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Foto: Bruno Bou
Foto: Bruno Bou

Evento com a presença do Ministro Aldo Rebelo foi essencial para trazer transparência e reflexões sobre o tema do financiamento em pesquisa no país

Na tarde dessa terça-feira (14), a Tenda da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) do 4º Salão Nacional de Iniciação de Divulgação Científica, teve lotação máxima ao receber mais um importante atividade da programação. Dessa vez, uma conferência com tema “Desafios e Perspectivas para o Financiamento da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil”, com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, Aldo Rebelo.

Também participou do debate Ildeu de Castro Moreira, vice-presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), convidado para promover reflexões sobre o tema e ampliar o debate. A conferência foi mediada por Tamara Naiz, presidenta da ANPG, e pelo vice-presidente da entidade, Cristiano Flecha.

“A iniciativa da ANPG em organizar essa conferência objetivou trazer transparência e um diálogo direto e franco com o Ministério. Para isso, comemoramos a presença de diversas entidades estudantis , para também obterem esclarecimentos e proporem políticas para a área”, comentou a presidenta na abertura.

O Ministro Rebelo reconheceu o papel da instituição no protagonismo na reivindicação dos direitos dos pós-graduandos e por mais investimentos em tecnologia, trabalhando junto com o ministério, e oferecendo espaço para debater as perspectivas de investimentos em Ciência e pesquisa. Também ressaltou o papel da área para obter soberania nacional.

“O Ministério tem em seu cronograma atenção e incentivos para programas estratégicos voltados para o aprimoramento da segurança digital, uma vez os pacotes utilizados atualmente no Brasil são importados, muito caros e não exclusivos, além de desenvolver satélites e a área de energia nuclear no país”.

Rebelo também falou sobre a necessidade de produzir pesquisas e inovação para sanar problemas da população para doenças como malária, esquissotomose e leishmaniose.

Sobre os investimentos para manutenção de quantidade e qualidade das pesquisas no Brasil, o ministro citou como estratégia a recuperação do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com os recursos do pré-sal destinados para a pesquisa e retirada de recursos de programas como “Ciência sem Fronteiras”, que são voltados para graduação.

Ilde de Castro, comemorou o plano apresentado e aproveitou para lembrar sobre outras formas de garantir aprimoramento na pesquisa brasileira: investimento proveniente de empresas privadas e taxação de grandes fortunas, com parte da arrecadação sendo voltada para Educação.

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“Devemos lembrar que educação científica nas bases e formação de profissionais são tarefas do Ministério e por isso a necessidade de uma agenda exclusiva para a pesquisa. E, espaços como esse, promovidos pela ANPG, são essenciais para organizar ideias, cobrar ações objetivas dos parlamentares e do governo,  assim alcançando os nossos objetivos para o progresso nessa área.”

Mais assistência e resistência
Durante o espaço voltado para as intervenções da plateia, foi constantemente mencionada a questão de mais direitos aos pós-graduandos e o vice-presidente da ANPG, Cristiano Flecha, solicitou apoio ao Ministério para as reivindicações.

“Lembramos que não há qualquer emenda ou portaria que assegure o direito à saúde para quem faz as pesquisas hoje no país, as pós-graduandas não possuem licença-maternidade e é necessário levar a reivindicação ao Ministério da Educação, que é o órgão que regulamenta o benefícios”, disse Flecha, que também reivindicou unidade na luta contra o projeto do Senado José Serra, que ameaça o regime de partilha dos recursos gerados pelo pré-sal, que uma vez aprovado, prejudicará investimentos em ciência e tecnologia no país.

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Por Sara Puerta, de São Carlos

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Fotos: Bruno Bou

A Mostra Científica do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, realizada na segunda e terça-feira (13 e 14), reuniu pós-graduandos, graduandos e professores universitários que apresentaram trabalhos de diversas áreas do conhecimento e promoveram uma verdadeira troca de conhecimento. Além disso, os debates, surgidos a partir da apresentação dos trabalhos, contribuíram para a pluralidade e para o pensamento crítico e construtivo da educação.

“Como atividade já consolidada dentro dos Salões da ANPG, a Mostra Científica configura-se como um espaço bastante interativo, dinâmico e colaborativo, onde pós-graduandos, graduandos e professores podem expor seus trabalhos, de forma a divulgar e compartilhar conhecimento com a comunidade acadêmica e a sociedade em geral”, diz Lenilton Silveira, vice-presidente Regional Nordeste da ANPG e coordenador da Mostra Científica.

Bruno Floriani, doutorando em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e avaliador da Mostra pela segunda vez, acredita que um evento como esse é importante para trazer a tona o que temas pesquisados no Brasil.

“Em alguns congressos, as pessoas ficam fechadas em suas áreas de atuação. No caso da Mostra Científica da ANPG, temos a chance de caminhar por outras estradas do conhecimento. Isso nos faz refletir novas formas de pensar as áreas da Ciência, e isso é muito construtivo”, afirma.

Bruno, avaliador da Mostra
Bruno Floriani, avaliador da Mostra

“Se pensarmos no desenvolvimento do país, vemos que precisamos educar as pessoas. E essa educação também parte do pressuposto de conhecer um pouco da Ciência e da Tecnologia. Quando nos reunimos para esse tipo de evento, estamos dando um sinal para o país do que queremos e como queremos chegar lá. Por esse motivo, essas Mostras são tão importantes para o desenvolvimento e fortalecimento da pesquisa”, completa.

PLURALIDADE
Os trabalhos apresentados provam tal pluralidade salientada pelo organizador e avaliador da Mostra. Na grade de apresentações: ciências sociais, física, ciências da saúde, biológicas e muitas outras.

Rívia de Jesus Santos, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), apresentou sua pesquisa sobre a Cultura Popular no âmbito educacional. O trabalho consistiu em avaliar a utilização da cultura e folclore afro-brasileiros no sistema de ensino de três escolas públicas da cidade e Itabuna, na Bahia. “Itabuna é um local onde identificamos várias tradições artísticas da cultura popular, então busco saber como essas escolas estão trabalhando esses elementos”, afirma.

Para Rívia, que participou da Mostra pela primeira vez, é importante expor sua pesquisa na Mostra, pois o contato com as pessoas presentes traz troca de conhecimentos. “Acredito que outras pessoas que ouviram minha pesquisa possam contribuir para o trabalho”, afirma.

Enquanto Rívia falava sobre educação, Rafael Veloso Luz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falava sobre o tempo nas suas mais variadas formas, a partir da Física. “Como faço minha pesquisa no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), que além de ser uma instituição de pesquisa, é um museu de ciências, ou seja, um local que mistura Física com Educação, então tudo o que fazemos lá é com o intuito de popularizar nossas pesquisas. Por isso fizemos uma exposição”, explica Veloso, que trabalha a questão a partir de uma exposição onde as pessoas descobrem mais sobre o que é o Tempo. Para ele, falta divulgação da área de Ciências Exatas e, portanto, um evento como esse é importante para divulgar as pesquisas realizadas no Brasil e a importância desses trabalhos.

A Mostra de Ciência e Tecnologia aconteceu durante o IV Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG, que está acontecendo desde segunda-feira (12) e vai até sexta (17), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo.

Por Magdalena Bertola, de São Carlos

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oto: Bruno Bou Haya

O primeiro dia de debate teve manifestações de diretores da ANPG e pós-graduandos de diversas APGs em defesa da Petrobrás

Uma mesa “de peso” deu início aos debates da programação do 4º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG , na tarde desta segunda-feira (13).

A abertura contou com a intervenção de um ator interpretando o físico Albert Eistein (1879 – 1955), falando da importância da imaginação, intuição, mistérios do universo e, claro, da importância da ciência e da pesquisa para desvendá-los.

O debate “Desafios da Inovação no Brasil” contou com a presença de três grandes apoiadores e incentivadores de pesquisa no país: Luis Manoel Fernandes, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Inácio Arruda, ex-senador e Secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará e Victor Pellegrini Mammana, diretor geral do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer. Mediado por Gabrielle Paulanti, secretária geral da ANPG, e Fábio Palácio, diretor da Fundação Mauricio Grabois, o debate jogou luz a questões como as necessidades de transformar conhecimento em riqueza social e econômica: “Esse é o caminho genuíno para o crescimento e desenvolvimento do país”, disse.

Luis Fernandes apresentou um panorama dos investimentos em pesquisa no país desde os anos 70 e suas mudanças até hoje, passando pela vertiginosa queda nos anos 80 e 90. Após essas décadas, durante o primeiro Governo Lula, iniciado em 2003, houve um cronograma de eliminação do contingenciamento até 2010, o que fez o orçamento para Ciência e Tecnologia saltar de R$ 600 milhões para os R$ 2 bilhões, que resultou em reformas estruturantes e a criação da lei da Inovação.

“Com esse planejamento houve uma recuperação do FNDTC (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), porém novamente caímos nos entraves de ‘ bipolaridade’ entre os parlamentares que ora oferecem, ora retiram “, disse.

Segundo ele, se faz necessário uma reforma social no país, para que parlamentares estejam de acordo com o que é importante para o crescimento.

“Hoje há uma convergência de pensamento de que estamos em uma época da economia de conhecimento, portanto é necessário ter programas cobrindo toda a cadeia de inovação e não devemos nos contentar em subordinação com cadeias globais de agregação de valor”.

Inácio Arruda lembrou da importância desse debate proposto pela ANPG, já que está em discussão o PPA (Planejamento PluriAnual) até 2019, e é necessária a divisão de investimentos em todo país, onde há fundos setoriais, assim, descentralizando do sudeste.

“Cada edital que lançamos, por exemplo, no Ceará, é surpreendente o número de empresas que apresentam projetos”, observa.

Arruda também alerta para superação de queda nos investimentos, que atrapalham muito as pesquisas em andamento, e disse que é necessário encontrar fontes permanentes para investimentos.

O secretário citou o exemplo da Embrapa (Empresas Brasileira de Pesquisa Agropecuária) que obtém financiamento público e privado e obtém constância em projetos e reconhecidos mundialmente.

“Também deve-se rever a Lei das Patentes para resolver entraves na inovação no país. Por conta da demora para liberá-las, muitas vezes até mais de dez anos, a produção e inovação nacional são prejudicadas, perdendo a competitividade em relação a outros países”, aconselhou.

Victor Mammana, do Centro Renato Archer, localizado em Campinas, e que é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, fez uma fala bastante progressista, alertando para os retrocessos no país, incluindo os sociais, como a redução da maioridade.

Também apresentou o Programa do Centro chamado “Wash!” (Workshop de Aficionados de Software e Hardware), ou mais popularmente conhecido como “Rolezinho da Ciência”, que leva institutos de pesquisa em bairros de baixa renda.

“O programa estimula o interesse dos jovens na ciência de uma forma diferente e também recebemos a notícia que teremos uma bolsa de iniciação para estudantes do ensino médio que participarem”, contou.

A iniciativa foi bastante comemorada por estudantes do ensino médio e técnico presentes no local.

A defesa da Petrobras
Citada por Mammana no debate, a ameaça à Petrobras quanto à sua privatização, foi um tema que atraiu diversas falas e intervenções.

“Ela é a principal empresa no país que oferece investimentos à pesquisa, à cultura e  educação. Além disso, os fundos setoriais do Pré-Sal também devem ser destinados em partilha para incentivos à Ciência e Tecnologia”, avalia. Esse investimento dos fundos setoriais na estatal reveberaria em produção de tecnologia própria, o que a tornaria autossuficiente e referência em inovação e engenharia no mundo.

Tamara Naiz, presidenta da ANPG reafirmou a luta da entidade pela Petrobrás, que, esse ano, saiu em defesa da estatal por diversas vezes em atos públicos e em uma blitz no Congresso, visando defendê-la para alavancar os investimentos na ciência.

“Como falar em soberania, senão falarmos em inovação? Lembramos que os investimentos, nesse caso, devem ser voltado para transformação social, já que os países que mais investem em ciência e tecnologia também voltam suas pesquisas para a indústria bélica”, discursou.

debatePresidenta da ANPG, Tamara Naiz homenageia Luiza Rangel, ex-presidenta da entidade

A presidenta também aproveitou para saudar as mulheres pós-graduandas presentes no Salão. Lembrando do empoderamento feminino nas pesquisas, suas lutas em um ambiente, antes predominantemente, masculino, e que tem aumentado. “Esse deve ser um espaço na formação cada vez mais plural em gênero, raça e renda”.

Por Sara Puerta, de São Carlos

Nesta segunda-feira (13), o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, realizou a conferência de abertura da programação científica da 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

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Fotos: Bruno Bou

Rebelo falou sobre os esforços realizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pela emancipação científica e tecnológica do Brasil. “Estamos em busca de um país desenvolvido e socialmente equilibrado e o MCTI visa olhar para o futuro, e não apenas para as adversidades do momento. O Brasil precisa da Ciência, Tecnologia e Inovação para promover sua independência científica”, afirmou o Ministro.

E destacou a criação de programas estratégicos para alavancar a inovação no Brasil e que precisam ser aprimorados, como o projeto de construção e desenvolvimento de satélites; o Programa Nuclear Brasileiro; o fortalecimento da proteção digital; os acordos de cooperação com demais países no intuito de se ajudarem mutuamente em áreas como Saúde, Aeroespacial, energias; dentre outros.

Durante a conferência, a ANPG e o Cômite São Carlense em defesa da Educação, entregaram uma carta ao Ministro, com diversas reivindicações das entidades, destacando os necessários reajustes anuais de bolsas e taxação das grandes fortunas, evitando os cortes praticados pelos ajustes fiscais.

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, questionou o ministro sobre qual a agenda de investimento para pesquisa, ciência e inovação, já que por conta do tamanho e disponibilidade de recursos naturais no país, é injustificável não existirem mais incentivos.

O ministro respondeu sobre a inclusão de obras de Ciência e Tecnologia no PAC (Programa de Aceleração ao Crescimento) e reposição dos fundos para o investimento e readequação de investimentos, que estão sendo utilizados na graduação.

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Já pela noite, a tenda da ANPG que abriga o Salão de Divulgação Científica recebeu integrantes da Nação Hip Hop para apresentação de rimas. O espaço também foi livre para apresentação de composições do participantes do evento. As rimas e os poemas falavam principalmente sobre justiça social e contra a redução da maioridade penal

Por Sara Puerta, de São Carlos

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Foto: Felipe Linhares / Ascom MCTI
Foto: Felipe Linhares / Ascom MCTI

Evento contou com participação da presidenta da ANPG na mesa, homenageados e anúncios dos ministros da Educação e Ciência, Tecnolgia e Inovação

Na noite de ontem (12) foi aberta oficialmente a 67ª Reunião Anual da SBPC, que acontece até sexta-feia (18) na Universidade Federal de São Carlos. A cerimônia contou com a participação de um grande número de dirigentes das áreas de C,T&I e Educação, as entidades estudantis ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos) e UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas) e os ministros da Educação, Renato Janine e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, comemorou a participação da entidade mais uma vez, e reiterou o convite aos presentes à participarem do 4º Salão Nacional  de Divulgação Científica, promovido pela entidade durante a 67ª RA da SBPC , cujo tema central é Financiamento da Ciência no Brasil.

“Reconhecemos os avanços nos últimos anos quanto à educação e aos programas de incentivo à pesquisa, porém queremos mais possibilidades. Reafirmamos nossa luta contra os cortes, por mais avanços. E queremos respostas com uma agenda de investimentos no setor, já que a Ciência é o principal meio para gerar riqueza e dignidade à população brasileira”, afirmou a presidenta no púlpito.

Durante o evento, Rogério Marzola, coordenador geral da Fasubra Sindical (Federação de Trabalhadores das Universidades Brasileiras), falou sobre os direitos trabalhistas nas universidade e houve intervenção contra os cortes, da ANPG e do Cômite São Carlense em defesa da Educação, entregando carta ao Ministro da Educação, pela valorização da pesquisa e do pesquisador.

Janine, em sua fala, anunciou dois editais de pesquisa voltados para a produção de biografias e sobre as “revoltas populares”, pois elas são capazes de jogar “luz” ao poder combativo brasileiro.

Já Aldo Rebelo anunciou que o Ministério está buscando soluções para recompor o orçamento voltado à pesquisa e inovação. “Temos o papel de liderar o movimento nacional pela valorização do setor de Ciência e Tecnologia. Devemos recompor os recursos com os fundos vindos do petróleo e incluir obras de ciência e tecnologia no Programação de Aceleração do Crescimento , entre outras ações”, anunciou.

Homenageados
Durante a cerimônia, várias homenagens foram realizadas a figuras marcantes para a Ciência brasileira. O primeiro homenageado foi Luiz Hildebrando Pereira da Silva, um dos mais respeitados especialistas em doenças tropicais do mundo que faleceu em setembro do ano passado. Outro homenageado foi Leopoldo de Meis, pesquisador que, além de contribuições importantes na sua área principal de atuação, a Bioquímica, também foi referência nas áreas de Sociologia da Ciência, Educação Científica e Cienciometria. De Meis também faleceu no final de 2014. Por fim, a Reunião Anual de 2015 também homenageou o professor, pesquisador e historiador Mário Tolentino, um dos maiores educadores de São Carlos, inicialmente na Educação Básica e, depois, na UFSCar.

Por Sara Puerta, de São Carlos

reunião - 4o salão

Atividade deu início ao 4º Salão Nacional de Divulgação Científica e incluiu aprovação de cartas oficiais e agenda de mobilização contra os cortes

Nesse domingo (12), dia de comemoração para a Associação Nacional de Pós-Graduandos, já que a entidade completou 29 anos de trajetória, também deu-se o início da programação do seu já tradicional Salão Nacional de Divulgação Científica, com a reunião da diretoria plena para definir a próxima agenda de lutas, os desafios para o segundo semestre, apresentação das atividades do evento, entre outras definições.

Essa que é a quarta edição do Salão e integra a programação do 67ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). A programação acontece até a próxima sexta-feira, dia 17 de julho, na UFSCar ( Universidade Federal de São Carlos).

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, começou a reunião saudando as quase três décadas da entidade, ressaltando as lutas incondicionais por mais direitos aos pós- graduandos, e também lembrou as atuações e os grandes passos realizados nesse um ano de gestão da atual diretoria. “Realizamos atividades que mudam os rumos para o avanço que desejamos ver na pesquisa e ciência, como a ‘Caravana por mais direitos aos pós-graduandos’, realizada em maio, em Brasília, a participação em manifestações contra o retrocesso e por mais direitos, e atuação e reivindicações junto à agências de fomentos e a CAPES”, afirmou.

A Caravana em Brasília, que contou também com uma blitz no Congresso Nacional, culminou na criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Ciência, Tecnologia e Pós Graduação.

Flavio Franco, diretor de ensino à distância da ANPG e mestrando em Relações Internacionais pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), disse que a mobilização, com mais de 150 pós-graduandos de todo o país, foi bastante positiva já que as demandas discutidas pelas associações reverberou em ações no âmbito político, incluindo parlamentes, reitores e gestores no geral.

“Também ampliamos o debate quanto a políticas afirmativas de cotas na pós-graduação, uma vez que na graduação incluímos mais estudantes negros, e na pesquisa científica o número é muito pequeno ainda. Além disso, levamos à frente as demandas de valorização do pesquisador, humanização nas relações da produção científica, aumento progressivo no valor das bolsas com base na inflação e direitos trabalhistas”, avalia Franco.

Para o próximo semestre, entre as atividades definidas, estão as Blitz em Reitorias para a defesa das bolsas de pesquisa (em agosto e setembro), a realização do CONAP (Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos), com candidaturas para acontecer em Campinas, Fortaleza ou Ribeirão Preto, e a criação de um grupo de trabalho, com estudos e pesquisas sobre os subsídios necessários para implantar os direitos aos pós–graduandos que a entidade defende.

Repúdio aos Cortes
Um dos principais pontos tocados durante a reunião foi os recentes cortes anunciados na educação e nos investimentos em pesquisa científica, como a do Proap (Programa de Apoio à Pós- Graduação), de 75%.

Cristiano Flecha, vice-presidente da ANPG, diz que há necessidade de uma organização conjunta para barrar a política de ajustes fiscais, que ele avalia como uma reação em cadeia, e que são extremamente prejudiciais à educação e ao incentivo à pesquisa, uma vez que são escolhidos cortes em direitos, em vez de taxação de grandes fortunas.

“Se seguirmos essa tendência, no próximo ano o número de bolsas será muito menor. Devemos partir para a conscientização e para ações que sensibilizem e mobilizem toda a comunidade acadêmica, incluindo ‘calouradas’ para amplificar aos ingressantes sobre a conjuntura e paralização nacional, em unidade, como a definida para 11 de agosto, no último Congresso da UNE”, disse Flecha.

Fernanda Marques , do Programa de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, alerta para os erros de planejamento estratégico nos repasses de verbas do Proap, que é voltada para a compra de insumos materiais para laboratórios, e que são comprados por meio de pregões, em lotes. Caso um item não seja aceito, todo o lote é rejeitado e a verba devolvida.

“O problema é que esse dinheiro não é reembolsado. Ele se perde. Muitas vezes bolsas também são devolvidas à Capes, e não são novamente inseridas. Os cortes já ficam claros com impressões controladas, defesas de teses por vídeo conferncias e compra de menos materiais, fatores que geram trabalhos, possivelmente, com menos qualidade” , observa.

Durante a reunião foram aprovadas duas cartas que foram entregues ao Ministros da Educação Renato Janine e o de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo. Uma delas aprovada pela diretoria da entidade e outra do Cômite São Carlense de Defesa para Educação, que é composto por diversas movimentos e representações de estudantes, entre elas, a ANPG.

Grupo de Apoio
Fernanda Lucas, doutoranda em ciências ambiental e diretora da APG USP Capital, apresentou, durante a reunião, um grupo de trabalho voltado para vítimas de assédio moral e sexual na pós-graduação.

O grupo conta com quatro integrantes na USP em São Paulo e também com atividades nas APGs Ribeirão Preto, Piracicaba e São Carlos. Segundo ela, são fatos que muitas vezes são ocultados, já que as instituições muitas vezes se omitem para não serem consideradas coniventes.

“Oferecemos o acolhimento e criamos ferramentas virtuais como um site e um tumblr para institucionalizar o combate ao assédio. Trocamos experiências e enviamos materiais para o empoderamento e consciência das vítimas, uma vez que essas só percebem quando já estão pensando em desistir ou estão depressivas”.

Fernanda acrescenta que o assediador comumente age porque não há denúncias e não há testemunhas, por isso a necessidade de divulgar o grupo de trabalho e estreitar os laços para obter respaldo da gestão das universidades.

Por Sara Puerta, de São Carlos

Matéria relacionada:

Nota de repúdio ao Corte de verbas do PROAP

A Associação Nacional de Pós-graduandos foi surpreendida no dia de hoje com o contingenciamento de aproximadamente 75% do orçamento do Programa de Apoio à Pós-graduação (PROAP), sem qualquer contato ou diálogo prévio com a entidade representativa do conjunto de pós-graduandos brasileiros. O programa é responsável pelo custeio da pós-graduação brasileira. O corte em seu orçamento impossibilita a mobilidade de pesquisadores, a divulgação científica e as demandas assumidas pelos programas de pós-graduação no sentido de ofertar melhores condições de pesquisa aos pós-graduandos.

A ANPG repudia o corte em nesta área estratégica que deveria estar na centralidade das políticas em um país que historicamente investe muito pouco na formação de especialistas, visando a formação de recursos humanos qualificados. Temos entrado em contato, muitas vezes sem resposta, com a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) buscando colocar o financiamento da pós-graduação, ciência e tecnologia como um dos temas centrais do principal lema do governo – Pátria Educadora – no interesse de atender às metas ousadas do Plano Nacional de Educação. Sendo o PROAP o custeio da pós-graduação, um recurso ainda insuficiente para as metas que o Brasil deve atingir, o corte em seu orçamento tanto dificulta quanto impossibilita a geração de quadros funcionais para a qualificação de recursos humanos em nível avançado no Brasil.

A ANPG repudia veementemente esse corte. Ele é absolutamente inaceitável. Ainda mais pelo fato dele ser o produto de uma política de ajuste fiscal que esta trazendo a recessão econômica para o pais. Em um momento de crise econômica é justamente o contrário que o deveria ser feito, por isso nos dirigimos à presidente Dilma Rousseff para que reverta o corte orçamentário do MEC e recomponha as verbas do PROAP e demais programas do MEC que vem sendo afetados pelo ajuste fiscal.

São Paulo, 10 de julho de 2015

Mostra

Confira as salas e horários das apresentações dos trabalhos da Mostra de Ciência e Tecnologia do IV Salão de Divulgação Científica da ANPG. O arquivo encontra-se em pdf: RESULTADO FINAL – Mostra Científica

Confira tudo sobre a Mostra e o IV Salão:

ATENÇÃO: Alterações na programação do IV Salão e publicação da programação cultural

Vem aí o 4º Salão Nacional de Divulgação Científica!

Instruções para acesso à rede sem fio da UFSCar durante a RA da SBPC e o IV Salão de Divulgação Científica da ANPG

Confira o edital da Mostra de Ciência e Tecnologia do IV Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG

Da redação

Confira a lista de aprovados para a Mostra de Ciência e Tecnologia do IV Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG. Com o tema “Desafios e perspectivas para o financiamento da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil”, o evento, que acontecerá entre os dias 13 e 16 de julho, visa receber trabalhos acadêmicos  de  estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores  de todos os estados e instituições de ensino  e pesquisa do país, sendo estes provenientes de  estudos diversos,  em andamento  ou  concluídos, reflexões e relatos de experiência relacionados ao fomento da inovação  científica, social, artística e cultural e a estas enquanto produto ou processo.

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