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A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) celebra o avanço do Projeto de Lei 974/2024, que propõe a inclusão de pós-graduandos no regime previdenciário brasileiro, assegurando a esses estudantes direitos básicos de seguridade social já garantidos a outras categorias profissionais. A medida representa um passo histórico rumo à justiça social para quem é responsável por cerca de 90% da produção científica no Brasil.

O projeto terá como relator do plenário, o deputado federal por São Paulo, Ricardo Galvão, físico e professor amplamente reconhecido por sua defesa da ciência no país. Para a ANPG, a escolha é estratégica e simbólica. “É uma grande notícia que o professor Galvão seja o relator. Ele é um baluarte da defesa da ciência no Brasil e compreende a importância de garantir condições dignas para quem produz conhecimento”, afirma o presidente da ANPG, Vinicius Soares.

Segundo Vinicius, a pauta previdenciária é histórica para a entidade. “A Previdência é uma pauta que há mais de quatro décadas a ANPG vem debatendo. É muito oportuno tê-lo enquanto relator. Já estamos tendo bastante apoio da deputada Alice Portugal, autora do projeto, e do deputado Túlio Gadêlha, autor do requerimento de urgência. Agora, pretendemos intensificar a mobilização para que o Congresso Nacional aprove ainda neste semestre os direitos previdenciários aos pós-graduandos”, destaca.

A aprovação do regime de urgência foi fruto da mobilização da ANPG em Brasília, realizada em agosto do ano passado, que culminou no requerimento aprovado na Câmara dos Deputados. Para a entidade, o momento é decisivo para corrigir uma distorção histórica e reconhecer formalmente o papel estratégico dos pós-graduandos no desenvolvimento científico e tecnológico do país.

Atendimento à imprensa:

Patrícia Larsen
Cel.: 11 9 9996-5207
[email protected]

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vem a público manifestar seu mais
veemente repúdio e condenação às ações orquestradas e impetradas pelos Estados Unidos da América contra a Venezuela. Os acontecimentos registrados na madrugada do dia 03 de janeiro, em território latino-americano, configuram um ataque frontal à soberania dos povos, um grave desrespeito ao direito internacional e uma violação explícita dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, especialmente aqueles relativos à autodeterminação dos povos e à não ingerência externa.
Expressamos nossa irrestrita solidariedade ao povo venezuelano, que deve ter garantido o
direito soberano de decidir seu presente e seu futuro, livre de pressões, sanções, ameaças ou intervenções estrangeiras. A defesa intransigente da soberania da Venezuela hoje é, também, a defesa da soberania do Brasil, da América Latina, e da Amazônia amanhã. A história recente demonstra que a naturalização de intervenções externas abre precedentes perigosos, sobretudo em uma região estratégica marcada por disputas geopolíticas e interesses econômicos alheios aos interesses de seus povos.
A soberania nacional não se sustenta apenas por meios diplomáticos ou militares, mas também pela capacidade dos povos de produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e planejar seu próprio futuro. A ciência, a pós-graduação e as universidades públicas constituem pilares estratégicos da autonomia dos Estados nacionais. Por essa razão, ataques à soberania caminham historicamente lado a lado com os projetos de enfraquecimento dos sistemas nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, a partir de cortes orçamentários, isolamento acadêmico e desestruturação das instituições de pesquisa.
Assim, atacar a ciência é uma das formas de enfraquecer a soberania; enfraquecer a soberania é, igualmente, um caminho para subordinar a produção científica aos interesses externos.
A Venezuela não é apenas um território alvo de disputas políticas e econômicas, mas um país
com tradição universitária e científica, integrado a redes de cooperação latino-americanas em áreas estratégicas como saúde pública, energia, biodiversidade e estudos amazônicos. A desestabilização de sua soberania compromete diretamente essas redes de cooperação científica regional, afetando projetos de pesquisa, intercâmbios acadêmicos e a produção de conhecimento compartilhado entre países da América Latina, inclusive com o Brasil. Isolar a ciência venezuelana significa fragilizar a integração científica regional e limitar as possibilidades de um desenvolvimento soberano para nossos povos.
Os pós-graduandos brasileiros não estão alheios a esse processo. O mesmo projeto
internacional que naturaliza intervenções militares, sanções econômicas e ingerência sobre países latino-americanos é aquele que historicamente impõe a precarização das bolsas, o contingenciamento de recursos para universidades e institutos de pesquisa e a dependência tecnológica do Brasil. Defender a soberania dos povos da América Latina é, portanto, defender também o direito à ciência pública, à pesquisa de qualidade e à formação de alto nível no nosso país e em nossa região.
Nesse contexto, a Amazônia ocupa lugar central. Trata-se de um território estratégico não
apenas por suas riquezas naturais, mas pelo conhecimento científico produzido sobre ela. A
militarização, a ingerência externa e os projetos de exploração subordinados a interesses estrangeiros representam também tentativas de controle da produção de saberes, das tecnologias e dos modelos de desenvolvimento para a região. Defender a Amazônia é defender as universidades públicas, os institutos de pesquisa, os pós-graduandos e os povos amazônicos como protagonistas na produção de conhecimento e na definição de seu próprio futuro.
Nesse sentido, é fundamental destacar que o setor de Petróleo e Gás, é responsável por
expressivos investimentos em ciência e tecnologia, inovação e pesquisa, os quais garantem empregos de qualidade, fortalecem a soberania política e contribuem de maneira decisiva para o desenvolvimento social de nossos países. Esses recursos e capacidades estratégicas não devem ser drenados para atender interesses econômicos externos, sem responsabilidade socioambiental, tampouco utilizados como pretexto para intervenções ou para a justificação de guerras que aprofundam desigualdades e instabilidades regionais
Além disso, apesar dos históricos de tentativas de neocolonização, a América Latina se
constituiu, ao longo do último século, como uma zona de paz. Esse patrimônio político e diplomático, construído a partir do diálogo, da cooperação e da solução pacífica de conflitos, não pode ser colocado em risco por escaladas militares que ameaçam transformar o território amazônico em palco de conflitos internacionais, com consequências graves e irreversíveis para nossos povos. Rechaçamos, portanto, qualquer tentativa de invasão, ocupação ou ingerência que viole a integridade territorial dos países latino-americanos e amazônicos.
Diante desse cenário, a ANPG insta o Estado brasileiro a reafirmar sua histórica tradição
diplomática de promoção da paz, da mediação política e da cooperação entre as nações, assumindo papel ativo e protagonista na construção de soluções pacíficas para os conflitos regionais. Essa liderança deve se traduzir em um conjunto estruturado de medidas políticas e estratégicas, que contemple:

1) O fortalecimento da promoção da paz na região, por meio da diplomacia ativa, do
multilateralismo e do reforço de mecanismos regionais de diálogo e cooperação;
2) O investimento estratégico e massivo em Ciência, Tecnologia, Inovação e Defesa,
rompendo com a lógica de sucessivos cortes orçamentários, garantindo condições
materiais para o desenvolvimento soberano, a independência tecnológica e a proteção do
território nacional, da Amazônia e das águas territoriais, articulando segurança,
sustentabilidade e justiça socioambiental;
3) O aprofundamento dos projetos de integração da América Latina e da América do Sul,
com destaque para o fortalecimento das rotas de integração regional e para a criação da
Universidade da Integração Amazônica, como instrumento de cooperação científica,
formação de quadros estratégicos e diplomacia de base.
A ANPG reafirma, por fim, que não há soberania sem ciência, não há ciência sem
universidades públicas fortes e não há futuro justo para os pós-graduandos brasileiros sob a lógica da guerra, da ingerência externa e da dependência tecnológica. Seguiremos firmes na defesa da paz, da autodeterminação dos povos, da integração latino-americana e de uma Amazônia protegida por seus próprios povos, pesquisadores e instituições públicas, a serviço do desenvolvimento soberano de nossas nações.


Diretoria Executiva da ANPG

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta seu total apoio ao parecer recentemente aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que estabelece novas diretrizes para a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu e coíbe práticas irregulares de terceirização, conhecidas popularmente como uso de universidades como “barriga de aluguel” para a comercialização indiscriminada de cursos.

A medida representa um avanço histórico na defesa da qualidade da pós-graduação brasileira. O parecer fortalece os mecanismos de regulação e supervisão, impede convênios fraudulentos e reafirma que apenas instituições devidamente credenciadas e responsáveis academicamente podem ofertar especializações. Isso coloca um freio na mercantilização do ensino superior, que vinha prejudicando estudantes, fragilizando a credibilidade das titulações e corroendo a confiança da sociedade na formação avançada.

Ao reforçar critérios rigorosos de qualidade, transparência e responsabilidade institucional, o CNE eleva o patamar das especializações no Brasil, colocando a pós-graduação lato sensu em um nível de maior seriedade, compromisso público e alinhamento com o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

A ANPG reafirma que a pós-graduação é parte estratégica do Sistema Nacional de Educação e deve servir ao interesse público, ao avanço da ciência e à qualificação profissional com responsabilidade. Por isso, celebra a decisão do CNE e seguirá vigilante e colaborativa para que a implementação das novas diretrizes fortaleça ainda mais a formação de especialistas e o papel social da ciência brasileira.

Educação e ciência não são mercadorias. São compromissos com o Brasil.

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG

Sob coordenação de Amanda Mendes, vice-presidenta da ANPG, ocorreu a mesa sobre Ciência, Raça e Gênero para debater os desafios para a efetiva inclusão de negros e mulheres na pós-graduação. Participaram da discussão a dra. Laisa Liane, professora da UFBA e líder do grupo de pesquisas “Saúde da População Negra e doenças crônicas”, Dani Costa, Chefe de Gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, e Natália Trindade, pós-graduanda da APG da UFRJ.

A professora Laisa criticou o que chamou de “pacto da branquitude”, que, mesmo após quase 400 anos de escravidão, resiste a cumprir políticas afirmativas e inclusão para manter privilégios historicamente constituídos. “Isso não é rivalidade entre pessoas pretas e brancas, mas de entender que, estruturalmente, viemos em uma sociedade que privilegia uma determinada classe sobre a outra”, afirmou.

Para garantir que as políticas de cotas sejam de fato implementadas, defendeu a atuação das comissões de heteroidentificação nas universidades. “Eu não gostaria de colocar 10 pessoas negras e ter que confirmar que a pessoa é mesmo negra. Mas diante de uma sociedade racista que ainda quer perpetuar o pacto da branquitude, a comissão de heteroidentificação vai existir, vai resistir, vai ter preto na universidade, sim!”

Dani Costa Costa contou sua experiência como estudante da UFBA antes da lei de cotas na universidade e, hoje, como pós-graduanda na mesma instituição: “Sou de uma geração anterior à política de cotas na UFBA e, na época, eram pouquíssimas estudantes negras. Agora, estando na pós, apesar de negros agora serem maioria nos estudantes, não tive ainda nenhum professor negro ou mulher. Ou seja, os espaços de poder e direção continuam majoritariamente brancos”, relatou.

Falando sobre a necessidade de reparação histórica para a população negra, Dani Costa lembrou que a abolição foi incompleta e relegou os escravos libertos à marginalidade, negando-lhes direitos e incentivando a imigração europeia. “Após o fim da escravização, os negros foram jogados na marginalidade. O emprego assalariado foi incentivado para os imigrantes brancos europeus”.

Também criticou o mito da democracia racial brasileira como uma forma de maquiar o racismo e protelar políticas afirmativas. Disse que a miscigenação no Brasil, em sua maioria, foi produzida por homens brancos e mulheres negras e indígenas, muitas vezes de maneira forçada. “O processo de colonização no Brasil utilizou sim o estupro como forma de dominação de corpos negros”.

Amanda concluiu o debate afirmando que o Brasil é marcado por um processo escravagista que não acabou e continua vitimando corpos negros, fazendo alusão à chacina ocorrida no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Mas a vice-presidenta comemorou a vitória obtida com a aprovação das cotas na pós-graduação. “O aumento da população negra na graduação acontece graças à lei de cotas. A lei de cotas proporcionou que nós estivéssemos nesse espaço e nós, como entidade, tivemos uma grande conquista que foi a inclusão da pós-graduação na revisão da lei de cotas”, finalizou.

Em meio ao 46º CONAP, a ANPG lançou o “Dossiê Newton Sucupira” – “Entrelaçamento” investigativo sobre a inserção de mestres e doutores no mercado de trabalho no Brasil”. O nome é referência ao Parecer 977/1965, elaborado pelo professor Newton Sucupira, que definiu as bases, objetivos e a estrutura do Sistema Nacional de Pós-Graduação.

Na mesma linha do “Dossiê Florestan Fernandes”, que traçou um diagnóstico sobre a pós-graduação no país, o novo documento procura aprofundar o debate sobre a empregabilidade dos pesquisadores e fazer apontamentos para ampliar sua interligação com o setor produtivo não acadêmico nacional.

Uma das constatações do estudo foi a grande prevalência da academia como caminho profissional dos pós-graduandos. Segundo pesquisa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) de 2024, a área da Educação é a que mais emprega mestres e doutores no Brasil, concentrando 72% dos doutores e 37,7% dos mestres no país em 2021.

O “Dossiê Sucupira”, ao estudar os Planos Nacionais de Pós-Graduação ao longo das décadas, mostra que esse percurso não se dá ao acaso, mas por uma opção de colocar a formação de professores para o magistério universitário como objetivo central do sistema de pós-graduação brasileiro. “Foi criada, desde o primeiro PNPG, uma política pública de formação de quadros docentes, inclusive seguindo o Parecer Sucuprira. Hoje, a realidade é que a gente não tem espaço para a absorção de todos nós na academia”, reflete Cris Fairbanks, uma das pesquisadoras do dossiê.

Nesse contexto, o poder público se consolida como a principal área de absorção de mão de obra de doutores. “O setor público é o principal empregador em todas as áreas, com destaque para as Engenharias (38,1% em 2021), Ciências Exatas e da Terra (40,4%) e multidisciplinar (32,6%)”, apresenta o dossiê.

A boa notícia é que fazer pós-graduação é um diferencial profissional importante. O estudo “Brasil: Mestres e Doutores 2024”, elaborado pelo CGEE e uma das referências do “Dossiê Sucupira”, mostra que, entre 2009 e 2021, o número de doutores empregados cresceu 192% e de mestres cresceu 139%. “Outro dado importante é que, mesmo em momentos de crise econômica, a taxa de empregos de mestres e doutores se mantém em trajetória positiva”, assinalou Natália Trindade.

Para ampliar a relação entre a pós-graduação e os setores produtivos não acadêmicos, o estudo aponta possibilidades, como a contratação de mestres e doutores como contrapartida necessária para empresas que utilizem créditos ou subsídios de bancos e empresas públicas.

O “Dossiê Newton Sucupira” é um documento elaborado pelo Centro de Estudos e Memórias da Juventude (CEMJ), em parceria com a ANPG, e teve Natália Trindade como coordenadora e Cris Fairbanks, Dan Oloruama, Luiza Martins, Daisy Jorge Lima e Beatriz Lopes Durval na equipe de pesquisa.

O prestigiado ato solene, realizado ao final do primeiro dia de trabalhos do 46º CONAP, teve como centro a defesa da Ciência, do Trabalho e da Soberania Nacional como fatores fundamentais para a construção de um projeto nacional de desenvolvimento. Participaram da mesa Vinícius Sores, Amanda Mendes e José Fernando, respectivamente presidente, vice e secretário-geral da ANPG; Paulo Miguez, reitor da UFBA; Alice Portugal, deputada federal pelo PCdoB-BA; Daniel Almeida Filho, do MCTI; Yann Evanovick, do MEC; Mônica Aguiar, diretora da Faculdade de Direito da UFBA; Augusto Vasconcelos, secretário do Trabalho da Bahia; Hugo Saba, SECTI-BA; Diego Menezes, presidente da ABIPTI; Edneide de Oliveira, superintendente do IEL-FIEB; Suani Tavares, da Academia de Ciências da Bahia; José Bites, CEPEE SEC); e Bianca Paiva, vice-presidente da UNE na Bahia.

Logo na abertura, Vinícius Soares apontou que construir uma maior integração entre a pós-graduação e os setores produtivos não acadêmicos é um dos principais desafios do país e condição para a empregabilidade de mestres e doutores. “Essa diretriz não quer dizer que a academia não precisa de doutores, pelo contrário, precisa de cada vez mais. Mas é fato que os países que lograram maiores índices de desenvolvimento foram os que conseguiram impulsionar seus setores produtivos não acadêmicos através da ciência e tecnologia”.

O reitor Paulo Miguez falou sobre a importância do movimento estudantil para a formação cidadã, lembrando que guarda como recordação o seu crachá de delegado ao congresso de reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1979.

Miguez saudou o mote político do CONAP – “ciência, trabalho e soberania” – como uma agenda central e necessária para o desenvolvimento do país e que está intrinsicamente ligada à ciência. “A soberania se conquistará com ciência”, afirmou, alertando que, para tanto, mais investimentos para garantir a permanência são urgentes: “é necessário mobilização e compromisso do governo federal com a assistência estudantil, inclusive incorporando a pós-graduação”, defendeu.

A estudante Bianca Paiva, vice-presidenta da UNE na Bahia, também exaltou a luta por mais investimentos em educação como uma pré-condição para a construção de uma nação que consiga realizar seu potencial de maneira soberana. “A cada dia que falamos de soberania e trabalho, estamos falando de educação. Sem educação de qualidade, não conseguiremos romper as amarras da subalternidade”, disse.

Augusto Vasconcelos pontuou que nenhum país se desenvolveu sem fortes investimentos em pesquisa e valorizou que a ANPG tenha identificado a ligação entre a academia e o mundo do trabalho como questão a ser enfrentada. “Há um gap entre a produção científica produzida nas universidades e o mercado. A pauta da ANPG faz o link entre a ciência e o mundo do trabalho”.

Augusto afirmou que é preciso enfrentar a política fiscalista que condena o país a permanentes cortes de recursos em áreas estratégicas. “Quando se fala em corte de gastos, todas as vezes a ciência e tecnologia entra no bolo. Nós temos que dizer o contrário: a ideologia neoliberal vai nos levar a ficar sem horizontes. A ciência precisa ser tratada como tema soberano. Na divisão internacional do trabalho não nos pode sobrar apenas ser exportadores de comodities, pois temos cérebros, temos ciência”, disse.

A deputada Alice Portugal reforçou que avanços sociais estão intimamente ligados à conjuntura política vivida pelo país. Em períodos mais democráticos, os avanços são maiores e mais rápidos e, em momentos autoritários, os riscos de retrocessos crescem. “Por isso, para mim é uma honra estar ao lado da ANPG na luta por direitos dos pós-graduandos e, sobretudo, pelos recursos para a ciência. Quanto mais estivermos oxigenados pelos vetos da democracia, mais teremos vitórias para a ciência, educação, saúde e tudo o mais”.

De acordo com Daniel Almeida Filho, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, é possível utilizar instrumentos legais que hoje subsidiam segmentos econômicos para ampliar a contratação de mestres e doutores na indústria. A Lei do Bem (11.196/2005) e a Lei de TICs (Lei nº 8.248/91) proporcionam bilhões em benefícios fiscais para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “No Brasil, somos quase o último lugar em mestres e doutores dentro das empresas. Por isso, estamos usando a Lei do Bem e a Lei de TICs para virar esse jogo e contratar cada vez mais mestres e doutores no setor privado”, disse.

Representando o Ministério da Educação, Yann Evanovick instou os estudantes a comemorarem os avanços obtidos nos últimos anos e irem para as ruas disputar a consciência da sociedade para impulsionar o governo no caminho das mudanças e impedir retrocessos. “É preciso ir para as ruas, disputar consciências das pessoas, porque, do contrário, o Brasil vai realizar uma COP e 5 dias depois a boiada vai passar”, disse, aludindo à derrubada dos vetos do presidente Lula pelo Congresso Nacional no chamado PL da Devastação.

Confira as fotos no Telegram da ANPG.

A ANPG acaba de divulgar a lista de trabalhos selecionados a Mostra Científica realizada pela entidade. São 25 projetos de pesquisa, de diferentes campos do conhecimento, representando universidades e institutos de pesquisas de diversos estados brasileiros, que terão a oportunidade de serem apresentados durante os trabalhos do 46º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP), a ser realizado em Salvador (BA), entre 27 e 30 de novembro. Veja a lista!

Foi realizado, na última terça-feira (3), na sede das entidades estudantis em São Paulo, o pré-credenciamento para o 46° Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos da ANPG, que acontecerá em Salvador (BA), entre 27 e 30 de novembro.

O Conap é o segundo mais importante fórum deliberativo da entidade e tem a incumbência de aprovar resoluções sobre a conjuntura política, questões relativas à ciência e à pós-graduação, além de convocar o próximo congresso da ANPG.

O 46° Conap reafirma o crescimento e a organização do movimento de pós-graduandos, com o credenciamento de 115 APGs, representativas de universidades e cursos de todas as regiões do país.

Segundo Vinícius Soares, presidente da ANPG, o Conselho terá papel fundamental para planejar as próximas ações em busca de conquistas das pautas dos pesquisadores, como a aprovação do PL 974/24. “O Conap vai demonstrar a força e capilaridade do movimento de pós-graduandos e convocar as mobilizações necessárias a ampliar o orçamento da ciência e da educação para que possamos tornar realidade o novo reajuste de bolsas e a conquista dos direitos previdenciários dos pós-graduandos”, afirmou.

Veja a lista das entidades pré-credenciadas:

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta profunda indignação e repúdio diante da megaoperação policial conduzida pelo governo do estado do Rio de Janeiro, sob comando do governador Cláudio Castro, que resultou até o momento em mais de 134 mortes, incluindo vítimas civis ainda não identificadas, configurando um cenário de chacina e violação massiva de direitos humanos. 

A ANPG se solidariza com as famílias das vítimas, com as comunidades atingidas e com toda a população do Rio de Janeiro que vive sob o terror de um Estado que abandona o diálogo e governa pela força. Reafirmamos que nenhuma vida vale menos, nenhuma morte pode ser naturalizada.

As ações policiais, realizadas nos complexos do Alemão e da Penha, transformaram o Rio de Janeiro em um território de exceção, instaurando um clima de medo generalizado que paralisou a cidade e impactou diretamente a vida acadêmica. Universidades públicas e privadas, entre elas UFRJ, UERJ, UFF, UFRRJ e PUC-Rio foram obrigadas a suspender aulas e atividades presenciais para resguardar a integridade de estudantes, professores e trabalhadores, que ficaram impossibilitados de se deslocar diante da violência e do caos urbano provocado pelas operações.

O que se observa é que não há uma política de segurança, mas uma estratégia de extermínio que transforma as favelas em campos de guerra, com o uso desproporcional da força e a ausência completa de políticas sociais, educacionais e de prevenção. A escalada da letalidade policial no estado do Rio de Janeiro revela o fracasso de um modelo que confunde segurança pública com militarização, tratando a população pobre e negra como inimiga.

A ANPG entende que é urgente o encerramento das operações letais nas favelas do Rio de Janeiro, pois elas têm se mostrado ineficazes e profundamente desumanas, ampliando o sofrimento das populações mais vulneráveis. Considera também necessária uma investigação rigorosa e independente sobre os crimes cometidos durante a operação, de modo que o Estado responda pelas vidas ceifadas e pelas violações cometidas. 

O combate ao crime organizado deve se apoiar no conhecimento produzido pela ciência brasileira, que há décadas oferece diagnósticos, dados e soluções sobre segurança pública, desigualdade e políticas sociais. É necessário que o Estado invista na pesquisa científica e tecnológica como instrumento estratégico para compreender e enfrentar o problema de forma inteligente, humana e eficaz, substituindo a lógica da força pela da razão e da vida. A PEC da segurança pública, em tramitação no Congresso Nacional, aponta para um caminho possível, ao propor maior controle civil sobre as forças policiais e mecanismos que limitem o uso da força letal pelo Estado. Ainda que seu conteúdo precise ser amplamente debatido, é fundamental reconhecer a importância de medidas que ajudem a submeter as instituições de segurança ao controle democrático e reafirmem que a política de segurança deve proteger vidas, não as eliminar.

Enquanto escolas e universidades paralisam a vida acadêmica, o governo estadual sustenta um projeto político sustentado pelo medo, pela morte e pela violência de Estado. A ANPG reafirma que não há democracia onde o Estado mata, e que a defesa da vida é um compromisso inegociável da comunidade científica.

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG
 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2025.

Nesta quarta-feira, 29/10, a convite da ANPG, foi realizada uma reunião entre diversas entidades científicas para debater ações conjuntas de diálogo e pressão junto ao Congresso Nacional para ampliar as dotações orçamentárias da Ciência e da Educação no exercício de 2026. Participaram do encontro a ANPG, UNE, ABC, SBPC, CONIF, Andifes, ICTpbr e Observatório do Conhecimento.

As entidades manifestam preocupação com as previsões que o governo enviou na PLOA 2026, proposta que baliza a formatação do orçamento, na qual as rubricas destinadas às agências de fomento Capes e CNPq são iguais ou até inferiores ao ano de 2025.

Para 2026, a dotação orçamentária prevista para pagamento de bolsas de estudos no ensino superior pela Capes, por exemplo, é de R$ 3,14 bilhões, exatamente o mesmo valor deste ano. Caso essa previsão seja concretizada, não haverá recursos para um reajuste de bolsas. Para as bolsas de apoio à educação básica a situação é ainda mais grave, pois há retração de -3,17% na PLOA 2026.

Para o CNPq, a proposta do governo é de um orçamento total de R$ 1,83 bi, o que significa um corte de 2,15% nas verbas, que já são escassas, haja vista que na última chamada de Bolsas no País da agência, apenas 10% dos inscritos foram contemplados.

“Estamos diante de uma grave situação de subfinanciamento da ciência e da educação. Se a lei orçamentária for aprovada como está, significa que nenhuma demanda nova será atendida. O que está previsto não garante sequer o reajuste das bolsas, que é o mínimo para manter nossa situação, que dirá avanços justos e necessários. É inaceitável”, afirma Vinícius Soares, presidente da ANPG.

Vinícius lembra que a entidade tem feito reuniões com o governo e parlamentares para debater um novo reajuste de bolsas, verbas que o PNAES atenda o segmento e buscado aprovar conquistas, como o PL 974/24, que trata dos direitos previdenciários para os pós-graduandos. “Será uma grande frustração se não forem ampliadas essas verbas. De nada adianta o governo demonstrar boa vontade em atender demandas justas e urgentes se, na lei que decide os investimentos, o dinheiro para concretizar não aparecer. Nós vamos à luta, mobilizar no Congresso, nas redes e nas ruas, para que os compromissos com a ciência e a educação sejam cumpridos”, finalizou.

A ideia das entidades é tirar um cronograma de reuniões conjuntas para apresentar as reivindicações aos membros da Comissão Mista de Orçamento e presidentes de comissões, além das lideranças do governo na Câmara e no Senado, para buscar as emendas que viabilizem a recomposição necessária. As primeiras atividades foram marcadas para os dias 5 e 6 de novembro.