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Evento reunirá 100 cientistas de excelência de todo Brasil

 A Academia Brasileira de Ciências está promovendo uma reunião com 100 cientistas de excelência de todo o Brasil, de todas as áreas da ciência: o 2º Encontro Nacional de Membros Afiliados da ABC. O evento será realizado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI), em Petrópolis, no Rio de Janeiro, de 28 a 30 de agosto de 2013 – semana que vem!
 
Três dias de evento, três temas de destaque


Os jovens cientistas e seus convidados seniores debaterão a " Internacionalização da Ciência Brasileira", no dia 28/8, 4ª feira; "Integridade Científica", no dia 29, 5ª feira; e "Desenvolvimento de CT&I na Amazônia", no dia 30, 6ª feira, quando haverá uma plenária final em que os resultados dos debates serão apresentados para um grupo de convidados, gestores e autoridades da área de CT&I de todo o país.
 
Dinâmica


O formato escolhido é de pequenas apresentações dos provocadores especialistas nos temas de cada dia, seguidas por reuniões em grupos menores em que todos darão suas contribuições e aprofundarão o debate. O relatório será levado novamente para a plenária, até se chegar a um grupo satisfatório de tópicos para a plenária final.
 
Objetivo


O evento pretende discutir propostas para que o Brasil supere os desafios relacionados ao avanço da ciência, tecnologia e inovação em todas as áreas do conhecimento. Este foco foi escolhido por a ABC ser um espaço privilegiado de discussão sobre política científica, por ser capaz de reunir atores tão diversos e significativos.
 
Confira a programação completa.
 
(Assessoria de Comunicação da ABC)


(Jornal da Ciência)



Atualizada no dia 21/08/13

Contemplando o tema “A pós-graduação brasileira e os direitos dos pós-graduandos”, a Associação Nacional de Pós-Graduandos convoca o seu 39° Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP). O evento será realizado na cidade de Ouro Preto (MG) – Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) – entre os dias 25 e 27 de Outubro, e debaterá o papel dos pós-graduandos na pesquisa nacional, bem como discutirá sobre os seus direitos . O objetivo do encontro é aprovar eixos para a criação de um Estatuto de Direitos dos pós-graduandos. 

Clique aqui para ver o folder do evento.


Aprovaremos, também, mudanças no Estatuto da ANPG, e convocaremos o nosso 24° Congresso. Não deixe de participar!

Qualquer dúvida, envie e-mail para [email protected] 

 
 
 
Alterada no dia 21/08/13
Publicada originalmente no dia 01/08/13

 


Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A partir deste mês, os bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que obtiveram avaliação positiva terão progressões de nível terão progressão de nível. A análise considerou os currículos Lattes de todos os bolsistas de Pesquisa em Produtividade do CNPq, identificando aqueles com potencial para a progressão.
 
De acordo com o CNPq, dos 1.738 bolsistas bem avaliados, 908 passarão do nível 2 para o nível 1. Com a progressão, os pesquisadores terão um aumento no valor da bolsa. No nível 2, o pesquisador recebe mensalmente R$ 1.100. Na etapa seguinte, o valor varia de R$ 1.200 a R$ 1.500. Com a progressão, além da bolsa, o pesquisador pode receber até R$ 1.300 por Adicional de Bancada para o pagamento de despesas relacionadas ao projeto de pesquisa.
 
Entre os requisitos da bolsa está o título de doutor ou perfil científico equivalente; ser brasileiro ou estrangeiro com situação regular no país; dedicar-se às atividades constantes de seu pedido de bolsa. Aposentados também podem concorrer à bolsa, desde que mantenham atividades acadêmico-científicas oficialmente vinculadas com instituições de pesquisa e ensino.
 
As bolsas têm duração de 36 a 60 meses, de acordo com o enquadramento do pesquisador. As progressões de nível são avaliadas a cada três anos pelos comitês de Assessoramento (CAS) da instituição.
 
Edição: Fábio Massalli

(Agência Brasil) 

 
Por Leandro Peña-Salvático

 
Guardado o devido respeito aos trabalhos publicados por José Goldemberg na área de energia, as recentes publicações dele no Jornal “O Estado de São Paulo” ("Universidade e Meritocracia" e "Cotas – Todos perdem, ninguém ganha") merecem uma análise cuidadosa para descontruir argumentos erroneamente apresentados e informações manipuladas ou inventadas pelo autor.
 
É alarmante ver um Ex-Reitor da maior Universidade do Brasil defender ideias extremamente atrasadas e criticar todas as pautas de todos os movimentos sociais que lutam pela democratização da USP e do Brasil, ao posicionar-se contra:  as Cotas e as Eleições Diretas para Reitor na USP;  a vindo de médicos estrangeiros para suprir a demanda e até o voto universal na forma de Plebiscito para decidir os rumos do país.
 
Ele só não é contra a corrupção recentemente desmascarada no Governo Paulista, governo este que ele fez parte em cargo comissionado (como Secretário) e que o indicou para o cargo de Reitor na USP que ocupou. Talvez ele tenha apenas "esquecido de falar disso". Não julguemos-o! 
 
Passada a fase de “apresentação”,vou desconstruir seu argumento Anti-Cotas.
 
Não bastasse o artigo “Cotas – Todos perdem, ninguém ganha”, escrito pelo autor há alguns meses no mesmo Jornal, ele volta no assunto neste artigo com argumentos falaciosos e, se eu não soubesse que ele é um leigo no tema “Inclusão Social” (baseado no fato que ele nada fez com o tema enquanto ocupou o cargo de Reitor e tampouco artigo na área) eu pensaria que ele usou de má-fé ao dizer que “no curto e no médio prazos [as Cotas] tendem a baixar o nível das universidades”, pois existem diversos estudos apontando exatamente o contrário.
 
Os cotistas, para quem não sabe, têm desempenho igual e às vezes até superior aos não-cotistas e ainda possuem uma menor taxa de evasão, o que diminui o “investimento-por-aluno-formado” do sistema educacional, afinal, quando um aluno deixa a Universidade, todos perdemos, e é (também) por isso que aos cotistas melhor se aplicaria a frase “Cotas – Ninguém perde, todos ganham”. 
 
O bom desempenho dos cotistas no decorrer do seu curso universitário desmascara um conceito defasado e que o autor usa de forma errônea e com exemplos frustrantes(ou hilários – avalie você mesmo), com o de Napoleão Bonaparte, homem-branco-europeu que tornou-se um Grande Ditador, com Mérito. Talvez, o meio de medir o “mérito de Napoleão” (não citado pelo autor) tenha sido o número de cabeças cortadas pelo Ditador Merecedor, cujo maior mérito na vida, na minha sincera opinião, foi ser expulso derrotado da pequena ilha do Haiti, na 1ª Revolução Escrava da história da humanidade. Napoleão, sim, mereceu aquela derrota!
 
Para piorar a estratégia argumentativa, o autor erra ao afirmar que as Cotas Sociais e Raciais implementadas pelo Governo Federal, pela Leinº 12.711/2012 “estabelecem um novo tipo de discriminação: contra o branco pobre (em relação ao negro pobre) e contra o pobre (branco ou negro)”, mas não fala o modelo aprovado. Este absurdo jamais passaria num peer-review.
 
Trata-se de manipulação de informação, pois as Cotas aprovadas incidem 50% das vagas de cada curso, turno e sala de aula oferecidos, que passam a ser destinadas a estudantes oriundos de escolas públicas ou que estudaram com bolsa em escola privada, com renda per capta familiar inferior a 2,5 salários mínimos e respeitando o percentual de negros e indígenas no Estado onde a Universidade está instalada. 
 
Hoje na USP,apenas 25% das vagas são ocupadas por alunos oriundos de escola pública e não há recorte de renda nem tampouco divulgação desta informação e apenas 12% dos alunos são negros (pretos ou pardos), sendo que esse número cai a níveis inferiores a 1% na Engenharia, Medicina e outros “cursos de elite”. O cenário atual é a ocupação das vagas na USP por pessoas brancas de alto poder aquisitivo.
 
Para mudar a realidade atual e futura, as Cotas beneficiam negros E brancos, para que TODOS pobres possam ter acesso à Educação que eles pagam por ela, uma vez que as classes dominantes pagam menos impostos em termos absolutos. Defender a manutenção do status-quo de acesso é defender a concentração do conhecimento e,em última instância, a concentração do poder nas mãos da classe dominante. 
 
Pela manutenção do poder, ao longo da história, já se mentiu muito! Ainda se mente bastante.
 
Perguntemos ao autor, quantos PROF.s NEGROS/AS têm no Instituto de Energia e Ambiente da USP? 
A resposta é ZERO, não há… mas tudo bem, não é? Afinal, quem tem mérito de verdade é o Napoleão Bonaparte e não os filhos da classe trabalhadora que sustentam este país.  Berço-de-ouro é “mérito”, bom desempenho não!
 
Enegrecendo o conceito de mérito, como declarou o Ministro do STF Ricardo Lewandówisk no seu voto pela Constitucionalidade das Cotas, ele só pode ser medido quando se oferece condições iguais de preparação aos envolvidos, o que não é o caso da preparação para vestibulares, onde as populações envolvidas não possuem condições matérias nem sociais de competirem pé de igualdade e no Brasil ainda têm o agravante da herança histórica da escravidão, que trouxe com ela a exclusão e, até o momento, um racismo cruel e desmotivador.
 
Ao se apropriar da frase de Karl Marx, intencionalmente ou não, o autor manipula o sentido desta para fazer-nos crer que a frase "cada um daria de acordo com suas habilidades e cada um receberia de acordo com suas necessidades" justifica manter ou até aumentar a exclusão racial da Academia brasileira, onde menos de 10% dos professores são negros e o percentual de alunos nunca se iguala ao percentual da composição desta raça no Estado.
 
Ou será que o que ele queria dizer era que “pretos e pobres não necessitam e/ou não tem habilidades para estudar”, e se tiver (mesmo que muitas), que paguem por isso! Afinal, o governo tucano que ele fez parte quintuplicou as vagas no ensino superior privado, enquanto sucateava sistematicamente as Universidades e empresas públicas, pré-privatização.
 
Aristocracia, diferente do que supõe o autor que seja, se assemelha ao que temos na USP hoje, onde 100% dos Professores membros do Conselho que gere a Universidade (Diretores de Deptos) é formado por pessoas brancas, majoritariamente homens e que se acham tão “merecedores de estarem ali” que se fazem de cegos frente à dados científicos que mostram que os cotistas têm mérito, pois têm um melhor aproveitamento do curso, e pensam que sabem votar melhor que o povo (que é burro e sem mérito). 
 
O deslize conceitual do autor caracteriza-se como um des-serviço à academia e, principalmente, à população brasileira, mas a luta do povo negro não cessará nem pelo Direito à Educação e nem pelo Direito à Vida, em meio ao genocídio que nos assola.
 
Por democracia no acesso à Universidade e na escolha do próximo Reitor… lutaremos!
 
#COTAS RACIAIS NA USP JÁ!
 
#DIRETAS PARA REITOR DA USP JÁ!

Por Phillipe Pessoa (IQ-USP)

 

Agora que vocês revisitaram os textos e ações públicas acerca da ‘Profissionalização do Cientista’ podemos partir para uma análise crítica. Nesse texto, vou explorar alguns aspectos da proposta e da linha de argumentação utilizada pela professora Suzana Herculano-Houzel, grande promotora da ideia, no âmbito político formal. Antes de qualquer coisa, reitero que esse artigo reflete a opinião pessoal do autor e não do Instituto de Química (IQ), tampouco da Representação Discente da Pós Graduação (RDPG) do IQ. Sintam-se a vontade para discordar e debater – aliás, esse é o objetivo desse texto.

Começo por fazer duas importantes ressalvas sobre o assunto: 1. Eu compreendo e compartilho da preocupação de Suzana e muitos outros colegas sobre a falta de reconhecimento social sobre os trabalhos de pesquisa e os profissionais da academia. A pouca familiaridade da população com a realidade da ciência, dentro e fora do Brasil, é refletida em perguntas desconfortantes ao jovem que opta pela pesquisa: “quando começa a trabalhar?”, “você só estuda?” e por aí segue. O abismo é tão grande que Suzana, em seus textos e palestras, refere-se ao universo externo à academia como “mundo real”. Aliás, aproveito para fazer uma primeira crítica: usar como ferramenta retórica um distanciamento entre academia e sociedade é uma atitude pouco responsável para um comunicador que preza pela valorização da ciência. Pode ajudar a fazer-se entendido dentro do meio acadêmico, mas reforça, para a sociedade, um estereótipo nós/eles que mantém o universo acadêmico invisível (escreverei sobre, em breve).

2. Quando vamos falar de nossas profissões (isso vale para qualquer categoria) é muito comum a vitimização e uma descrição dramática de nossa condição. É um comportamento social comum, que resulta de uma visão pessimista e egoísta – incomoda-me. Portanto, sugiro uma breve reflexão sobre a condição social do cientista. Somos uma classe privilegiada, pode ser que a remuneração do cientista, principalmente ao longo de nosso treinamento, não seja a melhor ou mais justa, mas nossa realidade é muito mais confortável do que grande parte da sociedade, grande parte que possui, inclusive, a abençoada assinatura no livrinho azul. Se você não entende como pode ser privilegiado, deixo uma postagem mais antiga na qual reconheço os privilégios dentro de minha própria história escolar – a discussão nessa, em particular, foi bem rica.

 

Agora vamos à análise da proposta e da linha de argumentação da professora. Devo aqui confessar que não vejo com animação o conteúdo (a proposta) e a forma (linha de argumentação e ações públicas) com que o tema vem sendo tratado. O estranhamento poderia ser simplesmente pelo fato de que a mobilização vem sendo realizada por alguém que já ocupa uma posição confortável na academia (docência na universidade pública) e na ciência (a área de neurociências é particularmente forte, hoje). Outro estranhamento advém do caminho escolhido pela professora para efetivar a mudança desejada. Por mais que a esfera política formal seja a instância onde alterações legislativas sejam possíveis, parece-me que a proposta pulou etapas, por não ter sido amplamente debatida dentro das universidades, pelos principais afetados por essas proposições. Entretanto, constato alguns problemas mais sérios, que precisam ser descontruídos. Abordo-os a seguir.

 

Em sua palestra, Herculano diz que o regime de trabalho nos laboratórios das universidades é ilegal e que auditores do trabalho fechariam todos os laboratórios de pesquisa se houvesse denúncia ao ministério público do trabalho por qualquer cidadão comum. Há controvérsias. Copio um amigo, advogado, sobre o assunto: “Trata-se de um assunto um pouco complexo para ser tão objetivo e simplista. Todavia o direito se baseia em interpretações e em última instância culminam em decisões políticas. Nesse sentido vem se posicionando o nosso STF (Supremo Tribunal Federal) onde as decisões tomadas lá mostram cada vez mais a influência política das decisões. No que diz respeito às primeiras instâncias da justiça, verificamos uma decisão em bloco e cada vez mais “industrializada”, onde os magistrados sequer leem a petição inicial e decidem por assunto, cabendo aos funcionários dos cartórios judiciais elaborarem as sentenças e os despachos. Nessa toada, tem-se que o posicionamento adotado pela Suzana pode ser plausível (preciso ver mais a fundo como ela se fundamenta) uma vez que os pós-graduandos trabalham em regime integral, sem férias, décimo terceiro salário e etc. Contudo, hoje temos um contrato que delimita as regras dos bolsistas, regulamentados por instituições de fomento e com interveniência das universidades. Ademais, não devemos nos esquecer de que muitos juízes são professores na universidade e também tem seus bolsistas vinculados a eles, razão pela qual não vislumbro um cenário de fechamento por uma auditoria do ministério público do trabalho.” Ou seja, o pós-graduando possui ambos matrícula junto à universidade e termo de outorga frente às agências de fomento, sendo no mínimo surreal o anúncio terrorista de ilegalidade dos laboratórios nas universidades.

Outro problema é o modo como Suzana expõe o quadro da não profissionalização, que dá a entender que nós, pós-graduandos, não temos direitos e deveres. Oras, novamente, lembro-os que existem termo de outorga e regimento da pós-graduação. Recebemos uma bolsa de pesquisa mensal que nos permite viver e, em contrapartida, executar o projeto de pesquisa proposto. Dizer que a profissionalização teria como consequência o estabelecimento de direitos e deveres trabalhistas é desconsiderar a pré-existência deles. Assim, a proposta de profissionalização do cientista teria como consequência real a adequação de direitos e deveres à lei trabalhista brasileira, ou seja, à CLT. (Aliás, sobre aposentadoria, especificamente, não é verdade que o tempo em que somos somente bolsistas não conte como tempo de serviço. Umprojeto de emenda que poderia facilitar isso já foi discutido, porém arquivado.)

É verdade que hoje alguns dos direitos previstos na legislação trabalhista não estejam contemplados em nossos contratos com universidade e agências de fomento, mas a profissionalização não é o único modo de garantir que esses direitos existam, ou seja, podemos conseguir a ampliação dos direitos dos pós-graduandos. Assim, regulamentar férias, coibir jornadas de trabalho abusivas, coibir o assédio moral, garantir assistência médica, psicológica e odontológica são todas pautas justas que podem ser conseguidas e cuja implementação independe da criação de um cargo de cientista dentro das universidades.

Após a análise da apresentação do problema, podemos partir para a proposta em si. A profissionalização do cientista defendida por Suzana sugere a criação do cargo de cientista nas universidades, a ser ocupado por graduados, de qualquer área. Além disso, defende que o financiamento dos salários e encargos sociais dos novos profissionais venha daquele recurso destinado ao pagamento das bolsas de pesquisa. A consequente redução da formação de mestres e doutores no país seria, segundo a neurocientista, uma das vantagens, uma vez que a pós-graduação – em particular o doutorado – passaria a ser valorizada. Dois aspectos precisam ser considerados.

O primeiro diz respeito à finalidade da pós-graduação e à própria definição de cientista. Se enxergarmos o cientista como categoria profissional, eu me pergunto se a graduação oferece preparo para o exercício pleno da profissão. A pós-graduação, hoje, é compreendida como um período de capacitação e treinamento em ciência. Temos, ao longo da graduação, programas de iniciação científica, mas nem todos os alunos passam pelo programa e não existem garantias sobre a eficácia desses programas em formar o cientista. Além disso, a formação durante a graduação segue, majoritariamente, um modelo de aprendizagem tradicional, passivo, que não estimula o desenvolvimento de habilidades essenciais ao cientista. Assim, se a pós-graduação, que passaria a existir somente para os mais bem sucedidos – como especialização do cientista profissional -, é fundamental para o amadurecimento científico a profissionalização contribui mais para o processo de alienação do trabalho nas universidades do que para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais da academia.

O segundo aspecto é sobre a suposta valorização da pós-graduação a partir da restrição do acesso à mesma. Essa linha de argumentação é frequente entre os contrários à expansão do ensino superior ou de vagas para cursos específicos, como medicina, em 2012. Contudo, a expansão, em si, não causa desvalorização e nem compromete a qualidade e sim uma alocação insuficiente de recursos, financeiros e humanos, para sua implantação. Além disso, a desvalorização de um profissional é resultado de vários outros aspectos culturais, indo muito além da ausência de regulamentação e contrato por carteira assinada. Não vejo problemas em conceber o cientista como um profissional liberal, assim como artistas plásticos, escritores, músicos, advogados ou médicos. Embora muitos desses estejam regulamentados e alguns sejam empregados, o cientista produz algo, ciência, cuja atribuição de valor é artificial e que deve estar disponível para toda a sociedade. Musicistas passam boa parte da vida trabalhando sem carteira assinada e não me parece que profissionalizá-los e dar-lhes emprego precarizado (contrato de trabalho flexibilizado, junto a fundações e não à universidade) solucione seus anseios enquanto classe produtiva.

Assim, embora a inexistência de uma categoria profissional para o cientista seja, a priori, frustrante para a classe, o projeto visionado por Suzana engloba outros aspectos. A proposta criaria uma categoria fraca, já desgastada pela precarização, em prol de uma ambiciosa maior agilidade da produção científica. Nesses termos, o enfoque da profissionalização prometida parece ser a maior autonomia e agilidade para pesquisadores seniors e não a melhoria das condições de trabalho dos pós-graduandos. Nesse contexto, a criação de projetos de lei que expandam, divulguem e garantam os direitos dos pós-graduandos configuram proposições mais maduras e pragmáticas, que apontam na direção de valorização do pós-graduando e da pesquisa brasileira.

Publicado originalmente aqui 

Convido-os a ler outras análises sobre o tema:
“Você quer mesmo ser cientista?” Uma reflexão sobre a pós graduação e profissionalização da ciência Patricia Bado (mestranda neurociência cognitiva – UFRJ) e Douglas Engelke (doutorando neurociências – UNIFESP).
Cientista como profissão e técnicos de nível superior nas universidades federais – Gustavo Biscaia de Lacerda – doutorando em sociologia pela UFSC, no Jornal da Ciência.
Profissionalização do cientista: um presente de grego Luana Bonone e Roberto Nunes Jr – Presidenta e Diretor de Comunicação da ANPG, respectivamente.
Criação da profissão de cientista: remédio ou veneno? Roberto Nunes Jr e Hercília Melo – Diretor de Comunicação e Diretora de CTI da ANPG, respectivamente.
Melhorar a ciência brasileira: acabar com bolsistas e criar o cargo de pesquisador? Gene Repórter
Especulando: Regulamentação da profissão de cientista = valorização do trabalho? Gene Repórter

 
Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
 
Brasília – Pesquisadores brasileiros com nível de doutorado podem acompanhar por, pelo menos um ano, projetos de desenvolvimento e pesquisa de medicamentos em três centros especializados no exterior: Cambridge, nos Estados Unidos, Paris, na França, e Frankfurt, na Alemanha. O estágio é oferecido pelo grupo farmacêutico francês Sanofi em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior (Capes). As inscrições estão abertas e podem ser feitas pela internet até o dia 26.
 
O intercâmbio será feito pelo Programa Ciência sem Fronteiras (CsF). A parceria da Capes com a Sanofi foi firmada em março deste ano. Para este processo seletivo, serão oferecidas oito bolsas, todas para estágio no nível de pós-doutorado na área de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos sintéticos e biológicos, e com foco na inovação tecnológica. Confira o edital. 
 
Após a análise dos candidatos, o resultado será divulgado até 10 de setembro e os estágios no exterior terão início em outubro. Os selecionados receberão os auxílio saúde, instalação e deslocamento, além de bolsa de um ano, que pode ser renovada por mais 12 meses. 
 
O Ciência sem Fronteiras visa a promover a mobilidade internacional de alunos e pesquisadores e incentivar a visita de jovens pesquisadores qualificados e professores experientes ao Brasil. As áreas prioritárias são: ciências exatas (matemática e química), engenharias, tecnologias e ciências da saúde. O programa mantém parcerias em 35 países. Segundo o último balanço do programa, foram concedidas 43.609 bolsas em todas as modalidades do CsF.
 
Edição: Nádia Franco
 
 


Em entrevista para o Globo Universidade, presidente da SBPC reforça importância de investimentos em educação
 

Quando o assunto envolve o crescimento econômico brasileiro, Helena Nader é categórica: "Se o Brasil quer entrar para o grupo dos grandes tem que investir em ciência, tecnologia de ponta e inovação". Em entrevista exclusiva ao Globo Universidade, a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) reflete sobre os entraves do desenvolvimento científico no país e conta como a SBPC tem militado por mais investimentos na área. "O que a SBPC sempre pautou, desde o início das discussões sobre o pré-sal, foi que os recursos obtidos a partir deste bem finito, que só foi descoberto porque o Brasil investiu em educação e em ciência, deveria ser revertido em mais educação e ciência", ressalta a professora. Helena destacou, ainda, que um dos principais desafios do Brasil é a garantia da educação de qualidade. "A faculdade brasileira é terminal. O nosso estudante universitário não entra na faculdade para ganhar conhecimentos, ele entra para conquistar uma profissão, para ser biólogo, médico, engenheiro".
 
Helena Bonciani Nader é Bacharel em Ciências Biológicas – modalidade médica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Bióloga pela Universidade de São Paulo (USP). Possui doutorado em Biologia Molecular pela Unifesp e pós-doutorado na University of Southern Califórnia. Atualmente é professora titular da Unifesp e membro da Academia de Ciências de São Paulo e Academia Brasileira de Ciências.
 
Globo Universidade – Como presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), você poderia comentar quais os principais temas da agenda brasileira em relação às ciências para os próximos anos? Qual a contribuição da SBPC para a concretização desses projetos?
Helena Nader – Como a maioria dos temas da agenda ainda estão em discussão, eu vou dar alguns exemplos de projetos recentes que estão em processo de implementação e que contaram com a participação efetiva da SBPC tanto na proposta e execução do plano, como na implementação.
 
O mais expressivo deles é voltado para o mar brasileiro e envolve o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias (Inpoh). Este projeto busca discutir o mar sob diferentes ângulos: desde a biodiversidade, passando pelas populações que dependem dos insumos que vêm do mar, até o petróleo e o pré-sal. Foi quando nós começamos a discutir sobre isso que percebemos que conhecíamos muito pouco do mar brasileiro, sendo que se você considerar a nossa costa, ela dá uma Amazônia, é um pouquinho maior até. Então, para suprir as necessidades do mar brasileiro, serão implantados institutos com focos específicos do sul ao norte da nossa costa. E para gerenciar esses institutos haverá uma organização social, que funcionará como uma instituição virtual. Dessa forma, aos poucos vamos compreender como o Brasil deverá agir em relação à biodiversidade, ao petróleo e até em relação à defesa, porque o pré-sal, por exemplo, não está colado na costa brasileira, está bem mais distante. Então o tipo de ciência desenvolvido neste projeto vai envolver todas as áreas do conhecimento. Esse é um grande desafio da ciência brasileira para os próximos anos.
 
Outro tema que também foi discutido sobre o Brasil no âmbito da SBPC e que está tendo um grande impacto é a linha de luz síncrotron. O que é essa luz? Esse tipo de luz possui um comprimento de onda variável, além de ter grande intensidade e alto brilho, o que é fundamental para a obtenção de imagens em alta resolução. Atualmente, nós temos uma linha que fica localizada em Campinas (SP), no antigo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Essa linha foi, durante muitos anos, pioneira no hemisfério sul do planeta. Hoje já existem no hemisfério sul linhas muito melhores e mais modernas do que a nossa, que está superlotada. Além disso, a faixa de energia na qual ela trabalha está ultrapassada. Junto com outras sociedades, a SBPC já conseguiu aprovar os recursos para a construção de uma nova linha, que também ficará em Campinas, e que nós esperamos que esteja pronta entre quatro e cinco anos. O Centro Diamond, na Inglaterra, possui uma linha excepcional, muito parecida com a que nós vamos construir aqui no Brasil. Foi o Comitê Nacional que analisou o projeto brasileiro e pediu para fazer algumas mudanças de forma que a nossa linha ficasse com um diferencial ainda superior ao da Inglaterra. A linha do Brasil vai se chamar Sibius, assim como a constelação, como uma analogia ao brilho intenso que ela vai ter. A construção dessa linha, portanto, vai envolver muita inovação que será criada pelo Brasil. Então esse projeto vai gerar um grande impacto na ciência brasileira.
 
GU – Em entrevista, você já afirmou que para o Brasil ter inovação é preciso investir simultaneamente em toda uma cadeia de processos que envolve educação, ciência e tecnologia. Como esta cadeia deve funcionar? Quem é o responsável por viabilizar esta cadeia?
HN – O que a SBPC sempre pautou, desde o início das discussões sobre o pré-sal, foi que os recursos obtidos a partir deste bem finito, que só foi descoberto porque o Brasil investiu em educação e em ciência, deveria ser revertido em mais educação e ciência. A decisão ainda vai ser votada, mas, infelizmente, parece que os recursos serão totalmente destinados à educação e saúde. Saúde é importante, não estou dizendo que não seja, mas o Brasil precisa investir naquilo que dará retorno em vários campos, tanto na saúde, como na agricultura, indústria, tudo. A proposta da SBPC era destinar 70% para o ensino básico, 20% em ensino superior e 10% para ciência e tecnologia, mas isso não aconteceu. Como é que alguém legisla contra aquilo que gerou o recurso? Daqui a 20 anos as pessoas vão se arrepender dessa decisão, porque vão ver que acabou o fundo do petróleo. Hoje as pessoas estão se matando pelo recurso e se esqueceram que isso só foi possível porque anteriormente existiu uma política de investimento na ciência. A Petrobras, por exemplo, teve um papel fundamental. Investiu na ciência com a criação do Cenpes e, mais importante, estabeleceu um diálogo com a universidade. A Petrobras tem convênio com todas as grandes universidades que realizam pesquisas na área do petróleo. E aí você se pergunta por que isso não é feito com mais frequência?
 
É importante que se diga que um bem que é finito, como o petróleo, precisa ser investido em algo que vai dar frutos, que vai gerar novos recursos, inclusive para a saúde. O Brasil tem que fazer uma opção: quer ou não entrar para o grupo dos grandes? Se ele realmente quer entrar para o grupo dos grandes, vai ter que investir em ciência de ponta, tecnologia e inovação. Hoje nós temos uma economia ótima, mas é toda com baixo valor agregado, ou seja, nós exportamos todo o nosso minério e compramos da China ou dos Estados Unidos todos os insumos, que têm grande valor agregado. Agora, eu insisto, o petróleo e o minério são bem finitos. Todo mundo tem orgulho, por exemplo, da nossa agricultura. Eu preciso reforçar que a nossa agricultura foi feita por ciência. O Brasil apostou na criação da Embrapa que, para dar certo, precisou investir em ciência. E mais importante, nós tínhamos excelentes escolas de agronomia espalhadas por diferentes universidades brasileiras. Foi o conjunto Embrapa/universidade que gerou o que nós temos hoje.
 
Então o que falta é as pessoas entenderem que a ciência está no dia a dia delas. Quando o indivíduo está fazendo compras, usando um celular, sendo atendido por um medico, usando uma geladeira que consome menos energia, tudo isso é fruto de uma ciência. Então toda tecnologia foi gerada a partir da ciência.
 
GU – Em relação à SBPC, sabemos que sua fundação foi um importante passo para que houvesse a institucionalização de um sistema de ciência e tecnologia no país. Sabemos, ainda, que a SBPC nunca se restringiu às questões da ciência, mas sempre voltou seu olhar para a vida do país e suas questões sociais e políticas. Por isso, gostaria que você comentasse quais os principais desafios da SBPC na atualidade?
HN – Nós temos vários desafios. A luta por uma legislação para a biodiversidade é uma delas, mas nós ainda estamos limitados. Precisamos de uma legislação que permita que se tenha, realmente, a flexibilização. Aqui no Brasil, quando se fala em flexibilização as pessoas logo pensam que significa "dar um jeitinho", mas não é isso. Atualmente, existem orientações técnicas que possibilitam a investigação e o acesso à biodiversidade brasileira sem qualquer tipo de penalização, mas não são leis, então é sempre algo condicionado. Infelizmente nós estamos ficando para trás. Em relação à Amazônia, por exemplo, nós não somos o único país que está olhando para este bioma, ele não é exclusivamente nacional. Então vários países da América do Sul e a Europa (através da Guiana Francesa) também estão de olho na Amazônia. Aqui no Brasil nós não temos as condições ideais para a ciência, em relação a como as pesquisas podem ser efetuadas. Então nós precisamos de uma legislação moderna, não restritiva e que realmente impulsione a ciência, não só da Amazônia, mas de toda a biodiversidade brasileira. A biodiversidade da Caatinga, por exemplo, também é impressionante. Podemos aprender muitas coisas lá. Ou seja, o Brasil é um país com uma mega biodiversidade e, infelizmente, quando você olha, por exemplo, para a Amazônia, a maioria das publicações sobre ela não saem com o endereço do Brasil. E isso é muito ruim para o país.
 
Mas, sem dúvida, o nosso principal desafio é pela educação de qualidade. E é um desafio em todos os níveis, desde a pré-escola, do ensino fundamental até o nível universitário. Não adianta eu dizer que a universidade brasileira é de excelência. Ela é, se comparada com as que estão abaixo da gente, mas nós temos que olhar para quem está acima de nós. O modelo de graduação brasileira é pouco atual, precisa ser modernizado. Aquilo que era bom no início do século passado não pode ser bom neste século. Hoje, existem muitas tecnologias que podem ser aproveitadas, mas que são pouco utilizadas no atual modelo educacional brasileiro.
 
GU – Na sua opinião, qual seria o modelo ideal?
HN- Pensando no caso da graduação, o estudante de graduação deveria poder fazer um currículo mais flexível. Os alunos que vão estudar fora pelo Ciência Sem Fronteiras, por exemplo, têm uma grande oportunidade de obter conhecimento diversificado. Eles precisam adquirir olhares diferentes. A faculdade brasileira é terminal. O nosso estudante universitário não entra na faculdade para ganhar conhecimentos, ele entra para conquistar uma profissão, para ser biólogo, médico, engenheiro. Com isso, a flexibilização é muito restritiva. Então nós temos que acompanhar as mudanças e ver o que podemos fazer para melhorar.
 
Temos, ainda, outra questão preocupante: Nós colocamos todas as crianças dentro da escola, mas que escola é essa? Possibilitar o acesso à escola para todos foi um passo fundamental, porque antes as crianças não estavam dentro das escolas. Hoje, porém, as crianças estão nas escolas, mas nós não as estamos mantendo. O número de adolescentes que abandona os estudos é muito alto. Nós não podemos permitir que isso aconteça em um país que é a 7ª economia do mundo. Não existe uma unanimidade sobre o tipo de ensino ideal, nem dentro da SBPC, nem na academia.
 
GU – Como você avalia a participação dos jovens na comunidade científica atualmente? Qual o seu papel em lutar por mais investimentos em ciência, tecnologia e inovação?
HN – O papel do jovem é fundamental sempre, porque o país precisa se renovar a todo o momento. Temos que ter a consciência de que os cientistas do futuro são os pós-graduandos de agora. Eles serão os docentes que vão lutar no futuro pelas mesmas coisas que nós estamos lutando hoje. Na minha opinião, o envolvimento dos jovens é muito bom, mas ainda tem que ser maior. Esse isolacionismo que está acontecendo com os professores e pesquisadores não é nada bom. Tomando como base a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) consigo observar que os jovens que estão à frente da associação e da sociedade são muito envolvidos, mas os demais ficam muito à parte. Não adianta você ter sucesso sozinho. O seu sucesso individual desaparecerá se o seu país, ou pelo menos a sua instituição, não tiver sucesso também.
 


(Jornal da Ciência)

 


30 DE AGOSTO

Em um movimento que começou com a luta da juventude pela redução das tarifas de transporte e que tomou um grande vulto, milhares de pessoas em dezenas de capitais e municípios do país foram às ruas em defesa dos serviços públicos de qualidade durante as mobilizações de junho/julho.As reivindicações levantadas nas ruas encontram barreiras na política de superávit primário, que reserva cerca de 48% do Orçamento Público para o pagamento de dívida que não foi criada pelos jovens e trabalhadores.
É também verdade que as reivindicações das ruas demandam por mais participação e transparência e entram em contradição com as instituições do nosso país que são herdadas da ditadura militar.A sensibilidade da Presidenta Dilma ao anunciar um plebiscito por uma constituinte e pela reforma política, não pode ser desperdiçada por negociatas no Congressoedeve ser imediatamente retomada.
 
Os pós-graduandos, que há 5 anos lutam junto às APG’s e à ANPG pela universalização e reajuste no valor das bolsas de pesquisa, por condições dignas de estudo e pesquisa e pela assistência estudantil aos pós-graduandos, também estiveram nas ruas na luta para que nada seja como antes nesse país. Estiveram ao lado dos milhares de jovens que foram as ruas pela redução das tarifas e pelo passe livre.
No dia 11 de julho, a classe trabalhadora entrou em cena com as Centrais Sindicais, com a convocação do Dia Nacional de Lutas, se unindo a luta da juventude em defesa dos direitos democráticos na luta por uma nação soberana.
 
Uma nova situação se abre no país.
 
É hora de mostrar que não descansaremos enquanto nossas pautas não forem atendidas. Os Movimentos Sociais da cidade e do campo, em grande clima de unidade, chamam para o dia 30 de agosto um Dia Nacional de Paralisações.
 
A ANPG convida todas as APG´s e pós-graduandos a paralisarem suas atividades neste dia e realizem panfletagens, atos, debates, a fim de somar forças à luta pelo passe livre estudantil, por mais e melhores bolsas, com reajuste de 50% para recompor as perdas inflacionárias dos últimos anos e garantia de reajuste já no orçamento de 2014 e em defesa dos direitos dos pós-graduandos.
            
Vamos paralisar os programas de pós-graduação e mostrar que a pós-graduação está na luta por condições dignas de estudo e pesquisa.
 

Em 30 de agosto: paralise sua universidade por:

– Passe livre estudantil já!

– Por mais e melhores bolsas: reajuste já para o orçamento de 2014 nas bolsas com ganhos reais acima da inflação! Rumo a recomposição integral dos valores das bolsas defasadas em 50%!

– Assistência estudantil para os Pós-graduandos!

 
 
 

 


De acordo com a presidente, os mais de R$ 80 milhões previstos para a educação vão ajudar a recuperar o status da carreira do magistério
(Portal Terra)

 
A presidente Dilma Rousseff afirmou na tarde desta quinta-feira, em São Paulo, que parte dos recursos dos royalties do petróleo – aprovados na semana passada pelo Congresso Nacional – serão utilizados para melhorar o salário dos professores. Segundo ela, a profissão de professor precisa voltar a ter "status" no Brasil.
 
"Nós precisamos desses recursos para pagar professores. Para transformar em uma profissão que tenha status no Brasil. Sou presidenta do País. Sei que era preciso, necessário, para mudar a realidade, que nós tivéssemos mais recursos do que temos", disse ela.
 
De acordo com a previsão da Presidência da República, R$ 118 bilhões deverão ser injetados nas áreas de educação e saúde até 2020. Na educação serão pouco mais de R$ 80 bilhões.
 
Acompanhada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e do prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, Dilma participou da solenidade da celebração do milionésimo contrato do Financiamento Estudantil (Fies), utilizado por alunos do ensino superior.
 
"Precisamos de oportunidades. Comemoramos o milionésimo brasileiro a celebrar contrato com o Fies desde 2010. Aquela frustração de muitas pessoas, que tinham um sonho, que era cursar a universidade, está sendo superada", disse a presidente.
 
De acordo com Dilma o diploma superior melhora as condições de disputa no mercado de trabalho. "A renda com diploma universitário é quatro vezes maior que dos demais", disse ela, que também aposta no ensino em tempo integral para melhorar o nível de ensino no Brasil.
 
"Isso é essencial para mudar o padrão de educação do País. O complemento no horário não deve ser apenas com atividades esportivas e artísticas. Terão de estudar português, matemática, ciências e necessariamente uma língua", afirmou.
 
Para o ministro Aloizio Mercadante, é preciso ampliar as vagas para iniciantes no ensino superior brasileiro, que hoje são cerca de 1,2 milhão. "Com mais emprego, as pessoas passam a ter mais vontade de estudar", disse ele.
 
Antes da cerimônia, Dilma se encontrou com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, em um hotel da capital paulista, local onde ambos almoçaram. Esta é a quinta vez que a presidente vem a São Paulo em menos de um mês.
 

 

 

Segundo o Uol, os cursos com maior número de contratos formalizados até o momento são engenharia, direito, administração e enfermagem
 
O Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) formalizou 1,033 milhão de contratos de ensino superior em faculdades privadas desde 2010. O número foi divulgado nesta quinta-feira (22) em cerimônia com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em São Paulo.
 
Apenas em 2013, foram celebrados mais de 423 mil contratos. Os cursos com maior número de contratos formalizados até o momento são engenharia, direito, administração e enfermagem.
 
"A medida que o Brasil cresce e se desenvolve precisamos de mais engenheiros", disse o ministro do Aloizio Mercadante.
 
Há também 26 mil contratos no curso de medicina, outros 22 mil em odontologia e 22 mil em farmácia.
 
"O Prouni e o Fies são as duas faces de uma moeda, completam todo o esforço que fizemos de ampliar nossas universidades [federais]", afirmou a presidente.
 
Crescimento
 
O grande aumento no número de contratos se deve a facilitações nas condições de financiamento e também à postura ativa de instituições particulares em cooptar alunos pelo programa. Ao mesmo tempo que o Fies resulta no maior acesso de estudantes ao ensino superior, é também tido pelas instituições privadas como sinônimo de ganho certo e queda nos calotes de alunos.
 
O índice de inadimplência nas instituições caiu de 8,46% em 2011 para 8,43% em 2012 – na contramão da inadimplência das pessoas físicas no Brasil, que teve alta de 7,7% para 8% no período. Os dados são do Semesp, o sindicato paulista das mantenedoras das faculdades.
 
O grande salto nas contratações do Fies foi a partir de 2011, ano que passaram a valer as novas regras anunciadas no ano anterior – como a queda nos juros, ampliação de carência e abertura para contratação em qualquer momento do ano.
 
Entre 2011 e 2012, o número de financiamento dobrou, chegando a 599 mil no fim do ano passado. Mas a expansão do financiamento continua e os contratos do primeiro semestre já superam em 32% os do mesmo período de 2012. Os contratos representaram R$ 29,1 bilhões de 2010 a 2012.
 
O que é o Fies
 
O Fies concede financiamento a estudantes regularmente matriculados em cursos superiores privados, com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo MEC (Ministério da Educação). O programa oferece cobertura até 100% do valor da mensalidade e juros de 3,4% ao ano. O contratante só começa a quitar o financiamento 18 meses depois de formado.
 
Apenas alunos com renda familiar mensal de no máximo 20 salários mínimos podem pedir o financiamento. A cobertura de 50% ou 100% dos encargos do curso é calculada de acordo com a renda familiar mensal bruta e do comprometimento dessa renda com os custos da mensalidade. Novos pedidos de financiamento podem ser apresentados em qualquer período do ano.