
Em resposta à extinção do MCTI pelo governo interino de Michel Temer, a ANPG convoca um ato político durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que está ocorrendo na UFSB de Porto Seguro, contra a extinção do ministério.
Autoridades científicas e políticas prometem participar do ato. Pós-graduandos de diversas partes do país participam da reunião da SBPC.
Ato acontecerá amanhá, às 12h, na tenda cultural da SBPC.
Ontem, às 18h, durante reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na UFSB em Porto Seguro-BA, a ANPG participou da comemoração dos 100 anos da Academia Brasileira de Ciências.

A presidenta da ANPG cumprimentou a solenidade e representou os jovens cientistas brasileiros. “É uma honra ver uma organização como a Academia chegando a 100 anos representa um grande pilar na história da ciência brasileira”, afirma.
A solenidade teve a presença de autoridades políticas e científicas.

A crescente preocupação dos pós-graduandos e pós-graduandas sobre a não renovação do Ciências Sem Fronteiras nos últimos dias fez com que a ANPG e a Capes pudessem dialogar no sentido de restabelecer a normalidade no programa.
A pressão da ANPG e dos pós-graduandos surtiu efeito e a Capes, embora negue congelamento das bolsas, promete sentar e dialogar o destino das bolsas no exterior com a ANPG e com os pós-graduandos brasileiros.
Segundo a Capes, “apenas 22 (3%) não obtiveram a recomendação de renovação da bolsa pelos consultores e entraram com pedido de reconsideração. Seis tiveram sua renovação aprovada e outros 15 encontram-se em análise de mérito, tendo sido mantida a negativa de apenas um candidato, até o momento”.
No entanto, a Capes promete corrigir problemas que tenham causado estranheza e pontua que mantém o diálogo aberto com a ANPG no sentido de dialogar sobre o não prejuízo aos pós-graduandos.
“A Agência informa que serão revistos alguns procedimentos que podem ter causado estranheza aos bolsistas. A Presidência da Capes também está em contato com a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), que mantém assento no Conselho Superior da Capes, para explicar que não existem “medidas autoritárias” na condução dos programas de bolsas no exterior. A Capes reitera sua disposição de garantir todas as condições aos bolsistas no exterior para que concluam seus estudos com sucesso”, conclui a nota.
Leia a nota na íntegra
Esclarecimento sobre bolsas no exterior
A Capes esclarece que não há cortes de bolsas. Atualmente, a Capes mantém 13.737 bolsistas no exterior nas diversas modalidades. Desses, 11.810 são do programa Ciência sem Fronteiras e 1.927 dos Programas Tradicionais. Ao todo, a Capes possui 2.057 bolsistas de Doutorado Pleno.
Existem dois procedimentos no âmbito do Doutorado Pleno previstos em regulamento, no que diz respeito à duração da bolsa: renovação – refere-se a novo período de concessão, condicionado a análise de mérito, dentro do tempo de duração total de bolsa, conforme número de mensalidades informadas na Carta de Concessão; eprorrogação – tempo de permanência no exterior autorizado pela Capes para além do período descrito na Carta de Concessão, mediante mérito acadêmico e parecer da instituição onde será realizada a pós-graduação.
Renovação
Em 2016, 715 bolsistas submeteram pedidos de renovação de bolsa. Deste universo, apenas 22 (3%) não obtiveram a recomendação de renovação da bolsa pelos consultores e entraram com pedido de reconsideração. Seis tiveram sua renovação aprovada e outros 15 encontram-se em análise de mérito, tendo sido mantida a negativa de apenas um candidato, até o momento.
Prorrogação
Os bolsistas de doutorado pleno indicam no Formulário de inscrição o período que desejam receber a bolsa. O período é concedido com base na Carta de Aceite da universidade estrangeira. O aluno recebe uma Carta de Concessão com o período da bolsa e, a partir disso, ele assina Termo de Compromisso em que ele concorda em retornar ao Brasil 30 dias após o término da bolsa com a devida conclusão dos trabalhos propostos inicialmente. Atualmente, 377 bolsistas podem solicitar prorrogação da bolsa à Capes.
A Agência informa que serão revistos alguns procedimentos que podem ter causado estranheza aos bolsistas. A Presidência da Capes também está em contato com a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), que mantém assento no Conselho Superior da Capes, para explicar que não existem “medidas autoritárias” na condução dos programas de bolsas no exterior. A Capes reitera sua disposição de garantir todas as condições aos bolsistas no exterior para que concluam seus estudos com sucesso.
Da redação

Há meses a Capes não tem respondido ou tem negado pedidos de renovação de bolsas do programa Ciências sem Fronteiras. Em contato com a ANPG, estudantes de vários países denunciam a falta de compromisso da Capes em renovar suas bolsas.
Leia a carta na íntegra AQUI
Para Daniela Duarte, bolsista do CsF, a Capes descumpre o prometido em edital.
“Eles justificam que devido aos cortes orçamentários eles não estão renovando os últimos 12 meses. No edital inicial falavam em 36 meses prorrogáveis por mais 12 meses, e esses 12 agora não estão nem sendo julgados. Eles negam e pronto”, afirma.
A Capes, por sua vez, lançou uma polêmica portaria em que promete suspender a bolsa no exterior a qualquer momento. Veja a portaria AQUI
A presidenta reeleita da ANPG, Tamara Naiz, se diz chocada e promete reagir. “Vamos reagir nas ruas, ocupando a Capes e onde tivermos que ocupar. Agora mesmo na SBPC devemos reagir a essas medidas autoritárias”, avisa.
“Os conselheiros da ANPG nos conselhos da Capes, nossos diretores nas regiões e estados do Brasil e a nossa base estão devidamente mobilizadas para cumprir o que aprovamos em nosso congresso, nenhum passo atrás no investimento em ciência”, continua.
Da redação

Do pequi, passando pelo bagaço da cana de açúcar, até os hábitos dos saguis e a tendência de mortalidade por doenças isquêmicas do coração: cabe de tudo na Mostra Científica do 25º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, evento que será encerrado neste domingo, em Belo Horizonte.
Segundo Roberto Nunes Júnior, doutorando em filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco e vice-diretor Nordeste da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), é justamente essa peculiaridade o maior atrativo da mostra. “Ela reúne no mesmo espaço grandes áreas do conhecimento. Permite o diálogo entre elas, algo que é especial na ciência”, afirma. Além disso, segundo ele, a iniciativa é mais um esforço da associação em valorizar a pesquisa produzida pelos pós-graduandos. Ao todo, foram selecionados 27 trabalhos entre as inscrições recebidas.

Alan B. Dias, mestrando em ciências biológicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), realiza um estudo sobre ecologia vegetal. Ele analisa as mudanças fenotípicas do pequi paulista de Botucatu com o do Centro-Oeste brasileiro. “O menor tamanho da flor pode alterar a fauna responsável pela sua dispersão. Assim, o pequi não seria só polinizado pelo morcego”, descreve. Com o estudo, o mestrando muda um paradigma da ciência, que diz que plantas polinizadas por morcegos não evoluiriam, abrindo caminhos para novas pesquisas e possibilidades.

Já Bárbara Fernandes, mestranda da Universidade de São Paulo (USP), procura descobrir como reutilizar um elemento extraído do bagaço de cana para aplicações industriais diversas, da área alimentícia à farmacêutica. “É um resíduo agroindustrial muito gerado no Brasil”, explica a estudante. Segundo ela, muitas empresas no país buscam por uma solução para os resíduos que agregue valor e lucro para além do portfólio principal da indústria. E, com isso, a empresa alcança essa meta sem agredir ainda mais o meio ambiente.
A pós-graduanda destaca que por meio da mostra ela consegue interagir com outros pesquisadores do país. “É muito importante para divulgação da nossa pesquisa. Podemos agregar conhecimento e achar projetos parecidos em que um possa alavancar o outro. E o que a gente faz aqui é ciência. Buscamos processos que vão cada vez mais otimizar os procedimentos”, explica.
Esse diálogo entre os centros de estudo, promovido pela Mostra Científica, é um dos objetivos de participação apontados pela mestranda Vanessa de Paula Lopes, da Universidade Federal de Viçosa. “Acredito na união das universidades para fazer pesquisas. Ela amplia o conhecimento e vai interligando os assuntos”, afirma.
Foi em outro congresso em Manaus que lhe foi sugerida a pesquisa morfológica de primatas. Atualmente, ela estuda o intestino grosso da cobra de duas cabeças, o que ajuda a determinar o indivíduo pelo tipo de alimentação e permite fazer uma análise da evolução dos organismos das espécies ao longo da história. Vanessa também desenvolve uma pesquisa sobre hábitos antrópicos de saguis. De acordo com a pesquisa, a espécie procura por sítios para dormir onde homens os alimentavam — contrapondo o instinto animal de se proteger de predadores. A ação humana nesse caso é responsável pela morte desses animais, que não conseguem retornar à caça posteriormente. Dessa forma, será proposta um plano de educação ambiental específica na comunidade.

Os resultados do estudo de Jackeline Lara, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também serão guias para uma ação focada na promoção da saúde na cidade. Como parte do seu mestrado, ela traça um perfil das vítimas de leishmaniose. “A letalidade é baixa, mas pode ser evitada. Não é uma doença grave, mas falta diagnóstico”, explica.

Aldiane Macedo, também da Unicamp, tem uma longa pesquisa pela frente analisando a tendência de mortalidade por doenças esquêmicas do coração em idosos, de Pernambuco e São Paulo, entre 1980 e 2012. As doenças cardiovasculares são as principais causas de mortes no país.
Artênius Daniel, de Belo Horizonte
Com o tema “Pós-Graduandos em Defesa da Democracia, para Superar a Crise e Conquistar mais Direitos”, o 25º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, realizado entre 10 e 12 de junho, na UFMG, contou com uma rica programação, com diversos debates, mostra científica, ato político e aprovação de propostas para o próximo período. Confira a cobertura jornalística do 25º CNPG!
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Em encerramento do 25º CNPG, pós-graduandos divulgam carta contra retrocessos do Governo Temer
Em defesa da democracia, o 25º Congresso Nacional de Pós-graduandos definiu em seu encerramento, neste domingo (12), os rumos da associação nos próximos anos. O evento, realizado entre os dias 10 e 12, na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, reuniu mais de 600 estudantes de todo Brasil, que definiram propostas sobre temas…
25º CNPG: Tamara Naiz é reeleita presidenta da ANPG
Foto: Guilherme Bergamini Terminou hoje, em Belo Horizonte, o 25o Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduandos, entidade que representa os estudantes da pós-graduação de todo o país. O evento teve início na sexta-feira (10) e contou com a participação de mais de 600 representantes de diversos estados. Ao final do evento, foi reeleita presidenta da…

Em defesa da democracia, o 25º Congresso Nacional de Pós-graduandos definiu em seu encerramento, neste domingo (12), os rumos da associação nos próximos anos. O evento, realizado entre os dias 10 e 12, na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, reuniu mais de 600 estudantes de todo Brasil, que definiram propostas sobre temas diversos como direitos dos pós-graduandos, política educacional e ciência e tecnologia.
Ao todo, foram encaminhadas 16 moções, votadas por 284 delegados. Dentre elas o repúdio à pauta retrógrada da Câmara dos Deputados, à fusão do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação com o das Comunicações, ao machismo e assédio nas universidades. A ANPG fez uma moção ainda em defesa da educação pública de qualidade e por uma associação estudantil forte, capaz de barrar os retrocessos da “Ponte para o futuro”, programa do governo interino, que, entre outras coisas, indica o corte de bolsas e a cobrança de mensalidades na pós-graduação.
Entre as propostas apresentadas no 25º Congresso estão a construção de um dia nacional de mobilização contra a extinção do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, a defesa de 2% do PIB de investimento para essa área e o reconhecimento da bolsa como direito do pós-graduando.
A proposta mais forte foi elaborada em forma de uma carta final, em que a ANPG se contrapõe ao programa de retrocessos representado pelo governo interino de Michel Temer.
“Em outros períodos de desestabilização democrática, a comunidade científica reagiu e resistiu”, diz o documento.
Para Tamara Naiz, presidente reeleita da ANPG, o 25º CNPG foi muito representativo, porque elegeu 863 delegados de todas as regiões do Brasil: do Amapá ao Rio Grande do Sul. Esse número representa quase 300 mil pós-graduandos, que foram eleitos de forma indireta nas instituições.
“É importante destacar que, pela primeira vez no congresso da ANPG, nós tínhamos 70% de mulheres palestrantes, incluindo três mulheres trans. Todas as mesas foram compostas por elas e algumas eram exclusivas. Isso é uma novidade. A gente sabe que na ciência a maioria absoluta é de homens brancos do Sul e Sudeste”, pontuou Tamara Naiz, presidente da ANPG.
Para a presidenta, as propostas conseguiram dar conta do conjunto de debates feito pela ANPG, como a defesa por mais direitos aos pós-graduandos, o combate ao assédio dentro das universidades, a implementação das cotas, a defesa do MCTI e a crítica ao desmonte das políticas educacionais.
Em breve, as moções e a carta estarão disponíveis no site da ANPG.
Shirley Pacelli, de Belo Horizonte


Foto: Guilherme Bergamini
Terminou hoje, em Belo Horizonte, o 25o Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduandos, entidade que representa os estudantes da pós-graduação de todo o país. O evento teve início na sexta-feira (10) e contou com a participação de mais de 600 representantes de diversos estados. Ao final do evento, foi reeleita presidenta da entidade a goiana Tamara Naiz, que representará os pós-graduandos brasileiros pelos próximos dois anos.
A chapa de Tamara, “Vamos à luta: ANPG é pra lutar”, recebeu 188 votos de um total de 229 delegados credenciados. Concorreu também a chapa “Amanhã Será Maior: Oposição de Esquerda na ANPG”, que obteve um total de 41 votos. Tamara é a décima mulher à frente da ANPG e a primeira reeleita em 30 anos de história da entidade.
“Tivemos um congresso vitorioso, que conseguiu fortalecer o nosso movimento e que mostrou a nossa capacidade de organização. Os desafios do próximo período serão grandes e precisamos da unidade dos pós-graduandos das universidades de todo país”, afirmou, em referência à luta contra a tentativa de golpe no país.
Para o vice-presidente da ANPG, Cristiano Flecha, a entidade está cada vez mais próxima das lutas dos movimentos sociais e dos trabalhadores “Após este Congresso, devemos seguir em direção a construção de uma greve geral nas universidades brasileiras”, defendeu.
Ao longo do Congresso foram realizados um total de 13 debates com temas envolvendo o papel da ciência na sociedade, as políticas educacionais no Brasil, a integração da América Latina, os Direitos Humanos, a saúde pública, a inovação tecnológica. Foi também realizada uma mostra científica, com dezenas de trabalhos de universidades de todo o país e um ato político com a participação de diversas organizações populares.
QUEM É TAMARA NAIZ

Nos últimos dois anos, uma jovem voz feminina tem tomado o microfone nas principais manifestações do movimento social brasileiro para falar em nome dos 300 mil pesquisadores e pesquisadoras do país. Ao invés do imaginado protocolo ou da morosidade de um discurso científico, tem trazido uma mensagem enérgica.
Quase sempre ao lado das outras presidentas do movimento estudantil brasileiro (Carina Vitral da UNE e Camila Lannes da UBES), a goiana Tamara Naiz, 31 anos, mestranda da área de História Econômica da Universidade Federal de Goiás defende o crescimento e a massificação do movimento de pós-graduandos, representando todos os estudantes dos programas de mestrado e doutorado no país.
“A ANPG precisa ser uma organização popular, contrariando a ideia de que a ciência e a academia são espaços fechados, inacessíveis. A luta da pós-graduação está diretamente ligada ao futuro do país, está ligada à vida de absolutamente todas as pessoas”, define. Ela acredita que a mobilização dos pós-graduandos é vital neste momento de ataques à democracia nacional. “Somos o movimento social daqueles que produzem conhecimento, que formam opinião, que podem fazer uma grande diferença contra o golpe”, ressalta.
A primeira gestão de Tamara, iniciada em 2014, conseguiu vitórias importantes no país, tanto nas pautas específicas da pós-graduação como em conjunto com os movimentos ligados à educação. Entre elas, estiveram a aprovação do Plano Nacional de Educação, com a conquista dos 10%do PIB para o setor, as cotas raciais na pós-graduação por meio de uma portaria do Ministério da Educação, a mudança nas regras da revalidação dos diplomas de estrangeiros no Brasil e o avanço da luta pelos direitos específicos dos pós-graduandos.
Para a nova gestão que se inicia, além da resistência ao golpe, a entidade enfrenta o retrocesso nas políticas públicas e já encampa, com todas as forças, a mobilização pela volta do Ministério da Ciência e Tecnologia, extinto com o governo interino de Michel Temer. Segundo a presidenta, outros temas de prioridade máxima são o enfrentamento ao machismo e assédio nas universidades brasileiras, o fortalecimento das mulheres, negros e LGBT na academia e a busca pela assistência estudantil na pós-graduação.
Artênius Daniel, de Belo Horizonte
