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Natasha Ramos

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Manifestação dia 20/8

Manifestação em São Paulo no último dia 20/8 levou mais de 100 mil pessoas às ruas 

O dia 20 de agosto de 2015 já vinha sendo conclamado pelos movimentos sociais como o “Dia D”, de defesa da democracia e também da liberdade e dos direitos dos trabalhadores, da juventude e dos estudantes. No fim da tarde de quinta-feira, que entra para a história como uma das maiores manifestações realizadas nos últimos anos no Brasil, uma enorme massa popular e diversa tomou o Largo da Batata, na região oeste da capital paulista, para caminhar juntos por mais avanços e saídas populares para a crise.

O ato começou com um minuto de silêncio lembrando os 18 trabalhadores assassinados em Osasco e Barueri. Depois, mais de 100 mil pessoas marcharam quase 6 quilômetros do largo até ao Masp (Museu de Artes de São Paulo), na Avenida Paulista.

Ao som da bateria, com sorrisos nos rostos e pés firmes no chão, palavras de ordem contra a redução da idade penal e contra os cortes nas áreas da Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação, os manifestantes tomaram a avenida Faria Lima, depois adentraram a Rebouças até chegar a uma das principais vias da cidade, a Avenida Paulista, ocupando as duas pistas. Representantes de diversos movimentos sociais, assim como as lideranças das entidades estudantis também participaram da marcha.

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Tamara Naiz, observa que aconteceram mudanças significativas no país nos últimos anos, porém a entidade reconhece que é preciso avançar ainda mais. “Convocamos os pós-graduandos para participar do ato justamente para não retroceder, e conquistar mais direitos. E essas conquistas e reivindicações só se dão mesmo com mobilizações como essa”, concluiu.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, disse que foi questionada diversas vezes onde estava os estudantes que não estavam na passeata do último dia 16. E foi veemente em responder: “não estavam!”

“A juventude e os estudantes têm lado e é do lado do avanço e não retrocesso. Não marchamos com quem pede intervenção militar e sabemos que nossos direitos só avançam se houver democracia. Também devemos lembrar que o governo federal precisa estar mais conectado com o povo, poupando a educação para não prejudicar o acesso da juventude à educação”, afirmou.

Um dia depois da aprovação da redução da maioridade penal na Câmara dos Deputados, a presidenta da UBES, Bárbara Melo, rechaçou a nova jogada do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

“Precisamos de reformas estruturantes para aprofundar a nossa democracia. Estamos defendendo a democracia porque sabemos que em uma ditadura não poderíamos estar aqui, dando a nossa opinião. O filho do rico nunca é preso, o filho do pobre é exterminado na favela, como aconteceu em Osasco e como acontece todos os dias nas favelas. Os ricos devem pagar pela crise, não nós, que construímos esse Brasil todos os dias”, afirmou

Já a presidenta da UEE-SP, Flavia Oliveira, lembra que a defesa da democracia, além de assegurar a participação popular na escolha dos representantes, inclui as reformas estruturais, que diminuem a desigualdade no país. “Que a educação não entre no ajuste fiscal, e sim a taxação das grandes fortunas”, disse.

Bloco do Povo

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, iniciou o ato destacando a unidade dos movimentos e a ida do “bloco do povo” para as ruas.

“Estamos aqui para rechaçar a indignação seletiva conservadora, que condena corrupção, porém se alia ao Eduardo Cunha e os ‘panelaços’ que não se comovem com as chacinas da semana passada em Osasco e Barueri. Estamos de forma clara contra as saídas à direita e qualquer saída de ajuste fiscal e de política que prejudiquem os trabalhadores. Hoje o bloco do povo entrou em campo e quer colocar de forma clara a agenda dos de baixo contra a agenda dos de cima. Não vamos sair das ruas enquanto a agenda popular não for ouvida nesses pais.”, afirmou.

Já o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, lembrou que a mensagem da manifestação deve ser de defesa as democracia, de construção e crescimento. “Precisamos da agenda popular, do trabalhador, que vai sustentar um governo democrático e não uma política voltada ao mercado, aos bancos, que não possuem compromisso com o povo”, declarou.

José Genivaldo da Silva, dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), defendeu o pré sal e seus investimentos sociais, e também foi duro contra as pautas conservadoras, homofóbicas e latifundiárias do Congresso. “Esse ato é uma defesa do Brasil , do povo brasileiro e das políticas de inclusão social”, disse.

Pelo Brasil

Além de São Paulo, manifestantes de outras cidades do país tomaram as ruas em defesa da democracia e contra os ajustes fiscais. Ao todo, foram cerca de 200 mil pessoas, mais de 30 movimentos sociais participaram dos protestos, que foram mais de 40 em todo o país. Representantes da ANPG estiveram presentes nos atos pelo Brasil, ao lado de UNE, MTST e outros movimentos sociais. Somente em São Paulo, mais de 100 mil pessoas marcharam na ocasião. No Rio de Janeiro, cerca de 50 mil foram para as ruas, enquanto em Belo Horizonte e Fortaleza, foram mais de 20 mil.

Em Brasília
Em Itabuna

Em Itabuna
Em Cuiabá

Em Cuiabá
Em Brasília

No Amapá
No Amapá

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Em Sergipe

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No Ceará

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Rio de Janeiro

Da redação com informações da UEE-SP

Foto: Natasha Ramos
Foto: Natasha Ramos

O Ocupe Brasília, acampamento montado pela ANPG e o conjunto de pós-graduandos brasileiros em frente ao MEC para pressionar contra os cortes, em defesa da democracia e por mais investimentos na pós-graduação, gerou importantes frutos.

Desde a posse de Renato Janine no Ministério da Educação, e de Carlos Nobre, na CAPES, a ANPG havia encontrado certa dificuldade de se reunir com ambas as autoridades para que eles ouvissem as reinvindicações dos pós-graduandos.

Por isso, a entidade representativa dos pós-graduandos mobilizou seus pesquisadores de várias partes do país para acamparem entre os dias 10, 11 e 12 de agosto, em frente ao prédio do Ministério da Educação, para que fossem recebidos.

A pressão gerou resultados e, no Dia do Estudante (11), devido à adesão de diversas APGs, que participaram da mobilização, seja no acampamento, seja com atividades em suas universidades, representantes do MEC e da CAPES, receberam a ANPG em reunião no próprio Ministério, na qual os pós-graduandos foram ouvidos com atenção e respeito.

“É preciso diminuir ao máximo esses cortes da Educação, queremos dizer que a ANPG tem um grande compromisso social e queremos sempre ter uma consequência nas nossas ações. Nós continuaremos sendo incisivos nas nossas cobranças e nas nossas defesas”, disse Tamara Naiz, presidenta da ANPG, que também também cobrou 100% dos recursos do PROAP.

Durante a reunião, com participação do secretário executivo do MEC, prof. Luiz Cláudio Costa, o secretário de Educação Superior do MEC, prof. Jesualdo Pereira Farias, e o presidente da CAPES, prof. Carlos Nobre, Tamara e diretores da ANPG apresentaram as reinvindicações dos manifestantes, como a reabertura das concessões de novas bolsas no exterior e a garantia que o MEC crie um grupo de trabalho para discutir as condições dos pós-graduandos, conforme prometido em um acordo feito com a instituição em abril deste ano, na ocasião da Caravana à Brasília. A ANPG também propôs que o MEC crie campanhas contra assédios moral e sexual na pós-graduação e estabeleça mecanismos nas universidades para acolher as vítimas.

Das resoluções da reunião
O MEC garantiu que o grupo de trabalho para debater as condições dos pós-graduandos será montado até a semana que vem, e contará com a participação dois representantes da ANPG, um da CAPES, um da SESU, um da Andifes, um da SBPC, e terá o CNPq como convidado. Esse grupo de trabalho terá o prazo de 60 dias para debater as questões apresentadas pela ANPG relacionadas, sobretudo, à assistência estudantil, à valorização das bolsas de pesquisa, à melhoria nas relações acadêmicas e à mais financiamento na pós-graduação.

Sobre os cortes no PROAP
Em julho, a Capes anunciou o corte de 75% nas verbas para o Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), que financia custos como a organização e a participação de pós-graduandos em congressos, passagens de professores externos para examinar bancas de mestrado e doutorado, tradução de artigos e manutenção de equipamentos.

“O conhecimento não se constrói individualmente, ele depende de debates. Os cortes prejudicam o resultado das pesquisas de pós-gradução”, afirma o diretor de comunicação da ANPG Marcelo Arias. “Não adianta o pesquisador guardar o que produziu como se fosse algo para benefício próprio. A divulgação é uma forma de devolver para a sociedade o investimento que recebeu, mas o pós-graduando não tem dinheiro para fazer isso por contra própria”, explica Tamara.

Por Natasha Ramos, de Brasília

 

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Audiência Pública sobre direitos dos pós-graduandos faz uma profunda análise da pós no país

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Audiência pública realizada no auditório da Câmara dos Deputados no Dia do Estudante (11/8) reuniu pós-graduandos que vieram à capital federal para o “Ocupe Brasília”

A audiência pública requerida pela deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), da Comissão de Educação da Câmara Federal, realizada na última terça-feira (11),  apresentou um profundo diagnóstico sob o olhar dos pós-graduandos brasileiros acerca de temas como o Financiamento da pós-graduação, a qualidade dos cursos oferecidos, a expansão das universidades, além de pautas da Campanha por mais direitos, como assistência estudantil e a universalização e valorização das bolsas de pesquisa. A audiência contou com a presença de representantes do MEC, SBPC, Andifes, da presidenta da ANPG e de parlamentares.

Com o tema “A importância da pós-graduação e os direitos dos pós-graduandos”, a audiência foi iniciada com um panorama geral em termos de números sobre o crescimento da pós, apresentado pelo representante do MEC, Dr. Márcio de Castro Filho, e evidenciou o papel protagonista da CAPES nesse processo.  “O crescimento espetacular na produção intelectual brasileira colocou o Brasil na 13ª posição na produção de artigos científicos”, afirma. Um dos desafios agora, segundo o representante do MEC, é aumentar a visibilidade e qualidade do que é produzido.

A conselheira da SBPC, Fernanda Sobral, corroborou dados de Márcio de Castro, ressaltando que 95% desse crescimento é fruto do trabalho dos pós-graduandos e das pós-graduandas. Segundo ela, houve também evolução na distribuição dos cursos de pós-graduação: “Houve um crescimento de 209% no número dos programas, de 2003 a 2014″. Fernanda também falou da importância da assistência estudantil para os pós-graduandos e de se incluir a categoria no PNAES.

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, apresentou as pautas da Campanha por mais Direitos para os pós-graduandos e pós-graduandas, e também da iniciativa da entidade em acampar em frente ao Ministério da Educação, ação chamada de Ocupe Brasília. “Nós viemos ocupar Brasília, pois sabemos que o país mudou nos últimos anos e entendemos que essa política de ajuste fiscal põe em risco o ciclo virtuoso que temos vividos nos últimos anos”, disse. Esse ciclo virtuoso, citado por Tamara, é o crescimento por que passa a pós-graduação brasileira, citada tanto na fala do representante do MEC, quando da conselheira da SBPC.

Gustavo Balduino, representante da Andifes, parabenizou a ANPG pela iniciativa do acampamento em frente ao MEC, contra os cortes da Educação, em defesa da Democracia e por mais investimentos, e enfatizou a importância de se preservar a democracia, visto o momento político complicado que a sociedade brasileira vive.

Balduíno falou também que a diversidade na pós-graduação começa na Educação básica. “Se tivermos uma educação básica de qualidade e gratuita, teremos mais diversidade na pós-graduação. Talvez não imediata, mas daqui a alguns anos”. Segundo ele, a pós-graduação e a educação básica devem ser vistas em sua complexidade para uma aplicação dos recursos públicos de maneira mais adequada.

Ao final da sessão, a deputada Alice disse que o próximo passo é elaborar um relatório com o conjunto de demandas extraídas da audiência para avançar em temas como mais investimentos e assistência estudantil. “Saio daqui com essa tarefa de contagiar a comissão de Educação com os interesses da pós-graduação”.

Entre os parlamentares presentes na sessão, o deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), membro da Comissão de Orçamento, se comprometeu, em conjunto com a Alice Portugal e demais membros da Comissão de Educação, a organizar emendas no texto orçamentário para complementar as verbas da CAPES, cujo contingenciamento motivou a ocupação do MEC

Por Natasha Ramos, de Brasília

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Deputada Alice Portugal segura cartaz da Campanha por mais Direitos para os Pós-Graduandos

Debate que será realizado na próxima semana, e discutirá a importância dos cursos de pós-graduação e seu alcance na sociedade e contará com os ministro da Educação e de Ciência, Tecnologia e Inovação, e da presidenta da ANPG, Tamara Naiz

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados promoverá, na próxima terça-feira (11) audiência pública para debater os desafios encontrados pelos estudantes de pós-graduação, e a importância da qualificação oferecida pelos cursos. A audiência é um requerimento da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), vice-presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Ciência, Tecnologia e Pós-Graduação.

“Trata-se de pauta ampla, porém factível, que necessita ser submetida ao debate neste Colegiado”, defende a parlamentar. Alice ainda enfatiza a necessidade de discutir a qualidade dos cursos de especialização no país, uma pauta cara à ANPG. A atual indústria da especialização cria, dia após dia, cursos que nem sempre estão de acordo com a legislação, ou com o padrão exigido pelo Ministério da Educação.

Para o debate, foram convidados o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo e a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Tamara Naiz.

A Associação Nacional dos Pós-Graduandos reúne na Campanha por mais Direitos para os(as) pós-graduandos(as) uma pauta de reivindicações que inclui a universalização e valorização das bolsas de pesquisa; o estabelecimento de mecanismo de reajuste anual dos valores das bolsas de pesquisa; a assistência estudantil com direito à moradia universitária, bandejão, atenção à saúde, passe-livre estudantil; entre outras. (Saiba mais aqui)

Para debater o viés educacional, também devem comparecer à audiência o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carlos Afonso Nobre, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Targino de Araújo Filho, e a conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Fernanda Sobral.

Da redação

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A ANPG convida o conjunto dos pós-graduandos brasileiros para ocupar Brasília entre os dias 10 e 12 de agosto. O objetivo é pressionar o governo pela reversão dos cortes nas áreas de Educação e Ciência e Tecnologia, em especial, cortes significativos nas verbas de custeio da Capes e paralização da concessão de novas bolsas em algumas modalidades.

Reunida em São Carlos, durante a 67a reunião anual da SBPC, a diretoria da entidade deliberou a convocação de um conjunto de atividades e mobilizações contra os cortes nessas áreas. Entre elas já está marcada audiência pública da comissão de educação da câmara federal que contará com a presença dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação para debater “A importância da pós-graduação e os direitos dos pós-graduandos”. Além da audiência pública, a entidade está requerendo reuniões com todas as autoridades do setor, na tentativa de restabelecer o fluxo financeiro para os programas de pós-graduação.

Os cortes estão impactando de forma diferente cada universidade no Brasil. Em alguns lugares, a própria Reitoria ou pró-reitoria tem estimulado o movimento. Segundo Isac Medeiros, presidente do FOPROP (Fórum de pró-reitores de pós-graduação e pesquisa), “inicialmente o Foprop reconhece a necessidade de ajuste fiscal para buscar o equilíbrio nas contas públicas. No entanto, preocupam os cortes nas verbas de custeio da pós-graduação, os quais inviabilizam o próprio funcionamento das rotinas dos cursos de pós-graduação, como a realização de bancas de qualificação e de defesa, aquisição de insumos para a pesquisa, funcionamento de laboratórios, manutenção de equipamentos, participação de docentes e discentes em eventos científicos, coleta de dados, apoio à publicação de artigos científicos, entre outros. Desta forma, o Foprop se manifestou (através de Nota Pública) contrário aos cortes impostos pelo MEC que impactam negativamente no financiamento da pós-graduação brasileira e considerou imprescindível a recomposição do orçamento da CAPES, visando à sustentabilidade da pós-graduação. Afinal, se o país hoje é reconhecido mundialmente pela sua capacitação científica e tecnológica, deve muito ao papel que a CAPES tem cumprido ao longo de seus 60 anos de existência. Deixar de apoiar a agência pode trazer prejuízos para a comunidade científica do país, o que pode afetar todo o sistema nacional de pós-graduação, notadamente reconhecido como um dos mais bem sucedidos projetos educacionais do país”.

Na UFBA, por exemplo, a pós-graduação também foi atingida por atrasos da FAPESB e os pós-graduandos tem se organizado para combater os cortes.

Ocupe Brasília terá acampamento
Além de buscar reuniões, a ANPG está organizando um acampamento em frente o MEC, como forma de pressionar seus dirigentes a cumprirem os compromissos assumidos, como o grupo de trabalho sobre direitos.

Para Tamara Naiz, Presidenta da entidade, “esse grupo de trabalho é importante para avançarmos em curto e médio prazo na pauta de direitos para os pós-graduandos, definida pelo congresso da ANPG”.

Sobre o conjunto de atividades em Brasília, Tamara diz que o acampamento e as manifestações que devem acontecer durante a próxima terça-feira (11), “é um grito de apelo da pós- graduação brasileira contra os cortes orçamentários e contra a interrupção do ciclo virtuoso de crescimento que a pós-graduação brasileira vivenciou nos últimos anos”.

Na terça-feira (11), também será realizada audiência pública no auditório do Congresso Nacional para debater os desafios encontrados pelos estudantes de pós-graduação, e a importância da qualificação oferecida pelos cursos (Saiba mais aqui).

Veja a Convocatória Oficial do Dia Nacional de Mobilização da Pós-Graduação

Da redação

 

Por Tamara Naiz* e Cristiano Flecha**

O governo federal anunciou em maio deste ano um conjunto de políticas que busca “equilibrar o orçamento do governo”, o chamado ajuste fiscal. O governo justificou alegando que a necessidade de reequilibrar o orçamento cortando gastos.

O que veio a seguir foi uma série de medidas que subtraem as conquistas sociais dos últimos anos, com medidas que reduzem o acesso a benefícios previdenciários, cortes em todas as áreas, com destaque para os cortes na área de educação e ciência e tecnologia.

O corte no orçamento da Educação foi de R$9 bilhões e na Ciência, Tecnologia e Inovação foi de 1,8 bilhões (quase 25% do orçamento do ministério). Acreditamos que cortes propostos pelo governo federal aos orçamentos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) podem colocar a perder muitos dos significativos avanços obtidos nos últimos anos e vão na contramão dos interesses estratégicos de um país que precisa se desenvolver em novos patamares.

Reafirmamos que não concordamos com esse caminho para enfrentar a crise, pois compromete os investimentos em setores importantes, acreditamos que a recessão se combate com mais desenvolvimento, com a diminuição de juros e outra orientação econômica voltada para os setores produtivos, que geram emprego e renda.

Nós não acreditamos que o ajuste fiscal seja a melhor forma de enfrentar a crise financeira que o país atravessa, a saída para reequilibrar o orçamento é o investimento em políticas voltadas para o crescimento. Por isso a ANPG soma-se aos demais movimentos em curso para reivindicar da presidenta Dilma que mude o curso da política econômica.

Além disso, o ajuste não pode ser encarado como um fim em si. A necessidade de “cortar gastos” quando feita às custas da diminuição dos investimentos públicos em área estratégicas, como a Ciência & Tecnologia e a Educação, terá como efeito o prolongamento do atraso histórico do Brasil nessas áreas. É preciso implementar outra política para que o Brasil possa retomar a atuação nessas áreas em patamares equilibrados e superiores.

Desse modo, é papel das entidades representativas questionar e lutar contra os cortes e as perdas de direitos. Não aceitaremos nenhum retrocesso. Continuaremos lutando pela expansão da universidade pública e a ampliação de seus programas de pesquisa em todas as áreas avançando na democratização do seu acesso. Iremos ocupar as ruas e universidades de todo o país para impedir qualquer tipo de retrocesso!

*Tamara Naiz é presidenta da ANPG
** Cristiano “Flecha” Junta é vice-presidente da ANPG

Presidenta e Vice-presidente da ANPG

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A ANPG convida o conjunto dos pós-graduandos brasileiros para ocupar Brasília entre os dias 10 e 12 de agosto. O objetivo é pressionar o governo pela reversão dos cortes nas áreas de Educação e Ciência e Tecnologia, em especial, cortes significativos nas verbas de custeio da Capes e paralização da concessão de novas bolsas em algumas modalidades.

Reunida em São Carlos, durante a 67a reunião anual da SBPC, a diretoria da entidade deliberou a convocação de um conjunto de atividades e mobilizações contra os cortes nessas áreas. Entre elas já está marcada audiência pública da comissão de educação da câmara federal que contará com a presença dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação para debater “A importância da pós-graduação e os direitos dos pós-graduandos”. Além da audiência pública, a entidade está requerendo reuniões com todas as autoridades do setor, na tentativa de restabelecer o fluxo financeiro para os programas de pós-graduação.

Os cortes estão impactando de forma diferente cada universidade no Brasil. Em alguns lugares, a própria Reitoria ou pró-reitoria tem estimulado o movimento. Na UFBA, por exemplo, a pós-graduação também foi atingida por atrasos da FAPESB e os pós-graduandos tem se organizado para combater os cortes.

Ocupe Brasília terá acampamento
Além de buscar reuniões, a ANPG está organizando um acampamento em frente o MEC, como forma de pressionar seus dirigentes a cumprirem os compromissos assumidos, como o grupo de trabalho sobre direitos.

Para Tamara Naiz, Presidenta da entidade, “esse grupo de trabalho é importante para avançarmos em curto e médio prazo na pauta de direitos para os pós-graduandos, definida pelo congresso da ANPG”.

Sobre o conjunto de atividades em Brasília, Tamara diz que o acampamento e as manifestações que devem acontecer durante a próxima terça-feira (11), “é um grito de apelo da pós- graduação brasileira contra os cortes orçamentários e contra a interrupção do ciclo virtuoso de crescimento que a pós-graduação brasileira vivenciou nos últimos anos”.

Veja a Convocatória Oficial do Dia Nacional de Mobilização da Pós-Graduação

Da redação

Mais de 50 pós-Graduandos de todas as regiões do pais participaram na reunião da diretoria plena da ANPG no dia 12 de julho em São Carlos e decidirão entrar em uma luta unitária contra os cortes de verbas no MEC e no MCTI e tomaram a acertada decisão de incluir no programa de lutas da sua entidade representativa o combate ao plano de ajuste fiscal comando pelo Ministro da Fazenda Joaquim Levy.

11 de agosto: Dia Nacional de Paralisação da Pós-Graduação

Na reunião da diretoria plena da ANPG adotou-se um calendário de lutas que começou já na semana da SBPC, de 12 a 18 de julho e irá se estender pelo segundo semestre com a realização de uma paralisação nacional dos pós-graduandos em 11 de agosto, construída em conjunto com a UNE que decidiu em seu último congresso manifestações nesse dia. Além disso, deliberou-se pela realização de uma Audiência Pública em Brasília em defesa do financiamento à pós-graduação a partir da Frente Parlamenta em Defesa da Pós-Graduação criada em 30 de abril a partir da iniciativa da ANPG em sua Caravana à Brasília Pelos Direitos dos Pós-Graduandos e contra os Cortes no Orçamento do MEC e MCTI.

Na ocasião ainda foi decidido um indicativo de data para a realização do Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos, fórum oficial da entidade que congrega as entidades de base do movimento nacional de pós-graduandos para os dias 30 de outubro à 2 de novembro de 2015, em local ainda a ser estabelecido.

Agora, toda a força das Associações de Pós-Graduandos devem se concentrar em construir as manifestações de 11 de agosto e, onde for possível, unificar com as demais entidades da comunidade universitária – inclusive com os dirigentes acadêmicos – para realizar a paralisação das atividades de pesquisa. Essa mobilização é imprescindível nesse momento onde a CAPES cortou 75% das verbas do PROAP (Programa de Apoio à Pós-Graduação) o que irá praticamente interromper todas as atividades financiadas por esse fundo em 2015 como: ajuda para viagens, auxílio à publicações, pagamento de professores para irem a defesas de teses e dissertações, etc. A situação é tão grave que em muitas universidades como na UFBA o reitor anuncia que já foram empenhados mais gastos do que a CAPES liberou para o pagamento e não se sabe o que vai ocorrer com esses empenhos, pois, com os cortes, não à verbas sequer para garantir isso!

Pelo fim da política de ajuste fiscal de Joaquim Levy

Na reunião da diretoria plena da ANPG adotou-se uma carta aberta ao ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, ao secretário executivo do MEC e ao presidente da CAPES onde se afirma que:

“Esta é a política econômica do Plano de Ajuste Fiscal implementado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy. Uma política econômica recessiva, antipopular e retrógrada que aumenta o desemprego com o esfriamento da atividade econômica. O que por sua vez diminui a arrecadação de impostos do Governo Federal, como mostra o último relatório do Banco Central, de maio desse ano. Este Plano de Ajuste Fiscal é um círculo vicioso, quanto mais o governo corta investimento para fazer superávit fiscal, mais ele deve cortar para alcançar a meta do ajuste. Esta é a política fiscal e econômica que a “pátria educadora” deve implementar? Não! Para fazer jus ao lema de seu governo a presidenta Dilma deve fazer justamente o contrário, diminuir os juros e aumentar os gastos sociais do governo federal em particular com Educação, Ciência e Tecnologia.” (confira a integra da carta abaixo)

A avaliação da ANPG adotada nessa carta em 12/07 foi confirmada pelos fatos. Em 22 de julho Joaquim Levy deu uma entrevista coletiva onde justificou a redução da meta de superávit fiscal de 1,2% do PIB para 0,15%. Mas, como explica o ministro da Fazenda, isso não significa um afrouxamento do ajuste fiscal, mas um aperto ainda maior. O que ocorre é que com a desaceleração da atividade econômica, suscitada pela combinação de alta da taxa de juros e redução do investimento estatal na econômica, o governo arrecadou 2,6% menos nos primeiros 6 meses de 2015.

Ao mesmo tempo em que terá que gastar mais para financiar a dívida pública, que é indexada em grande parte pela taxa Selic que esta em exorbitantes 13,75%, uma das maiores taxas de juros reais do mundo. O resultado é que o governo cortou 69 bilhões do orçamento em maio para fazer o superávit fiscal o que ajudou a ampliar a recessão econômica e agora, precisa cortar mais 8,6 bilhões para ter algum superávit. O que só vai acarretar um agravamento ainda maior da recessão e, portanto, vai deixar a meta de superávit ainda mais difícil de cumprir. Essa política esta inserindo o pais em uma espiral econômica recessiva onde os setores produtivos da economia e a maioria do povo trabalhador só tem a perder.=

Por isso se mostra como a CUT esta correta em convocar para o dia 28 de julho um ato contra a política econômica de Joaquim Levy em frente ao Ministério da Fazenda. É urgente colocar um fim nessa política fracassada de ajuste fiscal.

A necessária unidade na luta contra os cortes no MEC e no MCTI

A ANPG decidiu pela sua participação como entidade junto ao Comitê em Defesa da Educação de São Carlos, comitê que congrega os sindicatos em greve da UFSCAR e outros movimentos que se posicionam contra os cortes e o ajuste fiscal. Em conjunto com o Comitê entregamos uma pauta de reivindicações ao ministro Aldo Rebello (MCTi), colaboramos estreitamente em nos atos e cobramos de forma enfática o secretário executivo do MEC quanto a instalação da comissão de negociação do MEC com a ANPG com vistas ao reajuste das bolsas de pesquisa, e o atendimento de pautas como a decima terceira bolsa, e o reajuste anual , assim como cobramos explicações acerca dos cortes de verbas PROAP.
A ANPG apoiou ainda a entrega da carta do PPCULT-UFF, que reclamava do Plano Nacional de Pós Graduandos (PNPG), que desprioriza os programas de área das Ciências Humanas não diretamente associados a Inovação. Tal carta foi entregue ao presidente da CAPES, prof. Carlos Nobre.

Um chamado a toda comunidade universitária.

Dia 11 de agosto a UNE definiu como dia paralisação contra os cortes, e a ANPG decidiu somar forças. Agora é a hora de construirmos por meio de comitês nas universidades, reuniões entre entidade em diálogo com os professores, funcionários e estudantes um chamado comum para a manifestação pela reversão dos cortes no MEC e MCTI e contra as medidas de ajuste fiscal do Ministro da Fazenda.
Assim chamamos a todos os pós-graduandos e suas entidades a organizarem junto com a ANPG atos em suas instituições e programas, de acordo com a realidade local como: paralisações, panfletagens, debates, palestras, atividades culturais nesse dia.

Cristiano Junta (ANPG/USP), Luiz Fernando Ramos (ANPG/UNICAMP), Gabriel Mendonza (ANPG/UNESP), Maira Gentil (ANPG/UFBA), Roberta Salgado (Doutoranda – USP São Carlos), Rodrigo Francisco Dos Santos (Doutorando – UFF)

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A PÁTRIA EDUCADORA DEVE INVESTIR EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, AO SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MEC E AO PRESIDENTE DA CAPES DURANTE A 67° REUNIÃO ANUAL DA SBPC

A Associação Nacional de Pós-Graduando, entidade representativa dos pós-graduandos brasileiros vem por meio dessa carta aberta aos senhores expor seu veemente protesto frente a atual situação da Educação, Ciência e Tecnologia no pais. Em 21 de maio a presidenta da República, Dilma Rousseff anunciou cortes nos gastos sociais do governo federal, foram retirados R$ 9,5 bilhões do Ministério da Educação e R$ 1,8 bilhões do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Os cortes no orçamento do MEC e do MCTI tem efeitos nefastos nas universidades públicas de todo o pais.

Segundo informações do jornal “O Globo” de 24/6 Hélder Silveira, coordenador geral de Programas de Valorização do Magistério da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, teria enviado um e-mail relatando que são R$ 765 milhões cortados das verbas da CAPES. Além disso, foram implementados cortes nas verbas de investimentos das universidades públicas e um espantoso corte de 75% nas verbas do PROAP (Programa de Apoio à Pós-Graduação). Não há dúvidas que isso vai condenar a pós-graduação no Brasil a um retrocesso vergonhoso. Essas medidas são absolutamente inaceitáveis.
A ANPG vem incessantemente desde o começo desse ano expondo o problema do atraso no pagamento de bolsas da CAPES, FAPERJ e na FAPEMIG.

Fizemos diversas reuniões, enviamos pedidos de esclarecimento, organizamos protestos, mas a situação continua precária. Hoje os pós-graduando do Rio de Janeiro ainda não receberam suas bolsas de julho! Entendemos que não há pesquisa científica no Brasil sem a participação dos pós-graduandos. A deterioração das condições de vida e estudo na pós-graduação terá como resultado inevitável perdas para o desenvolvimento científico e tecnológico nacional. Nós compomos uma categoria que é privada dos mais básicos direitos como licença saúde, licença maternidade, contribuição previdenciária específica e data-base para reajustes anual do valor das bolsas.

Por isso em reunião em 29 de abril com o secretário executivo do MEC, prof. Dr. Luiz Claudio Costa, na presença de mais de 40 representantes de entidades de base do movimento de pós-graduação fizemos saber nossas reivindicações e obtivemos o compromisso da instituição de uma mesa de negociação com a ANPG, MEC e CAPES para maio de 2015. Porém, passados mais de 2 meses, até agora a comissão não foi oficialmente nomeada. Precisamos que essa comissão seja nomeada e que ela seja capaz de entregar uma proposta consistente sobre nossas reivindicações. Por isso cobramos do MEC que cumpra com sua palavra e institua a comissão já.

Esta situação se insere no preocupante quadro da situação econômica do pais. Em 3 meses tivemos um aumento de 1,5% na taxa básica de juros (Selic), chegando à 13,75% em 3/6, segundo o jornal “Wall Street Journal”, a 2° maior taxa de juros reais do mundo! Estudos mostram que a cada 0,5% de reajuste da taxa de juros o governo federal tem um gasto adicional por ano de 7 a 10 bilhões de reais no pagamento dos títulos da dívida pública. Portanto, será gasto 3 vezes mais do que foi cortado do MEC e do MCTI juntos com esses reajustes da Selic.

Esta é a política econômica do Plano de Ajuste Fiscal implementado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy. Uma política econômica recessiva, antipopular e retrógrada que aumenta o desemprego com o esfriamento da atividade econômica. O que por sua vez diminui a arrecadação de impostos do Governo Federal, como mostra o último relatório do Banco Central, de maio desse ano. Este Plano de Ajuste Fiscal é um círculo vicioso, quanto mais o governo corta investimento para fazer superávit fiscal, mais ele deve cortar para alcançar a meta do ajuste. Esta é a política fiscal e econômica que a “pátria educadora” deve implementar? Não! Para fazer jus ao lema de seu governo a presidenta Dilma deve fazer justamente o contrário, diminuir os juros e aumentar os gastos sociais do governo federal em particular com Educação, Ciência e Tecnologia.

Nós temos a firme convicção de que é hora de dar um basta nesse ajuste fiscal que sequestra os recursos da Educação, Ciência e Tecnologia para o pagamento de juros exorbitantes dos títulos da dívida pública. Por isso, pedimos que aos senhores se juntem a nós no alerta que dirigimos à presidenta Dilma Rousseff: é preciso mudar de política, começando por reverter os cortes no MEC e MCTI e interrompendo essas medidas de ajuste fiscal.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUANDOS

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No dia do estudante, próximo dia 11 de agosto, as entidades ligadas à educação e os trabalhadores farão um ato público em defesa da democracia, da educação e da Petrobras.

O ato, que será realizado às 14h, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, terá como foco principal a defesa da Petrobras como operadora única do pré-sal e contra o projeto de lei 131/2015, de autoria do senador tucano José Serra, que derruba a participação mínima de 30% da estatal na exploração do pré-sal.

Caso o projeto do senador estivesse em vigor hoje, a Petrobras poderia ficar de fora do consórcio de Libra (único bloco do Pré-Sal licitado), o que acarretaria uma perda, para o Estado, de R$ 246 bilhões. Além disso, se o projeto de lei for aprovado, o fundo social perderá R$ 100 bilhões e, consequentemente, a educação deixará de receber 50 bilhões, já que pela atual legislação 50% dos recursos do fundo social do pré-sal destinam-se à educação.

Segundo a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), a visão que entidades ligadas ao setor e o senador José Serra têm dos resultados das alterações propostas divergem bastante. “As contas mostram claramente uma redução de recursos para educação. Não vamos aceitar que seja retirado qualquer centavo da educação. Esse dinheiro faz muita diferença diante do desafio e do compromisso que temos na realização das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE)”, destacou a senadora.

O ato está sendo organizado em conjunto pela União Nacional dos Estudantes (UNE), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação de Sindicatos de Trabalhadores, Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior (Fasubra), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras.

Da redação

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Fotos: Bruno Bou
Fotos: Bruno Bou

Estratégias de divulgação científica, além das publicações especializadas, foram apresentadas durante o 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG

“Para a sociedade, no geral, o cientista é o máximo!”, disse Marcia Cançado, professora titular da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) , durante o quarto dia de programação do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), realizado na última quinta-feira (16), no debate com o tema “A popularização e divulgação da Ciência como Propulsoras da Inclusão Social e Produtiva”.

Segundo Márcia, essa é a terceira profissão mais admirada, ficando atrás apenas dos médicos e professores. Foi o que constatou uma pesquisa da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) que ouviu mais de 3 mil pessoas.

A roda de conversa mediada por Marcos de Moraes, vice-presidente regional Norte da ANPG, elencou estratégias para o maior alcance das produções científicas na sociedade, como atrair e motivar jovens pesquisadores e a ciência como solução para problemas sociais, voltada para inclusão e para promover benefícios à população.

E, sim! Os brasileiros estão bastante interessados quando se trata de ciência! Essa foi a conclusão da pesquisa de percepção pública da Ciência e Tecnologia no Brasil realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), apresentada pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, na abertura da 67ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da ciência), e também lembrada durante o debate.

Entre quase 2 mil entrevistados, 61% afirmaram ter interesse na área, ficando à frente até dos temas “arte e cultura”. E mais: 50% enxergam os cientistas como pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade e 78% querem mais investimentos na área.

“A população tem admiração pelo cientista, mas poucas pessoas conhecem nomes de universidades ou unidades de pesquisa. Ela não é popularizada, pois é muito mais feita para a academia, do que para a sociedade”, acrescenta Marcia.

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, em sua intervenção durante o debate, ponderou que o público que se destina à produção científica é questão inicial quando é iniciada uma pesquisa.
“ Os trabalhos produzidos devem gerar impacto social e transformações. Para pensar em mudar realidades, a ANPG defende que a educação cientifica seja incluída e valorizada ensino básico, e que esse incentivo à pesquisa também promova igualdade”, pondera Tamara.

A presidenta acrescentou que existe, portanto, uma necessidade de cotas raciais e renda também para a pós-graduação, devido às disparidades na formação inicial país afora.

Douglas Falcão Silva, diretor do departamento de divulgação da Secretaria de Inclusão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, lembrou que apenas 11% das escolas públicas de ensino fundamental e médio possuem laboratórios.

“E não estamos avaliando a qualidade desses espaços, apenas a questão de existir ou não. É um número muito baixo, pensando que o incentivo à ciência se dá por experimentação. Por isso, devem existir estratégias na divulgação o para alcance diversificado , levando em conta perfis sócio demográficos diferentes”.

Meios de Propagação
Falcão conta que a atividade de divulgação é institucional desde 2003 na pasta, e teve início efetivo com a criação da Secretaria de Inclusão Social, como um meio para diminuir a desigualdade no país e pensar políticas para sistemização da comunicação da produção científica.

E, acrescenta que o departamento pensa na divulgação não de forma horizontal, e sim para a sociedade não especializada, e que o seu alcance já possui variáveis positivas.

“Passaram a existir uma política de divulgação científica voltada ao o público leigo, já existem grandes avanços. Atualmente, existe concurso para a função de divulgador”, comenta.

Além disso, a quantidade de museus de ciência – importante meio de propagar a área – saltou de 106 para 270 , de 2006 até 2013.

“Ainda que a maioria esteja concentrada no sudeste, presenciamos uma variável positiva, que indica existir uma política pública na área em construção. E a ideia é distribuir esses equipamentos culturais pelo país.”

O diretor apontou que além dos museus, a feiras de ciências, que valorizam a experimentação, organizadas por meio de editais e com recursos dos fundos setoriais, as olimpíadas do conhecimento – que no Brasil é a maior do mundo., a construção de espaços como centros de pesquisas, unidades móveis e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, são os meio s eficazes para o incentivo e acesso à instrução na área.

“As feiras de ciências chegam a mobilizar mais de 100 mil estudantes, entre os visitantes e participantes, além dos professores .É comum perguntarem a ganhadores de Prêmio Nóbel sobre o início do interesse pela ciência, e a resposta comum é que tenha se iniciado em exposições da área, ainda na infância”, comentou.

O financiamento para essas ações acontecem por meio dos editais, apoio fiscal por meio da lei Rounet e as emendas parlamentares, em que deputados alocam recursos em projetos. Segundo ele, o momento atual, em que foram anunciados cortes, que envolvem também aqueles que são voltados para a pesquisa na educação básica são preocupantes, e isso aponta a necessidade de uma política constante para valorização da ciência.

“Existem transformações sociais que são valorizadas quando a economia vai muito bem por vários anos. E, infelizmente, os cortes atingiram também o ministério esse ano. Porém, tenho o gene do otimismo, e, vamos nos aproximar do financiamento privado também para os editais, intermediando as empresas que vão oferecer recursos, com as instituições propagadoras de ciência”, anuncia.

Transformar a linguagem
Adalberto Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia , diretor de relações internacionais da CAPES ( Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), avalia que a mudança no alcance da atividade científica anda junto com a mudança da sua forma e conteúdo.

“Houve uma mudança na ciência no mundo moderno. Hoje ela não é mais neutra, e sim possui finalidades sociais, responde à questões levantadas pela sociedade e deve interagir com as pessoas, por isso, existe a necessidade de ser decodificada”.

Val avalia que trazer a tarefa de tradução da pesquisa para uma linguagem acessível à sociedade ao cientista é lhe submeter a mais uma responsabilidade, em que terá que se especializar em um outra atividade.

O pesquisador lembrou que atualmente 5% dos cientistas fazem 95% da divulgação das produções na área e uma solução seria implantar a formação específica para a atividade.

“Também envolvem estratégias utilizando múltiplos meios, que vão muito além das palestras. Deve-se usar a arte e cultura, como os teatros, por exemplo , parques naturais e espaços de interação que podem desmistificar o estudo”, acrescenta.

Ele citou o Portal de Periódicos da CAPES, como uma meio eficiente de socialização do conhecimento, em que aproxima a produção científica da população, disponibilizando um acesso facilitado à qualquer área de interesse por meio do banco digital das pesquisas.

“Quando falamos em popularização da ciência deve se relacionar o conceito com a cidadania, em que o individuo tenha acesso a todo material e que o propicie mais entendimento do mundo, e para isso devem ser disponibilizados recursos técnicos, como os diferentes meios de comunicação e propagação”, disse.

Por Sara Puerta