
Cobertura jornalística durante a 9a Bienal da UNE:
09/02/2015 – ANPG participa de Culturata da 9a Bienal da UNE
09/02/2015 – Mostra de Ciência e Tecnologia tem saldo positivo e trabalhos inovadores
06/02/2015 – ANPG debate integração, internacionalização e mobilidade científica em quarto dia de seminário
06/02/2015 – Grupos de trabalho coordenados pela ANPG criam possíveis diretrizes para a melhora do SUS
05/02/2015 – ANPG debate os Impactos Sociais e Econômicos da Cooperação Internacional no terceiro dia do Seminário de Internacionalização
04/02/2015 – “O reconhecimento é um fator importante que nos move”, diz Ildeu de Castro, homenageado da Mostra de C&T
04/02/2015 – Programação da ANPG na 9a Bienal da UNE
04/02/2015 – Primeiro dia do seminário “Educação, Saúde e Desenvolvimento” traz debates sobre a universalização da saúde
04/02/2015 – ANPG debate a situação dos estudantes estrangeiros no Brasil
04/02/2015 – ANPG discute formação e contratação de recursos humanos no segundo dia do seminário de Internacionalização
03/02/2015 – Reunião da diretoria plena da ANPG discute calendário da Campanha por Mais Direitos aos pós-graduandos e Caravana à Brasília
02/02/2015 – Seminário de Internacionalização da Ciência Brasileira abre as atividades da ANPG na 9a Bienal da UNE
Matérias publicadas antes do evento:
28/01/2015 – ANPG promove Seminário de Saúde na 9a Bienal da UNE
26/01/2015 – ANPG na 9a Bienal da UNE
16/01/2015 – Participe das atividades da ANPG na 9a Bienal da UNE
07/01/2015 – Prorrogado o prazo para inscrição na Mostra Científica da Bienal da UNE
23/12/2014 – ANPG promove seminário sobre Internacionalização na 9a Bienal da UNE
23/12/2014 – Confira a errata do edital da Mostra de Ciência e Tecnologia da 9a Bienal da UNE
11/12/2014 – Passo a Passo: Inscreva seu trabalho na 9a Bienal da UNE
04/12/2014 – 9a Bienal da UNE: Abertas inscrições de trabalhos para mostra científica
17/11/2014 – 9a Bienal da UNE volta ao Rio de Janeiro em 2015 com o tema “Vozes do Brasil”
Lennon Corezomaé, do povo Umutina, foi aprovado no processo seletivo 2015 para o Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação
O estudante Lennon Ferreira Corezomaé será o primeiro pós-graduando indígena a cursar Mestrado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Lennon também foi o primeiro indígena a concluir o curso de Licenciatura em Educação Física na Universidade, em 2014, com desempenho acadêmico exemplar, e ao final do mesmo ano, foi aprovado no processo seletivo 2015 para o Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), na linha de pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos.
Abrindo as portas para o povo indígena na pós-graduação da UFSCar, Lennon desenvolverá nos próximos anos a pesquisa “Escola Indígena: compreendendo os processos educativos relacionados à afirmação da identidade Umutina”, que tem como objetivo compreender, a partir do olhar do seu povo, os Umutina, o papel da Escola Indígena Jula Paré na formação e valorização de sua identidade.
Para Lennon, a valorização da identidade do seu povo transmitida pela escola indígena é de grande importância. O agora educador físico conta que estudou em escolas não indígenas, onde algumas vezes foi discriminado por outras pessoas. “Quando se estuda na aldeia não tem isso. A gente se respeita, pode andar tradicionalmente, pode falar nosso idioma, fazer nossos rituais e ninguém discrimina a gente. É desse modo que a escola indígena nos fortalece”.
A metodologia da dissertação de Lennon terá como base a História Oral, a qual permite que minorias culturais e discriminadas, tais como indígenas, homossexuais e negros, dentre outros, encontrem espaço para validar suas experiências. Segundo o indígena, a academia é um espaço essencial para a discussão sobre as minorias, mas também há um problema, já que essa discussão geralmente não sai do âmbito acadêmico. “É importante abordar esses assuntos, pois é um momento de reconhecimento e de luta pelos nossos direitos. Temos que trazer as minorias para esse espaço”.
A conquista de Lennon evidencia mais uma vez a importância das políticas de ações afirmativas no Ensino Superior, contribuindo para que indígenas e não-indígenas aprendam uns com os outros, primando pela interação cultural e pela troca de saberes e de conhecimentos. Segundo Lennon, as ações afirmativas também são importantes para que as pessoas possam conhecer de fato o povo indígena.
“O que geralmente as pessoas conhecem é o que se passa na televisão ou o que aprendem na escola, que é superficial. Para muitos, o indígena é um selvagem que não trabalha, diferente do que a gente mostra quando chega aqui. Quando eles realmente conhecem um indígena brasileiro, o que nós fazemos, nossas lutas, nossas conquistas e nossas dificuldades, diminui um pouco o preconceito. Espero que as experiências diversas pelas quais eu passei me ajudem a trabalhar na questão indígena e ajudar meu povo e todos os povos indígenas que eu puder”, conclui Lennon.
Fonte: UFSCar
Fotos: Eduado Paulanti
A nona edição da Bienal de Arte e Cultura da UNE se encerrou na tarde da última sexta-feira (6) com milhares de estudantes unidos na orla do Rio de Janeiro para a Culturata, uma grande passeata em defesa das bandeiras do movimento estudantil. A manifestação, em clima de carnaval, contou ainda com o bloco da ANPG, “Tomara que Caia”, composto pelos diretores da entidade e diversos pós-graduandos de várias partes do Brasil.
A concentração teve início por volta das 16h, quando jovens de todos os cantos do país se reuniram no posto 9, em Ipanema, e juntos marcharam e cantaram até o Arpoador para celebrar os seis dias de encontros e trocas do maior festival estudantil da América Latina.
O ato começou sob forte chuva, e os estudantes predominaram na orla do Rio. A Polícia Militar chegou a tentar impedir a caminhada, mas ao final venceram a energia e a vontade da estudantada.
“Este evento, em especial, o seminário de Internacionalização [realizado pela ANPG durante a 9a Bienal da UNE], foi importante para percebermos que em todos os cantos do Brasil os pós- graduandos estão questionando um processo de internacionalização da ciência que não tem direção, não tem objetivo claro e que, por isso, acaba por desviar a ciência brasileira de seu propósito: o de propor soluções para os problemas do nosso povo. O sequestro da agenda de pesquisa e a debandada de cérebros estão entre os resultados desta internacionalização a todo custo”, diz Mariana Moura, da APG USP-Capital.
De megafone na mão, a presidenta da UNE, Vic Barros, puxou os gritos por um “Brasil de paz e sem violência”, e celebrou a “maior Bienal da história da UNE”. Vic também fez ecoar o canto pela reforma política, pela democratização da mídia, pela reforma universitária e por uma política econômica democrática.
“Aproveitamos esta manifestaçao cultural para levar para as ruas as bandeiras da Campanha por Mais Direitos para os Pós-Graduandos e as Pós-Graduandas, em especial a de valorização das bolsas de pesquisa, que sofreram atraso nos meses de dezembro e janeiro e estao com seus valores defasados. Além dessa pauta, defendemos também a universalização e um mecanismo de reajuste anual do valor, pois acreditamos que a bolsa de pesquisa nao é só um direito do pós-graduando, mas uma necessidade para um país que precisa investir muito mais em Ciência e Tecnologia”, diz Tamara Naiz, presidenta da ANPG.
Ao final, sob os tambores do Rio Maracatu, os estudantes tomaram a pedra do Arpoador e hastearam as bandeiras do movimento estudantil, gravando na história e na memória de todos a passagem de um encontro mais do que especial.
Da redação com informações da UNE
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Erica Pereira de Morais apresentando seu trabalho, na Mostra de Ciência e Tecnologia
Foto: Eduardo Paulanti
Na tarde da última quinta-feira (05), aconteceu a última sessão da Mostra de Ciência e Tecnologia, organizada e coordenada pela ANPG durante a 9ª Bienal da UNE. O evento contou com a apresentação de trabalhos, nos formatos comunicação oral e paineis gráficos, que abordaram diversas áreas da Ciência, e tiveram dentre os autores alunos da graduação e da pós-graduação.
Cem trabalhos foram selecionados para apresentação após apreciação dos resumos, anterior ao evento. Os estudantes se apresentaram na segunda (2), terça (3) e quinta-feira (5), na Fundição Progresso, Lapa, Rio de Janeiro.
Os painéis são apresentados diretamente aos interessados, mas deve independer do interlocutor “quem está lendo deve conseguir entender o trabalho através das informações textuais e gráficas contidas no painel, ou seja, deve ser uma forma de comunicação efetiva per si”. diz Phillipe Pessoa, Diretor de Cultura e Eventos Científicos e coordenador Geral da mostra científica da ANPG.
Nas sessões de comunicação oral, o estudante não apenas traz instrumentos visuais, como apresentações de slide, mas precisa apresentar e explicar o conteúdo e a ideia de sua pesquisa para o público. Além do conteúdo do trabalho, são observados a clareza dos slides, a postura e domínio do objeto de pesquisa. Os avaliadores trocam experiências, dicas e dão sugestões nos trabalhos ao longo da arguição.
Um dos trabalhos de comunicação oral da Mostra foi o de Felipe Almeida, graduando de engenharia civil da Universidade Federal de Uberlândia (MG), com o tema “Viabilidade técnica dos solos das regiões sul e sudeste de Uberlândia para aplicação em pavimentos rodoviários”, uma pesquisa de geotecnia que, segundo o próprio Felipe, tem mais relevância do que ele imaginava. “Eu não sabia que podia ser assim tão importante. Por isso é bom participar desse tipo de evento, pois a partir das críticas dos avaliadores, descobri que posso continuar aprimorando minha pesquisa”, conta o rapaz que, agora, pretende seguir para o mestrado com seu trabalho, que consiste em avaliar como o solo da região reage nos mais diversos testes, como de plasticidade, para possível uso da construção civil de maneira mais barata e com qualidade.
Já o trabalho de Érica Pereira de Morais consistia em uma avaliação do lixo proveniente de áreas ligadas à saúde. Com o tema “Diagnóstico de resíduos de saúde em Barreiras-Bahia”, a graduanda de Engenharia Sanitária Ambiental da Universidade Federal do Oeste da Bahia percorreu 100 estabelecimentos na cidade para descobrir como o lixo tóxico e de saúde estava sendo descartado e quais impactos este poderia ter na população e na vida de quem vive e trabalha a partir do lixão instalado no local.
“A cidade não tem nenhum plano municipal que gerencie os resíduos em geral e nem os de saúde”, diz Erica. Segundo ela, a maior dificuldade para a realização da pesquisa teria sido o fato de que não haveria nenhum tipo de bibliografia sobre o assunto e o local. Apesar disso, a Mostra de Ciência e Tecnologia não foi o primeiro evento no qual o trabalho foi apresentado. “Fomos para o Congresso Baiano de Engenharia Sanitária, em Feira de Santana e em outras cidades. É trabalhoso, mas vale a pena ”, afirma.
A pesquisa do doutorando em Geotecnia e Recursos Naturais, Pedro Luis Teixeira de Camargo, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), teve como tema “A Utilização do Mapeamento Pedológico e do Banco de Sementes na área da Região de Proteção Ambiental do Rio Pandeiros, no Vale do Jequitinhonha”; e como intuito gerar mapas de futuro para projetos de preservação ambiental que poderiam identificar o banco de sementes do bioma proposto, além do zoneamento socioeconômico da região. Segundo Camargo, que é formado em Biologia, o tema foi escolhido pois ele acredita que a ciência deve ter não somente uma contribuição acadêmica, mas também social.
“Essa é uma das regiões mais pobres do Brasil e os financiamentos para áreas como essa são menores, tendo em vista a falta de políticas públicas em Minas Gerais ao longo dos últimos doze anos”, completa o doutorando. Segundo ele, esse trabalho poderia contribuir para a preservação de um bioma e ajudaria na melhora de vida das pessoas residentes na área.
Finalizando a Mostra de Ciência e Tecnologia, que homenageou, na terça-feira, um dos grandes nomes da ciência nacional, o físico e professor Ildeu de Castro Moreira, o evento contou com cerca de 20 apresentações em painel e cerca de 10 comunicações orais por dia, trazendo uma maior aproximação dos pesquisadores com o público estudantil. “Sempre é muito produtivo acompanhar os trabalhos dos estudantes. A mostra científica cumpre esse papel de permitir a interação entre esses jovens pesquisadores e o intercâmbio de diferentes experiências cientificas. Em suma, é um evento que contribui para o avanço científico e tecnológico, incentivando a jornada de novos cientistas”, finaliza o coordenador geral, Phillipe Pessoa.
Por Magdalena Bertola, do Rio de Janeiro

“Internacionalização deve ser um processo de solidariedade e integração entre nossos povos”, afirmou Ricardo Guardia Lugo, presidente da OCLAE, durante Seminário de Internacionalização
Fotos: Eduardo Paulanti
A ANPG realizou a última mesa do Seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidade e Desafios”, na manhã desta quinta-feira (05), durante a 9ª Bienal da UNE. A discussão, que teve como tema “Integração, internacionalização e mobilidade científica e acadêmica na educação superior”, contou com a participação de Álvaro Maglia, secretário executivo da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), Ricardo Guardia Lugo, presidente da Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes (OCLAE), Mário Luiz Neves de Azevedo, Membro do Comitê Científico da ANPEd e Professor Associado da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Andrea Latge, representante da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“Última mesa do nosso seminário, o objetivo desse debate é discutir o aspecto mais educacional dessa internacionalização”, introduz ao tema a presidenta da ANPG, Tamara Naiz. “A mesa pretende promover uma discussão de relevância da Internacionalização da ciência brasileira no aspecto da educação”, complementa.
Em seguida, tomou a palavra Mario Luis, que iniciou sua fala dizendo que internacionalização da educação superior é circulação de ideias, compartilhamento de culturas. “Internacionalização pode gerar integração sim”, diz. Em seguida, ele atenta para o que chama de capitalismo acadêmico. Ele citou o acordo geral sobre comércio de serviços da OMC, de 1995, que diz que o campo do serviço deve ser desregulamentado. De acordo com esse acordo, a educação deve ser pensada como um serviço transnacional, ou seja, que não é limitado pelas fronteiras. Isso contribuiu para o aumento na oferta de vagas das instituições de ensino superior privadas. “Atualmente, 74% das matrículas no Brasil são em instituições privadas”, comenta.
Segundo ele, são 4 milhões de estudantes que estão em algum país que não o seu de origem. No entanto, desse número, apenas 30.000 desses alunos são brasileiros. “Um número muito pequeno”, diz. O professor explicou ainda que os países que primeiro recebem os estudantes tupiniquins são: Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha e Espanha.
Para finalizar sua fala, ele comentou sobre os “mitos da internacionalização”. Um dos exemplos citados foi o mito de que estudantes estrangeiros no campus são os agentes desse processo. “São, mas se eles ficarem no gueto não é internacionalização, é preciso interculturalidade”, diz. Outro mito é o de que reputação e rankings são fiadores da internacionalização. “É mito, porque você constrói esses dados”, explica.
Regionalização
O uruguaio Álvaro Maglia inicia sua fala, afirmando que internacionalização não é apenas movimentar pessoas, tem que haver um objetivo político claro. “Se não tivermos esse objetivo claro, estamos entregando nosso patrimônio de conhecimento de nossa gente de graça para os países desenvolvidos”, afirma.
Nesse sentido, ele diz, interessa para nós falar de pelo menos um conceito: a regionalização. “Nós da AUGM, utilizamos esse termo para dizer que é necessário criar um projeto político regional, que significa que nossos acadêmicos e científicos possam gerar um conhecimento autônomo adequado para o contexto dos nossos países da América Latina e Caribe. Esse conhecimento tem que estar a serviço do bem-estar e desenvolvimento dos nossos povos”, afirma.
A regionalização é uma proposta da AUGM, organização fundada em 1991, que propõe uma aliança entre as universidades latino-americanas e caribenhas, dentre as quais, 11 são brasileiras (8 federais e 3 estaduais).
“A primeira grande atividade da AUGM foi a 1ª Conferencia Regional Latino-Americana e Caribenha realizada em Havana (Cuba), em 1996, na qual participaram conselhos de reitores de todo o continente, além dos acadêmicos das universidades que compõem a AUGM. As conclusões desse evento foram importantes para definir as proposta da Conferencia Mundial da Educação Superior, em Paris, realizada pela UNESCO, em 1998. Isso contribuiu para que, nessa conferência, fosse definido que a educação superior é um bem público e social que é dever dos Estados [contradizendo o acordo da OMC, de 1995]”, explica Maglia.
Posteriormente, em Conferência Regional em Cartagena de Índias, na Colombia, 2008, foi estabelecido elementos para um plano de ação, dentre eles, a internacionalização, entendida como regionalização. Isso teria como objetivo promover um melhor desenvolvimento da academia e da ciência. “Esse primeiro plano de ação tem com tarefa a criação de um espaço de Ciência e Tecnologia regional da América Latina, com a missão de derrubar um conjunto de obstáculos políticos, que sabemos que existem”, explica.
Todas essas ações fizeram com que a UNESCO reconhecesse o protagonismo da AUGM e concedesse ao grupo uma sede em Montevideo. Essas contribuições se fundamentam a partir da melhor qualidade de formação dos profissionais acadêmicos latino-americanos, significando ter programas de pós-graduação muito fortes, com boa qualidade.
Internacionalização: solidariedade e integração
“Internacionalização deve ser um processo de solidariedade e integração entre nossos povos”, afirmou Ricardo Guardia Lugo, da OCLAE, que assumiu a fala na sequência de Maglia. O cubano afirmou ainda que é preciso uma mobilidade que responda aos interesses da América Latina e de nossos povos.
A OCLAE foi criada em 1986 para apoiar as organizações estudantis de educação superior. A entidade, desde o começo, se caracterizou como uma organização anti-imperialista, que tem um importante papel histórico na América Latina e Caribe.
“Nós, da OCLAE, consideramos que a mobilidade e a internacionalização são processos que tem grande importância. Esses não são conceitos que refutamos, mas devemos encará-los de outra forma. O processo de internacionalização tem que ser um processo de solidariedade e unidade dos países da América Latina. Defendemos um olhar regional e intra-regional de interação dessas universidades”, diz Lugo, concordando com o que havia dito Álvaro Maglia. “Por outro lado, devemos cuidar para que a mobilidade não vire um instrumento das perspectivas neoliberais”, acrescenta.
“Consideramos que a internacionalização e a mobilidade acadêmica devem servir para formar novas perspectivas, por exemplo, nas Engenharias, Humanidades, Energia. Seria maravilhoso se um estudante brasileiro estudasse no Chile e ao mesmo tempo tivesse um professor cubano que transmitisse o desenvolvimento científico da América Central. Ele depois voltaria para seu país e teria a síntese dessa rica experiência latino-americana para contribuir em sua área”, exemplifica. “Tudo que eu falei não é uma simples utopia, é possível fazer, de fato”, acrescenta.
Ele cita ainda a experiência em Cuba, e como esse exemplo deveria ir para outros países. “O enfoque das escolas da Medicina de Cuba é preventivo e comunitário, é desenvolvida para tratar os pobres. A educação em nosso continente deve ser por e para os latino-americanos. Tudo isso deve ser parte do sonho e para a luta por uma segunda independência de nossos povos”, finaliza.
Andrea Latge, representando o vice-reitor da UFF, compartilhou com os presentes as experiências que ela observa na universidade, a partir do programa na área de Física em que atua. “Temos feitos muitos acordos bilaterais, convênios… Temos conseguido trazer diversos estudantes e também nossos alunos tem tido a oportunidade de ir estudar em outros países. Acho o Ciência sem Fronteiras uma excelente iniciativa, mas ele precisa saber para onde está indo; esse processo tem que ser um ganho tanto para o aluno quanto para a universidade brasileira”, diz
Em sua curta apresentação, ela comenta ainda o fato de a internacionalização ainda ter menos oportunidades na área de Humanas, “pois a pesquisa na áreas duras, de exatas, são ciências mais universais, do que por exemplo a área de educação, de historia”, comenta.
“Defesa da Alegria”
Após as intervenções dos palestrantes, os pós-graduandos abordaram temas diversos relacionados à mesa. Gabriel Nascimento, da UnB, salientou a necessidade de se haver uma contrapartida para o estudante, para que este, ao voltar de seu intercâmbio, empregue o conhecimento adquirido para o desenvolvimento do Brasil. Já Cristiano Junta, da UFRS, questionou os critérios produtivistas da mobilidade acadêmica. Phillipe Pessoa, da USP, por outro lado, atentou para a importância de se fazer ciência dentro de uma diversidade científica, mesmo dentro das ciências duras.
Finalizando as intervenções, Tamara assume a palavra, retomando duas dimensões abordadas pelos palestrantes durante a discussão: a educação como bem público ou como um serviço. “Como um bem público, [a educação] é direito das pessoas, é dever do Estado, importante para o desenvolvimento do país”, afirma. “Educação como serviço, comércio, transforma as universidades em empresas privadas, que seguem a lógica do mercado”.
Ela encerra sua fala, com um poema do poeta uruguaio Mario Benedetti, “Defesa da Alegria”, em homenagem a Maglia, pois “a ciência deve estar a serviço da alegria de nossos povos”.
Por Natasha Ramos, do Rio de Janeiro
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Grupo de trabalho sobre financiamento adequado do SUS, com Dalmare Sá ao centro
Foto: Eduardo Paulanti
Nesta quarta-feira (04), durante a 9ª Bienal da UNE, aconteceram discussões sobre saúde pública no Brasil, parte do seminário coordenado pela ANPG, “Educação, saúde e desenvolvimento: a juventude por mudanças na saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”, que ocorreu no dia anterior (03), na Fundição Progresso, Rio de Janeiro.
Os grupos de trabalho temático (GTT) deveriam discutir e levantar três propostas para a saúde pública brasileira, a partir de um embasamento teórico. Coordenados pelo Diretor de Saúde da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Dalmare Sá, que também esteve presente em um dos grupos, os quatro GTTs foram divididos entre os temas ‘Financiamento adequado do Sistema Único de Saúde’; ‘Valorização do Trabalho e Educação em Saúde, Ciência, Tecnologia e Inovação no SUS’; ‘Fortalecimento da participação e controle social na saúde’ e ‘Direito à saúde com ampliação do acesso e atendimento de qualidade’.
As propostas debatidas pelo grupo de Dalmare, que também é residente em Saúde Mental da UFS, tinha como tema o financiamento adequado do SUS, e passam pelo aumento do investimento do Produto Interno Bruto brasileiro de cerca de 4% para 10%. “Nossa proposta traz necessidade de uma auditoria da dívida pública, pois essa pode comprometer o financiamento adequado do Sistema Único de Saúde”, afirma. Segundo ele, os países desenvolvidos que teriam sistemas universais de saúde de qualidade chegam a investir de 10 a 15% em saúde pública. As outras propostas permeiam a participação dos jovens na saúde, buscando ideias novas para rejuvenescer a militância. “Trabalhamos em propostas que atenderiam a maioria e aumentariam as formas de participação juvenil nos espaços”, completa Dalmare.
O segundo grupo debateu pensamentos relativos ao controle e participação social na saúde. Segundo uma das coordenadoras, Manoela Mathias, as propostas dos presentes consistiam em estimular a participação da sociedade geral, mas principalmente a dos pós-graduandos, o que influenciaria diretamente nas políticas de saúde. “Apresentamos a proposta de uma conferência livre de estudantes, unindo UNE e ANPG, para podemos pensar em maneiras que ajudariam no debate da 15ª Conferência Nacional de Saúde”, afirma a mestranda da UERJ. Para ela, a sociedade estaria distante dos mecanismos de participação social na área de saúde. “Acreditamos que o SUS foi uma conquista do povo brasileiro e que devemos tensionar as bases para efetivamente construir políticas maiores”, finaliza.
Já o grupo relativo a discussões da valorização do trabalho e educação em saúde criaram propostas baseadas em formação dentro do próprio SUS, percorrendo todos os níveis de ensino dos profissionais da área. “Trabalharíamos com a questão da interdisciplinaridade em processos ativamente ligados à sociedade e que entrem em contato com o SUS na realidade”, afirma Claudimar Amaro, pós-graduando da USP Ribeirão Preto e um dos coordenadores do grupo, “com as discussões, percebemos que existe um déficit na formação quando se fala do que é ensinado teoricamente e a verdadeira prática do SUS, portanto acreditamos que desde os primeiros anos da graduação, o estudante tenha essa vivência, mesmo que não em toda sua complexidade”, diz. Segundo ele, tal ação traria uma ressignificação do futuro profissional e combateria o impulso da especialização precoce. “É a relação de saúde que vai além do biológico e se torna uma intervenção da pessoa no seu contexto dentro da sociedade”, completa Claudimar.
O último grupo de trabalho tinha como tema o direito à saúde e a ampliação do acesso, e trouxe pautas que buscam garantir o acesso universal ao cuidado. “Consideraríamos os coletivos da sociedade, como os moradores de rua, a população LGBT, os soropositivos, entre outros”, diz Marianne Rocha, da APG FIOCRUZ . Segundo ela, a proposta traria a criação de estratégias que garantiriam um atendimento médico mais humanizado e diferenciado, “mas respeitando a questão da universalização do sistema”, completa. Além disso, o grupo também discutiu propostas acerca da melhor capacitação do profissional e uma melhora na informação. “A ideia é introduzir nas escolas de ensino médio a questão da saúde, para que os mais jovens passassem a entender mais cedo a importância da participação do cidadão na sua construção”, finaliza Marianne.
As ideias surgidas nos debates entre os presentes irão compor uma carta à sociedade, com propostas de diretrizes da juventude para a juventude e a construção de conferências futuras, além de criar um documento de orientação às diversas entidades estudantis para a 15ª CNS, sendo, também, um possível estopim para a criação de novas políticas públicas.
Por Magdalena Bertola, do Rio de Janeiro
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Fotos por Eduardo Paulanti
Na manhã desta quarta-feira (03), a ANPG realizou a mesa “Impactos sociais e econômicos da cooperações e do desenvolvimento científico e tecnológico no cenário internacional”, dando prosseguimento ao terceiro dia de debate do seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidade e Desafios”, durante a 9ª Bienal da UNE.
A mesa contou com a participação de Jerson Lima Silva, da Academia Brasileira de Ciência (ABC) e diretor científico da FAPERJ; Manuel Marcos Maciel Formiga, professor da UnB e chefe de assessoria de assuntos internacionais do MCTI; Ildeu de Castro, doutor em Física, professor da UFRJ e conselheiro da SBPC; e Omar Andrés Gomes Orduz, representante da Asociación Colombiana de Estudiantes Universitários (ACEU).
A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, mediadora da mesa, deu início ao debate, destacando os principais assuntos que seriam abordados durante a discussão: cooperação científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia, transferência de tecnologia, patentes, concentração e popularização do conhecimento, o papel da tecnologia na promoção do bem estar e inovação social.
Em seguida, Jerson Silva tomou a palavra para discutir o papel das FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) no processo de internacionalização, e o indicativo de crescimento nas publicações científicas ocorrido nos últimos anos. “Há uma correlação entre como a pós-graduação cresceu, principalmente, a partir da década de 90 com o crescimento das publicações”, aponta.
Segundo ele, o Brasil está na 14ª posição no ranking de publicações científicas. “No entanto, quando se olha para a qualidade dos papers publicados (esta pode ser medida pela quantidade de citações por artigo), o Brasil ainda está muito atrás, na 24ª posição”, comenta.
O diretor científico da FAPERJ disse ainda que “se por um lado conseguimos produzir muitos trabalhos em periódicos, por outro, a nossa produção de patentes internacionais ainda é um número muito pequeno”. Ele atenta ainda para o fato de que, apesar do crescimento da Economia nos últimos anos, se não deixarmos de ser uma economia baseada, apenas, em commodities, vamos estagnar.
“Como uma agência de fomento pode tentar contribuir para isso?”, Jerson questiona introduzindo a parte de sua fala em que ele se atem a falar da FAPERJ, usando-a como exemplos para falar também de outras FAPs.
A missão da FAPERJ, segundo o diretor científico da Fundação, é implementar e valorizar o sistema científico e tecnológico estadual, apoiando atividades em todas as áreas do conhecimento e setores de atividades profissionais, pesquisadores e empreendedores. Além disso, promover a interligação entre Ciência, Tecnologia e Inovação e a sociedade.“ Se a gente não apoiar a ciência básica a gente vai continuar copiando coisas que estão sendo feitas em países desenvolvidos”, diz.
Jerson também falou sobre como a FAPERJ atua, através de concessão de bolsas, e comentou as ações de internacionalização da agência: Doutorado sanduiche e doutorado sanduiche reverso (que traz pesquisadores de outros países); Pesquisador visitante; Ciência sem Fronteiras (em parceria com a CAPES e CNPq); e Cooperação com agências, institutos e universidades de outros países. “A FAPERJ atua tanto lado a lado com a academia, mas também ao lado das empresas, com ações para difusão e popularização da Ciência,Tecnologia e Inovação, por meio da publicação de diversos livros”, finaliza Jerson.
Armadilha da Renda Média e Cooperação Internacional
O professor Marcos Formiga introduziu sua fala, abordando uma pesquisa que ele participou há dois anos, a partir da qual foi possível estabelecer as seguintes manchetes: Hoje o mundo está mais rico, mais saudável, mais educado e mais pacífico. Vive-se mais e mais conectado. Por outro lado, segundo ele, hoje, é possível observar o aumento do preço dos alimentos, a diminuição das reservas de água, o aumento dos níveis de corrupção e crime organizado, a fragilidade do meio ambiente como suporte de vida, o aumento do endividamento dos países e insegurança econômica, agravamento das mudanças climáticas e ampliação do fosso entre ricos e pobres. “Como vocês podem ver, o Brasil apresenta vários desses problemas”, comenta.
Mas, “como o Brasil é visto de fora?”, questiona o professor que atenta para o fato de a indústria brasileira estar vivendo um momento muito difícil, um processo de desindustrialização, menos operária, que deixa de ser uma grande estrutura para se configurar em estruturas menores e complementares. “Essa é a terceira revolução industrial, chamada de manufatura digitalizada/aditiva”, explica ele.
Segundo Formiga, o Brasil caiu na armadilha da renda média, ou seja, a pobreza está sendo superada, mas o país continua preso (não avança mais) por incapacidade institucional. “Nas últimas cinco décadas, o Brasil consolidou-se membro dos países de renda média (4000 a 125000 mil dólares por habitante)”, explica. “Agora é preciso achar novas fontes de ganhos de produtividade por meio de tecnologia e criação de novos empregos”, complementa.
Como saída para essa “armadilha”, ele aponta alguns exemplos: deixar de imitar e passar a inovar, abertura comercial, infra-estrutura tecnológica, educação superior, inovação e empreendedorismo e instituições sólidas. E completou que “não é possível desenvolver Ciência e Tecnologia hoje sem a tríplice universidade, governo e empresa”.
O professor da UnB ainda atenta para o fato de a globalização econômica ter vindo antes da globalização da ciência e da tecnologia. “Estamos vivendo, com todos esses paradoxos, a economia da abundância, baseada no conhecimento, que se renova constantemente, não se esgota e se multiplica”, diz.
No entanto, o Brasil ainda ocupa o 2º lugar dos países emergentes, segundo estudo realizado com mais de 100 países, quando se leva em consideração os estágios para se atingir a economia digital. “Ainda é preciso avançar”, enfatiza o professor.
Segundo ele, a cooperação internacional torna a Universidade menos provinciana, menos auto centrada e menos deslumbrada com o sucesso local. “É preciso promover a mobilidade, diversificação e intercâmbio para que se faça comparabilidade”, diz.
O professor ainda destaca que é muito frágil a nossa cooperação com países latino-americanos, o que, segundo ele, mostra que não sabemos nos relacionar com nossos países vizinhos. “O Brasil investe pouco em cooperação, mais de 30% do orçamento para cooperação são para pagar gastos com organismos internacionais”, finaliza.
Diversidade da pesquisa
O doutor em Física, Ildeu de Castro, homenageado da Mostra de Ciência e Tecnologia da 9ª Biena da UNE, tomou a palavra, afirmando que é necessário qualificar melhor a internacionalização e analizar os impactos que isso tem no país.
“Temos que nos basear no que deu certo em outros países e ver o que pode ser adaptado à nossa realidade. O primeiro aspecto que gostaria de chamar a atenção é a importância na formação de pessoas. É preciso melhorar a educação básica e ampliar a educação superior, inclusive cooperando com outros países”, diz Ildeu, lembrando, sem seguida, que a ciência sempre foi uma atividade muito internacionalizada.
Ele também desmistificou a ideia de que a Ciência é algo neutro. “Não podemos ser ingênuos. A ciência e a tecnologia podem ser usadas tanto para a melhoria da vida das pessoas quanto para promover a desigualdade social. Pela nossa afinidade política, nós queremos uma ciência que emancipe as pessoas”, diz.
Ele argumenta que “o Brasil é um país muito misturado, e isso deveria facilitar a cooperação. Mas, a cooperação com países de língua portuguesa, como Moçambique, poderia ser muito maior. A cooperação internacional tem que se expandir, inclusive nos países, ditos de 3º mundo”. argumenta.
Além da necessidade de se haver mais cooperação com o exterior, é importante lembrar da cooperação de universidades do eixo Rio-São Paulo com instituições de ensino superior de estados como o Amazonas, onde há uma riqueza científica imensa e pouco explorada. “Estamos vivendo um momento em que a comunidade científica deve fazer mais pressão para que haja mais recursos e mais participação social nas politicas publicas”, diz Ildeu.
O professor-doutor terminou sua fala, citando um exemplo de um artigo que ele leu recentemente. “Fizeram uma pesquisa grande com vários países sobre qual o fator que contribuía mais para o desenvolvimento cientifico e tecnológico. Concluíram que esse fator é a diversidade da pesquisa. Afinal, você não tem como saber de onde pode sair a inovação científica”, encerra.
Projeto epistemológico cultural e científico independente
O colombiano Omar Orduz trouxe ao debate a necessidade de se discutir o desenvolvimento da educação. Ele disse que o modelo da educação atual responde ao modelo econômico vigente. “A educação virou um serviço de consumo que está respondendo a interesses privados e capital multinacional. Por exemplo, 0,34% do PIB está destinado para educação superior na Colômbia, muito pouco.” Essa realidade o faz questionar: se essa é a porcentagem para a educação superior, qual será o investimento destinado para a pesquisa? E informa que todos os cursos de pós-graduação na Colômbia são privados, com valores que chegam a 3.500 dólares por semestre.
“Essa situação é o reflexo da desigualdade que também existe na Colômbia: apenas poucos têm condições financeiras para acessar a pós-graduação. Por conta disso, está havendo uma fuga de intelectuais da Colômbia que buscam melhores condições para realizarem suas pesquisas”, diz.
O estudante diz que o debate da internacionalização não é apenas o da produção científica, como estava sendo discutido pelos outros palestrantes, mas a difícil situação que vivem os pesquisadores latino-americanos em seus países de origem e que buscam melhores condições em países ditos desenvolvidos.
Outra questão nesse contexto a se levar em consideração, diz Omar, é a desigualdade entre países ricos e emergentes no que diz respeito à infraestrutura de pesquisa, que é precária nos ditos países subdesenvolvidos. “Por exemplo, na Colômbia, nós utilizamos equipamentos que datam da Primeira Guerra Mundial, muito obsoletos. Se não existir um investimento real na pesquisa, não vai existir condições favoráveis para competir no âmbito da internacionalização”, diz.
Outra questão levantada pelo colombiano foi: Em que medida, o número de publicações e das citações nos artigos científicos estão contribuindo para superar as questões sociais, a situação de desigualdade e de pobreza no país?
“É possível que seja importante o avanço das produções científicas, mas este não é o único indicador que pode dar a entender que os nossos países estão desenvolvendo a ciência e tecnologia. Se o Brasil tem bastante produção científica, isso não necessariamente quer dizer que pode estar refletindo sobre sua tecnologia e pesquisa”, diz.
“Essas pesquisas científicas, acredito, devem estudar profundamente os processos de integração entre os povos latino-americanos que está acontecendo agora. Esse é o maior desafio”, acrescenta.
Ele ainda diz que é preciso gerar uma proposta científica, para que possamos abandonar o colonialismo científico da Europa. “Os países latino-americanos têm que se unir para acabar com o colonialismo científico, cultural e tecnológico. Colômbia e o Brasil tem uma diferença abismal na produção cientifica, é preciso fazer uma integração entres os países”, diz.
Segundo ele, os países latino-americanos já têm uma tradição libertária. Essa tradição deve servir para um projeto epistemológico cultural e científico independente. “Essas questões que estou colocando aqui, em meu país, ainda são pouco debatidos. A razão fundamental da academia são os estudantes. E como estudantes, temos que trabalhar na tarefa de se criar um modelo próprio de universidade e defender esta instituição como cenário de utopias, mas possíveis”, finaliza.
O seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira” se encerra amanhã (05), às 10h, com o a mesa “Integração, internacionalização e mobilidade científica e acadêmica na educação superior”, no campus ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), da UERJ, na rua Evaristo da Veiga, 95, Lapa, Rio de Janeiro.
Por Natasha Ramos, do Rio de Janeiro

Fotos: Eduardo Paulanti
A mostra de Ciência e Tecnologia da 9ª Bienal da UNE, coordenada pela ANPG, prestou uma importante reverência a um dos maiores nomes da divulgação científica nacional. Na tarde desta terça-feira (2), o espaço Largo Itabira, na Fundição Progresso, foi palco de uma bonita homenagem ao físico e professor Ildeu de Castro Moreira.

Com falas da presidenta da ANPG, Tamara Naiz, e da presidenta da UNE, Vic Barros o professor foi lembrado pelo seu esforço em popularizar a ciência no Brasil. ‘’ O professor Ildeu é uma pessoa que trabalha há muitos anos e trabalha duro pela divulgação científica. Seu engajamento social, sua inquietude e vontade de transformação são importantíssimas para o avanço da ciência e tecnologia no país’’, pontuou Tamara.
Ildeu foi presenteado com a leitura de um cordel inspirado em sua carreira e também com a apresentação de um ator caracterizado de Albert Einstein.

Emocionado, o professor agradeceu `às homenagens. ‘’Fico orgulhoso em ser lembrado aqui na Bienal da UNE, um espaço que integra arte, cultura e ciência. O reconhecimento é um fator importante que nos move e eu saio daqui com vontade de fazer cada vez mais’’, disse.
Da redação com informações da UNE
Dia 01/02: Domingo
14h – Abertura do credenciamento
Dia 02/02: Segunda
9h – Continuação do credenciamento
9h30m – Mesa-tema: “A internacionalização da Ciência brasileira: Realidades e desafios”
Convidados: Armando Zeferino Milioni – Paulo Sérgio Lacerda Beirão – Diretor de Cooperação Institucional do CNPq; Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI.
Dia 03/02: Terça – feira
9h30m – Mesa: “Internacionalização, formação e contratação de recursos humanos e questão das Organizações Sociais na política nacional de desenvolvimento científico”
Convidados: Igor Barros Cavalcante – Coordenação de Ações Internacionais do Programa Ciência sem Fronteiras; Hélio de Mattos Alves – Professor da UFRJ; Olgaíses Cabral Maués – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES); Representante da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação*
14h – Reunião de lideranças estudantis na América Latina e da Frente Afro-Latina de Estudantes no Brasil.
Dia 04/02: Quarta – feira
9h30m – Mesa: “Impactos sociais e econômicos da cooperação e do desenvolvimento cientifico e tecnológico no cenário internacional”
Convidados: Ildeu de Castro – Conselheiro da SBPC; Manuel Marcos Maciel Formiga – Chefe de Assessoria de Assuntos Internacionais do MCTI; Jerson Lima Silva – Academia Brasileira de Ciência; Omar Andrés Gomez Orduz – Representante da Asociación Colombiana de Estudiantes Universitários (ACEU)
Dia 05/02: Quinta – feira
9h30m – Mesa: “Integração, internacionalização e mobilidade cientifica e acadêmica na educação superior”
Convidados: Álvaro Maglia – Secretário Executivo da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM); Ricardo Guardia Lugo – Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes (OCLAE); Alfredo M Gomes; Alfredo M. Gomes* – ANPED; Luiz Cláudio Costa* – Secretário Executivo do MEC; Roberto Kant de Lima* – Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UFF (Proppi); Antonio Claudio Lucas da Nóbrega* – Vice-Reitor da UFF.
Dia 06/02: Sexta – feira
9:30h – Encerramento do Seminário e Culturata da 9°Bienal de Arte, Ciência e Cultura.
*Palestrantes a confirmar
Todos os dias das 15h às 17h haverá grupos de discussão sobre a mesa do dia.
Local: Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ: Rua Evaristo Veiga, 95 – Lapa / Rio de Janeiro

Fotos por Eduardo Paulanti
Na manhã dessa terça-feira (03) teve início o seminário “Educação, saúde e desenvolvimento: a juventude por mudanças na saúde para cuidar bem das pessoas”, organizado pela ANPG e pelo Fórum Nacional de Pós-Graduandos em Saúde durante a 9ª Bienal da UNE. O seminário, seguido de debate com o público, foi realizado na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, e terá continuação hoje (04) a partir das 10 horas.
Com o debate acerca da qualidade do serviço público no Brasil e a reforma sanitária que trouxe o Sistema Único de Saúde (SUS), o evento contou com a presença da Presidenta do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza, a professora da UFRJ e representante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), Ligia Bahia, e com o Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Hêider Aurélio Pinto. O seminário foi dirigido por Dalmare Sá, diretor de Saúde da ANPG.
Abrindo as discussões, Maria do Socorro afirmou que o tema da mesa dialoga com o tema da Bienal, ‘Vozes do Brasil’ e evidencia duas políticas públicas fundamentais para o desenvolvimento do país. Reconheceu falhas do movimento de saúde em politizar a sociedade para suas pautas e destacou a necessidade de fazer a disputa simbólica resistindo aos ataques à educação pública e ao SUS. Além disso, a presidenta do CNS defende a ampliação da concepção da saúde, abrangendo discussões sobre drogas, aborto, violência, discriminação, preconceito, sexualidade, reforma agrária, alimentação saudável e passando a enxergar a saúde como promoção da vida. Reforça a importância de realizar esta defesa frente a uma ideologia que vê a saúde como negócio e desestabiliza o papel do estado na garantia desse direito. Ao final, reclamou da ausência da juventude nos espaços de representação do movimento de saúde e convocou os estudantes a estarem dentro destes movimentos para lutar por essas mudanças.

Continuando o seminário, Hêider Aurélio afirmou que existe um conjunto de questões simbólicas em disputa no momento atual, com o avanço de forças conservadoras. Defendeu reforma política e do fim do financiamento empresarial de campanhas, mudanças no sistema tributário com impostos regressivos e taxação do capital e o fim dos monopólios das comunicações. Destacou os resultados do programa ‘Mais Médicos’, que teria levado a atenção básica a 50 milhões de brasileiros, e afirmou que um de seus legados seria o de mudar a representação social do que é ser médico. “Ser médico não é ser distante das pessoas. Ser médico é construir um cuidado com o outro em função das necessidades do outro”, diz. Adicionalmente, ressaltou que a lei amplia a perspectiva de mudanças na formação dos médicos, orientado-a para a atenção básica. Enfatizou a importância do debate sobre a formação da graduação com a UNE e a dos residentes com a ANPG, principalmente com o início do programa ‘Mais Especialidades’. Sobre este último, afirmou a necessidade de alterar a lógica de pagamento por procedimentos, não respeitando os cidadãos como sujeitos no seu contexto.
Danto sequência às falas, Ligia Bahia convidou os estudantes a participarem do seminário da ABRASCO e fez severas críticas ao governo, que teria aberto o SUS ao capital estrangeiro. Afirmou que não é preciso estar alinhado com o governo para ser a favor do SUS. Falou de pautas ligadas à juventude, defendendo a legalização do uso da maconha, mas criticando o patrocínio de festas estudantis por cervejarias, que estimulariam o alcoolismo. Também enalteceu a luta pela diversidade sexual nas universidades, que hoje tem grupos que discutem a convivência e rituais de passagem. Sobre a formação do profissional em saúde, criticou o programa ‘Mais Médicos’, pois seria insuficiente e não discute a carreira do profissional. “Carreira não é dinheiro, carreira é identidade, é gostar de ser da saúde. Em seguida, teceu críticas à Conferência Nacional de Saúde, que teria membros cooptados pelo governo, que não reconheceria os empresários da saúde como inimigos e sim setores da sociedade. Ressaltou que a energia das pessoas deve ser colocada a favor da transformação da sociedade brasileira, reconhecendo avanços na área da saúde como a liberação da maconha para uso medicinal. Ao final, declara acreditar que a sociedade brasileira não é conservadora e não é inimiga do público.
Após as intervenções dos convidados, Dalmare faz algumas considerações, ressaltando a importância do debate neste ano em que ocorre a Conferência Nacional e que determina o plano de saúde para os próximos quatro anos. Reconhece a precarização do trabalho no SUS, mas acredita no potencial e nos trabalhadores da rede pública, que lutam para elevar a qualidade dos serviços.
Passando ao público, seguiu-se um debate polarizado entre os presentes, com polêmicas acerca da representação estudantil nos conselhos e das políticas do governo federal. Houve consenso no repúdio a entrada do capital estrangeiro no SUS e a falta de estrutura das universidades públicas para o ensino das áreas ligadas à saúde. Também foi discutida a falta de reconhecimento e a falta de direitos dos pós-graduandos das áreas médicas. A falta de comunicação entre profissionais e entre os órgãos do SUS, com setores fragilizados e de excelência, também foi lembrada pelos debatentes.
Por Phillipe Pessoa e Magdalena Bertola, do Rio de Janeiro






