Category

Notícias

Category
Durante debate promovido pela ANPG, discute-se a importância de atentar para os processos de popularização do conhecimento
 
                          Professor Ildeu de Castro Moreira, Lenilton Silveira e Tamara Naiz, da ANPG, e Daniel Ferraz Chiozzini
 
Nesta quinta-feira (25), a Associação Nacional de Pós-Graduandos realizou o debate “Inovação social, popularização do conhecimento e desenvolvimento humano” na Universidade Federal de Pernambuco. O encontro foi parte do 3º Salão de Divulgação Científica da ANPG, paralelo à 65ª Reunião Anual da SBPC. Os convidados, o professor representante da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, o docente da PUC-SP, Daniel Ferraz Chiozzini, e os mediadores, Tamara Naiz e Lenilton Silveira, concordaram que a inovação não se limita à inovação de produtos no mercado, mas, muito mais expressiva que isso, baseia-se em processos de popularização do conhecimento e evolução da estrutura social.

O representante da SBPC, Ildeu  de Castro, elogiou a atuação da ANPG no que se refere ao debate sobre a educação no Brasil – que não se restringe apenas aos pós-graduandos, discutindo e defendendo o acesso à educação, no geral, junto aos outros movimentos sociais. Para ele, a inovação não se realiza apenas nas indústrias e empresas, mas, nos ministérios, secretarias e instrumentos de transformação social. 

 
“A tradição geral do empresariado é fazer o que sempre fizeram”, comentou o debatedor, “expropriar uma parte dos recursos públicos para o núcleo interno, em vez de inovar.” Ele critica o investimento público exorbitante para fins privados, como os estádios de futebol erguidos para a Copa. “Precisamos inovar radicalmente a nossa educação”, reforça, “isso é inovação social. O microscópio tem 300 anos e o telescópio 400. Ainda assim, há escolas que não têm essas coisas e professores que nunca as viram. São inovações fundamentais.”
 
Como exemplo de inovação social efetiva, ele citou a colaboração entre Brasil e Moçambique, durante a gestão do ex-presidente Lula, quando o país levou para lá um centro tecnológico para produzir vacinas, em vez de vendê-las ou doá-las, como é de praxe entre os países desenvolvidos.
 
Já o professor Daniel Chiozzini destacou a importância de se descentralizar instituições do saber. “Museus e centros de ciência devem estar na periferia”.  Ele disse, ainda, que seria interessante agregar as ciências humanas nos centros de ciências, e “descontruir a imagem da ciência redentora e salvacionista.”
 
Lenilton Silveira, mediador da ANPG, acrescentou a importância de se unificar as ciências exatas e biológicas às humanas, investir em ambas e torná-las acessíveis. Tamara Naiz, também mediadora, questionou: “Para que e para quem serve a inovação?” Professora de história da rede pública, emocionou-se ao contar que muitos de seus alunos começam a trabalhar e abandonam a escola definitivamente. “Hoje, a inovação serve para a manutenção desse estado de coisas. A ciência tem que ser popularizada. Ela tem que ser apropriada pela população.”
 
Ela concluiu sua fala citando o poema uruguaio Defesa da Alegria, de Mario Benedetti:
 
“Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas
 
defender a alegria por princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
assim dos neutrais e dos neutrões
das infâmias doces
e dos graves diagnósticos (…)”
 

 

O documento também foi entregue ao presidente da Capes, Jorge Guimarães
 
Presidenta da ANPG, Luana Bonone, e Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp
 Foto: Alline Magalhães/ ANPG



Na terça-feira (23), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, assinou o Manifesto em defesa da ciência de base e da valorização da pesquisa, elaborado pela ANPG, com pautas referentes à valorização permanente das bolsas de pesquisa em todos os níveis de ensino e a um investimento em ciências e tecnologias equivalente a 2% do PIB. O ministro foi conferencista de um dos eventos promovidos pela ANPG na 65ª Reunião Anual da SBPC, em Recife. No mesmo dia, após uma passeata pacífica pela educação, a ANPG entregou o mesmo documento ao presidente da Capes, Jorge Guimarães. 
 
 
ANPG e União dos Estudantes de Pernambuco entregam documento ao presidenta da Capes, Jorge Guimarães  
Foto: Luiz Fabiano/ANPG
 
O ministro Marco Raupp falou sobre Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Soberania Nacional.  A mesa da conferência foi composta ainda pela presidenta da ANPG, Luana Bonone, e pelo reitor da UFPE, Anísio Brasileiro. "A universidade deve ser repensada", disse o ministro, "os cursos estão dissociados da realidade. O ensino é um meio para se chegar ao aprendizado." O conferencista enfatizou que para transformar a ciência e a educação é necessário interferir em várias áreas: organização básica, legislação, análise das metodologias tradicionais do ensino, formação de professores e etc. Além disso, apontou as universidades públicas como grandes centros de produção de conhecimento científico e inovação.
 
Valorização das bolsas
Diante da pauta de valorização permanente das bolsas de estudo, o ministro respondeu que “bolsa de estudo não é salário e, por isso, não pode ser permanente”. * Mesmo assim, assinou o documento que defende maior valorização das bolsas através da aprovação de um mecanismo de reajuste permanente que, ao mesmo tempo em que impeça a defasagem por conta da inflação, consiga elevar o seu valor real para suprir a defasagem histórica.
 
A presidenta da ANPG, Luana Bonone, mencionou as perspectivas defendidas pela ANPG para o código da ciência e disse que as manifestações clamam por avanços: “É um respaldo popular para promover transformações, melhorias de serviços públicos, mais qualificação.” 
Passe livre
 
Entidades estudantis protestando na UFPE 
UBES, UNE, UEP e ANPG protestam na UFPE   Foto: Luiz Fabiano/ ANPG
 
A importância de levantar uma das principais bandeiras da ANPG demonstrou-se crucial nesses últimos dias, nos quais acontece a 65ª Reunião Anual da SBPC.  A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a ANPG reuniram-se nas ruas da Universidade Federal de Pernambuco para reivindicar uma pauta comum, conforme cantavam: “passe-livre no busão, na ciência e educação”. 
 
Durante todos os dias desta semana, a ANPG está promovendo o seu 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, como parte da programação oficial do evento da SBPC.  A maior parte das nossas atividades está concentrada no Centro de Ciências Biológicas da UFPE.  Conferência, debates, oficinas, Mostra Científica, I Seminário de Formação de Pós-Graduação em Saúde, apresentações musicais e de danças estão inclusos na programação. 
 

 

O evento teve pronunciamentos, homenagem a célebres cientistas e premiação 



Foto: ANPG

 
A abertura da 65ª Reunião Anual da SBPC ocorreu neste domingo (21), no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco. A Associação Nacional de Pós-Graduandos esteve representada na mesa por sua presidenta, Luana Bonone e, na plateia, por sua diretoria.  Também participaram da abertura o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, da presidente da SBPC, Helena Nader, do reitor da UFPE, Anisio Brasileiro de Freitas Dourado, e representantes do governo do estado de Pernambuco; da Marinha; do Legislativo; do CNPq; da Capes; e da ABC.
 

Luana Bonone, presidenta da ANPG 
 
A SBPC homenageou quatro célebres cientistas que faleceram recentemente: Paulo Vanzolini, Bertha Becker, Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e Maria Léa Salgado Labourian. Houve apresentação de fotos em slideshow e entrega de placas comemorativas.
Durante o evento, foi entregue o Prêmio José Reis de Divulgação Científica, do CNPq, que neste ano foi concedido ao físico Ildeu de Castro Moreira, pelo trabalho como divulgador científico, sobretudo na idealização e realização das Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia.
 
A Reunião da SBPC ocorrerá durante toda a semana, v até o dia 26 de julho. Neste ano, com o tema: "Ciência para o novo Brasil". A ANPG participa da programação oficial do evento, promovendo o seu 3º Salão Nacional de Divulgação Científica. 

 

Elisangela Lizardo discorre sobre a massificação da educação 
 
O Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ) está promovendo um projeto de pesquisa em Educação e Trabalho.  A ex-presidenta da ANPG, Elisangela Lizardo, contribuiu com um artigo intitulado: “A massificação da educação escolar na sociedade tecnológica”. O projeto é coordenado por Felipe Maia, doutorando em Sociologia no IESP-UERJ e editor da revista da CEMJ, Juventude.br – cujas edições estão disponíveis para download no site.  Abaixo, leia o artigo de Elisangela na íntegra. 

A massificação da educação escolar na sociedade tecnológica


Por Elisangela Lizardo
 
“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
(Art. 205 da Constituição Federal, 1988)
 
Sendo parte de uma série de discussões que serão apresentadas na pesquisa desenvolvida no Laboratório da Juventude sobre a Educação para Emancipação e para o Trabalho e suas abordagens na produção científica no último decênio, esse breve texto inicia o debate com algumas indagações propulsoras que contribuirão para o desenvolvimento da pesquisa, são elas: Qual a função da educação escolar no Brasil? A educação escolar fornecida atinge tais objetivos para todos os brasileiros, tal como prevê a Constituição Federal? A sociedade do alto desenvolvimento tecnológico ampliou a capacidade de adquirir conhecimento e promover formação às crianças e jovens?
 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs – do Ministério da Educação para o Ensino Médio apontaram no ano de 2000 que, ao final do Ensino Básico de educação compreendido como ensino infantil, fundamental e médio, os estudantes deveriam ser capazes de desenvolver competências básicas que lhes permitissem continuar, aprendendo e detalharam o objetivo final do Ensino Médio como sendo: “Propõe-se, no nível do Ensino Médio, a formação geral, em oposição à formação específica; o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender, criar, formular, ao invés do simples exercício de memorização” (BRASIL, 2000).
 
A essas “competências” alia-se ainda a demanda de uma escola situada no mundo contemporâneo e focada na “cidadania e no trabalho”, oriunda de recomendações da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, incorporadas nas determinações da Lei nº 9.394/96 que determina: “a) a educação deve cumprir um triplo papel: econômico, científico e cultural; b) a educação deve ser estruturada em quatro alicerces: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser” (BRASIL, 2000). Não foi, contudo, a discussão isolada sobre as competências e habilidades dos estudantes ao final do ensino médio o elemento que mais provocou a reformulação curricular e de objetivos da educação; o desenvolvimento tecnológico e o avanço da informática foram considerados pelo Estado, como a mola propulsora desta discussão.
 
O final do século XX e início do XXI foram marcados por incontáveis transformações econômicas, culturais, sociais, por descobertas científicas e tecnológicas que revolucionaram o modo de produzir e de viver dos cidadãos das grandes e médias cidades. A arrebatadora urbanização provocou novos modos de organização social e exigiu que o Estado estabelecesse novas soluções para gestar um modelo globalizado de desenvolvimento e garantir a partir da aquisição da educação e da cultura a possibilidade de exercício da cidadania. As novas tecnologias contribuíram para uma acelerada mudança no papel da escola na formação dos indivíduos e o Brasil, junto com outros países da América Latina buscou superar um déficit de nível de escolaridade e de conhecimento da média da população.  Tantas inovações acenderam no ambiente educacional o questionamento sobre o papel da escola na sociedade tecnológica, na sociedade do conhecimento. Era necessário preparar a escola e os cidadãos para esse novo modelo de desenvolvimento, que impulsionados pela tecnologia, exigia novos padrões de produção econômica.
 
Um agravante, contudo, alterou essa situação de prosperidade tecnológica, o sistema econômico predominante no mundo vive uma de suas graves crises, provocando um colapso financeiro, desemprego, instabilidade e exclusão social nos países mais desenvolvidos e evidentemente refletindo essas desigualdades nos países em desenvolvimento, com menos poder econômico, em todos os ambientes, inclusive o educacional. O Brasil, felizmente, vivencia uma situação econômica mais estável, com o inicio de um processo de distribuição de renda e valorização da diversidade cultural, no âmbito educacional. Estima-se que até 2021 o país consiga eliminar o analfabetismo e universalizar o ensino infantil, com expressam as metas do Plano Nacional de Educação 2011-2020, um Projeto de Lei de autoria do poder executivo – PL 8.035/2010 que define os rumos da educação nacional para os próximos 10 anos. Também são metas relevantes do PNE, a expansão do ensino tecnológico, a erradicação do analfabetismo e a inclusão dos diversos setores da sociedade, tais como negros, indígenas, quilombolas e moradores do campo na educação escolar.
 
Pode-se afirmar desse modo, que vivemos um processo de massificação da educação escolar brasileira. De acordo com dados do INEP (2012), foram cadastradas no censo escolar do ano citado, aproximadamente 51 milhões (50.972.619) de matrículas no ensino básico, contemplando a educação regular, educação especial, educação de jovens e adultos e educação profissional. A que serve ou a quem serve essa massificação? Verifica-se na apresentação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2000) que será ofertado às crianças brasileiras um modelo educacional geral, não específico, que sirva para formação integral do aluno, contudo, no mesmo documento ao tratar dos objetivos do ensino médio, verifica-se como primeira função, a preparação para o trabalho, seguida da formação cidadã.
 
A formação para o trabalho é de fato uma grande preocupação dos jovens. A pesquisa “Juventude brasileira e democracia” realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE, 2005), aponta o emprego como a principal preocupação da juventude brasileira no período, dado também verificado em relatórios datados de 2010 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Não só aqui no Brasil, mas pelo mundo o emprego ou a falta dele, preocupa os jovens que sofrem com a crise econômica mundial[1], apesar de ser a educação a primeira colocada na lista de preocupações dos entrevistados. “Os jovens questionaram a qualidade da educação recebida por si e pelos seus pares: se é ou não relevante para os empregos disponíveis, como os seus conhecimentos e capacidades lhes serão úteis a longo prazo e em que medida os decisores políticos estão empenhados em fazer o necessário investimento no potencial dos jovens” (ONU, 2012).
 
Ao falar em educação para o trabalho há que se considerar a relação da escola com o mundo do trabalho na sociedade capitalista. O anseio pelo desenvolvimento tecnológico, pela inovação de produtos que propiciem maiores lucros para o mercado permeia os objetivos e rumos da educação. Já apontava Apple (1989) ao falar sobre o currículo, que este “não existe como fato isolado, ele adquire formas sociais particulares que corporificam certos interesses que são eles próprios resultados de lutas contínuas dentro e entre os grupos dominantes e subordinados” (p. 47). E nessa luta, parece estar na frente o interesse dos grupos dominantes, mesmo que se reconheçam os avanços adquiridos pelos grupos sociais que inseriram no currículo nacional brasileiro questões relevantes como os debates de raça, gênero, etnia e até o econômico, como, por exemplo, a luta dos movimentos sociais ligados à educação pela aprovação da destinação de 10% do PIB pra educação.
 
Este movimento de inclusão escolar, não significa necessariamente uma inclusão social. FANFANI (2007) trata profundamente sobre o processo de inclusão escolar contraditório ao processo de exclusão social vivido na Argentina na década de 1990. No Brasil a realidade de inclusão/exclusão se repete, mesmo com políticas de expansão, como já dito anteriormente, e com a construção de novas escolas e universidades, com distribuição de livros e tablets a exclusão social a que pertencem esses alunos interferem diretamente e intensamente no processo de aprendizagem dessas crianças e jovens que chegam à escola com habilidades e acúmulos culturais bem diferenciados, mesmo considerando todo o processo de sucesso, fruto das práticas escolares. Antônio Cândido ainda em 1973 denominava a escola como um grupo social instituído que deveria ser observado e analisado a partir das determinações dos grupos exteriores à vida escolar e a partir dos padrões da sociabilidade interna da escola e sua cultura.
 
A grande questão é que a promessa do capitalismo de ampliação das oportunidades, de circulação do conhecimento, de acesso à tecnologia capaz de reduzir o tempo de trabalho, etc., não se sustenta; assim como a universalização dos sistemas de ensino e a própria qualidade da educação não se implementam efetivamente – mesmo já tendo ocorrido um longo processo de massificação da educação – devido às imensas desigualdades econômicas e sociais do Brasil. Ainda assim, há que se reconhecer que, mesmo sendo a educação escolar esse instrumento contraditório de formação e adaptação, de reflexão e reprodução, não se pode prescindir dela como o principal espaço de aquisição de cultura e conhecimento.
 
Torna-se tarefa árdua, numa sociedade onde a desigualdade da oferta de oportunidades é tão acirrada, o alcance do desenvolvimento da plena capacidade do indivíduo. Essa dificuldade se amplifica ainda mais entre os jovens, que vivem de forma intensa todas as transformações econômicas e sociais impostas pela tecnologia.  Há, contudo, que se considerar que os mesmos indivíduos que se adaptam aos padrões capitalistas, possuem a capacidade de resistir, de se transformar e transformar o seu meio, contribuindo desse modo para amenizar um ciclo de reprodução e construir uma nova cultura escolar e social.
 
Muito, contudo, há pela frente. O ano de 2013 promete ser um ano de intensas transformações no sistema educacional brasileiro. Acaba de ser aprovada na câmara dos deputados a destinação de 75% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, deverá ser votado ainda este ano o Plano Nacional da Educação, vivemos um processo de democracia participativa com a Conferência Nacional de Educação, o Conselho Nacional de Educação, debate com o movimento social e com pesquisadores a Reformulação do Ensino Médio. Todos estes fatores, sem dúvida contribuirão para uma alteração na conjuntura educacional e quem sabe na “função da escola”!
 
Elisangela Lizardo é bióloga, doutoranda e mestre em Educação: História, Política, Sociedade pela PUC-SP.
 
Bibliografia

BRASIL.2000. MEC – Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais –      Ensino Médio. Disponível em:http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/blegais.pdf

BRASIL. 2012. INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo escolar da educação básica de 2012. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/basica-censo
CANDIDO, A. 1973. A estrutura da escola. In: PEREIRA, L. & FORACCHI, M. M. Educação e sociedade – Leituras de Sociologia da Educação. São Paulo: Nacional.
FERNÁNDEZ ENGUITA, M. 2001. La escuela a examen. Madrid; Ediciones Pirámide
TENTI FANFANI, E. 2007. La escuela y la cuestión social. Buenos Aires: Siglo XXI Editores.
APPLE, M. W. (Org.) 1996. O estudo da escola.  Porto: Porto Editora.
 

 


Em defesa das reivindicações dos pós-graduandos e da classe trabalhadora


A APG-UFBA esteve nas ruas de Salvador/BA no Dia Nacional de Lutas, convocado pelas CUT e demais centrais sindicais, no ato que contou com a presença das entidades sindicais, entidades estudantis, organizações e movimentos. O ato iniciou-se na Praça do Campo Grande em Direção à Praça Municipal, local em que se concentraram os manifestantes para acompanhar audiência pública com o prefeito na Câmara de Vereadores para tratar da redução da tarifa e do passe livre estudantil em Salvador/BA.

Os pós-graduandos estiveram organizados em uma coluna e defendendo a universalização e reajuste das bolsas de pesquisa, juntamente com a pauta da redução das tarifas e do passe livre estudantil.

A Associação segue participando das mobilizações na capital baiana.

Hoje a Associação Nacional de Pós-Graduandos comemora 27 anos de luta pelos direitos dos pós-graduandos e pesquisadores, e pelo incentivo à ciência, ao desenvolvimento, à cultura e à educação no país. Parabéns a todos que, motivados pelo ideal de um Brasil que valorize a ciência, participaram dessa empreitada! Parabéns aos que se somam, também, ao clamor pela ampliação da democracia, do  acesso aos bens culturais e da distribuição de renda! Sigamos em frente, promovendo debates, indo às ruas junto com a população e os outros movimentos sociais, e erguendo a bandeira da inclusão social.

 

A Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) vem a público registrar seu posicionamento contrário à aprovação total do Projeto de Lei do Senado (PLS) 268/2002, conhecido como Ato Médico, considerando os prejuízos nas atribuições estabelecidas no âmbito de outras competências profissionais na saúde, devidamente regulamentadas pelas suas respectivas representações de classe.

Consideramos que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve priorizar o fortalecimento do trabalho pela equipe multiprofissional de forma horizontal, na perspectiva da integralidade na produção e organização do cuidado para o modelo de atenção à saúde, bem como a necessidade da qualificação da formação dos profissionais para o fortalecimento do SUS, convergindo com o desenvolvimento da ciência e tecnologia por meio de mecanismos de indução de pesquisas públicas que correspondam às reais necessidades do sistema e da população.

Importante destacar que nos colocamos favoráveis à regulamentação do exercício da Medicina, porém, sem invadir o campo de atuação das demais profissões e sem representar, na prática, a redução da oferta de ações, serviços e  acesso aos usuários.

Desta forma, somos favoráveis ao veto, pela Presidenta Dilma Rousseff, e reescrita dos pontos que desconhecem os avanços das competências dos demais profissionais de saúde na produção do cuidado, e que diminuem a autonomia das demais profissões comprometendo o trabalho multidisciplinar no SUS – cujo maior prejuízo seria para a saúde da população


Publicação está disponível online 
 
A Revista de Economia Fluminense, publicação da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), chega à sua 13ª edição apresentando propostas e análises relacionadas ao transporte, habitação, mercado de trabalho, planejamento urbano e distribuição da população nos municípios. A obra tem como foco “A cidade que queremos” e objetiva levantar reflexões que contribuam para a melhoria da qualidade dos serviços prestados. Esta e todas as outras edições da revista também estão disponíveis no portal: www.ceperj.rj.gov.br; para o leitor pesquisar, analisar e refletir.
 
Com “A cidade que queremos”, a revista, em suas 46 páginas, apresenta sete artigos; uma entrevista com o professor da Uerj, Pedro Pinchas Geiger, sobre o papel da geografia no país e como ela pode ajudar no desenvolvimento das cidades; uma resenha sobre o livro “Rio de Janeiro, um estado em transição”, lançado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV); apresentação do secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, sobre o apoio ao desenvolvimento das regiões do estado; e o editorial do presidente da Fundação Ceperj, Jorge Barreto.
 
“A 13ª edição da nossa revista procura registrar um pouco dos debates sobre transporte, emprego, habitação, segurança, saúde, entre outros. Retoma temas sobre o futuro da metrópole fluminense e o conjunto do estado, sempre inserindo o Rio de Janeiro no contexto nacional, buscando apresentar as soluções locais que irão se somar às grandes transformações nacionais”, explica Barreto.
 
Como as edições anteriores, a nova publicação da Revista de Economia Fluminense busca orientar gestores públicos e privados em suas tomadas de decisões. Em um dos artigos de capa, “Cidade para quem?”, o economista, ex-presidente do BNDES e ex-reitor da UFRJ, Carlos Lessa, afirma que a construção das cidades do futuro depende de planejamento urbano, que leve em conta, principalmente, seus moradores e não o capital e os empresários. E questiona: “Ao pensar em planejamento urbano, a primeira pergunta a ser feita é qual a visão de futuro que está por trás desse planejamento. Será uma cidade-empresa ou uma cidade para a nação e, por conseguinte, seus moradores?”.
 
No outro artigo de capa, o vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e professor adjunto III da EAU-UFF, Pedro da Luz Moreira, aborda “A questão da habitação e a cidade do cotidiano efetivo”. Nele, o autor explica que uma boa política habitacional deve ser capaz de neutralizar as tendências perversas do desenvolvimento das cidades brasileiras. E defende a implantação de empreendimentos habitacionais com forte incentivo à proximidade e convivência entre estratos sociais mais pobres e mais ricos; implantação de transporte público com alta capacidade; combate às grandes dispersões territoriais; e busca de uma aproximação positiva com relação aos biomas e ritmos naturais – como mares, rios e lagos –procurando superar os impasses com relação aos fenômenos das chuvas tropicais, desabamentos de encostas, transbordamentos de rios ou mananciais.
 
Em “Apontamentos sobre o mercado de trabalho fluminense, 2004 a 2011”, Jardel Leal, economista do Dieese, fala que o crescimento da economia no estado do Rio de Janeiro se refletiu na melhoria dos rendimentos dos trabalhadores e no maior número de pessoas com carteira assinada. O artigo “Distribuição da População Fluminense: contrastes entre a metrópole e o interior” é assinado pelo Dr. Miguel Ângelo Ribeiro, professor associado do Departamento de Geografia Humana (Igeog-Brasil) e pela Dra. Maria Monica Vieira Caetano O’Neill, pesquisadora em Informações Geográficas do IBGE. Nele os dois afirmam que o estado do Rio de Janeiro é dominado pelo peso da concentração na região metropolitana da capital.
 
No artigo “Os sistemas de transporte público urbano de baixa, média e alta capacidade”, Fernando Mac Dowell, doutor em Engenharia de Transportes, propõe que o transporte público no Rio de Janeiro se adeque às necessidades da população e ao ambiente de percurso. “Construir o futuro sem reproduzir o atraso: elementos de economia política para guiar uma agenda de planejamento do território” é de autoria de Bruno Leonardo Barth Sobral, professor da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ e doutor em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp. Ao escrever sobre  “Planejamento Urbano: uma agenda para o futuro das cidades fluminenses”, a professora associada da Uerj, Angela Moulin S. Penalva Santos, explica que o objetivo de seu artigo é refletir sobre o significado do planejamento urbano nas cidades fluminenses.
 
A 13ª edição da Revista de Economia Fluminense possui tiragem de 2 mil exemplares que serão distribuídos para todos os órgãos estaduais e federais com sede no Rio de Janeiro. 
 


Evento acontecerá em Recife e debaterá ensino técnico 

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) abriu chamado para as inscrições do 12º Encontro Nacional de Escolas Técnicas (ENET). O Tema deste evento será “Educação, Ciência e Tecnologia a serviço do Brasil”, alunos do ensino fundamental, médio, técnico, profissionalizante e pré-vestibular de todos os estados brasileiros já podem confirmar presença no evento que acontecerá entre 22 e 25 de julho, em Recife.
 
O encontro busca promover a educação tecnológica como agente transformador – capaz de libertar, desenvolver, incluir, descentralizar e conscientizar  a nação.  A capital pernambucana colocará no centro das discussões a formação técnica no Brasil, seu ritmo crescente de expansão nas redes federais, lado a lado a criação de escolas estaduais tecnológicas, PRONATEC e centros de ensino profissionalizantes. Veja aqui o cartaz de divulgação.
 
Para participar, basta acessar o formulário de inscrição.  
 
A convocação é feita para garantir a presença daqueles que acompanham de perto os avanços sofridos nos últimos anos desta modalidade de ensino, e não só isso. O ENET abre alas para diversificadas rodas de debate, todas elas encabeçadas pela juventude que hoje está inserida nas fileiras do ensino técnico, tendo como pontos centrais: ensino, pesquisa e extensão; expansão com qualidade e assistência estudantil.
O ENET da UBES também participará da SBPC Jovem, Feira de Ciências que acontecerá dentro da atividade anual da SBPC. Os secundaristas que inscreveram seus projetos de ciências durante o mês de março no blog da UBES – e que foram aprovados, farão apresentação dos trabalhos durante a programação da Feira.
Acesse o portal da UBES e saiba mais sobre o ENET.