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A crise financeira pela qual passa o Estado do Rio de Janeiro tem agravado a situação da educação e da pesquisa científica nacional, de modo que os pós-graduandos e pós-graduandas começam a sofrer seus efeitos.
A situação de gravidade diante do severo desfinanciamento das universidades estaduais (UERJ, UENF e UEZO) e das instituições de fomento à pesquisa no estado tem sido motivo de preocupação para as entidades científicas e estudantis de todo o país, na qual a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) se insere. De projeção e importância nacional e internacional, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) sofreu por meio de decreto do governador Pezão, um corte de 30% nos seus recursos.
Ademais a situação de atraso recorrente no pagamento de bolsas de pesquisas de pós-graduandos tem agravado um cenário que já se mostra caótico. De um lado, vemos bolsistas em situação de até três meses de atraso no pagamento de suas bolsas, enquanto grandes empresários continuam a ser favorecidos por isenções fiscais em setores da economia que pouco colaboram para o desenvolvimento do estado.
A privatização da CEDAE, por outro lado, mostra como os interesses espúrios dos governos estadual e nacional sob o comando do PMDB de Pezão e Temer estão coadunados com o ataque desmedido ao caráter público das nossas instituições. No cenário nacional, por exemplo, o governo ilegítimo de Temer reduziu em 44% o orçamento para a ciência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o que causa na prática o comprometimento de instituições históricas para a pesquisa no país.
É grave a situação que assola a pesquisa científica e as universidades na sua missão de construção e produção de saber no estado do Rio de Janeiro.
Nesse cenário as Universidades Estaduais e a FAPERJ pedem socorro, visto que se enfraquecem pelas consequências políticas de buscar a saída da crise por medidas de austeridade. Como consequência, temos o encerramento precoce de pesquisas, o atraso no pagamento dos bolsistas e a ameaça real de fechamento que paira sobre as universidades estaduais: UERJ, UENF e UEZO.
A ANPG repudia os ataques desferidos às universidades estaduais do Rio de Janeiro bem como à FAPERJ e vem a público convocar os(as) pós-graduandos(as) a participarem deste abaixo-assinado pelo pagamento imediato das bolsas FAPERJ atrasadas e contra qualquer corte em educação, ciência e tecnologia. Ele é parte de uma campanha de mobilização que envolverá diversas ações organizadas pelos pós-graduandos. Assinando o abaixo-assinado você receberá por e-mail novidades da campanha.
 

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Professor de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ildeu de Castro Moreira foi vencedor do Prêmio José Reis de Divulgação Científica em 2013 e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da qual foi eleito durante a 69ª Reunião Anual da SBPC, em Belo Horizonte. Ildeu conversou com a ANPG sobre os desafios da ciência brasileira. Confira:
Quais são os maiores desafios para a Ciência brasileira nos próximos anos?
Um desafio grande, emergencial, que a gente está vivendo, é o corte drástico de recursos para a ciência e para a tecnologia. Isso também afeta muitas áreas da Educação. Então esse é um desafio, a gente recuperar recursos, senão a gente vai ter um país com possibilidades de avanço muito reduzidas.
No mundo moderno a ciência e a tecnologia são fundamentais. Se nós não tivermos os recursos adequados, e eles foram drasticamente reduzidos, para formação de pessoal, para Pesquisa, para investimento em novas iniciativas, aí a ciência brasileira começa a andar para trás. E ela andou para frente significativamente nos últimos 20 anos.
Nós estamos vivendo um momento muito difícil, que está ameaçando o trabalho dos cientistas, dos estudantes, dos pesquisadores, da pós-graduação. Esse é o principal desafio. O Brasil vive uma crise grande, problemas sociais graves, problemas econômicos graves, e a ciência também está envolvida nisso.
A gente tem que discutir como a comunidade científica pode colaborar, e ela tem feito isso, a SBPC tem lutado continuamente pela reversão desse quadro, do ponto de vista dos recursos específicos da Educação, mas também para ter uma ciência mais conectada com a realidade de vida das pessoas, com o sistema produtivo, e pela melhoria da qualidade geral da Educação brasileira. Esse também é um grande desafio.
O que falta para a ciência estar mais conectada com a sociedade, mais presente no dia a dia do brasileiro?
Não é um fator único que determina isso. É uma questão histórica. A nossa ciência e a nossa Educação são muito recentes em comparação com países europeus, que tem uma inserção na sociedade muito mais ampla. Apesar disso o Brasil tem uma inserção muito grande em áreas como a Saúde, a gente tem áreas de interação com a sociedade que a ciência é decisiva. A Saúde, a Agricultura, a Energia, as Engenharias, então a Ciência e a Tecnologia já estão presentes em inúmeras atividades da sociedade. A gente precisa fazer uma aproximação maior no sentido de integrar mais a Ciência, que seus resultados de pesquisas tenham impacto maior, que possam construir novas coisas, inovar no sistema produtivo para melhorar políticas sociais, a qualidade de vida das pessoas, a conservação do Meio Ambiente, então a tecnologia pode contribuir de maneira significativa. Um esforço para isso é melhorar a Educação Científica nas escolas. E melhorar as atividades de comunicação pública da Ciência. Debatendo mais, fazendo mais atividades, trazendo mais jovens para a Ciência. O Salão de Divulgação da ANPG tem também esse papel. E a gente precisa que os pesquisadores, os alunos, os estudantes de pós-graduação, todos contribuam também para a educação científica e para a divulgação científica.
 
Texto: Lipe Canêdo

renúncia coletiva do FNE, em função de portarias ministeriais de 26 e 27 de abril que passam a subordinar ao MEC a atuação de tal espaço colegiado garantido por lei na condução da CONAE – restringindo inclusive as contribuições da conferência para a elaboração da política nacional – e desmonta a estrutura do FNE, excluindo entidades históricas da área, reduzindo a participação de representantes da sociedade civil e aumentando a base de entidades alinhadas ao governo atual. Antes mesmo disso, o MEC já vinha descumprindo seu papel na garantia de etapas preparatórias à Conferência Nacional de Educação e preparação de Documento Referência, dentre outros pontos garantidos em lei.
A negação ao diálogo por parte do governo e a não revogação de tais portarias implicaram na criação do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), que terá como tarefa pressionar o governo federal e fazer valer a implementação dos planos nacional, estaduais, distrital e municipais de educação e viabilizar a organização da Conferência Nacional Popular de Educação (CONAPE 2018). ANPG integra a Conferência Popular e trabalha nas questões ligadas a pós-graduação no país.
A partir disso, os Fóruns Municipais de Educação, o Fórum Distrital de Educação e os Fóruns Estaduais de Educação foram conclamados à adesão ao processo de construção da CONAPE 2018, de forma a reafirmar coletivamente o papel da Conferência na construção da democracia participativa no âmbito da educação brasileira e da implementação do PNE. Assim, como primeiro passo para este processo, pede-se que os fóruns manifestem adesão a este grande movimento de defesa da gestão democrática da educação pública, preferencialmente, até o dia 05 de agosto de 2017.
Confira (documento_de_nao_reconhecimento_de_um_novo_fne_06_06)  o documento detalhando razões das entidades para não mais reconhecimento do Fórum e de como a CONAE 2018 foi inviabilizada.
 

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A Mostra Científica da ANPG fez parte do 5ª Salão de Divulgação Científica e ocorreu dentro da 69ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), maior encontro de ciência do país
Do comportamento dionisíaco e apolíneo do carnaval de Salvador a polêmica pílula do câncer. Diversidade, inovação e sustentabilidade foram os conceitos dos trabalhos apresentados na Mostra Científica do V Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos). Em 18 e 19 de julho, graduandos, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos defenderam ideias em diversas áreas da ciência na Escola de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Divididos em cinco salas, mais de 100 trabalhos foram apresentados com destaque, entre outras áreas, para saúde, sociais aplicadas, artes, linguística, exatas, engenharia e educação. Teve estudos sobre música, comportamento, tecnologia, doenças, animais e grande eventos. Entre eles, o trabalho “Traços de comportamentos dionisíacos em um carnaval apolíneo”, do filósofo Ygor Borba de Oliveira.
Da UERJ (Universidade Estadual do Rio de janeiro), Diogo Santos, Danilo Oliveira, Hamilton Santos, Vitor dos Santos, Hugo Boareto e Marcelino José apresentaram o “Projeto Uirapuru -X: democratizando tecnologias na área de análises de fluorescência por raios-X”. Os estudantes produziram uma máquina que identifica a composição elementar do que é analisado. “A máquina pode ser aplicada nas áreas de geologia, patrimônio cultural em museus, biomédica, amostras biológicas, entre outros estudos”, explica Diogo.
Os autores do projeto, premiados na Mostra Científica com menção honrosa na área de exatas, fizeram uma demonstração do funcionamento da máquina para avaliar a composição de uma moeda e explicaram que já existe um modelo semelhante, porém, fora do Brasil. Segundo Diogo, uma máquina com a mesma capacidade pode custar até € 300 mil. “Criamos essa máquina gastando menos de um décimo do custo de uma máquina no exterior e ela nos deu um resultado melhor do que muitas que são vendidas. Além disso, o nosso produto é brasileiro, mais leve e fazemos assistência técnica aqui mesmo, sem precisar vim de outro país. O nosso produto é competitivo”, finaliza, Diogo, confirmando o nome da máquina como uma homenagem ao Brasil.
Ao final das apresentações os expositores trocaram informações sobre os trabalhos e discutiram, entre outros assuntos, a importância do debate e o futuro da ciência. “A Mostra é importante para divulgação do conteúdo científico dos alunos e também o possibilita participar de um grande evento para promover, circular e compartilhar conhecimento”, explica o enfermeiro e diretor de universidades estaduais da ANPG, Márcio Cristiano de Melo.
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Os expositores da Mostra Científica receberam um certificado de participação e tem até o 30 de julho para enviar os seus projetos na íntegra para serem publicados no site da ANPG.
Outros trabalhos apresentados na mostra científica
Alterações metabólicas e risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV/AIDS sem o uso de antirretrovirais
Um grupo formado por Mariana Amaral Raposo, Geyza Nogueira de Almeida Armiliato, Camila Abrahão Caram, Nathalia Sernizon Guimarães, Raíssa Domingues de Simoni Silveira e Unaí Tupinambás são autores do trabalho “Alterações metabólicas e risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV/AIDS sem o uso de antirretrovirais”. No estudo, feito em 2012, em Minas Gerais, foi possível identificar alterações metabólicas na população com HIV/AIDS (PVHA) antes do início da terapia antirretroviral (TARV), principalmente por baixos níveis séricos de HDL-colesterol, hipertrigliceridemia e obesidade abdominal.
Segundo Mariana Amaral, o acesso à terapia antirretroviral mudou o quadro de epidemia no Brasil e no mundo e, junto com a melhora na qualidade de vida e sobrevida da população com HIV/AIDS, aumentou o número de doenças não infecciosas. “O trabalho aponta para a necessidade de se avaliar e conhecer o perfil metabólico de pessoas que vivem com HIV/AIDS antes do início da terapia antirretroviral como forma de prevenção de futuras alterações metabólicas. A introdução da TARV pode potencializar a dislipidemia conferindo aumento do risco cardiovascular, principalmente entre aqueles com riscos clássicos para doenças cardiovasculares”, diz a mestranda da UFMG que apresentará o trabalho.
Cânhamo: um recurso economicamente sustentável
Substituir o algodão e o eucalipto pelo cânhamo com foco na sustentabilidade. Essa é a proposta das baianas Eline Matos, mestranda de economia da UFBA e Marina Amaral, graduanda de sociais da UNEB. A dupla explicou que já existem vários produtos fabricados a partir da planta derivada da Cannabis, como carro, papel, tênis, óculos, cereais e cosméticos. “Estamos fazendo este trabalho baseado numa perspectiva ecossocialista que pretende ampliar a luta em favor do meio ambiente e anticapitalista. É uma matéria prima rica em proteína, firme e pode ser usada em “N” possibilidades, ainda tem a vantagem de ser um recurso economicamente sustentável”, explica, Marina.
Na apresentação foi mostrado os impactos ambientais do algodão e do eucalipto e as vantagens de substituir pelo cânhamo. “O eucalipto consome muito agrotóxico e pesticidas que contaminam o solo e diminuem os mananciais e lençóis freáticos. O cânhamo já faz o papel contrário, pois nutre o solo”, afirma Eline. As estudantes esbarram na proibição da Cannabis para continuar as pesquisas. “Tem o lobby das empresas madeireiras que atrapalham para a substituição e os nossos estudos foram a partir de resultados feitos fora do país, então a maior dificuldade é que não dá para trabalhar com algo que é proibido”, finaliza Marina.
A vulnerabilidade da sociedade brasileira diante do uso da fosfoetanolamina tendo em vista a teoria principialista
Apontada como solução do câncer por alguns e motivo de desconfiança por outros, a polemica pílula do câncer também foi tema de trabalho na Mostra Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) a partir de um trabalho de Edilaine Farias Alves, Marcello Henrique Araújo, Fabiana Araújo e Tatiana Tavares. “A pílula tem um grande valor para a sociedade por prometer curar o câncer e fizemos um estudo do que já foi publicado. Alguns centros de pesquisas começaram a desenvolver ensaios clínicos, mas ao longo dos testes os ensaios não apresentaram resultados esperados. São necessários mais ensaios clínicos para poder dizer se realmente é válido o uso dela”, explica Edilaine, bióloga e mestranda da UERJ.
Texto: Mateus Marotta Silva

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Mesa do 5º Salão da ANPG debate assédio moral e sexual na academia
“Você é uma franga sem doutorado que precisa colocar o rabo entre as pernas, parar de enfrentar professor doutor e aprender a jogar o jogo da academia, caso queira continuar nela”, disse um orientador a sua orientanda. Este relato foi apresentado pelo pesquisador sobre assédio moral, André Luiz Souza Aguiar, professor da UFBA, durante o debate “Academia, Assédio e Adoecimento na Pós-Graduação”, realizada na manhã desta sexta-feira (21), no 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, na UFMG.
“O conceito de assédio moral no trabalho, e que pode ser aplicado na academia, é qualquer conduta abusiva que atente por sua repetição ou sistematização contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa ameaçando ou degradando o clima de trabalho”, explica Aguiar.
Isolamento, dignidade violada, violência física, verbal ou sexual. O assédio na pós-graduação é uma realidade, apesar de muitos preferirem não encarar o problema. “A permanência do assédio ou qualquer violência se passa pela omissão dos gestores. Um professor não é autônomo o suficiente para fazer o que ele quer, ele é subordinado a alguém”, disse o pesquisador.
Depois de publicar o artigo “Precisamos falar de vaidade na vida acadêmica”, em sua coluna na Carta Capital, a cientista social e antropóloga, Rosana Pinheiro Machado, da USP, recebeu mensagens de pós-graduandos e pós-graduandas que a procuraram pedindo ajuda. O artigo virou uma espécie de manifesto, estampou os murais de universidades, e os relatos das pessoas que a procuraram viraram o livro “Pequena História da Opressão Acadêmica”. “O nosso sistema acadêmico é extremamente doente e por isso faz adoecer”, disse Rosana durante o debate.
Insônia, falta de apetite, que levam a pessoa a minguar e ao uso de antidepressivos, diz a professora, são algumas das consequências no assediado. E ela salienta que as vítimas dessa opressão têm raça, gênero e sotaque. “Estudantes do interior ou de regiões do nordeste são bastante discriminados”, comentou a professora.
A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, lembrou que embora o Brasil seja o país onde as mulheres realizem a maior parte das pesquisas, o ambiente acadêmico ainda é muito hostil para elas. “67% das mulheres já sofreram assédio no ambiente acadêmico”, disse.
Combate ao assédio
O assédio na academia se passa na relação orientador X orientando, mas também entre os próprios pós-graduandos. “O que temos feito? Estamos trabalhando para a ruptura ou para a perpetuação desse processo?”, questiona Renata Rosa, da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres de Minas Gerais e pesquisadora na PUC-MG.
“Precisamos botar o dedo na ferida se quisermos avançar e fazer desse momento não só um lugar para depoimentos, mas também de encaminhamentos”, diz Renata.
No debate, destacou-se muito a importância da solidariedade entre os estudantes. “O combate ao assédio começa com a denúncia aos órgãos competentes e legais. Mas, não se combate o assédio de forma isolada e sem o apoio do coletivo”, comentou o pesquisador da UFBA, André.
A ANPG criou um Grupo de Trabalho sobre assédio na pós-graduação, para avançar na elaboração sobre o tema.
Por Natasha Ramos

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“A SBPC Jovem é uma maneira legal de entender o que a gente estuda. É mais divertido ver as experiências do que ficar em sala de aula com a cara nos livros”, afirma Vitória Luíza Ferreira, aluna do 7º ano da Escola Municipal Acidália Lott, de Belo Horizonte. Presente na Tenda Jovem do 69º Encontro Anual da Sociedade Brasileira para o Pregresso da Ciência, ela gostou particularmente do estande organizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Vivenciando a Biologia, que propõe uma viagem pelo interior de uma célula gigante e em três dimensões.
O SBPC Jovem é um programa criado em 1993, que busca levar saberes científicos para estudantes do ensino básico através de atividades lúdicas e interativas. Com mais de 20 estandes de diferentes universidades e organizações, a Tenda Jovem recebeu centenas de estudantes desde segunda-feira (17) e fica aberta até sexta, dia 21. “Em Angola nós temos poucos eventos como este. É uma oportunidade de as crianças terem contato com a ciência desde muito cedo, isso é bom porque quando crescerem já saberão o que podem fazer. É uma iniciativa louvável”, avaliou Eliseu de Oliveira Afonso, estudante de Metereologia da Universidade Federal do Alagoas (UFAL). Nascido em Luanda, o jovem pesquisador apresentou resultados de uma pesquisa sobre fenômenos metereológicos do nordeste brasileiro no encontro da SBPC.
Idealizador do estande O Rádio Como Ferramenta de Divulgação Científica, o professor de Veterinária da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Matheus Ramirez, comemora o sucesso do espaço: “Em dois dias e meio, gravamos 135 programas de rádio.” Um dos lugares mais movimentados da Tenda Jovem, ele busca familiarizar as pessoas com a linguagem do rádio e da ciência. “Gravamos um programa com um haitiano, sobre preconceito, com indígenas, com crianças sobre mensagens de whatsapp e troca de afeto, foram muitos os temas. Já tínhamos experiência de fazer programas de rádio para divulgação científica, mas nesse estande só tem gente da veterinária, ninguém é profissional do rádio”, comemorou. As gravações podem ser ouvidas no site do estande.
Estudante de Engenharia de Agrimensura e Cartográfica da Universidade Federal de Viçosa, Laís Rosa Oliveira, de 24 anos, trabalhou como expositora do Museu de Ciência da Terra na tarde desta quarta-feira. “Nós usamos tinta de solo, as crianças chamam de tinta de terra. Elas vêm aqui e dependendo da idade a gente fala de questões mais complexas, ou conversa de um jeito que vão entender, de acordo com o que elas estudam na escola. É um público bem amplo, de escolas técnicas, escolas públicas e privadas”, explicou. O professor de Engenharia Mecânica do Instituto Técnico de Goiás, Rodrigo Camargo, passou a tarde trabalhando no estande da Agência Espacial Brasileira, que ensina crianças a fazer carros com propulsão de balão de ar, tem um espaço que simula a transmissão de dados para um veículo em missão espacial, e um planetário. “Nós buscamos desmistificar o estudo aeroespacial”, afirmou.
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Texto: Felipe Canêdo

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Presidente do CNS quer três milhões de assinaturas em apoio a ação de inconstitucionalidade no STF
“Nós estamos nos propondo, com todos os movimentos que queiram aderir, a fazer um processo nacional e um grande ato em todas as cidades que têm Conselho Regional de Saúde, e apresentar pelo menos três milhões de assinaturas ao Supremo Tribunal Federal contra a Emenda Constitucional 95, do Teto de Gastos”, conclamou Ronald Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Saúde, na abertura do Encontro Nacional de Jovens em Defesa do Sistema Único de Saúde, em Belo Horizonte. O evento é parte da programação do V Salão Nacional de Divulgação Científica da Associação Nacional de Pós Graduandos, e se encerra na tarde desta sexta-feira (21).
Segundo Ronald, há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade apresentada pelo Ministério Público, Associação dos Juízes Federais, PDT e Associação dos Juízes do Trabalho, contra a Emenda Constitucional 95. “Nós vamos entrar como amigos da causa, uma figura jurídica comum nesses casos, com todas essas assinaturas, em 7 de abril do ano que vem, Dia Mundial da Saúde”, explicou. Várias entidades já estão articuladas para a mobilização, ele afirma. Entre elas, a Frente Nacional de Prefeitos, as centrais sindicais que compõem o conselho (CUT, CTB, Força Sindical, Nova Central), e a Federação Nacional dos Farmacêuticos.
Presentes na mesa de abertura, as presidentas da ANPG, Tamara Naiz, e da UNE (União Nacional dos Estudantes), Marianna Dias, e o presidente da Denem (Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina), Douglas Vinícius, aplaudiram a proposta. Todos foram categóricos em relação à importância de reverter o quadro de cortes de investimentos em Saúde.
“A PEC 55 (Proposta de Emenda Constitucional) foi feita para cortar verbas da Saúde e da Educação. Essa é a razão de existir dela”, discursou Tamara. “Essa Emenda Constitucional vai matar o SUS e a Educação Pública nesse país. O Plano Nacional de Educação, conquistado com muita luta, está sendo desmontado”, lamentou Marianna. “Vivemos um momento de exceção. Jamais imaginamos que seria permitido que mulheres grávidas trabalhassem em ambiente insalubre, se alguém nos falasse que todos esses desmandos aconteceriam há alguns anos atrás, seria tachado de louco”, completou ela.
O vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde, Ederson Alves da Silva, lembrou o exemplo do projeto de lei de iniciativa popular, Saúde + 10, que arrecadou mais assinaturas que o do Ficha Limpa. “Foram mais de 2,2 milhões de assinaturas, o que mostra a força de aglutinação que a pauta da Saúde tem“, ponderou.

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É preciso desenvolver no continente uma universidade mais igualitária e com a cara de seu povo

O ensino superior no Brasil e na América Latina tem à sua frente grandes desafios. “A universidade precisa ter mais preocupação com a produção de conhecimento do que só coma expansão da instituição”, disse Luiz Roberto Curi, presidente da câmara de educação superior do Conselho Nacional de Educação, durante o debate realizado no 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, na tarde desta quarta-feira (19), na UFMG.

O atual modelo de avaliação da Educação Superior, diz Curi, serviu muito bem para os propósitos da década de 1990, para combater os cursos ruins, mas, agora, “precisamos organizar a avaliação para outros desafios, mais consistentes, para desenvolver o país”.

“A universidade tem que estar atrelada à noção de produção de conhecimento científico. A perspectiva de desenvolvimento está vinculado com isso. Países que não apostam em ciência e tecnologia não prosperam”, concorda Nuria Giniger, do Científicos Autoconvocados de Buenos Aires, entidade que tem atuado fortemente contra as políticas do governo de Macri que ameaçam os direitos dos trabalhadores e do povo.

Vivian Urquidi, vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação Integração da América Latina (PROLAM) da USP, apresentou que nos últimos anos, cada vez mais, têm surgido grupos de estudos com diferentes perspectivas sobre a América Latina. “Estudar América Latina nos impõe não só um projeto de pesquisa, mas um projeto de vida”, diz.

Frente aos desafios da educação superior na América Latina é fundamental estabelecer metas e prioridades a partir da construção de uma agenda estratégica para a região. “Essa agenda deve considerar as condições, necessidades e imperativos local, nacional e regional”, disse Álvaro Maglia, diretor executivo da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM).

Esse plano de ações, diz Maglia, será amplamente debatido na 3ª Conferência Regional de Educação Superior (CRES), que será realizada de 11 a 15 de junho de 2018, em Córdoba (Argentina), na ocasião do centenário da Reforma Universitária.

“Em 1918, os estudantes se rebelaram contra o sistema de educação, aqueles jovens foram os primeiros a dizer que a nossa universidade deve ter a cara da América Latina”, disse Francisco Tamarit, da Universidade de Córdoba e coordenador geral do CRES 2018.

Segundo o argentino, quase 100 anos depois da revolta de Córdoba, ainda é preciso se fazer uma reforma do sistema de educação superior, que é extremamente elitista. “A educação superior é um direito universal e um dever do Estado. Tornar esse direito disponível para todos é um dos desafios que será discutido na CRES”, diz  Tamarit.

“É importante construirmos uma unidade dos currículos, no sentido de criar uma proximidade acadêmico-científica das universidades no âmbito de um projeto de integração latino-americano, para que consigamos nos enxergar na geopolítica internacional enquanto pólo científico na perspectiva da emancipação dos povos da América Latina”, conclui Flávio Franco, diretor de relações internacionais da ANPG.
Texto: Natasha Ramos
 

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“Um, dois, três, quatro, cinco mil, se corta na ciência não avança o Brasil”, gritaram as centenas de pessoas na Escola de Engenharia da UFMG durante ato pelas eleições diretas da ANPG
“O conselho da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) já se manifestou em favor das eleições diretas”. A afirmação é do presidente de honra da SBPC, Ennio Candotti, durante o ato “Cientistas e Pesquisadores pelas Diretas Já”, agenda do V Salão de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos). A associação de pós-graduandos havia cobrado um posicionamento da SBPC por meio de uma moção que, segundo Ennio, será aprovada nesta quinta-feira em Assembleia da entidade na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
O ato também teve representações de diversas entidades e personalidades, como a Tamara Naiz, presidenta da ANPG, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG); Marianna Dias, presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes); Ronald Santos, presidente do CNS (Conselho Nacional de Saúde); Jhonatan Almada, Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação do Maranhão; Sandra Regina, vice-reitora da UFMG; o professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação; Valéria Morato, CTB/MG (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Sabrina Teixeira, CUT/MG (Central Única dos Trabalhadores); e Carlos Wagner, ABCMC (Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência).
Em maio deste ano o Governo Federal reduziu o orçamento da ciência em 44%, um corte de R$ 2,2 bilhões no financiamento de R$ 5 bilhões que o governo havia proposto originalmente para 2017. Os cortes e as políticas conservadoras na educação, previdência e trabalhista se unificam para a luta das eleições diretas. “Nós concluímos neste semestre um momento em que sofremos os mais duros golpes de perda de direitos e da democracia. Terceirização, sanção da reforma trabalhista, ataque a democracia e corte financeiro. (…) Israel investe 4,3% do PIB em inovação ciência e tecnologia. O Brasil em 2016 investiu 1,3% e neste ano a tendência é a mais absurda ameaça à ciência com o contingenciamento de investimentos”, explica Jô Moraes, sobre a urgência do Brasil ter eleições diretas.
Os cortes nos investimentos da ciência e tecnologia vão na contramão do progresso através de novas descobertas feitas a partir de pós-graduandos, mestrandos, doutorandos, cientistas e pesquisadores, como explica Beirão. “Não há nenhum país desenvolvido sem uma base sólida de investimento em educação na ciência e tecnologia. O Brasil estava construindo uma base na ciência e não podemos perder isso. Na década de 50 o Brasil tinha muita desnutrição e foi acabando através de ciência e tecnologia e hoje a gente exporta comida. O Brasil conseguiu algo único, explorar nossa plataforma e achar petróleo no fundo do mar há mais de 7 km de profundidade, o pré-sal. Isso é ciência e tecnologia”, pontua o professor. “Tudo isso está sendo jogado no lixo por causa de uma gangue de assaltantes”, finaliza.
Segundo os convidados, só há um antídoto para superar todo o retrocesso, que é através da democracia e da soberania popular através do voto direto. A ideia também é compartilhada pela UNE. “Junto com a UNE e UBES, a ANPG é a entidade que defende os estudantes e tem o dever de se posicionar para tirar Michel Temer e a política de retirada de direitos. Podemos sim ter um Brasil melhor e a gente conclama que essa bandeira de Diretas Já seja de prioridade. Queremos defender o povo. A saída é o povo decidir os rumos do país e decidir uma nova política que respeita os trabalhadores, estudantes e sociedade em geral”, diz Marianna Dias, reforçando o coro pelas Diretas Já.
Texto: Mateus Marotta Silva

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A popularização da Ciência foi um assuntos abordados no Encontro, realizado durante o V Salão Nacional de Divulgação Científico

Como atrair jovens talentos para Ciência brasileira? Este foi o tema do 17º Encontro Nacional de Jovens Cientistas da ANPG, realizado na manhã desta quinta-feira (20), na Universidade Federal de Minas Gerais. O debate contou com um gestor, um pesquisador, um divulgador da ciência e uma estudante secundarista para tentar responder essa e outras questões.

“Muito importante esse evento para pensarmos a aproximação da Ciência com a realidade”, disse Richard Santos, doutorando da UnB, também conhecido como Big Richard da Nação Hip Hop. O grupo abriu o encontro com um sarau de rimas, que cativou o público.

“Quando começamos aqui com os membros da nação hip hop dialogando com o que temos lido em teses e dissertações, nós estamos fazendo ciência, ainda que a partir de uma expressão popular”, diz Big Richard.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), José Ribamar Ferreira, “a Ciência em conjunto com a sociedade nos levará adiante com novas visões de mundo”.

Ribamar lembrou do sociólogo Bruno Latour quando disse que o objetivo da ciência é não produzir verdades indiscutíveis, mas discutíveis. E salientou a importância de se popularizar a Ciência. “Socializar o conhecimento é fortalecer a democracia”, disse.

A estudante Késsia Teixeira, presidenta da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), concordou com essa ideia: “É preciso que a Ciência e Tecnologia chegue às camadas mais populares sociedade”, disse.

O secretário da SECTEC-MA e reitor do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia-IEMA, Jhonatan Almada, trouxe para o debate a experiência do Maranhão, que tem implementado políticas públicas que valorizam a formação científica do jovem. “Temos atraído os jovens para a Ciência brasileira com iniciativas como a implementação do Centro de Educação Científica e do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia, que formam estudantes da educação básica”, disse Jhonatan.

“Esses são investimentos fundamentais que nos mostram que o caminho para desenvolver o Maranhão é através da Ciência e Tecnologia”, complementa o secretário.

Para que e para quem serve a Ciência?

É inegável a contribuição que a Ciência tem para a humanidade. Mas, para que e para quem serve a ciência? Esses foram outros questionamentos durante o Encontro de Jovens Cientistas. “A Ciência pode criar riquezas, mas também pode perpetuar desigualdades”, diz Tamara Naiz, presidenta da ANPG.

A Ciência precisa ter diversidade de todas as formas. “É preciso pensarmos como incluir sem excluir: como valorizar culturas, identidades, saberes, sem excluir, sem colocar em patamares de melhor ou pior”, disse Big Richard.

A ciência deve olhar para a sociedade. “Todos nós podemos fazer ciência. A ciência deve ser apropriada pelo povo e para o bem-estar do povo”, conclui Tamara.

Por Natasha Ramos