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Manuela Braga, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, escreveu um artigo intitulado “A verdadeira face da violência escolar”, no qual analisa diferentes níveis de conflitos entre alunos e professores. Braga explica que a violência está diretamente relacionada ao uso de armas e drogas e enfatiza que a falta de identidade dos alunos, professores e diretores com a escola pode fomentar essa violência. Leia abaixo o artigo completo.   
 
"A verdadeira face da violência escolar 
 
Por Manuela Braga 
 
Nos Estados Unidos o termo usado em diversas pesquisas é “delinquencia juvenil”, na Inglaterra é definido por alguns atores apenas no caso de conflitos entre estudantes e professores ou medidas disciplinares como suspensão. No Brasil, ainda não temos um conceito definido como consenso para a violência escolar. 
 
O especialista Bernard Charlot, professor de Ciências da Educação da Universidade de Paris 8, classifica violência escolar em três níveis: violência (golpes, roubos, crimes, vandalismo e sexual), incivilidades (humilhação, falta de respeito) e simbólica ou institucional (desprazer do ensino por parte dos estudantes e negação da identidade e da satisfação profissional por parte do professor). 
 
O fenômeno da violência nas escolas, já reconhecido e pesquisado desde a década de 50, vem ganhando graves proporções. Relacionado diretamente com a disseminação do uso de drogas e armas, hoje se tem como fator agravante a distância cada vez maior entre escola e comunidade, mas também devemos considerar fenômenos como a globalização nos moldes de uma sociedade em que apresenta uma completa inversão de valores e a exclusão social. 
 
Outro fator determinante é a falta de identidade com a escola, não só pelos estudantes, mas também pelos profissionais em educação, se tornando uma violência de cunho institucional, onde se fundamenta um sistema de normas e regras autoritário: as regras de convivência, o projeto político-pedagógico, os recursos didáticos e a qualidade da educação.
 
 O conteúdo não lida com temas básicos que são vividos pelos jovens, ignora a realidade da juventude e o professor pouco consegue flexibilizar o conteúdo e o formato das aulas, não tendo – na grande maioria das vezes – acesso nenhum a ferramentas básicas como laboratórios, quadras e bibliotecas que contribuam para repassar o conteúdo. 
 
Enfrentamos salas de aulas abarrotadas, professores desvalorizados que não conseguem sequer preparar a aula por serem obrigados a lecionar em mais de uma escola, para com isso, poder ter as despesas custeadas pela profissão que escolheu. Em pleno 2013, a principal ferramenta – ou a única para transmitir o conteúdo – é o quadro de giz, em tempos onde faz parte do nosso dia equipamentos de alta tecnologia, temos um hiato ascendente entre o que se passa dentro e fora da escola.
 
As regras de convívio não necessariamente correspondem as expectativas e demandas do século XXI. Onde está expresso, por exemplo, que para entrar na sala de aula o estudante deve tirar o boné, que todos devem usar roupas iguais, nas cores e modelos definidos pelo sistema de ensino? Não estou dizendo com isso que se deve permitir que quem queira entre de boné na aula, muito menos que não se deve usar o fardamento, mas porque essas medidas não são discutidas com toda a comunidade? A verdade, é que nós jovens, somos em todos os sentidos obrigados a vestir um personagem para entrar na escola. 
 
O ambiente escolar que deveria ser um espaço para compartilhar conhecimentos, vivenciar boas experiências, debate, diálogo, se tornou um ambiente cada vez mais defasado, sem papel definido e desestimulante tanto para estudantes, quanto para professores.
 
Esse sistema coloca estudantes e professores em lados opostos, como verdadeiros inimigos, o que não é verdade, ambos são vítimas de um sistema educacional defasado. 
 
Recentemente a Apeoesp divulgou uma pesquisa onde mostra dados reveladores sobre a violências nas escolas. A mesma pesquisa onde mostra que os estudantes são os principais agressores também mostra que eles são as principais vítimas e que as escolas que fazem algum tipo de campanha e traz essa discussão para a comunidade tem menores índices de casos de violência. As experiências nos mostram o caminho a seguir. 
 
Está longe de fazer parte do conjunto de soluções para educação o policiamento e câmeras que cada vez mais vem fazendo parte do nosso cotidiano, uma violência não apenas contra os estudantes, mas também contra os professores. A mesma pesquisa também mostra que apenas 5% dos professores acreditam que o policiamento é eficaz no combate e que escolas que realizam campanhas têm menor índice de violência. O caminho é o inverso do que se vem trilhando para o combate a violência nas escolas. 
 
A escola tem um papel estratégico na garantia de direitos e qualidade da educação, deve ser entendida na perspectiva não apenas de transmitir o conhecimento, mas também de defender os direitos dos que a ela tem acesso. 
 
Embora tenhamos fatores externos atenuantes e que influenciam no comportamento do jovem no ambiente escolar, podemos encontrar soluções eficazes trabalhadas em conjunto com professores, estudantes, servidores e comunidade. Claro, não podemos apresentar uma receita de onde se vai ter resultado eficaz em todas as escolas, mas nas escolas onde possuem grêmios, conselhos escolares e gestão interativa com a comunidade têm-se no geral, resultados impactantes no combate a violência, aprendizado do conteúdo e professores mais valorizados e satisfeitos. 
 
Construir uma educação transformadora, libertadora e emancipadora, é uma luta que deve ser travada por toda a sociedade, aqui não há dúvidas de que estudantes e professores marcham no mesmo caminho.
 
 


A Mostra Científica do 3º Salão Nacional de Divulgação Científica – que será realizado entre 22 e 26 de julho – prorrogou o prazo e receberá trabalhos até o dia 17 de junho. A Mostra Científica visa receber trabalhos acadêmicos de estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores de todos os estados e instituições de ensino e pesquisa do país, sendo estes provenientes de estudos diversos, em andamento ou concluídos, reflexões e relatos de experiência relacionados ao fomento da inovação científica, social, artística e cultural e a estas enquanto produto ou processo. 

A mostra é uma das atividades do 3º Salão Nacional – promovido pela Associação Nacional de Pós-Graduandos – que será realizado dentro da programação da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de Pernambuco.  O tema do salão será "Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Soberania Nacional", o evento exibirá a Mostra Científica do 3° Salão Nacional de Divulgação Científica.


Dentre as outras atividades promovidas pelo salão, estão debates, conferências, oficinas, feira de ciências e apresentações culturais.

A submissão de resumos está aberta através do e-mail ([email protected]). Na Mostra serão apresentados trabalhos na modalidade sessão coordenada, considerando sete eixos temáticos: Inovação de processos e/ou produtos; Políticas e ações de fomento à inovação; Experiências exitosas em inovação; Inovação: conceito e crítica nas ciências humanas; Experiências e propostas em divulgação científica; Inovação e desenvolvimento sustentável; Inovação: conceito, crítica e processos de criação em arte e linguagem.

Para maiores detalhes sobre o processo de submissão de trabalhos, acesse o edital.

Participe e inscreva seu trabalho!

Representando os pós-graduandos na reunião, Santuzza Vitorino (ENSP/Fiocruz), Lúcia Guerra (FSP/USP) e David Soeiro (APG/Fiocruz)
Ocorreu entre os dias 23 e 24 de junho na cidade de Pirenópolis-Goiás, a reunião semestral do Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), tendo como representantes do Fórum Nacional de Pós-graduandos em Saúde da ANPG, o doutorando da ENSP/Fiocruz, David Soeiro, vice-diretor da APG/Fiocruz e membro da diretoria da ANPG e a doutoranda Lúcia Guerra da FSP/USP. Além da participação da doutoranda da ENSP, Santuzza Vitorino. 

As discussões pautaram principalmente as demandas das agências nacionais de fomento, relacionadas à avaliação dos programas de pós-graduação (Qualis periódicos, livros, técnico) e produtividade em pesquisa (bolsas de produtividade do CNPq), além de breve debate sobre a formação no campo como demanda dos pós-graduandos. No evento, os representantes fortaleceram a necessidade da inserção do debate da formação na pós-graduação em saúde coletiva nos eventos da Abrasco deste ano, assim como a proposta de criação de uma comissão para debater como aprofundar e operacionalizar as mudanças que têm sido debatidas pelos pós-graduandos para a formação em saúde coletiva, relacionadas principalmente com a formação docente e de bases teórico/práticas no campo em saúde coletiva.

De interesse comum aos diferentes programas de pós-graduação é importante destacar o relato da mudança na pontuação para produtividade (reduziu para 35% do total da avaliação dos programas) e mudança na classificação dos periódicos, onde se observa que publicação em revistas a partir do estrado B3 já possuem pouca relevância para fins de produção acadêmica. Considerando ainda que para docentes em geral somente se avalia publicação de artigos em periódicos, já a produção discente considera também trabalhos em eventos (com exceção de algumas áreas). Alguns pontos gerais comuns a todos os programas estão explicitados na apresentação da Profa Rita Barradas Barata, representante da área de saúde coletiva na CAPES
. Também tem sido implementado o Qualis Livros e a pontuação por produção técnica, para além dos periódicos, a somarem na pontuação da produção docente/discente nos programas.

Outro debate importante trazido pelo prof. Antonio Augusto Silva (Comitê Assessor do CNPq) foram as bolsas de produtividade do CNPq, onde pela escassez de recursos e apertado financiamento em detrimento dos programas prioritários do governo com a CAPES, particularmente o Ciência sem Fronteiras, estas bolsas estão cada vez mais restritas, quase num estado em que a progressão somente ocorre em casos de rebaixamento ou morte do pesquisador, sendo que não há verba para bolsas novas e os pesquisadores do estratos mais elevados não caem e/ou não são rebaixados por uma questão de "mérito ao longo da vida". Sendo que devido a este motivo, tem sido pensada uma categoria de pesquisador emérito, pois a categoria existente de sênior, dá a ideia de velho e improdutivo, não sendo atrativa aos pesquisadores. Isso se reflete também na redução de editais de fomento à realização de projetos de pesquisa. Ainda por esse inflacionamento da receita da CAPES nos últimos anos, foi colocado que a mesma irá oferecer bolsas de iniciação científica. Para a ANPG é importante balizarmos essa discussão do papel da CAPES e CNPq, onde a entidade possui representação e devemos discutir estas dimensões, considerando as demandas prioritárias e as pressões advindas de financiamento, que resultam em fortalecimento de algumas políticas e quebra na valorização de outras importantes.
 
Ainda, dentro dos Informes do presidente da Abrasco, Luis Eugenio Portela, foi colocado que o Conselho Nacional de Saúde (CNS), onde a ANPG é representada pelo Diretor de Saúde, Marcos Pedrosa, terá uma renovação em todas as suas 26 comissões, sendo importante pensarmos em como podemos expandir nossa atuação junto ao conselho e estas comissões, ampliando e democratizando mais esta participação.
 
David Soeiro
Vice-coordenador da APG/Fiocruz e Membro da diretoria da ANPG
 


Luisa Massarani Foto: Fiocruz
 

Agência FAPESP – A brasileira Luisa Massarani, chefe do Museu da Vida, foi eleita para dirigir a Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red Pop) no período 2014-2015.

Criada em 1990 com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Red Pop é uma rede interativa que agrupa centros e programas de popularização da ciência e da tecnologia, com o objetivo de estimular a colaboração entre os países da região.
As reuniões da rede ocorrem a cada dois anos e são um importante fórum de popularização da ciência e tecnologia da região. É a primeira vez que uma pessoa do Brasil assume a sua direção.
Massarani está comprometida com a popularização da ciência e da tecnologia desde 1987. Desde 2002, trabalha na Fundação Oswaldo Cruz, onde atualmente chefia o Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Ela também é responsável pela divulgação científica da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
“Um desafio importante será propor ações concretas e conjuntas que reúnam os países da região e, ao mesmo tempo, permitam conhecer e dar mais visibilidade às distintas iniciativas existentes, como um guia latino-americano da área”, afirmou Massarani.
A nova diretoria também é formada pela mexicana Elaine Reynoso (coordenadora do Nodo Norte-Central), pela colombiana Claudia Aguirre (coordenadora do Nodo Andes), pela chilena Luz Lindegaard (coordenadora do Nodo Sul) e pela costa-riquenha Alejandra León Castellá (tesoureira).
 
(Agência Fapesp)





 

 

Pesquisadores que utilizam a Bolsa Produtividade Nível 2 (PQ2  encaminharam ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)  um pedido de extensão do direito à taxa de bancada concedido aos Bolsistas Produtividade Nível 1 (PQ1) e aos Bolsistas de Doutorado e Pós-doutorado do CNPq.
Confira a petição na íntegra abaixo ou acesse diretamente, clicando aqui. 
"Abaixo-assinado Pela Extensão do Adicional de Bancada aos Pesquisadores com Bolsa Produtividade Nível 2
Os pesquisadores com Bolsa Produtividade Nível 2 (PQ2) do CNPq solicitam a extensão do direito a taxa de bancada concedido aos Bolsistas Produtividade Nível 1 (PQ1) e aos Bolsistas de Doutorado e Pós-doutorado do CNPq. 
Os bolsistas nível 2 têm as mesmas responsabilidades de produtividade científica que as demais categorias de bolsistas PQ, que recebem o adicional de bancada. Não dispondo do mesmo, dependem de autofinanciamento para a apresentação de seus trabalhos em eventos científicos, das traduções de seus textos para publicação no exterior, para a realização de trabalho de campo, aquisição de equipamentos e material bibliográfico, etc. Assim, a indisponibilidade do adicional de bancada coloca os Bolsistas PQ2 em situação de desigualdade não apenas em relação a seus pares, Bolsistas PQ1, mas também a seus próprios orientandos de doutorado e pós-doutorado. 
Além disso, os editais do próprio CNPq e de outras agências de fomento crescentemente privilegiam, em cláusulas específicas ou sob a forma de melhor pontuação nos processos de julgamento, pesquisadores com bolsa de Produtividade Nível 1. Isso onera, mais uma vez, os bolsistas Nível 2, dificultando sua atuação em editais de cooperação internacional ou de apoio a periódicos científicos, para citar dois exemplos recentes. 
É válido destacar que, nos últimos anos, a reclassificação de bolsistas de Produtividade Nível 2 para os Níveis 1 tem sido tímida frente à escala da comunidade de pesquisadores. Como resultado, muitos bolsistas de Produtividade permanecem no Nível 2 por mais de uma década, apesar de cumprirem com os requisitos para a reclassificação. São pesquisadores com considerável grau de senioridade, expressiva atuação na formação de recursos humanos para a pesquisa, produção científica internacionalizada e reconhecimento junto à comunidade científica brasileira e internacional. A indisponibilidade do adicional de bancada representa uma ameaça permanente à continuidade dessa internacionalização, contrariando uma das metas do CNPq e das políticas de ciência e tecnologia do país. 
Finalmente, cabe lembrar que os Bolsistas PQ2 também se encontram excluídos dos processos e instâncias decisórias do próprio CNPq, o que lhes impossibilita serem candidatos e votarem para as representações de área. O caráter público desta solicitação procura dar voz, portanto, a um grupo de pesquisadores que defende, antes de mais nada, o equilíbrio na distribuição dos recursos destinados à pesquisa entre todas as categorias de pesquisadores do CNPq. 
Os signatários"
 
 
O acesso à biodiversidade é o tema do debate que reúne representantes da comunidade científica; entre eles, a presidente da SBPC, Helena Nader
 
A Comissão Especial que analisa o projeto que institui o novo Código Nacional de Ciência e Tecnologia (PL 2177/11) realiza audiência pública nesta terça-feira (4) para ouvir diversas autoridades sobre o acesso à biodiversidade.
 
Foram convidados para falar sobre o tema a ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira; o procurador geral da República, Roberto Gurgel; e o presidente do IBAMA, Volney Zanardi Júnior. Já como debatedores estão convidados:
 
-a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader;
-o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), JadirPéla;
-o presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Carlos Eduardo Calmanovici;
-o presidente do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec), Rubén Dario Sinisterra; e
-o presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Sergio Luiz Gargioni.
 
"Uma discussão dessa qualidade será capaz de jogar luz sobre a problemática experiência vivida cotidianamente pelos profissionais da ciência em nosso país e nos permitirá buscar caminhos que permitam, obedecendo o preceito legal, dar maior agilidade a projetos de pesquisas científicas por parte de entidades públicas e privadas de nosso país", diz o deputado Sibá Machado (PT-AC), autor do requerimento para a realização da audiência.
 
O deputado afirma que, com base na legislação em vigor, as instituições do setor de ciência, tecnologia e inovação não podem contar com segurança jurídica para desempenhar suas funções de forma eficaz.
 
O debate será às 14h30, no Plenário 9.
 
(Portal Câmara dos Deputados, com adaptações)


(Jornal da Ciência)
 
O Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict)/Fiocruz, realizará no dia 10 de junho, segunda-feira, a partir das 9h, o debate “Futuro do Sistema de Saúde Brasileiro, 25 Anos depois da Constituição Cidadã – A participação do Icict nas comemorações do 25º aniversário da Constituição da República Federativa do Brasil”. Clique aqui para ver detalhes da programação.
 
À mesa, a deputada federal Jandira Feghali, da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, a pesquisadora Lígia Bahia, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva e a jornalista e editora de saúde do portal Viomundo, Conceição Lemes, com mediação de José Noronha, professor do PPGICS/Icict, diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes, que discutirão os impasses e desafios do Sistema Único de Saúde – SUS e um dos coordenadores do livro “A Saúde no Brasil em 2030: diretrizes para a prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro”.
 
Segundo José Noronha, o debate “é uma comemoração da Constituição Cidadã, do direito à saúde que foi inscrito no texto constituinte e, ao mesmo tempo, olhar os desafios que estão postos para a realização deste mandamento constitucional, que diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado”. O professor se refere ao artigo 196 (Capítulo II, Seção II, da Saúde) da Constituição Brasileira que tem como enunciado: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”
 
O debate integra a série de celebrações que estão ocorrendo na Fiocruz, lembrando a criação do SUS e do direito à saúde, e aproveita também a comemoração do 25º aniversário da promulgação da Constituição de 1988, depois do regime militar, onde foram lançadas as bases do Sistema Único de Saúde.
 
O evento, com entrada franca, ocorrerá no Salão de Leitura Henrique Leonel Lenzi, da Biblioteca de Ciências Biomédicas, que fica no Pavilhão Haity Moussatché, na Fiocruz, na Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos.
 
Serviço
Evento: Debate “Futuro do Sistema de Saúde Brasileiro, 25 Anos depois da Constituição Cidadã – A participação do Icict nas comemorações do 25º aniversário da Constituição da República Federativa do Brasil”
Dia e horário: 10/06, a partir das 9 horas
Entrada: Franca – não há necessidade de inscrição
Local: Salão de Leitura Henrique Leonel Lenzi, da Biblioteca de Ciências Biomédicas, que fica no Pavilhão Haity Moussatché, na Fiocruz, na Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos.
 
(Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Fiocruz)
Com o objetivo de debater o papel da imagem diante da interface entre comunicação, informação e saúde nos contextos público e privado, a turma do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação e Saúde (PPGICS), do  Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde/Fiocruz (Icict), realiza, na quinta-feira (6) a 2ª Jornada de Seminários Avançados I. O tema do encontro será "Saúde: a imagem que informa e comunica – Como, onde, por que e para quê?". O evento, que terá início 13h, será sediado no Auditório do Icict, que fica no Pavilhão Haity Moussatché, na Fiocruz, Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos. 

A reunião contará com a presença de Maria Cândida de Almeida, da PUC-SP, que é doutora em Comunicação e Semiótica por esta universidade, e atua como artista, consultora e designer nas áreas de web design, design gráfico, fotografia e vídeo; Sérgio Augusto Correa de Faria, da Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, assessor especial do Ministro, chefe da Divisão de Publicidade e Promoção Institucional do Ministério; e Ricardo Hoffmann, vice-presidente e diretor geral da filial de Brasília da Agência Borghi/Lowe. O debate será mediado pela professora do PPGICS, Maria Cristina Soares Guimarães.
A Jornada destina-se a docentes e alunos da Fiocruz, e profissionais e pesquisadores interessados no tema. A entrada é franca, mas as vagas são limitadas, obedecendo a ordem de chegada.
A entrada é franca e o evento possui vagas limitadas, por isso, obedecerá à ordem de chegada.
Foi publicado esta semana, no site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Edital Prêmio Capes de Tese 2013, que visa conceder prêmios às melhores teses de doutorado selecionadas em cada uma das 48 áreas do conhecimento reconhecidas pela Coordenação. Realizada em parceria com a Fundação Conrado Wessel, a premiação é constituída pelo Prêmio Capes de Tese e pelo Grande Prêmio Capes de Tese e é concedida a teses defendidas em 2012. Serão outorgados, ainda, prêmios especiais para áreas pré-determinadas em parceria com a Fundação Carlos Chagas (Educação e Ensino) e com o Instituto Paulo Gontijo (Química).
A pré-seleção das teses a serem indicadas ao Prêmio Capes de Tese ocorrerá nos programas de pós-graduação das instituições de ensino superior que tenham tido, no mínimo, três teses de doutorado defendidas em 2012. Após a indicação da tese vencedora pela comissão de avaliação, o coordenador do programa de pós-graduação será responsável pela inscrição da tese, exclusivamente, pelo site do prêmio, até as 18h do dia 30 de junho de 2013. As premiações consistem na concessão de valores em dinheiro para os orientadores das teses selecionadas participarem de congressos e bolsa para realização de estágio pós-doutoral aos autores das teses selecionadas, dentre outros benefícios.
 
 

 

Vic Barras Foto: UNE

O 53º Congresso da UNE terminou ontem em Goiânia com a eleição da nova diretoria e presidência da entidade. A maior organização de juventude do país elegeu a pernambucana Vic Barros, 27 anos, aluna de Letras na Universidade de São Paulo (USP) sua nova presidenta. Em um processo eleitoral que teve participação recorde e delegados representando 98% das instituições de ensino superior no Brasil, Vic foi eleita pela chapa “Bloco da unidade para o Brasil avançar, com 2607 votos (69%), dentro de um total 3.764 delegados credenciados. 

As outras chapas concorrentes foram “Oposição de Esquerda da UNE”, com 618 votos (16,4%) e “Campo popular que vai botar a UNE pra lutar”, com 539 votos (14,3%)

O Congresso da UNE também definiu, no sábado os rumos e posicionamentos da entidade para os próximos dois anos, no que diz respeito à conjuntura nacional, educação e organização do movimento estudantil. Foi convocada, na plenária final, uma Jornada de Lutas para os meses de junho, julho e agosto, com a pauta central da Educação brasileira.
 
Em uma remota sala de aula de Garanhuns, no interior de Pernambuco, Tia Lélia escreve no quadro a palavra “reivindicar” e explica aos alunos da segunda série o seu significado. A pequena Virgínia, fascinada com a janela do mundo aberta pela carinhosa professora, leva o que aprendeu para uma redação, “Meu país Brasil”, que acabou entrando em um livro publicado com textos dos alunos.
 
Tia Lélia estaria garantidamente encontrando as lágrimas no domingo, dois de junho de 2013, se estivesse na Goiânia Arena, a 2.115 quilômetros de Garanahuns, vendo o que aconteceu à pupila. Virgínia cresceu, virou Vic, e alcançou estatura ainda muito maior do que seus 1,53 de altura. Presidenta da União Nacional dos Estudantes, não somente aprendeu o significado da palavra reivindicar como transformou-se nele.
 
A baixinha Vic Barros, hoje morando em São Paulo e aluna do curso de Letras da USP, chega ao posto de maior liderança do movimento estudantil brasileiro, presidindo a mitológica entidade que, há 75 anos, é o exemplo máximo no país para ilustrar aquela lição da segunda série. Ela representa agora sete milhões de estudantes universitários do Brasil, sendo a quinta mulher a ocupar o cargo e figurando ao lado de personagens como o ministro Aldo Rebelo, o ex-governador de São Paulo José Serra, o senador Lindbergh Farias e o ex-ministro Orlando Silva.
 
De personalidade afável, porém forte, óculos e sotaque marcantes, fã de rock and roll e torcedora do Sport Club do Recife, Vic deixou Garanhuns para conhecer a cidade grande aos 13 anos, passando a adolescência na capital pernambucana. Não participou do grêmio do colégio nem do movimento secundarista, mas já aproximava-se sentimentalmente da política com a admiração a dois líderes de seu solo: Miguel Arraes e Luís Inácio Lula da Silva.
 
Seu primeiro curso superior foi Direito, no qual formou-se pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na fila da matrícula, recebeu um panfleto de uma reunião do movimento estudantil e, ainda caloura, já estaria disputando a eleição para o DA do seu curso. Perdeu a primeira mas, em veloz ascensão, acabou chegando alguns anos depois ao DCE da federal e posteriormente à presidência da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), em uma identificação completa com a militância e às causas da juventude. Sob sua gestão na UEP, os estudantes conquistaram a gratuidade na Universidade Estadual de seu estado, em 2009.
 
Insatisfeita com a ideia de encerrar sua vida acadêmica e admtindo ter procurado o curso de Direito muito em função das expectativas dos pais, mudou-se para São Paulo e permitiu-se outro sonho, explorar a paixão pela literatura, pelos versos, narrativas e possibilidades da palavra em um dos mais respeitados cursos de Letras do Brasil. Blogueira, sempre atenta à internet e às redes sociais, virou diretora de Comunicação da UNE e, no ano de 2012, garimpou o suado e merecido reconhecimento nacional dentro do movimento estudantil coordenando a Caravana UNE+10, iniciativa que percorreu universidades de todo o país para colher anseios e propostas da juventude em relação ao futuro do Brasil.
 
A UNE que Vic assume lhe permite, por gracejos do destino, representar exatamente aquela geração do movimento estudantil que mudará, para sempre, o futuro das milhões de outras tias Lélias e Virgínias que virão. Os 10% do PIB para a Educação, principal luta da entidade, poderão ser conquistados em sua gestão dependendo da mobilização e cobrança dos estudantes no processo do tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso Nacional. Estão diretamente vinculadas, também, as lutas por 100% dos royalties do Petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.
 
Feminista e contrária ao conservadorismo na sociedade e na universidade, espera ampliar na UNE os encontros de estudantes negros, de mulheres e da diversidade sexual. Filiada ao Partido Comunista do Brasil (PcdoB) e militante da União da Juventude Socialista (UJS), acredita que o Brasil pode avançar no debate sobre as drogas, espera denunciar o extermínio dos jovens negros e pobres, assim como lutar pela democratização dos meios de comunicação do país.
 
No que diz respeito à relação com o governo federal, promete mais radicalização e pressão, destacando a reivindicação imediata de 2,5 bilhões de reais no Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) e cobrando do ministro da Educação Aloizio Mercadante medidas para solucionar os problemas da expansão das federais já apontadas pela UNE. Outra prioridade que aponta, nos próximos dois anos, é atacar a desnacionalização do ensino privado no país, cada vez mais entregue aos grupos financeiros internacionais.
 
Com um horizonte complexo e desafiador à frente, Vic parece não se intimidar. A pequena de Garanhuns lembra constantemente do irmão Vinícius, que faleceu jovem, ainda aos 27 anos, para inspirar a sua própria ascensão. Maior ídolo da presidenta da UNE, ele deixou, segundo ela, o exemplo do envolvimento constante em causas coletivas, sociais, humanitárias, em tudo aquilo que pode, de certa forma, mudar o mundo.
 
Hoje ela cresce, dentro da UNE, sabendo que não está sozinha. Sua citação favorita, publicada no seu perfil do Facebook e extraída do romance único de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”, atesta como 1,53 pode ser, definitivamente, a altura de uma pessoa enorme:
 
“A sabedoria está exatamente em não se fechar nesse mundo menor. Humilde, o homem abandona a sua individualidade para fazer parte de uma unidade maior, que é de onde retira sua grandeza”.

(Da União Nacional dos Estudantes)