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país. por Ascom do MCTI Publicação: 08/03/2016 | 09:24 Última modificação: 08/03/2016 | 17:48 Daniela Trivella, a garotinha que fazia perfumes usando água e álcool de cozinha, hoje é pesquisadora de novos fármacos do Laboratório Nacional de Biociências. Desde setembro, Daniela está na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pelo Projeto Transtar.
Daniela Trivella, a garotinha que fazia perfumes usando água e álcool de cozinha, hoje é pesquisadora de novos fármacos do Laboratório Nacional de Biociências. Desde setembro, Daniela está na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pelo Projeto Transtar.

Conheça a história de seis mulheres que dedicam suas vidas à produção científica e ao desenvolvimento tecnológico do país

Quando criança, Ana tinha o hábito de abrir as coisas para ver o que havia dentro. Bianca sempre foi fascinada pelas descobertas científicas. Daniela coletava flores com a prima e fazia perfume usando água e álcool de cozinha para extrair a essência e o corante das plantas. Juliana adorava as aulas de laboratório do ensino fundamental e as feiras de ciências. Liu Lin descobriu que a matemática, a biologia e a física formam o “seu” universo. O papel social da ciência foi o que despertou o interesse de Heloísa para ingressar no meio científico. O que esses nomes têm em comum?
Cada uma dessas mulheres rompeu barreiras e construiu uma trajetória de sucesso em ambientes dominados pelos homens, conquistando um lugar na ciência brasileira. Hoje, elas fazem história nos institutos de pesquisa vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A pequena Ana, que tinha curiosidade em saber o que existia dentro das coisas, hoje coordena uma das estações experimentais do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNLS/CNPEM/MCTI) para o megaprojeto Sirius. A curiosidade de Ana a colocou junto com os cientistas que aceleram as partículas que compõem os átomos a velocidades próximas a da luz para ver o que tem dentro. Formada em física pela Universidade de São Paulo, trabalha no CNPEM desde 2006.
“Minha função é pensar e planejar uma das estações experimentais do Sirius. Essa construção é uma coisa nova pra mim. Faço parte do grupo de pesquisadores que está planejando essa máquina. Estou bastante animada”, conta a coordenadora Ana Zeri. “Desde muito cedo eu sempre quis descobrir as coisas. Essa busca pelo conhecimento é um superpoder da raça humana. Temos que saber cada vez mais sobre o que nos cerca para melhorar a nossa vida”, acrescenta.
O caminho trilhado por Ana foi o mesmo escolhido, há trinta anos, pela pesquisadora Liu Lin. Nascida na China, imigrou para o Brasil com três anos. Participou do grupo de cientistas que se uniu para a construção da primeira fonte de luz síncrotron brasileira (e até hoje a única da América Latina), em 1985. Lin é uma das principais responsáveis pelos cálculos que resultaram em um dos primeiros aceleradores de elétrons de quarta geração do mundo: o Sirius.
“Desde o início achei bastante interessante os problemas propostos e acabei vindo parar no LNLS. Comecei meu trabalho aqui antes mesmo do laboratório ser efetivamente criado. Fiz parte da equipe que elaborou o primeiro projeto de luz síncrotron. Naquela época ninguém sabia como construir uma fonte de luz como essa. Tivemos que aprender tudo a partir do zero e aprendemos fazendo. Esse aprendizado do primeiro síncrotron foi fundamental pra gente fazer o Sirius.”
Divulgação da ciência
O fascínio de Bianca pelos avanços e descobertas da ciência a levou a fazer carreira no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCTI). Nesta quarta-feira (9), ela completa 29 anos de trabalho no Ibict. “Comecei minha carreira no Ibict quando tinha apenas 22 anos. A ciência realmente me interessou quando entrei aqui, e me dei conta de quanta informação científica era produzida e da necessidade de esta informação ser organizada e difundida”, comenta.
Hoje, Bianca Amaro é responsável pelo desenvolvimento de mais de 70 repositórios institucionais e redes regionais. “Coordeno os projetos de acesso aberto à informação científica do Ibict, como a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), o Diretório de Políticas de Acesso Aberto de Revistas Científicas Brasileiras (Diadorim), o Portal Brasileiro de Publicações Científicas em Acesso Aberto (oasisbr), entre outros”, enumera.
No ano passado, ela foi agraciada com o prêmio Electronic Publishing Trust for Development (EPT). “É o reconhecimento internacional do trabalho que desenvolvemos no Ibict em prol do acesso aberto à informação científica há mais de uma década. Esse trabalho inclui a criação do oasisbr, que contém mais de um milhão de documentos brasileiros disponíveis para o seu download em texto completo.”
Dos perfumes para os fármacos
Formada em biologia, Daniela Trivella, a garotinha que fazia perfumes usando água e álcool de cozinha, hoje é pesquisadora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio/CNPEM/MCTI). Os experimentos para transformar plantas em perfumes deram lugar às pesquisas para descoberta de novos fármacos. “Meu trabalho gira em torno de uma plataforma para a descoberta de novos fármacos, que vai desde a confecção de bibliotecas químicas e identificação de alvos farmacológicos, passando por diversas etapas, até a otimização de moléculas com características adequadas para produzir um fármaco”, conta.
Desde setembro, Daniela está na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pelo Projeto Transtar, financiado pela Capes e com a participação do LNBio. “O projeto visa formar recursos humanos altamente qualificados para desenvolver programas de descoberta de fármacos no Brasil. Abrange tanto os aspectos técnicos e científicos, como também aspectos gerenciais, essenciais para que se tenha sucesso neste complexo processo que é a obtenção de um novo fármaco”, explica.
Bacharel e doutora em Química pela Universidade Estadual de Campinas, Juliana da Silva Bernardes, a menina que adorava o laboratório da escola, trabalha há três anos como pesquisadora no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano).
“Venho desenvolvendo pesquisa sobre produção e aplicação de nanomateriais de celulose. Esse é um assunto estratégico para o Brasil, considerando as grandes quantidades de biomassa e resíduos agroindustriais que são produzidos anualmente. Além disso, vem aumentando progressivamente a demanda mundial por produtos preparados sob um enfoque sustentável, que utilizam materiais de partida e tecnologias de transformação que reduzam o impacto ambiental e minimizam ou eliminam a geração de substâncias nocivas à saúde humana e ao ambiente”, diz.
Hoje, Juliana divide a rotina no laboratório com a maternidade. “Desde maio de 2014, vivencio a maravilhosa experiência de ser mãe, tentando conciliar uma tarefa que exige dedicação absoluta com um desprendimento ainda maior.”
Muito a fazer
A experiência dessas pesquisadoras revela o aumento da participação feminina na produção científica brasileira, mas ainda há muito a ser alcançado. Segundo levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), desde 2004, as mulheres são metade dos doutores titulados no Brasil. O percentual não reflete, no entanto, a participação delas nos laboratórios e institutos de pesquisa. Para Bianca, do Ibict, também falta visibilidade.
“Há milhares de mulheres pelo mundo que desenvolvem trabalhos científicos essenciais para a humanidade e que não têm a mesma visibilidade alcançada pelos homens”, lamenta Bianca Amaro.
“É visível nos laboratórios, universidades e centros de pesquisa a presença cada vez maior das mulheres. No entanto, é pouco expressiva a presença feminina em cargos de liderança, o que de certa forma prejudica o desenvolvimento do sistema, que deixa de contar com um recurso humano qualificado que possui condutas, valores e ações diferenciados”, acrescenta Juliana da Silva, do LNNano.
A historiadora Heloísa Bertol é um exemplo de mulher que chegou ao topo da hierarquia. Há três anos à frente do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), ela explica que há uma imagem construída sobre a mulher que atravessa diversas áreas. “Passa pelo educacional, familiar e religioso e define papéis diferentes para os sexos. Isso acaba afetando o campo profissional”, diz ela, que, ao lado da diretora do Ibict, Cecília Leite, são as únicas mulheres a comandar um instituto vinculado ao MCTI.
“As mulheres que conseguiram superar esses preconceitos trabalham normalmente. Cabe a nós, enquanto cientistas sociais, mostrar que o preconceito existe e tem que ser superado. A gente enfrenta, e o masculino ainda não está acostumado a ver a mulher como igual”, afirma Heloísa.
Para combater a desigualdade entre homens e mulheres no ambiente de pesquisa e ampliar a participação feminina na produção científica e tecnológica do Brasil, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, lançou nesta segunda-feira (7) o programa Mulheres na Ciência. “Para nós, reduzir as diferenças é fundamental”, garante o ministro.
Fonte: MCTI

Um dos eixos da Campanha por mais Direitos para as(os) pós-graduandas(os) é o reajuste anual das bolsas de pós-graduação.
Um dos eixos da Campanha por mais Direitos para as(os) pós-graduandas(os) é o reajuste anual das bolsas de pós-graduação.

A situação dos pós-graduandos que dependem da bolsa para sua sobrevivência está complicada. Desde 2013, o valor das bolsas de pós-graduação está sem reajuste. Além disso, muitas dessas bolsas encontram-se em atraso, como é o caso das concedidas pela FAPERJ.

Uma das pautas histórias da ANPG e que compõe as bandeiras de luta da Campanha por Mais Direitos é o estabelecimento de um mecanismo de reajuste anual das bolsas. Segundo consta na nova versão do Documento de Direitos e Deveres das(os) Pós-graduandas(os): “O valor das bolsas deve ser reajustado anualmente, a partir de um mecanismo permanente de valorização das bolsas, baseado em estudos com ciência da entidade representativa das(os) estudantes de pós-graduação no Brasil. Este valor será reajustado em negociação na qual a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) será a representante das(os) pós-graduandas(os), levando em consideração, no mínimo, a inflação do período”.

Portanto, a ANPG protagoniza iniciativas que propõem o aumento das bolsas e apoia os projetos que estão realmente comprometidos em estabelecer o reajuste anual deste que deve ser visto como um direito, não um benefício dos pós-graduandos.

Assim, tomamos conhecimento de mais um projeto de lei que dispõe sobre o reajuste anual das bolsas concedidas pelos órgãos federais de apoio e fomento à pós-graduação. O PL 4559/16, do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), propõe que os valores das bolsas concedidas pelos órgãos sejam reajustados no dia 1º de cada ano, adotando a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado e divulgado pelo IBGE.

O deputado disse que resolveu protocolar esse PL depois que “recebi várias solicitações através de e-mails e pelas nossas redes sociais, de alunos do país inteiro”. No entanto, o tucano é a favor da PLS 131/2015, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que pretende a revisão do regime de partilha do pré-sal, que fará com que a Educação perca 360 bilhões em investimentos nos próximos 15 anos. Isso soa um tanto contraditório.

Além disso, o tucano votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição 395/2015, que permite às universidades públicas cobrar pela pós-graduação lato sensu. A ANPG é expressamente contra essa PEC, pois acredita que, se aprovada, essa proposta irá abrir perigosos precedentes que poderão culminar no desaparecimento do sistema público de ensino superior como conhecemos hoje, a partir das atividades de extensão e de pós-graduação lato sensu.

Outras iniciativas para o reajuste das bolsas

Não é a primeira vez que um parlamentar tenta emplacar uma proposta para o estabelecimento de um mecanismo de reajuste anual das bolsas de pós-graduação. Desde 1985, diversos projetos de lei já foram apresentados para garantir esse direito.

O deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), apresentou um Projeto de Lei que vinculava a bolsa ao salário do docente. “Essa iniciativa era interessante, pois unificava a luta do pós-graduando com a categoria dos professores, além de ter a ver com a própria condição híbrida do pós-graduando que é estudante, mas também é trabalhador”, diz Gabrielle Paulanti, diretora da ANPG.

No entanto, iniciativas como a de Jorge Bittar e Lobbe Neto acabaram não tendo eficácia, pois não é permitido por lei que o poder Legislativo imponha gastos permanentes ao poder Executivo. É preciso que essa iniciativa venha de órgãos federais, como o MEC, para que tenha alguma efetivação.

Veja o histórico de PLs que foram apresentados:

– PL 6545/1985, de autoria do João Faustino (PFL/RJ)
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=230834

– PL 2405/1989, de autoria de Florestan Fernandes (PT/SP):
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=203181

– PL 3663/2000, de autoria de Gilmar Machado (PT/MG)
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=20016

– PL 2315/2003, de autoria de Jorge Bittar (PT/RJ):
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=138322

Da redação

sede das
A sede das entidades estudantis, ANPG, Ubes, UNE, UEE, Upes e UMES, amanheceu pichada neste dia 12 de março de 2016, sábado, com ofensas graves às entidades estudantis.
A ANPG e as duas outras entidades estudantis nacionais, Ubes e UNE, divulgaram nota conjunta em que lamentam o episódio e lembram que quando um fato semelhante aconteceu, em abril de 1964, o ocorrido serviu para corroborar o autoritarismo e o golpismo na democracia.
Veja a seguir a nota na íntegra:
A HISTÓRIA NÃO SE REPETIRÁ!
“Podem nos prender, podem nos matar, mas um dia voltaremos, e seremos milhões”. Honestino Guimarães

Nessa manhã do dia 12 de março de 2016, a sede das entidades estudantis – UNE, UBES, ANPG, UEE-SP e UPES – foi atacada com pichações agressivas, carregadas de ódio e intolerância.
A última vez que isso aconteceu foi as vésperas do golpe militar, quando a casa do poder jovem, como era chamada a sede das entidades estudantis, na Praia do Flamengo – 132 – RJ, foi incendiada, sendo a primeira ação da ditadura militar, em 1964. Escolheram a sede das Entidades, pois representava a trincheira da resistência, esperança e liberdade.
A democracia é uma conquista inegociável para os estudantes, que resistiram a ditadura militar, foram perseguidos, colocados na clandestinidade, muitos assassinados e desaparecidos. Porém a repressão não impediu que lutassem e conquistassem a democracia, junto com o povo Brasileiro.
Repudiamos toda a ação violenta e qualquer tentativa que ameace a democracia e liberdade. Não nos curvaremos a mais esse ataque, seguiremos firmes na luta, junto com o povo, ocupando as ruas e avenidas por mais direitos.
Somos milhares de Honestinos e Heleniras, venceremos!
 
Associação Nacional de Pós-graduandos
União Nacional dos Estudantes
União Brasileira de Estudantes Secundaristas 
Presidente da APG-UNB, Richard Santos durante ato pró-democracia
Presidente da APG-UNB, Richard Santos durante ato pró-democracia

Na tarde de onte, (10), a APG-UnB participou de ato pró-democracia convocado pelo Sindicato dos Docentes da Universidade de Brasília.

Com ampla participação de funcionários e alunos(as) graduandos(as) e pós-graduandos(as), a ação teve por objetivo levar para dentro da universidade o debate sobre a crise política brasileira, seus fomentadores e possíveis consequências.

Representantes de associações educacionais, coordenadores de departamentos e estudantes pontuaram em suas falas o caráter midiático da crise, o interesse em desestabilizar, e retroceder nas conquistas populares e democráticas dos governos Lula e Dilma pela burguesia internacionalista associada aos interesses hegemônicos. Apontaram ainda a equivalência de momentos e ações semelhantes aos que antecederam o golpe civil-militar de 1964.

Vice-presidenta da UNE no Distrito Federal, a estudante Luiza Calvette, convocou os universitários a estarem atentos para o desenrolar do processo político nos próximos dias, e fez chamada para a mobilização pró-democracia do dia 31 de março na Capital Federal. Concluiu sua fala indicando os avanços e inclusões sociais promovidas pelos governos Lula- Dilma como motivadores da revolta e maquinação burguesa.

Presidente da Associação dos Pós-graduandos da Universidade de Brasília, APG-UNB, Richard Santos apontou o caráter regional da crise política e denunciou o conluio de grupos de mídia, mercado e políticos conservadores latino-americanos na construção do retrocesso político e social dos países da região, e negação dos direitos adquiridos pelas maiorias minorizadas nos últimos anos.

O ato também contou com a participação de Rogério Reis, Secretário geral da APG-UNB e foi finalizado com os docentes e discentes da Universidade de Brasília se comprometendo a apoiar presencialmente as manifestações de 31 de março.

No dia 31 de março, movimentos de esquerda programam ato de defesa de Dilma e Lula em Brasília. A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo são as organizadoras da manifestação, que deve contar com apoio do MST, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional de Estudantes (UNE) e da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG).

Da redação

Matéria relacionada:

26/02/2016 – ANPG convoca para Dia Nacional de Mobilização

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É de conhecimento de toda a comunidade acadêmica que a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) vem sofrendo duros golpes desde o início de 2015.

Diversos projetos de pesquisas já aprovados pela Fundação encontram-se sem os seus devidos repasses até o presente momento. Esta situação se agrava ainda mais quando não só apenas o futuro da Ciência do Estado do Rio de Janeiro parece estar em risco, mas também o futuro de vida dos diversos jovens pesquisadores nas modalidades de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado.

Os bolsistas da FAPERJ vêm sofrendo com sucessivos atrasos e no momento encontram-se sem receber. Vale ressaltar que no contrato que o bolsista assina com a FAPERJ é exigido deles dedicação exclusiva, sendo a bolsa a única fonte de renda para essas pessoas.

“Mais do que um auxílio, a bolsa é um direito”, afirma Felippe Mousovich, pós-graduando do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ.

Todo este cenário consolida-se com o envio de uma proposta de emenda constitucional de autoria do governador Luiz Fernando Pezão (PEC 03/2016) com o conteúdo que propõe uma redução da verba destinada à FAPERJ, de 2% para 1% da receita tributária do estado até 2018. Ou seja, dos 400 milhões destinados ao orçamento de pesquisas estratégicas, recursos humanos e o desenvolvimento científico e sociocultural do Estado, estes iriam para o montante de 200 milhões.

Ainda dentro deste contexto, ao mesmo tempo em que vemos tentativas de corte de verbas da FAPERJ, o não pagamento das bolsas, as universidades estaduais completamente sucateadas e os servidores sem receber seus décimos terceiros, o Estado já ausentou e beneficiou fiscalmente grandes empresas como a Light, AMBEV e a Supervia. A proposta para 2016 da Lei de Diretrizes Orçamentárias é de 7,7 bilhões em isenções fiscais.

Baseado na conjuntura que se apresenta à situação da Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, os Pós-graduandos do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, convocaram uma reunião convidando todo corpo social, a fim de debater a conjuntura e construir ações que visem à defesa da Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo a FAPERJ.

Realizada na última segunda-feira (07), na UFRRJ, essa reunião contou com a presença de pós-graduandos, técnicos-administrativos e docentes, além do vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, professor Ildeu de Castro e a conselheira regional da SBPC, Luana Bonone.

Depois dessa reunião, ficou decido a mobilização de todo corpo social do Instituto de Biofísica, através de campanhas de apoio à FAPERJ. Essas campanhas acontecerão através de mobilização virtual, além de emissão de notas de repúdio à PEC 19/2016, e também de mobilização para a audiência pública que ocorrerá na ALERJ (Assemblém Legislativa do Rio de Janeiro), no dia 16/3. às 10h.

Em breve, publicaremos a nota emitida pelos Pós-graduandos aqui no site da ANPG.

Da redação

Gabriel Nascimento, diretor da ANPG e representante da entidade no GT “Inslusão Social na Pós-Graduação” da CAPES

O diretor da ANPG, Gabriel Nascimento, participou da terceira e última reunião do Grupo de Trabalho “Inclusão Social na Pós-Graduação” da CAPES, realizado na última terça-feira (08), em Brasília.

Ao longo de três meses, esse grupo teve como objetivo analisar e propor mecanismos de inclusão de estudantes autodeclarados pretos, pardos e indígenas e estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, em programas de mestrado e doutorado e em programas de mobilidade internacional.

“O grupo de trabalho pensou primeiro porque negros, índios, deficientes e pessoas com transtornos globais não adentram a pós-graduação e, segundo, elaborar sugestões para que esses problemas sejam sanados, para que aja diversificação étnica na pós-graduação”, explica Gabriel Nascimento.

Composto por representantes das seguintes instituições: CAPES, CNPq, MEC, SEPPIR-PR, EDUCAFRO, ABPN, CNEEI, Fórum Nacional de Educação Inclusiva, SBPC, ABC, ANPG, Andifes e FOPROP, o GT deliberou por documento que será encaminhado ao Conselho Superior da CAPES.

“O Grupo de Trabalho gera um documento com anexos em que estão sugestões para a CAPES e para o Estado implementar”, diz Gabriel.

A primeira grande sugestão que consta no documento é a criação de um sistema de reserva de vagas, no prazo de 10 anos, de 10%, 20% e 30%, respectivamente, das vagas nos programas de mestrado, mestrado profissional e doutorado em instituições do sistema federal do ensino superior para estudantes negros (pretos e pardos) e indígenas, estudantes com deficiência e transtornos globais de desenvolvimentos e altas habilidades. Sendo que haja obrigatoriedade no repasse de recursos federais.

Recomenda-se que todos os candidatos selecionados tenham bolsas CAPES e CNPq garantidas, além da inserção deles em programas de assistência estudantil na pós-graduação.

Destaca-se indispensável aumentar os recursos da pós-graduação, atendendo a meta 14 do PNE. Recomenda-se também criar ação orçamentária específica para dar suporte às despesas advindas dessa inclusão.

Cabe aos órgãos, MEC e CAPES, fazer uma avaliação e seguir os mesmos princípios que constam na portaria do MEC Nº 929, de 14 de setembro de 2015, ou seja, o acompanhamento das cotas na pós-graduação.

No documento, consta ainda, a aplicação de questionário específico de perfil socioeconômico de estudante de pós-graduação indicado pela comissão na plataforma Sucupira. Além da criação pelos órgãos MEC, MCTI e MMIRDH, de indicadores de acompanhamento referente ao perfil dessas pessoas.

Por último, recomenda-se que a CAPES considere a inclusão desses grupos na pós-graduação em sua avaliação quadrienal, para aferição de conceito, refletindo na avaliação do programa.

Ainda no mês de março, esse documento será entregue em solenidade às autoridades competentes.

Outras iniciativas
Além deste Grupo de trabalho, está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2890/2015, de autoria do deputado Davidson Magalhães (PCdoB/BA), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Ciência, Tecnologia e Pós-Graduação. Esta PL dispõe sobre a reserva de vagas para o ingresso na pós-graduação nas universidades e instituições federais de ensino superior e dá outras providências.

Leia mais aqui.

Da redação


Diretoras e diretores da ANPG participam de manifestação do dia 8 de março e reafirmam a luta feminista

Fotos: Teddy Falcão

Esse foi o primeiro 8 de Março depois da Primavera Feminista, a série de protestos realizados em 2015 que intensificaram a luta das mulheres em defesa de direitos e contra a violência.

A diferença foi uma passeata com mais gente, mais pautas e mais luta. Um monte de garotas foi ao seu primeiro Dia Internacional das Mulheres e engrossaram a já tradicional manifestação da Avenida Paulista, em São Paulo.

Com o tema “Mulheres nas ruas por Liberdade, Autonomia e Democracia para lutar: Pela legalização do aborto, contra o ajuste fiscal, a reforma da previdência e contra a violência”, a marcha se concentrou no Vão Livre do Masp, seguiu pela Rua Augusta até chegar na Praça da República, com um ato em frente à Secretaria da Educação.

Durante todo o trajeto, as mulheres celebraram. Teve muita música de protesto puxada pelas baterias feministas, intervenções artísticas, teatrais, picho em muros, stencil, cartazes, flores, purpurina, irreverência e muita alegria para tratar de temas sérios.

As diretoras e diretores da ANPG vestiram rosa e foram às ruas protestar por mais direitos, igualdade entre homens e mulheres, e por outra política econômica.

“As mulheres ainda ocupam poucos espaços de poder. Na Ciência, são poucos os nomes de cientistas mulheres conhecidos, pois por anos as invenções e descobertas feitas por mulheres eram atribuídas aos homens. Por conta da luta feminista, aos poucos temos conseguido reverter essa história e combater o machismo, mas ainda há muito o que avançar. Por isso, que o 8 de março é uma data tão importante, para lembrar que a luta continua”, diz Tamara Naiz, presidenta da ANPG.

Além da Associação, representantes de outras entidades estudantis e de movimentos sociais também participaram da marcha. “Eu e milhares de mulheres estamos aqui protestando por mais direitos, igualdade entre homens e mulheres e para influenciar na política brasileira”, disse Carina Vitral, presidenta da UNE.

Para Flavia Oliveira, presidenta da UEE-SP, a luta está avançando. “Estamos em um momento em que a mulher é protagonista da sua vida. Não nos calam mais. Hoje mostramos que mesmo com as diferenças ainda existentes , estamos na luta, para protagonizar nossas escolhas e decisões”, acrescentou.

Maria das Neves, diretora da UBM (União Brasileira de Mulheres), explicou que o Ato foi construído de forma unificada entre entidades de mulheres com pautas e reivindicações que envolvem a vida e os direitos de todas. “Estamos em defesa de mais ações contra a violência, pela legalidade do aborto, contra a reforma da previdência, os desvios da merenda e os fechamentos de salas de aula, que afetam famílias, e sobretudo, em defesa da democracia, que é como conseguir avançar em direitos e florescer a luta feminista”.

MAIS UMA MULHER SE LEVANTA
Sindicalistas, militantes de coletivos feministas, de negras, defensoras do meio-ambiente, ciclistas, de terceira idade, mulheres da periferia, deficientes físicas, e principalmente jovens estudantes. Em 2016, o ato do “8 de Março” teve como marca a presença de mulheres jovens participando pela primeira vez da marcha.

As secundaristas Cecília Godói (14) e a colega Luiza Bistane (15), contaram com entusiasmo como é participar pela primeira vez de uma passeata que comemora o Dia Internacional de Lutas das Mulheres.

“É incrível ver as mulheres comandando o carro de som, um exemplo para essa nova geração de feministas que estão nascendo. Vou aproveitar essa experiência incrível, esse será o tema do meu trabalho de inglês”, comenta Luiza.

O feminismo negro também foi bastante lembrado durante a marcha. As estudantes Thaina Frutuoso (18) e Ana Beatriz Pereira (18), tiveram o primeiro contato com o feminismo quando assumiram o cabelo. O belo black de Thaina e as tranças afro de Ana não foram simples escolhas estéticas: foram um processo de reverenciar e defender suas raízes.

“Nós somos protagonistas dessa luta. É o nosso espaço, ninguém mais pode fazer por nós. O feminismo negro é uma luta muito mais intensa, uma vez que lidamos com menos direitos, em diversas áreas.”

Da redação com informações da UNE

Dois indígenas do programa de pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) vão poder escrever a dissertação de mestrado na língua materna.

A iniciativa é considerada um marco no sistema do ensino superior para os índios do Brasil.

O professor de mestrado em antropologia social e orientador de um dos alunos, Gilton Mendes, explica que o projeto é fruto de um longo processo iniciado em 2010 no programa de pós-graduação.

Nesta época, a instituição implantou as cotas para o ingresso de indígenas. Ele destaca que a solicitação partiu dos alunos e foi acatada pela direção.

“A primeira questão é que todos nós sabemos. Isso é uma coisa simples, você pensa melhor, expressa melhor na língua materna, na língua que você foi educado para o mundo. Neste caso, em particular, esses alunos atualmente fizeram essa reivindicação com base neste primado: de que eles se expressam melhor em sua língua nativa.”

O professor esclarece que os alunos também vão escrever uma versão completa em português. Mas a ideia é que no futuro, isso não seja necessário.

Dagoberto Lima é um dos alunos. A dissertação dele é sobre a formação do ambiente terra-floresta segundo a visão Tukana.

Dagoberto destaca que os conceitos são diferentes para os não índios. Por isso, para ele, é importante escrever a tese em língua indígena.

“Por exemplo, terra-floresta, para os não indígenas, dividindo terra eles falam uma coisa, floresta falam outra coisa. Mas, para o nosso conhecimento, não há esta divisão. A floresta está em cima da terra. A terra depende da floresta e a floresta depende da terra. Não há como fazer essa separação. Entra as questões de mito, mitologia, e fundamenta nosso conhecimento.”

O estudante pretende apresentar a dissertação ainda neste mês. A banca não está definida, mas a apresentação será em Tukano.

Fonte: EBC

A Frente Brasil Popular convocou, na última sexta-feira (04), ato em defesa do Estado democrático de direito e dos direitos sociais em nosso país. Este ato foi convocado em caráter de emergência em virtude da condução coercitiva contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

No plenário da quadra dos bancários, zona central de São Paulo, onde aconteceu o ato, centenas de manifestantes lotaram o recinto, e muitos ficaram do lado de fora do local, bloqueando a rua.

A ANPG, uma das entidades que compõe a Frente, esteve presente representada por seus diretores e pela presidenta da entidade, Tamara Naiz, que subiu ao palco ao lado de dezenas de representantes de outras entidades dos movimentos estudantil e social.

 “A Associação Nacional de Pós-Graduandos se soma à Frente Brasil Popular e diversas entidades dos movimentos sociais contra qualquer tentativa de golpe. Jamais nos furtaremos da luta pelo bem mais precioso que é a democracia”, afirma Giovanny Kley, diretor da ANPG.

Seguiram-se diversas falas que abordaram questões como a declaração do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, que expressou a sua preocupação com o fato de a condução coercitiva contra o ex-presidente Lula ter sido realizada mesmo sem ele sequer ter sido intimado a depor ou tenha se negado a ir a outros depoimentos que prestou este ano.

Segundo o presidente da Centra Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, a ação contra o presidente Lula realizada na sexta-feira foi um abuso de poder e se constituiu como uma ação ilegal e desnecessária.

Cerca de duas horas após o início do ato, o ex-presidente Lula chegou ao local onde discursou a respeito do ocorrido mais cedo. “Eu não devo e não temo”, disse o presidente. Ao final, ele disse que está disposto a percorrer todo o país para animar os movimentos na luta por mais avanços sociais.

Confira o discurso de Lula na íntegra.

Da redação


ANPG durante Fórum de Juventude do BRICS

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e o Ministério da Educação (MEC) acabam de divulgar o resultado do Edital 03/2015, de cooperação internacional, em que foram selecionados projetos de programas de pós-graduação stricto sensu  em instituições de ensino superior brasileiras para a Universidade em Rede do BRICS, o grupo de países que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Em divulgação, a Capes anuncia o acolhimento de 12 projetos de programas de pós-graduação nas áreas de áreas de Ciência da Computação e Segurança da Informação; Ecologia e Mudanças Climáticas; Economia; Energia; Estudos do BRICS; e Recursos Hídricos e Tratamento da Poluição.
A Universidade em Rede do BRICS teve como ponto de partida a defesa da presidenta da ANPG, Tamara Naiz, durante Fórum de Juventude do BRICS, em Ufa, na Rússia. Diversas perspectivas apresentadas pela ANPG foram incorporadas e estão em implantação, como demonstra a Universidade em Rede do BRICS.
Os programas de pós-graduação permitirão estreitar relações entre o Brasil e os países do BRICS de modo a desenvolver áreas estratégicas.
O resultado pode ser consultado no link http://www.capes.gov.br/component/content/article/36-salaimprensa/noticias/7826-edital-seleciona-12-projetos-para-universidade-em-rede-do-brics