A Associação Nacional de Pós-Graduandos convoca todas as Associações de Pós-Graduandos do Brasil para a 41ª reunião do Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos, que teve sua data alterada para os dias 24 a 26 de novembro de 2017, na cidade de São Luís, estado do Maranhão.
Agora as entidades podem filiar-se e indicar delegados até 28 de outubro de 2017. O credenciamento será feito até 30 de outubro na sede na ANPG em São Paulo.
Apenas no dia 1 de novembro será liberada a lista das entidades aptas a participarem do CONAP.
Veja mais informações de como se filiar aqui
Mais sobre o CONAP
O CONAP é fórum constituído pelas entidades associadas devidamente filiadas a ANPG, tendo cada entidade o direito a um voto e que se acontece em caráter ordinário pelo menos uma vez a cada gestão da ANPG, em anos contrários ao Congresso Nacional de Pós-Graduandos. São consideradas entidades filiadas à ANPG as entidades integrantes do movimento nacional de pós-graduandos, sendo as Associações de Pós-Graduandos (APGs) representativas de universidades, campus, Institutos de Pesquisa ou programas de pós-graduação, as Federações ou Associações Estudantis de área.
O 41 ª CONAP terá como tema “Pós-graduandos em defesa da Ciência e do Brasil! Pugnar pela democracia, superar a crise e conquistar direitos”. No fórum serão debatidas e definidas as campanhas e pautas da ANPG além de informes, revisão do documento de direitos e deveres dos pós-graduandos, elaboração de propostas para alteração do estatuto da ANPG, apresentação do relatório político e financeiro da atual gestão da ANPG, substituições na diretoria gestão 2016/2018 e a convocação do 26º Congresso Nacional de Pós-Graduandos (CNPG) e outros assuntos.

O Jornal Correio Brasiliense publicou uma reportagem esta semana que fala sobre a situação da Universidade Federal de Brasília e que a mesma deve fechar o ano deve fechar o ano com deficit de R$ 105 milhões.
A reportagem fala dos “malabarismos” que a reitoria está sendo obrigada a fazer: A solução, de acordo com o chefe de gabinete da reitoria, Paulo César Marques, passa, necessariamente, pelo Ministério da Educação (MEC). Ou a pasta libera verba extra para a instituição, ou permite que os gestores utilizem os lucros com convênios, contratos e aluguéis arrecadados, que estão acima dos valores permitidos pela lei orçamentária e retidos pelo governo federal. Por enquanto, uma possível suspensão das aulas está fora de questão, mas há o risco de a universidade não pagar fornecedores ou prestadores de serviço e até demitir mais terceirizados.
Segundo o jornal e de acordo com Paulo César, gestores da universidade estão constantemente em contato com o MEC para tentar negociar uma complementação orçamentária. “Os técnicos que conversam conosco conhecem a situação, mas não tivemos sinal positivo. Também estamos tentando tirar a previsão de orçamento em investimentos para colocar em custeio. É ruim, mas é a solução que conseguimos. Na prática, estamos passando por mau pagadores. Todos os fornecedores da universidade estão sujeitos à nossa necessidade de negociação para rolar a dívida. No ano que vem, teremos um novo orçamento, ainda mais apertado. Mas, com os cortes e reduções que estamos fazendo, esperamos que as despesas em 2018 sejam menores”, avalia.
O prejuízo, até agora, está pulverizado em diversas áreas da instituição. Com menos profissionais na limpeza, a higiene de banheiros está comprometida, embora continue sendo feita. Estudantes reclamam, também, da qualidade dos alimentos do Restaurante Universitário. Em agosto, a UnB não pagou a manutenção dos telefones e trabalha para reduzir os gastos com energia elétrica e com água. Sobre o adicional pago pelo MEC em setembro, o chefe de gabinete da reitoria explica que, na verdade, a pasta tem repassado menos que o valor mensal previsto no orçamento, à exceção de setembro. “Mas, mesmo que eles tivessem pagado todos os meses 100%, isso não reduziria em nada o deficit orçamentário”, reforça.
Leia a reportagem completa AQUI

No dia 2 de outubro foi marcado pelo lançamento da rente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional. O evento contou com a presença de cerca de 600 pessoas, entre parlamentares e representantes de organizações civis, setor privado, acadêmicos, sindicalistas, movimentos sociais e profissionais.
Pauta histórica da Casa, a soberania nacional tem figurado em debates nacionais em curso em todo o país tendo como questão central as graves ameaças que atingem diretamente a soberania da nação brasileira. Criada com a participação de 18 senadores e 201 deputados federais de diversos partidos, a Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional tem como presidente o senador Roberto Requião (PMDB/PR) e como secretário-geral o deputado Patrus Ananias (PT/MG).
“A organização dessa Frente Parlamentar é um capítulo de um processo antigo, e ela é de todos nós. O Brasil é grande demais para não ter projeto próprio e ficar atrelado ao projeto geopolítico de outros países”, disse o senador Roberto Requião. O presidente da Frente Parlamentar fez um retrospecto da composição geopolítica mundial a partir da Segunda Guerra Mundial, passando pela disputa entre EUA e União Soviética na Guerra Fria e, nos anos 1990, a ascensão do neoliberalismo e do capital financeiro, ”que afastaram o ideal de Estado de Bem-Estar Social da Europa e os ideais nacionalistas no Brasil”. Para o senador, existe um desmonte sistemático das políticas de soberania nacional no Brasil que fortalecem o capital financeiro global, colocando o país em posição vulnerável em relação ao domínio econômico da Europa e dos EUA. “O projeto dessa Frente é aberto, e pretendendo abrir espaço para um projeto nacional que consiga, através do convencimento das pessoas e da mobilização, fazer a mudança da economia e nos objetivos nacionais permanentes do país. Estamos abertos a todos os grupos e partidos, em busca de unidade”, garantiu Requião.
Para saber mais

A discussão sobre o direito animal é frequente no meio acadêmico. Para as novas normas foi instalada no dia 5 de outubro, uma subcomissão Permanente em Defesa do Direito Animal, ligada à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
A subcomissão, proposta pelo deputado Marcelo Álvaro Antônio (PR-MG) tem a proposta de acompanhar as políticas públicas voltadas aos animais e analisar proposições relacionadas a estes.
O parlamentar explica que, constantemente a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável analisa proposições relacionadas aos animais que, em boa parte, merecem mais tempo de discussão com a sociedade e uma análise mais específica.
“As políticas públicas voltadas aos animais são de extrema necessidade para as cidades e para os seres humanos. As políticas desenvolvidas no sentido de controle populacional, castração, resgate e vacinação têm de ser de perto acompanhadas. Além da questão de saúde pública, temos o dever de fiscalizar para evitar que sejam desenvolvidas políticas de forma a ferir a dignidade aos animais ou criar outros problemas públicos”, argumenta.
Fonte: Agência Câmara Notícias’

A conceituada revista Nature publicou hoje, 06 de outubro, uma matéria completa sobre a crise da ciência brasileira. Segundo a publicação, o presidente Michel Temer reduziu o financiamento para a ciência em 44% em março e propôs reduções adicionais para 2018 – mesmo que alguns institutos de ciência não tenham dinheiro para necessidades básicas, como o pagamento de contas de eletricidade. O orçamento científico de 2017, em 3,2 bilhões de reais (US $ 1 bilhão), é o menor que o país tem visto em pelo menos 12 anos.
Ainda no artigo, a Nature reforça que no dia 3 de outubro, o governo anunciou que enviará apenas 440 milhões de reais para agências científicas para elas se manterem até o final do ano. Mas o dinheiro é apenas cerca de 20% do que é necessário.
“Os pesquisadores continuam a manifestar sobre um possível colapso da ciência. Dia 8 de outubro acontecerá mais uma Marcha pela Ciência em São Paulo – esta é a terceira manifestação deste ano protestando contra os déficits de financiamento. E em 10 de outubro, uma campanha de conscientização pública chamada Conhecimento Sem Cortes (conhecimento sem cortes) enviará uma petição ao Congresso com mais de 80 mil assinaturas que protestem contra os cortes e uma emenda constitucional de 2016 que colocou um limite de 20 anos nos gastos federais”.
Para ler a matéria completa em inglês: http://www.nature.com/news/scientists-plead-with-brazilian-government-to-restore-funding-1.22757
ANPG chama para o dia 8 de outubro
A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), frente ao dramático quadro de cortes e desmontes pelos quais passa a ciência nacional, convida toda a comunidade acadêmica e apoiadores em geral para manifestar-se contra as medidas regressivas e em defesa dos investimentos públicos em CT&I.
A reunião acontecerá no dia 08/10, próximo domingo, às 12h, no vão do MASP na cidade de São Paulo.
Participe!
Pauta: Contingenciamento e cortes na ciência e educação
Conselho Nacional das Associações de Pós-Graduandos (CONAP)

A fiscalização da prática de preços abusivos dos ingressos sob a alegação do cumprimento da meia-entrada está com os dias contados no Rio de Janeiro. Uma parceria entre as entidades estudantis, ANPG, UNE e UBES com o Procon/RJ e com o apoio das Comissões de Defesa do Consumidor e de Entretenimento da OAB/RJ promete uma maior fiscalização sobre a venda dos 40% das bilhetarias com desconto está sendo de fato realizada.
“Esta foi uma parceria que foi construída em conjunto entre as entidades e o órgão de defesa do consumidor. Estamos sempre atualizando e modernizando nosso banco de dados e seu compartilhamento oferecerá uma fiscalização mais efetiva”, explica Lis Volpe, tesoureira da ANPG.
Na assinatura do acordo, as entidades se comprometeram a informar ao órgão, quando solicitado, em até dez dias, a comprovação de que os relatórios apresentados pelos estabelecimentos sobre o quantitativo de meia-entrada foram destinados aos estudantes, ou relatórios mostrando que os estabelecimentos deixaram de prestar a informação.
“A primeira ação que faremos no Rio de Janeiro é um curso de capacitação para produtoras de eventos e espetáculos culturais e esportivos sobre a legislação da meia-entrada e dicas para identificar carteiras falsificadas”, contou Volpe.
A tesoureira ainda acrescenta: “Esta ação precisa alcançar o Brasil inteiro. Este é apenas o começo. O documento do estudante é um direito que precisa ser respeitado”.
Para mais informações do Documento do estudante
www.documentodoestudante.com.br
Sobre os cursos no Rio de Janeiro
As inscrições já estão abertas e a primeira turma começa dia 31 de outubro. Inscrições gratuitas pelo e-mail [email protected].

Está semana duas notícias chamaram a atenção de toda a comunidade acadêmica. Primeiro, foi a morte do Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, na segunda-feira (2 de outubro), um dia depois chega a decisão do reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia, Naomar Almeida Filho, pedir exoneração.
Além de pedir a exoneração do cargo, o reitor divulgou uma carta aberta no começo da semana, na qual denuncia o desmonte da universidade pública. “A partir de 2015, frente ao agravamento da crise política e subsequente redução do financiamento da universidade pública brasileira, sofremos profundo desgaste interno, intensificado pela suspensão de novos concursos federais, fomentando incerteza e angústia na comunidade universitária”, declarou
Confira a íntegra da carta:
CARTA ABERTA À COMUNIDADE DA UFSB
Itabuna, Porto Seguro, Teixeira de Freitas, 29 de setembro de 2017
Dirijo-me não apenas a estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes, mas incluo na comunidade da UFSB membros da sociedade, representantes de movimentos sociais, familiares de alunos/as, lideranças políticas, apoiadores e parceiros de nossa instituição.
Hoje comuniquei ao Consuni minha exoneração do cargo de reitor pro-tempore desta Universidade. Escrevo esta carta aberta com o objetivo de explicar as circunstâncias deste ato. Antes farei breve súmula dos antecedentes.
Assumi a Reitoria da UFSB em 2013. Convidei colaboradores do tempo em que fui reitor da UFBA para compor a primeira equipe de gestão. Em conjunto, concebemos seu projeto político-institucional, elaboramos a Carta de Fundação e o Plano Orientador, realizamos prospecção do território, discutimos o modelo proposto com a comunidade regional, recrutamos os primeiros grupos de docentes redistribuídos e conduzimos os primeiros concursos de servidores docentes e técnico-administrativos. Reiterando o estilo de gestão com que conduzi o reitorado na UFBA, concentrei-me em aspectos conceituais, políticos e pedagógicos, delegando a outros dirigentes a dimensão administrativa, particularmente o gerenciamento do cotidiano e a gestão de pessoas.
Em quatro anos, apesar do contexto adverso, implantamos um modelo de universidade inovador em muitos aspectos: ampla cobertura territorial mediante a criação de uma rede de colégios universitários, regime letivo quadrimestral multiturno, modelo curricular flexível, em ciclos de formação, fortemente integrado à educação básica, com base em pedagogias ativas mediadas por tecnologias digitais. Além disso, o modelo de integração social que praticamos buscou promover ampla inclusão étnico-social, respeito à diversidade de saberes e engajamento da sociedade na governança institucional, com representação política efetiva nos órgãos consultivos e deliberativos da Universidade.
A partir de 2015, frente ao agravamento da crise política e subsequente redução do financiamento da universidade pública brasileira, sofremos profundo desgaste interno, intensificado pela suspensão de novos concursos federais, fomentando incerteza e angústia na comunidade universitária. Não obstante, honramos nosso compromisso com a população sul-baiana ao acolher anualmente o mesmo número de estudantes desde o início de nossas atividades. Ainda naquele ano, mobilizando mais de três mil participantes de todos os segmentos sociais, conseguimos realizar o evento mais marcante de nossa curta história, o I Fórum Social do Sul da Bahia, que elegeu o Conselho Estratégico Social da UFSB. No ano seguinte, iniciamos cursos de pós-graduação e mantivemos a oferta de vagas de graduação, dando prioridade aos Colégios Universitários. Assim, consolidamos as licenciaturas interdisciplinares e implantamos os primeiros Complexos Integrados de Educação, principal ajuste ao nosso projeto original.
Ao priorizar a missão social da Universidade, promovendo o protagonismo dos conselhos sociais em todos os planos e mantendo abertura de vagas de graduação – possibilitada pela grande dedicação de uma parcela de docentes, gestores e servidores –, definimos com clareza os rumos da UFSB como uma universidade socialmente referenciada. Atos de hostilidade e agressão, inicialmente concentrados num pequeno grupo, começaram a aparecer em nosso cotidiano, replicando a deterioração do ambiente político nacional. Ações de evidente sabotagem, inclusive de dentro da equipe de gestão, criaram obstáculos à nossa agenda de integração social. Esse movimento conseguiu, por exemplo, cancelar o Congresso Geral da UFSB previsto para o ano passado (inviabilizando o II Fórum Social neste ano), além de boicotar tanto inovações curriculares de maior potencial inclusivo e quanto a articulação com a educação básica.
Concluída a eleição dos decanos das unidades universitárias, tomei a iniciativa de recuperar a pauta deliberativa que estava bloqueada, solucionando mais de dois terços das pendências identificadas. Nesse momento, membros da equipe gestora revelaram seu distanciamento da orientação político-institucional do projeto. Alguns desses movimentos revelaram oportunismo, ameaçando desestabilizar a gestão da universidade, comprometendo a própria viabilidade institucional do projeto da UFSB. No contexto de definição das regras de seleção para o segundo ciclo, um membro da administração central, sem prévio conhecimento e avaliação da equipe gestora, propôs conceder a todos os estudantes atualmente matriculados no BI-Saúde acesso ao curso de Medicina, de modo escalonado.
A tabela abaixo apresenta dados reais do alunado do BI-Saúde 2014-2016 (incluindo estimativas de migração inter-cursos a partir de 2017). Notem que o suposto básico dessa proposta é o cancelamento de entradas no BI-Saúde, por seis anos seguidos, já no próximo processo seletivo. De fato, a proposta atrasa e reduz a oferta de vagas no segundo ciclo para as turmas seguintes à de 2014, prejudicando particularmente as coortes de estudantes que entraram no BI-Saúde entre 2015 e 2017. Em 2018, após a entrada dos 57 estudantes não classificados do ano anterior, restarão apenas 23 vagas para a turma concluinte de 2016. Mantendo-se o patamar de oferta de 80 vagas, observe-se, em vermelho, o déficit anual provocado pelo escalonamento da entrada nos anos seguintes daqueles que não se classificaram no processo seletivo do respectivo ano de conclusão do primeiro ciclo.
O déficit cresce proporcionalmente, favorecendo os poucos que entraram primeiro e prejudicando aqueles que se agregariam posteriormente. No caso em pauta, com o aumento da turma de entrada no BI, já em 2019 anular-se-ia a entrada para a turma de 2015.2, com um déficit de quase 100 vagas. Nessa proposta, os últimos estudantes da turma de 2017.2 somente entrariam no curso de Medicina em 2026, nove anos depois.
Pelo exposto, tal proposta infligirá danos severos ao projeto da UFSB e ao modelo pedagógico da universidade e, por extensão, ao movimento pela promoção da saúde, ao SUS, ao projeto político de uma universidade socialmente inclusiva, e à educação superior pública. Além disso, confronta pontos centrais do modelo de ensino-aprendizagem da UFSB. Nesse aspecto, destacam-se valores cruciais capazes de gerar efeitos formativos da maior importância para o campo da Saúde: responsabilidade política, compromisso social, autonomia, honestidade e sobretudo ética.
Enfim, a proposta em questão é um flagrante desrespeito à lógica do planejamento anteriormente pactuado na universidade, podendo resultar num grande engodo, criando problemas de difícil solução. Ainda acreditando na natureza humana, espero que tenha sido apenas um ato impensado, com a boa intenção de efetivamente resolver dilemas e atender demandas de nosso bravo e engajado corpo discente. Porém o lançamento dessa proposta num lance de oportunidade revela uma séria questão de responsabilidade, talvez explicável pelo contexto atual da nossa universidade, debatendo-se numa crise interna, alimentada por intrigas e manobras. Mobilizam-se insatisfações, ansiedades, ressentimentos, infelicidades, deslocamentos, projeções, fomentando um ambiente de ódio, hostilidade, incompreensão e rancor.
Além disso, a sequência de movimentos que geraram este fato precisa ser entendida no plano micro-político. Na semana passada, abriu-se um processo eleitoral para o primeiro Reitorado. Esse processo tem mera aparência de legalidade, mas é claramente ilegítimo. Restrito aos segmentos que convencionalmente compõem a comunidade universitária, docentes, servidores e estudantes, ao excluir a sociedade do território como quarto ator nos processos de escolha de dirigentes, o processo confronta princípios e valores da Carta de Fundação da UFSB. E de legalidade tem somente uma casca, talvez uma camuflagem, porque não segue regras e normas da democracia de alta intensidade que a duras penas temos tentado consolidar na instituição; não segue o Estatuto da Universidade nem as normas do Conselho Estratégico Social aprovadas pelo Conselho Universitário.
Que tipo de política estariam praticando os que promovem esse golpe? Certamente a de mais baixo nível, incompatível com a dignidade da instituição milenar da Universidade. Qual a diferença disso para a trágica, lamentável e vergonhosa crise política do País, depois do triste espetáculo de um impedimento presidencial injusto, embora protegido pelo manto da legalidade? Processo dito democrático, porque seus atores foram eleitos por voto popular? Desde quando a democracia prescinde da ética? Fins escusos justificam os métodos da traição? Meios podres para finalidades ainda piores?
Me entristece demais constatar o grave impacto negativo da cultura política instalada no País: negociação de cargos, compra de votos, tráfico de influência, corrupção que não se faz somente com malas de dinheiro; cargos, favores e privilégios também servem como eficiente moeda de troca. Será que nossa instituição educadora se encontra distante dessa realidade? Será que atos dessa natureza, favorecimentos e acordos escusos, não ocorrem nos campi universitários? Que efeitos pedagógicos lances de oportunismo, ambição e desonestidade terão sobre nosso alunado e sobre a sociedade, nesta instituição? Desmontar um projeto contra-hegemônico de universidade crítica, popular, transformadora? Desconstruir uma proposta porque incomoda profundamente os que querem o mínimo legal, aqueles que pretendem ficar na zona de conforto para fazer um pouco mais do mesmo?
Ao apresentar o projeto da UFSB, nos mais diversos foros e audiências nacionais e internacionais, com frequência me perguntavam sobre a viabilidade política de um projeto como o nosso, já que propostas semelhantes foram duramente reprimidas em duas oportunidades na história brasileira. Também me questionavam como seria possível construir o novo com pessoas formadas nas velhas práticas, com matrizes mentais antigas. Creio que as respostas que dei foram equivocadas. Frente à primeira questão, dizia: não é mais o mesmo momento, os projetos anisianos enfrentaram ditaduras; hoje o Brasil é diferente, somos uma democracia que se consolida a cada dia. Com relação à segunda, disse e repeti: felizmente em nossa equipe temos pessoas honestas e leais ao projeto. Contamos com um grupo de gestão coeso e fiel, não temos o que temer. Em apenas três anos, o cenário mudou totalmente, pois no contexto nacional vivemos um claro retrocesso político, à beira do fascismo social, e no contexto local sofremos um duro golpe, disfarçado de legalismo.
As dirigentes que buscam um projeto individual, articulado a uma oposição raivosa, pessoas que manifestam ódio e fazem assédio moral enchendo minha caixa de mensagens, sigam em frente. Façam seus movimentos sinuosos, sub-reptícios e escusos, movimentos políticos de cartas marcadas e acordos já feitos, com sinais de conspiração traiçoeira tão evidentes que nem é preciso muita experiência de vida para detectá-los, mesmo nesta cena. Já que está assim, vão em frente e vejam até onde conseguem chegar, o que pretendem destruir e a quem podem enganar. Se é para remover do cargo este servidor público que se incumbe de uma função temporária de gestão, não precisam gastar tanta energia, realizar tanta conspiração, tantos jogos de sombras. É simples: a exoneração do reitor resolve…
Gostaria de fazer uma citação ao Sr. Joelson Ferreira, agricultor, liderança dos assentados rurais, representante do Conselho Estratégico Social no Consuni da UFSB. Pena que ausente neste momento, neste Conselho. Joelson tem dito que falta grandeza nessa luta intestina, nessa luta contra a instituição, para lamentar que a baixa política se mostra na pequenez de conflitos que enfraquecem e dividem aquelas e aqueles que deveriam se engajar nas lutas sociais maiores. E novamente Joelson nos adverte que esta universidade não nos pertence, não é propriedade de docentes, servidores e mesmo de estudantes. É um patrimônio do sofrido povo do território que nos abriga e inspira, principalmente dos que nela não se encontram. Por esse motivo e por tantas outras razões históricas e políticas, postulo e defendo a intensa participação social na governança institucional das instituições públicas, sobretudo em universidades que, como a nossa, se definem pela democratização ampla de seus processos e pela grandeza de sua missão.
Estou concluindo esta comunicação. Vejam que é uma fala ponderada, refletida, pensada, mas com emoção. Pretendi mostrar que muitos se dedicam a diminuir o que fizemos, sem consciência da grandeza deste projeto, do que nossa Universidade pode representar para a população desfavorecida que precisa de educação para sua libertação política.
Somos todos responsáveis por nossas ações, porque a história está aí para nos julgar; às vezes demora, mas não costuma falhar. Dois companheiros que prezo muito, Álamo Pimentel e Fabiana Lima, costumam se emocionar ao falar da UFSB, já os ouvi várias vezes dizer que estamos fazendo história. Gostaria de refletir que, além de fazer história, nossa prática política nos obriga a também escrever a história, com atos e fatos e não como ficção. A sociedade sabe bem quem são seus interlocutores, a quem perguntar sobre o que está acontecendo na UFSB. Alguns de nós são interlocutores de maior credibilidade e por isso são mais solicitados a produzir narrativas que vão ressoar, se tornarão memória e serão registradas devidamente. Estou pronto para contar e registrar essa história. Nessa carreira de professor, tão recompensadora e apaixonante, que se constrói na permanente recriação dessa instituição que se chama universidade, narrar é uma tarefa para os retirados, os jubilados, aqueles que no Brasil se chama de aposentados, que são incumbidos de registrar as memórias que ressoam e se tornam história.
Nesta reunião do Consuni, prestei contas das articulações institucionais que, nos últimos dias, redundaram na garantia de liberação de todo o orçamento de 2017 e em novas vagas para concursos de servidores e docentes. Apresentei também um relatório do processo de recuperação de pautas, acima mencionado. O relatório se completa com minha carta de exoneração, já encaminhada ao MEC. Nessa carta, indico o fechamento de um ciclo de quatro anos de contribuição e expresso meu sentimento de missão cumprida. Não explicito os problemas internos da instituição, mas deixo claro o caráter unilateral dessa decisão, pois não se trata de cargo colocado à disposição da autoridade que me nomeou. Essa carta foi objeto de discussão com a equipe de gestão mais próxima, quando firmamos um pacto pela governabilidade a fim de que essa exoneração não traga prejuízos à instituição.
Gostaria de finalizar declarando que tomo essa decisão sem ressentimentos, sem rancor, com o desejo firme de que nossa jovem instituição cresça e consiga ser tudo o que para ela sonhamos. Continuo UFSB, nesse tempo de carreira que tenho, para consolidar alguns projetos em andamento, colaborando com o que puder para engrandecer nossa instituição. Agradeço a todas e todos os que têm ajudado a construir o que fizemos de melhor.
Despeço-me com saudações universitárias anisianas, esperançosas.
Sinceramente,
Naomar de Almeida Filho
Professor Titular
Universidade Federal do Sul da Bahia
Fonte: Brasil 247

O SciDev.Net, um dos maiores portais de notícias sobre ciências da América Latina e Caribe, destacou a mobilização que entidades científicas e acadêmicas de todo o País que estão há meses lutando por melhores condições.
A publicação também destacou a mobilização que as entidades realizarão em Brasília, no Congresso Nacional, na próxima terça-feira, 10 de outubro, para pressionar o governo a aumentar o orçamento previsto para 2018 e descontingenciar os recursos de 2017 para ciência, tecnologia e educação pública superior. A ANPG estará presente com sua diretoria para fazer parte desta grande mobilização.
Confira a tradução da matéria feita pelo Jornal da Ciência:
Vinte e três cientistas laureados com o Prêmio Nobel enviaram na semana passada (29 de setembro) uma carta ao presidente do Brasil, Michel Temer, expressando sua profunda preocupação com a ciência e a tecnologia brasileiras, solicitando que ele reveja os drásticos cortes no orçamento da ciência do país.
Em 2017 houve um corte no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) de R$ 2,6 bilhões (cerca de US$ 825 milhões), equivalente a 44% do orçamento. O corte foi feito como parte de um bloqueio de R$ 42,1 bilhões (cerca de US $ 13,3 bilhões) do orçamento geral do país para este ano.
Com esta redução, o orçamento para o MCTIC em 2017 é de R $ 3,4 bilhões (US$ 1 bilhão), o menor nas duas últimas décadas. Em 2018, de acordo com os anúncios do governo, o orçamento será ainda menor, R$ 2,7 bilhões (cerca de US $ 794 milhões).
“Isso vai prejudicar o país por muitos anos, com o desmantelamento de grupos de pesquisa de renome internacional e uma fuga de cérebros que afetam os melhores cientistas jovens”, diz a carta, assinada por Claude Cohen-Tannoudji, Prêmio Nobel de Física 1997 e 22 outros laureados.
“Enquanto em outros países a crise econômica às vezes levou a cortes orçamentais para a ciência da ordem de 5-10%, uma redução de mais de 50% é” impossível de admitir “e compromete seriamente o futuro do país”.
Também na semana passada (25 de setembro), nove entidades científicas – entre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) – enviaram uma carta a Temer, chamando a atenção para a situação muito séria da ciência e tecnologia no país resultante da drástica redução de recursos.
Considerando a decisão do governo de autorizar a liberação de aproximadamente R$ 12,8 bilhões (cerca de US$ 3,76 bilhões) para o orçamento geral de 2017, as entidades científicas solicitam, na carta, a liberação imediata dos recursos retidos do MCTIC este ano.
Nesse sentido, o Ministério do Planejamento anunciou nesta semana (2 de outubro) o lançamento de R$ 442,3 milhões (dos R$ 2,6 bilhões – cerca de US$ 825 milhões – bloqueados).
De acordo com as organizações, também é essencial assegurar um orçamento adequado para a ciência e a tecnologia em 2018. “Estas são condições essenciais para um projeto nacional que se preocupe com o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável, levando à melhoria das condições de vida dos brasileiros e garantindo a soberania da nação”, afirmou a carta.
“A situação em que vivemos hoje torna cada vez mais difícil o planejamento e a própria sobrevivência das nossas instituições de ciência e tecnologia”, disse Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, ao SciDev.Net.
Ele acrescentou: “Os institutos MCTIC, por exemplo, estão recebendo recursos para pagar seus custos operacionais (eletricidade, segurança, etc.) mês a mês, criando um clima de insegurança e impedindo qualquer planejamento. Os laboratórios de pesquisa de várias instituições não conseguem comprar os insumos necessários para a pesquisa e são obrigados a interromper o trabalho e os projetos de tese quando um equipamento se quebra, pois não há recursos para reparos”.
Para o dia 10 de outubro, as entidades científicas estão organizando uma manifestação no Congresso Nacional, que tem o apoio de deputados e senadores, especialmente a Frente Parlamentar em Defesa da Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação.
Na ocasião, uma audiência pública será realizada na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Tecnologia da Informação da Câmara dos Deputados e um documento será entregue com 80.000 assinaturas da campanha Conhecimentos Sem Cortes.
Fonte: SciDev.Net – Tradução: Jornal da Ciência

Foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 4, a Portaria nº 186, de 29 de setembro de 2017, que torna público o novo Regulamento que estabelece as normas para as modalidades de bolsa no exterior, aplicável às ações fomentadas pela Diretoria de Relações Internacionais da CAPES.
No documento, constam informações sobre modalidades de bolsas, processo seletivo para concessão e implementação de bolsas de estudos, direitos e obrigações do bolsista e prestação de contas. Com a nova legislação, a Portaria CAPES nº 87, de 20 de junho de 2016, fica revogada.
Leia aqui a portaria
Fonte: CAPES

Em 1997 entidades americanas instituíram o Outubro Rosa como uma nova maneira de chamar a atenção para ações de prevenção do Câncer de Mama. E a cada ano a adesão aumenta e chama mais a atenção, diretamente, para a realidade atual do câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, e responde por cerca de 25% dos casos novos a cada ano.
O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Ainda segundo o Inca, especificamente no Brasil, o percentual de casos desse tipo de câncer é um pouco mais elevado e chega a 28,1%. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
A ANPG também está nessa campanha e reproduz a seguir a entrevista de Viviane Ferreira Esteves, gerente da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), sobre as principais dúvidas sobre esta doença. A matéria foi publicada originalmente no site da FioCruz:
- Câncer de mama não acometeu nenhum membro de minha família, por isso eu não corro risco?
Toda mulher tem risco de câncer de mama, mesmo aquelas sem histórico familiar.
- Quais são os sintomas do câncer de mama?
Os principais sintomas do câncer de mama são nódulos endurecidos, alterações na pele ou retrações, saída de secreção espontânea pelo mamilo, alterações no mamilo e gânglios aumentados na região da axila. No entanto, o ideal é diagnosticar o câncer de mama na ausência de sintomas, pelo exame de mamografia.
- Como faço o autoexame da mama?
Não é mais recomendada a realização do autoexame como diagnóstico precoce do câncer de mama. A orientação atual é que a mulher faça a observação e a auto palpação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem necessidade de uma técnica específica de autoexame, em um determinado período do mês, como preconizado nos anos 80. E, diante de alguma anormalidade, procure o especialista.
- Quais são os exames para diagnóstico da doença?
Para diagnóstico precoce do câncer de mama os exames recomendados são a mamografia e o exame clínico das mamas. Além desses, podemos realizar a ultrassonografia e a ressonância magnética das mamas em situações especiais, por exemplo em alguns casos de mamas densas.
- Quando devo fazer o exame de mamografia? Qual a finalidade desse exame?
O Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia em mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mulher com risco elevado de câncer de mama deve ter seu caso avaliado pelo médico especialista.
A finalidade da mamografia é a detecção precoce do câncer, em fases com maior possibilidade de cura e com menores taxas de cirurgias radicais.
- A mamografia é um exame doloroso?
A compressão mamária é desconfortável, mas necessária para a correta avaliação do médico radiologista.
- Mulheres que têm silicone na mama podem fazer o exame da mamografia?
Sim. Inclusive existe uma incidência específica para avaliação destas mulheres com silicone.
- Qual é o tratamento para a doença?
Existe o tratamento local e o tratamento sistêmico. O tratamento local é realizado com a cirurgia, que pode ser radical, ou seja, mastectomia, ou parcial, com as ressecções segmentares, que consiste na remoção do tumor com margem de segurança. Além da cirurgia da mama, deve ser realizada a investigação dos gânglios da axila. A cirurgia é complementada com a radioterapia em casos selecionados. O tratamento sistêmico pode ser realizado com a quimioterapia, o tratamento hormonal ou, ainda, a imunoterapia.
- Como deve ser feita a prevenção?
A prevenção primária evita o aparecimento da doença. Nesse caso, uma alimentação saudável, exercício físico, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo são estratégias de prevenção. A amamentação também funciona como fator protetor. A prevenção secundária é o diagnóstico precoce da doença em fases com maior possibilidade de cura. Esse tipo de prevenção é garantida com a realização da mamografia e do exame clínico das mamas.