
O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) realiza, de 1º a 24 de fevereiro de 2017, a 15ª edição do Programa de Verão, que inclui o 10º Encontro Acadêmico de Modelagem Computacional, a Jornada de Iniciação Científica e Tecnológica, o 3º Encontro em Modelagem Matemática do Crescimento Tumoral, o Workshop Análise de Incertezas e Validação, a Semana sobre Programação Massivamente Paralela, a Jornada em Ciência de Dados, a Jornada em Ecologia Teórica e minicursos avulsos. Para saber todos os detalhes, clique aqui: http://www.lncc.br/eventoSeminario/eventoconsultar.php?vMenu=4&idt_evento=1607&vAno=2016
Nós, discentes de mais de 30 (trinta) Programas de Pós Graduação (PPGs) de treze unidades acadêmicas (FAFICH, FALE, EBA, FACE, ECI, EEFFTO, FAE, FAFAR, IGC, ICEX, ICB, FDCE e EAD), reunidos em assembleia autoconvocada no dia 16 de novembro de 2016, reconhecemos a legitimidade das ocupações e posicionamo-nos a favor dos movimentos reivindicatórios ocorridos em todo o país contrários à Proposta de Emenda à Constituição 55/2016 (PEC 55/2016), em tramitação no Congresso Nacional. Considerando a gravidade do momento político pelo qual passa o país, a precarização da educação pública, os ataques aos serviços sociais, debatemos amplamente o que se apresenta para análise e reiteramos nosso posicionamento contrário à proposta em questão.
Na condição de trabalhadores em pesquisa e demais atividades acadêmicas, ressaltamos nosso compromisso com a ciência, tecnologia e desenvolvimento do Brasil. Consideramos urgente o estabelecimento de medidas de controle das contas públicas e afirmamos existir outros mecanismos de redução de gastos e otimização de investimentos públicos sem, no entanto, atacar diretamente as parcelas da sociedade mais vulneráveis como o que se propõe. Entendemos, portanto, que a PEC 55\2016 é um projeto de governo não submetido aos mecanismos democráticos, implementado de maneira arbitrária através de um projeto de Emenda Constitucional e nocivo aos interesses da maioria da população brasileira.
Para a Pós-Graduação, a PEC 55/2016, caso aprovada, restringe a execução dos projetos de pesquisa, ensino e extensão, além de limitar o acesso e a permanência nos programas. A proposta de emenda vai contra o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG 2020), que visa atingir de forma progressiva a meta anual de 2% do PIB em investimento em pesquisa e desenvolvimento, apresentadas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações .
Cientes das iminentes perdas que a aprovação da PEC 55/2016 acarretará, principalmente na saúde e na educação, juntamos-no à luta dos alunos secundaristas das escolas públicas, dos discentes da UFMG, assim como dos outros segmentos das universidades que já se encontram em greve (docentes e técnicos).
Repudiamos, ainda, todas as ações de marginalização e criminalização contra os movimentos secundaristas, estudantis e sociais.
Por fim, convocamos todos os discentes dos outros PPGs da UFMG a participarem ativamente desta luta, colaborando com os debates e atividades que estão sendo realizados nos prédios ocupados na UFMG pois entendemos que a luta é o único caminho possível para nossa vitória.
Por nenhum direito a menos.
Belo Horizonte, 23 de novembro de 2016.
Pós-graduandas e Pós-graduandos da UFMG

O processo de votação do projeto de lei que impede o contingenciamento do orçamento da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) vem perdendo força no Senado Federal, diante do avanço da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 55, que estabelece limite para gastos da União pelos próximos 20 anos -, embora sejam propostas independentes.
Aprovada em primeiro turno na madrugada de quarta-feira, 30, a PEC ainda precisa ser analisada em segundo turno, previsto para o dia 13 de dezembro.
Autor do projeto de lei do Senado (PLS) nº 594/2015, o senador Lasier Martins (PDT/RS) disse que a PEC tem dificultado o avanço da tramitação do projeto que poderia beneficiar a ciência, a tecnologia e a inovação. Já o relator da proposta em discussão, o senador Cristovam Buarque (PPS/PE), acredita que a dificuldade para o avanço do projeto é o fato de o governo “querer ter o poder de contingenciar sempre” o orçamento.
“Temos de lutar para que o governo entenda que ele tem que ser responsável na hora de apresentar o orçamento, mas que, depois do orçamento aprovado, não se pode contingenciar. Imagina que se tenha um dinheiro aprovado, se começa a pesquisa e depois vem o contingenciamento”, disse Buarque. O senador disse ser “amplamente favorável” ao não contingenciamento dos recursos da área de CT&I, porém, também se manifestou favorável à aprovação da PEC do teto dos gastos públicos.
Submetida ao crivo da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, em setembro do ano passado, a tramitação do PLS nº 594/2015 não prosperou até agora, embora o relator da matéria tenha apresentado relatório favorável ao projeto, em maio deste ano, com uma emenda. Na última terça-feira, 29, a votação da matéria foi adiada mais uma vez na comissão.
Mesmo reconhecendo a dificuldade para fazer o projeto prosperar na comissão, o autor do projeto de lei, o senador Martins, pretende buscar apoio à votação do projeto e fazer um apelo para unir educação à ciência e tecnologia, já que, segundo ele, saúde e educação são as áreas que devem ficar de fora do alcance da PEC (até 2018).
“Pretendo, numa manifestação de tribuna do Congresso (em 06 de dezembro), convencer deputados e senadores para juntar educação e ciência e tecnologia, porque elas estão imbricadas; uma é complementação da outra”, disse.
Martins observa que se formou no Senado “um consenso majoritário” de que não existe outra saída “se não aprovarmos a PEC” do teto dos gastos, para evitar o aumento de arrecadação de imposto no País.
Desvalorização da ciência
Martins reforça a tese de que os investimentos dedicados à área de ciência, tecnologia e inovação tendem a sentir os reflexos da PEC nº 55. “Como o Brasil está arrecadando bem menos (tributos) e vinha gastando bem mais ao ponto de chegar ao déficit de R$ 170 bilhões, não podemos nos iludir de que eles (o governo) vão direcionar recursos para ciência e tecnologia”, disse e emendou. “A história mostra que eles não valorizam a ciência e a tecnologia”, complementou.
Como consequências disso, avaliou Martins, o Brasil deve manter a dependência pelos produtos internacionais de maior valor agregado. “Sem o direito de pesquisar, vamos continuar comprando as tecnologias que os outros países produzem. Não temos iniciativas, não temos financiamento para fazer inovações”, lamentou.
Para o senador, é fundamental desbloquear os recursos dos fundos setoriais para promover o dinamismo científico e tecnológico. “Só teremos condições de fazer isso se conseguirmos utilizar os recursos dos fundos setoriais, que hoje são direcionadas para pagar contas e fazer superávit primário e não chegam ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Os recursos, portanto, não financiam as empresas que estão estudando inovação e nem mesmo a criação de patentes”, complementou.
Texto: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência

A Finep acaba de aprovar, em reunião de diretoria, a liberação de recursos para a complementação de valores referentes à Chamada Universal do CNPq 2014. Aproximadamente R$ 68,2 milhões serão disponibilizados, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), sendo que R$ 31 milhões serão pagos ainda em 2016. O edital contou com recursos totais de R$ 200 milhões, dos quais R$ 50 milhões provenientes do CNPq e R$ 150 milhões do FNDCT, via Finep.
A aprovação e pagamento parcial ainda este ano são fruto de esforços conjuntos da Finep, CNPq e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). As Chamadas Universais do CNPq têm por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e inovação do País, em todas as áreas do conhecimento.
Fonte: Finep

O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) está com inscrições abertas para o treinamento gratuito de professores de matemática do ensino médio entre 23 e 27 de janeiro de 2017. São 150 vagas para professores do Rio de Janeiro e outras 100 vagas nos centros multiplicadores em universidades de todos os estados. Saiba mais: http://www.impa.br/opencms/pt/programas/programa_ensino_medio/ensino_medio_2017_modulo1.html

Este prêmio é uma parceria da Unesco e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e executado pelo CNPq, com apoio do Movimento Brasil Competitivo (MBC). Voltado para pesquisadores dos países membros do Mercosul, a iniciativa busca potencializar a disseminar o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação na região, além de promover a integração e cooperação entre estudantes e pesquisadores.
São premiados dois trabalhos – vencedor e menção honrosa – de cada categoria: Iniciação Científica, Estudante Universitário, Jovem Pesquisador, Pesquisador Sênior e Integração. Os trabalhos inscritos concorreram a premiações que vão de US$ 2 mil a US$ 10 mil.
Presidente do CNPq fala em cerimonia de premiação
Presente na cerimônia de premiação, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mario Neto Borges destacou o tema como estratégico. “Empreendedorismo e inovação é o que estamos precisando no Brasil e na América Latina. Somos grandes produtores de conhecimento, mas ainda falta a capacidade de inovar. O Brasil só será grande no sentido mais amplo, quando tivermos desenvolvimento completo, incluindo científico e tecnológico, para a melhor distribuição do conhecimento”, completou Mario Neto.
Para o Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTIC, Álvaro Prata, o Prêmio é uma importantes ferramenta para reforçar o Mercosul. “É fundamental que exista mecanismos de apoio a múltiplas ações voltadas à construção de agendas integradoras de nosso bloco e a ênfase nas políticas de ciência, tecnologia e inovação torna-se um dos principais pilares dessa integração”, apontou.
De norte a sul
Uma das pesquisas premiadas nesta edição propõe a criação de uma prótese robótica de baixo custo produzida por impressora 3D. O projeto foi vencedor na categoria “Estudante Universitário” e é realizado pelo mestrando da Universidade Federal do Piauí (UFPI),Caio Caio Araújo Damasceno. “O cenário do país é de cerca de 7 mil amputados e um alto custo das próteses robóticas, que chegam a R$ 150 mil”, explica Caio. O protótipo proposto pela pesquisa, segundo o estudante, é altamente funcional e tem um valor de menos de R$ 500. “Com isso, podemos dar acesso, para a população em geral, de um item que promove qualidade de vida, bem estar e auto-estima”, enumera, afirmando que assim que estiver totalmente funcional, será testado em pessoas para, então, avaliar a possibilidade de comercialização. “A grande importância desse prêmio é ver que a gente é capaz de tirar nosso trabalho científico do papel e fazer algo que possa ajudar as pessoas”, finalizou.
O aproveitamento de águas residuais dessalinizadas para a produção de algas é tema de outro projeto premiado. O responsável pelo trabalho é o estudante de doutorado da Universidade Federal de Santa Catarina, Angelo Paggi Matos, menção honrosa na categoria Jovem Pesquisador. O projeto levou a produção de algas a partir de águas residuais, antes cultivadas em laboratório, para o semiárido nordestino, local com grande quantidade de resíduos resultantes aos processos de dessalinização da água, muito comum na região, que sofre com a falta de água por grandes períodos, mas que possui muita água salobra subterrânea. Angelo explica a importância da pesquisa: “As microalgas produzem muitos compostos para a indústria química, farmacêutica e de alimentos. Além disso, seu óleo produzir biodiesel”. Segundo Angelo, o semiárido nordestino possui as condições climáticas ideais para essa produção, que também pode ser usada para cultivar peixes e verduras. “Os principais cultivos no mundo são em regiões desérticas como Arizona, Austrália e Israel. Portanto, o Brasil tem um grande potencial com o semiárido”, aponta.
Esses dois projetos demonstram a diversidade dos temas das pesquisas agraciadas, que também contam com assuntos como o desenvolvimento de um revestimento comestível como contribuição para facilitação do transporte do morango entre o Brasil e os demais países do Mercosul, o desenvolvimento de um produto para uso agrícola, a partir da reciclagem de um rejeito da indústria de fosfatos, inovações para prevenção do câncer de colo de útero, entre outros.
“Precisamos nos apoiar no Brasil que dá certo, e o Brasil que dá certo é este representado por esses ganhadores”, finalizou o secretário Álvaro Prata.
O Prêmio
Instituído em 1998 pela Reunião Especializada em Ciência e Tecnologia do MERCOSUL (RECyT) com a denominação Prêmio Mercosul para Jovens Pesquisadores, passou a ser denominado Prêmio Mercosul para Ciência e Tecnologia a partir da edição de 2004.
Todos os candidatos ao Prêmio devem estar vinculados ao Mercosul, seja pela nacionalidade, pela naturalidade ou pela residência nos países membros e associados ao Mercosul.
A cada edição é indicado um tema importante para o desenvolvimento científico e tecnológico que atenda às políticas públicas governamentais e que seja de relevância para os países membros e associados ao Mercosul.
Veja a lista completa dos premiados: http://cnpq.br/documents/10157/5558812/Premio+Mercosul+vencedores.pdf/6c1737f9-ac9c-4dd3-8f03-f0d9a71258ec
Fonte: Coordenação de Comunicação Social do CNPq

Ao longo dos últimos meses, diversos pesquisadores vêm se debruçando sobre os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), que trouxe dados inéditos sobre as condições de saúde, riscos e acesso a serviços pela população brasileira, ao longo de quatro volumes editados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As análises realizadas foram publicadas em novembro, no suplemento “A Panorama of Health Inequalities in Brazil”, do periódico International Journal for Equity in Health.
É um abrangente panorama das desigualdades em saúde no Brasil, que traz 14 artigos inéditos, avaliados e publicados por um dos periódicos internacionais mais importantes nessa área. O suplemento foi editado por James Macinko, professor dos departamentos de Ciências da Saúde Comunitária e Gestão e Políticas de Saúde da Universidade da Califórnia em Los Angelas (UCLA), e Célia Landmann Szwarcwald, pesquisadora titular do Icict/Fiocruz, e também uma das responsáveis pela coordenação técnica do estudo da PNS 2013.
Dentre os temas abordados nos artigos estão os hábitos de saúde, desigualdades econômicas e limitações funcionais entre a população brasileira, desigualdades na expectativa de vida saudável entre os brasileiros, cobertura e acesso na saúde reprodutiva e maternal, doenças crônicas, acidentes e violências, e desigualdades no acesso a serviços no Brasil. Participam do suplemento pesquisadores de instituições nacionais e internacionais.
O lançamento do suplemento será realizado no dia 07 de dezembro, em seminário do Centro de Estudos do Icict/Fiocruz, no Rio de Janeiro. Durante a atividade, pelo menos um dos autores de cada artigo irá participar de debate sobre os resultados encontrados. Os resumos de cada artigo serão apresentados pelos editores do suplemento, Célia Landmann Szwarcwald e James Macinko. Ao final da atividade, também haverá uma conversa com o pesquisador Paulo Buss, do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz e colaborador da Organização Mundial de Saúde, tendo sido vice-presidente do Comitê Executivo entre 2010 e 2011. Ele irá discutir implicações nas políticas públicas, dentre avanços e desafios a serem enfrentados pelo Estado no campo da saúde.
Seminário do Centro de Estudos
Um panorama das desigualdades em saúde no Brasil: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde – 2013
Quarta-feira, 7 de dezembro de 2016, 9h30 às 12h30
Salão de Leitura Henrique Leonel Lenzi – Biblioteca de Manguinhos – Campus Fiocruz
Av. Brasil 4.365 – Rio de Janeiro
Inscrições: eventos.icict.fiocruz.br
Vagas limitadas. Certicados de participação disponíveis mediante cadastro no site.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado do Prêmio Capes-Interfarma de Inovação e Pesquisa, outorgado às duas melhores teses de doutorado defendidas em 2015 relacionadas à Inovação e Pesquisa na Área de Saúde Humana ou Ética/Bioética no Brasil, nas áreas e subáreas de avaliação Medicina, Odontologia, Farmácia, Enfermagem ou de Ciências Biomédicas (que inclui Genética; Fisiologia, Bioquímica, Farmacologia; Imunologia, Microbiologia, Parasitologia e Biologia Celular).
Os trabalhos selecionados foram “Ativação da heme oxigenase-1 e via da necroptose como mecanismos imunopatogênicos na infecção de macrófagos por Leishmania Infantum”, escrita por Nívea Farias Luz, para o Programa de Pós Graduação em Patologia Humana da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e “Patógenos emergentes no gênero Sporothrix e a evolução global da patogenicidade” de autoria de Anderson Messias Rodrigues, defendida no Programa de Pós Graduação em Microbiologia e Imunologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Os vencedores receberão troféu, prêmio no valor bruto de R$ 31.045,24 e bolsa de até 12 meses para realização de estágio pós-doutoral em instituição nacional. Além disso, autores, orientador(es), coorientador(es) e programa(s) em que foram defendidas as teses receberão certificado de premiação. Autores e orientadores também receberão passagem aérea e diária para comparecerem à cerimônia de premiação, que acontecerá no dia 14 de dezembro. O orientador receberá, ainda, prêmio de R$ 3 mil para participação em congresso nacional.
Confira os detalhes dos trabalhos vencedores:
Autor: Nívea Farias Luz
Orientador: Valéria de Matos Borges
Tese: Ativação da heme oxigenase-1 e via da necroptose como mecanismos imunopatogênicos na infecção de macrófagos por Leishmania Infantum
Área: Medicina II
Programa de Pós Graduação: Patologia Humana
IES: Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Autor: Anderson Messias Rodrigues
Orientador: Zoilo Pires de Camargo
Coorientador: G. Sybren de Hoog
Tese: Patógenos emergentes no gênero Sporothrix e a evolução global da patogenicidade.
Área: Ciências Biológicas III
Programa de Pós Graduação: Microbiologia e Imunologia
IES: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Fonte: (CCS/Capes)

O artigo “A Ressonância Subvertida: Conexões americanas e História na aula de Sérgio Buarque aos militares do Brasil” do doutorando em História da UFF André Furtado lhe garantiu o Prêmio Internacional de História Intelectual da América Latina 2016. O estudante recebeu o prêmio em outubro na cidade de Quito, Equador.
O estudo de Furtado aborda um convite feito ao historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) pelos oficiais do Exército Brasileiro em 1967 – plena vigência do regime militar – para ministrar uma palestra na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro. O artigo fará parte de sua tese de doutorado sobre a trajetória desse destacado historiador brasileiro, sob orientação da professora da UFF Giselle Martins Venâncio.
Como o próprio Furtado explica, o diferencial do trabalho se dá porque, de maneira geral, é mais comum que as pesquisas se limitem ao estudo das obras, e não abordem tanto a vida e o contexto histórico do personagem escolhido, como é o caso dessa tese. “Seria mais correto dizer que minha pesquisa não é sobre o intelectual Sérgio Buarque em si, mas por intermédio dele, analisando seu contexto histórico para melhor entender suas obras”, completa André.
Os intelectuais que manifestaram luto ao historiador se referiam ao Sérgio Buarque dos anos 60”, analisa André Furtado.
O interesse do doutorando pela obra de Buarque surgiu ainda na graduação, levando o aluno a escrever sua monografia com base na obra Raízes do Brasil (1936). O livro, inovador no que diz respeito à busca da identidade nacional, interpreta a decomposição da sociedade tradicional brasileira da época e a emergência de novas estruturas políticas e econômicas.
Na década de 60, o mesmo livro foi prefaciado pelo estudioso da literatura brasileira e estrangeira Antônio Cândido. No texto, o crítico literário criou o “tripé” da historiografia brasileira moderna, formado por Casa Grande e Senzala (1933) de Gilberto Freire, Raízes do Brasil (1936) e Formação do Brasil Contemporâneo (1942) de Caio Prado Jr. Tal fato recolocou a obra de Buarque de Holanda em evidência. Tanto que ao fazer um levantamento sobre as homenagens póstumas feitas a Buarque de Holanda, André percebeu uma constante menção ao seguinte fato: “Os intelectuais que manifestaram luto ao historiador não se referiam a qualquer edição de seu livro Raízes do Brasil, e sim à que recebeu o prefácio. Logo, eles se referiam ao Sérgio Buarque dos anos 60”.
Em 1958, Buarque de Holanda se tornara professor catedrático da Universidade de São Paulo (USP), defendendo a tese “Visão do Paraíso”, um estudo do período relacionado aos primeiros contatos realizados pelos colonizadores portugueses e espanhóis, abordando a questão do imaginário do colonizador. O trabalho logo viraria livro e, com o prestígio em alta no campo acadêmico, era requisitado com frequência para que realizasse palestras não só no país como no exterior.
Será que o Sérgio Buarque poderia recusar esse tipo de convite?”, indaga Furtado.
Assim, em maio de 1967, o historiador recebeu do então comandante da Escola Superior de Guerra (ESG) um convite para que fosse ao local proferir uma conferência sobre o tema “O Homem Brasileiro”, que faria parte do ciclo de palestras “Elementos Básicos da Nacionalidade”, promovido pelo exército.
Na época, o Brasil já passava por um momento de autoritarismo. Em janeiro do mesmo ano, entrara em vigor a sexta Constituição Brasileira, que buscou legalizar e institucionalizar o regime militar. “A questão teórica aqui é: quais são os limites e possibilidades de ação individual frente a uma conjuntura autoritária? Será que o Sérgio Buarque poderia recusar esse tipo de convite? E que consequências isso poderia ter em sua vida?”, questiona Furtado.
Convite aceito, Buarque ministrou aos militares da ESG uma aula de história sobre o homem brasileiro e suas conexões americanas. Nesse contexto, o palestrante fez comparações entre a história do Brasil e a de outros países latinos, a fim de entender o homem americano. Segundo Furtado, para isso, o historiador fez uma série de paralelos entre nossa história e a de outros países, como a do Chile e México. “Há características bem diferentes, mas também há outras que nos aproximam muito desses países e essa era a tônica do discurso de Buarque de Holanda”, ressalta o doutorando.
Entre as referências históricas abordadas na conferência estavam elogios direcionados ao golpe de Estado ocorrido em 1930 – que levou Getúlio Vargas ao poder – em uma sala repleta de militares responsáveis pelo golpe de 1964. Além disso, Buarque de Holanda fez comparações de sua própria atualidade, 1967, com o Brasil Imperial. A crítica era voltada ao baixo número de votantes no país, semelhante nos dois momentos. “Durante o Império, a porcentagem de pessoas que votavam chegava a 2% no máximo e, após 64, o número também era baixo. Os militares mantinham a ideia de que os analfabetos não podiam votar, excluindo assim uma parcela significativa da população, a mesma prática da época imperial. Já a ditadura Vargas, apesar de originada de um golpe, permitiu com a promulgação da constituição de 1934, por exemplo, que as mulheres votassem, aumentando sensivelmente o número de votantes naquele período”.
Apesar de não haver um áudio, o que dificulta a compreensão exata do que aconteceu durante a palestra, existe o registro escrito, onde é possível perceber eventuais indícios de oralidade do historiador. “Utilizei a expressão ‘ressonâncias subvertidas’ no título do meu artigo sobre a aula de Buarque porque não sei exatamente o que foi dito por ele na ocasião, e nem tenho, de fato, como saber qual foi a reação dos militares. Mas acredito que eles certamente não gostaram de ouvir do palestrante uma série de exemplos históricos e elogios, mesmo que velados, a outros períodos políticos que não aquele que estava sendo vivido”, ressalta Furtado.
Prêmio Internacional de História Intelectual da América Latina
Esta foi a segunda edição da premiação que é promovida pelo Grupo de Trabalho da Associação Europeia de Historiadores Latino-americanos (AHILA), o corpo acadêmico “Historia y Cultura” do Instituto de Investigação Histórico-social da Universidade Veracruzana, a Academia Nacional de História do Equador e a Universidade Central do Equador. É um prêmio voltado para estudos sobre a América Latina, mas não exclusivo a pesquisadores latinos.
A cerimônia de entrega de prêmios foi realizada no Congresso “La modernidad en cuestión: confluencias y divergencias entre América Latina y Europa, siglos XIX y XX”, na cidade de Quito, entre 26 e 28 de outubro de 2016.
Texto: Jornalismo da Universidade Federal Fluminense
