Neste sábado (30) foram realizados diversos grupos de trabalhos na programação do 26° Congresso Nacional de Pós-Graduandos na Universidade de Brasília (UnB): “Direitos estudantis, trabalhistas e previdenciários”, “Assédio e adoecimento na pós-graduação”, “Ações afirmativas na pós-graduação”, “Desafios do Movimento Nacional de Pós-Graduando (MNPG)”, além da mesa de debate “Papel e desafios da Educação Superior e da CTI no Brasil para contribuir com a retomada do desenvolvimento”.
Veja alguns destaques do GD Direitos estudantis, trabalhistas e previdenciários:
Coordenadora da APG da USP, Flavia Calé falou sobre a diversificação da bolsa.“Devemos valorizar a pesquisa do pós-graduando como um trabalho. A nossa luta é para conseguir auxílio para imprimir teses, para comparecer a Congressos, 13°integrando a bolsa, licença-maternidade entre outras. Essas são algumas ferramentas para chegarmos nesse objetivo”
Militante do Movimento por uma Universidade Popular (MUP), Gabriel falou sobre a precarização das universidades, a importância do incentivo e as relações de trabalho do estudante. “ Temos que cumprir cargas horárias, mas nossa pesquisa não é encarado como trabalho? Sim, nossa pesquisa é trabalho. Temos que superar esse debate em espaços restritos. A pauta da desvalorização do Pós-Graduando e o adoecimento mental do estudante precisa chegar de uma forma mais ampla”
Tema recorrente, os pós-graduandos falaram longamente sobre os prejuízos da emenda constitucional 95, o teto dos gastos públicos. Na opinião dos estudantes, a medida precisa ser combatida para que exista uma política adequada de desenvolvimento para o ensino superior brasileiro.
O Diretor substituto de Programa de Bolsas no País participou do GD e fez uma avaliação do Congresso. “O Congresso priorizou pautas importantes e traduz o amadurecimento da ANPG. O Capes ouviu sugestões e visões sobre a dedicação exclusiva do bolsista, acesso a outros benefícios que ainda não estão contemplados na bolsa, critérios de avaliação, orçamento e muitos outros temas. Por meio da sistematização dessas informações, a gente vai continuar a parceria com a ANPG para que os debates do Congresso sejam levados adiante”.
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Nesta sexta-feita (29) foi realizado a abertura do 26° Congresso Nacional de Pós-Graduandos na Universidade de Brasília (UnB).
Mediado por Tamara Naiz, presidente Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a abertura contou com a presença da Professora Marcia Abrahão, reitora da UnB, Helena Shimizo, Decana de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Yuri Nathan, Presidente da Federação de Pós-Graduandos em Direito (FEPODI), Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Márcio Melo, Vice-Presidente da ANPG, Luíza Rangel, ex-presidenta da ANPG, Fernanda Sobral, conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (CNPq).
Marianna Dias afirma que o movimento estudantil precisa fortalecer os laços com todos os movimentos educacionais que defendem a universidade pública, gratuita e de qualidade. “O Congresso da ANPG chega em um momento que precisamos nos perguntar: qual é o papel da universidade frente as dificuldades e os muitos problemas sociais do nosso povo. A ciência e a tecnologia deve estar a serviço do povo do nosso país. A academia que queremos é uma academia popular a serviço dos avanços sociais”, disse.
Mario Neto Borges afirma que a soberania nacional se conquista com os avanços científicos e pesquisas e reafirma a importância do Congresso Nacional de Pós-Graduandos com ações e ideias para formentar o desenvolvimento do Brasil.
“Nós precisamos fazer que essa Ciência brasileira gere riqueza e ajude a resolver os problemas nacionais como já foi citado aqui. Não basta produzir artigos, a comunidade científica é capaz de dar essa contribuição. O vírus da Zika e um exemplo. Nossa mobilização com diversas entidades conseguiu equacionar o problema em 1 ano e meio”, afirma o presidente da CNPq.
Marcia Abrahão disse em sua fala que a comunidade acadêmica da UnB vai receber de braços abertos o Congresso da ANPG.
“É muito simbólico receber o Congresso da ANPG aqui na UnB. No período da ditadura chegamos a ter metade do nosso quadro de professores demitidos. A nossa instituição tem uma bonita história de resistência e neste momento é muito importante que a nossa pesquisa nas universidades cheguem de uma forma mais simples para a sociedade. O nosso papel é fundamental para o desenvolvimento do Brasil, mas não basta falarmos isso para nós mesmos”, disse Abrahão.
A mesa de abertura teve como tema “Desafios para superação da crise e retomada do desenvolvimento brasileiro” e teve a participação de Hamilton Richard, Doutor em Ciências Sociais pelo Departamento de Estudos Latino-americanos (ELA-UnB) e membro da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação (INTERCOM), Golbery Lessa, Especialista em Politicas Públicas e Gestão Governamental do Ministério do Planejamento, Moara Saboya, graduanda de Engenharia Civil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-Presidenta da UNE, Andrey Lemos, Presidente da União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (UNA-LGBT).
Hamilton Richard defende que vivemos uma ditadura da comunicação e que a sociedade brasileira não é informada ou é informada de forma incorreta sobre as graves crises que o país vive. “A falta de uma informação pública não hegemônica contribui para uma cidadania fraturada como dizia Milton Santos. Pensar o que consumimos de informação e como reproduzimos essa informação é pensarmos em uma verdadeira emancipação. Do que vale a sua pesquisa se ela será pulverizada por meia dúzia de detentores da comunicação no Brasil?”, reflete.
Golbery Lessa fez uma análise da conjuntura. “Nos últimos vinte anos esquecemos que a esquerda não pode contar com a elite ou com o mercado, mesmo que haja alguma concessão social. No Brasil, foi rompido os nossos laços democráticos e estamos percebendo a destruição do movimento sindical e dos movimentos de massa. É necessário a reorganização e união para que possamos dar voz aos diferentes grupos no Brasil e não ficarmos reféns do golpe”, afirma.
Moara Saboia falou sobre a importância da defesa da universidade pública. “Nós fomos os primeiros a entrar na universidade pública em nossas famílias, mas devemos lutar para que não sejamos os últimos. As bolsas permanências são fundamentais para que o acesso à educação continue crescendo”, disse. “Não podemos falar da conjuntura se não falarmos das eleições que ainda não temos certeza se irá acontecer ou não”, finalizou.
Andrei Lemos relembra que o crime político realizado no assassinato de Marielle precisa ser esclarecido e que a produção da Ciência brasileira também combate a LGBTfobia, o machismo e os preconceitos.
Após o final do debate da mesa foi lido e aprovado o regimento.
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Nesta sexta-feira (29), o “I Encontro de Mulheres Pós-Graduandas” realizou uma série de atividades dentro do 26° Congresso Nacional de Pós-Graduandos na Universidade de Brasília (UnB). No período da tarde foi promovido dois grupos de trabalho.
O GT “Lugar de mulher é na Ciência: contribuição das mulheres no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI)” foi mediado por Stella Gontijo, mestranda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Isadora Mendes, Mestre em Engenharia da Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ambas são militantes da Marcha Mundial das Mulheres.
Já o grupo de trabalho “Desafio das Mulheres na Pós-Graduação: Maternidade, Machismo, Racismo, Assédio e Outros” foi mediado por Luyanne Azevedo, Diretora de Mulheres da ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos.

Abaixo, você confere alguns trechos dos debates
Ciência feita por e para homens
Ana Gabriela, pós-graduanda de Biomedicina na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN): “A Ciência que chega em nossas casas e é comercializada é feita por e para homens. Para se ter uma ideia de como esse machismo se coloca de forma sutil, os testes de medicamentos são testados em ratos machos, já que os hormônios feminino poderiam alterar os resultados. No entanto, como saber se os remédios pensados para homens são funcionais para mulheres?”, afirma.
Preconceitos
Virgínia A., mestranda de Cultura Africana na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Quando nós da academia dizemos que homens têm cérebros desenvolvidos e as mulheres têm ancas largas para reprodução, estamos perpetuando e fortalecendo discursos preconceituosos que limitam o papel da mulher”.
Alternativas
Manuele Matias, doutoranda na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “Recentemente saiu em um jornal que a pós-graduação faz mal a saúde mental. Esse dado entra facilmente como algo normal ou digno de piada entre nós, mas não deveria e o motivo é evidente. Há uma crença que o pós-graduando precisa estar apto e competitivo, mas precisamos visibilizar os muitos casos de distúrbios mentais causados pelo stress n a academia. Há alguns casos de suicídio na UERJ, por exemplo. Não dá para entrarmos na mercantilização de medicação sem um cuidado mais próximo e abrangente de homens e mulheres estudantes”.
Neutralidade e controle
Stella Gontijo: “Estudamos com uma série de mecanismos de objetividade e neutralidade, mas eu tenho convicção que a Ciência e a Tecnologia não são produções de conhecimento que se dão alheios ao que permeia a sociedade. Essa visão serve para que uma série de processos sejam controlados por um grupo de pessoas. Se a mulher dá conta de uma dupla jornada de trabalho porque ainda é ignorado o conhecimento que ela produz? A disseminação do conhecimento também é um processo político, portanto, devemos ocupar cada vez mais esse espaço e dar visibilidade ao conhecimento produzido por nós. O patriarcado e o machismo continua a não permitir a visibilidade do conhecimento produzido pelas mulheres, portanto, não há neutralidade”.
Por Alexandre Melo

“Os trabalhos científicos produzidos por mulheres são acolhidos pela comunidade acadêmica? Quantas mulheres negras, índias e trans estão realmente inseridas no mercado de trabalho? Como combater a violência contra a mulher dentro da acadêmia?”.
Essas são algumas das perguntas e inquietações que nesta sexta-feira (29) motivaram o início do 26° Congresso Nacional de Pós-Graduandos da ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos, na Universidade de Brasília (UnB).
A primeira mesa de debate “Ser Mulher na Acadêmia: Realidade e Desafios” contou com a presença de Luyanne Azevedo, Diretora de mulheres da ANPG, Thandara Santos, militante da Marcha Mundial das Mulheres, Beatriz Gregory, Coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), Sonia Guimarães, primeira negra brasileira doutora em Física com PhD pela University of Manchester Institute of Science and Technology, na Inglaterra, Vanessa Clemente Cardoso, doutoranda em História pela Universidade Federal de Goiás e organizadora do grupo “Mamães na Pós-Graduação”, Sonia da Costa, Diretora de Políticas e Programas para Inclusão Social (DEPIS), Ana Clara Franco, diretora de mulheres da UNE – União Nacional dos Estudantes e Tamara Naiz, presidenta da ANPG.
A seguir, destacamos alguns dos temas e falas tratados no encontro pelos palestrantes.
Mãe e cientista
Vanessa Clemente Cardoso: “Eu engravidei durante o doutorado. Escutei que não precisava mais concluir meu estudo porque o mesmo estava nos meus braços, ou seja, a minha criança. Após ouvir essa violência, decidi organizar o grupo ‘Mamães na Pós-Graduação’ para fortalecer as mulheres na mesma situação que eu vivia. No grupo, percebemos que a rede de apoio nessa sociedade patriarcal e misógina é uma necessidade para prosseguirmos. Nós, mães e cientistas, começamos a postar relatos de como conciliar estudos e maternidade.
Na prática, nossas lutas estão em questões que estamos avançando. Por exemplo, as creches funcionam em grande parte no período matutino e vespertino. Como uma ‘mãe solo’ que estuda a noite consegue manter os estudos, se as creches têm esse horários? Uma rede de apoio ajuda bastante. Por que os homens não são cobrados na questão de disponibilidade de tempo para a criação das crianças? Na página, a gente conseguiu debater esses assuntos. As pessoas apontam o dedo quando veem uma mulher como uma criança em sala de aula, mas nem sempre sabem que aquela mãe estudante não tem opção. A sociedade nos impõe uma escolha: “Ou você é mãe ou cientista”. Nosso grupo busca soluções para que essa realidade mude”.

Violência contra a mulher
Thandara Santos: “As mulheres estão na pós-graduação, até mais do que os homens. Mudamos o patamar, mas precisamos garantir que elas sobrevivam nesse espaço de silenciamento, assédio e violência. A universidade pública está sendo desconstruída e sucateada. Há relatos de violência e assedio nas universidades e qual é o posicionamento da acadêmia quanto a isso? O debate que estamos promovendo é importante também para colocar essas questões em pauta”.
Incentivo e Inspiração
Beatriz Gregory: “Nós precisamos criar mecanismos de inspiração para as meninas porque as mulheres são desencorajadas para prosseguir com as suas pesquisas. As mulheres entram na acadêmia, mas entram majoritamente em áreas ligadas aos cuidados como medicina e enfermagem. Os homens entram mais nas áreas exatas, de engenharia. Há um machismo nessa divisão. Precisamos sim valorizar as áreas que as mulheres já atuam, mas trazer mais mulheres para os setores que elas ainda não atuam é fundamental. Não podemos ser belas, recatadas e do lar porque isso é um imposição da sociedade. Somos 57% de estudantes na pós graduação, mas não chegamos aos postos de poder”.
Sônia Costa: “Estamos trabalhando nas Feiras de Ciências no incentivo à presença das mulheres. Em algumas destas feiras chegamos ao número de 40% de presença feminina”.
Mulheres negras
Sonia Guimarães: “Precisamos levar em consideração a dificuldade que passa a mulher negra por conta do preconceito. Há uma premissa da incapacidade intelectual de mulheres negras. Há várias coisas a se fazer para mudar o quadro. Na hora do voto precisamos pensar na representatividade e elegermos mulheres, negras, LGBT e que trate com seriedade a questão do aborto”, disse. Sonia destacou também vários nomes de mulheres da Ciência brasileira que estão alcançando reconhecimento e destaque. No entanto, ela ressalta a importância da valorização dessas mulheres já que mulheres negras com doutorado são apenas 0,24% da população brasileira.
Carreira
Tamara Naiz “Apesar das muitas dificuldades presentes no nosso cotidiano, o Brasil está em primeiro lugar no ranking de pesquisadoras em nível mundial. Somos a maioria na universidade, sim, mas não conseguimos ficar em evidência durante a carreira. A questão é profunda. Para valorizarmos a carreira científica das mulheres, precisamos tratar da desigualdade de salário, deixar público os casos de assédio e lutarmos para que acabem as nossas dificuldade e diferenciação na hora do financiamento.
A mesa foi encerrada com diversos relatos emocionantes dos presentes no auditório. As atividades das mulheres seguem durante o dia com os GTs “Desafio das mulheres na Pós-Graduação: maternidade, machismo, racismo, assédio e outros” e “Lugar de Mulher é na Ciência”. Acompanhe as atividades do Congresso da ANPG no Facebook e Instagram @ANPGoficial.

Em sua última semana como presidenta da ANPG, Tamara Naiz, concedeu uma entrevista sobre depressão e assédio na pós-graduação. A entidade lançará uma campanha sobre o assunto durante o 26 Congresso Nacional dos Pós-graduandos, que acontece agora, entre os dias 29 e 1 de Julho na UnB em Brasília. Confira a entrevista:
1) Com base em sua experiência na ANPG , quais os principais transtornos psicológicos e psiquiátricos apresentados pelos estudantes de pós-graduação?
Depressão, ansiedade, estresse e insônia têm sido os problemas mais comuns relatados pelos pós-graduandos. Além desses, os estudantes de mestrado e doutorado vivenciam dificuldades de interação social e inabilidade de assistir às aulas e fazer pesquisas. Há diversos estudos demonstrando também a presença forte da síndrome do impostor entre acadêmicos.
2)Quais os principais fatores associados ao desenvolvimento desses transtornos durante a pós-graduação?
Os principais fatores associados ao desenvolvimento do adoecimento na pós-graduação refletem a nossa cultura academia, que ainda é altamente burocrática, competitiva e de poucas oportunidades. Além de uma série de exigências e pressões que são exercidas sobre o estudante de pós-graduação, como prazos curtos para qualificação e defesa, dificuldades e problemas de relacionamento com o orientador, forte cobrança por publicações em revistas de alto impacto acadêmico. Outros dois problemas determinantes são o assédio, em suas diversas formas e a discriminação que ainda persistem na academia. De modo que o adoecimento de pós-graduandos reflete a cultura acadêmica brasileira e é preciso combater o silêncio para mudar essa realidade.
3) Existem estudos dimensionando esses problemas entre os pós-graduandos no Brasil? Se não, por quê?
Existem diversos estudos que abordam a questão do assédio e do adoecimento no ambiente acadêmico, mas infelizmente poucas têm uma dimensão quantitativa ou vinculam as problemáticas. Por exemplo, o Brasil é um país onde as mulheres realizem metade das pesquisas, mas o ambiente acadêmico ainda é muito hostil para elas. 67% das mulheres relatam já sofreram assédio no ambiente acadêmico (pesquisa do instituto Data Popular e instituto Avon 12/2015), não seria interessante saber como esse ambiente hostil pode atrapalhar o desempenho acadêmico e pode desencadear algum tipo de transtorno psicológico?
4) Estudantes de determinadas áreas podem ser mais susceptíveis ao desenvolvimento de transtornosos psiquiátricos do que outros de outras áreas?
Não conheço pesquisas que atestem essa diferença por áreas, mas a experiência dos casos que nos tem chegado na ANPG mostra que pós-graduandos de áreas de maior exigência academica por resultados e publicações em periódicos de impacto são mais afetados, nesse quesito as áreas laboratoriais colocam mais em risco a saúde dos pós-graduandos.
5)Por que esse assunto ainda é pouco discutido no Brasil?
Acredito que ainda há muito tabu sobre essas temáticas na acadêmia.
6)Qual o papel do orientador no sentido de orientar os pós-graduandos a lidar melhor com as pressões da vida acadêmica?
Muitas vezes a relação orientador -orientando, quando esta é abusiva, é justamente o que desencadeia problemas psicológicos ou de convívio. Portanto a melhoria nas relações acadêmicas é um fator preventivo ao adoecimento psicológico na pós-graduação. Há por parte dos estudantes o relato de diversas atitudes abusivas ou negligentes por parte dos orientadores, como humilhações publicas, em laboratórios, reuniões e aulas, afastamento, omissão ou abandono da orientação, cobrança da realização de atividades não relacionadas à pesquisa, corte de bolsas, reprovação não justificadas ou com justificativas não acadêmicas, não permissão de afastamento por motivo de saúde. Então uma relação académica saudável, de respeito e compromisso académico mutuo já é um bom começo para evitar que as pressões da vida acadêmica se transforme em distúrbios psicológicos e de saúde.
7) Como a ANPG tem atuado nesse sentido?
ANPG tem promovido diversos debates e espaços de discussão sobre o tema por todo o país e a entidade também criou um Grupo de Trabalho sobre assédio na pós-graduação, para avançar na elaboração sobre o tema, buscamos colaborar com orientação jurídica para os casos que chegam a entidade. Agora, durante o 26 Congresso Nacional dos Pós-graduandos, que acontece entre os dias 29 e 1 de Julho em Brasília, estaremos lançando uma cartilha e campanha sobre o tema.
8)A ANPG tem dados mais detalhados da dimensão desse problema no Brasil?
Temos poucos dados sobre o tema, não temos dados nacionais, por isso propusemos junto ao MEC a criação de um Grupo de trabalho sobre a situação dos pós-graduandos no país. Este grupo foi aprovado ainda em 2015 e só foi efectivado há um mês. Neste período sempre estivemos questionando a Capes neste sentido. Este grupo será fundamental para subsidiar ações e positivas públicas para a categoria dos pós-graduandos, pois o grupo levantara dados que tornarão possível estabelecer um perfil sócio econômico, cultural e comportamental dos pós-graduandos.
9) Quais estratégias os estudantes podem adotar para evitar ou minimizar esses problemas?
Assim como esse debate passa pela relação orientador -orientando, passa também pela relação entre os próprios pós-graduandos e a comunidade acadêmica como um todo. É preciso refletir sobre o que temos feito. Estamos trabalhando para a ruptura ou para a perpetuação dessa realidade? O movimento e a organização dos pós-graduandos não pode ser apenas um lugar para recolher as queixas, mas devemos propor encaminhamentos e ações concretas para tornar o ambiente acadêmico mais saudável. O combate ao assédio começa com a denúncia aos órgãos competentes e legais, mas nesse processo a união e a solidariedade entre os estudantes é importante também, pois o combate ao .assedio e ao adoecimento psicológico deve ser feito de forma coletiva e não individual.
Confira o local e horário da apresentação do seu trabalho na Mostra Científica que acontecerá durante o 26 Congresso Nacional dos pós-graduandos, que acontece entre os dias 29 e 1 de julho em Brasília, DF.
Confira aqui: cronograma_mostra

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, participou da III Conferência Regional de Educação Superior, na Universidade de Cordoba, Argentina, a CRES 2018.
Este é mais importante evento para a Educação Superior da América Latina e do Caribe. Nele, reitores (as) e diretores (as), acadêmicos, professores, estudantes e representantes de numerosas organizações governamentais e não-governamentais se reúnem para analisar e debater a situação do sistema educacional na região e traçar um plano de ação para a próxima década. “Nós da ANPG construímos debates preparatórios no Brasil para a CRES 2018 e estamos aqui para reafirmar a educação superior como um direito humano universal e dever do Estado. Defendemos a Universidade pública gratuita e de qualidade socialmente referenciada”, explica Naiz.
A representante da ANPG também reforça que a entidade propôs em seus debates preparatórios a inclusão de um eixo sobre a ciência na crise. “Nós entendemos que as Universidades não são meras formadoras de Recursos Humanos, mas a pesquisa desenvolvida é fundamental para o desenvolvimento dos nossos povos e regiões”, complementa.
Tamara foi painelista em uma mesa que debateu a Educação Superior e a Perspectiva de Gênero. Também participaram do debate: Juana Rosario Duarte Galeas (Reitora da Universidade Metropolitana de Honduras, Honduras), Diana Sedal Yanes (Reitora da Universidade de Orinete, Cuba), Eduardo Mattio (Universidade Nacional de Córdoba, Argentina).
“Hoje as mulheres realizam 49% da pesquisa praticadas no Brasil e somos parte importante da pesquisa nos países da América Latina, mas mesmo com esta grande representatividade a mulher precisa lidar com diversos entraves ao longo da carreira científica. Um deles é a falta de proteção com relação a maternidade. Quando uma mulher é aprovada em um curso de pós-graduação, é comum ela ouvir de orientadores que não poderá engravidar para que a pesquisa não seja interrompida. Se somos cientistas tão capazes quanto os homens, por que isso não se reflete em igualdade de salários e de oportunidades?”, questionou Naiz, que debateu a possibilidade de uma educação superior mais igualitária para ambos os sexos.
Para saber mais sobre a Cres 2018 acesse: http://www.cres2018.org/noticias/noticias-cres2018/universidades-definen-una-estrategia-comun-para-la-educacion
No último dia 07, a Associação Nacional de Pós-Graduandos recebeu, assim como as Pró-reitorias de Pós-graduação da IES, um comunicado oficial da Diretoria de Relações Internacionais da CAPES informando algumas mudanças nas exigências de proficiência de língua inglesa do edital PDSE 47/2017.
No comunicado, a CAPES reduz a exigência da pontuação da proficiência em língua inglesa, utilizando-se parâmetros exigidos pela comissão Fullbright para realização de doutorados em qualquer área nos EUA (71 para Toefl IBT e 527 para Toefl ITP). Além disso, caso o doutorando não tenha atingido essa pontuação e comprovando que essa é a última oportunidade de participar de um pleito por bolsa no exterior, haverá a possibilidade de apresentação de uma carta da Universidade alegando que a pontuação atingida pelo estudante é suficiente para realização de suas atividades acadêmicas no exterior. Em que pese a agência tenha reduzido nesse momento a proficiência exigida para língua inglesa, na prática, a mudança apenas prorrogam os prazos para entrega da proficiência em língua inglesa no edital, pois em ambos os casos o doutorando terá que se submeter a um novo exame para atingir a pontuação exigida pela CAPES no edital (79 para Toefl IBT e 550 para Toefl ITP) dentro do prazo de três meses após início da vigência da bolsa.
Esse fato acarretará em mais uma preocupação para o pós-graduando que deveria estar focado no desenvolvimento de sua pesquisa e compartilhamento de conhecimentos durante o tempo no exterior ao invés de estudar para prestar um novo exame mesmo com níveis de proficiência adequados para curso de doutorado em qualquer área, segundo a comissão Fullbright, ou carta da universidade atestando a sua capacidade linguística na língua inglesa para desempenho das atividades acadêmicas. Além disso, o comunicado da CAPES não menciona em que termos se darão caso o doutorando não consiga atingir essa pontuação exigida durante o tempo de três meses.
Outrossim, a ANPG se vê preocupada também com a não prorrogação do prazo de entrega de proficiência para os outros idiomas, como espanhol e francês, o que contemplaria o conjunto dos doutorandos que estão pleiteando bolsas para países não falantes de língua inglesa. Essa medida cria condições desiguais em relação aos candidatos que disputam bolsas com destino a outros países fora do eixo de língua inglesa, por: 1) a pontuação atual exigida para idiomas como espanhol e francês (B2 – nível independente) para obtenção da bolsa podem ser consideradas mais altas em comparação ao nível 71 e 527 para a prova do Toefl – segundo uma tabela de comparação entre a pontuação do Toefl e do padrão de avaliação internacional de habilidades linguísticas do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas, disponível no site da Educational Testing Service, essa nova pontuação exigida para língua inglesa seria equivalente ao nível B1 ( nível intermediário) para outros idiomas; 2) não abrir a mesma oportunidades para prorrogação dos prazos para candidatos que ainda não conseguiram atingir a pontuação exigida obter a bolsa no exterior com a possibilidade de prestar um novo teste no prazo de três meses. Para igualar as condições entre os candidatos, é necessário a imediata redução da pontuação desses outros idiomas para os níveis equivalentes a nova pontuação exigida para língua inglesa.
Ademais, há o fato do comunicado não mencionar o pleito de retirada da exigência de língua inglesa para doutorandos que estão aplicando para países lusófonos. Há comprovação através de carta oriundas de algumas Universidades Portuguesas, por exemplo, informando que não há necessidade da proficiência em inglês para os alunos que aplicarem para essa instituição, o que permitiria a flexibilidade da exigência de falar inglês pela CAPES.
Após muita mobilização e pressão realizada pela ANPG junto com conjunto de pós-graduandos candidatos a uma bolsa no edital, foi realizada no dia 29 de maio de 2018, na Câmara de Deputados, uma audiência pública, na qual a CAPES concordou em rever os critérios para a proficiência. Porém mesmo com as alterações, a agência insiste em cobrar altos níveis de proficiência em comparação com comissões de referências linguística internacional, como comissão Fullbright e Quadro Europeu Comum.
Por entender que as alterações mesmo sendo benéficas a um grupo de pós-graduandos, com prorrogação dos prazos, não favorece todo o conjunto de atores envolvidos no edital. Assim, a ANPG continua a reivindicar uma redução real e não paliativa da pontuação para a língua inglesa e os outros idiomas além da retirada da exigência desse primeiro idioma para obtenção da bolsa no exterior em países lusófonos.
Entendemos que em épocas de globalização e internacionalização da Ciência, é preciso romper com barreiras e democratizar o acesso as oportunidades de intercâmbio científico e cultural. Os testes de proficiências oferecidos no Brasil ainda possuem caráter elitistas por serem caros, possuírem um calendário fixo e muitas vezes não são oferecidos na IES do doutorando ou nas mais próximas, impedindo, assim que muitos possam realizar o teste ou até mesmo repeti-lo com frequência para obter a pontuação desejada pela CAPES ainda mais em um cenário que menos 50% dos pós-graduandos stricto sensu não são bolsistas.
Não obstante, precisamos criar condições iguais para todos os doutorandos que estão em processo de seleção no atual edital PSDE independente da língua do país destino afim de alcançar o objetivo maior do PSDE que é “o de complementar os esforços despendidos pelos programas de pós-graduação no Brasil na formação de recursos humanos de alto nível para inserção nos meios acadêmico, de ensino e de pesquisa no país
Segue abaixo o comunicado da CAPES recebido pela ANPG.
“Prezados Pró-reitores e Candidatos PDSE,
A Capes reitera que a exigência de apresentação do teste de proficiência conforme Edital 47/2017 continua obrigatória. Essa exigência parte em primeiro lugar do questionamento das universidades do exterior sobre a qualidade da proficiência dos alunos brasileiros de PDSE e da preocupação da Capes com seus doutorandos no exterior. Ressalta-se que desde Agosto de 2017 a Capes colocou comunicado na página do PDSE sobre a cobrança do teste de proficiência nos próximos editais, bem como repassou essa informação a todos os Pró-reitores no Fórum de Pró-reitores de 2017. Essa medida foi tomada justamente para garantir tempo hábil para preparação e realização dos testes de proficiência.
Tendo em vista a solicitação de alguns estudantes que não atingiram o nível mínimo exigido em Edital, e em razão da audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, a Capes informa que irá autorizar excepcionalmente e apenas para o inglês o envio dos testes de proficiência no nível TOEFL IBT 71 e TOEFL ITP 527. Para esses casos, a Capes concederá o prazo de 03 meses a partir do início da bolsa para apresentação do teste de proficiência na pontuação exigida no Edital.
Casos excepcionais nos quais o candidato não tenha atingido a pontuação mínima de 71 no TOEFL IBT ou 527 no TOEFL ITP e ficar comprovado que esta é a última oportunidade de se candidatar a um estágio no exterior, a Capes irá aceitar o envio do teste com a respectiva nota juntamente com a carta da universidade no exterior atestando que o nível é suficiente para as atividades a serem desenvolvidas na Instituição. Para esses casos, a Capes concederá o prazo de 03 meses a partir do início da bolsa para apresentação do teste de proficiência na pontuação exigida no Edital. Atenção: não será aceito carta do co-orientador no exterior, do orientador no Brasil ou da IES no Brasil, apenas a carta da universidade no exterior.
Reforçarmos que todos os candidatos devem ter passado pela etapa de homologação por parte de suas pró-reitorias e ter documentação aprovada pela Capes. As cobranças dos testes após os 03 meses de bolsa serão individualizadas.
Atenciosamente,
DRI/ CAPES”
Associação Nacional dos Pós-Graduandos, 11 de junho de 2018
A comissão Nacional de Credenciamento do XXVI Congresso Nacional de Pós-Graduandos encerrou, na noite da última quinta-feira (07), o credenciamento dos delegados e suplentes aptos a participarem do evento com direito a voz e voto. Estão aptos cerca de 800 delegados e suplentes que foram eleitos em processos eleitorais ocorridos em 72 Instituições de Ensino e/ou Pesquisa de 20 estados brasileiros.
Delegados: Lista de delegados
Suplentes: Lista de suplentes
Em caso de dúvidas envie e-mail para cnpgxxvi@gmail.com
A Mostra Científica do 26º Congresso Nacional de Pós-Graduandos da Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG), que tem como tema Pós-graduandos em defesa da Ciência, da Universidade e do Brasil: o que é público não se vende”, recebeu mais de 100 trabalhos e agora apresenta a lista de aprovados. Confira!
Resultado Mostra ANPG
Importante: alguns trabalhos foram aceitos com ressalvas e será preciso modificações. A coordenação da Mostra entrará em contato com cada um sobre o assunto.
O prazo para entregar os resumos completo é dia 22 de junho de 2018.
Dúvidas podem ser respondidas por meio do e-mail [email protected].