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Escrito por: FNDC

O Brasil volta a ser ameaçado pela mordaça da censura. A marca do governo Jair Bolsonaro é o combate ao jornalismo livre, ao pensamento livre e à cultura livre.

A liberdade de expressão é um direito fundamental. Em tempos de polarização política e de ascensão de discursos autoritários e de ódio, com ataques frontais à própria democracia, a luta pela plena garantia desse direito precisa ser intensificada.

O Brasil volta a ser ameaçado pela mordaça da censura. A marca do governo Jair Bolsonaro é o combate ao jornalismo livre, ao pensamento livre e à cultura livre. Desde a sua campanha eleitoral, Bolsonaro não esconde seu menosprezo pela democracia e pelos direitos fundamentais, e elegeu a liberdade como adversária na sua cruzada política, ideológica e cultural.

Desde o primeiro dia como presidente, Bolsonaro demonstra profundo desrespeito pela imprensa. Em sua cerimônia de posse, confinou profissionais de comunicação em condições degradantes. E em seis meses de mandato já deu ordem para demitir jornalista e já afirmou que empresas de comunicação são inimigas a serem combatidas. Integrantes de seu governo e seus filhos (que atuam como príncipes numa monarquia) usam redes sociais para expor e linchar jornalistas que produzem reportagens com denúncias sobre o governo.

Com decretos e medidas administrativas, alterou legislações de forma ilegal para reduzir a transparência do Estado, impôs sigilo a documentos de interesse público (decreto assinado pelo vice Mourão, que alterou a Lei de Acesso à Informação e previu novas regras de classificação de informações secretas e ultrassecretas), desmontou a comunicação pública (decreto que unificou a programação da EBC e NBr), persegue universidades e professores, ataca a pesquisa científica e tenta criminalizar organizações políticas (como se previa no texto original da MP 870, que reorganizada a administração pública federal).

Nos últimos anos, o Brasil já convivia com um cenário de graves violações à liberdade de expressão, que se davam a partir de processos judiciais para impedir a publicação ou retirada de conteúdos, movidos principalmente por setores da própria mídia hegemônica contra comunicadores e jornalistas da mídia alternativa, ou por políticos e setores da segurança pública.

Mas, desde o impeachment de Dilma Rousseff, a judicialização da censura, além de crescer, passou a ter a companhia de violações à liberdade de expressão cometidas pelo poder central (intervenção na Empresa Brasil de Comunicação, perseguição a professores, violência contra manifestantes, ameaças contra jornalistas na tentativa de violar o sigilo da fonte e tantas outras). A denúncia dessas violações foi o objeto da campanha Calar Jamais!, lançada pelo Fórum Nacional pela Democratização Comunicação, em 2016.

Segundo o relatório “Violações à liberdade de expressão”, produzido pela organização Artigo 19, ameaças e assassinatos de jornalistas e blogueiros aumentaram 30% no ano de 2018 em relação ao ano anterior, e as principais vítimas são os comunicadores de cidades pequenas. Na Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa, produzida pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Brasil aparecia, em 2017, na posição 103º entre 180 países. Em 2019, caiu para a posição 105º. Os dados demonstram degeneração significativa na garantia do direito à livre expressão e, portanto, uma fragilidade maior no sistema democrático.

Nesse cenário de ascensão da extrema-direita e do pensamento fundamentalista, cresce no país a intolerância, o preconceito, a desinformação e a propagação de mentiras (fake news). O discurso de ódio passa a ser praticado de forma recorrente como instrumento de combate político e ideológico.

Com Bolsonaro, o Brasil retrocedeu ainda mais e deixamos de ter casos difusos de violações à liberdade de expressão, para um cenário de institucionalização dessas violações, ou seja, estamos sob um estado censor.

O que nos torna humanos é a possibilidade da palavra e do pensamento livre. Quando o poder político e econômico nos obriga a ocultar nosso pensamento por medo das consequências, quando a palavra na nossa garganta é amordaçada, quando nossas organizações são criminalizadas, quando nossas manifestações são reprimidas com violência, quando nossos jornalistas são tratados como criminosos, já não há mais liberdade de expressão e muito menos democracia.

Reafirmando e defendendo ser a liberdade de expressão um direito fundamental, reconhecido internacionalmente como base para a construção de uma sociedade democrática, o FNDC relança a campanha Calar Jamais! agora com foco na defesa deste direito fundamental. Seu objetivo passa a ser debater o tema de forma ampla, requalificando a discussão em torno da própria liberdade de expressão, do seu significado nos dias de hoje, quem são seus sujeitos e quais seus limites. Essa requalificação política, jurídica e teórica é indispensável para fazer uma defesa direta, não apenas reativa, desde direito fundamental.

Defender a liberdade de expressão é defender a própria democracia! Calar Jamais!

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O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) congrega entidades da sociedade para enfrentar os problemas da área no país. São mais de 500 filiadas, entre associações, sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais e coletivos que se articulam para denunciar e combater a grave concentração econômica na mídia, a ausência de pluralidade política e de diversidade social e cultural nas fontes de informação, os obstáculos à consolidação da comunicação pública e cidadã e as inúmeras violações à liberdade de expressão.

Organizado em quase todo o Território Nacional, em 20 Comitês Estaduais ou Regionais pela Democratização da Comunicação, o FNDC nasceu nos anos 80 como movimento social pela democratização da comunicação.

Em 2016, ao completar 25 anos de atuação, o FNDC lançou a campanha Calar Jamais!, para denunciar violações à liberdade de expressão em curso no país. A campanha foi uma reação ao avanço do conservadorismo e da ruptura democrática ocorrida com a deposição da presidenta Dilma Rousseff. Da repressão aos protestos de rua à censura privada ou judicial a conteúdo nas redes sociais, passando pela violência contra comunicadores, pelo desmonte da comunicação pública e pelo cerceamento de vozes dissonantes dentro das redações, a campanha quer enfrentar o problema dando visibilidade nacional e internacional a essas graves violações. Clique aqui para conhecer a campanha

No último dia 12 de junho, a Associação Nacional de Pós-Graduandos reuniu-se com a Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da CAPES para tratar sobre as reivindicações dos pós-graduandos a cerca do Programa de Doutorado Sanduíche (PDSE) edital 47/2017 e 41/2018. Participaram da reunião o atual Diretor da DRI, Mauro Luiz Rabelo, técnicos que atuam no PDSE e funcionários do setor jurídico responsável pelos editais.

Em relação ao edital 47/2017 foram questionados: 1) aceitação de outros critérios pedagógicos e de produtividade para comprovação da proficiência para os regressos do edital 47/2017 que não obtiveram conceito exigido no edital; 2) diminuição da pontuação exigida no edital 47/2017 para valor correspondente ao edital atual 41/2018; e 3) apresentação de alternativa à devolução de recursos, exigida em caso de não obtenção da pontuação.

Sobre esses pontos supracitados, a Capes informa que já houve essa flexibilidade das notas de proficiência condizentes ao edital, pois embora o termo de compromisso assinado pelos pós-graduandos coloca como prazo três meses após início da bolsa, há a possibilidade da entrega da nota posterior ao retorno do bolsista.  Esse prazo tem levado em consideração ainda uma janela de tempo para apresentação do documento, considerando o calendário das provas oferecidas pelas Instituições de Ensino de maneira gratuita. Nesse sentido, a nota precisará ser entregue conforme acordado. O pós-graduando poderá indicar a data da entrega dessa nota desde que a data seja a mais próxima do retorno ao Brasil. O fechamento desse calendário deverá ser via mensagem direta no portal capes, sendo feito individualmente.

Sobre o segundo ponto do edital 47/2017, a agência informa que a não exigência da pontuação e flexibilização da nota fere a isonomia do edital, o que poderá acarretar um questionamento jurídico do edital como um todo. No terceiro ponto, a CAPES ressalta que não há como não dar consequência a exigência da devolução dos recursos caso não haja entrega da nota, pois está quebrando um dos termos do contrato assinado por ambas as partes. Entretanto, haverá possibilidade de parcelar o valor sob o argumento de não interrupção do processo de pesquisa.

O edital 47/2017 distribuiu 2500 bolsas. Há oito casos encerrados, e que irão ser encaminhados o setor de cobrança. Ainda há 226 casos que ainda estão em processo, sendo alguns aguardando a documentação, outros com data para a entrega da nota e uma parcela que não responde à CAPES quanto ao calendário de entrega dessa nota.

Em relação ao edital 41/2018, foram questionados uma possível flexibilização da data de entrega da nota de proficiência em idioma estrangeiro e a diminuição do nível de exigência da proficiência espanhol Siele. Em relação a aquele primeiro pleito, a DRI argumenta que não há como flexibilizar a nota uma vez que não se trata mais de um edital de transição como foi argumentado no edital passado pela ANPG para diminuição dos scores da proficiência. Assim, com ciência prévia do edital, o primeiro calendário dispunha a apresentação da documentação até março, com a prorrogação até abril de 2019.

Sobre o segundo pleito do mesmo edital, a CAPES irá avaliar a a solicitação e apresentará em breve uma resposta sobre o pleito, pois apresentamos que o nível C1 é o nível máximo a ser alcançado exame SIELE, sendo o nível C o mais alto do Marco Comum Europeu de Referência. Assim, esse nível é considerado avançado e não intermediário, como exigido em todas as outras proficiências.

Diante das devolutivas sobre os questionamentos, a ANPG informa que continuará se colocando sempre ao lado dos pós-graduandos e mantém sua posição crítica as mudanças promovidas nos últimos editais do PDSE em vista que o processo de internacionalização da ciência brasileira deve ser amplo e de forma democrática. Entendemos que o idioma ainda é uma barreira para esse processo que precisamos criar políticas públicas, como curso de línguas Idiomas Sem Fronteiras – gratuito para os alunos de graduação e pós-graduação, para que os estudantes possam ter oportunidades de conseguirem proficiência sem dispender quantias altas para realização dos cursos e testes.

No última quarta feira, dia 11 de junho,, os estudantes e o conjunto da sociedade brasileira receberam a notícia que foi garantido recursos para educação e ciência a partir da votação de um crédito suplementar ao governo federal no Congresso Nacional. Mais precisamente 1 bilhão de reais para a educação e R$ 300 mil para a Ciência e Tecnologia, o que permitirá que o CNPq recomponha seus recursos. Uma vitória parcial frente ao desmonte que o governo Bolsonaro vem realizando nesses setores e que foi fruto da pressão popular e mobilizações que as entidades estudantis e estudantes brasileiros vêm protagonizando desde as primeiras notícias dos cortes e contingenciamento, se ligando a uma intensa mobilização e combate dos deputados federais que são oposição ao governo. Compreendendo o parlamento conservador e retrógado que temos hoje no Brasil, a Associação Nacional de Pós-Graduandos saúda todos os parlamentares envolvidos nessa vitória e que estiveram ao lado do povo.

Essa conquista sinaliza que estamos no caminho certo e que é imperativo manter na ordem do dia a luta política nas ruas e no parlamento para garantir que ninguém toque nas universidades, nas escolas e na nossa ciência. É por isso que voltaremos às ruas nesse dia 14 de junho, em defesa da educação e da ciência, nos somando a luta a greve geral dos trabalhadores contra a reforma da previdência convocado pelas centrais sindicais. Pós-graduandos, universitários, secundaristas, professores e todo os segmentos da sociedade civil coesos juntos com os demais trabalhadores em defesa do futuro do país.

A luta dos estudantes e pesquisadores contra o corte nas verbas que inviabilizariam o funcionamento de universidades e institutos federais, além dos pagamentos das bolsas de estudo, obteve importante vitória na Comissão Mista de Orçamento, na tarde desta terça-feira (11/6).

A oposição obrigou o governo recuar e incluir R$ 1 bilhão de volta para o Ministério da Educação e 330 milhões para as bolsas de estudos do CNPq, assim aceitando votar os créditos suplementares. Outros programas de grande impacto social também foram beneficiados, como o Minha Casa Minha Vida e a transposição do Rio São Francisco, que receberam R$ 1 bilhão e R$ 550 milhões, respectivamente.

O governo corria contra o tempo para votar a matéria que libera novos créditos de R$ 248 bilhões para não correr o risco de quebrar a “regra de ouro” – mecanismo que proíbe a administração de emitir títulos do Tesouro para pagar despesas correntes -, incorrendo em crime de responsabilidade.

“O governo Bolsonaro recuou. Nossa pressão funcionou. A oposição impôs derrota ao governo, que anunciou a devolução de 1 bi para a educação, 330 mi para bolsas de pesquisa. Vitória da luta dos estudantes”, comemorou via redes sociais o deputado federal Orlando Silva (PCdoB), fazendo menção aos grandes protestos contra os cortes que paralisaram o Brasil nos últimos dias 15 e 30 de Maio.

Flávia Calé, presidenta da ANPG, reafirmou o papel das mobilizações na conquista e lembrou que as ruas falarão novamente no dia 14 de junho, na greve geral. “Essa vitória é fruto da luta dos estudantes e da sociedade que têm ido sistematicamente às ruas contra os cortes na educação e na ciência. Isso mostra que o governo não tem carta branca para agir como quiser e terá que ouvir as demandas populares, que estarão colocadas novamente na greve geral do dia 14. O Brasil é uma democracia, posturas autoritárias como as de Bolsonaro e Weintraub não vão prevalecer”.

Fora Weintraub! Não aos cortes de bolsas!

 

É com indignação que a Associação Nacional de Pós-Graduandos recebe a notícia de novo corte nas bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES), extinguido mais 2.724 bolsas de estudos. Dessa vez, serão atingidos “os cursos com duas avaliações nota 3 consecutivas (Avaliação Trienal 2013 e Avaliação Quadrienal 2017) e cursos avaliados com nota 4 na Avaliação Trienal 2013 e que caíram para nota 3 na Avaliação Quadrienal de 2017”.

Esse cenário é consequência direta da orientação ultraliberal da política econômica do governo Bolsonaro e implementado, em concordância, pelo ministro da Educação Abraham Weintraub, que anuncia ter virado ministro “para realizar os cortes na educação”. Em menos de um mês já se somam cortes de 6.198 bolsas de estudos de pós-graduação, 300 milhões do orçamento da CAPES, 30% do orçamento das universidades e institutos federais, além da perseguição política a professores, estudantes e trabalhadores que lutam pelo futuro do país. Esse fato evidencia que o projeto do governo Bolsonaro e de seu ministro é o desmonte da Educação, do Sistema Nacional de Pós-Graduação, assim como o de Ciência e Tecnologia.

A escassez e defasagem das bolsas de estudos, com seis anos sem reajuste, impacta a formação de mestres e doutores. Sem bolsa de estudos, não há pesquisa científica e, portanto, não há retomada de crescimento econômico. O número de mestres e doutores no país contribui para alavancar o desenvolvimento nacional. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), enquanto o Reino Unido possui um índice de 41 doutores para cada 100.000 habitantes, o Brasil possuía, em 2015, uma média de apenas 7,6 para mesma proporção populacional. Nos EUA formam-se 8,4 para cada mil habitantes!

Os cortes nas bolsas de estudos em programas com conceito 3 e 4 atingirão principalmente a pós-graduação nas regiões Nordeste e Norte do país. Essa lógica aprofunda ainda mais as assimetrias regionais na produção científica brasileira, além de tirar os instrumentos necessários para que esses programas possam progredir.

Diante do exposto, podemos perceber que o governo Bolsonaro e o ministro Weintraub destroem o patrimônio educacional e científico brasileiro, construído há mais de 50 anos, e condenam o povo brasileiro a um ciclo de desigualdades e subdesenvolvimento. Não nos resta outra opção a não ser continuarmos nas ruas em defesa da educação e da ciência no país. Dia 14 de Junho, voltaremos às ruas contra os cortes na educação e na ciência, pelo restabelecimento das bolsas da CAPES e pela demissão imediata de Abraham Weintraub, além de nos somarmos à grande Greve Geral dos trabalhadores brasileiros contra a reforma da previdência.

 

Associação Nacional de Pós-Graduandos.

 

 

#Bolsonarotireasmãosdaminhabolsa

#TireAMãodaFederal

#SemCortesNaEducação

#SemCortesNaCiência

#PorEmprego&Aposentadoria

Caros pós-graduandos

A Associação Nacional de Pós-Graduandos vem acompanhando de perto o desenvolvimento do Programa de Doutorado Sanduíche (PDSE) junto a Diretoria de Relações Internacionais da CAPES, especialmente os últimos dois editais que vieram com mudanças substanciais na política de internacionalização da agência. Assim, juntamente com diversos doutorandos candidatos nos colocamos críticos aos parâmetros modificados, dentre eles a alta pontuação na proficiência das línguas estrangeiras e exigência de língua inglesa para países lusófonos. Entendemos que ambos se colocavam como barreiras para atingir o objetivo do programa, ou seja, complementar, através do intercâmbio, os esforços despendidos pelos programas de pós-graduação no Brasil na formação dos recursos humanos.

Nesse cenário, após intensa mobilização e pressão por meio de reuniões, audiências públicas e discussões sobre essas questões, conseguimos a diminuição da pontuação mínima exigida, já com o edital em andamento, comparando-se aquelas exigidas por agências internacionais. Entretanto, continuamos nossa luta, por entender que as alterações, mesmo sendo benéficas a um grupo de estudantes, não favorece todo o conjunto de pós-graduandos no Brasil. A realização das provas de proficiência, também constituem um empecilho por serem ofertados por um alto custo, possuem calendário fixo e sem logística que contemple a realidade do país, especialmente para com os doutorandos de Instituições fora das capitais.

Nossa luta é para conseguirmos um PDSE que potencialize a internacionalização da Ciência brasileira e aproveite os potenciais dos pós-graduandos brasileiros que mesmo em condições precárias de trabalho desenvolvem quase a totalidade da pesquisa cientifica no país. Os critérios a serem estabelecidos precisam se integrar a um projeto de internacionalização que complemente os esforços dos programas de pós-graduação na formação de recursos humanos para o desenvolvimento do país, especialmente em tempos de retrocessos no campo educacional e cientifico com cortes e restrições orçamentárias pelo governo federal. Nesse sentido, levaremos as reivindicações recebidas a CAPES na expectativa de abrir novos canais de dialogo sobre essas e outras temáticas do PDSE.

Associação Nacional de Pós-Graduandos.

As manifestações contra os cortes na educação e na ciência voltaram a mostrar força e capilaridade nesta quinta-feira, 30 de maio. As entidades estudantis ANPG, UNE e UBES calculam que cerca de 1,8 milhão de pessoas foram às ruas nos 26 estados do país e no Distrito Federal. Os protestos aconteceram em 208 cidades e conquistaram a adesão de brasileiros residentes em outros 10 países.

Desde a manhã, a movimentação esteve intensa nas cidades em que as entidades estudantis organizaram manifestações, convocadas na esteira da insatisfação popular gerada pelos cortes de 30% no orçamento das universidades e institutos federais, além do bloqueio de milhares de bolsas de mestrado e doutorado da CAPES.

Na cidade de São Paulo, cerca de 300 mil pessoas se envolveram no ato, que teve início no Largo da Batata, na zona oeste, e terminou já à noite na Avenida Paulista. Rio de Janeiro e Belo Horizonte também tiveram protestos com públicos estimados em mais de 200 mil pessoas.

Em Salvador, na Bahia, cerca de 100 mil estudantes ocuparam a Praça do Campo Grande desde às 10h. Ilhéus e Juazeiro também levaram 2 mil e 4 mil pessoas às ruas, respectivamente. Só no estado, 18 cidades tinham atos marcados até o período da tarde. Mais de 10 mil estiveram na Praça da Liberdade, em Teresina, no Piauí, que ainda teria as ruas cheias em Picos, Campo Maior, Parnaíba e São João do Piauí.

Em Pernambuco, já pela manhã 5 mil estiveram nos protestos registrados em Caruaru, já projetando a grande adesão do público à tarde, quando cerca de 100 mil estiveram no centro do Recife. No Distrito Federal, 20 mil pessoas se reuniram em frente ao Museu Nacional, entoando cantos como “Quero estudar, ser inteligente, de burro já basta o presidente”.

O público é demonstrativo da ampla adesão que a luta contra os cortes na educação e na ciência conquistaram na sociedade. A próxima jornada da luta será no dia 14 de junho, quando haverá nova greve nacional da educação, somando-se à greve geral de trabalhadores contra a Reforma da Previdência.

Veja como foi o #30M na sua capital de estado:
Porto Alegre – 20 mil
Florianopolis – 20 mil
Curitiba – 20 mil
Belo Horizonte – 200 mil
Rio de Janeiro – 100 mil
Goiania – 30 mil
DF – 20 mil
Cuiabá – 10 mil
Belem – 40 mil
Macapá – 15 mil
São Luiz – 30 mil
Teresina – 10 mil
Fortaleza – 100 mil
Natal – 25 mil
João Pessoa – 15 mil
Aracaju – 30 mil
Maceió – 10 mil
Salvador – 70 mil
Recife – 100 mil
São Paulo – 300 mil
Vitoria – 15 mil
Rio Branco – 10 mil
Vitoria – 10 mil
Palmas – 10 mil
Porto Velho – 7 mil
Campo Grande 15 mil
Manaus – 20 mil
Boa Vista – 5 mil

Fonte: União Nacional dos Estudantes.

A direção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, nesta terça-feira (28/5), uma redução de 30% no questionário do Censo 2020, que passou das 112 perguntas planejadas para 78.

Os técnicos do órgão, contudo, discordam da decisão e afirmam que o corte vai acarretar sérios prejuízos para o mapeamento de informações imprescindíveis para a formulação de políticas públicas. O enxugamento impactará tanto o questionário mais extenso, aplicado em 10% das residências, quanto o formulário básico do Censo.

Segundo análise divulgada por um conjunto de técnicos, diversas áreas serão comprometidas. A medição do déficit habitacional, por exemplo, ficará inviabilizada no Censo 2020, uma vez que o item sobre o valor do aluguel foi retirado da pesquisa. “Essa perda não pode ser compensada por pesquisas amostrais, pois só o Censo poderia produzir os resultados para cada município e por cada bairro das grandes cidades, informações fundamentais para as políticas habitacionais”, diz a nota.

Outros quesitos cortados afetam os dados sobre a migração interna do país e a emigração – o que preocupa particularmente num momento em que os fluxos migratórios são um debate mundial -, renda domiciliar e mercado de trabalho, entre outros. “Coletar a renda apenas do trabalho impede saber se a renda vem de aposentadoria, benefícios. Isso é um grande prejuízo para entender a renda para grupos populacionais invisibilizados, como pessoas com deficiência”, acredita Dalea Antunes, dirigente da Associação dos Servidores do IBGE (ASSIBGE).

Técnicos não foram ouvidos sobre as mudanças

Causou revolta nos funcionários a medida ter sido tomada sem a devida participação do corpo técnico. É o que aponta Luanda Botelho, coordenadora da ASSIBGE-Núcleo Av. Chile. “As decisões sobre os cortes foram tomadas à revelia dos técnicos e dos grupos temáticos responsáveis pela construção do questionário ao longo dos anos. É um total desrespeito a todos os usuários, entidades e fóruns que foram ouvidos nesse processo”.

Também preocupa os envolvidos que o novo questionário, com mudanças importantes, precisaria passar por testes antes de ser aplicado, o que não deve ocorrer. “Esse questionário não foi testado em campo. Trata-se de outro questionário, que demandaria testes pilotos e novo desenho”, diz Dalea. Esse raciocínio também é partilhado por Luanda, que considera “temerário levar um questionário tão alterado diretamente para o censo experimental”.

IBGE nega que redução seja devido à falta de recursos; servidores questionam critérios

Desde o início do governo, o brutal contingenciamento de recursos ordenado pela equipe econômica colocou a pesquisa, realizada a cada dez anos, na berlinda. Paulo Guedes, ministro da Economia, já em abril havia dado a senha para a diminuição das perguntas: “tem muita coisa que não é importante”, desdenhou.

A presidente do instituto, Susana Cordeiro Guerra, admite que há restrições orçamentárias, mas nega que a redução no questionário tenha relação com o aperto financeiro – de R$3,1 bilhões estimados, os recursos destinados devem ser de R$2,3 bi. “Nunca houve ordem para diminuir o número de perguntas do questionário, a única coisa que há é um quadro de restrição orçamentária”, argumentou, salientando que o IBGE tem autonomia.

Os servidores questionam as mudanças, já que a própria direção afasta o problema financeiro. Afirmam que não existe evidência de que a redução do questionário melhoraria a qualidade do censo e que informações essenciais serão perdidas com base em justificativas falaciosas.

O corte no Censo é mais um episódio de uma longa lista de contenciosos do atual governo envolvendo instituições educacionais, técnicas e científicas.

O auge foram os cortes em bolsas da CAPES e de 30% nos orçamentos das universidades e institutos federais, que motivaram grandes mobilizações em 15 de Maio e têm novos atos convocados para o dia 30. Nesta semana, o ministro Osmar Terra disse “duvidar” de uma pesquisa envolvendo 500 cientistas realizada pela Fiocruz.

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, “o governo flerta abertamente com o obscurantismo, dilapidando o que o país tem de melhor nas áreas de produção do conhecimento e de planejamento estratégico”.

De São Paulo, Fernando Borgonovi