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 A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) apoia e participa das manifestações que ocorrem por todo o país. Iniciadas pela justa pauta de redução do valor das passagens do transporte público nas capitais brasileiras, tais marchas assumem o caráter de um grito da juventude por mais democracia e participação. Trata-se da expressão do sentimento de que o povo nas ruas é capaz de promover mudanças, apresentada por uma população historicamente excluída da vida política do país. Continuaremos participando dos atos e convocamos as Associações de Pós-Graduandos e o conjunto dos pós-graduandos brasileiros a se mobilizarem também junto às organizações políticas dos trabalhadores e da juventude por suas reivindicações. Dessa maneira, a ANPG se posiciona veementemente contrária às ações de violência sofridas por militantes de partidos, grupos políticos e entidades sindicais nas manifestações. É preciso combater todo o tipo de manipulação, seja oriunda da grande mídia, seja de setores conservadores. Consideramos que as mudanças estruturais que nos permitam construir um Brasil cada vez mais democrático e justo só podem ser obtidas com a unidade e democracia dentro do próprio movimento. Por isso, nos dirigimos à Dilma para que cumpra sua palavra e faça com que seu governo “escute as ruas” e faça outra política com ações mais incisivas de distribuição de renda, regulamentação da mídia, trabalho decente, moradia digna e saúde e educação de qualidade.

Leia aqui a carta dos movimentos sociais endereçadas à presidenta Dilma: ( https://www.anpg.org.br/gera_noticia.php?codigo=1756&tipo=1)

Foto: Carlos Siqueira, São Paulo 18/06/13

 

Este sentimento está expresso e ilustrado nas ruas de todo o país. Uma juventude tão disposta quanto plural toma as avenidas do Brasil apresentando uma série de pautas e encampando bandeiras em que expressam o orgulho de ser brasileiro. A responsabilidade com os rumos do país se faz passeata. E reúne milhares. E milhões. A redução do valor das passagens do transporte público nas capitais brasileiras foi a fagulha que acendeu o palheiro. 

Um palheiro que sempre esteve ali, uma vontade de participação política que nunca esteve ausente, mas era solenemente ignorada pelos instrumentos de manutenção do estado de coisas, propositadamente desprezada por uma cultura política que historicamente afasta o povo das decisões, da consecução do projeto de nação (seja ele qual for, do nacional-desenvolvimentismo que já expirentamos em suas várias facetas – progressistas e conservadoras – ao ultraliberalismo que solapou o Estado e a qualidade de vida do povo durante toda a década de 90).

 
Entretanto, embora acusado de pacífico e apático, o povo brasileiro novamente se levanta para mostrar que o gigante nunca cochilou. Encarnado na juventude, o sentimento em prol das mudanças esfrega mais uma vez sua vivacidade nas fuças daqueles que gostam de rotular nossa política de suja, nossos movimentos sociais de oportunistas, nossa juventude de alienada e nosso povo de “povinho”. 
 
Os mesmos que veem o Brasil com olhos estrangeiros e acreditam na subserviência como única saída, tendo por projeto de país, portanto, a dependência das migalhas gringas. Este é o pensamento que se proclama porta-voz da nação e se apresenta em jornais e televisões. Ocupa espaços em todos os Poderes e controla as instituições mais poderosas do país: as financeiras. Com maior ou menor grau de consciência, é contra o estado de coisas mantido por esses setores da sociedade que as ruas são tomadas.
 
Ocorre que se trata de um movimento absolutamente imprevisível e de dimensões impensáveis, assim, não se sabe ao certo o rumo dele. Caminhando pela paulista ao lado de centenas de milhares de pessoas sob chuva de papel picado, tive a certeza de que o grito que estava contido é por mais democracia, por participação. A população tem anseio de conhecer a forma como se decidem as coisas, de participar deste processo, de dizer quais são suas prioridades.
 
Se eu fosse governo, colocaria em pauta a Reforma Política. Não a mini-reforma eleitoral que está em pauta, mas uma reforma Política de verdade, para promover a ampliação dos instrumentos de participação, para promover debate político e fazer valer o termo representação (inclusive no Judiciário!). Não há momento mais propício para promover um processo de debate no sentido de ampliar a participação, com respaldo nas mobilizações. 
 
Eu pautaria também uma nova lei para os meios de comunicação, a fim de garantir que o debate público veiculado abarque a pluralidade de vozes presentes neste movimento e no conjunto da sociedade brasileira, vozes que aparecem nas páginas e telas representadas por um discurso único (e conservador). Essa pluralidade, aliás, só ganhou espaço depois que o "pensamento único" foi enterrado junto com a hegemonia política do neologismo que nos trouxe as privatizações e terceirizações – mas a cova é rasa, e a qualquer hora o defunto pode se levantar!
 
Como sou movimento social, participo. E disputo os rumos. Afinal, as mesmas forças conservadoras que mantiveram a fábula do gigante adormecido como verdade histórica, entram com pautas e mídias para tentar dar uma direção que lhe seja conveniente a este ascenso de passeatas. Entram também com violência. Cabe a nós, que sempre estivemos nas ruas, participar e debater profundamente o momento vivido, a fim de engrossar o caldo das manifestações pautando as reformas estruturais que nos permitam construir um Brasil cada vez mais democrático, com distribuição de renda, desenvolvimento científico e tecnológico, regulamentação da mídia, trabalho decente, moradia digna e saúde e educação de qualidade.
 
Cabe a nós, que estamos acostumados a apresentar pautas, ouvir e aprender com esse fenômeno e a partir dele conquistar avanços que tornem melhor a qualidade de vida do povo brasileiro.
A juventude que está hoje nas ruas de São Paulo, do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Brasília, Recife, Belém e que se espalha por quase todas as cidades do país, pode não saber exatamente qual é o próximo passo, qual é a pauta que unifica, mas de uma coisa não tem dúvida: quer mudanças mais profundas.
 
De pé, a juventude brasileira educa e aprende a respeito de cidadania como há anos não se via. A redução do valor das passagens é a comprovação de que o povo na rua promove mudanças. Principalmente de consciências.
 
Luana Bonone
Jornalista, mestranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP
Presidenta da ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos
Participante de movimentos sociais há 13 anos

 

Ministro Aloizio Mercadante deve enviar ao Congresso Nacional projeto de lei para criação da primeira universidade federal de educação à distância

O ministro Aloizio Mercadante (Educação) afirmou na segunda-feira (17) que a pasta deve enviar ao Congresso Nacional projeto de lei para criação da primeira universidade federal de educação à distância.

Hoje, o investimento do governo federal na modalidade se resume à UAB (Universidade Aberta do Brasil), criada em 2005 com foco na formação de professores de educação básica. A instituição oferta hoje cursos de licenciatura e administração. Segundo Mercadante, essas matrículas seriam absorvidas com a criação da nova universidade.

"Cada curso de cada universidade poderá ser ofertado na universidade federal de educação a distância. Então, [o curso de] engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul pode ser ofertado como sendo também curso à distância", disse.

Mercadante ressaltou que enquanto no Brasil cerca de 15% dos estudantes do ensino superior estudam nessa modalidade, entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) esse percentual chega a 50%.

"O Brasil é um dos poucos países que não tem uma universidade nacional pública à distância", disse o secretário Paulo Speller (Educação Superior), citando como exemplo países como Inglaterra, Espanha e Portugal.

Segundo ele, cursos como direito e algumas engenharias poderão ser ofertadas na nova instituição.

A intenção é encaminhar a proposta ao Legislativo em agosto e, assim, aumentar a capacidade de absorção da demanda por ensino superior no país. Segundo Mercadante, a nova universidade irá absorver as matrículas da UAB, em torno de 250 mil.

"Não há como atender o tamanho da demanda se não for por educação à distância e essa é a prioridade do MEC", disse o ministro.

(Flávia Foreque/Folha.com) 

(Jornal da Ciência)

A ANPG, juntamente com outras 35 entidades de movimentos sociais – dentre eles UBES, UBM, UJS, CUT, UNE, UNEGRO e outras – assinou uma carta aberta à presidenta Dilma Rousseff.  A carta celebra as conquistas da luta popular e da democracia, bem como enfatiza a preocupação dos signatários no que diz respeito à adesão dos setores conservadores nas manifestações que, junto aos meios de comunicação, buscam conduzir as manifestações rumo a um movimento anti-Dilma e contra a corrupção. O texto também propõe a realização de uma reunião nacional para atender às demandas sociais e discutir pautas de teor popular e democrático. Leia a carta na íntegra. 

Carta aberta dos movimentos sociais à presidenta Dilma Roussef

Ela é assinada por 35 entidades do movimento social e popular. Elas propõe a realização urgente de uma reunião nacional, envolvendo governos estaduais, prefeitos das principais capitais, e os movimentos sociais, como forma de encontrar saídas para enfrentar a grave crise urbana que atinge nossas grandes cidades.

Cara Presidenta,

O Brasil presenciou, nesta semana, mobilizações que ocorreram em 15 capitais e centenas cidades. Concordamos com suas declarações que afirmam a importância para a democracia brasileira dessas mobilizações, cientes que as mudanças necessárias ao país passarão pela mobilização popular.

Mais que um fenômeno conjuntural, as recentes mobilizações demonstram a gradativa retomada da capacidade de luta popular. É essa resistência popular que possibilitou os resultados eleitorais de 2002, 2006 e 2010. Nosso povo, insatisfeito com as medidas neoliberais, votou a favor de um outro projeto.

Para sua implementação, esse outro projeto enfrentou grande resistência principalmente do capital rentista e setores neoliberais que seguem com muita força na sociedade. Mas, enfrentou também os limites impostos pelos aliados de última hora, uma burguesia interna, que na disputa das políticas de governo, impede a realização das reformas estruturais, como é o caso da reforma urbana e do transporte público.

A crise internacional tem bloqueado o crescimento e com ele, a continuidade do projeto que permitiu essa grande frente que, até o momento sustentou o governo. As recentes mobilizações são protagonizadas por um amplo leque da juventude que participa pela primeira vez de mobilizações. Esse processo educa aos participantes permitindo-lhes perceber a necessidade de enfrentar aos que impedem que o Brasil avance no processo de democratização da riqueza, do acesso a saúde, a educação, a terra, a cultura, a participação política, aos meios de comunicação.

Setores conservadores da sociedade buscam disputar o sentido dessas manifestações. Os meios de comunicação buscam caracterizar o movimento como anti Dilma, contra a corrupção dos políticos, contra a gastança pública e outras pautas que imponham o retorno do neoliberalismo.

Acreditamos que as pautas são muitas, como também são as opiniões e visões de mundo presentes na sociedade. Trata-se de um grito de indignação de um povo historicamente excluído da vida política nacional e acostumado a enxergar a política como algo danoso à sociedade.

Diante do exposto nos dirigimos a V. Ex.a para manifestar nosso pleito em defesa de políticas que garantam a redução das passagens do transporte público com redução dos lucros das grandes empresas. Somos contra a política de desoneração de impostos dessas empresas.

O momento é propício para que o governo faça avançar as pautas democráticas e populares, e estimule a participação e a politização da sociedade. Nos comprometemos em promover todo tipo de debates em torno desses temas e nos colocamos à disposição para debater também com o poder público.

Propomos a realização, com urgência, de uma reunião nacional, que envolva os governos estaduais, os prefeitos das principais capitais, e os representantes de todos os movimentos sociais. De nossa parte, estamos abertos ao diálogo, e achamos que essa reunião é a única forma de encontrar saídas para enfrentar a grave crise urbana que atinge nossas grandes cidades.

O momento é favorável. São as maiores manifestações que a atual geração vivenciou e outras maiores virão. Esperamos que o atual governo escolha governar com o povo e não contra ele.

 
 Assinam:
 
ADERE-MG;
 
Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG);
 
AP – Assembléia Popular;
 
Barão de Itararé;
 
CIMI;
 
CMP-MMC/SP;
 
CMS;
 
Coletivo Intervozes;
 
CONEN;
 
Consulta Popular;
 
CTB; CUT; Fetraf;
 
Fórum Ecumênico ACT Brasil;
 
FNDC- Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação;
 
FUP;
 
KOINONIA Presença Ecumênica e erviço;
 
Levante Popular da Juventude;
 
MAB; MAM; MCP; MMM;
 
Movimentos da Via Campesina;
 
MPA; MST;
 
Quilombo;
 
Rede Ecumênica de Juventude (REJU);
 
SENGE/PR;
 
Sindipetro – SP;
 
SINPAF; UBES; UBM; UJS; UNE;/ UNEGRO

                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                      Programação alterada no dia 01/07/2013

A Associação Nacional de Pós-Graduandos em parceria com a Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promoverá nos dias 23 e 24 de julho na cidade de Recife o I Seminário de Formação de Pós-Graduação em Saúde. Com o tema “Formação de Pós-Graduação em Saúde e a Consolidação do SUS” o encontro pretende agregar pós-graduandos e professores de todas as áreas e profissionais e gestores dos serviços de saúde.

Para Jouhanna Menegaz, secretária geral da Associação Nacional de Pós-Graduandos e uma das coordenadoras do evento, esta é uma forte iniciativa da ANPG de inserir-se como um ator no debate de saúde, especialmente o debate sobre a formação, assim como de fortalecer o Fórum Nacional de Pós-Graduandos em Saúde (FNPGS). "A programação está muito qualificada e estamos todos com excelentes expectativas", afirma.

Inscreva-se por aqui!

Clique aqui para ver a programação do evento. 

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Luana Bonone, representou a entidade no sexto ato contra o aumento da passagem em São Paulo, terça-feira (18). “Esse movimento se organiza, a princípio, por uma pauta muito concreta, a redução da passagem", disse Bonone em depoimento ao portal G1. "É muito cedo para avaliar, mas, a cena aqui, na Praça da Sé, congrega uma série de sentimentos, de indignações, um grito por participação do povo brasileiro."

Clique aqui para ver o depoimento completo.

 


Yara Aquino

Repórter da Agência Brasil

Brasília – As leis que criam quatro universidades federais nas regiões Norte e Nordeste estão publicadas na edição de hoje (6) do Diário Oficial da União. São duas universidades na Bahia, uma no Pará e uma no Ceará que juntas vão oferecer 145 cursos e 38,3 mil vagas para estudantes até 2018. Com as quatro instituições, o número de universidades federais no país chegará a 63.

Na Bahia foram criadas a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESBA), com sede em Itabuna, e a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), com sede em Barreiras. As demais são a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), sediada em Marabá e a Universidade Federal do Cariri (UFCA) com sede em Juazeiro do Norte (CE).

Ontem (7), ao sancionar as leis que criam as universidades, a presidenta Dilma Rousseff disse que as novas instituições de ensino superior no Norte e Nordeste terão papel relevante na redução das desigualdades regionais.

A UFCA vai ter 27 cursos e deve receber 6,5 mil estudantes, com campi nos municípios de Juazeiro do Norte, Barbalha e Crato. A UFOB, além da sede em Barreiras, terá campi em Bom Jesus da Lapa, Barra e Santa Maria da Vitória. Ao todo, serão 35 cursos e 7,9 mil estudantes.

A UFESBA vai oferecer 36 cursos para 11,1 mil estudantes na sede, em Itabuna, e nos campi dos municípios de Porto Seguro e Teixeira de Freitas.

Na Região Norte, a UNIFESSPA terá campi em Marabá, Rondon do Pará, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu e Xinguara. A nova instituição poderá receber 12,8 mil estudantes em 47 opções de cursos.

 

 Edição: Denise Griesinger

(Agência Brasil)

 

A Revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense já está recebendo artigos para a sua terceira edição. A publicação é projeto da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e pretende ser um canal eletrônico para discussão e reflexão sobre as perspectivas do desenvolvimento sustentável do estado do Rio de Janeiro, em seus mais variados aspectos. Os trabalhos podem ser enviados via internet até 15 de agosto de duas maneiras: pelo site www.cadernosdodesemnvolvimento.ceperj.rj.gov.br, que também pode ser acessado pelo portal da Ceperj, ou pelo email [email protected].  

 
Os artigos serão avaliados pela equipe editorial: Monica Simioni (diretora do Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas da Ceperj), Jorge Britto (professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense) e destacados pensadores vinculados a importantes instituições de ensino e pesquisa do estado – Carlos Brandão (UFRRJ), Fabiano Santos (Uerj), Fernando Mattos (UFF), Glaucio Marafon (Uerj), Luis Martins (UFRJ), Maria Alice Rezende de Carvalho (PUC – Rio), Maria Lúcia Werneck (UFRJ), Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ), Mauro Osorio da Silva (UFRJ), Miguel Bruno (Ence), Nelson Senra (Ence), Paulo Knauss (UFF), Pedro Abramo (UFRJ), Renata La Rovere (UFRJ), Sergio Magalhães (UFRJ). 
 
Os trabalhos deverão ter o mínimo de 15 e máximo de 30 laudas e a resenha, o máximo de 10 páginas das mais diversas áreas das Ciências Humanas. A revista, multidisciplinar, é estruturada pelo sistema Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), que estimula e promove o desenvolvimento técnico-científico no Brasil, e criou a plataforma Seer, um sistema eletrônico de editoração (software livre). Em todos os números, a publicação será formada por oito artigos. Cada edição terá uma chamada pública, ampla e irrestrita, convidando membros da comunidade acadêmica e científica para enviar seus artigos. 
 
O presidente da Fundação Ceperj, Jorge Barreto, considera a revista um importante canal eletrônico para discussão de mudanças e transformações sociais, econômicas, culturais, ambientais e urbanas do estado do Rio de Janeiro.
 
– Todos os números pretendem estimular a reflexão para subsidiar políticas públicas, ampliar conhecimento sobre o estado e aglutinar pessoas de diversas áreas, desde o urbanismo, até a economia, a geografia ou a cultura, por exemplo. Estamos reunindo trabalhos que refletem análises contundentes sobre as políticas públicas implementadas pelas esferas municipal, estadual e federal, oriundas das mais diversas áreas do conhecimento – afirma Barreto.
 
A revista científica Cadernos do Desenvolvimento Fluminense foi lançada no Salão Pedro Calmon da UFRJ, campus da Praia Vermelha, na Urca, em 24 de abril, com debate sobre a política das UPPs. Estiveram presentes mais de 150 pessoas, entre professores, pesquisadores, economistas, autoridades e moradores de comunidades. 
 
Manuela Braga, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, escreveu um artigo intitulado “A verdadeira face da violência escolar”, no qual analisa diferentes níveis de conflitos entre alunos e professores. Braga explica que a violência está diretamente relacionada ao uso de armas e drogas e enfatiza que a falta de identidade dos alunos, professores e diretores com a escola pode fomentar essa violência. Leia abaixo o artigo completo.   
 
"A verdadeira face da violência escolar 
 
Por Manuela Braga 
 
Nos Estados Unidos o termo usado em diversas pesquisas é “delinquencia juvenil”, na Inglaterra é definido por alguns atores apenas no caso de conflitos entre estudantes e professores ou medidas disciplinares como suspensão. No Brasil, ainda não temos um conceito definido como consenso para a violência escolar. 
 
O especialista Bernard Charlot, professor de Ciências da Educação da Universidade de Paris 8, classifica violência escolar em três níveis: violência (golpes, roubos, crimes, vandalismo e sexual), incivilidades (humilhação, falta de respeito) e simbólica ou institucional (desprazer do ensino por parte dos estudantes e negação da identidade e da satisfação profissional por parte do professor). 
 
O fenômeno da violência nas escolas, já reconhecido e pesquisado desde a década de 50, vem ganhando graves proporções. Relacionado diretamente com a disseminação do uso de drogas e armas, hoje se tem como fator agravante a distância cada vez maior entre escola e comunidade, mas também devemos considerar fenômenos como a globalização nos moldes de uma sociedade em que apresenta uma completa inversão de valores e a exclusão social. 
 
Outro fator determinante é a falta de identidade com a escola, não só pelos estudantes, mas também pelos profissionais em educação, se tornando uma violência de cunho institucional, onde se fundamenta um sistema de normas e regras autoritário: as regras de convivência, o projeto político-pedagógico, os recursos didáticos e a qualidade da educação.
 
 O conteúdo não lida com temas básicos que são vividos pelos jovens, ignora a realidade da juventude e o professor pouco consegue flexibilizar o conteúdo e o formato das aulas, não tendo – na grande maioria das vezes – acesso nenhum a ferramentas básicas como laboratórios, quadras e bibliotecas que contribuam para repassar o conteúdo. 
 
Enfrentamos salas de aulas abarrotadas, professores desvalorizados que não conseguem sequer preparar a aula por serem obrigados a lecionar em mais de uma escola, para com isso, poder ter as despesas custeadas pela profissão que escolheu. Em pleno 2013, a principal ferramenta – ou a única para transmitir o conteúdo – é o quadro de giz, em tempos onde faz parte do nosso dia equipamentos de alta tecnologia, temos um hiato ascendente entre o que se passa dentro e fora da escola.
 
As regras de convívio não necessariamente correspondem as expectativas e demandas do século XXI. Onde está expresso, por exemplo, que para entrar na sala de aula o estudante deve tirar o boné, que todos devem usar roupas iguais, nas cores e modelos definidos pelo sistema de ensino? Não estou dizendo com isso que se deve permitir que quem queira entre de boné na aula, muito menos que não se deve usar o fardamento, mas porque essas medidas não são discutidas com toda a comunidade? A verdade, é que nós jovens, somos em todos os sentidos obrigados a vestir um personagem para entrar na escola. 
 
O ambiente escolar que deveria ser um espaço para compartilhar conhecimentos, vivenciar boas experiências, debate, diálogo, se tornou um ambiente cada vez mais defasado, sem papel definido e desestimulante tanto para estudantes, quanto para professores.
 
Esse sistema coloca estudantes e professores em lados opostos, como verdadeiros inimigos, o que não é verdade, ambos são vítimas de um sistema educacional defasado. 
 
Recentemente a Apeoesp divulgou uma pesquisa onde mostra dados reveladores sobre a violências nas escolas. A mesma pesquisa onde mostra que os estudantes são os principais agressores também mostra que eles são as principais vítimas e que as escolas que fazem algum tipo de campanha e traz essa discussão para a comunidade tem menores índices de casos de violência. As experiências nos mostram o caminho a seguir. 
 
Está longe de fazer parte do conjunto de soluções para educação o policiamento e câmeras que cada vez mais vem fazendo parte do nosso cotidiano, uma violência não apenas contra os estudantes, mas também contra os professores. A mesma pesquisa também mostra que apenas 5% dos professores acreditam que o policiamento é eficaz no combate e que escolas que realizam campanhas têm menor índice de violência. O caminho é o inverso do que se vem trilhando para o combate a violência nas escolas. 
 
A escola tem um papel estratégico na garantia de direitos e qualidade da educação, deve ser entendida na perspectiva não apenas de transmitir o conhecimento, mas também de defender os direitos dos que a ela tem acesso. 
 
Embora tenhamos fatores externos atenuantes e que influenciam no comportamento do jovem no ambiente escolar, podemos encontrar soluções eficazes trabalhadas em conjunto com professores, estudantes, servidores e comunidade. Claro, não podemos apresentar uma receita de onde se vai ter resultado eficaz em todas as escolas, mas nas escolas onde possuem grêmios, conselhos escolares e gestão interativa com a comunidade têm-se no geral, resultados impactantes no combate a violência, aprendizado do conteúdo e professores mais valorizados e satisfeitos. 
 
Construir uma educação transformadora, libertadora e emancipadora, é uma luta que deve ser travada por toda a sociedade, aqui não há dúvidas de que estudantes e professores marcham no mesmo caminho.
 
 


A Mostra Científica do 3º Salão Nacional de Divulgação Científica – que será realizado entre 22 e 26 de julho – prorrogou o prazo e receberá trabalhos até o dia 17 de junho. A Mostra Científica visa receber trabalhos acadêmicos de estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores de todos os estados e instituições de ensino e pesquisa do país, sendo estes provenientes de estudos diversos, em andamento ou concluídos, reflexões e relatos de experiência relacionados ao fomento da inovação científica, social, artística e cultural e a estas enquanto produto ou processo. 

A mostra é uma das atividades do 3º Salão Nacional – promovido pela Associação Nacional de Pós-Graduandos – que será realizado dentro da programação da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de Pernambuco.  O tema do salão será "Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Soberania Nacional", o evento exibirá a Mostra Científica do 3° Salão Nacional de Divulgação Científica.


Dentre as outras atividades promovidas pelo salão, estão debates, conferências, oficinas, feira de ciências e apresentações culturais.

A submissão de resumos está aberta através do e-mail ([email protected]). Na Mostra serão apresentados trabalhos na modalidade sessão coordenada, considerando sete eixos temáticos: Inovação de processos e/ou produtos; Políticas e ações de fomento à inovação; Experiências exitosas em inovação; Inovação: conceito e crítica nas ciências humanas; Experiências e propostas em divulgação científica; Inovação e desenvolvimento sustentável; Inovação: conceito, crítica e processos de criação em arte e linguagem.

Para maiores detalhes sobre o processo de submissão de trabalhos, acesse o edital.

Participe e inscreva seu trabalho!