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Todos manifestaram preocupação com as consequências da redução dos investimentos do setor na economia brasileira

O corte de incentivos fiscais contido na Medida Provisória (MP) 694/15, em análise pelo Congresso, foi um dos principais assuntos do seminário promovido nesta quinta-feira (15) pela Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação da Câmara dos Deputados.

O seminário debateu o papel do setor em meio à crise econômica que o País atravessa e teve a participação do ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, de especialistas e de representantes de entidades de pesquisa e da indústria.

Todos manifestaram preocupação com as consequências da redução dos investimentos do setor na economia brasileira.

Além da MP, os debatedores discutiram a possibilidade de cortes no orçamento do setor para o ano que vem e medidas legislativas que podem permitir maior participação da iniciativa privada nas pesquisas e inovações tecnológicas – como o Projeto de Lei 2177/11, que institui o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, aprovado em julho pela Câmara e atualmente em tramitação no Senado.

Para o presidente da frente parlamentar, deputado Izalci (PSDB-DF), a área de pesquisa tecnológica e inovação tem papel importante na retomada do crescimento. “Precisamos encontrar uma saída para a crise e essa saída certamente tem a tecnologia e a inovação como aliadas importantes”, disse.

Ajuste fiscal
A MP foi enviada pelo governo ao Congresso no início de outubro e reduz benefícios fiscais da Lei do Bem (11.196/05) com o objetivo de aumentar a arrecadação no ano que vem.

O texto suspende, para o ano de 2016, vários benefícios concedidos às empresas de inovação tecnológica:
– o incentivo fiscal que permitia abater da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) investimentos em pesquisa e inovação tecnológica;
– a possibilidade de abater do lucro líquido até 2,5 vezes os gastos com projetos de pesquisa feitos em parceria com entidades públicas (como as universidades estaduais e federais) ou privadas sem fins lucrativos; e
– a possibilidade de dedução de até 160% do valor gasto com pesquisa no cálculo do lucro real e da CSLL.

De acordo com o governo, a MP 694 permitirá um aumento de arrecadação de quase R$ 10 bilhões no ano que vem, valor que deverá ser incorporado pela proposta orçamentária de 2016, em tramitação na Comissão Mista de Orçamento.

Prejuízo à indústria
O presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (Abipti), Júlio Cézar Martorano, disse que o fim dos incentivos fiscais representa um prejuízo grande para a economia a longo prazo. “A medida traz incerteza para as indústrias. Quando não há projetos para desenvolver, há uma evasão de pesquisadores. Interromper projetos em andamento é um prejuízo para o País”, disse.

Argumento parecido foi usado pela diretora da Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gianna Sagazio. Segundo ela, as empresas que usaram os benefícios fiscais da chamada Lei do Bem ampliaram em 86% os investimentos em tecnologia, comparado com as que não usaram os benefícios.

“Inovação não é investimento a curto prazo. É a longo prazo. Quem investe precisa de ambiente jurídico”, disse Gianna Sagazio.

Incerteza
O clima de insegurança para investimentos na área, principalmente os privados, também foi apontado pela presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Tecnologia e Informação (Consecti), Francilene Garcia, como um fator de preocupação.

“É preciso uma política de Estado menos incerta, mais perene. Não estamos falando só em incentivos fiscais, mas em política que melhore o processo de transferência de tecnologia”, disse.

Francilene Garcia defendeu investimentos privados em pesquisa e inovação, até mesmo de capital estrangeiro. “A inovação envolve a presença de capital internacional. Existem fundos de investimento”, disse.

Fonte: Agência Câmara

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A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – SNCT 2015 acontece de 19 a 25 de outubro. O tema atual é “Luz, Ciência e Vida”, baseado na decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que proclamou 2015 como Ano Internacional da Luz, com objetivo de celebrar a luz como matéria da ciência e do desenvolvimento tecnológico.

Sob a coordenação do MCTI, a Semana é realizada anualmente por meio do Departamento de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia (DEPDI/SECIS) e tem como objetivo de aproximar a Ciência e Tecnologia da população. A SNCT também conta com a colaboração de secretarias estaduais e municipais, agências de fomento, espaços científico-culturais, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas, escolas, órgãos governamentais, empresas de base tecnológica e entidades da sociedade civil.

O Ano Internacional da Luz é uma iniciativa mundial que vai destacar a importância da luz e das tecnologias ópticas na vida dos cidadãos, assim como no futuro e no desenvolvimento das sociedades de todo o mundo.

A SNCT promove diversos eventos que congregam centenas de instituições a fim de realizarem atividades de divulgação científica em linguagem acessível à população brasileira através de meios inovadores que estimulam a curiosidade e motivem a população a discutir as implicações sociais da Ciência.

Qualquer pessoa pode participar e todos os eventos são gratuitos. No site do evento é possível encontrar os contatos locais de cada estado, bem como o coordenador regional, além de poder solicitar material de divulgação.

Para mais informações, confira o site: http://semanact.mcti.gov.br/web/guest

Da redação

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Documentário produzido de forma independente conta a história do comandante negro da Guerrilha do Araguaia; plataforma virtual usada para arrecadar recursos será o Catarse

Os diretores do documentário “Osvaldão” — Ana Petta, Vandré Fernandes, Fábio Bardella e Andre Michiles — lançaram nesta segunda-feira, 5 de outubro, um financiamento coletivo via internet para coletar dinheiro e levar o filme a sete estados brasileiros. O objetivo é que o longa-metragem chegue aos cinemas de Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). A expectativa é que a primeira exibição seja realizada na capital paulista em novembro, mês da Consciência Negra.

A plataforma escolhida para a arrecadação do recurso foi o Catarse, um dos principais sites que gerenciam financiamentos desse tipo na rede. O endereço para contribuir é osvaldao.catarse.me. São sete campanhas simultâneas. A meta é conseguir R$ 10.458 para cada cidade, o que poderá garantir que o filme seja lançado e entre em cartaz no circuito comercial destas capitais.

“Nós pedimos a contribuição financeira de todos os que gostariam de levar o Osvaldão para os cinemas do Brasil. Desejamos que, por meio da tela de cinema, a juventude e o nosso país possam conhecer a história de um brasileiro que lutou bravamente pela nossa democracia”, explica a diretora Ana Petta.

SOBRE OSVALDÃO

Negro, porte de atleta e campeão de boxe, Osvaldo Orlando da Costa foi um dos principais comandantes da Guerrilha do Araguaia, movimento de resistência à ditadura militar entre fins da década de 1960 e meados de 1970. Foi temido pelos militares e querido pelos nativos. Seu nome virou lenda na região. Por sua habilidade, moradores contam mitos: dizem que Osvaldão desviava de bala e se transformava em pedra e cupinzeiro.

O longa-documentário busca essa história. Os diretores foram recebidos por familiares em Passa Quatro (MG), sua cidade natal, e por amigos na capital fluminense, onde estudou. Depoimentos de militantes, mateiros e militares contam sobre o seu ingresso, trajetória e liderança na guerrilha. O filme traz ainda raras e exclusivas imagens de Osvaldão em Praga, antiga Tchecoslováquia, durante uma excursão de estudantes, antes dele se tornar um guerrilheiro.

SOBRE O DOCUMENTÁRIO

“Osvaldão” é uma produção independente que levou dois anos para ser realizada. Após os processos de pesquisa, filmagem, montagem e finalização, com gravações no Rio de Janeiro, Pará, Tocantins e Minas Gerais, o filme foi lançado na Mostra de Cinema de São Paulo de 2014.

O músico Criolo faz participação especial e empresta a sua voz a Osvaldão. Outros artistas como Leci BrandãoAntônio PitangaFlávio Renegado Fernando Szegeri também participam narrando pequenos trechos.

A realização do documentário é da Fundação Mauricio Grabois, Clementina Filmes e Estrangeira Filmes.

COLETIVO GAMELEIRA

O Coletivo cinematográfico Gameleira, responsável pela produção do filme “Osvaldão”, é formado por diretores e produtores apaixonados pelo Brasil e interessados em desenvolver um cinema colaborativo construído com arte, política e memória. Integram o grupo Ana Petta (“Repare Bem”), Andre Michiles (“Através”), Fábio Bardella (“Através”) e Vandré Fernandes (“Camponeses do Araguaia”).

Da redação

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) investirá um total de R$ 2 milhões em projetos nas áreas de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas.
As propostas aprovadas terão o valor máximo de R$ 30 mil. Os recursos serão destinados ao financiamento de itens de custeio e capital.
A submissão dos projetos pode ser feita até o dia 11 de novembro de 2015 e os resultados devem ser divulgados a partir de dezembro deste ano.
Saiba mais: Chamada CNPq/ MCTI Nº 25/2015 Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas
Fonte: Coordenação de Comunicação Social do CNPq

Acontece agora, e segue até as 16h45, as eleições para a nova direção da APG-UFSM. Este é o terceiro processo eleitoral desde a re-fundação da entidade, em abril de 2013. Nessas eleições, as votações serão feitas pelo Portal do Aluno, ou seja, não haverá urnas físicas.

Concorre à gestão 2015-2016 chapa única, batizada de Mobiliza APG, cuja composição é a seguinte:

  • Coordenação Geral

Iolanda Araujo Ferreira dos Santos – Doutorado em Extensão Rural
Jaíne Soares de Paula Vasconcellos – Mestrado em Medicina Veterinária
Mauren Buzzati – Mestrado em Extensão Rural

  • Secretaria de Finanças

Cláudia Balzan – Doutorado em Medicina Veterinária
Paulo César Vargas Luz – Doutorado em Engenharia Elétrica

  • Secretaria Administrativa

Alex Negrini – Mestrado em Agricultura e Ambiente (Campus de Frederico Westphalen)
Bruna Surdi Alves – Residência Multiprofissional Integrada em Saúde Mental no Sistema Público de Saúde
Gabriella Eldereti Machado – Pós-Graduação em Educação Ambiental
Márcia Yane Girolometto Ribeiro – Residência Multiprofissional Integrada em Sistema Público de Saúde
Rafael Bilhan Freitas – Mestrado em Geografia

Da redação com informações da APG UFSM

O objetivo é estimular a criação de mecanismos que facilitem o reconhecimento de diplomas de universidades da América Latina e Caribe. A UNESCO entende que este é um passo importante para incentivar a cooperação global, a internacionalização de currículos, a mobilidade acadêmica e a preparação profissional

Representantes dos governos e de universidades de 18 países da América Latina e Caribe reuniram-se em Brasília, nesta quinta e sexta-feira (8 e 9), para tratar da revalidação de diplomas de ensino superior na região. O objetivo é estimular a criação de mecanismos que facilitem o reconhecimento de diplomas no subcontinente.

A Reunião Ministerial de Alto Nível para o Reconhecimento de Estudos, Títulos e Diplomas na América Latina e Caribe é promovida pelo Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe (IESALC), que pertence à Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), com o apoio do Ministério da Educação do Brasil.

A ideia é construir um acordo para modernizar a atual convenção da UNESCO sobre o tema, com vistas à aprovação de uma convenção global no futuro.O reconhecimento de diplomas na América Latina e Caribe é feito hoje diretamente pelas universidades e por meio de acordos bilaterais. Desde 1974, a Convenção Regional sobre o Reconhecimento de Estudos, Títulos e Diplomas de Ensino Superior na América Latina e Caribe da UNESCO estabelece normas gerais sobre o tema. Apenas 11 países latino-americanos e caribenhos assinam a convenção — Argentina, Brasil e Chile não estão entre eles.

A UNESCO entende que a revalidação de diplomas é um passo importante para incentivar a cooperação global, a internacionalização de currículos, a mobilidade acadêmica e a preparação profissional, com reflexos na melhoria da qualidade do ensino, na democratização do acesso à universidade e na formação de recursos humanos.

De acordo com o Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS), o número de universitários da América Latina e Caribe estudando fora do respectivo país de origem cresceu 81% entre 2000 e 2012, passando de 112 mil para 203 mil. Do total de universitários latino-americanos e caribenhos matriculados no exterior, somente cerca de 15% frequentavam faculdades na região. Em todo o mundo, aproximadamente 4 milhões de universitários estavam matriculados fora do seu país de origem, em 2012. Quase metade deles (47%) concentravam-se em cinco destinos: Estados Unidos (18%), Reino Unido (11%), França (7%), Austrália (6%) e Alemanha (5%).

Fonte: ONU

Uma das chamadas publicadas no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) nesta semana prevê R$ 2,5 milhões para propostas de divulgação científica sobre o tema luz, com foco no público infantil.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) iniciou nesta semana o lançamento de uma série de editais para a área de difusão e educação científica. O apoio soma R$ 8,7 milhões para a realização de atividades diversas, como olimpíadas científicas, feiras e mostras. Uma das três chamadas disponibilizadas no site da agência destina R$ 2,5 milhões para propostas que contemplem iniciativas de divulgação científica em torno da temática em torno do Ano Internacional da Luz, proclamado pela Organização das Nações Unidas para 2015.

A expectativa é que os projetos e eventos promovam a divulgação científica junto à sociedade brasileira, em universidades, instituições de pesquisa e ensino, museus, centros de ciência, planetários e outros espaços científico-culturais, fundações, entidades científicas e instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, atuantes em Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com o diretor de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Douglas Falcão, a ideia é estimular a realização de projetos tendo como público alvo crianças entre 4 e 10 anos de idade, com o objetivo de atrair o interesse da criançada pelo mundo científico desde cedo. “Estamos tentando focar desta vez um público que nem sempre é escolhido assim de uma maneira tão explícita. E essa faixa etária é fundamental. Estudos e pesquisa mostram que a divulgação e a interação com a ciência devem começar o mais cedo possível”, justifica Falcão.

Os projetos e eventos objeto do apoio poderão abranger as diversas áreas do conhecimento. As propostas aprovadas serão contratadas na modalidade de auxílio individual, em nome do coordenador/proponente. As propostas devem ser encaminhadas ao CNPq até o dia 19 de novembro, exclusivamente via internet, por intermédio do Formulário de Propostas Online, disponível na Plataforma Carlos Chagas.

A relação das propostas aprovadas com recursos financeiros da presente Chamada será divulgada na página eletrônica do CNPq, disponível no endereço da Internet, e publicada no Diário Oficial da União. Durante a fase de execução do projeto, toda e qualquer comunicação com o CNPq deverá ser feita por meio de correspondência eletrônica à Coordenação do Programa de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, pelo endereço  [email protected].

Parceria público privada

O edital para os projetos de divulgação científica do Ano Internacional da Luz é fruto da cooperação com o Instituto Tim, responsável pela destinação total dos recursos. Falcão comemora a participação do setor empresarial nesse tipo de ação. “O ano de 2015 está sendo de muita contenção orçamentária e esse edital é realmente um marco para a divulgação da ciência no Brasil e para a nossa política atual, pois mostra que a iniciativa privada pode colaborar e existem mecanismos para isso. Estamos abrindo um novo caminho”, avalia.

Fonte: MCTI

Expectativa da presidente da SBPC é de que Pansera dê continuidade aos projetos traçados e em andamento

O novo ministro da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), Celso Pansera, quer manter um canal aberto de diálogo com a comunidade científica e reafirmou o compromisso de dar continuidade a todas as agendas em andamento no Ministério, a fim de “viabilizar um novo ciclo de desenvolvimento, baseado na competitividade do setor produtivo e na sustentabilidade”.

As afirmações de Pansera ocorreram na cerimônia de transmissão de cargos, realizada na tarde desta quinta-feira, 08, na sede do CNPq, em Brasília. Ele sucede na pasta Aldo Rebelo, que agora é o titular do Ministério da Defesa.

“Nossa agenda baseia-se no diálogo com a sociedade, parlamentares, governadores, partidos, movimentos sociais e com quem faz e produz ciência e tecnologia”, disse. “O nosso foco será estimular a ciência básica, a criação de novas tecnologias e processos, inovação e sua incorporação nos processos produtivos formando mais e melhores cientistas”, complementou.

O novo ministro destacou que na véspera havia conversado com a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a biomédica Helena Nader, presente à mesa da cerimônia, e disse que a intenção é ter uma relação transparente e de debates com a comunidade científica, de olho no bem comum.

“Meu grande desafio pessoal será manter a alma aberta, o coração tranquilo e o espírito amigo”, declarou.

Pansera reconheceu o fato de ter assumido o Ministério em um contexto de um esforço “consciente” da presidente Dilma para ampliar a articulação política entre o Executivo e o Legislativo.

“Sou uma pessoa que, por característica pessoal, gosta de conversar e dialogar. Acredito que minha trajetória tem coerência com a missão que agora tenho a honra de assumir no MCTI”, declarou, ao traçar um breve histórico sobre sua trajetória pública e profissional.

Desafios em tempos de crise

Pansera também mencionou os desafios do País para o enfrentamento da crise política e econômica. “O Brasil passa por um grande desafio econômico e político, desafios esses que trazem implicações diretas para área de ciência, tecnologia e inovação”, disse. “Por um lado, isso sinaliza a redução da disponibilidade de recursos em curto prazo. Por outro, cria oportunidades para revisar métodos e processos, e continuar apoiando a pesquisa e o desenvolvimento para aumentar as oportunidades, melhorias e inovação de produtos, processos e tecnologias que incrementem os setores produtivos, levando ao crescimento e desenvolvimento sustentável do País”, refletiu.

Em seu discurso de entrega do cargo a Pansera, Aldo Rebelo prontificou-se a apoiar a transição de seu sucessor, e afirmou estar convicto de que ele “conduzirá e liderará a pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação correspondendo às mais elevadas expectativas do governo, da presidente Dilma, da sociedade brasileira, dos pesquisadores, dos cientistas e de toda a comunidade ligada à pesquisa, à ciência e ao esforço de inovação do nosso País”.

Projetos em andamento no MCTI

O ex-ministro aproveitou para falar de seu trabalho à frente da pasta de CT&I. Citou, por exemplo, os esforços para recompor o orçamento da pasta em um ano de forte ajuste fiscal; as medidas para recuperar os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a destinação de parte do Fundo Social do Pré-Sal, ainda não regulamentada, para ações de ciência, tecnologia e inovação. O ex-ministro explicitou que 50% da partilha ainda faltam ser distribuídos. E destacou a negociação de um empréstimo de US$ 2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para fomentar atividades do setor nos próximos anos.

Rebelo mencionou, ainda, a inclusão de três obras no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), o projeto Sirius e a mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Caetité (BA). A intenção, segundo ele, é adicionar outras duas obras, ainda não definidas.

“Eu não concebo ciência, tecnologia e inovação distante de aceleração do crescimento. Como se acelera crescimento sem ciência, sem pesquisa?”, questionou.

Expectativa da comunidade científica

A presidente da SBPC falou com a imprensa após a cerimônia e disse que a expectativa da comunidade cientifica é de que o novo ministro dê continuidade aos projetos em andamento. “Tivemos uma reunião na quarta-feira (07), como ele mesmo mencionou, muito franca e aberta. Reforcei que a ciência e a tecnologia são áreas estruturantes para um país, assim como a educação”, disse.

Helena Nader mencionou ainda que, na conversa que teve com Pansera, ressaltou ser contra o ajuste fiscal nas áreas de CT&I, igualmente na de educação, considerando que essas representam o futuro, e o contingenciamento de recursos nessas áreas estratégicas para o desenvolvimento de qualquer nação aborta qualquer perspectiva futura para um país melhor.

“A sociedade civil não aguenta mais ter de recomeçar. É importante que a prioridade seja dada aos projetos em andamento e nos horizontes já traçados”, contou.

Nesse contexto, reforçou ao ministro a necessidade de executar os projetos estabelecidos no Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável e a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015.

“Entendemos a troca de ministros, a presidente Dilma tem esse direito, porque foi eleita democraticamente, e nós, como sociedade civil, temos a obrigação de alertar que não dá mais para cada um ter uma grande ideia. É preciso ter um projeto nacional”, disse.

“A 4ª Conferência é um planejamento de 10 anos e, até agora, poucas coisas aconteceram. O novo ministro disse que vai dar segmento aos projetos já acordados com a presidente Dilma e isso nos deu uma certa tranquilidade”, disse.

Nader lembrou, ainda, que a SBPC colaborou com a criação do MCTI e disse que a comunidade científica se coloca a disposição de Pansera em tudo que for preciso para o bem do Brasil.

“Tenho certeza que haverá uma interlocução com o novo ministro e, assim, vamos poder caminhar para ter aquilo que sonhamos: uma ciência e tecnologia fortes que produzam e tragam impacto na inovação”, declarou.

Outras propostas da SBPC e ABC

Com posicionamento semelhante, o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, que também participou da cerimônia, demonstrou otimismo com o diálogo traçado com o novo ministro. “A expectativa é muito boa, porque as propostas da ABC e SBPC foram bem acolhidas e as ações estão sendo tomadas nessa direção; e este momento pode e deve ser um novo horizonte para ciência, tecnologia e inovação do País”, declarou.

Dentre uma lista significativa de propostas apresentadas a Pansera, Palis citou, por exemplo, a que defende o carimbo de uma parte dos recursos da extração do petróleo da camada pré-sal para CT&I; o descontingenciamento dos recursos dos fundos setoriais; e a abertura de empréstimos internacionais para ações de ciência, tecnologia e inovação.

“Esperamos que o conjunto de ações apresentadas coloque o Brasil em um novo patamar, no caminho de termos 2% do PIB investidos nessa área. Em tempos difíceis, como o atual, a melhor solução é investir em ciência, tecnologia e inovação, assim como já aconteceu em nações mais avançadas”, aconselhou.

O presidente da ABC comentou também que a troca de mais um ministro na pasta de CT&I não preocupa. “Creio que eles (Rebelo e Pansera) encontraram os caminhos. Acho que eles estão se entendendo muito bem e não vejo dificuldade nisso”, finalizou.

Fonte: Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência

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Frente de mobilização é lançada para combater ideias conservadoras, a austeridade e cobrar do governo as reformas estruturais para o país sair da crise

A Frente Nacional de Mobilização “Povo Sem Medo”, iniciativa de diversos movimentos sociais brasileiros, foi lançada no mesmo dia em que o mundo lembrava o assassinato do guerrilheiro revolucionário Che Guevara: 8 de outubro.

Trata-se de uma articulação ampla entre juventudes partidárias e de igrejas, movimentos estudantil, de negros, mulheres e sem-teto, além de centrais sindicais. Participam ANPG, UNE, UBES, CUT, CTB, MTST, Unegro,Intersindical e muitas outras entidades e organizações.

O ato de constituição da frente foi realizado no centro da capital São Paulo, em um auditório próximo ao metrô da Sé. Antes das falas e saudações, as centenas de presentes viram uma homenagem a Che Guevara, com trechos de poesia sobre a sua vida e a interpretação da famosa música Hasta Siempre (veja vídeo abaixo). Em 8 de Outubro de 1967, o líder revolucionário da esquerda foi capturado e morto pelo exército boliviano.

“Para nós da ANPG é um prazer muito grande estar aqui com todos esses movimentos. Hoje é uma data muito simbólica e eu vou começar minha fala citando uma frase do Che Guevara que diz assim: “Lutam melhor os que tem belos sonhos”. E eu sei que essa sala e as ruas desse país estão cheias de pessoas com belos sonhos. Porque existem várias formas de se mudar o nosso país e a nossa cidade. É importante perceber que nós não partimos do nada. Estamos aqui, sonhadores e sonhadoras, lutadores e lutadoras, herdamos a trajetória de luta do nosso povo, tanto e tantas outras que lutaram para mudar a trajetória do nosso país”, disse Tamara Naiz, presidenta da ANPG, durante o evento.

“Não dá para negar também que o nosso país mudou, é um país que tem 500 anos de desigualdade construída historicamente e reforçada. Não vai ser de uma hora pra outra que a gente vai mudar tudo que a gente precisa. Mas nesse momento, vivemos uma encruzilhada histórica, nesse momento os lutadores do povo vivem na defensiva, pois há uma ofensiva conservadora por parte da Direita, no Congresso Nacional. Há o ajuste fiscal imposto pelas elites e aplicado ao nosso povo, tirando direitos, e há uma ameaça golpista que quer cercear todas as nossas possibilidades de futuro. Dizemos não a todas essas ameaças conservadoras, à ameaça golpista, e ao ajuste fiscal”, acrescentou.

Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto, lembrou que a frente não é resultado só daquele dia, mas vem de várias mobilizações nas ruas do país contra os avanços das ideias conservadoras de uma direita que quer colocar na ordem do dia pautas como a redução da maioridade penal, o estatuto da família e a terceirização.

“Diferente da direita”, ele destacou a diversidade daquele ato: “Nesse momento em que os movimentos sociais e o povo brasileiro se levantam, a decisão é de levar de forma intransigente para as ruas as nossas contraofensivas ao avanço conservador, que não passará no nosso país, e às políticas de austeridade”, destacou.

“A saída tem que ser pelos debaixo, uma saída com a cara do povo, em uma frente onde tem negro, nordestino, mulheres, gays, lésbicas, onde tem a diversidade do povo brasileiro. Construir um novo ciclo de mobilização por reforma populares e pela esquerda”, destacou o representante do MTST.

LAERTE SEM MEDO

A cartunista Laerte foi uma das personalidades presentes. Em uma rápida saudação aos presentes, ela observou que estava ali tinha uma grande diversidade e afirmou estar feliz de poder participar do lançamento da frente.

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“Me sinto sem medo”, disse. “Espero que a ausência do medo nos leve à lucidez e que isso seja capa de fazer a gente enfrentar o ódio”, completou, fazendo referência aos vários casos de intolerância que tem tomado conta da sociedade nos últimos meses.

Outros artistas que não puderam comparecer enviaram o seu de apoio. Uma mensagem do escritor escritor Frei Beto foi lida durante o ato. Também mandaram um salve para a frente o ator Gregório Duvivier, os músicos Tico Santa Cruz e Karina Buhr, o escritor Ferréz, os jornalistas Leonardo Sakamoto e Juca Kfouri e a psicanalista Maria Rita Kehl.

ESTUDANTE ESTUDANTIS

A presidenta da União Nacional dos Estudante, Carina Vitral, lembrou o Che Guevara, o comandante de sonhos, da rebelião e da revolução. “E é na diversidade do nosso povo e das nossas organizações que a gente compõe essa frente para nos somarmos em nossos sonhos e nas nossas lutas”, disse.

Carina criticou a onda conservadora do Congresso Nacional, “em sua maioria eleitos pelos financiadores de campanha”, e que quer aprovar a terceirização, a redução da maioridade penal e o estatuto da família. “A saída é uma reforma política com o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais”, apontou.

“Contra a direita e por mais direitos. Essa segue sendo a nossa insígnia”, finalizou.

A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Bárbara Melo, foi dura ao dizer que a solução para a crise “não é colocar no ombro da juventude e dos trabalhadores”.

Bárbara destacou que a frente já tem um histórico de lutas. “Estamos aqui para aprofundar mudanças. É muito importante termos unidade”, disse. “A UBES vai ocupar cada vez mais as escolas e universidades, o MTST vai lutar cada vez mais por moradia digna, a CTB e a CUT vai defender cada vez mais os direitos dos trabalhadores”, convocou.

PRÓXIMAS AÇÕES
Os primeiros atos da “Frente Povo Sem Medo” serão dia 8 de novembro. Estão previstas manifestações em várias cidades. Em São Paulo, deverá ser na Avenida Paulista, que tem sido o local de referência para os grupos conservadores realizarem protestos por impeachment, pela volta da ditadura e contra os programas sociais.

A Frente pretende ainda pressionar o Congresso Nacional e o governo federal para avançar em reformas, como a do sistema político, do Judiciário, das comunicações, a tributária, a urbana e a agrária.

Frente de mobilização é lançada para combater ideias conservadoras, a austeridade e cobrar do governo as reformas estruturais para o país sair da crise.

Da redação com informações da UNE

Em palestra de encerramento da XI Jornada de Iniciação Científica e V Mostra de Extensão da Universidade Presbiteriana Mackenzie, nesta manhã (09 de outubro), Helena Nader enfatizou também a luta constante da ciência brasileira e a necessária continuidade na política de expansão do sistema de ensino de pós-graduação nacional

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, relatou diversos desafios da ciência brasileira durante sua palestra “Agenda positiva para o financiamento da pesquisa e da pós-graduação no Brasil”, durante o encerramento, nesta sexta-feira (9), da XI Jornada de Iniciação Científica, a V Mostra de Iniciação em Tecnologia e Inovação e V Mostra de Extensão da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

Os três eventos simultâneos, que começaram na quarta-feira (7), buscam incentivar a pesquisa e a extensão na Universidade e divulgar os trabalhos já realizados, com sessões de comunicação oral e apresentação das pesquisas. Os eventos foram promovidos pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, via Coordenadoria de Pesquisa, e pela Pró-Reitoria de Extensão e Educação Continuada.

Na apresentação da palestra desta sexta-feira, o reitor da Universidade, Benedito Guimarães Aguiar Neto, agradeceu a presença de Helena Nader e ressaltou a importância da SBPC, que este ano completa 67 anos. “A história mostra que a SBPC tem um papel importante na ciência brasileira, inclusive durante a criação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)  e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O importante é que ela continua sendo muito respeitada pelo trabalho que executa”, disse ao lembrar que o Mackenzie quer caminhar junto com a instituição em prol do crescimento da ciência e tecnologia brasileira.

Palestra

Em sua apresentação, Nader falou sobre a trajetória da ciência nacional e ressaltou sua importância para a sociedade. “O Brasil só vai mudar com muita educação e ciência. É preciso ampliar essa visão e mostrar que a ciência tem que estar eticamente inserida na sociedade”, disse lembrando que é preciso lutar para que os investimentos não cessem.

Ela também lembrou que parte dos avanços no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil foram graças aos investimentos do governo, mas que parte deles estão ameaçados, como por exemplo, a diminuição dos recursos destinados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). “Infelizmente é uma luta constante. Os financiamentos vivem ameaçados”, lamentou.

A presidente da Sociedade citou números do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) que mostram que o Brasil melhorou, mas que ainda tem muito que avançar. Ao se comparar o desempenho brasileiro em leitura, matemática e ciências com os países do topo da lista, o Brasil está significativamente abaixo da média.

Conforme também observou, os jornais costumam menosprezar a ciência brasileira, mas o País tem bons exemplos de sucesso, como a Petrobras e a Embraer. “A Embraer surgiu no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Hoje ela é uma empresa privada, combinando o conhecimento tecnológico e industrial com uma cultura empreendedora, e é uma das principais fabricantes mundiais de aeronaves comerciais e executivas, com forte e crescente atuação em defesa e segurança”, disse.

Quanto à Petrobras, ela citou o sucesso da perfuração de poço direcional de 85º. “A adoção dessa técnica, em substituição à perfuração de poços verticais, proporciona maior contato do poço com o reservatório e, consequentemente, o aumento de produção com menor número de poços produtores”, explicou.

Ainda que as conquistas mereçam destaque, os diversos desafios para que a ciência brasileira avance são considerados prioridade neste momento. “Apesar de grandes esforços realizados no sentido de promover avanços em programas de pós-graduação nos últimos 30 anos, há uma evidente distorção entre regiões brasileiras, o que mostra a necessidade de uma política de longo prazo, a fim de se corrigir este problema”.

Nader também acredita que a continuidade na política de expansão do sistema de ensino de pós-graduação nacional, como duplicar, em cinco anos, o número de professores de física e química; e em 10 anos, o número de cursos de graduação em engenharia, física, química e nas áreas de farmacologia e drogas. E enfatizou, ainda, a necessidade de uma política forte para melhorar a qualidade de engenharia e ciências exatas.

O evento

Quanto ao evento, ela salientou que uma universidade que tem um projeto de iniciação científica demonstra sua aposta no futuro da nação. “Eu estou muito satisfeita de ver o crescimento do programa de pós-graduação nesta instituição, com diversos programas, muitos deles reconhecidos nacionalmente”, afirmou. E completou, “para você motivar o aluno para a carreira científica, a iniciação é fundamental,  porque a pós-graduação, para quem já fez uma iniciação, é quase uma consequência”.

A presidente da SBPC ressaltou também que gosta de estar próxima aos estudantes de graduação. “Eu gosto de aliciar jovens para a carreira de ciência, porque nela somos nós quem decidimos o que pesquisar, como pesquisar. Você executa as suas próprias ideias. Eu até hoje continuo dando aula na graduação porque a gente consegue entusiasmar os jovens”, finalizou.

Fonte: Vivian Costa/Jornal da Ciência