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Jornalista ANPG

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Foto: Bruno Bou Haya

O 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, realizado entre os dias 12 e 17 de julho, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), contou com vasta programação, que incluíram debates acerca do Financiamento da Ciência Brasileira, duas conferências, uma mostra científica e atos políticos contra os cortes orçamentários na Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, além de programação cultural diversificada e a comemoração dos 29 anos da entidade.

Com tão vasta programação, não poderia ser diferente que os ex-presidentes da Associação Nacional de Pós-Graduandos estivessem presentes nos debates, prestigiando o evento.

Hugo Valadares, professor no curso de Engenharia Eletrônica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e graduado, mestrado, doutorado e pós-doc pela UNICAMP, e, além de tudo, presidente da gestão 2008-2010, foi um deles. Em entrevista à nossa equipe, ele comenta as lutas de sua gestão, a situação do Brasil e a luta dos pós-graduandos. Confira:

Quais foram as principais lutas empreendidas durante a sua gestão (2008-2010)?

O marco principal da minha gestão foi a construção da ANPG no meio institucional. Fizemos um trabalho, que já vinha desde a fundação da ANPG, que tivemos a oportunidade de fazer a ANPG conhecida dentro do meio governamental, onde já tinha uma grande entrada, mas conseguimos estreitar relações com o Ministério de Ciência e Tecnologia, da Educação, com os conselhos (Confap, Conset) e as amis diversas universidades. Um ponto fundamental para conseguir fazer essa inserção na comunidade acadêmica e transformar a ANPG em uma entidade mais conhecida, foi a criação do 1º Salão, em 2009. Foi um momento muito importante que foi capaz de catapultar bastante essa visibilidade que a ANPG acabou tendo e hoje, com a presença do ministro no 4º Salão, vemos o avanço que alcançamos com aquele gérmen que foi plantado lá em 2009. Em seis anos, tivemos uma virada. E claro, a participação que temos tido na SBPC, que começou a ser bem mais visível, começamos a ter uma relação muito mais próxima, inclusive a Tamara hoje participa da mesa de abertura. Então a marca daquela gestão foi muito institucional e também de termos feito um congresso, o CNPG, onde quase mil pessoas participaram desse congresso no Rio de Janeiro, entre delegados e observadores, ante os 127 que participaram do congresso anterior, em Campinas. Então, costumo dizer que a nossa gestão foi a que cavou a ANPG no seio da discussão da ciência e tecnologia no país e que a gente passou a ser mais ouvido. Claro que isso se tornou uma coisa mais gradativa, hoje a ANPG tem mais voz, é muito mais reconhecida e tá no meio da discussão da ciência e educação nacionais. E claro, essas pautas que a gente discutiu hoje, como o avanço e o aumento de bolsas, são pautas permanentes, pois infelizmente ainda continuamos aquém daquilo que a gente precisa, mas a ANPG nunca deixou de olhar o lado do estudante/pesquisador/trabalhador com um olhar muito atento. Infelizmente, ainda temos muito o que alcançar, mas a ANPG joga um papel fundamental nesse sentido.

Gostaria que você comentasse como era a situação do país durante a sua gestão.

Estávamos no segundo governo Lula e era um momento de certa estabilidade institucional no Brasil. Apesar de ter passado, poucos anos antes, a questão do mensalão, o Lula estava com a popularidade muito alta, estava conseguindo implantar algumas medidas importantes. Estávamos no meio da crise econômica, mas essa só veio nos afetar posteriormente. Então, nesse aspecto, continuamos tendo a expansão de vagas na universidade, das vagas para professores. Eu mesmo, sou um remanescente da última parcela do REUNI. O país estava numa evolução rápida, os recursos não estavam tão escassos como hoje. Foi um momento propício para termos recursos para fazer nossas atividades e toda essa questão institucional.

Como você vê a ANPG antes e como você a enxerga agora?

A ANPG sempre foi uma entidade muito importante, com pautas muito avançadas, mas creio que hoje é uma entidade massificada dentro da pós-graduação brasileira. Antes, era um ilustre desconhecido, que representava os estudantes de pós-graduação estatutariamente. Mas como eu disse, o Congresso que nos elegeu, teve a participação de 127 pessoas, incluindo os delegados, e dentro dessa perspectiva você vê que a ANPG era uma entidade classista, que representa os pós-graduandos, mas que, naquela época, ainda estava um pouco incipiente. Hoje, a Tamara dá entrevista para o Jornal Nacional, vejo o ministro de Ciência e Tecnologia vindo na tenda da ANPG participar de um debate junto com o vice-presidente da SBPC, então fundamental do movimento social dentro do debate de C&T e, principalmente, na valorização daquilo que eu chamo de profissão de pós-graduando, que, apesar de ser um momento de formação do pesquisador, este está fazendo muito trabalho. Essas dicotomias ainda permanecem na pós-graduação brasileira, mas acredito que, em termos de entidade, vem uma crescente muito importante, então acho que a tendência é que isso continue e se amplifique no futuro.

Na sua opinião, qual os principais avanços na luta dos pós-graduandos ao longo dos 29 anos da ANPG? Comente a atual situação que o Brasil passa e quais os desafios que a ANPG precisará enfrentas nos próximos tempos.

A criação da ANPG se confunde um pouco com a gênese do MCTI, períodos muito parecidos, então você tinha uma pós-graduação, 29 anos atrás, muito incipiente. Era algo que atingia gente da classe mais abastada, que tinha acesso à universidade e a poder se tornar um professor universitário e, principalmente na década de 90, a pesquisa e a pós-graduação passaram por um período de muita dificuldade. As universidades regrediram a quantidade de investimento que recebiam; não havia programas consolidados de pós-graduação em quantidades necessárias para um país de proporções continentais como o Brasil; e é claro que a importância da ANPG cresce junto com a importância da pesquisa e pós-graduação dentro do próprio país. Hoje, é muito comum encontrar alguém que faz mestrado, que faz doutorado, não que a pós-graduação, assim como o ensino superior público, esteja universalizada, mas já é possível afirmar que, hoje, a pós-graduação já deixou de ser uma “super novidade”. É claro que ainda existem muitos desafios, a classe trabalhadora, o filho do pedreiro, ainda não está chegando na pós-graduação, até porque a pós-graduação de excelência ainda é feita pelas universidades públicas, e quase cem por cento retroalimentada por estudantes provenientes de universidades públicas. Então acredito que a pós-graduação brasileira, nesse aspecto, não está, ainda, nem perto do desafio que lhe é colocado para um país de extensões continentais. Uma vez ouvi um comentário do professor Jorge Guimarães, quando fiz parte da elaboração do Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020, em que ele colocava que, no Brasil, de dez doutores, nove estão empregados e o outro está fazendo pós-doc. Era uma perspectiva legal de se imaginar que já tinha emprego praticamente certo, mas ao mesmo tempo, é um dado muito preocupante, pois significa que não existe doutor sobrando. Ou seja, nós ainda não formamos doutores suficientes para suprir a necessidade do país. Eu vejo que se o Brasil quiser sair dessa posição de exportador absoluto de commodities, e para usar uma frase de Lula, começar a exportar caixa de chip ao invés de toneladas e toneladas de arroz, acredito que seria muito importante esse investimento na área de C&T e em todas as áreas, nas ciências duras, não só naquelas que, aparentemente, respondem por um produto, mas precisamos pensar que ainda precisamos evoluir na pós-graduação. Já demos passos importantes, todavia, o valor da bolsa, que ainda não aumenta, congelado há três anos; a quantidade de bolsas, que ainda é insuficiente; a burocracia, eu diria, em algumas áreas, dificulta mesmo a importação de suplementos que são necessários para a realização das pesquisas. Isso, para mim, é uma questão muito absurda. Hoje ainda não existe uma licença saúde, uma licença maternidade institucionalizada. Existe apenas uma portaria, que pode ser revogada a bel prazer de um ministro. Ainda existe um debate muito forte na academia sobre o produtivismo, sobre a quantidade versus a qualidade. Hoje, o que a CAPES me cobra, como doutor recém-formado, é que eu indexe artigos em revistas importantes, se ele vai ter impacto, se serve para algo, se tem relevância para o Brasil, isso pouco importa. São debates nos quais ainda não conseguimos avançar. Tenho esperança que a gente consiga. É importante que a pesquisa brasileira esteja vinculada aos problemas brasileiros, que a pesquisa de base seja muito incentivada, mesmo que não traga um produto imediato, mesmo que ela não chegue num denominador que apresente um resultado financeiro direto, precisamos ter espaço para isso. Claro que a ciência aplicada, que traz resultados para amanhã, é importante. Tudo é importante no rol da ciência, e vejo que esses desafios, apesar de só acontecerem porque a pós-graduação ter se tornado algo maior, apesar de não tão grande assim. A gente avançou muito pouco no que tange os direitos dos pós-graduandos, mesmo que tenhamos avançado. Eu desejo que a ANPG consiga manter essa importância que tem hoje, se tornar uma entidade ainda mais conhecida no meio científico. Eu acredito que a gente tem muita condição de poder trazer essa discussão para o debate e fazer com que seja ouvida e que a gente consiga avançar na importância que se tem o pós-graduando para todo um sistema científico, tecnológico, produtivo e de formação para o nosso país.

Confira as entrevistas com outros ex-presidentes da ANPG:
Especial ex-presidentes no 4o Salão – Hugo Valadares

Especial ex-presidentes no 4o Salão: Elisangela Lizardo

Da redação

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Fotos: coordenação de comunicação da APG USP Capital
Há muito tempo existe um conhecido problema de segurança no Campus “Armando Salles de Oliveira”, conhecido como ‘Cidade Universitária’ da USP. Problemas frequentes com assaltos e estupros, e com homicídios ocasionais.
A Cidade Universitária é um dos maiores complexos universitários do país e abriga a maior parte das atividades de graduação e pós-graduação da Universidade de São Paulo. E, há muito tempo, a comunidade acadêmica sofre com a falta de diálogo das administrações para resolver o problema.
Esta semana o movimento estudantil foi surpreendido com um plano negociado nos bastidores entre a Reitoria e a Secretaria de Segurança pública do Estado de São Paulo. E a APG USP-Capital está liderando a resistência ao plano, com a organização de um protesto, que começou hoje (07), às 13 horas, em frente à reitoria. A intenção é que eles sejam recebidos pelo Reitor antes da assinatura do convênio com a Secretaria de Segurança Pública.
Segundo Mariana Moura, coordenadora geral da APG, “Zago foi eleito com o compromisso do diálogo. Infelizmente, essa não tem sido sua prática cotidiana. Os estudantes tem assento nas Comissões de Direitos Humanos e na Comissão Gestora do Campus e não foram chamados a opinar sobre essa assunto tão importante”.
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Phillipe Pessoa, diretor da ANPG, está acompanhando o movimento e garante que “a partir do diálogo, podemos encontrar soluções mais eficazes, que passam pela ocupação e iluminação do Campus, eliminando os grandes vazios onde acontecem a maioria dos atos criminosos”. Segundo Pessoa, “a experiência recente já provou que a presença da Polícia Militar no Campus não contribuiu para a redução no número de crimes, ao contrário”.
Natália Dias, tambem diretora da APG, questiona o modelo da Polícia Militar como um todo. Segundo ela, “a Polícia Militar é uma instituição que recebe um sem número de questionamentos por sua atuação, e muitos especialistas na área de segurança pública propõem a sua extinção e a unificação das polícias. Trazer a PM para o Campus, em serviço 24 horas, sem consultar os estudantes e moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) é uma decisão muito questionável.”
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Da Redação

Uma medida provisória publicada no Diário Oficial da União de hoje (31) libera crédito extraordinário de R$ 5,1 bilhões para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O recurso faz parte do total de R$ 9,8 bilhões em créditos extraordinários abertos em favor do Ministério da Educação, de encargos financeiros da União e de operações oficiais de crédito.

Dos recursos destinados ao Fies, R$ 4,2 bilhões vão para concessão de contratos do programa; R$ 400 milhões, para integralização de cotas do Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo; e R$ 578 milhões, para a administração do Fies.

As inscrições para o processo seletivo da segunda edição de 2015 do Fies serão abertas na próxima segunda-feira (3), pela internet. No final de junho, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, anunciou que seriam ofertadas 61,5 mil vagas.

A Medida Provisória 686, de 30 de julho de 2015, também prevê recursos para a avaliação da educação superior e da pós-graduação (R$ 35 milhões); para a produção, aquisição e distribuição de livros e material didático e pedagógico para educação básica (R$ 116 milhões); e a implantação e adequação de estruturas esportivas escolares (R$ 461 milhões).

Para completar o montante total de créditos extraordinários liberados, R$ 4,6 bilhões estão previstos para subvenção de operações de financiamento do Programa de Sustentação do Investimento e do Programa Emergencial de Reconstrução de Municípios Afetados por Desastres Naturais.

A ANPG acredita que o Fies da pós é um mecanismo que contribui para a ampliação da pós-graduação no país, mas, a entidade prioriza essa expansão pela via pública, com a luta pela universalização e valorização das bolsas de pesquisa.

O Fies da pós-graduação não atenderá a cursos de especialização, os chamados lato sensu, nem cursos de ensino a distância. Alunos já contemplados com bolsas de estudo pelo Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares (Prosup) também não poderão solicitar o financiamento.

Da redação com informações da Agência Brasil

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou os resultados do 10º Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, uma espécie de inventário das equipes de pesquisadores em atividade no país. Com dados coletados em 2014, foram mapeados 35.424 grupos de pesquisa, 29% mais do que o registrado em 2010 e três vezes mais do que o resultado do Censo de 2000. O número de pesquisadores em atividade e seu nível de formação aumentaram. Dos 180 mil pesquisadores atuantes, 116 mil têm pelo menos nível de doutorado, ou 65% do total. Em 2010, o índice era de 63% e em 2000, de 57%.

Também se observou uma redução da concentração regional em relação a 2010. O Nordeste aumentou sua participação no total dos grupos de 18,3% para 20,4% entre 2010 e 2014, aproximando-se do Sul, estável na casa dos 22%. Em 2004, a participação do Nordeste era de 14,2%. O Sudeste, que tinha 46,8% dos grupos em 2010, hoje tem 43,8% do total.

Os indicadores em alta são atribuídos, em boa medida, ao programa de reestruturação e expansão das universidades federais, o Reuni, que ampliou o número de professores e de vagas nas instituições vinculadas ao Ministério da Educação (MEC), inclusive em regiões distantes dos principais centros de produção do conhecimento. “Surgiu um novo perfil da qualificação dos professores contratados em universidades federais. Muitos se formaram em programas de doutorado dinâmicos, com a perspectiva de seguir fazendo ciência, e formaram grupos de pesquisa em instituições que nem sempre tinham tradição nisso”, diz Elizabeth Balbachevsky, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (fflch-USP), pesquisadora da área de ciência e inovação.

Rogério Meneghini, coordenador científico da biblioteca SciELO Brasil, complementa: “Investiu-se muito dinheiro nas universidades federais para ampliar a oferta de vagas para estudantes e isso teve impacto também na pesquisa”. O crescimento dos grupos, ele observa, é uma notícia boa, mas não significa que isso resulte na produção de pesquisa de impacto. “O Brasil perdeu posições em rankings de qualidade da pesquisa, o que pode ser resultado do crescimento muito rápido de grupos de pesquisadores”, afirma.

Apesar da redução da concentração regional, vários indicadores destacam o desempenho de unidades da federação com mais tradição em pesquisa. São Paulo, por exemplo, tem 78,5% de seus pesquisadores com nível de doutorado. É o maior percentual entre as unidades da federação. A média brasileira é de 61%. Da mesma forma, entre os pesquisadores do estado de São Paulo, o número de artigos publicados em revistas internacionais chegou a 3,3 artigos por autor em 2010, enquanto a média no Brasil foi de 2,5 artigos por autor. No censo de 2002, foram registrados 2 artigos por autor em São Paulo e 1,4 no Brasil.

A participação feminina teve uma suave alta entre 2010 e 2014. Quarenta e seis por cento dos postos de liderança nos grupos são ocupados por mulheres, diante de 45% em 2010 e 42% em 2004. Já no número total de pesquisadores manteve-se a divisão de 50% para cada gênero observada em 2010. Também houve mudanças na participação das áreas do conhecimento no total dos grupos, com um crescimento mais expressivo em ciências humanas (de 19,5% para 20,9% do total entre 2010 e 2014), sociais aplicadas (de 12,6% para 13,7%) e linguística, letras e artes (de 6,6% para 6,9%).

Para Elizabeth Balbachevsky, a mudança nas grandes áreas pode ter vínculo com o avanço feminino. “O crescimento dos grupos foi mais significativo em áreas que atraem mais as mulheres, como ciências humanas e sociais aplicadas”, afirma. A pesquisadora destaca que, nessas áreas, vem se quebrando a tradição de fazer pesquisa de forma isolada, com um aumento da formação de grupos de pesquisa. “Tem se consolidado uma cultura de pesquisa coletiva em ciências humanas, incentivada por iniciativas como os projetos temáticos da FAPESP e programas que estimulam a formação de redes”, afirma.

Influência

A socióloga Fernanda Sobral, da Universidade de Brasília (UnB), aponta a influência de programas como o dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), mantidos pelo CNPq e pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa, na disseminação de novos grupos de pesquisa. “Cada um desses institutos forma redes com pesquisadores de várias instituições e regiões”, afirma. Ela considera o fenômeno responsável, ao menos em parte, pelo desempenho do Nordeste e o avanço das mulheres. “Ainda que os coordenadores dos INCTs sejam majoritariamente pesquisadores do sexo masculino sediados no Sul e no Sudeste, há participação de grupos de outras regiões ou liderados por mulheres”, afirma. “Mas a política de pós-graduação e programas como o Casadinho também ajudaram a reduzir a concentração da pesquisa”, diz, referindo-se a uma iniciativa do CNPq que conecta programas de pós-graduação consolidados com outros, mais jovens.

Quando são analisados os artigos publicados em revistas internacionais, algumas áreas se destacam. Nas ciências biológicas, o número de artigos publicados por ano por pesquisador com nível de doutor chega a 1,9. Também se distinguem as ciências da saúde (1,76 artigo por pesquisador/ano), ciências exatas e da Terra (1,49 artigo) e agrárias (1,22). Esse perfil é diferente do das ciências humanas (0,21 artigo por pesquisador/ano), ciências sociais aplicadas (0,24 artigo) e linguística, artes e letras (0,09), que, contudo, assumem os primeiros lugares quando a produção é medida por capítulos de livro (entre 0,68 e 0,77 capítulo por pesquisador/ano). “Há notável resiliência dessas áreas”, diz Balbachevsky. “Seus pesquisadores seguem publicando livros e capítulos de livros apesar de isso ter perdido valor em processos de avaliação.”

Fonte: UOL

Governo corta 75% das verbas para a pós-graduação, ameaça o trabalho de pesquisadores e coloca em risco a evolução acadêmica do País

Até 2014, o Brasil vivia um salto científico. Em 20 anos, passou do 24º para o 13º lugar entre os países com maior número de pesquisas produzidas, tendo passado à frente de nações como Suíça, Suécia e Holanda. Alcançou visibilidade no meio acadêmico internacional e pavimentava um futuro ainda mais animador. Um ano depois, essa perspectiva está abalada. No âmbito do contingenciamento financeiro na pasta da educação, universidades brasileiras têm sofrido com um corte de 75% na verba federal destinada ao custeio das pesquisas em cursos de mestrado e doutorado, chegando ao cúmulo de os próprios pesquisadores precisarem comprar material de laboratório, como luvas e reagentes químicos. Além disso, a diminuição do repasse compromete outras necessidades na formação de mestres e doutores, como subsídio ao trabalho de campo e participação em congressos e verba de convites para formação de bancas. “Os últimos anos foram de incentivos. Mas, hoje, vivemos uma turbulência”, afirma Isac Almeida de Medeiros, presidente do Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e Pesquisa (Foprop). A perspectiva é que as consequências sejam sentidas em dois ou três anos, tempo médio de produção de uma pesquisa. “Se o corte persistir, vamos ficar para trás.”

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PANE
Alan Ambrosi, doutorando em Engenharia Química: “É triste ver que a
pós-graduação brasileira tenha entrado nesse colapso”

O corte no repasse atinge diretamente o Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), administrado via universidade e subsidiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A diminuição de 75% anunciada pela Capes em julho pegou as administrações das federais de surpresa, uma vez que as instituições trabalham com um planejamento financeiro para o ano com base nos gastos e na previsão de repasse do governo. Há, inclusive, casos extremos, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Lá, o repasse diminuiu de R$ 4,27 milhões para R$ 1,07 milhão. Somente os gastos já empenhados somam R$ 2,02 milhões, o que deixa a instituição no vermelho. Sem encontrar outra saída, a decisão foi paralisar as pesquisas. Em outras universidades, o dinheiro, que normalmente era enviado no mês de fevereiro ou março, nem chegou. “Os programas que obtiveram nota 6 da Capes ainda não receberam recurso algum neste ano”, afirma Edilson Silveira, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a contenção é tamanha que as defesas de tese e dissertação não têm mais verba para pagar diárias de professores de fora da instituição para participação em banca, sendo que ter pelo menos um discente externo é item obrigatório na maioria dos cursos. A solução tem sido realizar conferências via Skype. Aluno de doutorado em engenharia química na mesma universidade, Alan Ambrosi, 30 anos, viajou para Boston, nos Estados Unidos, para apresentar um trabalho em um congresso. O auxílio financeiro no valor de R$ 3.822,67 havia sido aprovado para ele e outra colega, mas seria repassado somente após a viagem. “Tivemos a infelicidade de retornar e ouvir que não havia sinais de ressarcimento do valor aprovado. As contas de inscrição, passagens, diárias chegam e nos desdobramos para poder pagá-las”, afirma. A bolsa para um doutorando é de R$ 2,2 mil e, para mestrando, é de R$ 1,5 mil. Mas esses valores são destinados a gastos pessoais básicos, como moradia, alimentação e transporte. Para Guilherme Rollim, coordenador geral da associação de pós-graduandos da UFRGS, uma vez que existe a exigência de apresentar trabalhos em eventos para concluir a formação, o corte de verbas para viagens comprometerá a conclusão de trabalhos, além de impedir pesquisas de campo. “Pagaremos para trabalhar.”

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Em nota, a Capes assegura o repasse de R$ 2,52 bilhões para o fomento do sistema nacional de pós-graduação em 2015. Cerca de R$ 2 bilhões serão destinados às bolsas, que não sofrerão nenhum arrocho. Os 8% a menos no repasse da Capes são referentes justamente ao corte nas verbas de custeio, os 75% a menos que têm tirado o sono de mestrandos e doutorandos, segundo o Foprop. “Entendemos que o governo preferiu manter as bolsas em detrimento do custeio da pós-graduação, mas esses gastos são imprescindíveis”, afirma Gustavo Henrique Rigo Canevazzi, 27 anos, aluno de doutorado em ciências fisiológicas da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e diretor da Associação Nacional de Pós-Graduandos. 

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Foto: Marcos Nagelstein/Ag. Istoé 

Fonte: IstoÉ

Foto: Bruno Bou Haya
Foto: Bruno Bou Haya

O 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, realizado entre os dias 12 e 17 de julho, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), contou com vasta programação, que incluíram debates acerca do Financiamento da Ciência Brasileira, duas conferências, uma mostra científica e atos políticos contra os cortes orçamentários na Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, além de programação cultural diversificada e a comemoração dos 29 anos da entidade.

Com tão vasta programação, não poderia ser diferente que os ex-presidentes da Associação Nacional de Pós-Graduandos estivessem presentes nos debates, prestigiando o evento.

Luana Bonone, que foi nossa presidenta na gestão 2012-2014, foi uma delas. Em entrevista à nossa equipe, Luana comenta as lutas de sua gestão, a situação do Brasil e a luta dos pós-graduandos. Confira:

-Você é mestre ou doutora em qual programa e por qual universidade?
Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

– Quais foram as principais lutas empreendidas durante a sua gestão?
Como no congresso que nos elegeu foi anunciado o reajuste de bolsas conquistado na gestão anterior, nossas principais bandeiras passaram a ser por um mecanismo permanente de valorização das bolsas, garantia de inclusão dos pós-graduandos no PNAES (Plano Nacional de Assistência Estudantil) e universalização das bolsas de pesquisa para pós-graduandos. Debatemos bastante também os critérios de avaliação dos programas pela Capes, questionando o produtivismo exacerbado e valorizando os critérios de qualidade (reivindicando mais critérios qualitativos, inclusive). Outra pauta fundamental foi a recomposição do FNDCT (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia), desfalcado pela retirada dos recursos do petróleo deste fundo.

– Comente a situação do país durante sua gestão.
Vivenciamos o período em que o Brasil saiu do mapa da fome, conforme seria anunciado em setembro de 2014 pela ONU. Uso esse dado, anunciado após o final da gestão, para exemplificar de maneira contumaz a importância das políticas públicas de combate à desigualdade em curso naquele período. Entretanto, tais avanços conviveram com uma política econômica que, no sentido contrário, permaneceu alimentando a especulação do capital financeiro em lugar da produção, em que pese os debates sobre inovação terem ganhado vulto. O MCT virou MCTI em 2011 e isso trouxe impactos importantes na política do ministério, que viu na inovação uma espécie de tábua de salvação da indústria nacional (em contraste com a política de juros altos praticada). Entretanto, neste processo, por diversas vezes o investimento em ciência básica chegou a estar ameaçado e a lógica de financiamento buscava favorecer em especial as grandes corporações e instituições (havia uma tese sendo defendida, de que a FINEP deveria se converter em uma instituição financeira, um banco, por exemplo). Por outro lado, a pós-graduação brasileira cresceu no período, assim como os investimentos públicos em Educação e em C,T&I.

– Como você vê a ANPG antes e como enxerga agora?
Tive a oportunidade de conhecer a ANPG quando eu ainda estava na graduação, na UFMG, e cheguei a contribuir na organização de um congresso em Belo Horizonte, em 2006. Naquela época o congresso da ANPG não reunia muito mais que 100 pessoas. Lembro que discutia-se com muita urgência a inserção dos recém mestres e doutores no mercado de trabalho, pauta sem dúvida ainda bastante atual. Bom, desde então vi a ANPG crescer muito em termos de participação dos pós-graduandos nas suas atividades, em termos de visibilidade, de articulação junto a outras instituições e junto ao Poder Público, em termos mesmo de produção científica, por meio da revista e das mostras. Em 2009 foi criado o Salão Nacional de Divulgação Científica, que é um espaço muito rico de debate, troca, elaboração, divulgação e manifestações política e cultural. Penso que o poder de mobilização e influência da ANPG cresceu e tem potencial para crescer ainda mais. O que nunca mudou foi a certeza de que a ANPG, desde a sua fundação, cumpre um papel fundamental de organização e articulação dos pós-graduandos, dando espaço para atuação, debate e elaboração de pautas, contribuindo inclusive na formação cidadã e política de pessoas que tendem a ter espaços importantes de atuação na sociedade, seja em universidade, em instituições públicas, institutos de pesquisa ou atividades no setor privado. 

– Na sua opinião , quais os principais avanços na luta dos pós-graduandos ao longo dos 29 anos da ANPG?
Bom, a política de vinculação das bolsas aos salários docentes chegou a ser implementada no ano de 1985 por proposição e mobilização da ANPG. Ainda que tenha caído poucos meses depois, esta conquista foi histórica e até hoje é referência na elaboração das pautas dos pós-graduandos. A ANPG também mobilizou pós-graduandos contra o fechamento da Capes durante o governo Collor, na década de 1990, outro marco importante. A partir dos anos 2000 a entidade passou a compor as comissões que elaboram os PNPG (Plano Nacional de Pós-Graduação), além de ter voz e voto no Conselho Técnico-Científico e no Conselho Superior da Capes, e mais recentemente conquistou assento também do Conselho Deliberativo do CNPq. Esta conquista de espaços quer dizer que a ANPG tem canais para influenciar a elaboração e implementação da política nacional de pós-graduação e pesquisa. Usamos esses canais, por exemplo, para garantir a publicação da Portaria que garante licença-maternidade às bolsistas Capes em 2011 (o CNPq já implementava tal política). Mas o marco da geração que eu participei foi na gestão em que a Elisangela Lizardo presidiu a ANPG, quando conseguimos realizar uma paralisação nacional de pós-graduandos, mobilizando APGs e grupos de pós-graduandos em todo o país pelo reajuste das bolsas de pesquisa (que completavam quatro anos sem qualquer reajuste). No mesmo período, fizemos uma campanha com um vídeo na internet chamada “#MinhaBolsaNãoAumentou” que viralizou. E o resultado foi que, mesmo não estando previsto no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional, foi anunciado o reajuste de bolsas pelos presidentes da Capes e do CNPq no próprio congresso da ANPG em 2012.

– Comente a atual situação em que passa o Brasil e quais são os desafios que a ANPG precisará enfrentar nos próximos tempos na luta por mais direitos para os pós-graduandos?
Penso que o Brasil vive um momento de crise econômica e social. É um período bastante delicado, pois nos anos anteriores tivemos avanços importantíssimos em termos de mobilidade social, acesso a direitos (inclusive educação) e redução da pobreza. Entretanto, o ambiente internacional conturbado, marcado por uma política de guerras (Afeganistão, Iraque, Palestina, etc.) e de crise financeira com impactos.

Confira as entrevistas com outros ex-presidentes da ANPG:

Especial ex-presidentes no 4o Salão – Hugo Valadares

Especial ex-presidentes no 4o Salão: Elisangela Lizardo

Da Redação

Após conceder 101.446 bolsas de intercâmbio para estudantes brasileiros, o Programa Ciência sem Fronteiras passa por reformulação. Segundo o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carlos Afonso Nobre, o governo brasileiro está estudando diretrizes para a segunda edição do programa.

A tendência, segundo ele, é aumentar as bolsas para a pós-graduação.Muitos dos alunos que participaram do Ciência sem Fronteira, no estágio da graduação sanduíche, se interessaram em continuar os estudos e ir para a pós-graduação, acrescentou. Portanto, “é natural, até para dar vazão ao interesse que o programa gerou nesses estudantes, que o Ciência sem Fronteiras 2 tenha oportunidades de pós-graduação”, disse Nobre.

O presidente explica que o Ciência sem Fronteiras permitiu o intercâmbio acadêmico ainda na graduação, algo que antes era financiado pela Capes apenas na pós-graduação. Na primeira fase do programa, 78,9% das bolsas foram concedidas a graduandos. “A tendência é aumentar as bolsas para a pós-graduação, mas os parâmetros finais ainda não foram definidos”, mas ele acredita que as diretrizes sejam fixadas “nos próximos meses”.

A segunda edição do Ciência sem Fronteiras foi anunciada em meados do ano passado, pela presidenta Dilma Rousseff, que prometeu mais 100 mil bolsas de 2015 a 2018. Com o contingenciamento no Orçamento, o programa também sofrerá cortes, de acordo com o Ministério da Educação. Nenhum edital da nova edição foi lançado ainda.

O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 com a meta de conceder inicialmente 101 mil bolsas – 75 mil bancadas pelo setor público e 26 mil por empresas privadas. As bolsas são voltadas para as áreas de ciências exatas, matemática, química e biologia, engenharias, áreas tecnológicas e de saúde. O objetivo é promover a mobilidade internacional de estudantes e pesquisadores, e incentivar a visita de jovens pesquisadores altamente qualificados e professores seniores ao Brasil.

Fonte: Agência Brasil

*Por Laís Moreira

Até quando a distância entre a ciência e o pesquisador não poderá ser calculada? O incentivo em pesquisa nas suas mais diversas instancias tem sido reivindicado e necessário. Surge uma militância com características específicas que clama pela difusão da ciência, mais financiamento e democratização do acesso. Mostrando que a ciência não só é sem fronteiras como é sem idade e sem preconceito.

A luta pela valorização da ciência, tecnologia e inovação está mais conectada do que se pensa, viemos do senso comum de acreditar que a pesquisa não é para os normais. Neste momento sofremos os cortes nas verbas de pesquisa que em alguns casos chegam a 75%, o ataque a Petrobrás que representa diretamente menos investimentos na área além de um forte ataque à engenharia nacional, assédio moral, bolsas precisando ser reajustadas e até garantidas, mas em contrapartida e contrariando tudo isso, o povo quer ciência.

E vários tem sidos os sinais de que o nosso país precisa mudar sua forma de tratar a relação Ciência e Cientista para que tenhamos um resultado positivo nesta equação. A efervescência da ciência no mundo revela ótimas fotografias como a ciência, tecnologia e inovação servindo de estratégia para integrar os BRICS. Os chefes de estado dos dos cinco países ( Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), reconhecem a importância do pacto pela ciência, para avançar na luta contra as desigualdades sociais, melhorar a participação no cenário da economia mundial e inclusive valorizar o capital humano descoberto ou atraído por suas universidades.

A Ciência tem mostrado sua face popular e o desafio do Brasil é não só garantir sua utilização em favor do progresso do seu povo como é responsável por viabilizar o acesso à ciência e criar em todos uma mentalidade cientifica. A preocupação dos brasileiros com temas comuns como: desmatamento da Amazônia, mudanças climáticas, transgênicos, pesticidas e outros é uma prova do inicio dessa mudança cultural. Se preocupar, ser curioso, experimentar são pilares da ciência.

Enfim, as estatísticas são duras. Segundo pesquisa elaborada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, 94% dos brasileiros não lembram o nome de nenhum cientista famoso, 87% não lembra o nome de nenhuma empresa que dedique a pesquisa cientifica no Brasil, apenas 29% dos brasileiros frequentaram uma biblioteca nos últimos 12 meses e 31 % tem vontade de frequentar um museu embora não exista em sua região.

Mas ainda assim 78,1% acreditam que deve haver mais investimentos em Ciência, tecnologia e inovação no Brasil e indicando suas prioridades que vão desde medicamentos até novas formas de energia. A verdade é que a ciência não tem pátria, mas o cientista sim. Tenhamos isso em mente e seremos cada dia mais brilhantes.

*Laís Moreira é bacharel em Educação Física e especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional

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Amanhã (29), os Pós-Graduandos em Saúde que estiverem participando da reunião da ABRASCO estão convidados a participar de uma reunião às 16h30. O encontro acontecerá na Tenda ABRASCO JOVEM.
Desde o primeiro dia do 11º ABRASCÃO/2015 o Fórum Nacional de Pós-Graduandos em Saúde (FNGPS) da ANPG tem realizado discussões sobre”Formação e Direitos dos Pós-Garduandos em Saúde e os principais enfrentamentos no cotidiano” com o intuito de potencializar e dinamizar a participação dos pós-graduandos dos diversos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva e de áreas afins.
Os estudantes de pós-graduação reunidos no Fórum Nacional de Pós-Graduandos em Saúde (FNPGS/ANPG) convidam todas e todos interessados em debater a conjuntura política atual da pós-graduação brasileira, sobretudo da saúde coletiva e a sistematizar o posicionamento desse coletivo frente aos enfrentamentos vivenciados no cotidiano da formação.
Mantenha-se em contato com a sua representação. Conecte-se e participe dos canais:
Grupo do Fórum Nacional de Pós-Graduandos em Saúde (Facebook)
E-mail: [email protected]
Grupo no Gmail: [email protected]

Nesta semana, Guilherme Beiró, aluno da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), afirmou que sofreu assédio sexual e moral ao longo de seis anos de curso. A violência teria partido de um professor e a denúncia não foi feita antes pois o estudante de jornalismo tinha medo de represálias. A situação fez com que a instituição divulgasse nota de posicionamento.

O relato de Beiró publicado no Facebook explica que o abuso foi cometido por professor conhecido da universidade e que a pressão psicológica era imensa. “O desgaste emocional é absurdo. É o tipo de situação que quem nunca passou jamais saberia como é. Mas eu passei, eu senti e eu fui, por todas as relações de poder envolvidas entre aluno/professor e profissional/mercado de trabalho, extremamente humilhado e abusado”, escreveu. Beiró afirma, ainda, que tem provas do abuso, como mensagens explícitas.

No texto, ele comenta que, agora que está se formando, quer garantir que o professor não será capaz de repetir com outros alunos o tipo de atitude. Embora não cite o nome do professor, o estudante ressaltou que quem passou pelo curso de jornalismo da universidade sabe de quem ele está falando. “Não fui o primeiro, mas espero ter sido o último. Meu objetivo é, com isso, buscar orientar outros alunos que sofreram abuso, seja sexual, moral ou de ambos os tipos, a como dizerem basta”.

Em matéria do Zero Hora, a PUC-RS posiciona-se sobre o tema. Segundo as informações, por enquanto, a situação do professor está inalterada e que ele permanece na grade curricular para o próximo semestre. “A PUC-RS informa que um aluno apresentou denúncia ao coordenador do curso de Jornalismo e ao diretor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) sobre comportamento indevido de um docente do curso. O estudante e o professor foram ouvidos pelo coordenador e pela direção da Faculdade. A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Jurídica da Universidade, que avaliará a instauração ou não de sindicância, em caráter de sigilo, visando a preservar o direito à privacidade das pessoas referidas na denúncia”, explicou a instituição.

Fonte: Portal Comunique-se