
O apreço pela democracia nunca foi tão forte entre os brasileiros, segundo pesquisa Datafolha e publicada pela Folha de São Paulo, para 69% dos eleitores, o regime democrático é a melhor forma de governo para o país. E a constituição brasileira, publicada em 5 de outubro de 1988, é o principal símbolo deste processo de redemocratização.
“O aniversário da Constituição Federal do Brasil rememora um período de grande luta pelo exercício da democracia. Muitos cidadãos brasileiros já nasceram sob a égide desta Constituição, mas para muitos outros a presente data é motivo de grande celebração do fim de um período de grande opressão que marcou o Brasil anterior à Carta Magna”, explica Welington Oliveira de Souza dos Anjos Costa, Diretor de Direitos da ANPG.
Costa ainda reforça: “Exemplo em garantia de direitos fundamentais, a Constituição Federal está fundamentada na cidadania e na dignidade da pessoa humana, valores muito caros a todos nós e que buscamos diariamente. A Constituição Federal garante diversos direitos que não podem ser banalizados em quaisquer contextos. Ao contrário, devem ser efetivados em todas as leis, especialmente quando falamos em educação para a conquista de uma sociedade cada vez melhor e plural”.
Um longo caminho para a publicação da Constituição
Na época da publicação da Constituição o Brasil vivia uma reabertura política. O país acabara de sair da Ditadura Militar (1964-1984) e a sociedade brasileira buscava criar uma nova Constituição para assegurar a liberdade de pensamento e mecanismos para evitar mecanismos de abuso de poder do Estado.
É importante lembrar que a Constituição anterior havia sido promulgada em 1967 é considerada a mais autoritária das constituições brasileiras por reunir medidas como a eleição indireta para presidente da República, a suspensão de direitos políticos de qualquer cidadão, a censura da imprensa e o poder absoluto para o presidente fechar o Congresso Nacional.
Além dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, cidadãos e entidades representativas (associações, sindicatos e movimentos sociais) puderam discutir os princípios gerais que deveriam nortear a constituição. Foi a primeira vez que emendas populares (alterações nas leis) foram permitidas em uma constituinte brasileira e que se realizaram audiências e consultas públicas no Congresso. Os artigos que compõem o texto foram sugeridos, escritos e revisados durante 20 meses. Foram mais de 80 mil emendas propostas ao todo.
A Constituição de 1988 foi definida pelo Ulysses Guimarães como “Constituição cidadã” porque amplia os direitos e garantias individuais em várias áreas. Além disso, contou com a participação efetiva da população.
ANPG é filha da abertura democrática
Darcy Ribeiro uma vez nos falou que “O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos”. E com e por causa desse sonho, há 32 anos, aos doze dias de julho de 1986, a sociedade brasileira testemunhava a fundação da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
Uma invenção do movimento de pós-graduandos que resistia bravamente as repressões, coerções e cerceamento de direitos da ditadura civil-militar, lutando pela democracia e por mais direitos para a categoria e também teve suas contribuições para a Constituição de 1988.
Mas no dia de comemorar 30 anos da Constituição a ANPG alerta para o ataque da democracia que estávamos vivendo. “A Constituição está sob ataque. Ela que tem como caraterística fundamental o bem estar social e assegurar ao cidadão serviços públicos de qualidade e direitos trabalhistas está sendo subjugada. Vivemos um Estado de exceção onde as instituições brasileiras estão diante de uma crise institucional profunda como, por exemplo, o judiciário e a Polícia Federal sobrepondo os outros poderes da república e instaurando um clima de perseguição política e de descumprimento da carta funcional de 88”, explica a presidenta da entidade Flávia Calé.
A presidenta da ANPG ainda reforça. “Precisamos defender a Carta de 1988 e fazer uma retomada do pacto democrático feito há 30 anos”. E ela ainda complementa: “Neste momento em que a constituição está sob ataque ainda temos, dentro do processo eleitoral, candidaturas como, por exemplo a de Jair Bolsonaro e do General Mourão que defendem que deve ser feito uma outra constituição e que ela não necessariamente deve emanar do povo e sim de uma elite escolhida por eles”.
Domingo, 7 de outubro, é a hora de todos nós selarmos novamente o pacto com a democracia através do voto. Viva a Constituição de 1988! Viva a democracia!
No dia 4 de setembro a ANPG lançou sua Plataforma Eleitoral (Veja aqui) com propostas para Educação, Ciência e Tecnologia. Na oportunidade a entidade pediu para os candidatos que apoiassem nossas propostas preencherem um formulário. Confira os candidatos que estão comprometidos com a nossa causa:
Presidente
Fernando Haddad
PT 13
@fernandohaddadoficial
Ciro Gomes
PDT 12
@cirogomes
Guilherme Boulos
PSOL 50
@guilhermeboulos.oficial
Todos os candidatos a presidente foram contactados pela ANPG, mas apenas os nomes citados acima responderam positivamente. Ainda estamos aguardando respostas de Marina e Geraldo Alckmin.
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Governo Estadual
Flávio Dino
PC do B 65
Maranhão
@flaviodino65
Luiz Costa
PC do B 65150
Santa Catarina
@luvizao
Marianna Rodrigues Vitório
PCB 21021
Rio Grande do Sul
@marianna_rodrigues
Fatima Bezerra
PT 13
Rio Grande do Norte
@fatimabezerra
Rui Costa
PT 13
Bahia
@ruicostaoficial
Paulo Camara
PSB 40
Pernambuco
@paulocamara40
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Senador
Professora Maria Lucia
PC do B 654
Mato Grosso
@marialuciasenadora
Vanessa Grazziotin
PC do B 656
Amazonas
@vanessagrazziotin
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Deputado Federal
Acre
Perpétua
PC do B 6513
Acre -Rio Branco
@perpetua_acre
Amapá
Professora Marcivania
PC do B 6565
@professora marcivania
Amazonas
Yann Evanovick
PC do B 6565
@yannevanovick
Bahia
Alice Portugal
PC do B 6522
@aliceportugal
Valmir Assunção
PT 1310
@depvalmir
Ceará
Silvinha Cavalleire
PC do B 6555
Ceará- Fortaleza
@silvinhacavalleire
Inácio Arruda
PC do B 6510
Ceará- Fortaleza
@inacio_6510
Distrito Federal
Ana Prestes
PC do B 6565
@anaprestesdf
Maranhão
Rubens Júnior
PC do B 6565
@rubenspereirajr65
Marcio Jerry
PC do B 6513
@marciojerry
Minas Gerais
Rogério Correia
PT 1313
Minas Gerais – Belo Horizonte
@rogeriocorreia_
Wadson Ribeiro
PC do B 6565
Minas Gerais-Belo Horizonte
@wadsonribeiromg
Paraná
Isabela Gobbo
PC do B 6515
Paraná -Ponta Grossa
@isabelagobbo_
Pernambuco
Renildo Calheiros
PC do B 6513
Pernambuco- Olinda
@renildocalheiros
Piauí
Isadora Cortez
PC do B 6565
Piauí- Teresina
@isa_mcortez
Rio de Janeiro
Tatiana Roque
PSOL 5010
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
@tatianaroque5010/
Wadih Damous
PT 1322
@wadihdamous_oficial
Daniel Iliescu
PC do B 6555
@dani.iliescu
Jandira Feghali
PC do B 6565
@j.feghali
Celso Pansera
PT 1301
@celsopansera
Rio Grande do Norte
Natália Bonavides
PT 1311
@nataliabonavides
Rio Grande do Sul
Fernanda Melchionna
PSOL 5050
@fernandapsol
Giovani Culau
PC do B 6565
@giovaniculau
Santa Catarina
Angela Albino
PC do B 6565
@angelaalbino
São Paulo
Ferraz Junior
Novo 3016
@ferrazjuniorNOVO
Orlando Silva
PC do B 6565
@orlandosilvaoficial
Sergipe
Lucimara Passos
PC do B 6555
@lucimara6555
Professora Ângela Melo
PT 1390
@professoraangelamelo
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Deputado Estadual
Ceará
Germana
PC do B 65656
Ceará – Fortaleza
@germanaujs
Maranhão
Eri Castro
PT 13065
Maranhão -São Luís
@ericastro
Minas Gerais
Mara Telles
PC do B 65888
Minas Gerais -Belo Horizonte
@maratellesreal
Luanna Ramalho
PC do B 65123
Minas Gerais
@LuannaRamalho65
Pernambuco
Verinha verônica Magalhães
PC do B 65517
Pernambuco – Recife
Verônica Magalhães
PC do B 65517
Pernambuco –Recife
@Verônica Magalhães
Flor Ribeiro
PC do B 65180
Pernambuco –Recife
@florribeirope
Piauí
Floro Mauel
PC do B 65222
Piauí-Teresina
@floromauel
Rio de Janeiro
Dani Balbi
PC do B 65800
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
@danieli.balbi
Robson Leite
PT 13013
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
@robson_leite
Gilberto Palmares
PT 13455
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
@gilbertopalmares
Rio Grande do Norte
Isolda Dantas
PT 13123
Rio Grande do Norte –Mossoró
@isoldadantaspt
Camila Barbosa
PSOL 50180
Rio Grande do Norte –Natal
@camilapsol
Santa Catarina
Lu’isa do Prado
PC do B Número 65099
Santa Catarina – Blumenau
Instagram: @luisadopradodep
São Paulo
Samuel Gomes de Jesus
PC do B 65658
São Paulo – Embu das Artes
@professorSamuel65658
Carina Vitral
PC do B 65180
São Paulo –Santos
@carinavitral
Gustavo Petta
PC do B 65123
São Paulo –Campinas
@gustavopetta
Sergipe
Taíres Santos
PC do B 13500
Sergipe – Itabaianinha
@taires13500
___________________________________________________________________________________________________
Deputado Distrital
Tamara Naiz
PC do B 65000
Distrito Federal
@Tamaranaiz
Guilherme da Hora Pereira
PC do B 65065
Distrito Federal
@guilhermedahora65

Milhares de mulheres saíram às ruas para bradar #EleNão neste sábado, 29 de setembro, em cidades de todas as regiões do Brasil. Unidas, produziram a maior manifestação popular já vista no Brasil.
O número total de pessoas que participaram das manifestações é incerto – a Polícia Militar não divulgou estimativas de público nas principais cidades, como costumava fazer durante as manifestações pró e contra o impeachment de Dilma Rousseff.
Segundo o G1, 114 cidades em 10 estados tiveram manifestações contrárias a Bolsonaro. Também houve atos em diferentes cidades do mundo, como Nova York, Lisboa, Paris, Berlim e Londres. As maiores manifestações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por imagens aéreas dos atos, cálculos que consideram a área ocupada pelos manifestantes produzem estimativas do número de presentes em uma análise conservadora e não científica: chega-se a cerca de 100 mil pessoas no Largo da Batata, em São Paulo, e 25 mil na Cinelândia, no Rio, no momento de pico.
“Foi um dia de muita emoção que renovou nossas esperanças no futuro. Foram mais de 200 cidades no Brasil e no mundo. A mais bela demonstração da força social que emerge vigorosa e consistente, a força feminina e feminista. Prevaleceu não o revanchismo, mas os melhores sentimentos humanitários e democráticos. O #EleNão virou um movimento político, que extrapolou qualquer sentimento corporativo que o reduza à temática de gênero. Trata-se da expressão de uma maioria social por tanto tempo invisibilizada, que tomou para si a responsabilidade de contribuir para a construção de um projeto de Brasil”, explicou a presidenta da ANPG, Flávia Calé.
Confira nota da Universidade Estadual do Estado do Amapá:
Este tomo refere-se ao conjunto de propostas dos grupos de discussões, individuais, dos Fóruns de Educação Básica, de Divulgação Científica, as moções e as cartas de saúde, das mulheres e de Brasília, onde, no primeiro dia de julho do ano de dois mil e dezoito, na Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos, na Universidade de Brasília (UnB), cerca de 700 delegados (as) e suplentes eleitos (as) de 72 instituições de ensino e/ou pesquisa de 20 Estados, reuniram-se na plenária final aprovando a eleição da nova diretoria 2018-2020, bem como o conjunto das propostas que nortearão os próximo biênio da nova gestão.
Veja o documento: tomo 26 congresso
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem esclarecer, em relação à matéria publicada em 21 de setembro de 2018 pela Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), que destacou a avaliação realizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) classificando a execução orçamentária-financeira da Fiocruz nas ações de Ensino e Pesquisa e de Modernização das Unidades de Pesquisa como intolerável, que a avaliação realizada pelo Conselho se deteve ao período de janeiro a abril de 2018. Passados mais de cinco meses do período coberto pela avaliação do CNS a situação de execução orçamentária da Fiocruz nas ações de Ensino e Pesquisa e de Modernização das Unidades de Pesquisa é diversa da apontada em relação àquele período. Até 19 de setembro, a Fiocruz empenhou 96% do orçamento da ação de Ensino, 72% da ação de Pesquisa e 49% da ação de Modernização, quando considerada a dotação disponível para empenho. Em relação à ação de Modernização, cabe ressaltar que por contemplar parte significativa de despesas de capital, tem sua execução atrelada ao processo de compras compartilhadas, que encontra-se em fase final. A execução orçamentária-financeira da Fiocruz até o momento reforça a necessidade de liberação dos 134 milhões que foram contingenciados no início do ano. A Fiocruz encontra-se em processo de negociação com o Ministério da Saúde para que o desbloqueio desses recursos seja realizado até o final do exercício de 2018.


Minas Gerais está enfrentando uma crise financeira que tem refletido em políticas públicas básicas como Ciência e Tecnologia. Os cortes executados pelo governo federal impactaram de maneira voraz em fundações estaduais e institutos de pesquisa o que ajudou a gerar atraso nos repasses de verbas do governo estadual através da Secretaria da Fazenda à FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, agência mineira de fomento à Ciência e Tecnologia, setor essencial para o desenvolvimento do estado.
Com atrasos frequentes dos repasses, pesquisadores bolsistas vinculados à FAPEMIG estão enfrentando dificuldades estruturais como relata Renata Ranielly, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da UFV ao afirmar que “aluguel tem data para vencer” e muitas vezes faltam condições de se alimentar, mas que mesmo com todas as dificuldades de se manter pesquisando, ela considera a pesquisa científica “engrenagem para o desenvolvimento de um país”, afirma que escolheu ser pesquisadora porque “é fascinante ver uma ideia sair do papel para realidade e gerar resultados que possam mudar a história do nosso país”, mas pondera ” infelizmente, isso é quase impossível por conta do sucateamento” [da Ciência e Tecnologia].
Para compreender melhor a razão dos atrasos e saber o porquê da demora no pagamento das bolsas quando as gestoras recebem a verba, Diogo Baiero e Marianna Ribeiro, Diretores da Associação de Pós-Graduandos estiveram na sede Fundação Arthur Bernardes – FUNARBE e conversaram com Frederico Carmo, do Núcleo de Gestão de Recursos que explicou os trâmites para que o dinheiro chegue na conta do bolsista.

Carmo destaca que do recurso a ser empenhado à FAPEMIG até chegar na conta do bolsista há um longo caminho percorrido e que as burocracias bancárias de compensação dos valores contribuem com a morosidade no pagamento.
“Quando o dinheiro é creditado na conta da FUNARBE, damos prioridade aos pagamentos dos bolsistas porque recebemos muitos relatos de estudantes passando necessidade por causa dos atrasos.”
A APG UFV tem se colocado disponível a tornar os atrasos menos impactantes, como a articulação feita com a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e o mandando de segurança preventivo que a Associação move contra a FAPEMIG e o governo do estado de Minas Gerais.
Fonte: APG-UFV (Por Marianna Ribeiro, mestranda em Letras pela UFV. Contribuiu Diogo Baiero, doutorando em Ciência Florestal pela UFV)
Nesta manhã, do dia 21 de setembro, a Comissão de Financiamento do Conselho Nacional de Saúde se reuniu para debater sobre os recursos para saúde. Chamou a atenção os valores o empenho e a liquidação dos recursos da FioCruz.
Segundo documento obtidos pela ANPG, a classificação orçamentária e financeira (janeiro-abril 2018) recebeu a classificação intolerável do CNS, sobretudo nos quesitos que são atividades-fim da FioCRuz como, por exemplo, estudos e pesquisas e modernização das unidades. (Veja Tabela).
É necessário lembrar a importância da FioCruz para a saúde brasileira. Em 115 anos o instituto tem contribuído por meio de descobertas científicas, produção de vacinas e medicamentos, formação de profissionais de vários níveis para o SUS, desenvolvimento de pesquisas, atendimento de referência à população, fortalecimento do pensamento crítico sobre a saúde e a sociedade, entre outras contribuições. Vale destacar como a FioCuz foi imprescindível e rápida em dar respostas para o Zika vírus, além de estar sempre presente em publicações como a Nature e Sience.
A ANPG destaca que este nível de orçamento pode inviabilizar projetos de pesquisas importantes para a saúde pública no Brasil como, por exemplo, o estudo de vacinas para o vírus do Zika. Além disso, hoje a Fiocruz tem 21 unidades técnico-científicas, sendo 11 localizadas no Rio de Janeiro, 10 localizadas em outros estados brasileiros e uma unidade em Maputo, capital do Moçambique.

De acordo com a classificação orçamentária o Intolerável em nível de emprenho é 22% < X < 27% e o nível de liquidação é de 17% < X < 22%
Veja a nota de resposta da FioCruz aqui

A Semana De Meninas e Mulheres Na Ciência é um evento que busca incentivar meninas que ainda estão em idade escolar a conhecer as ciências e motivá-las para que acreditem que mulheres podem ocupar todos os espaços na sociedade. O evento será realizado do dia 5 a 9 de novembro de 2018 na UERJ (Rio de Janeiro).
Durante o evento serão oferecidas quatro oficinas por dia para meninas de 12 a 17 anos. As oficinas focarão nos seguintes temas: física, química, biologia e geociências.
As inscrições estão abertas no site até dia 1 de Novembro! Não deixe para última hora pois as vagas são limitadas!
Ah, e os adultos e meninos não precisam ficar chateados, pois o evento também contará com outras atividades para todos os públicos!
ATENÇÃO: Apenas as oficinas necessitam de inscrição, para participar das outras atividades do evento ela não será necessária, é só aparecer lá!
http://mmciencia.com.br

A pós-graduação é um período intenso para os estudantes. São anos de dedicação a uma pesquisa, com rigorosa análise e concorrência acadêmica acirrada. A pressão dentro da Universidade, de algumas famílias e até do mercado de trabalho levam alguns pós-graduandos a viverem verdadeiras situações-limite. Não é a toa que distúrbios como depressão e ansiedade estão cada vez mais recorrentes na pós-graduação e chamam a atenção de pesquisadores e de Universidades do mundo inteiro para o tema.
Em abril deste ano, a Revista Nature publicou um estudo no qual aponta que estudantes de pós-graduação têm seis vezes mais chance de enfrentar depressão e ansiedade (leia aqui). Ainda de acordo com a pesquisa apresentada na publicação, em que foram entrevistados mais de 2.200 estudantes de 26 países, sendo 90% deles alunos de doutorado, e o restante de mestrado, mostra que 41% e 39% dos entrevistados apresentaram sinais de ansiedade e depressão, respectivamente, de nível moderado ou grave. Na população em geral, em média, esses índices são ambos de 6%.
Além desta pesquisa, a Revista da Fapesp de dezembro de 2017 trouxe um estudo publicado em 2001 na Educational Psychology, do Reino Unido, que verificou que 53% dos pesquisadores das universidades britânicas sofriam de algum distúrbio mental, enquanto na Austrália a taxa foi considerada até quatro vezes maior no meio acadêmico em comparação com a população de modo geral.
Para a Diretora de Saúde da ANPG, Yasmin Melo, é possível reconhecer a depressão além das pesquisas. “Na nossa própria vivência com os amigos e amigas durante a pós-graduação, podemos observar um grande número de estudantes com transtornos de ansiedade e depressão. Acredito que os principais fatores disso acontecer são a grande exigência, além da conta do aluno, durante o processo de aprendizagem, os prazos curtíssimos para entrega de produções, a máquina de publicar artigos em revistas com os melhores qualis possíveis, o descaso dos orientadores com seus discentes… enfim, uma rotina absurdamente intensa”, explica.
Melo também reforça que a competição predatória em que as instituições e orientadores colocam os alunos é um fator ainda mais agravante. “Estamos o tempo inteiro em competição por bolsas de estudos, vagas de estágio, participação em grupos de pesquisa e intercâmbio, por exemplo”.
O papel do orientador
Todo pós-graduando tem um orientador, um professor que irá ajudá-lo na conclusão de curso, dissertação ou tese e que representa uma figura central na vida do estudante. Por isso, ele pode desempenhar um papel fundamental na hora de reconhecer algum problema nos distúrbios de seu aluno e ajudá-lo.
De acordo com Eduardo Benedicto, coordenador do Centro de Orientação Psicológica da USP de Ribeirão Preto, em entrevista para a Folha de São Paulo, é preciso levar em conta as especificidades de cada caso. “Não se trata de transformar a figura do orientador em um terapeuta, mas me parece fundamental que ele tenha sensibilidade às características de cada aluno”, diz Benedicto.
Para a Diretora de Saúde da ANPG, seria importante que os orientadores estivessem atentos às dificuldades de seus alunos. “Na maioria das vezes o orientador acaba se distanciando do pós-graduando, por isso, é importante ele orientar de fato e acompanhar mais de perto. Valorizar o cuidado com o seu orientando, é olhar um a um, é colocar prazos possíveis para o pós-graduando”, diz.
Assédio na pós-graduação
Humilhações em reuniões e aulas, omissão na resposta sobre a orientação, abandono de responsabilidades com o orientado, pedido para realização de tarefas não relacionada à pesquisa, corte de bolsas e reprovação não justificadas ou com justificativas falsas ou não acadêmicas. A lista do assédio na pós-graduação é enorme e essas atitudes podem levar os alunos a quadros de depressão entre outros disturbios. “Naturalmente, o pós-graduando é um ser humano, que ao sofrer assédio, pode ser impactado emocionalmente, o que reflete em sua vida e consequentemente no seu trabalho. Esse impacto não foi ainda mensurado a nível nacional. Sabe-se porém, por levantamento realizado pelas Universidades de Kentucky e de Ghent (2017) com cerca de 3.659 doutorandos, que 39% apresentam um perfil de depressão moderada ou grave, a frente dos 6% da população geral”, explica a diretora da ANPG, Helena Augusta.
Helena que também faz parte da APG da UnB que fez uma pesquisa com os pós-graduando da Universidade de Brasília e dos 637 participantes, de adesão espontânea, cerca de 10% afirmaram que pensam em suicídio entre todos os dias a uma vez por semana. Você pode conferir a pesquisa na íntegra aqui
Para tentar combater o Assédio na pós-graduação, a ANPG lançou em julho a campanha Com Assédio não se Brinca (Veja aqui) e criou o serviço de Ouvidoria para atender casos que precisem de auxílio. Você pode entrar em contato com a ouvidoria pelo e-mail: [email protected]
Ações dentro das Universidades
No ano passado, 2017, após um estudante de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) cometer suicídio, a depressão na pós-graduaçãon começou a chamar a atenção da mídia. Na época, ao jornal Folha de S.Paulo, a coordenadora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante da Unicamp, em Campinas (SP), disse que ainda não havia a percepção dentro das universidades de que a incidência de depressão e ansiedade entre pós-graduandos tenham uma ligação com o “ensino e a vida acadêmica”. “Em geral, considera-se que é um problema do aluno”, disse Tânia de Mello.
De acordo com números obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo na época, entre 2012 e 2017, cinco estudantes da Unifesp e UFABC cometeram suicídio e outros 22 na Ufscar tentaram tirar a própria vida.
Atentas aos números, algumas Universidades passaram a ter um “olhar especial” para essa questão. Em março deste ano, a Associação de Pós grdauandos da USP de Ribeirão Preto, SP, deu um passo importante no tratamento de doenças pisicológicas que atingem os estudantes da pós-graduação e conseguiu criar um atendimento dentro do campus.
“Nós da APG do Campus USP RP reconhecemos a necessidade de criar um atendimento para os pós-graduandos. Isso ficou evidente depois de dois casos de suícidio – um em São Paulo e outro aqui dentro da Universidade. A partir disso, fizemos uma mesa-redonda para discutir o que pode ser feito e os sinais de depressão. Com isso, começamos a mapear as demandas pisicológicas dentro do Campus e conseguimos uma ótima visibilidade dentro da própria USP. Após esses debates, a professora Dra. Laura Vilela e Souza, líder do grupo de pesquisa do CNPq DIALOG, teve a iniciativa de fazer um projeto de atendimento aos alunos”, conta Pâmella da Silva Beggiora, diretora de relações acadêmicas da APG/USP-RP.
Para a diretora da ANPG e da APG da UnB, Helena Augusta, o ideal também seria debater uma padronização dos programas de pós-graduação em relação a este assunto. “Deveriamos discutir sobre uma regulamentação padronizada que priorizasse a saúde mental do estudante nas decisões referentes à sua vida acadêmica, efetivamente levando em consideração seu estado de saúde mental com bom senso”.
E dentro da sua Universidade é oferido algum suporte? Conte para gente pelo e-mail [email protected].
Pós-graduando unidos
Na batalha em favor da vida é preciso que todos fiquem atentos. “Como pós-graduandos, podemos aderir à cultura de observarmos uns aos outros, com empatia, e nos acolhermos, favorecendo a formação de vínculos saudáveis, e valorizar também atividades que promovam a saúde física e mental – o que deveria ser valorizado sobretudo pelas autoridades do pós-graduando”, afirma Helena.
Confira algumas dicas para ajudar seu colega
Seja Disponível
Ofereça seu tempo para encontrar e sair com a pessoa que está se sentindo depressiva
Ouça
Apenas falar já pode ajudar a diminuir o sofrimento. Pratique a escuta atenciosa.
Não proponha soluções
Evite as frases de autoajuda e de exagerado otimismo, nem minimize os sentimentos da outra pessoa
Esqueça as regras
Não aponte estratégias e planos perfeitos para a cura da depressão
Estimule a procura por ajuda profissional
Aconselhe e encoraje a pessoa a buscar tratamento. Se for o caso, tente ajudá-la a tirar os preconceitos de se consultar com psicólogos e psiquiatras
Avise pessoas próximas
Caso a pessoa com depressão sinalize que pensa em suicídio, que não quer mais viver, entre em contato com pessoas da família.
Fonte: Fernando Fernandes, psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da USP, Guido Boabaid May, psiquiatra e CEO da GnTech e Guilherme Polanczyk, doutor em psiquiatria e professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.