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Fotos: Bruno Bou
Fotos: Bruno Bou

Estratégias de divulgação científica, além das publicações especializadas, foram apresentadas durante o 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG

“Para a sociedade, no geral, o cientista é o máximo!”, disse Marcia Cançado, professora titular da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) , durante o quarto dia de programação do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), realizado na última quinta-feira (16), no debate com o tema “A popularização e divulgação da Ciência como Propulsoras da Inclusão Social e Produtiva”.

Segundo Márcia, essa é a terceira profissão mais admirada, ficando atrás apenas dos médicos e professores. Foi o que constatou uma pesquisa da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) que ouviu mais de 3 mil pessoas.

A roda de conversa mediada por Marcos de Moraes, vice-presidente regional Norte da ANPG, elencou estratégias para o maior alcance das produções científicas na sociedade, como atrair e motivar jovens pesquisadores e a ciência como solução para problemas sociais, voltada para inclusão e para promover benefícios à população.

E, sim! Os brasileiros estão bastante interessados quando se trata de ciência! Essa foi a conclusão da pesquisa de percepção pública da Ciência e Tecnologia no Brasil realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), apresentada pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, na abertura da 67ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da ciência), e também lembrada durante o debate.

Entre quase 2 mil entrevistados, 61% afirmaram ter interesse na área, ficando à frente até dos temas “arte e cultura”. E mais: 50% enxergam os cientistas como pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade e 78% querem mais investimentos na área.

“A população tem admiração pelo cientista, mas poucas pessoas conhecem nomes de universidades ou unidades de pesquisa. Ela não é popularizada, pois é muito mais feita para a academia, do que para a sociedade”, acrescenta Marcia.

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, em sua intervenção durante o debate, ponderou que o público que se destina à produção científica é questão inicial quando é iniciada uma pesquisa.
“ Os trabalhos produzidos devem gerar impacto social e transformações. Para pensar em mudar realidades, a ANPG defende que a educação cientifica seja incluída e valorizada ensino básico, e que esse incentivo à pesquisa também promova igualdade”, pondera Tamara.

A presidenta acrescentou que existe, portanto, uma necessidade de cotas raciais e renda também para a pós-graduação, devido às disparidades na formação inicial país afora.

Douglas Falcão Silva, diretor do departamento de divulgação da Secretaria de Inclusão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, lembrou que apenas 11% das escolas públicas de ensino fundamental e médio possuem laboratórios.

“E não estamos avaliando a qualidade desses espaços, apenas a questão de existir ou não. É um número muito baixo, pensando que o incentivo à ciência se dá por experimentação. Por isso, devem existir estratégias na divulgação o para alcance diversificado , levando em conta perfis sócio demográficos diferentes”.

Meios de Propagação
Falcão conta que a atividade de divulgação é institucional desde 2003 na pasta, e teve início efetivo com a criação da Secretaria de Inclusão Social, como um meio para diminuir a desigualdade no país e pensar políticas para sistemização da comunicação da produção científica.

E, acrescenta que o departamento pensa na divulgação não de forma horizontal, e sim para a sociedade não especializada, e que o seu alcance já possui variáveis positivas.

“Passaram a existir uma política de divulgação científica voltada ao o público leigo, já existem grandes avanços. Atualmente, existe concurso para a função de divulgador”, comenta.

Além disso, a quantidade de museus de ciência – importante meio de propagar a área – saltou de 106 para 270 , de 2006 até 2013.

“Ainda que a maioria esteja concentrada no sudeste, presenciamos uma variável positiva, que indica existir uma política pública na área em construção. E a ideia é distribuir esses equipamentos culturais pelo país.”

O diretor apontou que além dos museus, a feiras de ciências, que valorizam a experimentação, organizadas por meio de editais e com recursos dos fundos setoriais, as olimpíadas do conhecimento – que no Brasil é a maior do mundo., a construção de espaços como centros de pesquisas, unidades móveis e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, são os meio s eficazes para o incentivo e acesso à instrução na área.

“As feiras de ciências chegam a mobilizar mais de 100 mil estudantes, entre os visitantes e participantes, além dos professores .É comum perguntarem a ganhadores de Prêmio Nóbel sobre o início do interesse pela ciência, e a resposta comum é que tenha se iniciado em exposições da área, ainda na infância”, comentou.

O financiamento para essas ações acontecem por meio dos editais, apoio fiscal por meio da lei Rounet e as emendas parlamentares, em que deputados alocam recursos em projetos. Segundo ele, o momento atual, em que foram anunciados cortes, que envolvem também aqueles que são voltados para a pesquisa na educação básica são preocupantes, e isso aponta a necessidade de uma política constante para valorização da ciência.

“Existem transformações sociais que são valorizadas quando a economia vai muito bem por vários anos. E, infelizmente, os cortes atingiram também o ministério esse ano. Porém, tenho o gene do otimismo, e, vamos nos aproximar do financiamento privado também para os editais, intermediando as empresas que vão oferecer recursos, com as instituições propagadoras de ciência”, anuncia.

Transformar a linguagem
Adalberto Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia , diretor de relações internacionais da CAPES ( Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), avalia que a mudança no alcance da atividade científica anda junto com a mudança da sua forma e conteúdo.

“Houve uma mudança na ciência no mundo moderno. Hoje ela não é mais neutra, e sim possui finalidades sociais, responde à questões levantadas pela sociedade e deve interagir com as pessoas, por isso, existe a necessidade de ser decodificada”.

Val avalia que trazer a tarefa de tradução da pesquisa para uma linguagem acessível à sociedade ao cientista é lhe submeter a mais uma responsabilidade, em que terá que se especializar em um outra atividade.

O pesquisador lembrou que atualmente 5% dos cientistas fazem 95% da divulgação das produções na área e uma solução seria implantar a formação específica para a atividade.

“Também envolvem estratégias utilizando múltiplos meios, que vão muito além das palestras. Deve-se usar a arte e cultura, como os teatros, por exemplo , parques naturais e espaços de interação que podem desmistificar o estudo”, acrescenta.

Ele citou o Portal de Periódicos da CAPES, como uma meio eficiente de socialização do conhecimento, em que aproxima a produção científica da população, disponibilizando um acesso facilitado à qualquer área de interesse por meio do banco digital das pesquisas.

“Quando falamos em popularização da ciência deve se relacionar o conceito com a cidadania, em que o individuo tenha acesso a todo material e que o propicie mais entendimento do mundo, e para isso devem ser disponibilizados recursos técnicos, como os diferentes meios de comunicação e propagação”, disse.

Por Sara Puerta

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Proposta foi anunciada durante último debate do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, realizado na sexta-feira (17)

Um debate com ex-presidentas da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandas) – Soraya Smaili e Luana Bonone – e o vice-presidente da entidade, Cristiano Flecha, ampliou a discussão sobre o lema “Pátria Educadora”, adotado pelo governo federal nesse período. As questões abordadas levaram em conta a conjuntura atual e a necessidade de envolver a Ciência, para o alcance pleno dos objetivos a que ele propõe.

Tamara Naiz, atual presidenta da ANPG, acrescentou que não dá para separar a educação de qualidade do pilar da pesquisa, e as reivindicações de mais oportunidades em iniciação científica e mais direitos aos pós-graduandos, são essenciais para o desenvolvimento no país.

“Não existe a ‘Pátria Educadora’ senão estiverem incluídos os investimentos na área de ciência e tecnologia, já que o crescimento do país está atrelado à inovação e também à valorização do pesquisador”, disse Tamara, também lembrando que durante a assembleia de sócios da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), foram aprovadas três moções propostas pela ANPG: por mais direitos aos pós-graduandos, posicionamento contra os cortes ocorridos por conta dos justes fiscais e também contra a redução da maioridade penal.

Soraya Smaili, que é reitora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) atualmente, e esteve à frente da ANPG na fundação da entidade, em 1986, defendeu a criação de uma frente ampla contra os ajustes fiscais, que resultaria também em um movimento articulado com todas forças políticas progressistas em defesa do financiamento público para a educação, barrando retrocessos após mais de dez de crescimento.

“Não podemos utilizar esse espaço de debate apenas para criticar, e sim criar mecanismos para que a educação, e especificamente a ciência e tecnologia, não sejam impactados. Como exemplo, incluir um programa como o Reuni*, para além da graduação, ou seja incluí-lo também para a Pós-Graduação e um PAC também para o ensino ”, avalia.

Para a reitora, o Programa de Aceleração do Crescimento, que incluiu anteriormente ciclos de obras para aprimorar infraestruturas e o crescimento econômico, deve ser agora voltado para educação.

A ideia é que o Programa agregue os fundos setoriais, incluindo aqueles voltados para as áreas de pesquisa e inovação e acabar com sistemas que impedem a criação de creches e prédios de pesquisa.

Para o vice-presidente da ANPG, Cristiano Flecha, que apoia e irá construir com reitora a campanha contra os cortes gerados pelo ajuste fiscal, as diversas medidas dessa política econômica não estão dissociadas, e tendem a gerar uma profunda crise econômica e política.

“ A diminuição dos investimentos públicos e o aumento da taxa de juros, inevitavelmente levam ao esfriamento da economia nacional, o que diminui a arrecadação de impostos que gera orçamento para novos investimentos. Trata-se de um círculo vicioso, em que são retirada as bases na qual o governo pode movimentar a economia”, ponderou o vice-presidente da entidade.

Como Flecha explicou, a taxa Selic atual de 13, 75%, definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil), que norteia os juros em empréstimos e financiamentos é a segunda maior do mundo, e reajusta em até três vezes mais os títulos de dívida pública (provenientes de gastos sociais e com desenvolvimento e as dívidas contraídas anteriormente). O montante tem valores muito maiores do que a verba cortada para os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Jonathan Silva, estudante de enfermagem e diretor da UEE-SP, lembrou em sua intervenção, que o movimento estudantil fez intensa mobilização em 2011, quando a taxa Selic atingiu os 6%. “Mais do que necessário setores da sociedade e entidades estudantis entrarem em grande discussão para esclarecer a população e contribuir para a mobilização pelas mudanças nas políticas de ajustes fiscais implantadas, uma vez que ficou claro que são inaceitáveis e nada eficientes”, disse o estudante, oferecendo grande apoio na luta.

Novo modelo para a educação
Luana Bonone, que esteve à frente da ANPG entre 2012 e 2014, e atual secretária regional adjunta da SBPC, enfatiza uma auditoria da dívida pública – e sua revisão – deve ser uma bandeira para ser colocada em prática nesse momento.

“Essa é uma alternativa defendida para não ficarmos refém de economistas conservadores. É necessário auditar o quanto já foi pago dessa dívida e como pode ser revistos esse mecanismos de cobrança, sendo reavaliados por meio de instrumentos formais”, acrescentou Luana.

Luana também lembrou de rever programas, porém focando sempre em expansão e também os modelos de educação, de uma forma que desde o ensino básico a produção científica esteja disponível, o que aumentará o interesse do jovem pela escola.

“Se há um sucateamento na educação básica, logo não haverá oportunidades de formação de qualidade e, como consequência, o desperdício de talentos, que afetará a quantidade de pesquisadores futuramente, voltados para a inovação de desenvolvimento no país”.

Para ela, as universidades privadas também estão aquém quanto ao seu papel social e à produção de ciência.

“Essa carência nessas instituições acontecem por conta da falta de regulamentação, que as tornam um nicho de mercado, em que grandes grupos educacionais estrangeiros tem objetivos claros voltados apenas para o lucro”, acrescentou.

Força das Mulheres
A roda foi mediada por Gabriel Nascimentos dos Santos, vice-presidente regional Centro-Oeste da ANPG, que fez questão de lembrar que a ANPG é uma das entidades que mais vezes foram dirigidas por mulheres, sendo nove ao todo, em seus 29 anos de história.

( *Reuni: Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais)

Por Sara Puerta

Foto: Bruno Bou
Foto: Bruno Bou

Votação das propostas foram realizadas durante assembleia dos sócios da Sociedade

Nesta quinta-feira (16), quarto dia de programação da 67º Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), foi realizada a Assembleia Geral Ordinária dos Sócios da SBPC.

Dentre as atividades, foi realizada votação para as moções da Carta Oficial da Sociedade, que determina os movimentos e reivindicações em conjunto de todos os sócios e conselho da entidade. A ANPG (Associação Nacional dos Pós-Graduandos) apresentou três moções, sendo duas aprovadas: Valorização dos pesquisadores, com implantação de mais direitos aos pós-graduandos; e Campanha contra a PEC 171, que prevê a redução da maioridade penal.

A terceira moção que se posiciona contra os cortes na educação e em pesquisa cientifica foi absorvida na Carta produzida pela SBPC, que será enviada à presidenta Dilma Rousseff.

Ex-presidenta da ANPG assume Secretaria
Luana Bonone, ex-presidenta da ANPG nas gestão 2012-2014, foi empossada durante a Assembleia como Secretária Regional Adjunta da SBPC para a regional do Rio de Janeiro no biênio (2015-2017).

Próximas RAs da SBPC
Aprovadas durante a última reunião do Conselho da Sociedade e apresentadas durante a assembleia realizada nessa quinta-feira, as próximas edições da Reunião Anual serão sediadas na UFESBA (Universidade Federal do Sul da Bahia), em 2016, seguindo em 2017 para a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que receberá a 69º edição do evento.

Por Sara Puerta, de São Carlos

Juventude

Fotos: Bruno Bou

“Mão na massa”! Foi assim que Franklin Rumjanek , biólogo e pesquisador do Instituto Ciência Hoje, definiu a forma de propagar a Ciência para a juventude e sociedade no geral.

Para ele, o convite para participar do “16º Encontro Nacional de Jovens Cientistas – a Juventude com Ciência: As várias formas de transformar o Brasil”, foi bastante pontual, já que desde quando o Instituto lançou o primeiro produto para a divulgação Científica, o objetivo era cooperar com o desenvolvimento do país. Segundo ele, era uma ação revolucionária, já que uma pessoa engajada com a Ciência é também engajada na sociedade e promove transformações significativas.

“E a militância pela difusão da ciência acontece principalmente nos laboratórios, com a manipulação em que a criança e o jovem tem acesso e contato direto à experimentações”.

O Instituto há 30 anos publica a Revista Ciência Hoje em parceria com Ministério da Educação e é também responsável pelo Programa Ciência Hoje de Apoio à Educação, que treina estudantes do ensino fundamental na área de Ciência com diversas atividades, além de disponibilizar assinatura da revista.

Para Rumjanek, uma mudança necessária é pensar em construir iniciativas para propagar a ciência. Ele cita as preocupações atuais quanto ao orçamento destinado à pesquisa, por conta da carência de editais e dos investimentos, e reconhece que dinheiro é parte essencial para programas e projetos de qualidade, e também pediu apoio para a sobrevivência do Instituto.

“O essencial é não desistir de pensar na revolução que a valorização das pesquisas pode trazer à sociedade. No Brasil, é muito caro fazer ciência e precisamos de insumos que são importados, então o caminho é que se faça a produção desses elementos no país”, pondera.

Representando o movimento estudantil secundarista, Angela Meyer, presidenta da UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas) , lembrou da efervescência da juventude em junho de 2013, e as conquistas vinculadas à força das reivindicações nas ruas, principalmente para a educação e para os direitos aos estudantes, como os 50% do Pré Sal, revertidos em investimentos no ensino básico e na graduação, e o passe-livre estudantil no estado de São Paulo.

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“Nesse momento, a juventude deve estar a pleno pulmões defendendo a Petrobras, pois essa é o único meio de encontrar mais bolsas de iniciação científica no ensino médio e técnico e incentivos também do 1º ao 9º ano escolar”, disse Angela.

Carina Vitral, recém empossada oficialmente presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes) , avaliou a formação completa da juventude, com incentivo à pesquisa e a extensão, a maior força para desenvolvimento do país.

“A juventude é uma faixa da sociedade economicamente ativa e disponível à iniciação do trabalho, e uma vez que a ciência é emancipação da humanidade, temos portanto nas mãos a grande possibilidade de transformar os rumos no país”, observou a presidenta, que também lembrou que até 2022 o país estará vivendo o momento de “bônus demográfico”, que é a maior quantidade de população ativa, em comparação à crianças e idosos.

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“É extremante necessário, portanto, estar em unidade de luta para ter direitos essenciais garantidos, manter as políticas de acesso ao ensino superior e reverter qualquer possibilidade de retrocesso”, avalia.

Plenitude à Juventude
Giovanny Kley, diretor de Juventude da ANPG, contemplou aspectos essenciais dos direitos da juventude, estudantis e para a formação plena, e como consequência ser geradora de desenvolvimento para o país.

“Uma vez inserido no mercado de trabalho, a renda deve ser voltada para o jovem não apenas consumir, e sim para continuar a sua formação profissional”, acrescentou.

Para isso, é necessário que os programas de inclusão sejam completos e não pela metade. Como ele afirmou, o acesso ao ensino superior por meio dos programas como o ProUni e Fies, devem ter continuidade com mais assistência, como acesso à creche, alimentação, sistema de cotas também na graduação.

“Políticas de estado se perpetuam para a sociedade, e vão além das políticas de governo que podem acabar com fim dos mandatos”, disse o pós-graduando.

Propostas para Conferencia
O 16º Encontro Nacional de Jovens Cientistas é uma preparação e organização da comunidade para a 3ª Conferencia Nacional de Juventude.

O site do Conselho Nacional de Juventude possui uma plataforma digital em que é possível mandar propostas para a área, para a construção de uma carta com as reivindicações e moções que será apresentada no evento.

Por Sara Puerta, de São Carlos

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Aprimoramento e defesa do SUS é questão de militância intensa entre os participantes e debatedores

Na manhã dessa quarta-feira (15), a tenda da ANPG, montada na Universidade Federal de São Carlos, ficou tomada por profissionais, estudantes, pós-graduandos e especialistas de entidades ligadas à saúde para participar da Conferência Livre De Juventude Preparatória para a 15ª Conferência Nacional de Saúde.

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, abriu o evento falando da iniciativa para tratar do tema central da conversa, cujo tema foi “A Juventude por Mudanças na Saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”, dentro do 4º Salão Nacional de Divulgação, já que a saúde passa por diversas cadeias e é um claro indicativo de desenvolvimento e promoção da igualdade no país.

Tamara Saúde

“Dentro do tema, é essencial também abordar o SUS, e as particularidades que envolvem o sistema e suas transformações para atender as necessidades da população, e enfim ampliar o acesso à saúde”, afirmou a presidenta.

Dalmare Sá, diretor de saúde da ANPG e membro do Conselho Nacional de Saúde, que mediou a Conferência, falou também do papel do debate de congregar diversos movimentos de juventude, com diversidade na representação.

Dalmare - Saúde

Com a presença de jovens negros, movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans) e de religiões de matrizes africanas, em que muitas vezes não são incluídas as particularidades dos seus atendimentos, a pauta prioritária do debate e intervenções foi a defesa da saúde pública e o seu pleno acesso.

“O espaço é fundamental para propor mobilizar, articular uma organização e levar esse direito fundamental da população para forças políticas progressistas, e que haja ações efetivas para um modelo público que atenda a população amplamente”, declarou.

O diretor lembrou que, como a Conferência faz parte de um evento de uma entidade representativa de estudantes, com a presença de pós-graduandos, graduandos e secundaristas, também foi tratado a formação do profissional de saúde, em todos os níveis, para então chegar a um sistema realmente eficaz.

“Boa parte dessa formação não se faz apenas na universidade, na academia, e sim promovendo vivências. Lembrando que quando falamos de sucateamento no sistema público de saúde, são afetados os usuários e profissionais.Portanto, cabe a nós, profissionais de saúde, refazer as lutas pelo SUS”, disse o diretor de saúde, lembrando também da fiscalização da Lei Complementar nº 141, que garante valores mínimos para serem utilizados em serviços públicos de saúde que promovam a igualdade.

Michely Ribeiro, representante da Lai Lai Apejo, uma rede nacional para a saúde da população negra e AIDS e que compõe o Conselho Nacional de Saúde, iniciou sua fala questionando os participantes se há credulidade na efetivação no direito humano à saúde.

Michely Saúde

A partir daí, ela elencou que é preciso, antes de tudo, elucidar o processo sócio-histórico da sociedade brasileira e perceber que ele provoca impactos diretos nos indicados de saúde pública.

“Identificamos que as populações com maiores desvantagens e violações aos direitos humanos, são aquelas que possuem indicadores desfavoráveis em relação à saúde. Para isso, pensamos em medidas para a inclusão e promover não apenas a equidade, mas políticas para igualdade”, avalia Michely.

Reformas Essenciais

Para reverter os aspectos negativos e desiguais na saúde, ou em qualquer acesso a direitos básicos, deve-se pensar em uma democracia e políticas públicas.

Marcelo Arias, diretor de Comunicação da ANPG e membro do Conselho Nacional de Juventude, ampliou esse debate indo direto ao ponto inicial da questão, que é de onde sairiam as transformações para a sociedade brasileira: as reformas sociais e estruturais.

Marcelo Saúde

O diretor de Comunicação citou a reforma agrária, na comunicação, a tributária que envolve a taxação das grandes fortunas–, no sistema de saneamento e energia e principalmente, a reforma política, que muda as estruturas da representação no Congresso Nacional e que levaria ao fim do financiamento privado de campanhas, e consequentemente, combateria a corrupção.

“Com essas reformas, podemos refletir o quanto não haveria mais de recursos para universalizar a saúde e alterações que colocariam na frente a questão do acesso público a esse direito básico”, complementou.

Euzébio Jorge, presidente do CEMJ (Centro de Estudos e Memória da Juventude), ressaltou que a reforma que promova outras bases de transformação é a solução para concretizar os avanços ocorridos no país nos últimos 12 anos e que levaram a mais acesso à educação e aumento de renda, e que ofereceram um desenvolvimento material. Para ele, chegar perto de alcançar condições financeiras, não resolve os problemas do país.

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“É preciso pensar agora no desenvolvimento que elimine preconceitos e desigualdades, que ofereça, portanto, ganhos imateriais. Há estudos que indicam que a constância em uma situação de pleno emprego, reduz em grandes escalas problemas estruturais do mercado de trabalho, como rotatividade e preconceito”, afirmou Euzébio.

“Porém, recentemente, com os ajustes fiscais, há um claro retrocesso, portanto esse é o momento de reflexão para os rumos que o país deve tomar daqui em diante, já que há falência nesse sistema”, ponderou ele.

Carta de Ações
Na parte da tarde, os participantes da Conferência se dividiram em Grupos de Trabalho, que envolviam eixos de debates sobre direito e garantia à saúde pública, financiamento público e privado, sistemas de gestão em unidades de saúde e processo de valorização e formação dos profissionais.

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A partir das mais de duas horas de deliberação, foi aprovada uma carta de reivindicações, propostas e apontamentos com subsídios tanto para a próxima Conferência de Saúde da ANPG como para a 3ª Conferência Nacional de Juventude.

Por Sara Puerta, de São Carlos

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Fotos: Bruno Bou

No início de quarta-feira (15), pós-graduandos, graduandos e secundaristas uniram-se em um ato político, com o mote “Contra os Cortes, Por Mais Democracia e Mais Direitos”. O ato percorreu espaços da 67ª Reunião Anual da SBPC e foi realizado durante o 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os presentes reuniram-se em uma marcha que saiu da tenda da ANPG, em frente ao prédio AT9 da UFSCar, e caminhou até a ExpoT&C (mostra de ciência, tecnologia e inovação). No evento, as entidades estudantis – ANPG, UNE, UBES, UEE e UPES -, munidas de bateria, microfone e caixa de som, caminharam por entre os estandes com palavras de ordem, como “Do corte, do corte, do corte eu abro mão. Eu quero mais dinheiro pra Ciência e Educação” e “Esse ajuste tem que parar! Sou estudante e eu quero pesquisar!”.

Dentro da feira, os manifestantes pararam em frente ao stand do Ministério da Educação, onde a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, disse: “Esse é um dos ministérios mais afetados pelos cortes de verbas do orçamento de 2015. Estamos aqui para dizer que as entidades estudantis brasileiras são contra o ajuste e os cortes de verba, principalmente para a Educação e a Ciência, porque acreditamos que não é com cortes que se constrói o futuro desse país. Não vamos deixar que cortem as nossas oportunidades e sonhos!”. Na ocasião, Tamara aproveitou para chamar a atenção da CAPES para a questão das verbas do PROAP. “Nós queremos a PROAP a cem por cento, nada menos do que isso!”

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Angela Meyer presidenta da UPES, completou dizendo que: “Não é reduzindo a maioridade penal que vamos transformar a realidade do nosso país. Por isso somos contra qualquer tipo de corte que impeça os investimentos na educação, nas estruturas, na assistência estudantil e na pesquisa”.

O cortejo percorreu toda a feira científica, parando também em frente do stand do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do CineFinep, até percorrer a sessão de pôsteres, onde estudantes expunham seus trabalhos. No local, o movimento estudantil novamente gritou palavras de ordem e a presidenta da ANPG falou novamente sobre os cortes orçamentários: “Levy, guarde sua tesoura, não corte nossos sonhos!”.

Por todo o caminho, diversas pessoas pararam para ouvir as pautas do movimento, e muitas cantaram junto as palavras de ordem entoadas pelos manifestantes, como “Tira a tesoura da mão, investe na educação!”.

Após percorrer toda a ExpoT&C, o ato foi conduzido até a frente da área de alimentação da RA da SBPC, onde novamente discursaram. Leonardo Mendozza, diretor da ANPG, pontuou a questão dos cortes nas bolsas do Programa de Doutorado Sanduíche (PDSE), da CAPES, e dos estágios no exterior para pós-graduandos: “Por conta dos cortes orçamentários, os pós-graduandos não podem mais fazer estágio no exterior e atrasam suas pesquisas. Precisamos questionar a presença de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda”. Já Giovanny Kley, também diretor da Associação, pontuou a questão da redução da maioridade penal. “O Governo, ao invés de investir em pesquisa e educação, quer investir em cadeias!”, afirmou Kley.

Ao fim do cortejo, aconteceu um “pipaço”. Os manifestantes soltaram pipas e balões como referência à juventude que “quer voar” e está sendo impedida por conta dos cortes no orçamento da Educação, Ciência e Tecnologia.

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O IV Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG vai até sexta-feira (17).

Por Magdalena Bertola, de São Carlos

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Alan Kardec

Defesa da Petrobras é enfatizada por palestrantes, pela ANPG e plateia presente. Fotos: Bruno Bou

Na manhã do segundo dia (14) de programação do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, um debate posicionado estrategicamente gerou sentimento de que lutas importantes devem ser travadas para garantir mais investimentos na área de Ciência e Tecnologia.

Com o tema “A necessária recomposição da FNDCT e o seu papel para o financiamento da Ciência, Tecnologia e Inovação no país: Perspectivas de financiamento pelo petróleo, minério e outras fontes”, o debate contou com participação da secretária executiva do MCTI, Emília Cury, e o ex-diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo), Alan Kardec, que elucidaram a atual conjuntura do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e o s possíveis caminhos para a sua recomposição. Além disso, as houve um posicionamento comum entre os presentes no debate em defesa da Petrobras, no sentido de garantir recursos e investimentos para educação, pesquisa e inovação no país.

Luiz Fernando Ramos Lemos, diretor de instituições estaduais da ANPG, que integrou a mesa, afirma que esse debate é justamente lutar contra os cortes, para que eles não só sejam revertidos, mas também para que não aconteçam mais, assegurando, assim, o financiamento para Ciência e Tecnologia .

“Também, falar em soberana nacional, da produção de petróleos e minérios é reposicionar o Brasil, deixando de ser apenas produtor de matéria-prima e tornando-se fornecedor de Ciência e Tecnologia”.

Como foi citado por diversas pessoas da plateia, o chamado sentimento de “entreguismo” em relação a Petrobras incomoda quem conta com os recursos da extração do Petróleo e do Pré Sal para obter financiamento para pesquisa, e para os movimentos sociais e estudantil, no geral, que sempre defenderam a estatal. “É importante que esse debate contribua para aumentar a luta e obter unidade para proteger a Petrobras e essa ações sigam mais fortalecidas”, conclui o diretor.

Para Kardec, o debate sobre o FNDCT deve ser amplo e envolver a ANP, APGs e ANPG, uma vez que este Fundo, que conta com os recursos do petróleo como sua maior fonte mantenedora, é a maior fonte de investimento em pesquisa no Brasil.

Em 16 anos, segundo ele, mais de R$ 5 bilhões foram investidos em institutos para inovação e em bolsas com recursos das atividades do Petróleo, por parte do programa P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).

“Atualmente, o Fundo encontra-se quebrado e, sendo o petróleo uma fonte quase inteiramente comerciável, é daí que deve sair a sua reposição. Além disso, deve existir regulamentação para empresas estrangeiras que tenham concessão para extração, que devem imediatamente fazer nos laboratórios de pesquisa no Brasil, oferecendo, assim, uma contrapartida”.

A secretária de MCTI, Emilia, fez uma fala bastante transparente sobre a situação do FNDCT e do orçamento da pasta para esse ano. Segundo ela, foram cortados quase R$ 2 bilhões no orçamento geral e o esforço ficou em manter as bolsas.

“Após estudos realizados pelo Ministério foi definido que a reposição do Fundo se dará com os recursos do royalties do pré-sal para a área, a readequação dos gastos em organizações voltadas para a pesquisa e programas como o Ciência sem Fronteira, que atualmente estão sendo custeados com o seu orçamento.”

Igor Dias, tesoureiro da ANPG, comentou sobre o resultado do debate: “o debate trouxe propostas para a reposição do fundo, que reivindicaremos para se tornarem emendas e projetos de lei para a efetivação, já que está de acordo com a nossa Campanha por mais Direitos para os(as) pós-graduandos(as), que propõe 2% do PIB e 50% dos royalties do petróleo para pesquisa científica”.

Sara Puerta, de São Carlos

Foto: Bruno Bou
Foto: Bruno Bou

Evento com a presença do Ministro Aldo Rebelo foi essencial para trazer transparência e reflexões sobre o tema do financiamento em pesquisa no país

Na tarde dessa terça-feira (14), a Tenda da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) do 4º Salão Nacional de Iniciação de Divulgação Científica, teve lotação máxima ao receber mais um importante atividade da programação. Dessa vez, uma conferência com tema “Desafios e Perspectivas para o Financiamento da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil”, com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, Aldo Rebelo.

Também participou do debate Ildeu de Castro Moreira, vice-presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), convidado para promover reflexões sobre o tema e ampliar o debate. A conferência foi mediada por Tamara Naiz, presidenta da ANPG, e pelo vice-presidente da entidade, Cristiano Flecha.

“A iniciativa da ANPG em organizar essa conferência objetivou trazer transparência e um diálogo direto e franco com o Ministério. Para isso, comemoramos a presença de diversas entidades estudantis , para também obterem esclarecimentos e proporem políticas para a área”, comentou a presidenta na abertura.

O Ministro Rebelo reconheceu o papel da instituição no protagonismo na reivindicação dos direitos dos pós-graduandos e por mais investimentos em tecnologia, trabalhando junto com o ministério, e oferecendo espaço para debater as perspectivas de investimentos em Ciência e pesquisa. Também ressaltou o papel da área para obter soberania nacional.

“O Ministério tem em seu cronograma atenção e incentivos para programas estratégicos voltados para o aprimoramento da segurança digital, uma vez os pacotes utilizados atualmente no Brasil são importados, muito caros e não exclusivos, além de desenvolver satélites e a área de energia nuclear no país”.

Rebelo também falou sobre a necessidade de produzir pesquisas e inovação para sanar problemas da população para doenças como malária, esquissotomose e leishmaniose.

Sobre os investimentos para manutenção de quantidade e qualidade das pesquisas no Brasil, o ministro citou como estratégia a recuperação do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com os recursos do pré-sal destinados para a pesquisa e retirada de recursos de programas como “Ciência sem Fronteiras”, que são voltados para graduação.

Ilde de Castro, comemorou o plano apresentado e aproveitou para lembrar sobre outras formas de garantir aprimoramento na pesquisa brasileira: investimento proveniente de empresas privadas e taxação de grandes fortunas, com parte da arrecadação sendo voltada para Educação.

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“Devemos lembrar que educação científica nas bases e formação de profissionais são tarefas do Ministério e por isso a necessidade de uma agenda exclusiva para a pesquisa. E, espaços como esse, promovidos pela ANPG, são essenciais para organizar ideias, cobrar ações objetivas dos parlamentares e do governo,  assim alcançando os nossos objetivos para o progresso nessa área.”

Mais assistência e resistência
Durante o espaço voltado para as intervenções da plateia, foi constantemente mencionada a questão de mais direitos aos pós-graduandos e o vice-presidente da ANPG, Cristiano Flecha, solicitou apoio ao Ministério para as reivindicações.

“Lembramos que não há qualquer emenda ou portaria que assegure o direito à saúde para quem faz as pesquisas hoje no país, as pós-graduandas não possuem licença-maternidade e é necessário levar a reivindicação ao Ministério da Educação, que é o órgão que regulamenta o benefícios”, disse Flecha, que também reivindicou unidade na luta contra o projeto do Senado José Serra, que ameaça o regime de partilha dos recursos gerados pelo pré-sal, que uma vez aprovado, prejudicará investimentos em ciência e tecnologia no país.

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Por Sara Puerta, de São Carlos

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Fotos: Bruno Bou

A Mostra Científica do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, realizada na segunda e terça-feira (13 e 14), reuniu pós-graduandos, graduandos e professores universitários que apresentaram trabalhos de diversas áreas do conhecimento e promoveram uma verdadeira troca de conhecimento. Além disso, os debates, surgidos a partir da apresentação dos trabalhos, contribuíram para a pluralidade e para o pensamento crítico e construtivo da educação.

“Como atividade já consolidada dentro dos Salões da ANPG, a Mostra Científica configura-se como um espaço bastante interativo, dinâmico e colaborativo, onde pós-graduandos, graduandos e professores podem expor seus trabalhos, de forma a divulgar e compartilhar conhecimento com a comunidade acadêmica e a sociedade em geral”, diz Lenilton Silveira, vice-presidente Regional Nordeste da ANPG e coordenador da Mostra Científica.

Bruno Floriani, doutorando em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e avaliador da Mostra pela segunda vez, acredita que um evento como esse é importante para trazer a tona o que temas pesquisados no Brasil.

“Em alguns congressos, as pessoas ficam fechadas em suas áreas de atuação. No caso da Mostra Científica da ANPG, temos a chance de caminhar por outras estradas do conhecimento. Isso nos faz refletir novas formas de pensar as áreas da Ciência, e isso é muito construtivo”, afirma.

Bruno, avaliador da Mostra
Bruno Floriani, avaliador da Mostra

“Se pensarmos no desenvolvimento do país, vemos que precisamos educar as pessoas. E essa educação também parte do pressuposto de conhecer um pouco da Ciência e da Tecnologia. Quando nos reunimos para esse tipo de evento, estamos dando um sinal para o país do que queremos e como queremos chegar lá. Por esse motivo, essas Mostras são tão importantes para o desenvolvimento e fortalecimento da pesquisa”, completa.

PLURALIDADE
Os trabalhos apresentados provam tal pluralidade salientada pelo organizador e avaliador da Mostra. Na grade de apresentações: ciências sociais, física, ciências da saúde, biológicas e muitas outras.

Rívia de Jesus Santos, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), apresentou sua pesquisa sobre a Cultura Popular no âmbito educacional. O trabalho consistiu em avaliar a utilização da cultura e folclore afro-brasileiros no sistema de ensino de três escolas públicas da cidade e Itabuna, na Bahia. “Itabuna é um local onde identificamos várias tradições artísticas da cultura popular, então busco saber como essas escolas estão trabalhando esses elementos”, afirma.

Para Rívia, que participou da Mostra pela primeira vez, é importante expor sua pesquisa na Mostra, pois o contato com as pessoas presentes traz troca de conhecimentos. “Acredito que outras pessoas que ouviram minha pesquisa possam contribuir para o trabalho”, afirma.

Enquanto Rívia falava sobre educação, Rafael Veloso Luz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falava sobre o tempo nas suas mais variadas formas, a partir da Física. “Como faço minha pesquisa no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), que além de ser uma instituição de pesquisa, é um museu de ciências, ou seja, um local que mistura Física com Educação, então tudo o que fazemos lá é com o intuito de popularizar nossas pesquisas. Por isso fizemos uma exposição”, explica Veloso, que trabalha a questão a partir de uma exposição onde as pessoas descobrem mais sobre o que é o Tempo. Para ele, falta divulgação da área de Ciências Exatas e, portanto, um evento como esse é importante para divulgar as pesquisas realizadas no Brasil e a importância desses trabalhos.

A Mostra de Ciência e Tecnologia aconteceu durante o IV Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, que está acontecendo desde segunda-feira (12) e vai até sexta (17), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo.

Por Magdalena Bertola, de São Carlos