
Com o tema Em defesa da ciência, da universidade e do Brasil: o que é Público não se vende! o XXVI Congresso Nacional de Pós-Graduandos já tem local e data marcada para acontecer. O evento, que é a instância máxima de deliberação da ANPG, será realizado entre os dias 29, 30 de junho a 1 de julho de 2018, na Universidade de Brasília (UnB). O tema deste ano permeará as atividades do Congresso.
O Congresso foi convocado pela diretoria executiva em sua última reunião realizada no dia 28 de fevereiro de 2018, conforme disposto no estatuto e indicado pelo 41* Conselho Nacional de Pós-Graduandos. Confira a convocatória aqui: Edital de convocação 26 CNPG
O CNPG é a instância máxima de deliberação da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e sua 26 ° edição terá como pauta debater e deliberar sobre teses, moções, recomendações e propostas apresentadas por qualquer um de seus associados, assim como ações a serem desenvolvidas no próximo biênio pela entidade e a eleição de sua nova diretoria. Além disso, será referendado as alterações do Documento de Direitos dos Pós-graduandos e Pós-graduandas brasileiras, reformulado no 41º CONAP.
Poderão participar do 26° CNPG, com direito a voz todos os pós-graduandos regularmente matriculados em 2018 e entidades do Movimento Nacional de Pós-Graduandos. E terão direito a voto os pós-graduandos eleitos democraticamente em processos eleitorais que serão conduzidos por entidades APGs, federações, associações de áreas e comissões pró-apg, as quais deverão estar filiadas à ANPG. Aquelas entidades que já se filiaram durante o processo do 41º CONAP não precisam repetir o procedimento de filiação.
Levantamento da necessidade de creche clique aqui
Leia o regimento oficial: REGIMENTO GERAL DO XXVI CONGRESSO NACIONAL DE PÓSversaofinal
Retificação do regimento: RETITICAÇÃO DO REGIMENTO GERAL DO XXVI CONGRESSO NACIONAL DE PÓS
Segunda retificação do regimento: II RETITICAÇÃO DO REGIMENTO GERAL DO XXVI CONGRESSO NACIONAL DE PÓS
Para as inscrições entre no site http://inscricao.congressoanpg.com.br/
Delegado e suplentes
Até 20/06 – R$ 75,00
Até 28/06 – R$ 100,00
Na cena do congresso – R$ 150,00
Observadores
Até 20/06 – R$ 100,00
Até 28/06 – R$ 150,00
Na cena do congresso – R$ 200,00
OBS quem inscrever trabalho na mostra terá um abatimento do valor da congresso. Ex: delegado que está com trabalho inscrito, paga 25 reais da mostra científica e mais 50 do credenciamento.
Faça o pagamento e inscreva-se aqui

Nesta última segunda-feira, 12 de março, a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, e a tesoureira da entidade, Elisângela Volpe se reuniram em Brasília com o secretário executivo adjunto do Minsitério da Educação, Felipe Sigolo, para tratar de pautas que permeiam os interesses das pós-graduandas e pós-graduandos do Brasil.
Entre as questões tratadas a ANPG cobrou do MEC a instauração do Grupo de trabalho sobre a situação dos pós-graduandos. “Este grupo de trabalho já foi aprovado no âmbito do MEC desde 2015 e já chegou a ser criado na Capes por duas portarias, mas não se efetivou. Cobramos a sua instalação, pois o seu objetivo é fazer um levantamento da situação sócio-econômica dos pós-graduandos brasileiros para subsidiar políticas públicas e outras questões”, contou Naiz.
Na oportunidade a ANPG apresentou a Campanha de previdência para os pós-graduandos. As representantes da entidade fizeram a defesa deste projeto e da necessidade da inclusão dos estudantes no sistema previdenciário por meio da contribuição e de uma alíquota reduzida similar ao MEI. Está campanha foi lançada em novembro pela ANPG e já tem o apoio da SBPC e outras entidades, saiba mais aqui.
“Também apresentamos o nosso projeto de lei de reajuste de bolsas (veja a matéria aqui) que está em tramitação com o Deputado Lobbe Neto e reforçamos a importância do apoio do Minsitério da Educação nesta luta”, disse Naiz.
De acordo com Naiz, durante a reunião, também foi discutida uma importante pauta para os estudantes de pós-graduação: o Assédio na Universidade e a criação de uma campanha nacional para combatê-lo.
Para se entender a gravidade desta situação. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que mapeou a vida social, econômica e cultural de quase 20 mil estudantes de graduação das universidades federais brasileiras, verificou que 29% deles já haviam procurado atendimento psicológico e 9%, psiquiátrico, o que envolve problemas mais sérios. Além disso, de acordo com pesquisa do Instituto Avon e o Data Popular, 67% das mulheres afirmam que já sofreram assédio na universidade. “O desenvolvimento de transtornos na pós-graduação é um reflexo dos problemas da academia, que oferece poucas oportunidades e é preciso combater isso”, explicou Naiz.
A presidenta também afirmou que a maior procura pela ANPG dos pós-graduandos é relatando casos de assédio. “Precisamos agir, e o MEC se mostrou aberto a debater e fazer encaminhamentos para construir esta importante campanha juntos”, finalizou.

Em matéria publicada pelo portal da CAPES, no dia 8 de março, sobre o Sistema Nacional de Pós-Graduação mostrou que as mulheres são maioria nessa modalidade da educação brasileira. Os números mais recentes, de 2016, indicam 165.564 mulheres matriculadas e tituladas em cursos de mestrado e doutorado, enquanto os homens somam 138.462, uma diferença de aproximadamente 19%.
Apenas na modalidade de mestrado acadêmico, as mulheres somaram aproximadamente 12 mil matrículas a mais que os homens e cerca de 6 mil títulos a mais foram concedidos a mulheres naquele ano. A modalidade de doutorado também traz realidade semelhante, com um total de 57.380 mulheres matriculadas e 11.190 tituladas, ao passo que os homens somaram 50.260 matrículas e 9.415 títulos em 2016.
Ainda que o crescimento da participação feminina seja uma realidade, existe uma série de desafios para uma plena igualdade de gêneros, inclusive na ciência e na pós-graduação. Áreas do conhecimento tradicionalmente masculinas, como Engenharias, Computação e Ciências Exatas e da Terra continuam com a presença maciça de homens, ainda que a perspectiva apresentada com os números dos últimos 15 anos seja de maior igualdade nessa relação.
Hoje as mulheres representam 20% das bolsas de pesquisa científica em exatas no Brasil
Mesmo ainda sendo minoria em exatas, o Portal de notícias G1, fez uma reportagem no dia 11 de março analisou a pesquisa, publicada em artigo na revista científica “PeerJ”, no qual observa-se a distribuição de mais de 13,6 mil bolsas entre 2013 e 2014 por sexo e área de conhecimento, além da divisão por gênero dos membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e os projetos científicos que conseguiram alto financiamento no programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), juntamente com o CNPq.
Do total de 4.859 bolsas no período para áreas de conhecimento dentro das ciências exatas, apenas 976 (20,08%) foram para pesquisadoras. Em alguns casos, as mulheres representam, proporcionalmente, menos de 5% do total de pesquisadores, como é o caso dos bolsistas em engenharia elétrica; são apenas 13 mulheres agraciadas com as bolsas no período, contra 269 pedidos aceitos feitos por homens.
Barreiras para serem quebradas
Além disso, apesar de hoje as brasileiras serem maioria da população, viverem mais, acumularem mais anos de estudo e terem aumentado ano a ano a responsabilidade por manter os domicílios do país, ainda ganham menos que os homens brasileiros e são vítimas de violência doméstica. Se for considerado o último relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres, de um total de 83 países.
O relatório Global da Defasagem de Gênero 2016, do Fórum Econômico Mundial, também sugere que a igualdade econômica entre sexos, no ritmo atual, pode demorar 170 anos e alerta para uma drástica freada nos avanços nos últimos anos também em razão dos desequilíbrios crônicos nos salários e na participação no mercado de trabalho.
Fonte: CCS/CAPES
Com informações do G1 (veja matéria aqui)

Desde março de 2017 a ANPG trabalha em um projeto para a previdência para os pós-graduandos. A campanha com toda a proposta desenvolvida pela entidade foi apresentada em novembro, durante o 41 CONAP, que aconteceu em São Luís, no Maranhão.
Agora o projeto, que conta com o apoio da SBPC, já está pronto para ser apresentado na Câmara dos Deputados nos próximos meses.
Porque desenvolver uma campanha?
Quem se dedica a pesquisa acadêmica despende de um longo período dentro da Universidade. Para ter uma ideia, a formação de um pesquisador exige ao menos seis anos de dedicação até a titulação.
Atualmente, no Brasil, as (os) pós-graduandas(os) têm uma condição híbrida, ou seja, estão em processo educacional e de formação, caracterizando-as(os) como estudantes, mas são também profissionais graduados e responsáveis pelo exercício de atividade produtiva laboral, requerendo regras e direitos para propiciar melhores condições de pesquisa, melhor produtividade e evitar arbitrariedades e/ou abusos.
Previdência para que?
Todas e todos aqueles pós-graduandos que não estão formalizados no mercado de trabalho ou que se dedicam de maneira exclusiva a suas pós-graduações não têm acesso à seguridade. Isto é, não tem auxílio doença, licença maternidade, entre outros benefícios que deveriam estar assegurados.
Isso não é justo com quem se dedica cotidianamente e com empenho no desenvolvimento da ciência brasileira.
A ANPG tem uma proposta para levar ao Congresso para que as pós-graduandas e os pós-graduandos comecem a ter seu direito a seguridade social garantidos quando estejam em seus estudos acadêmicos.
Entenda a proposta
Importante ressaltar que entre 1995 (momento de maior valorização das bolsas) e 2016 houve um processo de desvalorização que já chega ao patamar de 65%. Há que se considerar, ainda, que um pós-graduando precisa incluir em suas contas o valor gasto com livros, insumos, participação em congressos e outros custos relacionados à atividade acadêmica que desenvolve. Assim, a opção de realizar a contribuição facultativa tem um impacto significativo para pós-graduandos e pós-doutorandos, especialmente se pretenderem contribuir de acordo com o valor que percebem de bolsa, a fim de garantir um valor maior de aposentadoria.
O pós-graduando que opta por contribuir hoje de forma facultativa tem um alto encargo.
- As porcentagens parecem pequenas, mas as bolsas foram desvalorizadas em cerca de 65% desde 1995. Mas temos que considerar gastos com livros, participação em congressos e outros custos relacionados à atividade acadêmica. Assim, a opção de realizar a contribuição facultativa tem um impacto significativo para pós-graduandos e pós-doutorandos. É claro que para todas as categorias profissionais esta mesma afirmação pode ser considerada verdadeira. A diferença é que tal cálculo já faz parte da definição do valor dos salários, o que não ocorre em relação às bolsas de pós-graduação e pós-doutorado que, aliás, não têm critérios de embasamento das definições de valor, por isso outra defesa da ANPG é a criação de um mecanismo anual de reajuste das bolsas de pós-graduação!
Como resolver?
Veja o caso das Forças Armadas
O aluno de escolas de formação militar acessa o direito a seguridade social sem realizar contribuição, inclusive contando como tempo de contribuição. O argumento para tal é que já exercem, neste período, as mesmas atividades que o militar formado, algo que poderia ser argumentado também em relação aos pesquisadores pós-graduandos. Mas esta exceção possui lastro na Constituição e se caracteriza uma situação especial em relação a todos os demais segmentos da sociedade.
E o caso do MEI
Atualmente um dos tipos de contribuição individual é o Microempreendedor Individual (MEI). A Lei 12.470/2011 definiu que a alíquota por eles devida seria 5% incidente sobre o salário mínimo (R$ 46,85), desde que optassem pela exclusão do benefício de aposentadoria por tempo de contribuição.
Cabe ressaltar que esta contribuição é simplificada, ou seja, dá acesso a uma série de benefícios, como auxílio-doença, aposentadoria por idade, aposentadoria por invalidez e salário maternidade, no caso de gestantes e adotantes, entretanto, não inclui o direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição.
O estabelecimento da alíquota diferencial para os pós-graduandos tende a aumentar o número de contribuintes, reforçando a arrecadação da previdência. Ao mesmo tempo, o aumento do número de segurados entre os pós-graduandos garantiria maior estabilidade, o que tende a reduzir a evasão por meio de benefícios como auxílio-doença e auxilio- maternidade.
Portanto, de acordo com estudo e os debates feitos pela ANPG, o melhor caminho para as pós-graduandas e os pós-graduandos é o estabelecimento de dois caminhos que garantam contagem do tempo de estudo como tempo de serviço e a contribuição em aliquota reduzida e simplificada que garantirá direitos previdenciários.
Benefícios conquistados com a aprovação deste projeto
– auxílio-doença;
– aposentadoria por idade;
– aposentadoria por invalidez;
– Salário maternidade 9gestantes e adotantes);
-Auxílio acidente;
-Pensão por morte;
-Outros…
Baixe a cartilha sobre a previdência cartilha previdencia

Milhares de mulheres marcharam em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Natal, São Luís, Manaus, Salvador e Florianópolis. A manifestação que já acontece tradicionalmente anualmente no Dia Internacional das Mulheres contou com estudantes, trabalhadoras, aposentadas e de todas as idades levando às ruas toda a urgência em transformar a sociedade, pôr fim ao machismo, ao feminicídio e por igualdade salarial, no mercado de trabalho representatividade em todos os espaços.
Em Brasília, a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, fez uma aula pública pela vida das mulheres, em defesa dos direitos, em defesa da democracia e contra o racismo.
Já em São Paulo, a diretora de comunicação Karol Rocha, caminhou pela Avenida Paulista ao lado de centenas de mulheres. O ato saiu da Praça Oswaldo Cruz e terminou na Avenida Paulista, no escritório da presidência na Avenida Paulista. Quando o ato passou pela FIESP, palavras de ordem contra as reformas e o neoliberalismo foram entoadas pelas mulheres. O retrocesso nos direitos trabalhistas, apoiado pela Federação, torna a vida da mulher no mercado de trabalho em condições precárias.
Em todos as capitais a ANPG esteve presente lutando pelas mulheres e lembrando que dentro da pós-graduação as mulheres são maioria e exigem respeito.

Ontem, 7 de março, aconteceu na Unicamp, uma mesa sobre as ações afirmativas na pós-graduação, que contou com a presença de Álvaro Bianchi, diretor do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) UNICAMP e do PPGCP (Programa de Pós- Graduação em Ciência Política), Douglas Belchior, Uneafro, Mário Medeiros, Prof do Departamento de Sociologia da Unicamp e do Programa de Pós- Graduação em Ciência Política e Ariabo Kezo – Doutorando em Letras e do Movimento de Estudantes Indígenas da UFSCAR. O evento faz parte da semana chamada Calourada Negra.
O diretor de relações internacionais da ANPG, Flávio Franco é doutorando em Ciências Políticas na Unicamp e participou da mesa. “Pontuei que o debate sobre as ações afirmativas no âmbito da pós-graduação já vem sendo feito pela ANPG desde 2014, quando a entidade estabeleceu como uma de suas prioridades em sua gestão. O trabalho constituiu em convencer o corpo acadêmico, intelectual, pró-reitores de pós-graduação e APGs para que acontecesse uma movimentação em consonância com o movimento negro da importância da inclusão étnico-racial de estudantes negras e negros na pós”, conta Flávio.
Flávio ainda reforçou a participação da ANPG nos Grupos de Trabalho da Capes sobre o assunto e trabalhando a necessidade de se fazer um mapeamento de negras e negros na pós-graduação, tendo em vista que essa parte ainda se reverbera como um espaço de privilégio. “A ANPG defende a pluralidade de pensamentos na produção científica, no combate ao epistemicídio do pensamento negro na academia e mais investimentos para intelectuais negros (as) na universidade”.
A Associação de Pós grdauandos da USP de Ribeirão Preto, SP, deu um passo importante no tratamento de doenças pisicológicas que atingem os estudantes da pós-graduação: conseguiu criar um atendimento dentro do campus.
“Nós da APG aqui do Campus USP RP reconhecemos a necessidade de criar um atendimento para os pós-graduandos. Isso ficou evidente depois de dois casos de suícidio – um em São Paulo e outro aqui dentro da Universidade. A partir disso, fizemos uma mesa redonda para discutir o que pode ser feito e os sinais de depressão. Com isso começamos a mapear as demandas pisicológicas dentro do Campus e conseguimos uma ótima visibilidade dentro da própria USP. Após esses debates, a professora Dra. Laura Vilela e Souza, líder do grupo de pesquisa do CNPq DIALOG, teve a iniciativa de fazer este projeto de atendimento aos alunos”, conta Pâmella da Silva Beggiora, diretora de relações acadêmicas da APG/USP-RP.
Pâmella ressalta que este é um projeto com os alunos de pisicólogia do Campus. “Isso ainda não foi institucionalizado, este é o primeiro passo para que isso aconteça. A nossa luta ainda não terminou, pois estamos brigando para que a USP como instituição forneça profissionais da área e um local dentro do campus para atender toda a demanda”, complementa.
Conheça mais do programa: 
Leia a nota de esclarecimento: Nota de esclarecimento


Em 31 anos de história, a Associação Nacional dos pós-graduandos, ANPG, já teve 9 presidentas à sua frente, o que demonstra que a entidade já nasceu com um olhar diferente e com um compromisso muito grande com todas e todos pós-graduandos do Brasil.
Sempre lutando pela melhoria de condições de pesquisas e para o dia-d-dia das pós-graduandas e pós-graduandos, a ANPG está há 8 anos com mulheres a sua frente. Elisangela Lizardo (2010-2012), Luana Bonone (2012-2014) e Tamara Naiz (2014-2018) formaram um trio que trouxe projetos a longo prazo e batalharam muito para que as mais essenciais necessidades dos estudantes fossem ouvidas, além de quebrar preconceitos.
A equipe de comunicação da ANPG conversou com as três e apresenta um perfil desses últimos anos. Confira:
Quebrar barreiras
As três presidentas contam sobre a grande tensão que é estar a frente de uma entidade que representa todas e todos os pós-graduandos do Brasil. “Trata-se de um país gigantesco, com demandas muito variadas, e um sistema de pós cheio de contradições, cheio de idas e vindas na história de sua construção”, diz Bonone, e Naiz reforça: “As dificuldades são da própria organização do movimento nacional dos pós-graduandos, já que as pressões que os estudantes sofrem fazem com que eles se envolvam pouco na vida política”.
Além de organizar e estar a frente, as dirigentes também contam de mais barreiras que precisaram ser quebradas. “O fato de ser uma mulher jovem, que veio do interior do Brasil e não de uma Universidade do Sudeste eram elementos que no início geravam alguns olhares preconceitudosos, mas isso foi rompido no momento que fui fazendo relações e conhecendo as pessoas, os militantes, os trabalhadores e a comunidade científica”, conta Naiz.
Para Luana o peso de ser mulher também foi sentido: “Temos um sistema de C&T hegemonizado por homens, em geral das chamadas áreas duras, como Engenharia e Física, onde a presença de mulheres é reduzida, inclusive nos laboratórios. Tive a oportunidade de conviver com figuras muito generosas, mas também lidamos com gestores e lideranças que perguntavam se não havia homem na ANPG para tratar os assuntos. Mas no geral o movimento de pós-graduandos nas universidades é a principal força para a construção de cada gestão, do movimento. Isso alimenta a luta cotidiana por uma condição adequada de pesquisa no país e fortalece a confiança de quem se dispõe a participar da luta em defesa da pesquisa brasileira.”
Elisangela reforça: “Mais que dificuldades, o que havia de fato eram desafios imensos em representar milhares de pós-graduandos e pós-graduandas de nosso país. Ser a voz desses pesquisadores frente a luta por direitos e regulamentações das suas situações de profissionais / estudantes em formação. Diferente da maioria da população pesquisadora do país, que é feminina, o ambiente político é muito masculino, habituado com decisões tomadas apenas por eles. Participar desse ambiente exige comportamentos e posições muito peculiares que talvez os homens não precisem desempenhar e isso inclui desde a insistência pelo respeito ao nosso espaço de fala, até o combate as inúmeras falas desrespeitosas sobre o papel social da mulher. Mas esse desafio não é particular do ambiente científico, é um desafio do nosso tempo que ainda exige batalhas diárias em prol de uma sociedade de homens e mulheres emancipados”.
Vitórias que marcaram a história da ANPG
Elisangela Lizardo
“Posso dizer que foram muitas, internas e externas e isso me deixa muito feliz. O Movimento Nacional de Pós-Graduandos cresceu e se enraizou muito nesse período, fruto de um trabalho de todas as gestões que nos antecederam, havia APGs e comissões pró APGs em quase todas as universidades públicas e nas grandes privadas, participamos ativamente das conferências de educação, ciência e tecnologia, saúde e juventude, participamos da comissão de elaboração do PNPG e também da regulamentação de vínculo empregatício para bolsistas, aprovamos a licença maternidade para bolsistas (ainda por meio de portaria) CAPES e CNPq, iniciamos nossa participação no Conselho Deliberativo do CNPq, provocamos o debate tão necessário sobre o assédio moral e sexual na pós-graduação, continuamos uma luta história pela aprovação do PL dos pós-graduandos (que trata sobre a regulamentação do financiamento de bolsas, assistência saúde e previdência para pós-graduandos) e aprovamos o reajuste de bolsas de mestrado e doutorado que estavam congeladas há quatro anos, como consequência de uma paralisação que mobilizou os quatro cantos do país”.
Luana Bonone
Acredito que a principal força da gestão foi ter sido construída muito coletivamente e ter bebido na história do movimento nacional de pós-graduandos. Isso é expresso na primeira vitória, que na verdade foi herdada da gestão anterior, presidida pela Elisangela, calcada na mobilização de pós-graduandos e pós-graduandas no país inteiro: o anúncio do reajuste de 20% das bolsas de pesquisa para mestrado e doutorado, pela Capes e pelo CNPq. Isso ocorreu no 23º Congresso na ANPG, em que nossa gestão foi eleita. Tal conquista teve que ser monitorada, e mantivemos permanente estado de mobilização, pois os primeiros 10% foram concedidos dois meses após o congresso, e os outros 10% apenas no ano seguinte. A este reajuste, seguiram-se reajustes concedidos pelas Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) em diversos estados. Garantida esta pauta, ampliamos o debate para o conjunto de Direitos dos Pós-Graduandos, em que retomamos o PL dos Pós-Graduandos (Projeto de Lei João Faustino, PL nº 6545/85), elaborado pela primeira gestão da ANPG, e percebemos que muitas das pautas então colocadas ainda eram atuais. Assim, demos início à elaboração do Documento de Deveres e Direitos das Pós-Graduandas e dos Pós-Graduandos do Brasil, atualizando a pauta, e enfrentamos o debate sobre a proposta de profissionalização do cientista. Defendemos que cursar a pós-graduação stricto sensu confere uma característica híbrida de estudante-trabalhador(a), dado que há produção científica de fato, há exigência de produção por parte do sistema, mas é também um período de formação. Como fruto deste debate, a ANPG passou a pautar o MEC a respeito da inclusão de pós-graduandos e pós-graduandas nas políticas de assistência estudantil, bem como pautamos o Congresso Nacional a respeito da transformação em lei de direitos já garantidos em portarias, como licença-maternidade, assim como a criação de um instrumento que permitisse o direito a seguridade social, incluindo previdência. Entramos ainda no debate sobre assédio nas universidades e sobre a saúde dos pós-graduandos e pós-graduandas. Essas pautas ainda são atuais no movimento e já obtiveram vitórias importantes no período mais recente. Bom, participamos ainda de lutas e conquistas de toda uma geração, como a inclusão, no Plano Nacional de Educação, da garantia da destinação de 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação e a aprovação do Estatuto da Juventude. Também conquistamos um assento de representante de pós-graduandos no Conselho Deliberativo do CNPq. Por isso, ao final da gestão, afirmei (e continuo achando isso) que o sentimento principal não era exatamente de “dever cumprido”, mas sim de caminho trilhado…. e sem dúvida ainda temos um bocado por trilhar”.
Tamara Naiz
“Eu considero como uma das principais vitórias na minha gestão a conquista da licença maternidade garantida em lei para as bolsistas e pós-graduandas brasileiras. Isto foi maravilhoso, porque é inaceitável que em 2017 as mulheres precisem optar por um acordo tácito, velado entre ser mãe e pequisadora – e é importante ressaltar que as mulheres que exercem mais da metade da pesquisa feita em nosso país. A outra grande conquista foi a aprovação das ações afirmativas na pós-graduação nas universidades federais. Este é um avanço muito grande para o perfil das pós-graduandas e pós-graduandos brasileiros”, isso contribui para diversidade e riqueza de nossa ciência.
Além disso, a ANPG lutou pela democaria no Brasil em 2014, contra as medidas de austeridade que o atual governo continua impondo para a ciência brasileira e em defesa da Universidade Pública. Também emplacamos uma campanha de direitos previdenciários para as pós-graduandas e os pós-graduandos”.
Atenção todas as mulheres pesquisadoras!
As presidentas da ANPG mandam um recado para todas mulheres que se dedicam a pesquisa no Brasil:
Elisangela Lizardo
“Lugar de mulher é onde ela quiser”… Esta frase acompanha algumas gerações de mulheres que ousaram trilhar um caminho diferente do “convencional” e se enveredar pela ciência e também pela política. É um caminho tortuoso, exige persistência, uma vez que nossa jornada é muitas vezes mais que tripla e um tanto quanto solitária quando decidimos ocupar espaços de direção, de protagonismo. Mas a satisfação e a liberdade de chegarmos a um bom resultado de pesquisa, a uma descoberta científica, a compreensão de um método de análise, a uma boa aula, ou ainda atingirmos a percepção de que o esclarecimento e o desenvolvimento tecnológico pode sim contribuir muito para acabar com as mazelas do mundo, faz todo sacrifício valer a pena, principalmente quando olhamos pro lado e percebemos que não estamos sozinhas.
Muitas nos antecederam e tantas outras virão depois de nós e espero que nos superem e contribuam para que um dia pouca diferença possa ser percebida na constituição de um carreira científica entre um pesquisador e uma pesquisadora. Em meu doutorado em educação, estudei a relação entre ciência e política na formação de intelectuais brasileiros, entre eles, Carolina Marstuscelli Bori, uma pesquisadora brilhante, que empenhou sua vida em defesa da ciência, foi presidenta da SBPC e deixou um legado importantíssimo para psicologia experimental. Ao lado dela, muitas outras pesquisadoras caminharam, e nela tantas outras ainda se espelham. Que possamos sempre caminhar juntas, nos apoiando, extrapolando nossos próprios limites, enfrentando juntas tudo que nos subjuga, sempre em busca do desconhecido e de uma sociedade livre!”
Luana Bonone
“Ocupem todo e qualquer espaço que puderem e quiserem. Não se deixem intimidar por docentes ou colegas que a orientem a ficar mais discreta, a ser mesmo ousada nos seus objetivos e atuação acadêmica. Mas faça isso, de preferência, considerando como cada ação contribui para um avanço mais geral… Vivemos um tempo de explosão de feminismos e reação conservadora igualmente potente. A partir da sua concepção e das suas condições, lute por seu espaço, e pelo de outras e outros que precisem de similar apoio; busque apoio naquelas e naqueles docentes e colegas que possam estar contigo em cada batalha, e não hesite em procurar também as instâncias de representação, a ANPG, pois, como me disse essa semana uma amiga muito querida, citando Clarice Lispector: “Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”.”
Tamara Naiz
“As mulheres têm sido fundamentais para os avanços e para o bom desempenho da Ciência brasileira, nós sabemos que 90% das pesquisas realizadas no Brasil são feitas no âmbito da pós-graduação e metade destes pós-graduandos são mulheres. Essas mulheres superam e lutam contra todos os empecilhos de uma sociedade machista, inclusive no acadêmico. Sabemos que é preciso ter força e garra, mas também é preciso ocupar cada vez mais esses espaços.
Também reforço, que como mulher, foi uma honra presidir a ANPG, uma entidade que foi comandada por tantas mulheres. Isto mostra que ela nasceu com um olhar diferente. Esta é uma entidade que tem um compromisso muito grande com a ciência e a educação em nosso país e espero ter contribuido significamente na trajetória desta entidade assim como outras mulheres fizeram antes de mim. Elas foram minha inspiração.
Viva o 8 de março! Viva a luta das mulheres! Viva a nossa luta em defesa da democracia, dos nossos direitos, da igualdade e da oportunidade!”
Mulheres na história da ANPG
Já no ano de sua fundação, 1986, Thereza Galvão da Silva, assumiu a presidência da entidade e teve como principal batalha vincular a bolsa ao salário de docente, o que trouxe uma mudança siugnificativa na vida dos pós-graduandos. As demais presidentas da entidade foram: Soraya Soubhi Smaili (1989-1990), Elvira Maria Ferreira Soares (1996-1997), Tatiana Lobato Lima (2001-2002), Elisa de Campo Borges (2005-2006), Maria Luiza Nogueira Rangel (2006-2007), Elisângela Lizardo (2010-2012), Luana Bonone (2012-2014) e atualmente Tamara Naiz, que está em seu segundo mandato (2014-2018).

Aconteceu agora de manha, 7 de março, na Câmara dos Deputados em Brasília, a reunião da frente parlamentar mista em defesa das universidades federais. A ANPG estava presente e foi representada pelo seu secretário-geral, Vinícius Soares, além do evento contar com a presença de representantes da UNE, Andifes, Fasubra, entre outros. A frente tem a coordenação da deputada Margarida Salomão.
Soares destacou que a defesa da universidade pública é um tema caro para a ANPG. “Nós entendemos que a universidade pública desempenha um papel muito grande na construção de um projeto nacional de desenvolvimento por país. E que a universidade também desempenha papel não apenas pra a saída da crise conjuntural que o Brasil enfrenta, mas também de colocar soluções para os problemas estruturais que afligem a sociedade”.
O secretário também destacou a movimentação para revogação imediata da EC 95 (teto dos gastos). E que a frente possa se articular com as outras frentes como a das universidades estaduais e institutos federais.
Na reunião ficou encaminhado que será pedido uma reunião com o Ministério da Educação para apresentar as demandas da frente. Além de articular as movimentação para construção de um projeto de lei de iniciativa popular para revogação da Emenda constitucional 95 e a criação de comitês locais em defesa da universidade pública.

Com o tema Em defesa da ciência, da universidade e do Brasil: o que é Público não se vende! o 26º Congresso Nacional de Pós-Graduandos já tem local e data marcada para acontecer. O evento, que é a instância máxima de deliberação da ANPG, será realizado entre os dias 29, 30 de junho a 1 de julho de 2018, na Universidade de Brasília (UnB). O tema deste ano permeará as atividades do Congresso.
O Congresso foi convocado pela diretoria executiva em sua última reunião realizada no dia 28 de fevereiro de 2018, conforme disposto no estatuto.
O 26º CNPG terá como pauta o debate e deliberação sobre teses, moções, recomendações e propostas apresentadas pelas APGs, assim como ações a serem desenvolvidas pela ANPG e a eleição da diretoria para o próximo período, além do balanço financeiro desta gestão e apresentação do relatório de gestão.
As APGs, Federações, Associações ou Comissões Pró-APG que conduzirão os processos de eleição de delegados e delegadas deverão se filiar à ANPG. Aquelas que já se filiaram durante o processo do 41º CONAP não precisam repetir o procedimento.
Para as inscrições aguarde mais informações em breve.