tão importantes para o desenvolvimento, estão sendo pressionadas pelo desinvestimento da política de Temer, que aconselhou em uma de suas falas em reunião com os industriais brasileiros, a darem prioridade, na hora de contratar, a estudantes que tenham estudado no exterior, “para desenvolver a indústria nacional”. Paralelamente a isso, acabou com o Ciência sem Fronteiras e impõe cortes e contensões de gastos às universidades públicas.
Em cumplicidade a todo este cenário de crise e desinvestimento na ciência, de desestruturação do Ensino Médio, precarização do trabalho e risco de uma reforma encaminhada por Temer que põe fim à previdência, os 263 deputados votaram sim pelo arquivamento da denúncia para que ele não seja investigado e se mantenha no poder.
 

Lucivânia Nascimento dos Santos (Luci Nascimento)
 Vice-presidenta regional Nordeste da ANPG
*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

NOTA DE ESCLARECIMENTO 
A respeito da matéria “CNPq atinge teto orçamentário e pagamento de bolsas pode ser suspenso”, publicado no dia 02 de agosto de 2017 no caderno de ciência do Estadão, a assessoria de comunicação da ANPG informa que que o dado de corte de 45% das bolsas de pós-graduação pelo CNPq não é informação da ANPG, mas de um artigo de opinião pessoal publicado no site da ANPG, de responsabilidade de seu autor, sendo, portanto, sua opinião e não se confundindo com informação oficial da entidade.
A ANPG reforça que tem lutado contra o contingenciamento no MCTIC/CNPq no último período e endossa a preocupação real de descontinuidade do pagamento de bolsas se não houver descontingenciamento de mais de 500 milhões de reais do CNPq. É ainda urgente o descontingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para que os principais programas de pesquisa do país não sejam interrompidos.
Para tanto a entidade publicou uma carta enviada ao Governo Federeal no dia 1 de junho de 2017, na qual apresenta sua posição oficial sobre os cortes que a ciência brasileira vem sofrendo.
A carta pode ser lida no site da entidade neste link: https://www.anpg.org.br/anpg-envia-carta-para-o-governo-em-defesa-do-orcamento-publico-da-ciencia-tecnologia-e-inovacao/
Para mais informções colocamos nossos diretores à disposição para entrevistas e mais esclarecimentos pelo e-mail [email protected]
 

Leia a carta enviada para o governo no dia 1 de junho, exigindo o descontingenciamento do orçamento da ciência.
A carta foi enviada para o presidente da República, Ministro de Estado do Planejamento, Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal e ao Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

EM DEFESA DO ORÇAMENTO PÚBLICO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Pelo imediato descontingenciamento do orçamento de CTI!

              O investimento público tem sido o grande responsável pelo desenvolvimento da ciência brasileira há décadas. A própria criação das principais agências de fomento brasileiras, durante a década de 50, significou, para a época e para o entendimento atual sobre pesquisa e desenvolvimento, a centralidade do orçamento público para o desenvolvimento da ciência brasileira, assim como a criação dos Fundos Setoriais, que significaram um importante passo no financiamento da área.
Em outros países e no Brasil o orçamento público também foi fundamental para garantir o desenvolvimento das forças produtivas de mercado para garantia de emprego, renda e fortalecimento da soberania do moderno aparelho de Estado, além de ter garantido equidade e justiça social.
Não haveria os ótimos resultados científicos que hoje melhoram e provém uma vida social com mais qualidade para a população, desde os avanços na área de saúde básica, educação até a produção de conhecimento de fronteira em áreas como agricultura, energia, medicina, nanotecnológicas, entre tantas outras, sem o papel que o investimento público desempenhou para a ciência.
No entanto, sempre que o país atravessa uma crise como a atual, a sua política de financiamento público da Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) é paralisada e o orçamento da área alvo de contingenciamentos e cortes.
No dia 30 de março de 2017, em edição extra do Diário Oficial da União, por meio do Decreto nº 9018, o Governo Federal contingenciou 44% da verba do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, totalizando 2,2 bilhões do orçamento da pasta. Levando em conta que o orçamento já vinha atravessando cortes e contingenciamentos anteriores, além de redução orçamentária desde 2013, o que já impactava severamente as pesquisas científicas estratégicas em andamento no país, o corte atual faz desmoronar todos os esforços dos cientistas brasileiros, que levaram o país a ser reconhecimento no cenário da ciência mundial nos últimos 20 anos. Além desse contingenciamento geral, a verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da área de ciência e tecnologia também teve corte de mais de 41% do seu orçamento.
Nesta carta enviada a Vossas Excelências, nós, pós-graduandos brasileiros, expressamos nossa preocupação e lamento diante de cortes em um setor que deveria representar a centralidade da política de investimento no país. O recente corte leva a ciência brasileira ao fundo do poço.
A Associação Nacional de Pós-graduandos, entidade representativa de centenas de milhares de pós-graduandos stricto sensu (mestrandos e doutorandos) e tantos outros milhões de estudantes de pós-graduação lato sensu (especialização, residência etc.) temos em nosso movimento a marca registrada de luta em defesa da ciência brasileira e de condições dignas de pesquisa. Não existe e nem existirá nação soberana com desenvolvimento econômico, político, social e estratégico sem investimento em ciência e tecnologia como política de Estado. Enquanto decisões monocráticas de contingenciamento forem tomadas, o perigo do atraso social e tecnológico é eminente.
Ainda por meio desta carta, solicitamos o imediato descontigenciamento do orçamento da ciência e tecnologia, de modo a mantermos as garantias de crescimento e desenvolvimento do país através de um setor tão estratégico. Esperamos, como sociedade civil organizada, que Vossas Excelências compreendam a centralidade e a força motriz da ciência como mecanismo de ajudar o Brasil a sair da atual crise sistêmica e epistêmica pela qual passamos.
Pelo imediato descontigenciamento do orçamento público da ciência e tecnologia!
São Paulo, 01 de junho de 2017
 

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Juventude organizada lança manifesto que convoca 17 de Agosto como o dia central de mobilizações no país
Nesta segunda-feira (31/7) aconteceu em São Paulo uma reunião de diversos movimentos de juventude, entidades dos movimentos sociais e coletivos envolvidos na construção da Jornada de Lutas da Juventude. Entre as diversas manifestações que devem acontecer em todo o Brasil o calendário deste ano  prevê a realização de um grande ato unitário para o dia 17 de Agosto. Para a juventude a luta comum é pela exigência da retomada da democracia através das eleições diretas para presidente e pela resistência a retirada de direitos, especialmente a ameaça de cobrança de mensalidade nas universidades públicas.
Leia o manifesto:

JORNADA DE LUTAS DA JUVENTUDE – FORA TEMER! EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA E GRATUITA, DOS DIREITOS DA JUVENTUDE E DIRETAS JÁ!

Já completamos mais de um ano em que um governo ilegítimo tem implementado um programa neoliberal de forte arrocho e retirada de direitos do povo brasileiro. Essas medidas assumidas pelo governo de Michel Temer não passaram pelo crivo das urnas e certamente seriam recusadas se passassem, tendo em vista o alto índice de rejeição ao governo e às suas propostas, sobretudo às Reformas Trabalhista e Previdenciária.
O congelamento de investimentos nas áreas sociais pelos próximos 20 anos é outra medida que ataca os direitos da juventude, e que no setor educacional, por exemplo, inviabiliza a realização das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE). É nosso papel defender a educação pública, gratuita e de qualidade, com acesso democratizado e políticas de assistência estudantil, garantindo uma educação de qualidade para todos, especialmente nesse momento em que tanto o governo quanto alguns veículos da imprensa propõem cobrança de mensalidade.
São cada vez mais alarmantes os índices de violência contra a juventude da periferia, sobretudo negros e negras, que em muitos dos casos tem relação direta com as ações desmedidas e truculentas da Policia Militar que ainda mantém uma lógica militarista arcaica. Ao mesmo tempo o desemprego e a falta de perspectiva para os jovens é cada vez maior. Ao contrário de buscar soluções pra essas questões, avança no Brasil uma pauta conservadora, com a Reforma do Ensino Médio, a proposta da Lei da Mordaça, propostas de cobrança de mensalidades em universidades públicas, cortes no financiamento da ciência, tecnologia e pesquisa nacional, ataques aos direitos das jovens mulheres, negros e negras e LGBTs.
Intensificam-se, também, os abusos do judiciário brasileiro, que, rasgando prerrogativas constitucionais e atropelando o estado democrático de direito, atacam não só aos pobres, como no caso de Rafael Braga, mas também se empenham numa tentativa de rebaixamento da política. Ao mesmo tempo o povo que resiste sofre uma dura perseguição por meio da criminalização da luta política e dos movimentos sociais, manifestado seja pela repressão policial ou mesmo por processos institucionais.
Nesse cenário somente a soberania, a democracia popular e a luta organizada poderão mudar essa situação. Devemos, com o ímpeto juvenil, reforçar a combatividade das nossas lutas, a exemplo das ocupações de estudantes, as greves dos trabalhadores, e toda mobilização que a unidade do movimento social tem feito nos últimos meses. Defendemos novas eleições gerais com as Diretas Já!, que devem vir acompanhadas também por uma intensa luta contra as Reformas e todas retiradas de direitos e pela apresentação de um programa que sirva de fato à juventude, às mulheres, aos indígenas, aos quilombolas, às comunidades tradicionais, aos negros e negras, aos LGBTs e à toda classe trabalhadora, ou seja, aos brasileiros.
Somos jovens, acreditamos num mundo melhor e na capacidade do nosso povo e lutaremos incansavelmente por nada menos que nossos sonhos. O Brasil que nós queremos virá do nosso suor e nossas mãos. Por isso convocamos a toda juventude brasileira para em Agosto, tendo o dia 17 como o dia central de mobilizações no país, ocupar as ruas, universidades, escolas, no campo e na cidade, e construir uma grande Jornada de Lutas em defesa de nossos direitos e pra que possamos avançar rumo à um país justo.
Fora Temer!
Abaixo as Reformas Trabalhista e Previdenciária.
Em defesa da Educação pública e gratuita!
Por novas eleições gerais e Diretas Já!
Assinam a Carta:
-UNE (União Nacional dos Estudantes)
-UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas)
-ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos)
-CUCA da UNE (Circuito Universitário de Cultura e Arte da UNE)
-CUT (Central Única dos Trabalhadores)
-CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
-MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)
-UBM (União Brasileira de Mulheres)
-UJS (União da Juventude Socialista)
-Disparada
-Juntos
-Levante Popular da Juventude
-ParaTodos
-Kizomba
-Quilombo
-UJR (União da Juventude Rebelião)
-RUA – Juventude Anticapitalista
-UJC (União da Juventude Comunista)
-JPL (Juventude Pátria Livre)
-MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)
-MPA (Movimento de Pequenos Agricultores)
– Plataforma Operaria e Camponesa de Energia

A crise financeira pela qual passa o Estado do Rio de Janeiro tem agravado a situação da educação e da pesquisa científica nacional, de modo que os pós-graduandos e pós-graduandas começam a sofrer seus efeitos.
A situação de gravidade diante do severo desfinanciamento das universidades estaduais (UERJ, UENF e UEZO) e das instituições de fomento à pesquisa no estado tem sido motivo de preocupação para as entidades científicas e estudantis de todo o país, na qual a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) se insere. De projeção e importância nacional e internacional, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) sofreu por meio de decreto do governador Pezão, um corte de 30% nos seus recursos.
Ademais a situação de atraso recorrente no pagamento de bolsas de pesquisas de pós-graduandos tem agravado um cenário que já se mostra caótico. De um lado, vemos bolsistas em situação de até três meses de atraso no pagamento de suas bolsas, enquanto grandes empresários continuam a ser favorecidos por isenções fiscais em setores da economia que pouco colaboram para o desenvolvimento do estado.
A privatização da CEDAE, por outro lado, mostra como os interesses espúrios dos governos estadual e nacional sob o comando do PMDB de Pezão e Temer estão coadunados com o ataque desmedido ao caráter público das nossas instituições. No cenário nacional, por exemplo, o governo ilegítimo de Temer reduziu em 44% o orçamento para a ciência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o que causa na prática o comprometimento de instituições históricas para a pesquisa no país.
É grave a situação que assola a pesquisa científica e as universidades na sua missão de construção e produção de saber no estado do Rio de Janeiro.
Nesse cenário as Universidades Estaduais e a FAPERJ pedem socorro, visto que se enfraquecem pelas consequências políticas de buscar a saída da crise por medidas de austeridade. Como consequência, temos o encerramento precoce de pesquisas, o atraso no pagamento dos bolsistas e a ameaça real de fechamento que paira sobre as universidades estaduais: UERJ, UENF e UEZO.
A ANPG repudia os ataques desferidos às universidades estaduais do Rio de Janeiro bem como à FAPERJ e vem a público convocar os(as) pós-graduandos(as) a participarem deste abaixo-assinado pelo pagamento imediato das bolsas FAPERJ atrasadas e contra qualquer corte em educação, ciência e tecnologia. Ele é parte de uma campanha de mobilização que envolverá diversas ações organizadas pelos pós-graduandos. Assinando o abaixo-assinado você receberá por e-mail novidades da campanha.
 

Dados oficiais coletados no site do CNPq demonstram que foram pagas em julho de 2017 45% menos bolsas de mestrado e doutorado em relação a 2015. As aplicações das políticas de ajuste fiscal no Brasil estão eliminando milhões de reais de investimento em Ciência e Tecnologia e colocam sob o risco de desintegração do atual sistema de pós-graduação brasileiro.
CNPq já está cortando bolsas
De acordo com os dados do site oficial do CNPq (veja abaixo) o governo federal em julho deste ano já está pagando 20.935 bolsas a menos de doutorado e mestrado.

De acordo com esses dados o CNPq está pagando 45% menos bolsas de mestrado e doutorado em 2017 em relação ao total de bolsas pagas em 2015, nessas modalidades. Nos dados totais o CNPq pagou, até 27 de julho de 2017, 49,29% menos bolsas em todas as modalidades (incluindo bolsas de Iniciação Científica, Doutorado, Mestrado, Produtividade em Pesquisa dentre outras).
Os dados para o ano de 2017 coletados no site do CNPq se referem ao conjunto total de bolsas ativas, ou seja, que estão atualmente em vigência e sendo pagas aos estudantes na data de 27 de julho de 2017. Os dados para o ano de 2015 e 2014, de acordo com os dados do próprio CNPq, são referentes ao conjunto de bolsas pagas no total de cada um desses anos. Ou seja, os dados se referem ao número de bolsas e não ao número de estudantes beneficiados, pois, uma bolsa pode ser paga parte do ano para um estudante e outra parte do ano para outro estudante.
Por isso, pode haver uma disparidade na comparação em virtude bolsas alocada para os programas de pós-graduação que não tenham sido na data de 27 de julho – temporariamente – destinadas para alguns pós-graduandos. O CNPq chama essas bolsas concedidas, mas não pagas, de “bolsas ociosas”. Apesar de não desprezível essa variação não deve ser superior a 10% do volume total de bolsas atualmente pagas, se levarmos em conta os dados de bolsas ociosas em março de 2016.
No site do CNPq não há dados sobre o total das bolsas pagas no ano de 2016.
Corte silencioso de bolsas

O corte de bolsas no CNPq está sendo feito de forma silenciosa pelo Governo Federal. O método usado é o seguinte: o governo não renova a concessão da bolsa para um programa de pesquisa depois que estudante que atualmente recebe ela defende sua tese ou dissertação. Assim, a bolsa “morre” quando o estudante que atualmente recebe ela conclui o seu curso e não é repassada para um novo estudante, como era feito nos anos anteriores.
Isto vem provocando o paulatino decréscimo das bolsas pagas para os estudantes com o passar do tempo. A diminuição está diretamente relacionada com o corte de 44% do orçamento para Ciência e Tecnologia executada pelo governo golpista de Temer neste ano.
Um futuro tenebroso
Mesmo com esses cortes silenciosos de bolsa no dia 26 de julho deste ano o jornal O Globo publicou nota em que afirma que o governo terá dificuldades em pagar as bolsas do CNPq até o final do ano! (fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/corda-no-pescoco-nas-bolsas-cnpq.html )
Na verdade, com a aprovação da PEC 55, que se tornou a Emenda Constitucional 95 em 15 de dezembro de 2016, o governo federal institui o “Novo Regime Fiscal” que dentre outras coisas limita por 20 anos os gastos sociais do governo (incluindo com Ciência Tecnologia) ao limite máximo do gasto do ano anterior adicionado a inflação do período.
Está medida é inédita no mundo. Nenhum governo institui um ajuste fiscal com duração de 20 anos! A medida é absolutamente escabrosa e na verdade, como demonstra o corte de 44% do MCTIC no ano de 2017, vai resultar em uma brutal diminuição do orçamento social do governo.
No caso da C&T isso significa concretamente a desintegração do sistema de pós-graduação nacional. Pois, os pós-graduandos – peça chave no sistema – em grande proporção dependem do pagamento de bolsas para realizar seus estudos. Sem o pagamento de bolsas já se nota no Rio de Janeiro, exemplo mais grave da situação nacional, uma grande evasão de estudantes e a consequente paralisação de pesquisas.
A organização e a luta necessária
A ANPG convoca todos os pós-graduandos para seu calendário de lutas no 2° semestre de 2017, decidido em sua última reunião de diretoria plena no dia 17 de julho na cidade de Belo Horizonte. No dia 17/8 haverá manifestações unitárias das entidades estudantis nas capitais brasileiras e na segunda quinzena de outubro de 2017 uma reunião de representantes das Associações de Pós-Graduandos de todo o país.
Por é vital que nossa categoria organize manifestações de pós-graduandos em suas universidades em 17 de agosto na Jornada de Lutas Estudantil e discutam em suas APGs o envio de representantes à reunião do Conselho Nacional de APGs em outubro. A reunião será aberta também para os estudantes de universidades que ainda não tenham uma APGs mas que constituam reuniões de Comissões Pró-APG. Essa é uma organização necessária para os pós-graduandos sem o que não podemos encaminhar a luta contra o futuro tenebroso que os rumos atuais do país reservam para a Ciência e Tecnologia.

Cristiano Junta, vice-presidente da ANPG

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

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meia-entrada é um direito dos estudantes, mas é necessário soicitar o seu DNE para garantir esse direito.

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Professor de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ildeu de Castro Moreira foi vencedor do Prêmio José Reis de Divulgação Científica em 2013 e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da qual foi eleito durante a 69ª Reunião Anual da SBPC, em Belo Horizonte. Ildeu conversou com a ANPG sobre os desafios da ciência brasileira. Confira:
Quais são os maiores desafios para a Ciência brasileira nos próximos anos?
Um desafio grande, emergencial, que a gente está vivendo, é o corte drástico de recursos para a ciência e para a tecnologia. Isso também afeta muitas áreas da Educação. Então esse é um desafio, a gente recuperar recursos, senão a gente vai ter um país com possibilidades de avanço muito reduzidas.
No mundo moderno a ciência e a tecnologia são fundamentais. Se nós não tivermos os recursos adequados, e eles foram drasticamente reduzidos, para formação de pessoal, para Pesquisa, para investimento em novas iniciativas, aí a ciência brasileira começa a andar para trás. E ela andou para frente significativamente nos últimos 20 anos.
Nós estamos vivendo um momento muito difícil, que está ameaçando o trabalho dos cientistas, dos estudantes, dos pesquisadores, da pós-graduação. Esse é o principal desafio. O Brasil vive uma crise grande, problemas sociais graves, problemas econômicos graves, e a ciência também está envolvida nisso.
A gente tem que discutir como a comunidade científica pode colaborar, e ela tem feito isso, a SBPC tem lutado continuamente pela reversão desse quadro, do ponto de vista dos recursos específicos da Educação, mas também para ter uma ciência mais conectada com a realidade de vida das pessoas, com o sistema produtivo, e pela melhoria da qualidade geral da Educação brasileira. Esse também é um grande desafio.
O que falta para a ciência estar mais conectada com a sociedade, mais presente no dia a dia do brasileiro?
Não é um fator único que determina isso. É uma questão histórica. A nossa ciência e a nossa Educação são muito recentes em comparação com países europeus, que tem uma inserção na sociedade muito mais ampla. Apesar disso o Brasil tem uma inserção muito grande em áreas como a Saúde, a gente tem áreas de interação com a sociedade que a ciência é decisiva. A Saúde, a Agricultura, a Energia, as Engenharias, então a Ciência e a Tecnologia já estão presentes em inúmeras atividades da sociedade. A gente precisa fazer uma aproximação maior no sentido de integrar mais a Ciência, que seus resultados de pesquisas tenham impacto maior, que possam construir novas coisas, inovar no sistema produtivo para melhorar políticas sociais, a qualidade de vida das pessoas, a conservação do Meio Ambiente, então a tecnologia pode contribuir de maneira significativa. Um esforço para isso é melhorar a Educação Científica nas escolas. E melhorar as atividades de comunicação pública da Ciência. Debatendo mais, fazendo mais atividades, trazendo mais jovens para a Ciência. O Salão de Divulgação da ANPG tem também esse papel. E a gente precisa que os pesquisadores, os alunos, os estudantes de pós-graduação, todos contribuam também para a educação científica e para a divulgação científica.
 
Texto: Lipe Canêdo

renúncia coletiva do FNE, em função de portarias ministeriais de 26 e 27 de abril que passam a subordinar ao MEC a atuação de tal espaço colegiado garantido por lei na condução da CONAE – restringindo inclusive as contribuições da conferência para a elaboração da política nacional – e desmonta a estrutura do FNE, excluindo entidades históricas da área, reduzindo a participação de representantes da sociedade civil e aumentando a base de entidades alinhadas ao governo atual. Antes mesmo disso, o MEC já vinha descumprindo seu papel na garantia de etapas preparatórias à Conferência Nacional de Educação e preparação de Documento Referência, dentre outros pontos garantidos em lei.
A negação ao diálogo por parte do governo e a não revogação de tais portarias implicaram na criação do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), que terá como tarefa pressionar o governo federal e fazer valer a implementação dos planos nacional, estaduais, distrital e municipais de educação e viabilizar a organização da Conferência Nacional Popular de Educação (CONAPE 2018). ANPG integra a Conferência Popular e trabalha nas questões ligadas a pós-graduação no país.
A partir disso, os Fóruns Municipais de Educação, o Fórum Distrital de Educação e os Fóruns Estaduais de Educação foram conclamados à adesão ao processo de construção da CONAPE 2018, de forma a reafirmar coletivamente o papel da Conferência na construção da democracia participativa no âmbito da educação brasileira e da implementação do PNE. Assim, como primeiro passo para este processo, pede-se que os fóruns manifestem adesão a este grande movimento de defesa da gestão democrática da educação pública, preferencialmente, até o dia 05 de agosto de 2017.
Confira (documento_de_nao_reconhecimento_de_um_novo_fne_06_06)  o documento detalhando razões das entidades para não mais reconhecimento do Fórum e de como a CONAE 2018 foi inviabilizada.
 

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A Mostra Científica da ANPG fez parte do 5ª Salão de Divulgação Científica e ocorreu dentro da 69ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), maior encontro de ciência do país
Do comportamento dionisíaco e apolíneo do carnaval de Salvador a polêmica pílula do câncer. Diversidade, inovação e sustentabilidade foram os conceitos dos trabalhos apresentados na Mostra Científica do V Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos). Em 18 e 19 de julho, graduandos, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos defenderam ideias em diversas áreas da ciência na Escola de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Divididos em cinco salas, mais de 100 trabalhos foram apresentados com destaque, entre outras áreas, para saúde, sociais aplicadas, artes, linguística, exatas, engenharia e educação. Teve estudos sobre música, comportamento, tecnologia, doenças, animais e grande eventos. Entre eles, o trabalho “Traços de comportamentos dionisíacos em um carnaval apolíneo”, do filósofo Ygor Borba de Oliveira.
Da UERJ (Universidade Estadual do Rio de janeiro), Diogo Santos, Danilo Oliveira, Hamilton Santos, Vitor dos Santos, Hugo Boareto e Marcelino José apresentaram o “Projeto Uirapuru -X: democratizando tecnologias na área de análises de fluorescência por raios-X”. Os estudantes produziram uma máquina que identifica a composição elementar do que é analisado. “A máquina pode ser aplicada nas áreas de geologia, patrimônio cultural em museus, biomédica, amostras biológicas, entre outros estudos”, explica Diogo.
Os autores do projeto, premiados na Mostra Científica com menção honrosa na área de exatas, fizeram uma demonstração do funcionamento da máquina para avaliar a composição de uma moeda e explicaram que já existe um modelo semelhante, porém, fora do Brasil. Segundo Diogo, uma máquina com a mesma capacidade pode custar até € 300 mil. “Criamos essa máquina gastando menos de um décimo do custo de uma máquina no exterior e ela nos deu um resultado melhor do que muitas que são vendidas. Além disso, o nosso produto é brasileiro, mais leve e fazemos assistência técnica aqui mesmo, sem precisar vim de outro país. O nosso produto é competitivo”, finaliza, Diogo, confirmando o nome da máquina como uma homenagem ao Brasil.
Ao final das apresentações os expositores trocaram informações sobre os trabalhos e discutiram, entre outros assuntos, a importância do debate e o futuro da ciência. “A Mostra é importante para divulgação do conteúdo científico dos alunos e também o possibilita participar de um grande evento para promover, circular e compartilhar conhecimento”, explica o enfermeiro e diretor de universidades estaduais da ANPG, Márcio Cristiano de Melo.
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Os expositores da Mostra Científica receberam um certificado de participação e tem até o 30 de julho para enviar os seus projetos na íntegra para serem publicados no site da ANPG.
Outros trabalhos apresentados na mostra científica
Alterações metabólicas e risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV/AIDS sem o uso de antirretrovirais
Um grupo formado por Mariana Amaral Raposo, Geyza Nogueira de Almeida Armiliato, Camila Abrahão Caram, Nathalia Sernizon Guimarães, Raíssa Domingues de Simoni Silveira e Unaí Tupinambás são autores do trabalho “Alterações metabólicas e risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV/AIDS sem o uso de antirretrovirais”. No estudo, feito em 2012, em Minas Gerais, foi possível identificar alterações metabólicas na população com HIV/AIDS (PVHA) antes do início da terapia antirretroviral (TARV), principalmente por baixos níveis séricos de HDL-colesterol, hipertrigliceridemia e obesidade abdominal.
Segundo Mariana Amaral, o acesso à terapia antirretroviral mudou o quadro de epidemia no Brasil e no mundo e, junto com a melhora na qualidade de vida e sobrevida da população com HIV/AIDS, aumentou o número de doenças não infecciosas. “O trabalho aponta para a necessidade de se avaliar e conhecer o perfil metabólico de pessoas que vivem com HIV/AIDS antes do início da terapia antirretroviral como forma de prevenção de futuras alterações metabólicas. A introdução da TARV pode potencializar a dislipidemia conferindo aumento do risco cardiovascular, principalmente entre aqueles com riscos clássicos para doenças cardiovasculares”, diz a mestranda da UFMG que apresentará o trabalho.
Cânhamo: um recurso economicamente sustentável
Substituir o algodão e o eucalipto pelo cânhamo com foco na sustentabilidade. Essa é a proposta das baianas Eline Matos, mestranda de economia da UFBA e Marina Amaral, graduanda de sociais da UNEB. A dupla explicou que já existem vários produtos fabricados a partir da planta derivada da Cannabis, como carro, papel, tênis, óculos, cereais e cosméticos. “Estamos fazendo este trabalho baseado numa perspectiva ecossocialista que pretende ampliar a luta em favor do meio ambiente e anticapitalista. É uma matéria prima rica em proteína, firme e pode ser usada em “N” possibilidades, ainda tem a vantagem de ser um recurso economicamente sustentável”, explica, Marina.
Na apresentação foi mostrado os impactos ambientais do algodão e do eucalipto e as vantagens de substituir pelo cânhamo. “O eucalipto consome muito agrotóxico e pesticidas que contaminam o solo e diminuem os mananciais e lençóis freáticos. O cânhamo já faz o papel contrário, pois nutre o solo”, afirma Eline. As estudantes esbarram na proibição da Cannabis para continuar as pesquisas. “Tem o lobby das empresas madeireiras que atrapalham para a substituição e os nossos estudos foram a partir de resultados feitos fora do país, então a maior dificuldade é que não dá para trabalhar com algo que é proibido”, finaliza Marina.
A vulnerabilidade da sociedade brasileira diante do uso da fosfoetanolamina tendo em vista a teoria principialista
Apontada como solução do câncer por alguns e motivo de desconfiança por outros, a polemica pílula do câncer também foi tema de trabalho na Mostra Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) a partir de um trabalho de Edilaine Farias Alves, Marcello Henrique Araújo, Fabiana Araújo e Tatiana Tavares. “A pílula tem um grande valor para a sociedade por prometer curar o câncer e fizemos um estudo do que já foi publicado. Alguns centros de pesquisas começaram a desenvolver ensaios clínicos, mas ao longo dos testes os ensaios não apresentaram resultados esperados. São necessários mais ensaios clínicos para poder dizer se realmente é válido o uso dela”, explica Edilaine, bióloga e mestranda da UERJ.
Texto: Mateus Marotta Silva

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Mesa do 5º Salão da ANPG debate assédio moral e sexual na academia
“Você é uma franga sem doutorado que precisa colocar o rabo entre as pernas, parar de enfrentar professor doutor e aprender a jogar o jogo da academia, caso queira continuar nela”, disse um orientador a sua orientanda. Este relato foi apresentado pelo pesquisador sobre assédio moral, André Luiz Souza Aguiar, professor da UFBA, durante o debate “Academia, Assédio e Adoecimento na Pós-Graduação”, realizada na manhã desta sexta-feira (21), no 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, na UFMG.
“O conceito de assédio moral no trabalho, e que pode ser aplicado na academia, é qualquer conduta abusiva que atente por sua repetição ou sistematização contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa ameaçando ou degradando o clima de trabalho”, explica Aguiar.
Isolamento, dignidade violada, violência física, verbal ou sexual. O assédio na pós-graduação é uma realidade, apesar de muitos preferirem não encarar o problema. “A permanência do assédio ou qualquer violência se passa pela omissão dos gestores. Um professor não é autônomo o suficiente para fazer o que ele quer, ele é subordinado a alguém”, disse o pesquisador.
Depois de publicar o artigo “Precisamos falar de vaidade na vida acadêmica”, em sua coluna na Carta Capital, a cientista social e antropóloga, Rosana Pinheiro Machado, da USP, recebeu mensagens de pós-graduandos e pós-graduandas que a procuraram pedindo ajuda. O artigo virou uma espécie de manifesto, estampou os murais de universidades, e os relatos das pessoas que a procuraram viraram o livro “Pequena História da Opressão Acadêmica”. “O nosso sistema acadêmico é extremamente doente e por isso faz adoecer”, disse Rosana durante o debate.
Insônia, falta de apetite, que levam a pessoa a minguar e ao uso de antidepressivos, diz a professora, são algumas das consequências no assediado. E ela salienta que as vítimas dessa opressão têm raça, gênero e sotaque. “Estudantes do interior ou de regiões do nordeste são bastante discriminados”, comentou a professora.
A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, lembrou que embora o Brasil seja o país onde as mulheres realizem a maior parte das pesquisas, o ambiente acadêmico ainda é muito hostil para elas. “67% das mulheres já sofreram assédio no ambiente acadêmico”, disse.
Combate ao assédio
O assédio na academia se passa na relação orientador X orientando, mas também entre os próprios pós-graduandos. “O que temos feito? Estamos trabalhando para a ruptura ou para a perpetuação desse processo?”, questiona Renata Rosa, da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres de Minas Gerais e pesquisadora na PUC-MG.
“Precisamos botar o dedo na ferida se quisermos avançar e fazer desse momento não só um lugar para depoimentos, mas também de encaminhamentos”, diz Renata.
No debate, destacou-se muito a importância da solidariedade entre os estudantes. “O combate ao assédio começa com a denúncia aos órgãos competentes e legais. Mas, não se combate o assédio de forma isolada e sem o apoio do coletivo”, comentou o pesquisador da UFBA, André.
A ANPG criou um Grupo de Trabalho sobre assédio na pós-graduação, para avançar na elaboração sobre o tema.
Por Natasha Ramos