
A Semana De Meninas e Mulheres Na Ciência é um evento que busca incentivar meninas que ainda estão em idade escolar a conhecer as ciências e motivá-las para que acreditem que mulheres podem ocupar todos os espaços na sociedade. O evento será realizado do dia 5 a 9 de novembro de 2018 na UERJ (Rio de Janeiro).
Durante o evento serão oferecidas quatro oficinas por dia para meninas de 12 a 17 anos. As oficinas focarão nos seguintes temas: física, química, biologia e geociências.
As inscrições estão abertas no site até dia 1 de Novembro! Não deixe para última hora pois as vagas são limitadas!
Ah, e os adultos e meninos não precisam ficar chateados, pois o evento também contará com outras atividades para todos os públicos!
ATENÇÃO: Apenas as oficinas necessitam de inscrição, para participar das outras atividades do evento ela não será necessária, é só aparecer lá!
http://mmciencia.com.br

A pós-graduação é um período intenso para os estudantes. São anos de dedicação a uma pesquisa, com rigorosa análise e concorrência acadêmica acirrada. A pressão dentro da Universidade, de algumas famílias e até do mercado de trabalho levam alguns pós-graduandos a viverem verdadeiras situações-limite. Não é a toa que distúrbios como depressão e ansiedade estão cada vez mais recorrentes na pós-graduação e chamam a atenção de pesquisadores e de Universidades do mundo inteiro para o tema.
Em abril deste ano, a Revista Nature publicou um estudo no qual aponta que estudantes de pós-graduação têm seis vezes mais chance de enfrentar depressão e ansiedade (leia aqui). Ainda de acordo com a pesquisa apresentada na publicação, em que foram entrevistados mais de 2.200 estudantes de 26 países, sendo 90% deles alunos de doutorado, e o restante de mestrado, mostra que 41% e 39% dos entrevistados apresentaram sinais de ansiedade e depressão, respectivamente, de nível moderado ou grave. Na população em geral, em média, esses índices são ambos de 6%.
Além desta pesquisa, a Revista da Fapesp de dezembro de 2017 trouxe um estudo publicado em 2001 na Educational Psychology, do Reino Unido, que verificou que 53% dos pesquisadores das universidades britânicas sofriam de algum distúrbio mental, enquanto na Austrália a taxa foi considerada até quatro vezes maior no meio acadêmico em comparação com a população de modo geral.
Para a Diretora de Saúde da ANPG, Yasmin Melo, é possível reconhecer a depressão além das pesquisas. “Na nossa própria vivência com os amigos e amigas durante a pós-graduação, podemos observar um grande número de estudantes com transtornos de ansiedade e depressão. Acredito que os principais fatores disso acontecer são a grande exigência, além da conta do aluno, durante o processo de aprendizagem, os prazos curtíssimos para entrega de produções, a máquina de publicar artigos em revistas com os melhores qualis possíveis, o descaso dos orientadores com seus discentes… enfim, uma rotina absurdamente intensa”, explica.
Melo também reforça que a competição predatória em que as instituições e orientadores colocam os alunos é um fator ainda mais agravante. “Estamos o tempo inteiro em competição por bolsas de estudos, vagas de estágio, participação em grupos de pesquisa e intercâmbio, por exemplo”.
O papel do orientador
Todo pós-graduando tem um orientador, um professor que irá ajudá-lo na conclusão de curso, dissertação ou tese e que representa uma figura central na vida do estudante. Por isso, ele pode desempenhar um papel fundamental na hora de reconhecer algum problema nos distúrbios de seu aluno e ajudá-lo.
De acordo com Eduardo Benedicto, coordenador do Centro de Orientação Psicológica da USP de Ribeirão Preto, em entrevista para a Folha de São Paulo, é preciso levar em conta as especificidades de cada caso. “Não se trata de transformar a figura do orientador em um terapeuta, mas me parece fundamental que ele tenha sensibilidade às características de cada aluno”, diz Benedicto.
Para a Diretora de Saúde da ANPG, seria importante que os orientadores estivessem atentos às dificuldades de seus alunos. “Na maioria das vezes o orientador acaba se distanciando do pós-graduando, por isso, é importante ele orientar de fato e acompanhar mais de perto. Valorizar o cuidado com o seu orientando, é olhar um a um, é colocar prazos possíveis para o pós-graduando”, diz.
Assédio na pós-graduação
Humilhações em reuniões e aulas, omissão na resposta sobre a orientação, abandono de responsabilidades com o orientado, pedido para realização de tarefas não relacionada à pesquisa, corte de bolsas e reprovação não justificadas ou com justificativas falsas ou não acadêmicas. A lista do assédio na pós-graduação é enorme e essas atitudes podem levar os alunos a quadros de depressão entre outros disturbios. “Naturalmente, o pós-graduando é um ser humano, que ao sofrer assédio, pode ser impactado emocionalmente, o que reflete em sua vida e consequentemente no seu trabalho. Esse impacto não foi ainda mensurado a nível nacional. Sabe-se porém, por levantamento realizado pelas Universidades de Kentucky e de Ghent (2017) com cerca de 3.659 doutorandos, que 39% apresentam um perfil de depressão moderada ou grave, a frente dos 6% da população geral”, explica a diretora da ANPG, Helena Augusta.
Helena que também faz parte da APG da UnB que fez uma pesquisa com os pós-graduando da Universidade de Brasília e dos 637 participantes, de adesão espontânea, cerca de 10% afirmaram que pensam em suicídio entre todos os dias a uma vez por semana. Você pode conferir a pesquisa na íntegra aqui
Para tentar combater o Assédio na pós-graduação, a ANPG lançou em julho a campanha Com Assédio não se Brinca (Veja aqui) e criou o serviço de Ouvidoria para atender casos que precisem de auxílio. Você pode entrar em contato com a ouvidoria pelo e-mail: [email protected]
Ações dentro das Universidades
No ano passado, 2017, após um estudante de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) cometer suicídio, a depressão na pós-graduaçãon começou a chamar a atenção da mídia. Na época, ao jornal Folha de S.Paulo, a coordenadora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante da Unicamp, em Campinas (SP), disse que ainda não havia a percepção dentro das universidades de que a incidência de depressão e ansiedade entre pós-graduandos tenham uma ligação com o “ensino e a vida acadêmica”. “Em geral, considera-se que é um problema do aluno”, disse Tânia de Mello.
De acordo com números obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo na época, entre 2012 e 2017, cinco estudantes da Unifesp e UFABC cometeram suicídio e outros 22 na Ufscar tentaram tirar a própria vida.
Atentas aos números, algumas Universidades passaram a ter um “olhar especial” para essa questão. Em março deste ano, a Associação de Pós grdauandos da USP de Ribeirão Preto, SP, deu um passo importante no tratamento de doenças pisicológicas que atingem os estudantes da pós-graduação e conseguiu criar um atendimento dentro do campus.
“Nós da APG do Campus USP RP reconhecemos a necessidade de criar um atendimento para os pós-graduandos. Isso ficou evidente depois de dois casos de suícidio – um em São Paulo e outro aqui dentro da Universidade. A partir disso, fizemos uma mesa-redonda para discutir o que pode ser feito e os sinais de depressão. Com isso, começamos a mapear as demandas pisicológicas dentro do Campus e conseguimos uma ótima visibilidade dentro da própria USP. Após esses debates, a professora Dra. Laura Vilela e Souza, líder do grupo de pesquisa do CNPq DIALOG, teve a iniciativa de fazer um projeto de atendimento aos alunos”, conta Pâmella da Silva Beggiora, diretora de relações acadêmicas da APG/USP-RP.
Para a diretora da ANPG e da APG da UnB, Helena Augusta, o ideal também seria debater uma padronização dos programas de pós-graduação em relação a este assunto. “Deveriamos discutir sobre uma regulamentação padronizada que priorizasse a saúde mental do estudante nas decisões referentes à sua vida acadêmica, efetivamente levando em consideração seu estado de saúde mental com bom senso”.
E dentro da sua Universidade é oferido algum suporte? Conte para gente pelo e-mail [email protected].
Pós-graduando unidos
Na batalha em favor da vida é preciso que todos fiquem atentos. “Como pós-graduandos, podemos aderir à cultura de observarmos uns aos outros, com empatia, e nos acolhermos, favorecendo a formação de vínculos saudáveis, e valorizar também atividades que promovam a saúde física e mental – o que deveria ser valorizado sobretudo pelas autoridades do pós-graduando”, afirma Helena.
Confira algumas dicas para ajudar seu colega
Seja Disponível
Ofereça seu tempo para encontrar e sair com a pessoa que está se sentindo depressiva
Ouça
Apenas falar já pode ajudar a diminuir o sofrimento. Pratique a escuta atenciosa.
Não proponha soluções
Evite as frases de autoajuda e de exagerado otimismo, nem minimize os sentimentos da outra pessoa
Esqueça as regras
Não aponte estratégias e planos perfeitos para a cura da depressão
Estimule a procura por ajuda profissional
Aconselhe e encoraje a pessoa a buscar tratamento. Se for o caso, tente ajudá-la a tirar os preconceitos de se consultar com psicólogos e psiquiatras
Avise pessoas próximas
Caso a pessoa com depressão sinalize que pensa em suicídio, que não quer mais viver, entre em contato com pessoas da família.
Fonte: Fernando Fernandes, psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da USP, Guido Boabaid May, psiquiatra e CEO da GnTech e Guilherme Polanczyk, doutor em psiquiatria e professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Com o tema “Resistência e Pensamento crítico: Função social da Pós-graduação” o I Congresso Universitário da Pós-graduação acontece entre os dias 14 e 16. A realização foi concebida pela APG – UFRJ.
O objetivo do evento étratar questões que se fazem urgentes para os pós-graduandos, tais como permanência, extensão, direitos humanos, etc. Os frutos dos debates serão sistematizados e apresentados como teses ao “Congresso Universitário: um desafio necessário para o porvir da UFRJ”.
A ANPG estará presente. No dia 16 a presidenta da entidade participará dos debates.
O Congresso acontece no Colégio Brasileiro de Altos Estudos – CBAE – UFRJ e a entrada é gratuita. Faça a inscrição aqui

O reitor Cancellier foi preso pela Polícia Federal, na Operação Ouvidos Moucos, em setembro de 2017, e estava sendo investigado, sem saber, pela delegada Érika Mialik Marena.
Cancellier, que não tinha antecedente criminal algum, era suspeito de uma suposta tentativa de obstruir uma investigação sobre desvios no programa de educação a distância. A denúncia foi feita, principalmente, por um desafeto do reitor, o corregedor-geral da UFSC, Rodolfo Hickel do Prado, integrante da Advocacia-Geral da União em Santa Catarina.
Hoje completa um ano de sua prisão irresponsável e a ANPG saúda a memória de Cancellier.
O irmão do reitor, Acioli Cancellier de Olivo, escreveu uma emocionante carta aberta sobre este fatídico dia. Leia:
Meus caros professores,
Há exatamente um ano atrás eu nunca havia ouvido falar de seus nomes. Naquela manhã fui acordado com um telefonema de uma amigo que me perguntava: Você é parente do reitor da UFSC ? Ao responder que eu era irmão, disse-me que ele acabara de ser preso.
Naquela manhã, quando a Polícia Federal invadiu as sua residência e a do Cau, a violência da ação mudou drasticamente a vida de vocês e de suas famílias; foi o ato inicial de uma tragédia que nos levou o Cau, abalou profundamente nossa família, seus familiares, os amigos em comum, a UFSC e por que não dizer, o país inteiro que não se submete à ditadura dos tanques e togas, citando um jornalista.
Daquela data em diante, seus nomes começaram a me soar familiares e mesmo sem conhece-los, uma empatia imensa me ligou a cada um de vocês; o sofrimento de cada um de seus familiares me fazia sofrer, pois refletia o sofrimento de cada uma dos meus.
Cau se foi, seu gesto nos doeu muito, mas, em seguida, atentamos que o fez não por sua imagem enlameada, mas para mostrar a cada um de seus carrascos, que não se pode tirar o que de mais importante um homem digno possa ter: a honra. E passamos a nos orgulhar daquele gesto corajoso e heroico. Se no dia 14 de setembro de 2017, arrancaram da cama um homem digno, o cadáver que nos devolveram 18 dias após, não o reconhecemos. Não por seus ossos estraçalhados; não por sua carne dilacerada; não por sua face desfigurada. Não o reconhecemos porque aquele cadáver não tinha a mínima semelhança da pessoa que o Cau fora em vida: honrado, humanista, generoso e solidário.
Um ano se passou e, em todos esses dias, minha luta tem sido em uma única direção: resgatar a honra de meu irmão. Buscar que o Estado reconheça que seus agentes erraram. Erraram em caluniá-lo; erraram em humilhá-lo; erraram em castrá-lo, apartando daquilo que ele mais se orgulhava, servir a UFSC.
Meus caros amigos, se assim posso chamá-los, pois um sentimento de amizade e fraternidade nos uniu pela tragédia. Meus irmãos: vocês foram também vítimas da mesma injustiça; injustiça que não os levou deste mundo, mas que certamente causou perdas e danos irreparáveis. Que lhes irá devolver as angústias, sofrimentos e dores que cada um de vocês passou nestes últimos anos? Quem devolverá a cada um de seus entes queridos a alegria de viver, o brilho nos olhos e o sorriso que minguaram nestes 365 dias? Quem irá garantir que a sua tão esperada reintegração a UFSC ocorra sem traumas? Quem poderá dizer que vocês poderão ensinar, orientar e frequentar o meio acadêmico com a segurança de homens honestos e dignos, sem a certeza de um dedo acusador na figura de um aluno ou de seus próprios pares?
Em ocasião recente fiz uma analogia, que reitero: O Cau morreu, vocês sobreviveram. Mas esta sobrevida, sem a reparação integral da honra e dignidade feridas, equivale a uma morte em vida. Tramita no Congresso Nacional projeto de Lei que pune o abuso de autoridade, cujo relator no Senado, Roberto Requião, a denominou de Lei Cancellier. Mas não podemos esperar. A cada dia que passa, sem a devida reparação da honra de cada um de vocês, um pouco de cada um morre.
Então, meus queridos amigos e irmãos, nesta data simbólica, uno meus pensamentos aos seus; nosso familiares são solidários aos seus familiares. E me comprometo, a cada dia, com mais intensidade, envidar esforços na luta pela rediginficação do Cau e de todos vocês. Lutar pela recuperação da honra maculada de cada um é lutar pela garantia que nenhum ser humano seja julgado, condenado e executado sumariamente como vocês todos foram. E conclamo aos que não se conformam com o arbítrio, a se juntarem nesta escalada, pois citando o mesmo jornalista, “nas ditaduras, não há lugar para míopes inocentes.”
Um fraterno abraço
Acioli Cancellier de Olivo

Desde 2017, o grupo Parent in Science vem desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre maternidade/paternidade e a carreira científica. Através de questionários online, eles estão levantando dados para compreender se e como a maternidade/paternidade impactam a carreira de cientistas no Brasil, visando principalmente o desenvolvimento de políticas de apoio. Até o momento, o grupo obteve cerca de 1400 respostas aos questionários, mas o ideal é aumentar este número.
Participe!
– Pesquisadoras docentes mulheres do ensino superior (particular ou público) que realizam pesquisa científica com filhos nascidos a partir de 01/07/2007
– Pesquisadoras docentes mulheres do ensino superior (particular ou público) que realizam pesquisa científica sem filhos que foram contratadas a partir de 01/01/2002.
– Pesquisadores docentes homens do ensino superior (particular ou público) que realizam pesquisa científica e tenham tido filho(s) a partir de 2007
– Bolsistas de pós-doutorado (de qualquer agência de fomento) que realizam pesquisa científica e tenham tido filho(s) durante a vigência da bolsa
– Alunas de mestrado e doutorado (curso iniciado a partir de 2010) e tenham tido filho(s) durante a realização da pós-graduação
No canal do Youtube, é possível encontrar todos as palestras do I Simpósio Brasileiro sobre Maternidade e Ciência, realizado no mês de maio, onde foram apresentados os dados preliminares do projeto.
Nota de repúdio à agressão sofrida pelo candidato Jair Bolsonaro
A União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) vem à público lamentar profundamente o episódio ocorrido nesta quinta-feira (06 de setembro de 2018) com o candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro.
Reafirmamos nosso repúdio à atitudes e discursos que estimulam ódio e a violência e nosso compromisso com a garantia de um ambiente sadio para o debate de ideias e projetos dentro e fora do processo eleitoral para que o Brasil possa encontrar o caminho para as crises que assolam o povo brasileiro.
Estimamos nossos votos de recuperação ao candidato e que os fatos desta tarde sejam prontamente apurados e que o ambiente eleitoral, tão caro a nós, brasileiros, seja espaço de diálogo e exercício da cidadania.
06 de setembro de 2018.
Associação Nacional de Pós-Graduandos
União Nacional dos Estudantes
União Brasileira de Estudantes Secundaristas

A mais antiga instituição científica do Brasil pegou fogo neste último domingo, 2 de setembro. O Museu Nacional (MN), no Rio de Janeiro, era o local de referência de estudos de geologia, antropologia biológica, paleontologia, entre outras áreas, e deixou um vazio na cultura, história, ciência e afetividade brasileira.
A perda de seu acervo afeta diretamente a pós-graduação brasileira. No Museu eram oferecidos cursos de mestrado e doutorado em Antropologia Social, Arqueologia, Botânica e Zoologia, além de cursos de especialização em Línguas Indígenas Brasileiras, Gramática Gerativa e Cognição, e Geologia do Quaternário. “O MN abrigava nove cursos de pós-graduação, alguns dos quais internacionalmente reconhecidos pela qualidade da pesquisa realizada. A perda é incalculável. Todo o sistema nacional de pós-graduação será afetado pela destruição desse espaço. Além das perdas no campo das ciências naturais, a Antropologia e a Linguística também foram brutalmente afetadas. Uma perda irreparável para a história da humanidade. Também cabe considerar a perda direta para a cidade do Rio de Janeiro. O Museu Nacional era, provavelmente, a única opção viável de acesso à ciência para muitas crianças. Para esse público será ainda mais difícil conhecer e se integrar à ciência desde cedo”, conta o pesquisador e diretor da ANPG, Rafael Souza.
A presidenta da ANPG, Flávia Calé, reforça que a importância do Museu Nacional é refletida em diversas áreas. “Tínhamos um acervo de peças egípcias, por exemplo, que pertencerama Dom Pedro II, uma série de vertebrados e de dinossauros de 11 milhões de anos, sem falar em Luzia, o primeiro fóssil de um ser humano encontrado no Brasil e que abriu um debate sobre os fluxos migratórios que povoaram o mundo, entre outros. A importância do acervo do Museu Nacional, tanto quanto o do próprio edifício, onde viveu a família imperial, é inigualável. O museu é um pilar fundamental para a formação do cidadão, que tem contato com uma cultura universal. A pós-graduação brasileira precisa se mobilizar e debater os parâmetros para a sua reconstrução”, afirma Flávia.
A Diretora da pasta de cultura da ANPG, Maria Emília Vasconcelos, também exemplifica como este incêndio atinge a cultura. “O Museu Nacional é um patrimônio histórico tombado pelo Iphan e para além de seu tombamento físico o local era essencial para ciência e para a pós-grdauação brasileira. O curso de pós-graduação de antropologia formou antropologos renomados como Gilberto Freire e perdemos relatos históricos e culturais de documentos que carregam em seus papéis, imagens,esculturas que contam a nossa história. Isso não tem substituição. É uma grande perda”.
Os casos de mestrandos e doutorandos afetados pelo incêndio são muitos. Para Ruth Guimarães Torres, doutoranda em História pelo programa de pós-graduação da UFMG, que tinha como linha de pesquisa a atuação do Museu Nacional do Rio de Janeiro em defesa dos monumentos naturais no Brasil na década de 1930, este é um momento extremante complicado. “Já estou em contato com minha orientadora sobre o andamento da minha pesquisa. Vamos nos reunir para discutir o que pode ser feito, mas sinceramente não sei que rumo minha pesquisa vai tomar, pois não sei sobre a sua viabilidade, está tudo muito recente”, explicou.
Uma das principais fontes de Torres estava no Seção de Memória e Arquivo do Museu Nacional/UFRJ (SEMEAR), que ficava no MN e foi destruída. “A grande massa do Semear foi perdida e não estava digitalizada. Tenho cópias de algumas imagens, mas grande parte dos documentos que eu ainda não havia pesquisado não existe mais, infelizmente”, diz Ruth.
Para a pós-graduanda Juliana Goulart Silva, que pesquisava a Língua Guarani Mbya , a situação de sua pesquisa também está nebulosa. “Minha pesquisa de mestrado é sobre a proteção do profissional de línguas indígenas brasileiras e eu iniciaria esse ano. Não sei mais se vai começar”. O único mestrado profissional em línguas indígenas brasileiras oferecido por uma instituição pública no Brasil era realizado no Museu Nacional.
O diretor da ANPG, Rafael Souza, é estudante do PPG de Zoologia na UERJ desde 2013 e trabalha na área de Entomologia, especificamente, com sistemática e biogeografia de insetos da ordem Trichoptera. Ele conta como o incêndio pode afetar todas as pesquisas nesta área. “Apesar de ficar boa parte do meu tempo no Laboratório de Entomologia na Ilha do Fundão, o Museu Nacional sempre foi fundamental para mim e outros pesquisadores em Zoologia, não só do Brasil, mas também de diversas partes do mundo. A coleção abrigava cerca de 5 milhões de insetos dos mais diversos grupos e servia como referência e material testemunho de grande parte da pesquisa sobre a fauna do Brasil. Entre o material que foi perdido tínhamos exemplares coletados por grandes naturalistas como Fritz Muller, Julius Arp, Hermann Burmeister e Miguel Monné. Após as perdas decorrentes do incêndio no MN, precisaremos fazer um levantamento daquilo que foi perdido, em especial, dos exemplares-tipo, que foram utilizados para descrever espécies previamente desconhecidas. Infelizmente, muito de nós tivemos os projetos completamente inviabilizados e será necessário reiniciar do zero”, observa Rafael.
Entenda o que a ciência perde
O site da BBC NEWS publicou no dia 4 de setembro uma reportagem destacando as perdas em várias áreas do conhecimento. Confira:
Animais perdidos antes de serem identificados
No Brasil, foram descobertas onze espécies da família de titãs, como o Adamantissauro, o Brasilotitan e o Maxakalissauro – este último, exposto no Museu Nacional.
Pelo menos um terço das quase 30 espécies de dinossauros descobertas no Brasil estava no Museu. Ainda não se sabe o que pode ter sobrevivido ao fogo.
Insetos únicos no mundo
Para pesquisadores de áreas como a entomologia – o estudo de insetos -, a perda de espécimes (peças individuais) de borboletas e besouros que estavam no Museu também é considerada catastrófica, mesmo que eles ainda existam na natureza.
“Alguns dos espécimes que estavam lá foram usados para descrever aqueles animais pela primeira vez. Isso quer dizer que qualquer pessoa que está estudando estas espécies tem que revisar aquele exemplar inicial”, explica o entomólogo Marcus Guidoti à BBC News Brasil.
“Se perdemos esses exemplares, mesmo que tenhamos fotos, a identidade dessas espécies fica inacessível na prática”, completa Marcus.
Línguas desaparecidas para sempre
Para a antropóloga Adriana Facina, a perda do acervo do Museu Nacional “é comparável à perda de uma pessoa querida”.
“No caso da área de Antropologia Social, perdemos cadernos de campo, entrevistas, fotografias, trabalhos desde os anos 1960. São histórias e narrativas de pesquisadores que estudavam populações indígenas, camponeses, principalmente no Nordeste, migrantes”, disse à BBC News Brasil.
“O setor de linguística perdeu, para smpre, registros de línguas indígenas que não têm mais falantes vivos”, alerta Adriana.
Ainda não se sabe a extensão dos danos causados pelo incêndio, mas, nos arquivos de linguística, havia gravações de cantos indígenas feitas no final dos anos 1950, além dos únicos registros da localização de todas as etnias brasileiras feitos antes desta década.
Grande parte deles pertencia ao Arquivo Curt Nimuendaju, coleção de manuscritos e mapas feitos pelo etnólogo alemão Curt Unckel, que percorreu o Brasil estudando povos indígenas por mais de 40 anos.
Leia a matéria na íntegra: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45404257
Pós-graduação atenta: outros museus brasileiros pedem socorro
Pós-graduação atenta: outros museus brasileiros pedem socorro
O incêndio no MN não foi um acidente ou uma fatalidade. Foi um crime que representa toda a negligência e irresponsabilidade do poder público com as instituições públicas e o patrimônio histórico-cientifico-cultural do Brasil.
Não é de hoje que a ANPG vem denunciando os sucessivos cortes aplicados às universidades públicas brasileiras e à ciência. Estes, por sua vez, têm reverberado em consequências reais, comprometendo a manutenção dessas Instituições e dos equipamentos científicos vinculados, conduzindo a uma situação de extrema vulnerabilidade. Falta dinheiro para o trivial: água, luz, limpeza e pequenas reformas.
Agora, é preciso estar atento para que outra catástrofe não aconteça com outro museu. É importante ressaltar que o Brasil conta com 3834 museus. O estado de São Paulo lidera com 668, enquanto Roraima só tem cinco.
Veja por Estado:
Acre – 24
Alagoas – 67
Amapá – 9
Amazonas – 49
Bahia – 179
Ceará – 163
Distrito Federal – 78
Espírito Santo – 76
Goiás – 80
Maranhão – 36
Mato Grosso – 54
Mato Grosso do Sul – 65
Minas Gerais – 432
Pará – 54
Paraíba – 95
Paraná – 301
Pernambuco – 125
Piauí – 27
Rio de Janeiro – 325
Rio Grande do Norte – 80
Rio Grande do Sul – 468
Rondônia – 22
Roraima – 5
Santa Catarina – 257
São Paulo – 668
Sergipe – 35
Tocantis – 50
Fonte: http://museus.cultura.gov.br/busca/##(global:(enabled:(space:!t),filterEntity:space,map:(center:(lat:-15.77110917357528,lng:-47.87841796875),zoom:5)),space:(filters:(En_Estado:!(SE,TO))))
Listamos alguns locais que precisam de atenção:
Museu Paraense Emílio Goeldi
O MPEG, também chamado de “O Museu da Amazônia”, é o maior acervo da diversidade biológica e sociocultural da Floresta Amazônica e o segundo mais antigo Instituto de Pesquisa Científica do Brasil.
Localizado em Belém, o museu tem a missão de catalogar e analisar todo o conhecimento proveniente da fauna e flora da região, tornando-o público e contribuindo para a formação da memória cultural e para o desenvolvimento regional. Atualmente, é um dos maiores museus brasileiros, com cerca de 4,5 milhões de objetos tombados, reunidos em 17 grandes coleções. Ele se destaca também na pesquisa científica, na pós-graduação e conservação de acervos.
Assim como outros, o MPEG quase encerrou suas atividades por falta de verba em 2017. Graças a uma vaquinha feita pelos paraenses, ele encerrou suas contas no azul e não corre mais o risco de fechar as portas. Mas precisa de reparos e mais verbas.
Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos
No Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, no Rio de Janeiro, são feitas palestras, exposições e oficinas sobre a história da escravidão no país e sobre a cultura africana. Há também um passeio-aula em que os visitantes percorrem os locais da região que mais marcaram a vida quotidiana da população escrava.
No museu, é possível encontrar instrumentos que eram usados pelos escravos, como pontas de lança, argolas, colares, cachimbos e porcelanas, encontrados durante as escavações.
No ano passado, em 2017, o Instituto ficou sem receber verbas e, mesmo normalizado, após um ano o valor continua ineficiente para manutenção.
Parque Nacional da Serra da Capivara
Um dos maiores museus a céu aberto está abandonado. Além de ser uma reserva natural que mistura a caatinga à mata atlântica, o local é também a maior concentração de pinturas rupestres das Américas – e Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1991.
Sem recursos sequer para pagar os funcionários ou para cuidar das pinturas rupestres, a área está prestes a perder a proteção ambiental e arqueológica que existe desde os anos 70. A situação está tão ruim que a maior defensora do local, a arqueóloga Niède Guidon, já ameaçou largar tudo se algum dinheiro não fosse repassado pelo governo. Foi ela que pressionou o Estado a criar o parque, em 1978, e que dirige tudo por lá desde então – hoje, aos 83 anos, ela pode dizer que dedicou a vida ao lugar.
Museus de Minas Gerais
Museu de Arte da Pampulha (MAP), em BH
Parte do conjunto moderno, em Belo Horizonte, o equipamento cultural está aberto à visitação e aguarda recursos para restauro, incluindo investimento do PAC das Cidades Históricas.
Museu Georges Bernanos, em Barbacena
Na década de 1940, o escritor francês morou na cidade e hoje a direção do museu tombado pelo município busca meios para continuar a receber os visitantes. Descendentes de Bernanos se encarregam do projeto.
Museu Casa Natal de Santos Dumont, em Cabangu, em Santos Dumont
Com três pavimentos interditados há 10 anos, a direção do museu que guarda a memória do Pai da Aviação também busca meios para manter aberto o equipamento cultural inaugurado em 1973.
Museu Aurélio Dolabella/Casa da Cultura, em Santa Luzia
O solar diante da Matriz de Santa Luzia está fechado há mais de quatro anos e precisa de obras urgentes, principalmente na estrutura. Gambiarras próximas ao prédio assustam moradores e visitantes
Museu de São Paulo (Museu do Ipiranga)
O Ipiranga está fechado desde 2013, quando um laudo apontou risco iminente de desabamento do forro e o levou a ser interditado. Algumas das peças do museu –mais de 450 mil obras– foram transferidas para várias unidades. A previsão de reabertura é em 2022.
MAC (Museu de Arte Contemporânea)
O MAC também aguarda reforma. No caso deste museu é preciso reformar a reserva técnica, isto é, o espaço onde são guardadas as obras fora de exibição. Como o espaço corre risco de inundações, ele não pode receber a coleção, alojada de forma dispersa na parte expositiva do museu.
AJUDE A ANPG MAPEAR O MUSEU QUE PRECISA DE ATENÇÃO
Escreva para [email protected] e conte para gente a situação do Museu da sua cidade ou estado. Vamos acrescentar os relatos à matéria e você nós ajudará a mapear a situação como um todo.

No dia 21 de junho de 1918 os estudantes da Universidade Nacional de Córdoba marcaram época no movimento educacional Latino-americano. No Manifesto Liminar de Córdoba saúdam “os companheiros da América toda e os incita a colaborar na obra de liberdade que se inicia”.
O documento que se tornou em guia por todo os lutadores em defesa da educação e da universidade, influenciou o movimento estudantil francês expressava a reivindicação daqueles estudantes que afirmavam: Nosso regime universitário – mesmo o mais recente – é anacrônico. Está fundado sobre uma espécie de direito divino; o direito divino do professorado universitário. Acredita em si mesmo. Nele nasce e nele morre. Mantêm uma distância olímpica (…) Reivindica um governo estritamente democrático e sustenta que a comunidade universitária, a soberania, o direito de dar-se governo próprio radica principalmente nos estudantes. O conceito de autoridade que corresponde e acompanha um diretor ou um professor em um lar de estudantes universitários não pode apoiar-se na força de disciplinas estranhas à substância mesma dos estudos. A autoridade, em um lar de estudantes, não se exercita mandando, mas sugerindo e amando: ensinando”.
Os estudantes de Córdoba reivindicavam a atualização dos currículos, modernização da sua missão. Acreditavam que a universidade não deveria viver em uma espécie de Olimpo e se aproximasse do povo, para resolver os grandes problemas da sociedade. É desse movimento que surge a bandeira das eleições para reitor, paridade nos conselhos e toda a concepção de democracia universitária que pauta o movimento educacional até os dias de hoje. Assim afirmavam: “acabamos de romper a última corrente que, em pleno século XX, nos atava à antiga dominação monárquica e monástica. Resolvemos chamar todas as coisas pelos nomes que têm. Córdoba se redime. A partir de hoje contamos para o país uma vergonha a menos e uma liberdade a mais. As dores que ficam são as liberdades que faltam”
Diante disso, convidamos a todos a visitar esse rico acervo disponibilizado pela Clacso, em parceria com a Universidade Pedagógica Nacional da Argetina, que estará disponível aqui na página da ANPG também. Visite: https://www.clacso.org.ar/reformadel18/

100 años de la Reforma de Córdoba.
Las conmemoraciones activan y ponen en movimiento nuevas interpretaciones de los acontecimientos. Volver a mirar con preguntas renovadas los procesos históricos habilita aproximaciones originales. Descubrir nuevos materiales, hacer foco en nuevas problemáticas, rescatar ideas, figuras y corrientes constituyen operaciones intelectuales a las que nos convoca una coyuntura particular: los 100 años de la Reforma de Córdoba.
El Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales y la Universidad Pedagógica Nacional de Argentina ponen a disposición de investigadores, investigadoras, profesores, profesoras y estudiantes 100 textos fundamentales sobre la Reforma Universitaria en acceso abierto y libre. El repositorio busca contribuir con quienes están interesados en conocer la historia, los fundamentos y el devenir del movimiento reformista, construyendo nuevas miradas que habiliten otras lecturas, más amplias, problematizadoras del acontecimiento que cimbró las bases de las universidades latinoamericanas y caribeñas.
Pablo Gentili (Secretario Ejecutivo, CLACSO)
Adrian Cannellotto (Rector, UNIPE)
Dario Pulfer y Nicolás Arata (Coordinación Académica)

FORMULÁRIO PARA OS CANDIDATOS QUE APOIAM A PLATAFORMA ELEITORAL DA ANPG
Se você é candidato para presidente (a), senador (a), deputado (a) federal, estadual e distrital e apoia as propostas da ANPG preencha nosso formulário. Os amigos da Ciência e Educação podem contar com a nossa divulgação de suas candidaturas em nossas mídias sociais. (CLIQUE AQUI)
Pós-graduandos em defesa da Ciência, da Universidade e do Brasil
“O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos”
Darcy Ribeiro
Nos primeiros 15 anos desse século, o Brasil experimentou resultados produzidos pelos investimentos públicos em educação e ciência e tecnologia, setores estratégicos para o desenvolvimento nacional. Duplicamos a nossa estrutura cientifica, aumentando e expandindo parques tecnológicos e laboratórios, mais que dobramos nossos indicadores científicos e o número de matrículas nas universidades públicas, em especial na pós-graduação stricto sensu, que é responsável por quase 90% da ciência produzida no país. Conseguimos atingir as metas iniciais do Plano Nacional de Pós-Graduação (2010/2024) que aliadas às metas do Plano Nacional de Educação (2014/2024) colocariam o Brasil em outros patamares para a construção de nosso futuro.
Quando ainda temos muito a avançar, um cenário obscuro se apresentou e vimos a execução de um projeto político antidemocrático e antinacional que vem causando o desmonte do Estado brasileiro e atentando contra os investimentos públicos em áreas sociais e estratégicas. Personificado no presidente ilegítimo Michel Temer, esse projeto vem enfraquecendo a nossa democracia, retirando direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Um projeto assentado em uma política de austeridade com a economia voltada para os interesses do rentismo e capital estrangeiro. Além disso, vem solapando as oportunidades de saída para a crise econômica e a retomada do desenvolvimento, congelando os investimentos públicos por longos 20 anos, privatizando as estatais brasileiras – que são base para o desenvolvimento e ciência nacional – e sucateando as universidades com ataques ao seu caráter público. Com essa política, não cumpriremos as metas e objetivos do PNE e PNPG, descartando sua função social e colocando em risco toda a estrutura científica do país.
Diante desse cenário obscuro desde o golpe jurídico-parlamentar em 2016, novos desafios se descortinam e a ANPG e os pós-graduandos embora situados em uma conjuntura difícil não perdem as esperanças no Brasil. Um Brasil capaz de crescer com igualdade econômica, social e política, tendo a educação e ciência como alicerces para um projeto nacional. Um país com pleno emprego, e emprego qualificado em todas as áreas do conhecimento, com garantia de saúde, educação, transporte e moradia digna para a maioria da população. É esse desejo insistente que não permite nos furtarmos da responsabilidade histórica com a sociedade brasileira na defesa intransigente da soberania do país e na democracia.
Acreditamos no povo brasileiro e sua potencialidade. Com investimentos públicos em setores estratégicos conseguirá construir um projeto nacional de desenvolvimento para atender suas necessidades. Sabemos que a educação e a ciência e tecnologia têm enorme capacidade e potencial para a geração de riquezas e de transformação social e que esse conhecimento deve contribuir para reduzir as desigualdades socioeconômicas de nosso país. Nesse sentido, a Associação Nacional de Pós-graduandos apresenta aos candidatos(a) à presidência da República, ao Congresso Nacional e Assembleias Legislativas e Governos Estaduais a plataforma eleitoral dos pós-graduandos e pós-graduandas.
__________________________________________________________________________________________________
EM DEFESA DA DEMOCRACIA BRASILEIRA
Entidade filha da abertura democrática, a ANPG cerra fileira na defesa intransigente da democracia brasileira, que vem sendo constantemente atacada por forças políticas inconsequentes, sem compromisso com a participação e o desejo popular. Promoveram o afastamento de uma presidenta democraticamente eleita que não possuía contra si crimes de responsabilidade que justificasse tal processo e impediram a candidatura do líder nas pesquisas eleitorais. O cenário desenhado tem permitido incessante cerceamento das liberdades individuais e coletivas duramente conquistadas pelo povo brasileiro.
Por isso, estamos na defesa:
- Da soberania popular;
- Da Autonomia Didático-Cientifico das Universidades brasileiras e professores universitários;
- Da defesa da autonomia cientifica dos pós-graduandos(as) e pesquisadores(as) brasileiros(as);
- Da garantia do direito ao contraditório nos processos de investigações;
- Da garantia de eleições democráticas e que respeitem o direito de se candidatar, votar e ser votado e o cumprimento dos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, incluindo o de direitos humanos
__________________________________________________________________________________________________
EM DEFESA DA UNIVERSIDADE BRASILEIRA E DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
Com menos de um século de vida, as universidades públicas no Brasil desempenham papel fundamental, contribuindo não apenas para formação de profissionais com qualidade, mas também para produção cientifica, um fator estruturante para o desenvolvimento nacional. Entretanto, a universidade pública vem sendo ameaçada tanto por tentativas de cobranças de mensalidades quanto por meio do estrangulamento do orçamento do Ministério da Educação que vem desmontando o sistema nacional de educação.
Por isso, estamos na defesa:
- Garantia do caráter público, gratuito e de qualidade das Universidades brasileiras;
- Garantia dos 10% do PIB para educação pública brasileira;
- Ampliação da verba para o Plano Nacional de Assistência Estudantil e sua conversão em Política de Estado;
- Garantia da continuidade e ampliação das Políticas Afirmativas na graduação e pós-graduação;
- Garantia da Licença Maternidade para mães estudantes.
__________________________________________________________________________________________________
EM DEFESA DO SISTEMA NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E CIÊNCIA E TECNOLOGIA
As medidas de cortes e contingenciamentos dos investimentos nas universidades e na ciência e tecnologia vem solapando a valorização da pós-graduação, ciência e dos pesquisadores e pesquisadoras de modo que a ciência é impedida de exercer o seu papel social de contribuir com a formação de recursos humanos qualificados e na construção de conhecimento para a saída da crise financeira e para garantir o avanço e desenvolvimento do Brasil.
Por isso, estamos na defesa:
- Da revogação imediata da Emenda Constitucional 95 – Teto dos gastos;
- Da recomposição orçamentário do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia;
- De 2% do PIB para Ciência e Tecnologia;
- De 25% do Fundo Social do Pré-sal para Ciência e Tecnologia;
- Da ampliação e valorização das bolsas da pós-graduação;
- Da garantia dos cumprimentos das metas do Plano Nacional de Pós-Graduação;
- Da garantia dos direitos estudantis e trabalhistas para os pós-graduandos e pós-graduandas;
- De um Plano de reestruração dos Museus, Laboratórios e todo parque tecnológico no país.
__________________________________________________________________________________________________
EM DEFESA DE UMA SAÚDE PÚBLICA E DE QUALIDADE
O Sistema Único de Saúde, vem sendo duramente atacado pelo projeto neoliberal de Temer com graves ameaças a seu caráter público, gratuito e universal, mesmo que 75% da população brasileira sejam depende exclusivos desse sistema. Não obstante, apresentam a proposta de planos populares de saúde que visa cercear o direito da população ao acesso universal à saúde de qualidade além de fornecer atendimento ineficaz e de baixa qualidade.
Por isso estamos na defesa:
- De um SUS público, gratuito, universal e de qualidade;
- Por um financiamento adequado, contra a privatização do SUS e a proposta de planos populares de saúde.
__________________________________________________________________________________________________
EM DEFESA DA SOBERANIA BRASILEIRA E DE SUAS RIQUEZAS
A soberania do Brasil vem sendo duramente atacada e nossas riquezas vem sendo entregues à luz do dia a empresas e governos estrangeiros. A defesa de nossas riquezas, das empresas públicas e de nossa soberania joga luz no atual horizonte obscuro e garante que o Brasil tome para si seus rumos para construção de um projeto de desenvolvimento nacional que traga soberania e independência ao nosso povo, construindo assim um caminho de mitigação das desigualdades sociais que assolam a dignidade do povo brasileiro.
Por isso, estamos na defesa:
- Da Petrobras, contra qualquer política de privatização e da recomposição de sua força industrial;
- Da Eletrobrás, Embraer, Eletronuclear e demais empresas públicas brasileiras e contra todas as privatizações;
- Do Pré-sal como riqueza brasileira para retomada do desenvolvimento nacional, explorado por empresas brasileiras, em especial a PETROBRAS;
- Das águas brasileiras e contra a sua entrega ao capital privado;
- Das terras, matas, florestas e subsolo brasileiro;
- De uma campanha internacional pelo repatriamento do acervo brasileiro espalhado pelo equipamentos cientificos e culturais pelo mundo.
.__________________________________________________________________________________________________
PARA BAIXAR O PDF DA PLATAFORMA ELEITORAL DA ANPG 2018: Plataforma eleitoral

A Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) vem a público manifestar veemente contra à suspensão judicial liminar das cotas para travestis e transexuais, dispostas no edital 2018 do processo seletivo do curso de mestrado do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos da UFRJ.
Nos 30 anos da Constituição Cidadã, é com indignação que a entidade representativa do movimento nacional de pós-graduandas e pós-graduandos do Brasil recebe a notícia sobre a restrição da implementação de políticas afirmativas na pós-graduação nacional. Em uma conjuntura nacional marcada hoje pela supressão de direitos e retrocessos, que afeta diretamente a produção em ciência, tecnologia e inovação, ações públicas com objetivo ampliar o acesso e permanência de segmentos historicamente excluídos da pós-graduação são mecanismos institucionais centrais para o fortalecimento da cidadania no país.
O postulado argumentativo da ação popular oferecido pelo pastor Tupirani Lores, cuja liminar foi deferida pelo Juiz Federal Antônio Henrique Correia da Silva, é anacrônico e não dialoga com os avanços legais no campo dos direitos humanos, no marco da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 70 anos em 2018, tão pouco com a Declaração e Programa de Ação da Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena, que completam 25 anos também este ano, nem com os Princípios de Yogyakarta que estabelecem um conjunto de conceitos para aplicabilidade da legislação internacional dos direitos humanos correlatos à orientação sexual e identidade de gênero.
A suspensão de cotas para travestis e transexuais na pós-graduação vai de encontro com os avanços legislativos nacionais e com as definições mais recentes das altas Cortes de Justiça do país, sobre o tema da ampliação de direitos para este segmento populacional. O Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2018 decidiu pela não obrigatoriedade da cirurgia de redesignação sexual, laudos profissionais ou autorização judicial para retificação do registro civil de pessoas transexuais. Ainda em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o entendimento que mulheres transexuais e travestis identificam-se com o sexo feminino e as políticas afirmativas destinadas às mulheres, na sua diversidade, destinam-se a este público na Lei Eleitoral, bem como a participação de homens transexuais nas vagas destinados ao sexo masculino. Estas importantes decisões judiciais do STF e TSE inscrevem-se na base legal da urgência do Estado brasileiro em garantir equidade e justiça social para a população de travestis e transexuais do Brasil, que possui expectativa de vida de 35 anos, em detrimento da média nacional de 76 anos.
Medidas públicas que atuem na eliminação do preconceito e violências contra a população de travestis e transexuais, ampliando o acesso às políticas públicas de educação, ciência e tecnologia no Brasil, são urgentes. As políticas afirmativas são centrais na história recente do país para a democratização do acesso e no enfrentamento das múltiplas formas de desigualdade e segregação. Ampliar a cidadania é o disposto central do nosso Estado democrático de Direito e apenas conseguiremos garantir este postulado com a enfrentamento às formas específicas de segregação, que são evidentes nos dados científicos produzidos sobre o grupo populacional de travestis e transexuais em âmbito nacional. Estas segregações se expressam em situações abusivas, cruéis e de violações. Medidas de acesso aos bens públicos voltadas para sujeitos em vulnerabilidade social ampliam liberdades, auxiliam na proteção, potencializam o direito à vida segura e produzem avanços na equidade.
Ações afirmativas, como cotas para travestis e transexuais, geram impactos e avanços na educação e na pós-graduação, auxiliam na mudança de comportamento, nas práticas sócio-culturais e no direito à reparação. Algumas instituições apresentam maior responsabilidade em praticar e fortalecer a criação de espaços para a ampliação da cidadania, as universidades e os institutos nacionais de pesquisa orientam-se sob esta missão. Ampliar a possibilidade para o acesso ao direito humano à educação, como ocorre hoje em alguns programas de pós-graduação engajados e empenhados em responder ao conjunto de desafios postos para avançarmos no plano do conhecimento, das práticas e relações sociais, é urgente para enfrentar a crise democrática que vivemos.
Neste sentido, garantir o acesso de sujeitos sócio-diversos no campo da identidade de gênero é lutar contra a discriminação que impede o ingresso de travestis e transexuais na pós-graduação brasileira. A ANPG solidariza-se com o PPDH/UFRJ e soma-se às diversas correntes de opinião, como associações de docentes, discentes, de pesquisa, ciência e tecnologia que valorizam o Estado laico e democrático, no marco da pluralidade e respeito à diversidade e à diferença.
A ANPG manifesta-se contra todas as formas de opressão e ações judiciais que impeçam a democratização do acesso à pós-graduação no país. Afirmamos que é condição central para o fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação do país modificar a composição demográfica de quem produz pesquisa e para isso é urgente garantir a presença de discentes travestis e transexuais na pós-graduação brasileira.
Associação Nacional de Pós-graduandos, 04 de setembro de 2018