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Jornalista ANPG

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Nesta terça-feira (24), de modo virtual, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) realizou a primeira reunião de sua nova diretoria executiva, nomeada após o 29º Congresso da entidade, em julho passado.

A pauta da reunião abordou a conjuntura política do país, o calendário a ser estabelecido pelo Congresso Nacional para discussão e aprovação da Lei Orçamentária Anual para 2025 e a necessidade de mobilização dos pós-graduandos para garantir a ampliação dos recursos destinados à Educação e Ciência e Tecnologia, bem como um novo reajuste de todas as bolsas de estudo e que contemple as necessidades dos pesquisadores de doutorado-sanduíche, que não foram favorecidos em 2023.

Foi aprovado o lançamento de uma nova campanha de mobilização pelo reajuste e a realização de uma blitz junto ao Congresso Nacional para dialogar e pressionar deputados e senadores durante os debates da PLOA-2025.

De acordo com Vinícius Soares, presidente da ANPG, o momento exige foco no andamento do orçamento para conseguir espaço para as demandas da pós-graduação. “O Brasil vive um momento de crescimento econômico, que, segundo o próprio Ministério da Fazenda, vai superar os 3,2% neste ano. Portanto, o governo está arrecadando mais e, se tiver a direção política correta, vai investir no setor que pode fazer com que esse ciclo seja sustentável, a ciência e tecnologia”, afirmou.

Para Vinícius, a pressão social será fundamental para esse objetivo. “As escolhas políticas de um país se expressam no orçamento público, que também é reflexo das forças sociais que atuam politicamente. Para conquistar o novo reajuste de todas as bolsas e fazer justiça para os pesquisadores do PDSE, precisaremos ter muita mobilização e capacidade de pressão junto ao governo e ao Congresso. Esse é nosso foco agora”, finalizou.

O pós-graduando pernambucano Vinícius Soares, doutorando em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi reeleito para a presidência da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) no biênio 2024-2026.

O candidato da chapa “Unidade para Reconstruir o Brasil através da Ciência”, composta pela unidade de todas as correntes políticas participantes do 29º Congresso, foi eleito por aclamação pelos delegados e delegadas presentes na plenária final.

Vinícius Soares é natural do Recife (PE), tem 31 anos e se formou em Ciências Biológicas pela Universidade de Pernambuco (UPE). Cursou mestrado em Biologia Celular Molecular Aplicada na mesma Instituição e agora faz doutorado na UFRJ.

Como presidente da entidade nos últimos dois anos, Vinícius liderou diversas lutas e conquistas para os pós-graduandos, tais como o reajuste das bolsas de estudos, a aprovação do Plano Nacional de Assistência Estudantil, a nova Lei de Cotas e a Lei da Licença Parentalidade, dentre outras.

Na manhã deste sábado (13), o Congresso da ANPG recebeu a ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, que apresentou uma prestação de contas das ações da pasta e apontou perspectivas de novas realizações. Participaram da recepção o presidente da ANPG, Vinícius Soares, e a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, professora Sandra Goulart.

Em sua apresentação, Vinícius alertou que, mesmo com os esforços da atual gestão, as defasagens orçamentárias acumuladas desde 2016, agravadas no governo Bolsonaro, criaram um cenário de riscos potenciais para a ciência nacional. “Há uma crise de quadros técnicos, causada por um eclipse de direitos sociais e desvalorização por estarmos na condição híbrida. Nos últimos anos, tivemos evasão de 30 mil pós-graduandos e deixamos de titular 9 mil doutores”, disse.

Segundo o presidente da ANPG, hoje a pós-graduação é muito mais diversa do que no passado e isso exige novas políticas públicas. “Os filhos do pedreiro e da empregada doméstica estão virando doutores. O Brasil precisa investir 2,5% do PIB em C&T para dar sustentabilidade ao parque de ciência e tecnologia e garantir o desenvolvimento e a soberania nacional”.

A reitora Sandra Goulart exaltou a volta do diálogo democrático entre gestores das universidades e o governo federal, algo interrompido no governo anterior, e fez ecoou o presidente Lula para dizer que recursos destinados para educação devem ser vistos como investimentos. “Termos pessoas que nos escutem e lutem para melhorar, já é um alento. As universidades estão maiores e melhores em relação a 15 anos. Isso custa caro, mas, como diz o presidente, é investimento. Nossa luta é a luta de vocês, por um país mais justo, equânime”, afirmou.

Luciana Santos, primeira mulher a dirigir o Ministério de Ciência e Tecnologia, fez um balanço das realizações de um ano e meio de governo Lula e reafirmou compromissos caros aos pós-graduandos. “O Brasil voltou, voltou pela reconstrução de políticas públicas. A volta do impulso à vacinação, o Minha Casa, Minha Vida – que tinha sido retirado para as famílias mais pobres -, o Farmácia Popular, retiramos 24 milhões de pessoas do mapa da fome só no ano passado”, elencou, entre diversos outros feitos.

Luciana fez duras críticas à condução do Banco Central na política monetária, que manteve a taxa Selic em 10,5% na última reunião do Copom mesmo com a inflação sob controle. “Não já justificativa para o Banco Central manter as mais altas taxas de juros do planeta. Se temos a inflação sob controle, a melhor taxa de empregos dos últimos anos, o conjunto dos indicadores econômicos são bons. É por isso que temos que dizer em alto e bom som: não às absurdas taxas de juros!”, disse a ministra, sendo aplaudida pelo público.

Por fim, Luciana Santos lembrou o reajuste das bolsas de estudos realizado em fevereiro de 2023, apontou medidas para fixar jovens talentos e se comprometeu a apoiar reivindicações apresentadas pela ANPG ao governo. “Nosso compromisso com os pós-graduandos não se encerra com o reajuste das bolsas. Queremos que o Brasil seja acolhedor para pesquisadores. Vamos combater a fuga de cérebros, precisamos garantir uma política de reajuste permanente das bolsas. Precisamos garantir que o tempo dedicado seja contado para fins de previdência. Vocês podem contar comigo, serei porta voz permanente de apoio a essas reivindicações”, finalizou.

Filhos de pós-graduandos apresentam reivindicações à ministra

Durante a conferência de Luciana Santos, quatro crianças filhas de pós-graduandas subiram ao palco para ler uma carta em que reivindicaram poder acompanhar os pais em viagens. “Nós, crianças, falamos por nós mesmas, por todos do Brasil. Nossas famílias são formadas por pesquisadores e pós-graduandos. Nós, crianças, não podemos viajar com nossos pais, porque o fomento não é liberado para nós. Nossas vidas são diferentes, nós sabemos e temos alguns problemas, como não poder viajar com nossos pais quando fazem o sanduíche [bolsa sanduíche]. Nossos pais, quando não recebem bolsa, estudam e trabalham, ficam muito acarretados [atarefados] de coisas e ainda precisam cuidar de nós. Por favor, não esqueçam de nós”, apresentaram.

Na manhã de sábado, 13 de julho, no auditório da UFMG, durante a participação da ministra Luciana Santos no 29º Congresso da ANPG, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) lançou o livro “FINEP e a neoindustrialização – Uma contribuição à 5ª CNCTI”.

Participaram do ato o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da empresa, Carlos Aragão, e Fernando Peregrino, que organizou a obra junto com Celso Pansera, presidente da FINEP.

O livro sistematiza as contribuições de representantes do governo, dos trabalhadores, da comunidade empresarial e técnico-científica no debate sobre a reindustrialização do país, assim como as propostas a serem levadas à 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que será realizada em Brasília.

Na noite desta sexta-feira, de 12 de julho, no auditório central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi realizado o ato de abertura do 29º Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

A mesa foi composta por Vinícius Soares, presidente da ANPG; Ana Priscila, vice; Leonardo Alves, secretário-geral; a reitora da UFMG, professora Sandra Goulart; Thaís Oliveira, coordenadora-geral da APG da UFMG; Selma Bazan, vice-regional sudeste da ANPG; e Nilson Florentino,

Na saudação inicial, Vinícius lembrou a conjuntura adversa que vivia o país quando a gestão assumiu, ainda sob governo Bolsonaro e com o desmonte da educação e da ciência, e apontou o papel fundamental dos estudantes na vitória de Lula e na reconstrução do país. “Essa gestão foi eleita numa encruzilhada histórica. Não sabíamos se teríamos que resistir ao Brasil da barbárie ou se teríamos o Brasil da redemocratização. Chegar até aqui não foi fácil, pois enfrentamos uma noite longa de quase 6 anos, em que foram atacados os pilares da democracia e da República. Mas, com muita luta, os pós-graduandos tiveram atuação decisiva para derrotar o negacionismo nas urnas”, afirmou, recordando que o movimento estudantil foi responsável por alistar 2 milhões de jovens para votar, a mesma diferença que garantiu a vitória de Lula.

Vinícius também elencou as diversas conquistas da ANPG no último período, como o reajuste de bolsas, a nova lei de cotas e plano nacional de assistência estudantil, ambos com a inclusão da pós-graduação.

A reitora Sandra Goulart saudou as delegações ao 29º Congresso e falou da esperança vivida atualmente nas universidades, após tantos ataques sofridos nos últimos anos. “É um momento de grande esperança, momento de esperançar por dias melhores, de lutar para um país que nós queremos melhor. Temos que estar juntos na defesa da educação que queremos, que seja um bem público, de qualidade, e um dever do Estado”, disse.

Ana Priscila lembrou que o negacionismo científico foi responsável por milhares de mortes na pandemia e o contraponto a ele é a ciência, capaz de produzir saídas para os dilemas dos povos. “Quando falamos da importância dos pesquisadores, estamos falando do Brasil que queremos construir. Quando assumimos, estávamos há mais de 10 anos sem reajuste nas bolsas e, graças a muita mobilização, conseguimos avançar”, apresentou, destacando as diferenças entre os projetos políticos.

O secretário-geral Leonardo Alves celebrou as recentes vitórias eleitorais da esquerda contra a extrema-direita na França e na Inglaterra e disse que a ANPG deve ser afirmativa na luta por direitos e contra o neoliberalismo. “Nós devemos dizer o que defendemos com todas as palavras, porque nós queremos uma vida digna. A ANPG é uma entidade para lutar pelos direitos dos pós-graduandos e não há condições de criar um projeto de ciência e tecnologia, saúde, educação enquanto houver o arrocho fiscal. A ANPG deve dizer em alto e bom som que quer o fim do arrocho fiscal!”.

Nilson Florentino, da Secretaria Nacional de Juventude, falou do compromisso e da parceria que o órgão mantém com a ANPG, através do diálogo democrático com as pautas apresentadas. “Esse evento é muito importante para a formulação das políticas públicas de juventude. A SNJ recebeu a ANPG logo no início do governo e conseguiu avançar junto aos órgãos competentes para debater o reajuste e as demais pautas da ANPG, que agora tem sido entregues pelo governo”.

Selma Bazan, vice regional sudeste, comemorou que sua universidade, a UFMG, sedia “o maior Congresso da ANPG da história”. “Isso é fruto do movimento feito nas universidades, da luta de cada APG”, disse.

Última oradora, Thaís Oliveira, coordenadora da APG UFMG, registrou a importância do Congresso para que os estudantes possam trocar experiências e debater temas importantes para a pós-graduação de um país continental, múltiplo e diverso como o Brasil. “Estamos século XXI, mas o Brasil apresenta desigualdades persistentes e que vão contra a sociedade que queremos. A pós-graduação de hoje é muito mais diversa do que anos atrás. O lugar das mulheres pretas, das pessoas LGBTQI, das pessoas com deficiência é na pós, sim! Nós chegamos aqui e não vamos retroceder”, finalizou.

No final da manhã desta sexta-feira (12), no auditório da UFMG, ocorreu a mesa de encerramento do 4º Encontro de Mulheres Estudantes da ANPG. Participaram do debate “As tarefas do cuidado e da reprodução da vida na jornada das pós-graduandas” a ex-deputada federal Jô Moraes, a doutoranda em História e ex-vice presidenta da ANPG, Stella Gontijo, e a doula e jornalista Renata Regina.

Jô Moraes abordou as grandes e rápidas mudanças na sociedade atual, que refletem em agravamento das desigualdades sociais e impactam profundamente a vida cotidiana das mulheres. A ex-parlamentar destacou que hoje, mais do que nunca, é necessário buscar saídas coletivas para os dilemas que afligem a todos, especialmente as mulheres. “As pessoas não dependem somente de seu esforço pessoal. A convivência solidária assumiu nova dimensão na vida. A disputa que temos contra a ideologia hegemônica do neoliberalismo é que toda conquista depende do seu esforço pessoal e nós temos que combater essa visão, porque vivemos numa sociedade em que se não houver convivência solidária e políticas públicas do Estado, não teremos melhorias”, apontou

Para Renata Regina, a falta de políticas públicas estruturantes e a cultura meritocrática existente na academia é um dos maiores entraves para que as pesquisadoras tenham evolução na carreira após a maternidade. “Existem pesquisas que demonstram que as mulheres, após terem filhos, produzem menos artigos científicos e têm dificuldades para dar seguimento às pesquisas já em andamento. Elas não encontram suporte, seja pelo período ainda limitado de licença-maternidade, seja pelas cobranças desmedidas. Isso é determinante na carreira acadêmica dessas mulheres ao terem reduzidas suas publicações, porque a meritocracia é muito pulsante no meio acadêmico”, avaliou.

A ex-dirigente da ANPG Stella Gontijo demonstrou que as tarefas dos cuidados e da reprodução são preponderantes para o lugar ocupado pelas mulheres na produção de conhecimento, como se determinadas áreas do saber fossem as “reservadas” a elas. “Nós hoje somos 70% nas grandes áreas da Capes, da Saúde, Linguística, Letras, Artes e Ciências Humanas. Mas somos menos de 30% nas Exatas e nas Engenharias. Isso não é só questão de gosto pessoal, é uma forma como a divisão sexual do trabalho e a nossa responsabilização histórica e estrutural pelos cuidados vai se manifestar, como o lugar que a gente ocupa na produção de conhecimento e na academia”, caracterizou.

Ao final, foi apresentada uma carta produzida no Encontro com 16 pontos de reivindicação para basear as campanhas da ANPG por igualdade de gênero na pós-graduação.

O desenvolvimento científico de um país é uma obra feita a milhares de mãos, pois a ciência é uma construção social. Para que isso seja realizado com êxito é fundamental valorizar os cientistas, dar visibilidade a suas elaborações e pesquisas, fazendo com que mais pessoas se interessem pelo tema.

Com esse intuito, a ANPG firmou parceria com o Instituto Serrapilheira para a realização do 6º Salão Nacional de Divulgação Científica, evento que ocorre entre os dias 11 e 14 de julho, na Universidade Federal de Minas Gerais, durante os trabalhos do 29º Congresso Nacional da entidade.

A iniciativa integra estudantes do ensino médio, universitários, pós-graduandos e professores para produzir e debater a produção de conhecimento no país. O Instituto Serrapilheira, entidade privada, sem fins lucrativos, e voltada à promoção da ciência, somou-se ao desafio para ajudar a divulgar os trabalhos científicos de dezenas de pesquisadores.

“Um país tão grande e diverso como o Brasil precisa ter milhões de pessoas produzindo ciência, dialogando com os problemas e potenciais de suas localidades, buscando soluções que beneficiem o povo. Para isso, é necessário divulgar e popularizar a ciência. A ANPG e o Serrapilheira contribuem para isso com o 6º Salão Nacional”, afirmou Rarikan Heven, diretor de Comunicação da ANPG.

Os países mais desenvolvidos e prósperos do mundo são aqueles que mais investem em ciência, tecnologia e inovação, buscando dinamizar os processos produtivos, ampliar a competitividade das indústrias e, consequentemente, proporcionando melhores empregos e condições de vida a seus povos.

O Brasil, desde 1967, conta com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), uma empresa pública voltada ao fomento de projetos inovadores em ciência e tecnologia realizados por universidades, institutos tecnológicos e também empresas privadas.

Ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, a FINEP atua como secretária-executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), uma das principais fontes de financiamento ao setor no país.

A Finep é uma das patrocinadoras do 29º Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduandos, a entidade representativa de mestrandos e doutorandos stricto sensu e lato sensu no Brasil, já que cerca de 90% da produção científica do país acontece pelas mãos dos pós-graduandos, através do desenvolvimento de suas pesquisas.

Para Vinícius Soares, presidente da ANPG, o Congresso da ANPG é um momento singular de aproximação entre o órgão governamental que tem como missão a busca de desenvolvimento sustentável com a mão de obra especializada que constrói a ciência nas universidades. “Para nós, pós-graduandos, é fundamental ter a perspectiva de que nossa produção científica, tão importante para o desenvolvimento do país, terá amparo do Estado para continuar avançando. A reconstrução do Brasil será viabilizada através da ciência e a FINEP cumpre papel destacado nesse projeto”, afirmou.

Na manhã desta quinta-feira (11), na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG), teve início a programação do 29º Congresso Nacional da ANPG com a realização do 4º EME “Mulheres cientistas produzindo saberes por um Brasil soberano”.

A abertura da mesa foi feita por Amanda Mendes, diretora de Mulheres da ANPG, e teve participações de Ana Priscila, vice-presidenta da entidade; da professora Isabela Almeida Pordeus, pró-reitora de pós-graduação da UFMG; Thaís Oliveira, coordenadora-geral da APG-UFMG; Carolina Giovannetti, coordenadora-geral da APG-UFMG; Bárbara Ravenna, presidenta da União Brasileira de Mulheres-MG; Karina Morais, coordenadora estadual da Marcha Mundial das Mulheres; e professora Lucinha, da Faculdade de Educação da UFMG.

A pesquisadora Carol Giovannetti falou sobre as dificuldades impostas às mulheres para ascensão na vida acadêmica e exemplificou com a brusca redução da presença feminina nas carreiras da educação básica e do ensino superior. “As mulheres são 80% na educação básica, chegam a mais de 90% no ensino infantil, 97% nas creches, mas no ensino superior isso cai para 47%. Isso demonstra o desprestígio e a luta que as mulheres têm para subir na carreira acadêmica”, afirmou.

Para ela, tal fenômeno evidencia a construção social que localiza a mulher como responsável exclusiva pelos cuidados. “Esse quadro reforça a característica de ligar o trabalho das mulheres aos cuidados, como se vê no caso das creches”.

Segundo Karina Morais, é necessário discutir e modificar o sistema de produção, pois a divisão do trabalho é excludente e não reconhece o trabalho dos cuidados, que é visto como obrigação apenas das mulheres. “É preciso conseguir avançar em políticas públicas que respondam à diversidade das necessidades e especificidades das mulheres. O trabalho reprodutivo e de cuidados não compõe a lógica do modelo econômico atual. Por isso, defendemos que esse trabalho, que diz respeito à sustentabilidade da vida, seja partilhado por todos”, pontuou a dirigente da Marcha Mundial de Mulheres

Para Barbara Ravena, conselheira municipal de Betim e presidenta da UBM-MG, a sociedade reduz as mães a um lugar único e não as reconhece em outros espaços, inclusive na academia e na produção científica, realidade que precisa ser alterada. “A atual geração de meninas está arrombando as portas, porque estão produzindo ciência desde a escola. A divisão sexual do trabalho nos coloca numa caixinha. A violência de gênero com as mulheres mães é maior. Parece que quando você decide ser mãe, não é possível estar em nenhum espaço além de ser mãe”.

Em depoimento pessoal emocionante, a professora Lucinha lembrou as dificuldades de sua infância pobre em Colatina (ES), quando mesmos as escolas públicas não eram acessíveis para as crianças negras do local. “Nós não tínhamos escola. As escolas eram só para os estudantes brancos, filhos das famílias italianas. Com 7 anos eu só estava na escola porque uma comunidade espírita abriu uma salinha lá no morro para nós sermos alfabetizados”, contou, ilustrando o quão improvável era para uma mulher pobre e negra chegar à condição de professora universitária.

“Eu trabalhei 10 anos de empregada doméstica e babá, dos 8 aos 18 anos. A gente não tinha condição nenhuma de sair de lá. Então, quando cheguei na UFMG, por razões inimagináveis, improváveis, no concurso um professor perguntou: como pode alguém de Colatina chegar até aqui? Eu disse a ele: eu fui conduzida por muitas forças, muitas energias, que começaram lá com minha mãe e minha avó lavadeiras”, concluiu.

Concluindo a mesa de abertura do 4º EME, Amanda Mendes relatou que ANPG está participando de um grupo de trabalho, que envolve o governo federal e a sociedade civil, para debater políticas públicas sobre a permanência materna na universidade e na pós-graduação. A intenção é elencar propostas concretas, como acesso dos filhos aos Restaurantes Universitários, criação de centros de referência de combate às violências dentro das universidades, dentre outras políticas que combatam a evasão de mães em razão dos cuidados com os filhos.

O período da tarde deste primeiro dia é reservado a grupos de debates dos seguintes temas: Previdência e mundo do trabalho; Saúde; A história que a História não conta; Estudos Urbanos; Mulheres Cientistas na Política.